História Memórias Rasgadas - Capítulo 4


Escrita por: ~

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Categorias Shingeki no Kyojin (Attack on Titan)
Personagens Annie Leonhardt, Armin Arlert, Eren Jaeger, Hange Zoë, Historia Reiss, Jean Kirschtein, Levi Ackerman "Rivaille", Marco Bott, Mikasa Ackerman, Nanaba, Ymir
Tags Attack On Titan, Drama, Eren, Levi, Shingeki No Kyojin
Exibições 392
Palavras 6.378
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Ecchi, Fluffy, Hentai, Lemon, Romance e Novela, Universo Alternativo, Violência, Yaoi, Yuri
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Drogas, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Obrigada pelos comentários, mensagens, favoritos e a todos os que acompanham o enredo!

Capítulo 4 - Capítulo IV


Capítulo IV

 

A corrente de ar fresca de Outono continuava a não ser impedimento para que os alunos se reunissem nos jardins da Universidade. Embora a grande maioria escolhesse os bancos e mesas onde o sol ainda tocava, evitando os locais com sombra.

Devido à roupa sempre mais quente que levava, o jovem de olhos cinza não se importava de escolher um local sem sol, principalmente se isso significasse manter distância dos grandes aglomerados de pessoas. Enquanto caminhava para um desses locais mais isolados e com menos estudantes, o jovem trocou uma última mensagem com a melhor amiga antes de guardar o telemóvel no bolso. Ao desviar os olhos do ecrã, notou que a vários metros, Armin olhava para os jardins com um ar derrotado antes de virar as costas. Pelo percurso que seguia, era fácil deduzir que iria refugiar-se na biblioteca mesmo que fosse evidente que queria ficar no exterior.

Levi segurou com um pouco mais de força a alça da mochila. Ele sabia perfeitamente o que era procurar um local seguro, ainda que isso trouxesse o isolamento como consequência. Esses dias de solidão só mudaram porque Hanji interveio, caso contrário teria permanecido naquele isolamento total.

Desde que viu o loiro pela primeira vez, esse apesar de sempre sozinho, aparentava estar contente. Porém, agora via somente o medo e a tristeza evidente. Era o resultado de ter a solidão associada a um afastamento forçado dos outros. Por que razão o colega de quarto nunca estava com ele? O loiro falou bem do colega. Falou como se fosse alguém com quem podia desabafar. Será que tinham horários assim tão incompatíveis para que o loiro estivesse sempre sozinho?

O jovem de cabelos negros considerava essa possibilidade como inválida. Os horários na Universidade eram bem mais leves em geral com vários períodos vazios ao longo da semana. Logo era impossível que ao longo de toda a semana, o companheiro de quarto não conseguisse encontrar algum tempo para estar com Armin.

Será que não o fazia por ter medo de também se tornar um alvo?

Se esse era o caso, a situação era totalmente diferente. Mesmo que tivessem frequentado turmas diferentes, Hanji sempre encontrou forma de o ver, de estar com ele e ajudar a melhorar o dia. Ela nunca se importou com a ideia de que também se pudesse transformar num alvo.

Quantas vezes as palavras e companhia de Hanji foram a única que o relembrou que valia a pena continuar a tentar? Quantas vezes ela foi a única que reconheceu que ele existia?

Se ela nunca tivesse interferido, ele sabia que teria desistido de tudo. Ela marcou tantas vezes a diferença que talvez…

Talvez seja a minha vez de fazer qualquer coisa por outra pessoa”, tocou no ombro de Armin que parou no meio da biblioteca. O loiro tremeu e encolheu-se, “Sei como é sentir-me assim. Sei onde isto o vai levar. Já vi o fim de perto muitas vezes. Mas e se eu puder marcar uma pequena diferença?”, viu os olhos azuis reconhecerem-no entre o alívio e confusão.

– Levi? – Murmurou. – Ah… precisas de alguma coisa?

Entre as aulas, o trabalho no café próximo à Universidade e as noites em que esteve a ajudar Nanaba, Levi apenas teve tempo de ver o loiro de longe nos últimos dias e depois chegava demasiado exausto a casa para pensar no que quer que fosse. Porém, naquele dia diante dos seus pensamentos, Levi não foi capaz de evitar seguir o jovem de cabelos dourados até à biblioteca e parar de fazer aquilo que tantas vezes fizeram com ele.

– Vamos lá para fora. – Disse sem rodeios.

– Eu não acho que seja uma boa ideia. – Respondeu, desviando o olhar. – Nem devias estar a falar comigo. Podes arranjar problemas e…

O loiro foi puxado pela manga do casaco e quase arrastado pelo outro.

– Não vou ter aulas agora à tarde. – Disse ao passado que continuava a andar sem largar o casaco do estudante de olhos azuis, que apesar de receoso e confuso, continuou a andar. – Não vais ficar sozinho lá fora. – Atravessaram a entrada da biblioteca. – Vamos sentar-nos na mesma mesa.

– Levi e se…?

