História Meia noite você vai embora - Capítulo 6


Escrita por: ~

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Categorias Harry Potter
Personagens Pansy Parkinson, Ronald Weasley
Tags Blaise, Draco, Harry Potter, Hermione, Hogwarts, Pansy, Pansy Parkinson, Ransy, Ronald Weasly, Rony, Zabini
Exibições 19
Palavras 2.241
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Fantasia, Magia, Romance e Novela, Shoujo (Romântico)
Avisos: Álcool, Drogas, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Spoilers, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


último capítulo, aAêe :)
A ideia era que a fic fosse curta e, como é do meu estilo, ser pouco linear.

Obrigada a todos que leram, comentaram, acompanharam e favoritaram <3

Mil beijos!

Capítulo 6 - 00:01 - A cinza das horas


 

 

 

 

I. As Luvas

 

Entre por essa porta agora
E diga que me adora
Você tem meia hora
Pra mudar a minha vida
Vem vambora
Que o que você demora
É o que o tempo leva

 

 

 

Um, dois, três, quatro, cinco dedos.

Não tinha muitas lembranças da primeira vez que vestira uma luva. Tinha cinco anos, talvez menos, talvez mais. Não importava agora.

A primavera era uma estação patética, na opinião nada imparcial de Pansy Parkinson. As vezes fazia frio, mas não o suficiente para vestir casacos de inverno. E o calor não era escaldante a ponto de usar saias curtas que seu pai reprovava.

E foi na primavera que sua mãe lhe obrigou a usar luvas. Luvas brancas de renda e bordadas com minúsculas pérolas. Estava quente, o tecido pinicava e as mãos suavam, fazendo com que o atrito entre a pele e a renda fina causassem pequenas assaduras entre os nós dos dedos.

 

–   Pansy, querida –  Leona Parkinson ajeitava o vestido da filha. Marfim, decorado com flores vermelhas na barra e mangas. A mulher esticava com firmeza cada rusga do saiote armado e exageradamente pesado. – fique quieta! Por Merlin... Não deveria estar tão inquieta. E por favor, quer parar de arrancar as luvas? Vou colocar um feitiço de cola e nunca mais sairá de seu braço.

 

–   Obrigada, “querida”, mas eu dispenso ajuda. Deixe-me sozinha, eu sei me cuidar. --  Pansy afastou-se abruptamente da mãe, sem olhá-la. Aquela mulher poderia ir à merda se quisesse, e se não quisesse ir, Pansy teria o maior prazer de indicar o caminho. Ronald Weasley a mandara várias vezes para lá.

 

–   Como quiser, Pansyzinha .

 

–  Vagabunda dos infernos. – Pansy sussurrou enquanto arrancava as luvas e coçava o braço com vigor. – Merda de luvas.

Festas em família eram um suplício. Festas que tinham por objetivo a escolha de um noivo adequado eram o princípio do fim dos tempos.

 

Um, dois, três, quatro, cinco.

 

Fazia uma contagem mental e olhava para a porta que dividia seu quarto da varanda. Intimamente esperava que ele aparecesse dizendo que havia desistido da lua de mel em alguma cidade porca da Escócia e, finalmente, arranjado um jeito de fugirem.

 

Ele não viria. Não seria tão idiota.

 


 

 

 

Xx

 

 

II. Veneno

 

Ainda tem o seu perfume pela casa
Ainda tem você na sala
Porque meu coração dispara
Quando tem o seu cheiro
Dentro de um livro
Dentro da noite veloz

 

 

Poderia ingerir uma dose de veneno. Agora sabia exatamente o que sua mãe sentirá quando descobrira a gravidez.

 

— Olá. Uau!

 

Pansy olhou para cima, procurando o rosto de quem a cumprimentava. Contemplou o vermelho. O fogo. O calor.

 

Ronald Weasley.

 

Estreitou os olhos e voltou a encarar o copo quase vazio onde, há poucos segundos, Tom despejara uma dose de Firewhisky.

 

— Isso... Isso é de verdade? — ele apontava sem jeito para a barriga que já demonstrava uma leve protuberância.

