História Meio e Meio - Capítulo 9


Escrita por: ~

Postado
Categorias EXO
Personagens Baekhyun, Chanyeol, Kris Wu, Lu Han, Sehun
Tags Baekyeol, Chanbaek, Comedia, Exo, Hunhan
Exibições 423
Palavras 4.790
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Lemon, Romance e Novela, Shonen-Ai, Slash, Universo Alternativo, Yaoi
Avisos: Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Nos vemos lá embaixo, boa leitura!

Capítulo 9 - Baekhyun


Fanfic / Fanfiction Meio e Meio - Capítulo 9 - Baekhyun

Não que Baekhyun odiasse o seu trabalho, mas ele achava que deveria ser pecado sair da sua cama confortável em plenas seis horas da manhã. Mesmo que estivesse em suas condições normais, levantar das cobertas quentinhas que ainda tinham um leve vislumbre da fragrância que Chanyeol usava, era, no mínimo, maldade.

Por falar em Chanyeol, esse era o nome que rondava a cabeça do baixinho, fazendo com que a fácil tarefa de dormir fosse algo impossível. Quando fechava os olhos, podia claramente ver o rosto do mais novo, olhando para si ou se contorcendo de rir por qualquer bobagem que via na tv. Baekhyun podia escutar a voz, sentir o cheiro e até lembrar dos toques em sua pele. Isso era o bastante para que sentisse um leve formigamento no ventre, fazendo-o constrangido mesmo que apenas houvesse Chan – nome do ursinho de pelúcia que comprou, mesmo sem querer, no dia que conheceu Chanyeol –, observando.

Já fazia uma semana que não tinha notícias. 

Óbvio que Chanyeol o ligava todos os dias, por vezes mandava fotos ou recados por Sehun. Só o maior sabia o quanto estava desesperado para escutar Baekhyun, dizer que voltaria o mais breve possível... Que estava morrendo de saudades do mais velho. Mas quem disse que Baekhyun atendia? O menor estava dando um gelo em Chanyeol, mesmo sem perceber.

Quando o alarme do celular tocou, Baekhyun teve que desfazer o abraço apertado que dava no ursinho. Sentou-se na cama e como de costume olhou para o lado, sentindo falta de uma pessoa ali. Levantou já amuado, e começou a se arrumar completamente desanimado para o dia de trabalho.

Afinal, Baekhyun ainda era uma pessoa meio dependente.

Pensava ele que a carência em si não tivesse ultrapassado grandes níveis, mas ao ficar uma semana sem a presença de Chanyeol, chegou à conclusão que sua condição já era alarmante. Porque agora era quase deprimente chegar em casa e todas as luzes estarem apagadas. Nada do barulho da televisão ligada em qualquer filme perdido, ou o cheiro marcante do jantar devidamente posto sobre a mesa da cozinha. Não havia sinal de ninguém ali, nada do chuveiro pingando ou as risadas extravagantes e anasaladas vindas do quarto.

Baekhyun entendia como todo o seu tudo se transformou em nada desde de que Chanyeol foi embora. O maior mostrou um mundo que ele não conhecia, a felicidade nas pequenas coisas. Ficava até zonzo ao pensar o que uma semana fez consigo. Mudou tanto e tão pouco tempo, e tudo por aquele grandão que, de repente, fazia uma maldita falta no seu dia a dia.

Se arrumava rapidamente, sem os protestos infinitos para que voltasse imediatamente para a cama. Saía ainda mais cedo, porque o maldito que agora fazia tanta falta tinha levado o seu carro, sobrando a falta de vontade de pegar um metrô e um ônibus para o centro. Aquela rotina o estava exaurindo tanto que não podia abrir os olhos e sorrir olhando o urso de pelúcia que o segundo pensamento era "vou perder o ônibus".

Não poderia perder o ônibus naquele dia, Luhan ultimamente estava ansioso demais, o que refletia nas constantes reclamações sobre o seu horário de entrada. Passou quase a semana toda tentando chegar cedo, se acostumar com aquela rotina diferente.

