História "Memórias de Nina Garbo" - Capítulo 6


Escrita por: ~

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Categorias Eliane Giardini
Personagens Eliane Giardini
Tags Drama, Revelaçao, Romance
Exibições 122
Palavras 2.871
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Famí­lia, Ficção, Romance e Novela
Avisos: Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


"Olá, escuridão, minha velha amiga.
Vim conversar com você de novo,
Porque uma visão um pouco arrepiante
Deixou sementes enquanto eu dormia.
E a visão que foi plantada em meu cérebro ainda permanece dentro do som do silêncio" S.G

Capítulo 6 - Sound of Silence


Fanfic / Fanfiction "Memórias de Nina Garbo" - Capítulo 6 - Sound of Silence

- A senhora está me ouvindo? - Luiza insistiu com veemência.

- Preciso falar com Sr. Otávio Finnegan, ele se encontra? - falei séria e inquieta.

- Você é aquela mulher da festa...agora estou te reconhecendo. Nossa, bonita sua dança. Tem muita energia para a sua idade. - Meu sangue começou a ferver, suas palavras são de deboche.

- Pra você ver né querida, tem gente que não precisa se mostrar numa revista para ser admirada. - ele me olhou com um ar de superioridade e desdém.

- Bom, ele está dormindo agora. Chegou bem cansado da viagem. Sem contar que nos divertimos um pouquinho esta tarde...sabe como é né, coisa de noivo apaixonado. - Eu ainda continuava parada na porta enquanto ela tentava me humilhar. Noivo? Essa palavra me tirou um pouco do chão.

- Diga que preciso falar com ele urgente. Peça para me procurar em meu escritório, temos negócios a acertar.

- Tratamento VIP para clientes, não sabia que atendia em casa. Poderia ter ido na empresa dele. - ela alisava tanto aqueles cabelos loiros que me deu vontade de arrancá-los com minhas próprias mãos.

- Como eu disse é urgente! Até mais... - virei as costas e fui em direção ao elevador.

- É só isso? Claro, querida! Vou avisar sim. - Foi fechando a porta fazendo sinal de bye bye.

Saí do condomínio muito confusa, mas por mais que tudo parecesse óbvio, não desconfiei de Otávio. Tudo me dizia que ele teria uma explicação. Precisava ter. Nem eu mesma acreditei em minha serenidade. Dirigi até meu escritório muito apreensiva e a todo momento tentando manter a sanidade. Liguei várias vezes para Otávio, mas nada, caixa postal.

Cheguei ao escritório e já me bombaderam com processos criminais muito extensos. Tive que manter meu autocontrole e resolver as pendências. Marcela sentiu minha estranheza e eu já não aguentava mais esconder nada dela, precisava desabafar. Já eram quase 16hs quando terminei de revisar meu último processo e direcionar algumas ordens aos outros advogados e estagiários. Apoiei a cabeça em meus braços que repousavam sobre a mesa e por alguns instantes adormeci.

- Nina, Nina acorde!

- Marcela! Ai meu Deus! Eu devo ter dormido muito...

- Você pensa que me engana depois de todo esse tempo! Não somos amigas o suficiente? Não confia mais em mim? - Marcela estava um pouco entristecida com minha atitude.

- Marcela, eu confio minha vida a você! Me desculpe! - ela sentou na cadeira à minha frente. - Toda sua suspeita é verdadeira. - É o Otávio! É por ele que estou assim.

- Foi por causa da festa e daquela mulher que estava com ele não é? Eu sabia!

- Marcela! - disse entre um longo suspiro. - Nós fizemos amor! Ele voltou pra mim! - ela me olhou boquiaberta.

- Como assim? Vocês estão juntos? Como aconteceu? Não estou entendendo mais nada! Mas eu sabia Nina, você ainda ama esse homem! Oh! Minha amiga, você está voltando a viver. - ela estava eufórica com a história toda. Marcela sempre torceu pela minha felicidade.

- Mas por que está com essa carinha? Era pra você estar feliz! Vibrando! meu Deus! Esse tom de voz é o mesmo daquela Nina doce de anos atrás.

- É uma longa história, te conto outra hora. Ele disse que tinha terminado tudo com a tal Luíza e que ia chegar hoje de viagem, fui até o apartamento dele e ela estava lá, atendeu a porta, só de camisola, e ainda debochou da minha cara.

- Nina, calma! Não tire conclusões precipitadas. Você sabe muito bem onde isso pode levar. - Estou tentando manter a calma, eu não vou aguentar perder esse homem de novo.