– Não estás sozinho. – Cortou. – Além disso, estou habituado a estas coisas. Não te preocupes. – Respondeu e apesar do tom aparentemente monocórdico, Armin detetou algo diferente. Em consequência disso, apressou os passos para poder caminhar ao lado de Levi e demonstrar que não pensava oferecer resistência à ideia de ir com ele. As lágrimas tinham assomado aos seus olhos quando escutou as palavras do jovem de cabelos negros, dizendo que não estava sozinho. Ficou sem saber o que dizer, mas o que mais lhe causou um aperto no peito foi a última frase que Levi proferiu. Isso fez com que entendesse o comportamento misterioso e às vezes confuso do jovem de olhos cinza.

Armin podia não saber ao certo o que teria acontecido no passado do outro, mas as suas suspeitas não deveriam estar longe da verdade e dentro dele sentiu que realmente não estava sozinho e mais do que isso, também não queria permitir que Levi se sentisse sozinho. Era uma sensação estranha, se considerasse que os dois não passavam de desconhecidos que se viam de longe, mas naquele momento, Armin sentiu uma ligação especial. Como se pressentisse que uma porta estava a abrir-se e tinha sido Levi a incentivá-lo a atravessar aquela porta.

Ele já passou ainda ou passa por situações como a minha e ainda assim, em vez de evitar mais problemas, escolheu estender-me a mão. Se calhar, ele não consegue ver, mas é tão mais forte do que pensa”, concluiu o loiro e assim que chegaram a uma das mesas no exterior, viu Levi retirar um lápis e borracha que pousou sobre o caderno que já se encontrava sobre a mesa.

– O que estás a fazer aí parado? Senta-te. – Disse Levi.

– Sim. – Respondeu Armin um pouco atrapalhado. – Obrigado.

– Aproveita para fazer o que tens a fazer enquanto não fica demasiado frio para estarmos cá fora. – Respondeu, evitando claramente referir-se ao agradecimento do loiro e isso notava-se também na forma como não desviou o olhar do caderno já aberto com folhas repletas de cálculos.

O loiro sentou-se de frente para Levi, colocando um dos livros sobre a mesa. Porém mais do que interessado em estudar, Armin estava mais inclinado para a possibilidade de conhecer um pouco melhor o outro estudante.

– Hoje não trabalhas? – Perguntou.

– Não. – Respondeu ainda com os olhos focados nas folhas. – Hoje é a minha folga.

– Como é que conseguiste o trabalho ali no café?

– Candidatei-me e tive sorte. – Olhou para o loiro. – Não pareces muito interessado em estudar.

– Eu penso muitas vezes em encontrar trabalho, mas o meu avô prefere que só me dedique aos estudos. – Sorriu um pouco. – Já que estamos a fazer companhia um ao outro, gostava de te conhecer um pouco melhor. Prometo que paro, se estiver a aborrecer-te ou se precisares muito de estudar.

Levi suspirou.

– Não tenho nada de urgente para fazer. – Admitiu. – Em Medicina, suponho que devas focar-te mais nos estudos, já que tens um horário mais completo.

– Sim, mas gostava de ser um pouco mais independente. – Falou pensativo. – Vives aqui perto? Sei que não estás na residência de estudantes, portanto, deves viver com a tua família.

– Vivo sozinho. – Falou e ao notar um certo desconforto, Armin mudou de assunto.

Apesar de ter passado algum tempo sempre de olhos atentos ao redor deles, o loiro acabou por relaxar e distrair-se com a conversa. Mesmo que tenha sido ele a falar grande parte do tempo. Ainda assim, Levi escutou-o e fez os comentários necessários para que a conversa não caísse no silêncio. Se bem que no fim, até ficaram quase sem falar na mesa, dedicados aos estudos na companhia um do outro.

No fim do dia na Universidade, Armin ainda ganhou coragem para pedir o número de Levi. Este último ficou surpreso, mas não negou o pedido. O jovem de olhos cinza sentiu-se de certa forma aliviado e até um pouco orgulhoso porque tinha feito a coisa certa. Não permitiu que o loiro continuasse sozinho. Pelo menos naquele dia fez alguma diferença. Esperava ter marcado a diferença e que isso animasse Armin a não se deixar consumir por outros sentimentos.

 

Eu – Mensagem:

Afinal voltei a falar com o Armin.

Acho que me influencias mais do que pensas.

Fiquei com o número dele.

 

Hanji – Mensagem:

Uhhh! Sou uma ótima influência, coisa fofa!

Trocaram números :p 

Hum, quem pediu? Ele? Tu?

Tens um fã! Diz-lhe que és meu! Quero saber tudinho!

Ligo mais tarde! Super beijo, Leeeeeee!

 

Hanji escrevia demasiado rápido para que ele pudesse responder ao mesmo ritmo. Além disso, ela respondeu quando ele estava enlatado dentro do autocarro, por isso só viu as respostas ao sair. Dentro do veículo mal podia movimentar-se e por isso, tentar ver o ecrã do telemóvel era quase impossível.

A caminho de casa, na parte que percorria a pé, Levi encontrou Kuro à sua espera como já vinha sendo hábito. O pequeno gato acabava sempre no colo dele, mas como ainda era um pouco cedo e com receio de que os vizinhos vissem o gato, teve que colocá-lo na mochila. O pequeno animal já parecia habituado àquele esconderijo e não oferecia resistência.

