História Memories - Capítulo 3


Escrita por: ~

Postado
Categorias Kuroshitsuji
Personagens Bardroy "Bard", Ciel Phantomhive, Mey-Rin, Sebastian Michaelis
Exibições 66
Palavras 2.692
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Lemon, Romance e Novela, Universo Alternativo, Yaoi
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Boa leitura <3

Capítulo 3 - Até Amanhã


O tal Sebastian e a maravilhosa confeitaria que havia encontrado não saiam de sua mente. Antes passava quase todo o tempo livre relembrando os sonhos que o acompanhavam insistentemente, agora já não tinha mais tanto tempo e disposição para isso. Seus pensamentos eram destinados apenas aos últimos acontecimentos. Depois de tanta procura tinha finalmente encontrado o dono dos olhos vermelhos. Ciel estava feliz, não havia como negar.

Quando fechava os olhos e permanecia em silêncio conseguia enxergar cada momento com riqueza de detalhes, como se estivesse vendo as cenas de um filme. Era difícil explicar o que acontecia; sempre achou que teria centenas de perguntas para fazer quando encontrasse o homem que fazia parte de seus sonhos, mas quando isso realmente aconteceu não foi capaz de sequer tocar no assunto.

Soaria muito estranho se eu dissesse que sonho com ele quase todas as noites? Essa pergunta se repetia constantemente em sua mente desde aquele dia. Dois dias haviam passado em meio a dúvidas e pensamentos incômodos. Ciel não teve coragem para voltar à confeitaria e muito menos para procurar Sebastian. Àquela altura só era possível afirmar que mal conhecia o confeiteiro, mas que já sentia um pouquinho de saudade.

Não se persegue um quase desconhecido dessa maneira, afirmou para si mesmo muitas vezes, soaria como desespero. O rapaz decidiu então que pensaria melhor sobre os últimos acontecimentos, na tentativa de decidir se deveria ou não ir atrás daquele homem. Por hora, ficaria quieto, esperando por sabe se lá o que.

E o rapaz confuso realmente dedicou algum tempo para organizar os próprios pensamentos e até achou que sentia-se melhor fazendo isso, mas a bendita certeza que esperava não surgiu. Muito pelo contrário, talvez houvessem mais incertezas agora do que antes.

Tinha nutrido esperanças de que com um pouco de esforço, e algum raciocínio, teria certeza absoluta do que fazer e então sentiu-se decepcionado ao perceber que isso não ocorreria. Assim sendo, procurava aquele homem, mesmo sem saber o que fazer e dizer ou desistia de tentar descobrir se aquele encontro repentino tinha alguma ligação com seus sonhos, se aquele homem tinha alguma ligação com suas perturbações. De todo modo, ficar jogado no sofá o dia todo, olhando para o teto, não traria resultado algum.

Durante o horário do almoço pensou seriamente em ir até a confeitaria, mas acabou desistindo. Lembrava-se bem do quanto o local ficava ainda mais cheio durante aquele horário. Contentou-se em comer um maravilhoso miojo de bacon, enquanto lembrava-se do delicioso sabor daquele bolo e daquele croissant.

O resto da tarde foi preenchido pela companhia da televisão e de um livro, porém não conseguia concentrar-se em nenhum dos dois. Ainda tentava encontrar um horário razoável para ir até aquele local e só por volta de cinco da tarde é que decidiu finalmente sair de casa e andar até lá.

Naquele fim de tarde fazia ainda mais frio do que na primeira vez que andou até a confeitaria. Dessa vez saiu de casa bem agasalhado o que fez com que o caminho fosse menos incômodo do que da última vez. Andou lentamente, olhando insistentemente para os lados como se estivesse fazendo algo de errado. Sentia-se envergonhado, mas daria um jeito de disfarçar quando fosse necessário.

Enfim havia terminado a caminhada e agora estava parado em frente à confeitaria, ainda relutante em entrar no local. O nervosismo, a ansiedade e a apreensão abundavam em seu corpo, fazendo com que estremecesse. Aproximou-se da porta e assim que foi capaz de abri-la foi mais uma vez recebido pela ruiva de óculos. Dessa vez ela não lhe entregou um encarte com o prato do dia e apenas murmurou um tímido “seja bem vindo!”

Ciel olhou em volta algumas vezes, esperando avistar o rosto do confeiteiro em alguma parte, mas não foi capaz de vê-lo e a decepção já começou a tornar-se presente. O dia já estava chegando ao fim e naquele horário a quantidade de pessoas que havia lá dentro era realmente menor do que pela manhã, mas ainda sim estavam cheios de pedidos para atender.