- Droga, Chanyeol. – Murmurou o jovem. – Só você.

***

- Você está atrasado. – Resmungou Luhan. Não tirando os olhos do jornal que havia sido impresso. Diante do silêncio, abaixou o papel e findou o olhar no amigo. Baekhyun estava recostado na porta fechada, suando mais que o normal e com o rosto moldado em nervosismo. – Nossa, você está uma porcaria.

- O-obrigado. – Baekhyun levou a mão ao peito novamente, tentando normalizar a respiração. – E-eu ia morrendo agora.

- O que aconteceu? – Luhan levantou do assento presidencial, chegou perto de um frigobar que tinha ali e puxou uma garrafinha de água, logo depois se aproximando do castanho. – Está tudo bem, Baek?

- Uma tarada. – Choramingou, puxando o mais velho para um abraço, todo manhoso. – Tinha uma mulher se esfregando em mim. Foi traumatizante! – Luhan soltou uma breve risada, sendo repreendido pelo outro. – Não ria, Luhan! Aqueles... Aqueles peitos roçando nas minhas costas.

- Deveria dizer que prefere um pinto roçando sua bunda, Baekhyun. – Luhan soltou-se do outro, indo para a mesa novamente, abrindo a garrafa de água e bebendo, esquecendo completamente que era para o Byun. Baekhyun ficou completamente vermelho com o comentário, resmungando incomodado com a forma natural que Luhan falava aquilo. – Teremos um novo funcionário hoje.

- Quem é? – Baekhyun se aproximou da mesa, pagando a garrafa da mão do mais velho. – Pensei que já tivesse terminado o período de contratação...

- Sim, sim. Acabou. Mas esse eu entrevistei semana passada. – Luhan olhou seriamente para o outro. – Quero que o ensine como faz, direitinho...

O castanho ficou um tanto aturdido com o sorriso faceiro do chefe, mas decidiu ignorar. Luhan tinha suas peculiaridades.

- Eu? – O chinês afirmou. – Certo. Mas eu nunca treinei ninguém... – Concordou, desajeitado. – O que eu devo fazer? Estou aberto à concelhos.

- Está aberto? Que bom. – Sorriu de novo, não escondendo a pecaminosidade que passou pela cabeça. – Porque ele vai estar em cima de você, sabe, para aprender como tudo funciona. – Novamente viu os lábios cheinhos se abrirem cheios de malícia. – O que fazer?! Hm... Depois fale com ele, é de interesse de ambos.

- Você... Está estranho... – Um sorriso amarelo surgiu apenas para colorir mais o rosto completamente vermelho de vergonha. – Agora tenho que ir. – Levantou e caminhou até a porta, parando quando se lembrou de algo. – Ah, mais tarde irei fazer compras.

- Certo. – Assentiu o menor, voltando a fitar o jornal. – Compre comidas frescas, Baekhyun. Chanyeol gostaria.

Baekhyun engoliu em seco e fitou a paisagem pela janela.

- Será que ele vai voltar? – Disse, era uma pergunta que carregava consigo, não queria exatamente exteriorizar, apenas saiu.

Luhan novamente abaixou o jornal e sorriu fraco para a face desesperançosa do amigo.

- Claro que vai, Baek! – Respondeu, mesmo que a pergunta não fosse direcionada para si. – Vocês meio que nasceram para ficarem juntos, é até estranho o modo como se completam. – Acrescentou o chinês. Baekhyun voltou o olhar para o chefe e lhe sorriu agradecido. – Antes que imagine ele estará aqui, então pode tirando essa cara de choro e vá trabalhar!

- Certo, certo! – Byun abriu a porta e deu de cara com Sehun, deu passagem para o mais novo entrar na sala e após uma leve saudação, saiu.

Sehun fechou a porta ao passar por ela e caminhou na direção do mais velho.

- O que aconteceu, Luhan? Baekhyun hyung está uma porcaria. – Sehun se aproximou da mesa e sentou de frente para o mais velho.