Com a mochila nos braços, Levi entrou no prédio e arqueou uma das sobrancelhas ao ver um carro demasiado luxuoso perto do prédio. Continuou a andar embora tivesse os nervos à flor da pele. Temia que ao ver a entrada da casa dele, encontrasse Eren novamente. Portanto, Levi suspirou de alívio quando encontrou o corredor vazio.

Entrou em casa e trancou a porta, deixando Kuro sair da mochila.

– Vou tomar banho e depois preparo o jantar para nós os dois. – Falou, acariciando o gato que miou. – Shh, já sabes que não podes miar por causa dos vizinhos. Já volto.

Despois de escolher umas roupas confortáveis, Levi ia sair do quarto quando viu uma mensagem nova. Seria Hanji? Pouco provável, visto que não tinha a internet ligada e por norma, a amiga só enviava mensagens através das apps para evitar custos.

 

Armin – Mensagem:

Obrigado pela companhia, Levi.

Há muito tempo que não passava tão bem com alguém.

Até amanhã :)

 

Um pouco sem jeito, Levi ficou vários momentos apenas a olhar para o ecrã sem saber o que responder. Apesar das suas dúvidas, aquela era a confirmação de que agir em vez de ver o loiro de longe tinha sido a melhor opção.

 

Eu – Mensagem:

Não agradeças. Também me fizeste companhia.

Até amanhã.

 

Pousou o aparelho sobre a cama e foi tomar banho. Um pouco mais demorado do que o normal, pois a água quente estava bem irresistível, sobretudo depois de um dia que para variar, até se sentiu bem com ele mesmo. Em seguida, preparou algo simples para ele e colocou a comida de Kuro que comprou numa loja. Ficou satisfeito ao ver que o gato comeu tudo.

Depois de arrumar e limpar a cozinha, decidiu passar a ferro. Deixou o computador sobre o sofá com música enquanto Kuro se encostava ao lado da roupa dobrada que o rapaz ia juntando.

 

Doushite? Boku wa kowareta meshia? (Porquê? Sou um messias destroçado?)

Dare mo ga yumemita “rakuen” o… (Todos sonharam com um ‘paraíso’)

 

Levi acompanhava a música baixinho e o som da música que dava início ao anime Death Note preenchia a sala, quando soaram duas batidas na porta. De imediato, paralisou por alguns momentos e olhou para o ecrã do computador, vendo que eram quase nove da noite.

Serão o tipo da Vodafone outra vez?”, questionava-se, sentindo que estava com pouca paciência para ouvir conversa de vendedor. As operadoras que queriam oferecer-lhe serviços de internet, telefone e televisão tinham definitivamente que parar de bater à porta dele. Quantas vezes teria que recusar o serviço? E não, também não pretendia mudar de operadora, dado que a que tinha agora era a mais barata.

Tendo em conta que era inútil fingir que não estava em casa, desligou o ferro e parou a música no computador antes de dirigir-se à porta. Rodou a chave e respirou fundo, preparando-se para tentar dispensar mais um vendedor quando surpreendeu-se ao encontrar uma mulher.

Os cabelos castanhos caíam pelos dois ombros, levava um casaco de pele de cor preta longo com um cinto que acentuava a cintura da figura feminina. Desde da postura, às roupas e ao perfume, tudo demonstrava uma elegância e classe que deixaram o jovem sem palavras enquanto tentava entender o que fazia aquela desconhecida na porta dele.

– Boa noite, Levi. – Cumprimentou com um sorriso. – Será que podemos conversar?

O sorriso, os traços familiares, a cor do cabelo levaram-no rapidamente a uma conclusão. Era evidente que se tratava de um familiar do Eren e pelas semelhanças, arriscaria dizer que se tratava da mãe. Nunca a tinha visto antes e olhou com algum receio, mas viu que atrás dela não havia ninguém. Aparentemente, ela estava sozinha.

– Ah… sim. – Respondeu enquanto se repreendia por dentro por não ter recusado aquela estranha em sua casa. Por vários dias, pensou que a história com Eren tivesse terminado de vez, mas pelos vistos esse fantasma não o deixaria tão facilmente.

Primeiro a tia e agora a mãe dele? Por que razão não o deixavam em paz?

Pese embora esses pensamentos, Levi apressou-se a pedir desculpa pelo estado da sala e logo retirou as roupas, o computador e também a tábua de passar a ferro. Pensou que a mulher fosse preferir manter-se de pé, apesar de ter desimpedido parte do sofá, mas ela agradeceu e sentou-se no sofá.

Contudo, Levi não notou o ar divertido de Carla. Não havia maldade nessa diversão, apenas lhe pareceu curioso a forma como o rapaz lhe abriu a porta. Além do avental na cintura, a camisola preta estampada com várias patas brancas de gato e o gancho que segurava alguns fios do cabelo que deviam estar a cair-lhe nos olhos enquanto passava a ferro. Era uma imagem bem doméstica e caricata, diferente do que esperava depois de ouvir algumas coisas da família dele.

