História Memories Of Tomorrow - Capítulo 10


Escrita por: ~

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Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens J-hope, Jimin, Jin, Jungkook, Personagens Originais, Rap Monster, Suga, V
Tags Bangtan Boys, Bts, Drama, J-hope, Jikook, Jimin, Jin, Jungkook, Kim Namjoon, Rap Monster, Romance, Suga
Exibições 11
Palavras 2.706
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Comédia, Drama (Tragédia), Famí­lia, Mistério, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Suspense
Avisos: Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Quatro meses.
Eu sei, consegui me superar. I'm sorry.
Queria dizer que não postei antes por não conseguir postar e depois tinha muita coisa pra fazer (fim de bimestre acaba com meu tempo).
Enfim, o capítulo está aqui.
Não me assassinem pela demora. Não posso prometer ser mais rápida, mas quem sabe escrevo mais nas férias? ~deixa no ar~

Boa leitura

Capítulo 10 - Irmã


Fanfic / Fanfiction Memories Of Tomorrow - Capítulo 10 - Irmã

 

Eu estava me virando para voltar para a sala quando congelei.

Ela estava lá. Os mesmos cabelos escuros compridos e mais lisos do que os meus, os mesmos olhos negros brilhantes, o mesmo sorriso doce. Senti meus olhos arderem e marejarem ao vê-la ali, na minha frente, sorrindo para mim.

Poderiam se passar anos, décadas, a minha vida toda, e eu nunca esqueceria seu rosto. Nunca esqueceria o rosto da minha irmã.

Minha visão tornou-se turva por conta das lágrimas, e, em um ato quase que infantil, estiquei minha mão para alcançá-la, para tocá-la. Porém, quando estava prestes a encostar nela, uma forte dor formou-se em minha cabeça, como se meu cérebro estivesse pegando fogo, fazendo com que eu fechasse meus olhos e caísse no chão, derrubando o celular na queda. Com a visão ainda embaçada, com lágrimas escorrendo pelo meu rosto, lancei um último olhar para aonde minha irmã estava. Mesmo não enxergando praticamente nada, pude ver ela dar um sorriso antes de sumir, assim como tudo, em um borrão negro que tomou conta de minha visão.

 

E então eu não estava mais na cozinha da casa de meu pai. Eu estava em meu quarto quando tinha 12 anos, quando o dividia com minha irmã. E na pior noite de minha vida.

Eu estava deitada em minha cama, havia acordado no meio da noite com sede. Levantei então e fui em direção à cozinha. O banheiro, porém, ficava no caminho, e, ao passar por ele, não pude deixar de perceber a luz acesa, e, pela quantidade de luz, percebi que a porta estava aberta. Mas, ao olhar, não havia ninguém lá dentro.

Eu sabia o que aconteceria em seguira, já havia vivido aquilo, mas era como se não tivesse controle sobre meu corpo, mesmo que eu gritasse por dentro para sair correndo, parte de mim andou até o cômodo com a luz acesa, na inocente intenção de apagá-la.

E passaria despercebido. Eu não teria o choque que tive. Tudo se não tivesse tropeçado e caído. Tudo se não tivesse visto o pé conhecido por baixo da cortina no boxe. Tudo se não tivesse levantado e afastado a cortina e visse a pior cena que eu poderia ter visto.

Lá estava ela, sentada. Estaria me encarando se seus olhos não estivessem tão opacos e sem vida, sem expressão, fitando o nada.

Nunca odiei tanto vermelho quando o fiz naquele momento. O chão, antes branco se tornara escarlate. A única coisa pior do que a quantidade do sangue era de onde vinha: de duas malditas linhas, uma em cada pulso dela.

Não podendo me conter, aproximei-me dela, checando sua respiração, vendo se sua jugular pulsava, mesmo sabendo que seria tudo em vão, a quantidade de sangue era demais para que ela sobrevivesse.

Pus-me então a chorar ao seu lado, abraçando-a. Agora seu sangue não tingia apenas as suas roupas, tingia as minhas, tingia a mim também. Eu não me importava, eu só a queria de volta.

Como ela podia ter feito aquilo? Como a pessoa que me fazia viver havia se matado? Não havia sentido, não havia explicação.

O pior de tudo aquilo era reviver aquela situação. Tudo do mesmo jeito, exatamente como eu me lembrava. Ou, ao menos, quase tudo...