- Saudade dói, Sehun. Ele está sentindo falta do Chanyeol. – Suspirou e desistiu de avaliar o jornal, dobrando-o e repousando sobre a mesa. – Se esse infeliz não aparecer, juro que vou no interior que ele mora e o trago à Seoul nem que seja o puxando pelas orelhas!

Sehun riu e se levantou, contornou a mesa que os separavam e acocorou ao lado da cadeira que o chinês estava.

- Eu sinto sua falta. – Disse o mais novo, esperando que o outro entendesse que estava doendo em si. – Eu entendo o Baekhyun.

- Não seja dramático, Sehun. Ainda somos vizinhos! – O mais velho direcionou o olhar para o outro, sorrindo embora também entendesse aonde ele queria chegar com aquelas palavras. – Nós prometemos para elas, Sehun. Vamos manter a descrição, só por enquanto!

- Queria saber por quanto tempo esse por enquanto vai durar.

Luhan sorriu e não evitou de levar as mãos de encontro ao rosto do outro, acariciando a pele. Sehun fechou os olhos e se permitiu aproveitar do carinho que Luhan fazia, massageando suas bochechas como fazia consigo desde quando eram pequenos, e penteando seus cabelos para trás com a ponta dos dedos.

- Você sabe que eu te amo, e agora elas sabem também. – Sehun não precisou de mais palavras para saber que o mais velho falava sobre as mães deles. – A reação foi bem melhor do que eu pensava que seria. Elas precisam de um tempo para aceitar isso, então eu não vejo problema.

- Você falando desse modo parece menos ruim. – Constatou o mais novo, puxando as mãos de Luhan e beijando ambas as palmas.

- Só por algum tempo, sim? – Sorriu o chinês, fazendo com que Sehun abrisse um pequeno sorriso também.

- Certo, só por algum tempo. – Sehun concordou, pôs-se de pé e caminhou pela sala, olhando álbuns quadros que Luhan mantinha ali. – Você não deveria ligar para o Chanyeol?

- Bem lembrado, Sehun! – O mais velho tirou o celular do bolso e passou a procurar o nome de Chanyeol na lista de contatos, ligando-o quando finalmente encontrou. – Alô, Chanyeol?

Sehun voltou a se sentar na frente de Luhan, prestando atenção à conversa que ele tinha com Chanyeol. Não exatamente na conversa, mas o mais novo achava interessante observar o outro, Luhan era tão cheio de manias e facetas. O jeito como batia o pé insistentemente no chão ou a caneta que ia de encontro à mesa quando estava frustrado, a sobrancelha arqueada quando algo não saía da forma que queria... Era exatamente como o chinês estava, impaciente, o cenho franzino e uma careta imensa de desgosto.

Quando finalizou a ligação, bastou Luhan olhar para Sehun e suspirar.

- Deixa eu adivinhar, ele não vai vir hoje.

Luhan bufou.

- A mãe dele, de novo. – Suspirou novamente. – Tudo bem que ela ficou preocupada, arrependida e blá blá blá, mas ela precisa deixar Chanyeol voltar.

- Tudo agora é questão de tempo, Lu. – Comentou, logo dando uma risadinha. – Ou qualquer coisa, você vai lá buscar ele pelas orelhas.

***

Baekhyun estava rodeado de papeis, alguns documentos e coisas que se ele tentasse, conseguiria resolver naquele mesmo dia. Porém, além das dores de cabeça que já estava tento desde que levantou da cama, não imaginava que sua mãe o ligaria. Como poderia ter esquecido da mais velha? Estava devendo explicações explicitas desde o dia que saiu correndo da casa de campo do seus pais!

Aquela ligação era tudo o que faltava para arruinar de vez o seu dia. Embora tenha conseguido contornar a situação, falando superficialmente sobre o que aconteceu naquele dia, tentando explicar as palavras de Kris e que, sim, eram todas verdades, tinha conhecido Chanyeol por causa de um anúncio no jornal afinal. Lógico que isso não abrandou a ira de sua mãe, precisou de muitos minutos escutando os esporros que a senhora dava para que ela se acalmasse.