 

— Não, Weasley. São gases. — Ela cuspiria na cara dele, se soubesse que sua mira não estava severamente afetada pelos efeitos do álcool.

 

— Mas você está bebendo.

 

— E desde quando isso é da sua conta? Onde está a sua mulherzinha? Ela sabe que você vem beber no caldeirão furado?

 

— Ela está em casa, repousando. Acho que está doente.

 

— O que veio fazer aqui, afinal?

 

— Não é da sua conta.

 

Apenas o silêncio, e um riso debochado de Pansy.

 

— Dominadora? Perfeccionista? Frígida? — soltou a pergunta assim, como se ele já soubesse sobre quem ela estivesse falando. E ele sabia.

 

Era sempre sobre a outra.

 

— Um pouco de tudo.

 

Pansy sentiu pena, mas não durou muito. Ele fizera uma má escolha, ele diria. Talvez falta de opção. Todo mundo sabia que Hermione poderia chegar longe se escolhesse o homem certo. Mas não conseguira fisgar Harry Potter.

 

Era uma vaca frustrada.

 

— Ela quer engravidar. Eu não sei se estou preparado para ser pai.— o sabor da bebida ainda carimbava as papilas gustativas.

 

Ronald Weasley era um desgraçado.

Covarde.

 

— Está esperando minhas palavras de consolo? Ou alguma demonstração de piedade? — a boca secara rapidamente. Talvez a gravidez fosse responsável. Talvez não.

 

Ele paralizou e a encarou por bons dez segundos. Vislumbrou toda a antipatia e arrogância que ela carregava, bem como os olhos fundos e o batom borrado que indicavam anos luz de experiência. Ela estava velha, apesar da pouca idade.

 

— Não somos amigos, Weasley. Na verdade, o que rolou entre nós foi algo passageiro. Efêmero. Chame como quiser.

 

— Você... Você... Por que?

 

— Foi escolha sua casar com a vadia dos livros. Sabia que ela era dominadora, egoísta, antipática e perfeccionista. Você, Weasley, e só você, se deixou convencer de que seria diferente. Um bastardo acomodado é o que você é.

 

 

— Eu odeio você, Parkinson. Está tão ferrada quanto eu. Amargando a vida de merda que está levando. Você é hipócrita e se pudesse vomitaria essa criança, junto com a sua vergonha por ele não ser filho do seu marido.

 

Tom deixara a garrafa no balcão.O líquido âmbar balançava no copo à medida em que Pansy dava pequenas batidinhas no fundo. As unhas continuavam longas e pretas. Impecáveis.

 

— Então porque veio até mim? Auto flagelação? Saudade? Por que ainda estamos conversando? Ah!Já sei, é uma competição de fracassos.

 

— Estava com saudade.

 

Batimentos cardíacos podem ser uma merda às vezes.

 

Os de Pansy a traiam à cada segundo.

 

— Que horas são? — Ela reuniu forças para perguntar. A voz falhou na penúltima palavra.

 

— Faltam cinco segundos para meia noite.

 

xx

 

Ainda tem o seu perfume pela casa
Ainda tem você na sala
Porque meu coração dispara
Quando tem o seu cheiro
Dentro de um livro

Na cinza das Horas
 

 

Feche a porta quando sair.

 

Uma tragada profunda e a sensação ardida invadindo as vias respiratórias. Pansy adorava sentir dor. Havia um prazer mórbido no cigarro. Saber que morreria caso continuasse consumindo a droga era um prêmio bastante satisfatório, exatamente o que ela buscava.

 

— Você continua com o cheiro daquela maldita.

 

— Eu durmo com ela, Pansy. — Ela detestava o olhar ofendido. A raiva colorindo as bochechas e as orelhas sempre que a sangue ruim era mencionada nas conversas. — Você ainda usa o mesmo perfume...

 

A mulher, apagou a ponta do cigarro na mesa, e cuspiu no chão. Seus olhos varreram o local em que estavam. Conforto e segurança. Ela merecia. Mas tinha algumas perguntas à serem feitas ao recente, e parcialmente indesejado, visitante.

 

— O que quer aqui?