Pude sentir uma mão gelada tocando meu braço. Assustada, me afastei dela, apenas para vê-la sorrindo. Mas não um sorriso doce, um sorriso que brilhava e trazia boas sensações como o brilho do sol, não o sorriso que ela costumava dar. Um sorriso frio e vazio. E então, como se não bastasse, ela apontou para meus pulsos. Assim que levei meu olhar até eles, pude sentir a dor e ver que eles estavam cortados profundamente e sangravam incessantemente.

Assustada, voltei o olhar para minha irmã, apenas para não encontrá-la lá, e sim ver a mim mesma, vazia e sem vida, estirada no chão ensanguentado do banheiro.

E então, tudo ficou escuro novamente e eu me encontrei em algum ponto entre a consciência e a falta dela. Sentia o chão frio em baixo de mim, mas nada via, apenas escutava um barulho ao fundo, como quando se está embaixo d'água e se pode ouvir que algum som vem da superfície, mas não se pode entender exatamente o que é.

Após alguns milésimos de segundos que pareceram mais do que horas, minha visão foi voltando ao normal, e o som pôde ser ouvido com mais clareza. Era uma voz. Uma voz me chamando.

- Ju - dizia - Ju, você está aí? O que aconteceu? Ju?

Era Namjoon, ao telefone. Ainda não enxergando direito, fui tateando o chão, quase que literalmente às cegas, até finalmente, conseguir achar meu celular.

- Namjoon? - falei, em meio às lágrimas que ainda caíam.

- Ju? Ju, você está bem? O que aconteceu?

Respirei fundo e, tentando não soluçar demais, comecei a falar:

- Namjoon, eu... eu vi minha irmã... Eu juro, ela estava aqui, e então, eu vi o dia que ela morreu, mas... - as lágrimas e soluços tomaram conta de mim, eu estava tremendo.

- Ju, calma... Você viu sua... irmã?

- Sim... ela... ela estava aqui. Eu não sei como, mas ela estava aqui... Eu não estou louca, eu a vi.. Ela... ela... - novamente, me vi impossibilitada de falar.

Pude ouvi-lo suspirar do outro lado da linha.

- Você... - comecei, engolindo grosso - Você não acha que eu estou louca, acha? Eu não estou louca, Namjoon... Eu não estou...

- Eu sei, Ju, eu sei. Você... Já aconteceu algo do tipo alguma vez?

- Não, nunca... Eu não entendo... Ela morreu, mas estava bem aqui, eu juro...

- Ju, se acalme. Olha, você está passando por algumas coisas difíceis ultimamente... - falou ele, calmamente, e eu agradeci mentalmente por ele não especificar quais coisas eram, mesmo que ambos soubessem do que se tratava - Você pode estar estressada demais, ou algo do tipo. Não deve ser fácil, eu imagino. Então... só tente se acalmar, e, qualquer coisa, pode falar comigo, tudo bem?

Suspirei. Ele me achava louca? Era aquela sua maneira educada de dizer isso?

- Okay... - falei.

Namjoon me achando louca ou não, qualquer conclusão que eu tomasse naquele momento, seria, muito provavelmente, errônea.

- Eu... Eu estou cansada. Vou deitar.  - falei. Não queria conversar naquele estado.

- Okay. Boa noite - disse ele

- Boa noite - falei e encerrei a chamada. Não queria parecer rude ou nada do tipo, mas com o misto de emoções que tomava conta de mim, achei melhor não dizer mais nada. Eu estava com medo, assustada e confusa pelo que vi, e achava que Namjoon estava pensando que eu era louca. E, mesmo que não quisesse admitir, eu também estava começando a pensar o mesmo que ele.

 

***

 

Se lhe perguntassem, com certeza ela responderia que aquele era o pior som que ela já ouvira. Os gritos eram insuportáveis. Ela só queria que aquilo parasse, queria parar de se esconder, queria poder finalmente contar a verdade para ela, queria poder ajudá-la, queria que ela a ajudasse. Mas nada disso parecia possível, ainda mais com as ameaças. Ah, as ameaças. As malditas ameaças. Ela sofria, e, por fazer isso, não queria que a outra passasse pelo mesmo. Então, ela mentia.

- Você está bem? - perguntou ela.

- Sim - respondeu a menina, não parecendo muito certa. Sempre fora péssima em mentir.

- O que aconteceu?

- Nada, eu estou bem.

- Não está. Me diga o que foi - falou a outra, calmamente.