– Eu não tenho café, mas posso fazer chá. – Disse, retirando o gancho do cabelo e colocando-o no bolso do avental.

Nem devia estar a oferecer-lhe nada, mas só consigo abrir a boca para dizer o oposto do que deveria estar a dizer”, pensava com algum nervosismo.

– Obrigada, mas não quero beber nada. – Sorriu novamente e olhou para o gato que continuava enroscado no sofá.

– Ele não faz mal. – Disse o jovem com pouca vontade de retirar o gato do sofá, visto que parecia tão confortável.

– Não me importo com a companhia. – Respondeu e voltou a olhar para Levi que entretanto, pegou num banco da cozinha e sentou-se. – O meu nome é Carla Jaeger. A tua tia deu-me a tua morada e eu peço desculpa por aparecermos assim de repente para te pedir este grande favor, que acredito que seja um incómodo para ti.

Não chamaria simplesmente de incómodo”, pensou Levi.

– Tentei falar contigo antes, mas parece que nos últimos dias tens chegado muito tarde a casa. – Continuou, desapertando um pouco o casaco para ficar mais à vontade e mostrando um vestido vermelho com riscas pretas e dourados horizontais na zona da cintura.

– Eu trabalho. – Respondeu.

– Eu sei e lamento não ter vindo pessoalmente antes e ter deixado a tua tia assumir um pedido que devia ser meu. – Disse calmamente. – Levi gostava muito que aceitasses este favor, que não será a troco de nada evidentemente. Enquanto o meu Eren não acordar para o mundo real, irei assumir os custos que lhe correspondem. – Retirou um pequeno envelope da carteira dourada que trazia e estendeu o mesmo na direção do jovem.

– Eu não quero dinheiro. – Conseguiu dizer, não deixando que o silêncio pautasse mais uma vez os acontecimentos e dessa forma, queria impedir o rumo daquela conversa. – Não preciso de dinheiro, não preciso… não preciso de fazer este favor. Estou bem assim. Sozinho. – Sentia o coração na boca, pois estava de facto a ser capaz de verbalizar em parte aquilo que pensava.

Carla manteve o envelope nas mãos, mas deixou de estendê-lo na direção do jovem de cabelos negros. Notava o desconforto dele e como a amiga lhe teria mentido ao dizer que ele tinha aceitado aquela situação. A julgar pela reação e postura dele, apenas teria cedido em silêncio ao pedido egoísta.

– Desculpa, Levi. Não quero que penses que estou a tentar comprar este favor. Não é essa a minha intenção e de facto, não tens qualquer obrigação de ceder aos meus caprichos. – Disse, procurando transmitir ao rapaz de cabelos negros as razões por detrás de tudo aquilo. – No entanto, gostava de pedir por favor que consideres a situação. Sei que não mereço nada da tua parte ou mesmo a tua tia tem o direito de pedir-te isto porque tu precisaste de ajuda antes, mas a tua família não teve presente. Não sei os detalhes, apenas o que a tua tia procurou saber e isso não significa que não me sinta culpada também porque se eu fosse uma pessoa melhor, ao vê-la ignorar as coisas pelas quais passaste, teria agido e insistido para que te tirasse daquela casa.

Ela apenas sabe aquilo que muitos na escola sabiam. Conhece somente a superfície do que realmente aconteceu naquela altura e como seria de se esperar, não quis envolver-se. Quem iria querer envolver-se com a parte pobre e podre da família? Ninguém.”, pensava amargamente.

– Nada disso importa. Está no passado. – Respondeu num tom indiferente.

– Importa para mim porque diz muito sobre a pessoa que sou e a pessoa que a tua tia é. Importa porque…

– Por que razão a minha casa? – Cortou cada vez mais agitado por aquela insistência.

Carla parou por alguns instantes, vendo que estava prestes a receber mais alguma resposta negativa. Era óbvio como a conversa estava a incomodar o jovem, mas agora que o tinha visto. Agora que o via de perto, só conseguia sentir um aperto no peito por ver que mesmo que não o dissesse em voz alta, ele tinha sofrido bastante e ainda sofria. Sem o apoio de qualquer família e mesmo assim, tinha sido capaz de sair de casa e de ser independente.

– Porquê um desconhecido quando tu és exatamente aquilo que procuro? – Respondeu com uma pergunta e perante o ar baralhado do jovem, continuou. – Mesmo que eu ou a tua tia não tenhamos procurado fazer parte da tua vida antes, ambas reconhecemos que tu és um exemplo de que é possível mudar. É possível melhorar, se trabalharmos duro para alcançar os nossos objetivos. – Olhou em volta. – Olha à tua volta, Levi. Estudas e trabalhas para manter esta casa. Uma em que entro e para mim há a nostalgia do cheiro a comida, limpeza, roupa acabada de lavar e um ambiente em que me diz que há vida nesta casa. É a tua casa, que conseguiste por não desistir e por lutar por um dia melhor do que o anterior. A vida foi cruel contigo, mas tu não deixaste de aprender a ser responsável, honesto, um bom estudante com os pés bem assentes na terra. – Um pouco nostálgica acrescentou. – Quando era pequena, bem mais nova do que tu, gostava muito de passar as minhas tardes na casa de um senhor de idade que levava uma vida muito simples, mas feliz. O que eu dizia ser uma casa pequena, ele dizia que era aconchegante. Era um sítio assim parecido com este e nada se compara a isso. Já não me sentia numa verdadeira casa há muito tempo e quando entrei aqui, senti que estava na casa de alguém e não na minha. Sabes o que é voltar para casa e não sentir verdadeiramente que estás em casa?

