História "Melhores amigos" - Capítulo 23


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Categorias Originais
Tags Romance
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Palavras 2.053
Terminada Não
LIVRE PARA TODOS OS PÚBLICOS
Gêneros: Ação, Aventura, Colegial, Comédia, Drama (Tragédia), Escolar, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo
Avisos: Heterossexualidade
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 23 - Fomos roubados.


Fanfic / Fanfiction "Melhores amigos" - Capítulo 23 - Fomos roubados.

←←Arthur→→


-Hoje você está muito fácil. Você não é assim.

-Quando se passa três anos longe de você, Arthur, acontece isso. 

-Tem um ponto de ônibus na esquina, e aí, vai encarar? 

-Quanto você tem de dinheiro? Eu tenho 50, 00 e cartão.

-Só cartão. E meu celular.

-Vamos ver no que vai dar.-ela sorriu, e eu olhei pra ela e também sorri.-O que foi Arthur? Você também tá muito fácil hoje.

-Eu tenho outras intenções com você também.-ela olhou pra mim.

-Você pelo menos sabe que horas que esse ônibus passa?

-Não faço nem idéia.-ela olhou pra mim com uma cara de indignação.-Você acha que eu vou ficar monitorando os ônibus que passam na minha rua? 

-Você é muito lerdo Arthur.

-A gente vai ou não vai?

-Eu estou entediada, quero uma aventura. Então sim. Uns dias fora não fazem mal pra ninguém.

-Essa é a minha garota.-falei , nós dois sentados no ponto de ônibus, 2hrs da manhã, já é Natal, e  estávamos fugindo de nossa família, bem normal.

O ônibus não demorou a chegar, entramos e pagamos 10,00 cada um, não perguntamos pra onde o ônibus dava, mas com certeza era perto, até porque a passagem foi só dez reais. Só tinha a gente, pegamos um lugar bom, sentamos um do lado do outro e adormecemos.

Eu acordei primeiro, já era de dia, e tinham outras pessoas no ônibus, eu estava abraçado na Letícia, fiz de tudo pra não acordá-la, mas sem sorte, ela acordou. 

-Onde a gente tá Arthur? 

-Não sei. Mas tá longe.-olhei as horas no meu celular.-É 6:40, estamos andando á 4hrs.

-Meu deus Arthur. 

-Você tem noção do quão longe estamos? 

-Você tem noção da minha enxaqueca, e fome? 

-Letícia, nós estamos a mais ou menos 400km de casa.

-Isso é bem longe.

-E talvez esse ônibus nem pare por agora.

-O que a gente foi fazer Arthur? 

-Vou perguntar pra moça aqui do lado, onde esse ônibus vai parar.-me virei pro lado e tinha uma moça sentada, estava acordada, então resolvi perguntar.-Moça.-ela se virou pra mim.-Então, eu e minha amiga aqui, dormimos em uns dois pontos, então estamos meio que perdidos. Pra onde esse ônibus vai? 

-Buritis.-ela disse.

-Isso é em Mg,né?-ela concordou.-Então, estamos bem longe de Uberlândia?

-Nem sei, mas deve ser longe, já ouvi falar dessa cidade.-Letícia prestava atenção na conversa, da moça e eu.

-E de onde você saiu? 

-Unaí. 

-Obrigada então. Mas a gente tá quase chegando em Buritis né?-ela mais uma vez concordou, e depois voltou.-LETÍCIA!!! ESTAMOS FUDIDOS.

-O que a gente foi inventar?

-Unaí deve ser uns 250km de Uberlândia. E Buritis uns 100km de Unaí. 

-O que vamos fazer? 

-Ver o que tem de bom em Buritis.Já estamos aqui mesmo.

-E procurar um restaurante também.-ficamos mais um pouco em silêncio, até eu não aguentar e perguntar.

-Letícia, você sabe o porquê de eu estar mal ontem, mas eu não sei o porquê de você estar desse jeito. Por quê? 

-Minha família e a famosa falta de apoio, não que isso seja um problema mas é chato.