- Você ainda o ama como antes? - me perguntou entre suspiros e curiosidades. Me levantei da cadeira e andei pela sala.

- Ai Marcela - meu olhos marejavam. - Eu sempre amei o Otávio. Mas hoje eu vejo que naquela época meu sentimento ainda era muito imaturo, ainda que muito verdadeiro. O que eu sinto por ele agora é algo inexplicável, eu nem consigo respirar direito desde o dia em que vi ele naquela empresa. E depois, quando ele me amou eu soube que eu não posso mais viver sem ele. Eu o amo, demais!

- Você contou a ele o que aconteceu com você logo depois que ele foi embora? Do teste? Da Internação?

- Não. Nós não conversamos sobre o passado ainda. Só falamos de nós e do agora. Não sei se conto, isso foi a muito tempo!

- Isso vai mexer muito com ele! Mas ele tem o direito de saber, Nina!

Contei à Marcela sobre meus sentimentos e sobre o que senti por Otávio depois desses encontros. Até que nos assustamos quando o telefone de minha mesa tocou. Marcela prontamente atendeu.

- Há um homem à sua espera. - Quem é dona Carmem? - Um velho conhecido? - Olhei para Marcela consentindo. - OK! Mande-o entrar!

- Marcela, será que é o Otávio? - senti uma alegria imensa tomar conta de mim. - Ele veio, nem eu me reconheço, minha amiga!

- Sabe o nome disso, Nina? Isso é amor. E vocês merecem isso mais do que tudo. Pare de se machucar. Você e ele não devem nada a ninguém, só a vocês mesmos!

Alguém começou a bater na porta. - Pedi pra Carmem deixar entrar!

- Espere eu vou abrir! - Marcela foi em direção a porta e a abriu. Mas antes fosse a morte em minha porta. Ele estava parado lá, me olhou e entrou. - Gustavo? - Um ódio descomunal percorreu meu corpo e senti na hora meu sangue esquentar.

Ele foi entrando e Marcela ficou parada sem reação na porta.

- Se eu dissesse meu nome, certamente você não iria me atender. - Ele disse como se essa explicação fosse gerar em mim alguma espécie de piedade. Fiquei calada olhando aquele homem que a anos atrás destruiu minha vida e minha honra. Depois de sua traição, sua mãe que era governanta de minha casa e minha segunda mãe, não aguentou o sentimento de vergonha e decidiu deixar de trabalhar conosco. O que me fez ficar ainda pior, pois dentro de casa, ela era a única pessoa com que eu chorava os maus tratos de meu pai. Sua partida me deixou em um profundo estado de silêncio e a casa se tornou um cemitério vivo.

Ele ficou parado na minha frente esperando minha reação. Me aproximei e ficamos cara a cara. Não consegui dizer uma palavra, minha resposta a ele foi um tapa com muito ódio em sua face direita. Marcela fechou a porta e colocou a mão sobre a boca estupefata.

- Você tem todo o direito! Esse tapa foi pouco para o que eu realmente mereço. Mas ainda sim estou aqui. Eu preciso do seu perdão! - sua face ficou muito avermelhada. Em seus olhos havia um profundo sentimento de culpa, mas o arrependimento veio tarde.

- Eu quis ir atrás de você até no inferno, cretino! Se você tivesse o mínimo de vergonha na cara não teria pisado os pés aqui. O que foi que houve? A fortuna que meu pai te deu não foi suficiente? Acabou? - disse axaltada, minha vontade era de matar ele alí na hora. - Marcela, nos deixe a sós por favor! - Quer que eu chame a segurança? - Não será necessário. - Se precisar estou aqui fora, Nina!

- Nina, eu pago até hoje o mal que lhe fiz. Não vim aqui esperando que você me perdoe agora. Eu estava louco de ciúme na época, eu te amava... - O interrompi rapidamente.

- Ah! E em nome disso que você chama de amor você me feriu e traiu seu melhor amigo. O que você fez não tem perdão.

Narrado por Otávio

A viagem a São Paulo foi extremamente cansativa. Não parei de contar todos os segundos para voltar e encontrar Nina. Meu vôo atrasou por causa do mal tempo que agora também insisti em tomar conta do Rio de Janeiro. Sem contar que a bateria de meu celular havia acabado e tudo conspirou para que eu demorasse a chegar. Mas entrando em meu condomínio dei de cara com o porteiro.

- Sr. Otávio, que bom que está de volta! Sua noiva está a sua espera? - o porteiro curioso estava com todas as informações na ponta da língua.

