História Meia noite você vai embora - Capítulo 5


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Categorias Harry Potter
Personagens Pansy Parkinson, Ronald Weasley
Tags Blaise, Draco, Harry Potter, Hermione, Hogwarts, Pansy, Pansy Parkinson, Ransy, Ronald Weasly, Rony, Zabini
Exibições 17
Palavras 2.374
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Fantasia, Magia, Romance e Novela, Shoujo (Romântico)
Avisos: Álcool, Drogas, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Spoilers, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 5 - 23:55 - Patrono



— Detesto aquela garota.

Rony se fingiu de surdo.

Gina Weasley estava comendo um pedaço absurdamente grande de torta de carne para seu corpo minúsculo, enquanto conversava com Hermione sobre ninguém menos que Pansy.

— Ela implica com todos aqueles que não fazem parte do círculo imundo dela. — "Nem todos, Rony pensou." — Além do que, parece uma cadela no cio. Veja, esfregando aquele projeto de seios no rosto do Malfoy.

Gina destilava uma dose bastante incomum de ódio. Embora Pansy fosse merecedora, não havia motivo aparente para a sessão gratuita de xingamentos.

Rony imaginou, por um segundo, que passou bem depressa, se sua irmã não estava com ciúmes de Malfoy. Desfez o pensamento por motivos óbvios.

Mas qualquer coisa era melhor do que ouvir a conversa das duas amigas sobre Pansy.

Não se sentia compelido a defender a garota, uma vez que ela merecia todos os insultos. Era fútil, baixa, desprezível.

Entretanto, dentro do baú onde são guardadas as verdades mais vergonhosas dentro das pessoas, uma sensação incômoda e bastante irritante tomava conta do garoto ruivo, que mantinha-se concentrado em sua comida.

Hermione observou o comportamento de Pansy. A garota parecia querer chamar a atenção de alguém no salão. Não parecia estar fazendo aquilo porque era desesperada pelo amor do garoto mimado e com cara de poucos amigos.

Gina continuava a insultar a garota, que por sua vez, dirigia olhares furtivos à mesa da Grifinória.

Hermione riu do último comentário da amiga, enquanto terminava seu ensopado, sentindo-se muito satisfeita, apesar de não admitir isso em voz alta. Ter os elfos domésticos trabalhando para que ela pudesse se alimentar parecia bastante injusto.

— E digo mais, ela tem uma cara de buldogue francês. Aqueles cachorros da Tia Constantine, não é mesmo Rony? — Gina gargalhava enquanto falava, dando alguns tapas na mesa. O irmão estava distraído.— Alô! Terra para Ronald Weasley! Está entre nós, ou foi dar uma volta no mundo dos astros com a Professora Trewlaney?

Todos na mesa riram. Exceto Hermione.

— Ah, vê se não amola, Gina! Onde estão seus namoradinhos, hein?

Fingir distração era uma boa saída. Comer compulsivamente evitava que as pessoas lhe fizessem perguntas.

Pansy não parecia um buldogue francês.
Era cruel compará-la com qualquer coisa que não fosse uma escultura solitária em alguma catedral francesa.

— Olhem, caríssimos companheiros, a escória toda reunida e se confraternizando. Vá com calma, Weasley! Sabemos que sua família é o reduto dos mortos de fome, mas não precisa esgotar a comida de Hogwarts. — Draco Malfoy, ladeado por seus asseclas, admiradores e bajuladores, aproximou-se.

Pansy estava atrás de Malfoy, não riu, nem teceu qualquer comentário.

Rony sentiu ódio de si mesmo.

Ela precisava insultá-lo. Fazia parte do acordo tácito, não assinado, nem oficializado. Mas era um acordo.

Agir normalmente.

Ela precisava ser Pansy Parkinson, para que ele pudesse ser Ronald Weasley.

xx

— O que muda entre nós, Mione?
— Eu esperava que você pudesse me responder, Rony.

— Eu não sei.

— Já mudou de ideia? Você sempre muda de ideia...
Insegurança palpável.
— Tudo muda. Acho que agora somos namorados. Certo?

— Certo.

xx

Ela estava sorrindo quando ele chegou na porta da casa dos gritos.

"Merda, merda,merda"

— Olá, Parkinson.

— Weasley...

Ela titubeou. Por certo cogitara tratá-lo pelo primeiro nome.

"Droga, droga, droga"

Não foram para o quarto. Ficaram do lado de fora, apesar do frio castigante.

Ela começou a remexer o fundo da bolsa, parecia procurar algo.

— Se parece com você. — A garota estendeu a mão, que segurava um pequeno embrulho vermelho. Um cachorro de bronze, que correu alegremente pelo ar quando Rony desfez a delicada fita verde.

— Cores sugestivas. — um meio sorriso foi o que conseguiu esboçar. — Eu... Não comprei nada...

As orelhas ficaram cor de sangue.

Era Natal.

"Merda".