Sei. Soube o que isso era todos os dias. Sentia como se nunca tivesse um sítio para voltar. Às vezes, voltar para aquela casa era pior do que ficar na escola”, pensava perdido em recordações, mas aquela pergunta de certa forma, apanhava-o de surpresa. Como é que alguém como aquela mulher sabia o que era sentir-se assim? Por que razão via tristeza nos olhos dela? Por que razão conseguia ver alguma coisa dele nela? Não fazia sentido. Os dois eram de dois mundos completamente diferentes.

– Como é que pode sentir uma coisa dessas? – Acabou por perguntar.

– Porque a minha casa é vazia, silenciosa e tão espaçosa que faz com que a solidão se torne mais evidente. – Respondeu com um sorriso triste. – Nada tem de aconchegante e nem parece que vive alguém lá, de tão perfeita que é. Tão perfeita e plástica, assim como me ensinei a ser e com isso, estraguei o meu filho. Só espero ainda ir a tempo de consertar algumas coisas que fiz e outras que deixei por fazer. Ainda tenho esperança de que pelo menos, o meu Eren possa ter um futuro bem diferente do meu e para isso, gostava muito que me ajudasses, Levi. Tu és o exemplo daquilo que eu gostava que o meu filho fosse. A tua mãe poderá nunca te dizer isto, mas eu no lugar dela, teria muito orgulho em que fosses meu filho e pelas coisas que conseguiste na vida e ainda irás conseguir mais com certeza. – Ao limpar uma lágrima do próprio rosto, viu uma cair pelo rosto do rapaz que se apressou a desviar o olhar e limpar com a manga da camisola.

A mulher de cabelos castanhos levantou-se do sofá e assim que se aproximou de Levi, acariciou os cabelos negros do rapaz, ouvindo-o tentar conter um soluço que apenas lhe colocou mais um aperto no peito. Ele limpava as lágrimas, umas atrás das outras, tentando pará-las, mas não era capaz.

Por que razão estava tão afetado por aquelas palavras?

Ele sabia.

O que para muitos podia ser uma miséria ou qualquer coisa sem importância, para ele era um passo em frente. Por mais simples e pequena que fosse aquela casa, considerava-a como o seu refúgio e o local para onde depois de tantos anos, realmente podia chamar de casa e para o qual gostava de voltar todos os dias. Mesmo que Hanji fosse a grande responsável por não ter desistido de tudo, não podia deixar de sentir aquele elogio dentro dele. As palavras que a mãe jamais lhe diria.

 

*_*_*_*_*_*_*_*_*_*_*_*_*

 

Sentado na mesa de uma pequena pastelaria, o moreno de olhos verdes nem sequer tinha a certeza que estivesse no local certo. Não parecia o género de local, onde ela fosse aparecer. Embora fosse verdade que seria pouco aconselhável que se encontrassem noutro lugar mais movimentado, onde as possibilidades de a reconhecerem fossem mais elevadas. Não queria ter chegado a esse ponto, mas de facto, não tinha tantos amigos quanto pensava e por muito que o deixassem ficar com ele uma noite, depressa vinham os comentários de que não poderia ficar lá muito tempo. Aliás, assim que lhes pedia algum dinheiro emprestado, a conversa também seguia um rumo completamente diferente daquilo a que estava habituado. Todos estavam habituados a ser presentados com algo da parte dele e não o contrário.

A situação estava a atingir níveis tão surreais que sentado na mesa, rodeado pelas três malas, pediu um café e estava a considerar como iria correr, caso ela não aparecesse e arrancasse alguma da bondade do fundo do poço para pagar o café.

Isto é patético. Não acredito que estou a passar por isto”, pensava, recordando que teve inclusive que vender dois relógios para se manter num hotel, mas apenas conseguiu pagar duas noites.

Olhou para o telemóvel mais uma vez e viu que já se encontrava ali há vinte minutos e nem sinal de…

– Apanhei trânsito nesta cidade tenebrosa, mas consegui chegar. – A voz que variava sempre entre um tom seco e a ironia, soaram e por patético que pudesse ser, Eren sentiu-se aliviado ao ver que ela não iria deixá-lo plantado ali.

Os cabelos negros caíam e ondulados caíam sobre os ombros e os óculos de sol escuros estavam sobre os cabelos. Os lábios com algum brilho e os olhos com um risco preto acentuavam ainda mais os traços que fizeram dela um ícone de beleza entre os adolescentes que a idolatravam. Naquela tarde, ela vestia uma camisola bege com dois cortes nos ombros em forma de estrela. Era uma camisola larga de malha que quase cobria os pequenos calções pretos que trazia e como sempre, trazia os saltos que nunca falhavam. Calçava umas botas pretas da cor da mala que colocou ao lado dela.