Poderia até ter escolhido uma mesa com calma ou andado pela loja, observando a decoração com mais cuidado, mas preferiu acomodar-se no espaço mais distante e mais oculto possível. A mesa que havia escolhido ficava no final da parede, junto à uma das janelas. Era a última e ficava longe do balcão, da porta que ele calculava ser a da cozinha e da entrada.

Estava razoavelmente escondido, podia observar amplamente a todos que iam e vinham. Perfeito! Pensou consigo. Dali seria capaz de ver caso o confeiteiro surgisse e dessa vez não seria pego de surpresa. Talvez até conseguisse planejar melhor o que diria antes de finalmente fazer alguma aproximação.

Não demorou muito para que um dos atendentes viesse até sua mesa, oferecendo lhe o cardápio em meio a um sorriso acolhedor. Não vim até aqui para comer, pensou, mas acabou não resistindo a tentação e quando deu por si já havia pedido um cheesecake de frutas vermelhas e uma xícara de chá. Quando o homem gentil que o havia atendido saiu, pôs se a pensar no que realmente estava fazendo naquele ambiente.

Havia confirmado para si mesmo que não tinha ido até ali com a intenção de saborear nenhum dos pratos e realmente não havia pensando em comer quando saiu de casa em meio ao frio. Não adiantava tentar negar, havia andado até a confeitaria apenas porque achou que veria aqueles olhos vermelhos novamente.

Também havia inconscientemente escolhido o fim da tarde por ter imaginado que Sebastian estaria indo embora para casa. Moravam juntos no mesmo prédio, tinham mantido uma conversa gentil no outro dia, poderiam percorrer juntos o caminho que levava até o apartamento. Uma boa oportunidade para conhecerem-se melhor.

— Eu estou perseguindo um desconhecido. — sussurrou, apoiando a cabeça na mesa.

Passou uns bons minutos com o rosto escondido na superfície da mesa; estava com vergonha das próprias atitudes e nem sequer sabia dizer exatamente o por quê. Não era como se estivesse fazendo algo errado, contudo sentia que estava. Sentia-se como um stalker e não gostava nada disso.

Quando o garçom finalmente trouxe o pedido poderia jurar que o homem estava rindo de suas reações, mas julgou melhor não dizer nada. Era apenas mais uma daquelas situações em que você se sente um pouco ridículo e então tem certeza, quase absoluta, que todos a sua volta estão te observando atentamente, apenas esperando que você faça algo digno de risadas ou de atenção.

Mas assim que ficou sozinho e começou a comer, esqueceu-se por um momento de todo o resto. A torta de frutas vermelhas e o chá que havia pedido estavam tão saborosos quanto imaginou que estariam; o equilíbrio perfeito entre o azedinho das frutas vermelhas e o gostinho doce da calda que escorria pelo prato. Porém ainda preferia o bolo que levava seu nome. Talvez apenas pelo fato de saber que o bolo se chamava Le Ciel.

Comeu lentamente, como sempre, enquanto dispunha-se a continuar a observar o local, olhando vez ou outra para o relógio do celular, imaginando se já não era hora do dono da loja aparecer. Ali, naquela ocasião, já começava a criar hipóteses. “E se ele nem mesmo estiver aqui?”, questionou mentalmente.

O horário em que haviam se encontrado no outro dia havia passado há mais de meia hora. Estava ainda mais decepcionado por não tê-lo visto, mas resolveu que ficaria ali até a confeitaria fechar. Já tinha saído de casa, agora esperaria o quanto julgasse necessário.

Pediu a um dos atendentes que trouxesse-lhe o jornal e rapidamente teve o pedido atendido. Folheou as páginas uma por uma, não sendo capaz de dar muita atenção à nada do que lia. Sua mãe tinha lhe dito, certa vez, que quando fosse mais velho acharia interessante ler e assistir notícias. Pois bem, Ciel tinha completado 24 anos recentemente e ainda sim julgava um tédio ler sobre todas aquelas tragédias.

Na verdade, só tinha começado a ler o jornal para fingir que estava fazendo algo além de apenas esperar. Acontece que após poucos minutos de leitura, sentiu as pálpebras pesarem. Foi assim que deixou-se levar pela sonolência e apoiou um dos braços na mesa, encostando-se à ele. Continuou tentando ler, contudo acabou por adormecer ainda com o jornal próximo ao rosto.

Em outra parte da confeitaria, Sebastian tinha terminado todo o trabalho que tinha para realizar e aquela altura basicamente todos os funcionários já haviam ido embora. Restavam apenas duas moças limpando a cozinha e alguns atendentes contando o dinheiro do caixa.