— Ora! Desde quando eu aceitaria um presente seu, Weasley? — o desprezo estava cada vez menos evidente. Apenas um disfarce mal feito. — Comprei porque dinheiro não me falta. E meus pais me ensinaram a retribuir os favores que devo.

Rony arqueou uma sobrancelha.

— Não me lembro de nenhum favor que você me deva.

— Quadribol, Nott... — Pansy tentou passar displicência em sua entonação vocal, mas não chegou perto de convencer sequer a si mesma.

— Aquilo não foi um favor. Qualquer um teria feito o que eu fiz.

Doeu, mas não como um ferimento profundo. Algo como um corte imperceptível, feito com papel, mas ardente e constante.

Preferia ter ouvido que só fizera porque era ela. Mas ele era Ronald Weasley, e isso significava nobreza e coração puro.

Nada Sonserino.

Por isso tão apaixonante.

— De qualquer forma.. Apenas aceite. Não quero ter que levar essa coisa de volta.

Rony olhou para o cachorro coberto de manchas em alto relevo, e sorriu.

Calor. Formigamento.

— Vou dar um nome a ele então.

— Faça o que quiser. — A postura da garota era firme, mas toda a neve poderia ter derretido só com o calor que se espalhou pelo seu corpo. Calor este que nada tinha a ver com o feitiço de aquecimento que colocara em seu casaco antes de sair de casa.

— Jake — Rony falou depois de fazer alguns riscos na neve com sua varinha. — O que acha, Pansy?

— É Ridículo. — Uma palavra era o que sua boca tinha capacidade de pronunciar. Ele acabara de tratá-la pelo nome, como se já estivesse acostumado. Como se as letras já estivessem morando em seus lábios há muito tempo. — É um Jack Russell Terrier, segundo a moça da loja. Pode chamá-lo de Jack. Embora eu ache que sua tentativa de dar nome à um objeto seja patética.

Rony aproximou-se demais do rosto de Pansy.

Precisava contar.

Com um beijo demorado e terno, declarou iniciado o primeiro passo para a limpeza do organismo.

Drogas matam, e Pansy poderia acabar com sua vida.Não eram feitos um para o outro.

Em breve viria a abstinência, mas estaria longe demais para procura-la. Ainda lhe restava uma parcela de nobreza. Ele a utilizaria.

— Adeus, Pansy... Obrigado pelo presente. Feliz natal.

Eles nunca diziam adeus.
Então talvez fosse uma despedida.


O barulho da neve sendo empurrada para frente enquanto os passos firmes de Ronald Weasley o levavam de volta ao castelo, abafaram a voz de Pansy Parkinson, que sabendo ser aquele o fim de tudo, permitiu uma lágrima solitária deslizar pela bochecha pálida e gelada.

— Adeus, Rony.


xx

— É muito simples. Pensem numa lembrança muito feliz, e digam "Expectro Patronum"


— Já sabe fazer um patrono, Rony?

Harry perguntou, agitado. A Armada de Dumbledore indo de vento em popa.

— Sei.

— Ótimo, porque vamos precisar.

— Expecto patronum

Um cachorro prateado escorregou pelos ares. Um Jack Russell Terrier.

— Perfeito, Ron. — Hermione aplaudiu efusivamente.

— Sim. É perfeito.

xxx


De que são feitos os dias?
De pequenos desejos,
vagarosas saudades,
silenciosas lembranças.¹

O tempo. Desde os primórdios o ser humano cultiva a necessidade de calcular o tempo.

Mensurava-se pela posição do sol. Cada hora era imprecisa.

O tempo é a medida de todas as coisas. Os ponteiros do relógio cravam com precisão a passagem de uma, duas vidas.

E de tantas voltas já não se sabia quem havia dito adeus primeiro.


xxxx

— Você está com o cheiro dela.

Pansy deveria ser um cão farejador.

— Ela é minha noiva, Pansy.

— Desde quando? Não era o nome dela que você estava gritando na minha cama. — a boa e velha Pansy Parkinson. Suja, lasciva e ácida. — Você fica comigo todos os fins de semana. Não acha que existe alguma coisa errada?

Existia.

Feitos para sofrer. Atraíam-se.
Os corpos haviam sido ligados por um fio invisível que queimava à mera lembrança dos aromas e sabores do outro.

Masoquistas.

— Terminamos por aqui, Pansy. Estou falando sério desta vez.

— Você nunca fala sério, Weasley. Sempre volta, carente. Sedento de desejo. Me toca como se estivesse disposto a deixar sua alma nos lençóis, caso este seja o preço da sua liberdade.

— Não fale besteira, Pansy. Você sabe que sempre foi uma coisa de pele. Sempre foi um ato de rebeldia.Onde estávamos com a cabeça, aliás? — sorrisos amarelos não combinavam com a mortalha que, mentalmente, Pansy estava costurando para vestir nele. — Não deixarei acontecer de novo, pelo bem da minha família.