– Não sabia se ias aparecer. – Admitiu Eren.

– Sou assim tão terrível? – Ironizou, deixando o telemóvel dela sobre a mesa e o velho empregado de mesa aproximou-se e prontificou-se a trazer o pedido dela. Um chocolate quente.

– Não me faças responder a essa pergunta, Mikasa. – Disse num tom cansado. – Já entendo porque escolheste este sítio. É claro que o velho não vê séries, mas pode ver as revistas em que apareces quase nua.

– Aí é que está o segredo. Não será tão fácil reconhecer-me com roupa. – Encolheu os ombros. – Conta-me coisas, Eren. Finalmente percorreste a tua lista de interesseiros e viste que ninguém te vai ajudar?

– Vieste aqui para rir de mim?

– Devia, mas estás demasiado deprimente até para mim. – Respondeu, brincando com os anéis que levava na mão. – Nunca pensei ver o dia em que me viesses pedir dinheiro.

– Nem eu. – Admitiu. – Mas se vieste até aqui de propósito em vez de falarmos por telemóvel, significa que tenho alguma hipótese de aceder ao teu coração de gelo?

Mikasa sorriu divertida.

– Não te odeio tanto quanto pensas. – Colocou o queixo sobre a mão enquanto observava o moreno. – Estás com um péssimo aspeto.

– Vais emprestar-me dinheiro? – Insistiu, procurando uma resposta final e sem rodeios.

O empregado de mesa regressou com o chocolate quente e tão depressa como voltou, também se afastou da mesa.

– Vou fazer algo melhor porque quero garantir que me devolves o que me vais ficar a dever e além disso, quero que me fiques a dever um favor. – Disse, provando um pouco do chocolate quente.

– Como assim? – Indagou confuso. – A sério que me vais cobrar de volta? Nem sequer estarias onde estás, se não fosse por minha causa.

– Estou onde estou porque sou linda e talentosa.

– E porque te disse a quem devias abrir as pernas. – Apontou ele. – Nem sei como é que a tua mãe em vez de se preocupar comigo, não te empurrou a ti para viveres naquele buraco com o teu primo.

– Ora porque eu faço o meu próprio dinheiro e não dependo da mamã ou do papá para ter o que quero. – Relembrou ela, vendo o ar cada vez mais irritado do moreno. – Só não pensei que a minha mãe ou a Carla fossem mesmo considerar a minha brincadeira. – Bebeu mais um pouco do chocolate quente.

– É por tua culpa que…

– Não, não. – Fez um movimento negativo com o dedo indicador na frente do rosto do moreno. – Estás assim porque és um otário que não pensou duas vezes nas consequências. Se querias fazer toda a merda que fizeste até agora, pelo menos deverias ter pensado num plano B, caso a tua mãe tivesse alguma crise séria de consciência por te ter ignorado na altura da separação.

– Não vamos falar disso. – Disse num tom ameaçador.

– Certo. – Revirou os olhos. – Escuta Eren, vou-te emprestar dinheiro para passares a noite numa boa pensão, refrescares as ideias debaixo do chuveiro, comeres bem e no dia seguinte, vais para a casa do meu primo.

– Estás a brincar, certo? É essa a tua ajuda magnífica?!

Ela abanou a cabeça, suspirando.

– Eren, Eren pensa comigo. – Disse. – Remar contra a maré é inútil e só tens piorado a situação, portanto, vais entrar no jogo. Vais para a casa do meu primo, vais às aulas e…

– E arranjar trabalho? – Ironizou.

– Não, mas podes fingir que estás à procura de trabalho. – Corrigiu ela, vendo algum interesse da parte do moreno. – Vais passar só uns dias lá, talvez uma ou duas semanas se quiseres realmente tornar tudo isto mais credível.

– Como é que isso vai ajudar?

– Ora Eren vais fazer o que a tua mãe quer, ser um bom menino e então, de repente ela vai ver que te colocou num sítio perigoso. – Disse com um meio sorriso.

– Como assim? Estás a falar do bairro? Queres simular um assalto? Um sequestro? – Perguntou assombrado com a ideia e Mikasa riu.

– Não, parvinho. Claro que não. Não iria tão longe. – Disse divertida, colocando uma mexa de cabelo atrás da orelha. – Eren, tu vais encontrar uma seringa naquela casa. Caralho, até pode ser que encontres mesmo. – Acrescentou a última parte com algum desprezo evidente.

– Uma seringa? – Questionou confuso, até entender a insinuação da amiga. – O teu primo é um drogado?

– Deve ser, assim como tudo de errado que corre naquele lado da família. Escuta, ninguém se safa daquele lado e diz-me uma coisa ilegal e eu digo-te que eles estavam envolvidos. Pelo amor de Deus, Eren toda a gente sabia que a mãe dele era puta conhecida que muitos diziam ter como cliente até o próprio irmão.