O confeiteiro saiu da cozinha, retirando o avental e o colete branco que usava e após se posicionar próximo ao balcão notou que havia alguém dormindo em uma das mesas.

— Tem um cliente dormindo na mesa. — falou suspirando.

— Oh, é mesmo. Desculpe, mas estávamos muito ocupados, acabamos esquecendo ele aí.

Sebastian olhou para os funcionários, respirando fundo em seguida. Tudo bem que a mesa ficava um tanto escondida no fundo do lugar, mas como era possível todos irem embora sem ver aquele homem ali? Estava cansado demais para dar bronca em alguém por conta daquilo. Tudo o que queria era ir para casa e então só preferiu ignorar o ocorrido.

— Fechem a loja quando terminarem o serviço. Estou extremamente cansado. Vou acordar o dorminhoco e ir para casa.

Sebastian despediu-se dos empregados e depois andou até a mesa, pensando que seria melhor não ter colocado uma mesa em um local tão afastado. De início não havia percebido quem estava ali, porém bastou apenas uma pequena aproximação para que reconhecesse aqueles fios de cabelo tão lisos e escuros.

Aproximou-se mais um pouco, confirmando que realmente era Ciel quem estava ali. Sebastian não foi capaz de acordá-lo de imediato e sua primeira reação foi apenas observá-lo dormindo. O rosto do rapaz parecia sereno e sua respiração estava baixinha, quase inaudível. O confeiteiro acabou sentando na cadeira vaga e quando se deu conta estava emaranhando os dedos nos cabelos do outro.

— Onde estou? — Ciel questionou confuso, acordando assustado.

— Na minha confeitaria...

Assim como da outra vez, trocaram um olhar demorado. O rapaz de olhos azuis passou a mão pela testa, empurrando para o lado as mechas de cabelo que escorriam por ali. Estava tão envergonhado por ter caído no sono.

— Não acredito que adormeci aqui. — suspirou pesadamente. — Desculpa… é que eu estava com sono e sem perceber acabei realmente dormindo.

— Não se preocupe com isso. — Sebastian sorriu. — Você não fez nada de mal. Vamos embora?

— Ah, sim.

Saíram juntos da confeitaria, andando em silêncio. Obviamente, o clima entre eles mostrava-se tão tenso quanto da outra vez que se viram. Ciel não fazia ideia do que dizer e limitou-se apenas a olhar para os próprios pés. Sebastian, assim que alcançaram a rua, foi quem resolveu puxar assunto:

— Você dormiu bem à noite?

— Não exatamente, mas isso não é novidade. — respondeu de imediato, agradecendo mentalmente por estarem trocando algumas palavras. — Tenho problemas para dormir a algum tempo.

O confeiteiro sentiu, de algum modo, que problemas para dormir não era um assunto exatamente agradável para Ciel. Até pensou em perguntar-lhe mais um pouco sobre isso, porém talvez o rapaz não estivesse disposto a responder. Optou então por tentar mudar o rumo da conversa.

— Entendo. Então... o que achou da comida de hoje? – Sebastian realmente queria evitar que ficassem em silêncio durante o caminho.

— Muito boa, mas eu ainda prefiro aquele bolo de chocolate.

— Mais um viciado em chocolate?

— Não exatamente. Acho que gosto de doces de todos os tipos, contudo aquele bolo realmente me conquistou.

Sebastian depositava toda sua atenção em cada palavra que saia dos lábios de Ciel, como se quisesse ser capaz de lembrar com clareza de cada uma delas mais tarde. Enquanto continuavam a andar, o confeiteiro apenas sorriu, sentindo-se satisfeito ao ouvir que seu bolo havia conquistado o paladar do jovem rapaz.

— Qual bolo você provou?

— O que tinha meu nome… quer dizer, não exatamente meu nome… — atrapalhou-se um pouco com o que tinha dito. — O que se chama Le Ciel.

O sorriso que ainda era mostrado sumiu rapidamente assim que as palavras “Le Ciel” foram pronunciadas. O confeiteiro desviou o olhar e manteve-se quieto, juntando rapidamente memórias felizes que haviam ficado em um passado distante.

Ciel achou a atitude estranha e incomodou-se com a expressão séria que viu no rosto alheio, porém não sentiu-se no direito de perguntar nada. Deixou que o silêncio pesasse, torcendo para que não durasse muito tempo.

— Como um pedaço do céu. — Sebastian sussurrou, voltando a olhar para o rosto de seu companheiro de caminhada.