 

— Conversar... Sobre ele — Rony apontou para um garoto com pouco mais do que quatro anos corria pela casa luxuosa, desviando com maestria dos vasos caríssimos que enfeitavam cada metro quadrado.

 

O Acaju predominava. Os olhos eram vividos, negros e espertos. As sardas eram um recado que Rony poderia ignorar, mas que não conseguira, desde a última vez que vira o menino nos braços da mãe, na loja de chapéus.

 

— Está vendo este corredor, Weasley? —  Pansy indicou o corredor que dava acesso à área externa da Mansão. — leva os visitantes indesejados para fora. E é para lá que eu quero que vá. Vamos, Depressa!

 

— Ele é meu?

 

— É evidente que não. Ele é meu!

 

xx

 

— Papai, Papai! Veja o que eu desenhei.

 

Rose estava linda. O vestido branco com rendas azuis, um sapato de verniz e um laço gigante nos cabelos longos e cacheados. Ele cedera aos desejos da esposa de ter um filho. No final das contas, esse era o ritmo natural.

 

Rose era sua cópia. Extremamente inteligente, absurdamente sensível. 

 

— Quero mais um. — Ele precisava mostrar que tinha poder de impor sua vontade. Ele queria outro filho, por mais irresponsável que isso pudesse parecer.

 

— De jeito nenhum. Não podemos bancar, não queremos engordar, nem enjoar, nem sentir dores horríveis nos pés. — Hermione estava escrevendo um artigo para o Profeta Diário. Ela trabalhava na redação. Ele era auror. Os olhos da mulher, tão cheios de prepotência, de uma aura poderosa que revelava muito sobre a sua vontade de ser livre.

 

Estava arrependida de suas escolhas.

 

— Rose é tão solitária... Seria bom dar um irmão à ela. — Argumentação não era o forte de Rony, mas ele precisava de auto afirmação. Precisava saber que, de alguma forma, pertencia àquela família que insistia em chamar de sua.

 

Era uma questão de violação à sua honra admitir que Pansy tinha razão a respeito de tudo.

 

— Você sabe que pode vir uma garota, não sabe? — Ela olhou por sobre os óculos de aro fino que agora compunham sua imagem, conferindo-lhe uma imagem ainda mais irritante de "sabe-tudo" arrogante.

 

— Será um garoto. Tem que ser um garoto.

 

xx

 

— Não deu certo.

 

— Nem para fazer um filho você presta, Weasley.

 

— Oh, cale a boca, Pansy. Ela sofreu a droga de um aborto. Você sequer entende a dor que estou passando?

 

— Você não queria essa criança. Ela seria o "bebê garantia." A última cartada na mesa de um homem que já não sabe mais porque existe... Não tem ideia do que fez com a própria vida.

 

— Por que ainda nos falamos? — A fumaça que ela expelia já não o incomodava mais. Ela sabia das coisas, mas parecia estar tão ferrada quanto ele, então isso não era irritante.

 

"Aquilo era inveja..."

 

Ele nunca diria isso em voz alta.

 

— Eu não sei porque infernos ainda nos encontramos. Sinto que

 

— Ele é meu, não é?

 

O garoto estava brincando com um unicórnio de plástico, alisando a crina prateada, bastante compenetrado.

 

— Meu.

 

xx

 

 

— Não deu certo.

 

— Ele era um babaca. — Rony balançava a caneta que trouxera de casa. Ainda não assinara os papeis que Hermione trouxera.

 

— Mas eu tinha me acostumado. Era um bom marido, um bom pai.

 

— Onde vão morar? Você e o garoto...

 

— No meu apartamento.

 

— Se quiser eu posso...

 

— Não quero suas migalhas, Weasley. Não preciso delas. Você tem três bocas para alimentar, e eu sou rica.

 

— Mas ele é meu...

 

Ardido, violento, quente e barulhento.

 

Um tapa certeiro na face rosada de Ronald Weasley.

 

— Se repetir isso mais uma vez, eu enterro um punhal na sua garganta.

Você já tem o filho que queria. A sangue ruim conseguiu lhe dar o tão sonhado garoto.