- Venha com ele, Baekhyun. – Disse ela. – Só vou te perdoar quando vierem aqui me explicar cada detalhe dessa história.    

- Tudo bem, mãe... Quem sabe o final de semana.

Baekhyun não queria dizer que Chanyeol tinha sumido, então, só restava o menor esperar o melhor.

Quando desistiu de tentar entender os papeis que estavam jogados na sua mesa, Baekhyun decidiu que seria melhor ir ao supermercado. Caso conseguisse pegar um ônibus vazio, seria relaxante olhar a paisagem passando pela janela. Pensando nisso, Baekhyun rapidamente saiu de sua sala, desceu os andares pela escada que pouco usava e em alguns minutos já estava no ponto.

Foi um pouco desanimador saber que o ônibus que o levaria tinha passado há pouco, então o jovem se sentou e esperou, e em poucos minutos viu outro transporte vindo, porém, Luhan o ligou no time perfeito.

- Baekhyun, onde você está?

- Estou no ponto para ir ao mercado... – Respondeu, dando sinal para que parasse. – Aliás, o ônibus já está chegando, aconteceu algo?

- Você precisa voltar imediatamente. – Disse o chinês. – Estou na sua sala, e estou vendo a sua carteira aqui.

Baekhyun arregalou os olhos e começou a tatear o corpo, constatando que saiu tão apressado que não se lembrou de sua carteira.

- Estou voltando. – Murmurou chateado, desligando o telefone e guardando no bolço.

Resmungando, voltou rapidamente para a editora Kobe, subindo as escadas por não estar com humor de esperar o elevador. Estava tão atônito que não notou o olhar de Luhan para si e muito menos achou estranho a porta da sua sala estar aberta.

O dia estava quase no fim, a tarde estava virando noite naquele cenário laranja que Baekhyun tanto gostava de olhar pela sua janela. Talvez ele tivesse feito isso, parado um pouco a sua rotina de trabalho e esquecido por uns minutos o real motivo que o tinha levado de volta à sua sala. Mas diante de si, uma silhueta tampava metade da visão de sua janela. Alto, esgueiro, Baekhyun nunca o tinha visto mais bonito e resplandecente. O outro notou que não estava mais sozinho e virou-se de modo que o mais velho perdeu o ar.

Aquele ali era Park Chanyeol, o homem que entrou na sua vida sem pedir permissão, que roubou de si a capacidade de respirar, fazendo com que isso se tornasse leviano em frente aos seus beijos trocados, os abraços, os olhares cúmplices.  

Baekhyun não conseguia desviar os seus olhos de Chanyeol, vidrado completamente na figura à sua frente. Como nunca antes, o ar sério que ele emanava junto com a postura firme, fizeram, por um instante, que Baekhyun quase não reconhecesse seu Chanyeol ali. Ainda o olhando com perplexidade, o castanho num rompante tomou coragem de se aproximar. Queria vê-lo de perto, tocar o seu corpo e arrancar todas as roupas do maior para poder finalmente sanar a maldita saudade que sentia dele.

Chanyeol sorriu unilateralmente, parecendo feliz com a reação de Baekhyun. Mesmo que sendo mais discreto, Chanyeol analisava o menor de cima à baixo, os dedos formigando para puxar sua cintura com propriedade e empurrá-lo na parede, para então olhá-lo de cima e adorá-lo ainda mais com o semblante rubro.

- Chanyeol...

O som da voz dele nunca pareceu tão boa, pensava o ruivo. Quantas vezes se pegou pensando no mais velho, em qualquer besteira que ele falasse ou as manias de resmungar pela manhã apenas por não ter ainda a vitalidade necessária para manter um diálogo? Baekhyun estava ali, na sua frente, carne e osso, o fazendo sentir um reboliço estranho no peito, como se o meio metro que os separavam parecesse cem vezes pior.

- Sr. Byun. – Aquele clima estava realmente pesado, caso Chanyeol não começasse a falar, sentia que poderia simplesmente puxar Baekhyun pela mão e irem para a casa do mais velho resolver todas as suas pendências. 