— Então eu fiz mesmo você se desentender com seus pais? Ótimo. Eles amam aquela nojentinha, afinal de contas. Percebi que não estava com ela entre um intervalo e outro da festa. Por acaso o Krum retornou e já encontrou o ponto Granger? Ou aquela lá só sente prazer com os livros. “Oh, por Merlin, Victor, ohh não... História da Magia...aaaah... Abra na página 210..siim...oh sim...”.

Estavam se vendo pela segunda vez, depois do anúncio de noivado de Hermione Granger e Ronald Weasley.

Rony estava começando a se arrepender.

Enquanto ria, Pansy soltou pela quarta vez a fumaça do cigarro  que prendia entre os dedos magros e pálidos. Algo incomum para alguém que dizia odiar trouxas. Estava saboreando uma das drogas deles, uma das quais a embalagem mostrava imagens horrendas de pessoas mortas, ou órgãos em estado de putrefação.

— Não seja uma vadia. — Ele estava taciturno naquela noite, olhando para a casa dos gritos e tocando com a ponta dos dedos a grama irregular que cobria o solo onde estava sentado. Ele havia, de fato, brigado com seus pais. Rita Skeeter estivera rodeando — novamente — a escola em busca de informações sobre Harry Potter, e acabara desenrolando uma história de amor proibido, como bem destacara em sua coluna medíocre.

Segundo a infame jornalista o casal formado por Ronald Weasley e Pansy Parkinson prometia reestabelecer os laços há muito desfeitos entre uma família tradicional e conservadora e uma família que fora repudiada pelos bruxos de sangue puro.

Quando Molly Weasley leu o jornal desenterrou as milhares de atrocidades que a família Parkinson já havia cometido, dentre elas a tentativa incansável de mandar Arthur Weasley para Azkaban. Rony discutiu com a mãe, com o pai, com os irmãos e com qualquer alma vivente que viesse tocar no assunto. Não sabia o que tanto o incomodava: A notícia falsa , com um exagerado fundo de verdade, ou a reação dos pais.

Ela riu, os ecos da voz levemente rouca e grave passando por entre as árvores silenciosas. Parte da raiva que queimava a pele já avermelhada e transformava os olhos tão azuis em duas tochas era culpa da menção feita à sangue ruim, Pansy sabia.

— Você ama aquela vaca, seu merda. — a mágoa amargava a saliva e molhava todo o céu da boca com um gosto desagradável, provocando um desejo de cuspir no rosto dele.

Não era uma pergunta, porque ela não se atrevia a perguntar. Preferia afirmar e se condoer com o silêncio, que era muito pior do que uma resposta positiva. Pois se a resposta fosse positiva nem tudo estaria perdido. Saber que Ronald Weasley a procurava quando Hermione Granger não conseguia satisfazer seus desejos mais obscuros era uma espécie de fetiche, uma espécie de vitória sobre a sangue ruim desgraçada.

— Sim, amo. Gosto da companhia dela, da segurança, do carinho. — Ele havia respondido então, finalmente. A resposta positiva que ela acreditara que fosse fazê-la feliz. Mas ela não esperava a sensação de mil cordas puxando seus pés e atirando-a numa tina de água fervente. Não esperava a pressão quase mecânica em seu peito, removendo qualquer partícula de oxigênio que poderia existir.

A expressão de deboche permanecia intacta no rosto redondo e marcado pelas maçãs protuberantes. Um esgar de desprezo se formou, e ele desviou o olhar.

— Não seja piegas, Ronald Weasley. Você gosta do conforto, dessa ligação inviolável que você possui com eles. Você tem medo de enfrentar o mundo. Não a ama, mas está acomodado com os favores que ela lhe faz.

Embora a expressão de escárnio ainda pintasse o rosto de Pansy, suas mãos tremiam. Os dedos que seguravam o cigarro outrora com displicência, mal conseguiam manter-se em linha reta enquanto apontavam para Rony.

— Já está na hora de ir embora, a propósito.

— Foi você quem se atrasou, Parkinson.

— Eu não deveria sequer ter me dado o trabalho de vir até aqui, seu verme desprezível.

O barulho dos saltos voltou a preencher o ambiente, e a figura de Pansy Parkinson estava sumindo.

A guerra havia acabado, e a festa de comemoração estava longe de ter um fim.

Hermione estava com as amigas. Nem dera pela falta dele. Também não parecera se importar com a Manchete de Rita Skeeter sobre ele e Pansy.

Estavam noivos.
O casamento seria na Toca, em um mês.

E o perfume doce da mulher que desaparecia por entre as folhagens da floresta proibida, parecia se perpetuar no tempo, no espaço. Era o veneno que corroía a pele, confundia suas decisões.

Seu tato.

Seu "faro."

[…]

Entre mágoas sombrias,
momentâneos lampejos:
vagas felicidades,
inatuais esperanças.

De loucuras, de crimes,
de pecados, de glórias
- do medo que encadeia
todas essas mudanças.

Dentro deles vivemos,
dentro deles choramos,
em duros desenlaces
e em sinistras alianças...²
***


















Notas Finais


¹ Poema de Cecília Meirelles
² Idem


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