-Eles não te apoiaram em quê? 

-Na minha ideia de me mudar totalmente pros EUA.

-Como assim Letícia? Tipo, morar lá, pra sempre? 

-É.  Fazer faculdade, arrumar um emprego...e por aí vai.-eu nnão acredito nisso, só falta ela se mudar mesmo, e eu ficar sozinho outra vez.

-Eu entendo, os EUA devem ser tudo de bom.

-Na verdade sim, mas de todo jeito eu senti falta do Brasil. E das comidas. Eu comi tanto pão de queijo ontem que você nem imagina. 

-Quando a gente chegar nessa Buritis, vamos ver se o pão de queijo aqui é bom.

-E você? Por que estava e está tão diferente? 

-Depressão.-cochichei.

-O quê? 

-Eu tive depressão Letícia, por dois anos, e as vezes ainda tenho minhas recaídas. 

-Arthur...meu deus.

-Já passou.

-Então eu vou ficar aqui no Brasil, por você.-eu fiquei bem feliz, mas não podia fazer isso com a vida dela.

-Claro que não. Você vai sim, tá tudo bem, eu estou controlado.-ela sorriu, e nos abraçamos. 

-Arthur, sabe o que eu lembrei? Você não escovou seus dentes. Eu até te beijaria, mas...

-Eu te beijo então.-e a beijei. Só paramos quando o ônibus parou, aí descemos.-O que vamos fazer agora? 

-Andar por aí até achar alguma padaria.

-Vamos então.-ficamos andando um bom tempo naquela cidade sem encontrar nada.

-Calor do caralho, são só 7:30 da manhã. E essa porcaria de cidade não tem uma porra de padaria.

-Calma Letícia. Ficar com fome não te deixa bem.

-Você acha que eu não sei? 

-Olha uma padaria. Vamo entrar.

-Até que enfim. Amém caralho.

Entramos naquela padaria, pedimos pão de queijo, coxinhas e toddynhos. Um belo lanchão.

-Vocês são novos aqui?-a atendente pergunta. 

-Chegamos aqui por engano mesmo.-Letícia responde. 

-Hoje é Natal. Não era pra vocês fecharem? 

-É difícil menino. Patrão exigente, padaria 24h...

-Cara, eu já tinha me demitido a muito tempo. E cadê esse patrãozinho? Tá fazendo hora na casa dele? 

-É Natal. Vacilo dele mesmo...-eu digo.

-Mas...dá lucro pra ele.

-É né. Tudo pelo lucro.-Letícia riu.-E moça, você sabe de um hotel, ou então o horário que algum ônibus passa amanhã? 

-Eu sei de um hotel.-e explicou.-Mas pra onde vocês voltam? 

-Uberlândia, acho que uns 400km daqui. É difícil chegar aqui por engano.-eu disse.

-Eu acho que ônibus vocês encontram pra Unaí, o mais próximo de Uberlândia.

-Obrigada então. Tchau.

-Pera aí. Vocês são namorados, só curiosidade?

-Somos melhores amigos.-Letícia respondeu.

-Vocês combinam.

-Tchau então. 

-Arthur. -fora da padaria ela disse.-E aí? Voltamos ou ficamos mais um pouco? 

-Nossos pais já devem estar loucos.-ela olhou o celular.

-Até não. Com certeza estão dormindo.

-Ninguém conhece a gente aqui. Quer fazer alguma coisa? 

-Sempre quis dançar em cima de carros no semáforo e depois sair correndo. E você Arthur? 

-Sei lá. Correr de carro em carro. Pular de algum lugar alto. Pagar de vida loka.

-Mas aqui nem carro tem. 

-Beijar na chuva? 

-Também não tem chuva Arthur. 

-Descer pelo corrimão? 

-Inexistente.

-A sei lá. 

-Quer ir pra Unaí? 

-Vamos. Talvez lá dá pra fazer isso.

-Ou talvez não. 

-Cara sempre quis dormir na praça. 

-Meu deus. E se hoje tiver um casamento? 

-É Natal. Eu acho que não pode.