Ela não pode simplesmente parar de se importar comigo? pensou a pequena.

- Eu já falei que estou bem - disse ela, e rapidamente entrou em seu quarto, mesmo sabendo que aquela atitude a magoaria. Mas, ela preferia causar aquela pequena mágoa do que a enorme dor que sentia.

E não era só ela. Ele também se preocupava.

- Ju, me diga o que aconteceu - insistiu o garoto.

- Não - falou ela, ainda chorando.

- Me diga, eu posso te ajudar.

- Você não pode. É uma coisa horrível, você não entende...

- Então me explique.

Após um suspiro, ela decidiu contar...

 

***

 

Acordei com o som da porta da frente se fechando bruscamente, e, imediatamente, me lembrei do sonho estranho que tivera. O pior era não ver o que viria a seguir, não ver o que eu diria para aquela garoto... que eu diria para para Namjoon.

E então, como se não bastasse, os acontecimentos do dia anterior inundaram minha mente, fazendo-me sentir medo novamente. Não pude deixar de estremecer.

 

Depois de fazer minha higiene pessoal e tomar um café da manhã - sozinha, como sempre -, decidi que seria uma boa ideia andar um pouco. Subi para meu quarto e coloquei uma roupa qualquer que não fosse o pijama amarelo que eu estava vestindo e desci novamente para sair. Ao chegar na porta, porém, vi que a chave não estava na fechadura como de costume. Meu pai deve ter colocado em algum outro lugar, pensei, e lembrei que algumas vezes ele havia deixado na mesinha da sala. Caminhei até lá, apenas para encontrá-la vazia. Procurei a chave em vários outros lugares, mas continuei não a achando. Decidi então mandar uma mensagem para meu pai, pedindo que assim que ele pudesse, me ligasse.

Cerca de vinte minutos depois, meu celular tocou.

- Alô? Pai?

- Sim. O que foi?

E o nível de educação de meu pai parecia ser puxado pela gravidade, de tanto que descia.

- O senhor deve ter levado a chave consigo ou deixado ela em algum outro lugar por engano, porque não estou achando.

- Ah, sim, eu levei ela. Mas não foi por engano.

- Como assim? - perguntei, confusa.

- Porque você quer a chave?

- Para sair...?

- Para que sair?

Onde estava o pai sempre ausente?

- Sei lá, pensei em andar um pouco...

- Ainda não vejo necessidade. Você pode ficar muito bem aí em casa.

- Pai, o que o senhor quer dizer com isso tudo?

- Que você deve ficar em casa, não há motivo para sair.

 - O que? O senhor sabe que eu já tenho 19 anos, certo? Porque, mesmo que eu já tenha dito isso várias vezes, o senhor me trata como se eu fosse uma criança.

- Eu estou dizendo que você deve ficar em casa e você vai ficar.

Ele estava tentando me irritar? Porque, se esse era o seu objetivo, ele o alcançou.

- Sinceramente, eu nunca vou te entender - falei, irritada - Uma hora é todo distante, houve dias em que eu te via de manhã quando o senhor saía e de noite quando chegava, e, às vezes, nem isso. Então, do nada, não apenas quer me deixar trancada dentro de casa, mas literalmente me deixa. Ou seja, o que...

Interrompi minha fala ao escutar o som que informava que a ligação havia terminado.

Com raiva, gritei. Como assim ele estava me trancando dentro de casa? O que ele pensava que estava fazendo? Ele nunca sequer se importou comigo, não duvido que se eu tivesse passado dias fora ele sequer teria percebido.

Eu só queria ter um relacionamento decente com meu pai, mas, quanto mais o tempo passava, mais eu entendia minha mãe por ter se separado dele.

No fundo, eu só queria saber onde estava meu pai. Onde estava o pai que brincava comigo, o pai que sorria para mim, o pai que me ajudava, que me apoiava. Não o pai que agia como se eu nem existisse e então, do nada, se tornava possessivo, impedindo-me até de sair de casa.

Porque ele havia mudado? Como uma pessoa pode ficar tão diferente? Às vezes, chegava a parecer que eram pessoas diferentes.

A atitude de meu pai poderia ser facilmente classificada como a famosa gota d'água. Não foi o fato de ele me trancar em casa que me deixou naquele estado, mas a junção de todos os seus atos anteriores. Todos os seus atos que diriam respeito a muitas palavras, exceto a mais importante: Pai.