- Noiva? Que noiva homem?

- A loira bonita, com todo o respeito!

- Ela está aqui? Como assim? Você deixou ela entrar? - perguntei instigado. - Está sim. O senhor não deixou nenhuma ordem para ela não entrar. Já veio aqui tantas vezes né! E não tem muito tempo, apareceu uma mulher muito bonita atrás do senhor. Deixei ela subir, disse que era sua amiga e que queria fazer uma surpresa. Mas depois saiu apressada, com uma cara preocupada, acho que ouve algum desentimento entre as duas.

Mal terminou de me contar e subi rapidamente para meu apartamento, Nina veio aqui! Só podia ser ela. Encontrou Luíza. Isso não podia acontecer. Ao entrar dei de cara com Luíza me esperando sentada no sofá.

- Foi por causa daquela mulherzinha que você me deixou, meu amor?

- Luíza, o que você fez? Como entrou aqui? - vi quando balançou a mão e uma chave pendia de seus dedos. Uma chave que eu havia feito para ela no auge de nosso namoro.

- Disse somente o que ela precisava ouvir. Que meu noivo e eu nos divertimos muito hoje à tarde - sem dizer uma só palavra a peguei pelo braço e arrastei até a porta. - O que havia entre nós acabou! Eu nunca fui seu noivo. A gente já conversou sobre isso. É melhor que acabe aqui. Eu não quero o seu mau, gosto de você. Mas infelizmente não te amo. Não vou te contar a história toda. Isso é tudo o que tenho a lhe dizer. - só pensava em Nina, e no que estava sentindo, na reação dela. Preciso explicar o que houve!

- Você ainda vai se arrepender de tudo o que está fazendo! Escreve o que eu tô dizendo! - ela disse num tom ameaçador. Mas era jovem e imatura, não levei em consideração. Foi embora enraivecida, mas minha única preocupação era Nina.

Fui como um louco para seu escritório, tinha que vê-la. Cheguei ao prédio e me direcionei ao devido andar. Ao entrar fui até até a recepção e dei de cara com Marcela, que me pareceu um pouco assustada e nervosa.

- Marcela! Quanto tempo. - disse indo em sua direção. - Não conversamos na festa, peço perdão. É bom revê-la!

- Oi Otávio! É bom te ver também. O que veio fazer aqui?

- Preciso ver a Nina agora, é urgente!

- Não, não, ela está ocupada não vai poder te ver hoje. Volte amanhã! - sua face de espanto era evidente. - O que está acontecendo? Diga! - Ouvimos vozes alteradas numa sala próxima, era a voz de Nina. Pareciam brigar. - São só clientes Otávio. - Tenho que entrar lá, não me empeça!

Narrado por Nina

Gustavo estava muito exaltado, parecia fora de si e a todo momento dizia que me amava. Eu estava prestes a chamar a segurança quando assustadoramente o que eu menos esperava aconteceu, Otávio entrou na sala. Fiquei pálida e atônita. Tive muito medo de sua reação. Esse semblante era conhecido, o mesmo de vinte anos trás quando tudo aconteceu.

- O que esse cara está fazendo aqui? - disse com raiva.

- Otávio! Deixa eu explicar! - olhei para Gustavo que não esboçava nenhuma reação.

- Você tem explicação? A cena se repete não é! Será que eu me enganei com você mais uma vez?

- Ei, alto lar...me respeita! Que isso! deixa eu explicar. - o nervosismo estava tomando conta de mim, certamente todos do lado de fora da sala ouviam curiosos a briga.

- Otávio. Eu precisava ver a Nina, pedir desculpas. E agora que está aqui, a você também. - Gustavo tentava se explicar, quando numa explosão de ódio Otávio se aproximou dele e o segurou pela camisa.

- Seu desgraçado, eu devia matar você aqui. - desferiu um soco brutal em Gustavo que caiu com o lábio sangrando. Mas os dois eram orgulhosos e estavam com o egos feridos. Começaram então um briga violenta em minha sala. Eu gritava por socorro, chamava pelos seguranças enquanto eles, como dois animais selvagens, pareciam disputar a fêmea.

- Otávio não! Parem vocês dois. - eu estava desesperada com tudo aquilo. Tudo em minha sala era quebrado com o choque violento de seus corpos. Foi quando os seguranças chegaram e separaram as duas feras. Diziam palavras ofensivas um ao outro enquanto seus rostos machucadados sangravam. Otávio, imobilizado pelo segurança, me olhava com lágrimas nos olhos e estes encontravam os meus também chorosos.