— Como um pedaço do céu? — o rapaz repetiu em questionamento.

— Uma pessoa muito importante para mim adorava aquele bolo. — iniciou calmamente, demonstrando certa nostalgia. — Na primeira vez que provou a receita, disse-me que o gosto poderia ser comparado a um pedaço do céu.

— Ah, o nome do bolo veio disso?

— Bom, mais ou menos. — respondeu incerto. — Sabe, o que acha de ir até a confeitaria amanhã no fim da tarde? Você pode pedir um pedaço do bolo, assim você mata sua vontade de comê-lo e podemos voltar juntos para casa.

Ciel olhou imediatamente para Sebastian quando ouviu o fim da frase, e a expressão em seu rosto demonstrava um pouco do quanto havia se assustado com aquilo. Não esperava ser atingido, sem mais nem menos, por um “podemos voltar juntos para casa.”

— Ah, desculpe. Eu apenas... Esqueça o que eu disse. — Sebastian julgou ter sido inconveniente. — Você deve ter suas obrigações, um trabalho ou algo do gênero. — concluiu.

— Bom, eu realmente estou tendo muito tempo livre já que estou de férias no trabalho.

— Em que você trabalha?

De alguma forma, Sebastian se arrependia por ter sugerido que poderiam voltar juntos para casa no dia seguinte, então agora estava decidido a se desviar desse assunto a todo custo.

— Sou engenheiro elétrico.

Engenheiro elétrico? O nome da profissão foi repetido mentalmente pelo confeiteiro. Aquilo não era justamente algo que conseguia imaginar Ciel estudando. Parecia tão… entediante.

— Bom, você deve ter estudado muito para isso. — falou sem graça. Não tinha nada melhor do que aquilo para dizer.

— Sim.

O resto do curto caminho foi percorrido em silêncio; ambos olhavam para frente e vez ou outra trocavam um olhar rápido. Ciel tinha a grande impressão de que Sebastian o olhava com certa tristeza no olhar, mas mais uma vez achou que fosse aquela sua velha mania de perseguição.

Quando chegaram ao prédio subiram juntos pelo elevador, ainda sem dizer nada, e quando saíram de lá, Ciel teve certeza que não queria que se afastassem; não agora que haviam começado a se conhecer melhor.

— Em que apartamento você mora? — perguntou, procurando uma desculpa para não ir embora.

— Apartamento duzentos e cinco. Fica no fim desse corredor. — apontou para a direção onde o tal apartamento ficava.

— Realmente próximo ao meu.

— Sim. Acho que eu preciso ir agora. Nos vemos depois, Ciel?

O rapaz quis dizer que era melhor não se despedirem ainda, que havia muita coisa para conversar, porém não teve coragem. Pelos céus! Era normal querer tanto estar perto de alguém que tinha conhecido pessoalmente há apenas dois dias?

— Sim, nos vemos depois.

Sebastian acenou para Ciel com uma das mãos antes de começar a andar. O dono dos olhos azuis permaneceu ainda parado próximo ao elevador, assistindo enquanto o outro se afastava. Percebeu que gostava de olhá-lo, mesmo que naquele momento fosse capaz de ver apenas suas costas.

— Sebastian! — praticamente gritou.

— Sim? — o confeiteiro parou de andar e então voltou a olhar para Ciel.

— Eu posso aparecer na confeitaria amanhã, no fim da tarde?

— Claro! Eu vou te esperar. Estarei livre até no máximo sete da noite, podemos voltar juntos para casa? – questionou e dessa vez tinha certeza que realmente queria fazer aquele convite.

— Sim. Até amanhã.

— Até.

Dessa vez Ciel foi o primeiro a se afastar e logo em seguida Sebastian também seguiu seu caminho. O rapaz se lamentou um pouco por não ter falado sobre os tais sonhos, mas achou que estaria tudo bem não dizer nada por enquanto. Já seria satisfatório se pudessem se encontrar de vez em quando. Tinham até mesmo uma promessa de verem-se no dia seguinte e isso bastava para ambos.


Notas Finais


Pois é. Aqui é todo mundo dez vezes mais amorzinho que no mangá/anime, eu sei. Desde o inicio, quando comecei a escrever isso aqui, eu não pretendia ser fiel à personalidade real dos dois. U.U
A propósito, não falei isso antes, mas é sempre legal saber o que cês tão achando. Umas opiniõezinhas sobre o enredo deixam esta autora feliz, ok?!
Continuem comigo. Bjo bjo. Até a próxima.


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