- Eu senti tanto a sua falta.

Por um momento, Chanyeol esqueceu que respirar não era uma opção.  Olhou um ponto atrás do mais velho, evitando transbordar todos os sentimentos que guardava dentro de si e voltou a ele, talvez devesse deixar o mais velho de molho por um tempo? Não foi isso que aconteceu todas as vezes em que ligou e que recebia apenas o barulho da ligação sendo desligada em sua cara?

Parecia interessante.

- O presidente disse que iria me treinar, Sr. Byun.

Baekhyun ficou desconcertado, como assim Sr. Byun? Cadê o abraço apertado, o beijo que ansiava e pensava em todas as vezes que veria o maior de novo. Baekhyun estava entre a extrema felicidade e a confusão total.

- Então... Você é o novo funcionário.

Chanyeol assentiu.

- Certo. – O menor olhou em volta como se procurasse algo, mas na verdade era apenas um modo de se sentir um pouco menos idiota em frente a Chanyeol. – Certo, certo.

Baekhyun abriu um botão da camisa de forma que se sentisse menos sufocado com a situação – ação que Chanyeol achou extremamente provocante –, levantando os fios de cabelo e caminhando até a porta, chamando o outro.

Por que ele estava agindo assim? Pensava Baekhyun, como... Como se não o conhecesse! E pior, em muitos momentos parecia que o agora ruivo estava brincando consigo, o olhando e sorrindo de forma lasciva, como se o modo de Baekhyun caminhar o estivesse provocando, quando na verdade, o mais velho apenas partia em disparada para evitar ficar muito tempo perto do calor de Park Chanyeol.

Com passos apressados, e a voz um tanto falha, o mais velho mostrou boa parte da empresa e explicou por alto o que acontecia em cada setor, vez ou outra o apresentando para os outros funcionários. Baekhyun poderia falar de cor toda a história da editora, como Luhan lutou para conseguir ser capaz de administrar a Kobe, a grande herança deixada pela família dos primos. Sabia o nome de todos os funcionários ou cada passo para a criação do conteúdo deles.

Mas Park Chanyeol não estava colaborando.

- Se me permite, o senhor é muito bonito, Sr. Byun.

- Fica muito atraente de terno.

- Talvez eu devesse convidá-lo para sair mais tarde?

Dentre outras coisas que o fazia sentir o estômago gelar.

Foram tantas provações que Baekhyun sentia que teria zerado a vida caso chegasse em casa com vida.

Tantos minutos sofrendo a presença de Chanyeol que Baekhyun chegou a cogitar que o mais novo estaria dando o troco por não tê-lo atendido, ou mandado notícias, no fundo ele sabia ser algo assim. Mas isso não fazia o maior ser menos covarde com sua saudade acumulada.

Num dos corredores, Baekhyun sentiu seu coração parar ao constatar que a mão de Chanyeol subia a lateral do seu corpo, apalpando-o sem querer. Pelo amor de deus, já era demais para si aguentar aquilo.

- Chanyeol... Pare o que está fazendo agora mesmo, eu já entendi.

- Desculpe, Sr. Byun... Mas o corredor é pequeno.

Literalmente não estava sendo fácil.

 

- Você pode ficar por aqui... – Baekhyun abriu uma porta, pedindo para que Chanyeol entrasse, porém o maior continuou perto de si, o olhando com a feição interrogativa. – Aqui é feita toda a revisão antes do jornal ser publicado.

- Está tentando se livrar de mim, Sr. Byun?

Não era exatamente uma mentira. Baekhyun estava louco para sair de perto de Chanyeol e de todas as reações que o maior o causava. Não só isso como também queria tirar satisfações com Luhan. Não era possível que seu melhor amigo estivesse escondendo aquilo de si, ele mesmo o tinha visto sofrer pelo maior!

Sem contar que Baekhyun era meio desatento, mas era visto até da lua que Park Chanyeol estava fazendo um jogo consigo. Aqueles olhares furtivos, as mãos que vez ou outra o segurava com propriedade e aquela aproximação bem-vinda do corpo maior, alegando que a culpa não era sua, o elevador que era pequeno demais, o corredor era pequeno demais mesmo quando havia apenas eles dois ali.