- Quer que eu chame a polícia? - disse um dos seguranças. - Não, não faça foi só um desentendimento. Tirem este moço daqui. Queria que Gustavo fosse embora o mais depressa possível. Os seguranças o levaram.

- Me larga, me solta! - disse Otávio raivoso. - Já estou indo embora. Ele passava a mão em seus lábios machucadados enquanto me olhava.

- Otávio, espera! - fui me aproximando dele, toquei em seu rosto e ele sentiu dor. Haviam vários ferimentos causados pelos socos.

- Eu vou embora. Nós mal começamos e pelo visto acabamos aqui. - Como é que é? - eu disse incrédula. - É incrível não é, tudo se repete... como você explica esse cara aqui. Ele acabou com a nossa vida. Aliás, vocês acabaram com a minha vida e eu te perdoei... - Todos nos olhavam, mas a essa altura já não me importava mais com nada.

- Perdão? - E a sua bela noiva! Por acaso esqueceu de me falar dela.

- Ela não é mais minha noiva. Entrou sem minha permissão no apartamento. Eu só cheguei de viagem a pouco tempo, vim direito para cá quando soube de tudo. E te vejo com esse cara.

- Ele apareceu aqui do nada! - não aguentava aqueles olhares de acusação.

- Olha, não precisa me explicar mais nada. Chega! Vamos parar por aqui. Quando ele disse isso me axaltei e o agarrei pela camisa.

- Otávio, a anos atrás você não me deu a chance de me explicar, agora você vai me ouvir. Eu quase morri por sua causa - ele retirou minhas mãos. - Talves se tivesse morrido eu não estaria sofrendo tanto como estou agora. - virou as costas em direção a porta e foi saindo. Fui atrás dele e gritei. - Otávio eu amo você, mas se você sair agora, não ouse mais voltar. Nesse momento todos já me olhavam boquiabertos. Nunca demonstrei nenhum tipo de sentimento, quando dava bom dia era um tanto seca e áspera. As pessoas se chocaram ao ver que eu tinha um coração. Foi quando alguém começou a aplaudir dizendo:

- Então é aqui que a vadiazinha trabalha. - quase gelei ao ver Luíza alí.

- Olhem para ela, meu povo, é essa mulher que está transando com meu noivo! Como uma piranha! Sabe, Nina, os fotógrafos adoram flagrar pessoas em momentos românticos. - Luíza vai embora daqui e eu não sou seu noivo, nunca fui. - Otávio já estava para explodir.

- Mas ia ser, se não fosse por ela. Mas espere, eu tenho uma surpresa. - Tirou da bolsa umas fotos e começou espalhá-las por todo o ambiente. As pessoas começaram a olhar. Não pude acreditar, eram fotos tiradas de meu momento com Otávio na festa. Foram fotografadas de longe, pela enorme janela que dava para o jardim. Mas dava para ver os beijos e eu em cima do piano. Os seguranças imediatamente tiraram Luíza do recinto e Otávio estava perplexo, só me disse três palavras: - Eu sinto muito! - e saiu.

Fiquei estática. Mal respirava e todos estavam anestesiados com o ocorrido, me olhavam com espanto, piedade. Marcela me amparou até sairmos de meu escritório. Me levou até em casa e no caminho ficamos mudas. Entretanto, nenhuma lágrima escorria de meu rosto, pois todas haviam secado. Chegando em meu apartamento, entramos e ela se ofereceu para ficar comigo.

- Nina, eu durmo aqui está noite. Eu cuido de você.

- Eu quero ficar sozinha. Por favor, cuide do escritório. Não posso voltar lá amanhã. - me sentia suja, um verme.

- Se precisar de mim, me liga.

Finalmente fiquei a sós comigo mesma, ela relutou em ir embora. Mas acabou cedendo. Fui até a sacada de meu quarto, olhei o céu e desejei parar de sofrer. Minha cabeça dava voltas no passado, no presente. Me dirigi ao banheiro, liguei a torneira e lentamente a água começou a encher a banheira. Me livrei de toda a roupa e fiquei nua me preparando para entrar. Abri o pequeno armário à minha frente, tirei dois frascos de calmante e preenchi minha mão com uma porção deles. Engoli um por um, entrei na banheira praticamente vazia, e despejei minhas últimas lágrimas. Ouvia o pior som de todos, a canção do silêncio. O desejo de Otávio seria realizado! 


Notas Finais


Obrigada por lerem até aqui😘😘😘
Não exitem em me dar sugestões. Serão bem vindas. Espero que gostem!!!


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