De facto, ele recordava-se de alguma vez ter escutado algo assim há alguns anos atrás, mas era mais uma daquelas coisas que depressa perderam importância nas memórias dele. Provavelmente, ela referia-se ao período em que frequentou a escola pública, naquela época em que a mãe fez mais uma tentativa ridícula de adaptá-lo ao mundo real.

– Ok, sendo isso verdade, a minha mãe realmente escolheu bem o meu novo lar. – Ironizou. – Mas continuo sem entender como é que isso vai ajudar.

– Eren, qual pensas que será a reação dela quando repentinamente lhe enviares uma foto de uma seringa e lhe ligares em pânico a dizer que não queres ficar lá? – Perguntou. – Imagina como se vai sentir ao ouvir-te admitir que estás com medo do que pode acontecer contigo. Se conseguires chorar ao telefone será a cereja no topo do bolo.

Eren copiou o sorriso irónico de Mikasa, vendo onde ela queria chegar.

– Ela mesma é capaz de me ir buscar lá.

Mikasa piscou o olho.

– Claro. A Carla é louca por ti e por muito irritada que esteja, jamais seria capaz de ignorar uma coisa assim e por isso, estarás de volta ao conforto em casa em breve. Paciência e fingimento é a chave. – Disse, continuando a beber o chocolate quente.

– É uma ótima ideia. Puta que pariu, devia ter falado contigo antes.

– Só tenho boas ideias. – Brincou um pouco com as mexas do cabelo. – Agora que te ajudei com um bom conselho e vou deixar dinheiro contigo, preciso que retribuas o favor.

– O que queres em troca? – Perguntou curioso.

– Tens visto a Annie?

Sendo certo que Mikasa acabara de lhe dar uma boa ideia, Eren sentia que vinha a caminho uma dor de cabeça. Comprometeu-se em ficar a dever um favor à rapariga de cabelos negros, cujos olhos cinza aguardavam a resposta dele. Só que responder da forma como a amiga pretendia, significava atraiçoar a confiança de Annie e acima de tudo, empurrar a loira para uma relação pouco saudável. Ele podia não acreditar em relacionamentos ou ter as mesmas ideais românticas que a amiga, mas não desejava obrigá-la a ver o mundo pelos olhos dele.

Ele respeitava-a a ponto de não querer que enveredasse por aquele caminho. Sempre teve um carinho especial pela loira e não estava disposto a pisar nos sentimentos dela, mesmo que isso o deixasse sujeito ao lado mau de Mikasa. Annie foi a única que nos últimos dias, tendo em conta a situação dele, pensou em prejudicar-se para ajudá-lo, mas ele não permitiu. Ela dividia o apartamento com outra pessoa e estava disposta a deixar o apartamento para encontrar outro sítio em que os dois pudessem dividir as despesas. Sim, esse era o ponto que ela iria por ele e por muito que não prestasse a vários níveis, mesmo ele reconhecia a amizade de Annie e por isso, não podia concordar em prejudicá-la.

Por outro lado, surpreendia-o que Mikasa tivesse ido até Trost de boa vontade, quando o trabalho dela e casa encontrava-se em Sina. Bem distante dali e mesmo que pudesse ter trabalho ali, a hipótese era pouco provável. Custava-lhe crer que ela se deslocasse até ali por pura vontade da parte dela apenas para o ver, portanto, começava a ficar um pouco baralhado com o comportamento dela.

Será que ela tinha ido até ali pela Annie? Mesmo que isso fosse verdade, Eren sabia que Annie não teria um bom futuro ao lado de Mikasa e por isso, o ideal era mantê-las distantes.

– Vejo-a poucas vezes.

– Não têm ensaiado juntos? – Questionou.

– Ultimamente, estou com outras preocupações e enquanto não resolver isto, não penso que esteja com muita cabeça para os ensaios. – Respondeu.

– Hum, não têm conversado? Ela não disse nada sobre mim? – Insistiu.

– Lamento informar-te, Mikasa mas o mundo não gira ao teu redor. – Disse, revirando os olhos. – Sei que discutiram, mas não temos falado muito. – Suspirou. – Por que não a deixas seguir a vida dela, Mika? – Optou inclusive por usar um apelido carinhoso com esperança de que isso amolecesse um pouco aquela postura intragável. – Nós sabemos que ela não lida bem com a nossa maneira de ver as coisas. Ela quer uma coisa séria e tu queres passar o tempo.

– Lembra-te que estás a dever-me um favor, Eren. – Relembrou.

– Eu sei disso e eu vou retribuir, mas não assim. Não podes pedir-me para lhe mentir nem nada semelhante.

Mikasa recostou-se na cadeira com um ar aborrecido, abanando a cabeça.

– Nós conhecemo-nos há mais tempo e tu tens mais consideração por ela do que por mim.

– Com ciúmes, Mika? – Perguntou com um meio sorriso e ela revirou os olhos.

– Sim, morro de ciúmes de ti, Eren. – Proferiu num tom sarcástico. – Sabes ao menos como é o horário dela ou onde está a morar?

– Uau, ela não te disse mesmo nada.