O que tornava tudo pequeno demais era a tensão entre os seus corpos, ansiando os seus toques.

- Pois saiba que o Luhan mandou que eu ficasse extremamente colado em você.

Aquilo era realmente um jogo consigo.

Quando pensou em resmungar, Baekhyun notou mais uma presença no corredor em que estavam. Olhou Sunyul com o cenho franzido, não sabia há quanto tempo a mulher estava ali, mas algo no jeito que ela olhava para Chanyeol não estava o agradando.

- Sim, Sunyul?

- Ah, senhor Byun. – Olhou finalmente para o castanho, sorrindo sem graça. – Não o vi em sua sala então deixei alguns documentos que chegaram.

- Tudo bem, eu já estou voltando para lá. – Baekhyun lançou um olhar avaliativo de Chanyeol para a moça, logo pigarreando e chamando a atenção de ambos. – Chanyeol, você já pode ir, chegue amanhã no horário. Boa noite.

E antes que qualquer um o respondesse, Baekhyun marchou até um outro corredor, não notando que havia posto força demais na caminhada. Estava irritado? Estava. Estava frustrado? Também. Ele não entendia como tinha ficado irritado tão repentinamente, embora frustrado ele estivesse desde que reencontrou Chanyeol.

Queria subir e falar com Luhan, mas uma curiosidade infinita fez com que ele desse meia volta e espionasse Chanyeol, notando que Sunyul também não tinha saído dali. Sabia que não tinha mais idade para ficar bisbilhotando a conversa dos outros, mas foi algo mais forte que si.

- Então... Irá trabalhar com o Sr. Byun?

- Não exatamente. – Chanyeol sorriu, simpático. – Bom, eu tenho que ir.

- Tudo bem! Qualquer dia nós poderíamos sair, sabe.

- Talvez... – Chanyeol respondeu não tão animado quanto a mulher. – Mas queria que soubesse que eu tenho namorado.

Namorado.

Chanyeol tinha um namorado.

Baekhyun sentiu um peso tão grande ao ouvir aquelas palavras que quase se esqueceu de que deveria pegar o elevador, já que Chanyeol estaria vindo em sua direção para ir à sala do mais velho pegar suas coisas. Antes que o maior chegasse, Baekhyun subiu pelas escadas novamente e ao invés de ir à sua sala, para evitar se bater com Chanyeol, foi direto na de Luhan.

O menor passou feito um furação pela porta do chefe, olhando dele para Sehun e refez o caminho contrário.

- Acho que quer me matar um pouco, talvez muito. – Arriscou Luhan, sorrindo amarelo pela primeira vez na vida.

O chinês sabia que seria questão de tempo até que Baekhyun fosse até ele. Mas diferente do que pensou, Baekhyun não parecia estar com raiva de si.

- Ele tem um namorado. – Sussurrou, mas logo repetiu porque o mais velho não tinha escutado. – Ele disse para a Sunyul que tinha um namorado, Luhan.

O chinês riu, moldando a face com um sorriso irônico.

- Lógico que ele tem, Baekhyun. – Respondeu.

- Você sabia? – Indagou, espalmando as mãos na mesa e lançando um olhar mortífero para o amigo. – E eu?

Luhan revirou os olhos, Baekhyun era meio burro.

- Baek...

Antes que desfizesse o mal-entendido, viu Baekhyun passar pela porta, furioso, quase deixando um rastro de fumaça por onde passou.

- Ele estava com ciúmes, você poderia ter sido menos sarcástico, Luhan.

- Eu nunca tinha visto ele assim, Sehun... – Luhan levantou da mesa e começou a recolher os pertences para ir para casa.

- Então tinha que aproveitar, não é? – Completou o pensamento do mais velho. – Dorme comigo hoje?

- Sehun...

Diante do leve beicinho que o mais novo fez, Luhan sorriu, sacodindo a cabeça para os lados como se dissesse que o outro não tinha jeito e acabou concordando.

