História Memórias de um experiente - Capítulo 2


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Categorias Chico Buarque, Legião Urbana, Mafalda
Personagens Personagens Originais
Tags Drama, História, Romance
Exibições 4
Palavras 652
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 12 ANOS
Gêneros: Ação, Crossover, Drama (Tragédia), Famí­lia, Policial, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Suspense, Violência
Avisos: Linguagem Imprópria, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Neste capítulo, João de Deus inicia seus pensamentos de mudança das realidades de vida, ponta pé para o seu ativismo que se mostrará durante o percorrer da história.

Capítulo 2 - Saudade viva, pensamento pungente


Entrar em casa e ver mamãe desabada no chão, como uma borboleta que perdeu suas asas, foi um dos momentos mais difíceis de minha vida. Meus olhos misturavam-se à sangue e à lágrimas. Papai gritava com Afrânio: “Você não poderia ter feito isso, o poder não é a morte, a sua seriedade não se resume com as mortes que você carrega. O seu poder não é o meu medo”. O meu estado não permitira-me gritar “Socorro!”, quando papai entrou em casa, já ciente do que havia acontecido, viu mamãe atirada. Os dez tiros que havia tomado abriram seu corpo como janelas de um navio, o sangue já havia lotado a sala. Ele pediu que retirasse-me e esperasse (como não havia polícia – havia, mas era controlada pelo mandante da morte de mamãe: Coronel Jacinto – e como não havia nem mais vovó e vovô para chamar, o meu destino era esperar as futuras ordens de papai), enquanto esperava, pela primeira vez ouvi papai desabar, chorou mais que eu, sua vida perdera o sentido, como se as palavras ditas à Afrânio, antes de ver a cena desaparecessem e tomasse lugar o verdadeiro intuito de aniquilar mamãe: mostrar que, primeiro, ninguém pode se dar bem nesta vida, exceto a família do Coronel Jacinto, segundo, isso nunca poderá mudar, os que o ansiarem e o tentarem, sofrerão punições. Dois dias atrás papai havia pedido um aumento no seu salário para o Coronel, tendo em vista que a família havia aumentado, este ato de selvageria, para o Coronel, e de astúcia para os demais (inclusive papai), fora resolvido, rapidamente, com a morte de mamãe. Passado o momento triste e único de papai, ele pediu que fosse chamar as suas amigas vizinhas, para que lhe ajudassem a enrolar o corpo num pano, e junto dos amigos de papai, cavar a cova onde o corpo de mamãe descansaria, nesta terra onde a guerra inexistente nunca acaba. Ver aquilo tudo foi como se a vida me desse uma lição, e mais, como se me desafiasse a não desistir da vida e o mais importante, o de não vingar a morte de minha mãe, mas a missão de, em algum dia, fazer com que mais ninguém passasse por aquela situação pela qual eu passava naquele momento, a dor me corroía, a vontade de morrer-me em muitos momentos foi pungente, mas o furor, o sentimento de fazer mudar toda aquela situação que afoitava nossas vidas, me suprimia. Pela primeira vez, larguei daquela vida normal de uma criança e passei a perceber que pensava, e mais, enxergava todas as duras realidades que se perpetuariam pela minha vida, caso não o tivesse feito naquele momento. A vida seguiu. Papai apanhou muito depois, foi debochado, foi vilipendiado inúmeras vezes e comparado até com um líder de um movimento de banditismo social que havia agido naquela região uns vinte anos antes e que acabou sendo morto pelos que espoliou durante uma vida toda. Nos balaios da vida, ia sendo criado pelas rendeiras amigas de minha mãe, papai, diferentemente dos que enviúvam, não arranjou outra companheira, mesmo sendo gozado, preferiu fazer como as mulheres que enviuvavam e enlutou-se. Do ódio à infâmia, das mudanças não vistas à realidade, papai decidiu deixar o Brejo da Cruz, terra onde vivera por toda sua vida, mas que não suportava mais o seu comportamento “incompatível” com o dos demais homens deste. Uma cidade um tanto quanto próxima prosperava, seu nome, Quixeramobim, marchamos para lá, fazendo jus aos que, sem saber à época, haviam sido retratados em um belíssimo quadro, aclamado por mostrar a realidade dos que se retiram de sua cidade natal, para tentar uma vida mais digna (e não melhor) numa outra localidade. No caminho, vimos pessoas mortas (vítimas de morte morrida), vimos animais mortos, vimos a vida e o ser humano em seu estágio máximo de degradação, mas vencemos e chegamos à Quixeramobim. Um novo horizonte abria-se em nossas vidas.


Notas Finais


No próximo capítulo saberemos a importância da mudança à Quixeramobim na vida de João de Deus. Não percam! :)


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