 

 

xx

 

— Porque não fica com ela? Estão sempre saindo — Hermione estava em frente à escrivaninha, escrevendo algumas cartas. Estava falando de Pansy, trivialmente, como se fosse algo normal.

 

— Porque não quero.

 

— É evidente que você quer.

 

E Ele queria.

 

Mais do que qualquer desejo escondido, estar com ela era uma fissura, uma doença, um atentado à sua sanidade.

 

— Quando vamos formalizar a coisa toda, Hermione?

 

— Quarta -feira. Por favor, não se atrase.

 

Rony levantou-se.

 

Aquela costumava ser sua casa. Agora não era mais do que uma construção habitada por estranhos, e isso incluía Rose e Hugo.

 

Divórcio era o esperado. Rita Skeeter havia dito.

A rotina matara quem um dia eles haviam sonhado ser.

 

"Quando o frenesi acabar, quando Voldemort morrer. Quando a vida passar a ser normal.

Eles descobririam que eram qualquer coisa, menos feitos um para o outro."

 

E assim foi.

 

 

xx

 

 

Eram autodestrutivos. Roubavam a energia do outro e viviam como se esta fosse a maneira certa de amar.

 

Ela colhia as migalhas. Ele corria com o pão. Sempre tarde demais. Os relógios não estavam sincronizados.

 

 Rony olhou para o relógio na parede. Meia noite e um minuto. Era hora de partir. Já se transformara em um ritual, desde dane-se lá quando.

 

 Preparando-se para levantar, sentiu o braço ser puxado por uma mão fria e leve.

 

— Fique aqui.

 

Ela falou baixinho. O som do rádio, chiado e irregular, quebrando o silêncio de tempos em tempos.

 

— Eu devo?

 

Ele indagou. A voz morna e mansa, os olhos pousando sobre o parapeito desgastado da janela do apartamento.

 

— Não é uma obrigação...

 

Ela continuou, no mesmo tom de voz, mantendo o corpo relaxado, apreciando cada filete da ansiedade que a consumia vagarosamente.

 

— ...Mas eu quero que fique.

 

Você tem meia hora
 

Emendou sem saber o porquê. Dizem que a vida tem dessas coisas: um dia você acorda com a decisão pronta em algum recôndito da mente, seus olhos se contraem momentaneamente e você diz o que deve ser dito; o que guardou por milênios.

 

Pra mudar a minha vida
 

 

Eram duas almas sussurantes numa noite de domingo.A penumbra cobria as expressões faciais, de modo que Pansy enxergava apenas metade do reflexo azul e prateado que os olhos duvidosos de Rony produziam.

 

Vem vambora
 

 Lutavam contra as armas que possuíam. As palavras. As frases baixas, os golpes certeiros no ego do outro. A munição tinha o poder de minar o orgulho.

 

Ambos tinham o poder de ferir um ao outro, mas havia a opção de abaixar as armas.

Que o que você demora
 

Pansy sabia que quem falasse primeiro estava cedendo, expondo  a carne descoberta.

Jogando a toalha.

Erguendo a bandeira branca.

 

—Se insiste...

 

— Não insisto. Ou fica porque quer, ou some da minha frente.

 

— Eu quero.

 

É o que o tempo leva
 

 

— Ele é meu, Pansy? — Ele contemplou o retrato do garoto sardento e sorridente. Tanta alegria não poderia ser herdada de Pansy Parkinson. Fazendo a pergunta novamente corria o risco de levar um golpe na jugular, mas, desta vez, a pergunta fora leve, natural.

 

— Sim. O nome dele é Jake.

 

O desejo de que nada mudaria não se realizou, pois nada na vida é imutável.

Sem promessas de eternidade, os ponteiros continuariam dessincronizados. As vidas seguiram seus próprios cursos.

 

Mas agora havia uma nova regra, tão silenciosa quanto a anterior.

 

Ele ficaria lá. Ela também.

 

E meia noite ninguém iria embora.

 

Até que alguém jogasse a toalha, e o ciclo recomeçasse.

 

Porque a história é cíclica. O ser humano também.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 



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