***

Baekhyun voltou para sua sala e saiu pegando suas coisas com a maior quantidade de raiva possível.  Em dado momento notou que em cima da sua mesa estava a chave de seu carro, provavelmente Chanyeol tinha deixado ali antes de ir embora. Pelo menos aquela vitória no dia, pensou, não ia ter que voltar para casa de ônibus.

Desceu até o estacionamento e quase sorriu ao ver seu carro ali, exatamente como se lembrava. Apressou os passos, destrancou a porta e logo já estava dirigindo rumo à sua casa.

 

Baekhyun já tinha montado vários planos para fazer com que Chanyeol sofresse de diversas maneiras diferentes quando o elevador parou em seu andar. Seu dia tinha sido cheio, e lá no fundo do seu coração ele desejava simplesmente tomar um banho e dormir.

Mas nada estava indo de acordo com os seus planos desde que Chanyeol tinha entrado em sua vida.

Sentado em frente da porta de sua casa estava Chanyeol e toda sua beleza. O blazer já não cobria mais os seus ombros e a gravata estava afrouxada em seu pescoço. Simplesmente lindo. Ao notar a chegada o mais velho, Chanyeol sorriu daquela maneira completamente exagerada, mostrando todos os dentes, como se nada tivesse acontecido. Aquele era o sorriso que esperou o dia inteiro para ver.

E embora seu coração tenha dado uma falhada básica, Baekhyun decidiu fechar a cara e tratar Chanyeol impessoalmente como se não estivesse se roendo de raiva e ciúmes.

- O que está fazendo aqui? Pensei que ia me ignorar para sempre. – Baekhyun fez uma careta se aproximando de sua porta.

- Bem que você mereceu, Baekhyun. – Chanyeol se levantou, dando passagem para que Baekhyun abrisse a porta e logo entrou também. – Você ignorou todas as minhas ligações, acho que eu tinha o direito de te dar o troco!

Baekhyun fechou a cara por instantes. Está bem, era verdade que tinha ignorado todas as ligações de Chanyeol, mas é que ele sentia que se atendesse, iria ter um ataque de choro pedindo para que o maior voltasse, e passar mais vergonha que o habitual na frente de Chanyeol não era uma opção. Fez um bico injuriado, virou-se a fim de expressar o quanto ele estava se sentindo ultrajado, mas desistiu.

Vendo que o mais velho iria se virar e sumir pelo corredor do apartamento, Chanyeol não pensou duas vezes antes de segurá-lo pelo antebraço e puxá-lo com rapidez, fazendo com que colidisse com seu peito, o apertando forte, num abraço cheio de significados.

- Eu senti sua falta todos os dias, Baekhyun. – Sussurrou no ouvido alheio, deixando um breve selo em sua testa. – Todas as drogas dos dias.

Baekhyun se manteve irredutível e tentou se separar do maior.

- Mentira! Eu escutei o que falou para a Sunyul!

Chanyeol não precisou de mais que um segundo para entender do que Baekhyun falava, sabia que seu baixinho curioso estaria escutando sua conversa com a secretária. Era tão típico dele! Chanyeol logo soltou o mais velho e riu ao ponto de lacrimejar.

- Vai lá rir com o seu namoradinho, Chanyeol!

- Baekhyun, eu estava falando de você. – O maior segurou o rosto, agora pasmo, à sua frente e afagou as bochechas do mais velho, olhando-o ternamente. – Eu não minto quando digo que senti sua falta, não sei o que você fez, Baekhyun, mas em nenhum minuto eu parei de pensar em você.

Baekhyun amoleceu, se sentindo um grande idiota pela enésima vez no dia, circulou a cintura do mais alto e o apertou como se aquele abraço sanasse toda a falta que sentiu. Ainda com a cabeça recostada ao ombro de Chanyeol, Baekhyun olhou para seus olhos e murmurou com a voz baixinha:

- Então por que você foi embora, Chanyeol? – Piscou sem jeito e empurrou o corpo maior até que ele se recostasse na porta. – Por que não ficou aqui comigo? Eu senti tanto a sua falta.