-Puta que pariu Arthur. Cidade sem graça. 

-Quero embora.

-Tô com sono.

-Vamo dormir numa praça? 

-Dormi super mal hoje. Qualquer lugar serve.

-Meu deus Letícia. Hoje é Natal.

-O Natal mais diferente da minha vida.

-O melhor Natal da minha vida. 

-Tenho certeza que nós somos os mendigos mais felizes hoje. É sério nós estamos péssimos. 

-Deita nessa grama logo.

-Tá bom. Mas não prometo que vou dormir.-e a empurrei. Caímos deitados naquela grama e nos abraçamos, nem vi que realmente dormimos. A situação era a das piores, porque dormimos na grama de uma praça. 

Acordei com o sol na minha cara e lambidas de cachorro, me levantei na hora, fiz carinho naquele cachorro, e sacudi Letícia, já devia ser tarde.

-Arthur. Por que você sempre acorda primeiro? 

-Quantas horas?-ela olhou no celular.

-Sem bateria.

-Idem. Tem dinheiro?-ela olhou pros lados desesperada e nnão encontrou a bolsa.

-Como nós fomos burros assim? Que merda, roubaram 40,00, minha bolsa, e um monte de coisas que estavam nela. Nós dormimos numa praça, como não imaginamos isso?-nesse momento ela já se desesperava. Ficou procurando coisas no bolso.-Olha que ótimo, meu cartão também tava na bolsa. Pelo menos não levaram meu celular e meus documentos. 

-Caralho. E a gente nem acordou. Como nós vamos voltar?

-Calma Arthur. O primeiro de tudo é achar um orelhão, ligar pro meu banco e bloquear aquele cartão. 

-É Natal. Não tem nada aberto Letícia. 

-Pelo amor de deus. Te sobrou alguma coisa? 

-Meu celular e dez reais, meu cartão estava na sua bolsa.

-Arthur, nós estamos a 400km de casa, com os celulares sem bateria, e só com dez reais. O que a gente vai fazer? 

-Você tem biometria no seu cartão do banco? Eu não. 

-Nem eu. Mas eu preciso urgentemente bloquear aquele cartão. Ele é da minha poupança e só tem 4 mil reais.  É só isso que ele tem.-falou sarcástica.-Caralho, onde eu fui me meter, eu preciso de um orelhão.-e foi até a esquina, onde tinha um orelhão. Ela demorou um pouco, mas voltou.

-E aí? 

-Consegui bloquear o cartão, só isso. Tentei ligar pra minha mãe não atende, e nem a sua. Arthur, a gente vai ter que trabalhar pra comer.

-Eu tô numa fome.

-Arthur. Por que fomos dormir nessa praça? 

-Porque eu sou burro.

-Vamos ter que dar um jeito. Minha mãe sempre me ensinou isso, sempre tem que ter um jeito.

-Mas que jeito? 

-Lavar banheiro em troca de comida, vender alguma coisa na rua, sei lá, temos que fazer dinheiro.-ela olhou pra mim.-Vamos na moça da padaria primeiro, a gente vai pedir o telefone, ligar na rodoviária, ver o preço de uma passagem pra Unaí, ou algo mais perto de Uberlândia, e em Unaí a gente faz aalguma coisa.

Fomos então pra padaria,a moça estava lá, contamos nossa história, ela emprestou o telefone, e nos deu um lanche. E descobrimos o seu nome, Jéssica. Enquanto a Letícia estava no telefone, conversei com Jéssica. 

-Cara, muito obrigado, pode ter certeza que eu não vou esquecer de você, quando chegar em Uberlândia, eu mando uma recompensa por você ter nos ajudado.-ela apenas sorriu, Letícia desligou o telefone.-Então? 

-Precisamos de 40,00, esse é o ônibus mais barato, é uma promoção de Natal, então já são 15:00, o ônibus sai as 18:00. Vamos ter que arrumar esse dinheiro. 

-Se vocês não conseguirem tudo, eu completo pra vocês. 