– Vais contar-me?

– Desculpa, Mika mas isso terá que ser ela a fazer. – Disse, recusando-se a contribuir de alguma forma para que as duas se encontrassem. – Posso perguntar uma coisa? – Viu a rapariga arquear uma sobrancelha. – Sei que não estás assim tão bondosa ao ponto de vir até aqui a este fim do mundo por mim. Vieste aqui para tentar vê-la? – Ao ver a hesitação do outro lado. – A sério? Estás doente? – Estendeu a mão e teria tocado na testa da amiga, se esta não tivesse batido na mão dele.

– Pára com as brincadeiras, Eren.

– Nem parece coisa tua. Tenho direito a ficar surpreendido. – Disse, acariciando a própria mão que ficou um pouco vermelho depois do golpe pouco cuidadoso da amiga. – Ainda que isso me surpreenda, nós os dois sabemos que não podes parar de abrir as pernas para continuar a carreira que tens, portanto, eu deixaria ela seguir a vida dela.

– Talvez tu devesses abrir as tuas para ver se tens tanta sorte como eu. – Retrucou ela.

 

*_*_*_*_*_*_*_*_*_*_*_*_*

 

Com o copo de café nas mãos, o loiro de olhos azuis tentava concentrar-se na leitura dos apontamentos das aulas. Mesmo que tivesse estudado bastante na companhia de Levi, a matéria era abundante e nunca era demais consolidar os conhecimentos adquiridos. Contudo, ver o companheiro de quarto sem camisa a andar de um lado para o outro com o telemóvel na mão a falar com algum amigo, não ajudava a sua concentração.

Não fosse a distração com o companheiro de quarto, também deu por si a sorrir quando se recordava da tarde bem passada na companhia de Levi. Num desses momentos nostálgicos, não reparou que Jean terminou a conversa e via uma expressão que não estava habituado a ver no loiro.

– Aconteceu alguma coisa boa hoje? – Perguntou curioso. – Hoje pareces contente.

O que não é suposto, mas parece que os idiotas não o têm encontrado”, pensou o outro.

– Hum, hum. – Respondeu distraidamente e passou a mão sobre um dos ombros doridos devido à mesma posição que mantinha há bastante tempo, sentado na cama.

– Não tens tido mais problemas?

– Descobri que se ficar na biblioteca, evito a maior parte dos problemas. – Respondeu, escrevinhando algo no caderno ao lado enquanto mantinha os livros sobre as pernas.

São tão idiotas que não pensaram no sítio óbvio onde encontrá-lo. Só que mesmo assim, eu encontro sempre uma forma de aproveitar-me da situação, sempre que a oportunidade se apresenta”, pensava com um meio sorriso, vendo o loiro pousar o copo de café sobre a mesinha de cabeceira para fazer pressão novamente sobre os ombros.

– Isso é bom. – Comentou. – Com dores nos ombros? Talvez devesses fazer uma pequena pausa nos estudos.

– Estou quase a acabar este capítulo. – Respondeu, notando que o outro se aproximou somente quando sentiu um peso diferente sobre a cama que o fez olhar para o colega. – Jean? – Corou ligeiramente.

– Se não queres parar, não tenho outra escolha senão ajudar-te com esse desconforto. – Respondeu com um sorriso. – Sou um ótimo massagista.

– Ah, não é preciso. – Disse com o rosto cada vez mais vermelho.

– Vá, quero fazer algo por ti. Às vezes, sinto que só estou aqui a atrapalhar as tuas horas de estudo. – Insistiu, vendo que o loiro hesitava em recusar a sugestão dele e por isso, colocou-se atrás dele com as mãos sobre os ombros. – Concentra-te só nos estudos e deixa o resto nas minhas mãos, Armin. – Murmurou perto da orelha dele.

Arrepiado, Armin tentou focar-se novamente no livro à sua frente, mas parecia ser impossível. Não era somente as mãos sobre os ombros, mas o facto de sentir a respiração próxima à sua orelha, arrepiava-o e retirava-lhe qualquer capacidade de concentração. Com os batimentos acelerados, virou o rosto para encontrar o rosto do outro bem próximo.

– Não vou conseguir concentrar-me assim.

– Hum, se é assim. – Uma das mãos desviou-se até acariciar o rosto do loiro. – Tenho uma ideia bem melhor do que podemos fazer.

Armin sabia que aquelas coisas eram normais. Principalmente na faculdade, onde todos aproveitavam para conhecer e explorar um pouco mais acerca deles mesmos. Por que razão ele seria a exceção? Devia aproveitar cada experiência e Jean era atraente, assim que as razões para recusar aquele beijo tornaram-se inexistentes. O que não esperava é que fosse tão persistente em apressar o ritmo do beijo e que o puxasse para sentar-se sobre as pernas dele.

– Ah, talvez seja melhor…

– Armin não sejas uma virgem ofendida. – Disse, colocando a mão por baixo da camisola do loiro. – São só mais uns beijos. Sei que estás a gostar e não há razão nenhuma para pararmos.

 


Notas Finais


Até ao próximo capítulo!


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