Chanyeol sorriu, levantou uma das mãos e começou a acariciar os fios do outro.

- Eu fui me resolver com minha família, Baekhyun. Aquele dia você me ensinou a enfrentar meus problemas de frente, como um adulto. – Baekhyun soube que ele falava sobre Kris, e o modo como tratou o maior na última vez que o viram. – E por que está tão inseguro? Foi eu que me declarei e até agora não recebi nenhuma resposta.

- O que? Eu não lembro disso não, hein. – Embora estivesse com vergonha, Baekhyun se afastou de Chanyeol e falou com a voz desentendida.

Chanyeol riu e entrou na brincadeira.

- Jura? – O mais velho assentiu. – Porque eu posso repetir que gosto de você para sempre, Baekhyun. De mil e uma maneiras diferente, todos os dias da minha vida.

Foi inevitável que Baekhyun sorrisse um pouco constrangido, aquele era o cara que gostava, falando sem titubear que gostava de si.

- Então... Qual vai ser a de hoje, Chanyeol?

Houve um silencio antes de Chanyeol limpasse sua voz, e falasse sussurrando, como se as outras pessoas não pudessem saber daquilo. Era um segredo unicamente seu e de Baekhyun.

- Baekhyun, eu quero acordar na sua cama. – Chanyeol desencostou da porta, andando até o menor com o olhar lascivo. – Tomar café ao seu lado, ir ao shopping aos domingos e vestir aquelas malditas blusas de casal, só para todos saberem que nos pertencemos. – Num ato de pura vergonha alheia, Baekhyun levou as mãos aos olhos e os cobriu, embora sorrisse com o que Chanyeol dizia. – Quero ser aquele que vai completar sua teimosia, sua necessidade de atenção e carência. – Chanyeol levantou as mãos e descobriu os olhos de Baekhyun, olhando com uma magnificência única, como se o seu mundo estivesse ali, diante de si, o fazendo feliz por ter encontrado o seu local. – Não quero um final de semana, Baekhyun, quero uma vida inteira ao seu lado.

Park Chanyeol era alguém meio inconsequente e desconfiado, sua personalidade podia o resumir bem como alguém torto, frio e amoroso... Tinha amor por livros, música e por Byun Baekhyun. Já Baekhyun era alguém com metades demais faltando, fazendo-o acreditar que fosse impossível achar alguém que o completasse. Mas por ironia do destino... Todos os seus meios viraram inteiros assim que conheceu Chanyeol.

E se Chanyeol poderia falar o quanto o amava, Baekhyun seria capaz de corresponde-lo de mil e uma maneiras diferentes.

Porque... O que começa com Park Chanyeol, termina com Byun Baekhyun.

 

 

***

 

- Aliás, sua sogra só me deixou voltar porque eu prometi que iria te levar no natal.

- O QUÊ? – Viu o sobressalto do menor sobre a cama. – E como assim sogra?

- Eu disse que estava ferrado por dizer que me amava.


Notas Finais


Antes de qualquer coisa eu queria pedir sinceras desculpas. Sei que não mereço, aliás... Se passou mais de um ano sem atualização.
Gostaria de explicar que esse ano não foi muito bom para mim, e no auge das coisas, eu acabei ficando depressiva; cogitei deletar tudo daqui do SS, para de escrever - que sempre foi uma coisa que eu amei fazer. Mas eu deixei o tempo passar antes de fazer qualquer coisa que eu me arrependesse, e hoje eu sei que me arrependeria.
Esse mês eu tomei como objetivo escrever o final de meio e meio e postar, eu devia isso para vocês, para todos as 526 pessoas que não desistiram da fanfic; de mim.
Sou muito agradecida, a todos vocês. Muito obrigada por tudo!
Espero que tenham gostado dessa fic, ela é muito importante para mim!
Beijos do fundo do meu coração.
(Espero que tenham notado que o nome do primeiro capítulo é Chanyeol, e esse último é Baekhyun;;)


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...