-Tudo bem. Mas só em caso de extrema urgência.-Letícia diz.-Mas Jéssica, muito obrigada mesmo.-e saímos. 

-Arthur, você já tem dez reais, eu consegui um desconto, vai ficar por trinta reais. Precisamos de mais 20,00, mas a Jéssica acha que precisamos de 40,00. Você me entende? 

-Que safada. Isso é errado.

-Precisamos de dinheiro, e de todo jeito você vai pagar ela depois. Agora rápido, vai bater em umas casas, se oferece pra fazer faxina, passear com o cachorro, só traz dinheiro. E eu vou fazer minha parte. Me encontra as 17:30 aqui.

No final de tudo, eu consegui só 10,00 por passear com um cachorro, e lavar dois banheiros. Eram 17:30 e fui encontrar Letícia no mesmo lugar.

-Quanto conseguiu Letícia? 

-25,00 , em três horas é bem pouco.

-Meu deus, eu só consegui 10,00. O que você fez? 

-Lavei louças enormes de algumas casas, e depois cobri uma garçonete que faltou. Claro, eu contei a história, só acrescentei algumas coisinhas.-ela riu.-Então temos 55,00? Vamos sobrar só com 25,00, temos que pedir da Jéssica. 

Jéssica nos deu mais 20,00 , prometemos que íamos pagar ela, nos despedimos, fomos pra rodoviária, compramos a passagem e em poucas horas estaríamos em Unaí. 

-Eu estou fedendo.

-Que coisa horrível Letícia, mas eu também. 

-Eu não acredito no dia de hoje. Pegamos um ônibus, viemos parar numa cidade que nunca ouvi falar, dormi por 4hrs em uma praça, fui roubada, tive que trabalhar muito pra ganhar pouco dinheiro, e agora estou indo pra Unaí. 

-Puta que pariu.

-Quer dormir? 

-Nunca mais.

Ficamos conversando mais até chegarmos, tivemos sorte e conseguimos comprar uma passagem pra Uberlândia, e depois chegamos em casa.

-Meu deus. Eu nunca mais faço isso Letícia. 

-Até foi legal. Só não gostei de ser roubada.

-E agora? Na minha casa ou na sua? 

-Prefiro na minha. Não tô muito afim de ver sua mãe. 

-Por que não quer ver sua sogra?

-Arthur voltou ao normal.

-Vamos pra sua casa logo.

Então fomos pra casa dela, tivemos que bater a campainha, deviam ser quase uma da manhã, mas o pai dela atendeu.

-LETÍCIA! VOCÊ PODE ME EXPLICAR O QUE ACONTECEU? 

-Calma pai. Eu estou viva, fui roubada, peguei um ônibus e parei em Buritis, consegui dinheiro de volta e estou aqui.

-Essa é a minha garota.-e olhou pra mim.-Arthur. Que bom te ver. Bom saber que vocês estavam juntos.

-Que bom tio Robson.

-Tio não, sogro.

-PAI.

-Vocês transaram nesse feriado? 

-PAI.

-SOGRO.

-CASALSINHO LINDO.-e riu.-Fizeram sexo? 

-Não pai. Mas eu pretendo, então licença. 

-Essa é minha garota. Mas cuidado sou muito novo para ser avô.

-Tranque o seu quarto se não quiser escutar nada.-Letícia diz, e eu fico animado.

-Agora seu quarto tem banheiro, fica a dica.

-Boa noite pai.-e meu sogro foi pro seu quarto na maior naturalidade, e eu pro quarto com Letícia. Ela trancou a porta, e estava indo pro banheiro. 

-É incrível como seu pai consegue ser tão natural e despreucupado.

-É porque hoje tem visitas em casa. Mas na verdade minha mãe que se estressa e perde a cabeça mesmo, meu pai é de boas. E ele realmente não estava brincando. 

-E você estava? 

-Eu não sei.

-Você não está cansada? 

-Eu já dormi demais. Você está cansado? 

-Nada que um banho não relaxe.


Notas Finais


Agora é sério, vai ter cenas bem quentes amanhã. Não tô brincando.


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