Elas não tardaram em cair, as lágrimas. Saindo de mim com a mesma velocidade que memórias ruins preenchiam minha mente. Lembranças que eu queria esquecer, de uma parte de meu passado que eu queria, mais do que tudo, apagar.

 

***

 

A maioria das pessoas provavelmente já chorou muito para, logo em seguida, pegar no sono. Dessa vez não foi diferente.

Eu provavelmente acabei dormindo por conta do misto de cansaço físico e emocional; causados pela péssima noite de sono, repleta de sonhos ruins, que poderiam ser chamados de pesadelos, exceto pelo fato de que pesadelos não são reais, mas as imagens, os horríveis flashes presentes em meus sonhos eram pedaços reais de minha vida, retirados junto com a memória, que voltavam aos poucos, como uma chuva fraca que lentamente vai molhando tudo.

E esse sono de varias horas foi interrompido por uma porta se abrindo bruscamente. Sentei-me, meio sonolenta no sofá onde eu havia pegado no sono e olhei para a direção do som, para a porta da sala.

Tive que piscar varias vezes para me certificar de que aquilo não era um sonho ou uma ilusão causada pelo sono, para me certificar de que aquela cena era real.

Encostado na porta, havia um homem, mais conhecido como meu pai. Sua roupa - sempre um terno impecável -, estava toda abarrotada, o paletó encontrava-se em seu ombro. Mas, pior do que sua expressão perdida e os olhos vermelhos, era o que estava em sua mão: Uma garrafa de whisky quase vazia.

Se eu dissesse que ele entrou, andando até a cozinha, estaria mentindo. Ele não andava, aquilo não era andar. Estava mais para se arrastar.

Quando por fim chegou perto da cozinha, apoiou-se no balcão. Percebi que ele havia deixado a porta aberta e fui fecha-la - já que naquele estado ele mal sabia o que era uma porta -, para depois ir para perto dele.

- Pai? – chamei, e não obtive resposta - Pai? – ele finalmente olhou para mim - Está... Está tudo bem?

Seu olhar, antes confuso, foi tomado por fúria.

- Não, não está nada bem – falou ele, a voz muito arrastada por conta da embriaguez.

- O que aconteceu? – perguntei, confusa.

- Você aconteceu – berrou ele, fazendo com que eu, instintivamente, desse um ou dois passos para trás – Foi por sua causa que ela me deixou. Ela não via as coisas da mesma maneira que eu... Ela achava que eu estava errado, mas eu não estava. A errada era você, Yi Ju. A errada sempre foi você. A estranha, a covarde. Você não passa de uma garotinha mimada e covarde...

Aquelas palavras me atingiram como uma chuva inesperada em um dia gelado. Eu não entendia o que elas diziam, o que elas significavam. Entendia menos ainda a atitude de meu pai. A única coisa que percebi – sem ao menos poder entender o motivo – era o ódio que queimava nos olhos de meu pai.

 Porque ele estava agindo daquela maneira comigo? Porque ele estava dizendo que eu era errada? Porque ele dizia que eu era covarde? Seria por minha irmã, por não ter conseguido ajudá-la?

- Pai, eu não estou entendendo o que o senhor quer dizer com isso...

- Idiota! – bradou ele, e logo em seguida acertou um tapa em meu rosto.

Pior do que as palavras foi aquele tapa. Não pelo tapa em si, mas pelo que ele desencadeou em mim. Algo em minha mente acendeu, pontos foram ligados, quebra-cabeças montados.

A única coisa que fiz foi sair correndo. Corri escada acima em direção ao meu quarto, o mais rápido que pude.

Assim que entrei, tranquei a porta atrás de mim, minha respiração estava a mil, milhões de coisas passavam pela minha mente. Pedaços de lembranças perdidos sabe-se lá porque, que voltaram com um simples ato.

E foi naquele momento que, pela primeira vez eu quis não lembrar de mais nada, quis ter ouvido o conselho que Namjoon me dera sobre não tentar descobrir o que aconteceu.

Eu só podia me deixar escorregar pela porta, junto com as lagrimas, enquanto repetia como um mantra para mim mesma:

Não pode ser isso, eu estou errada. Não pode ser isso, eu estou errada...


Notas Finais


Então, o que acharam? ;-;
Queria dizer que tenho um capítulo pronto, então pretendo, ao menos, não demorar tanto para postar.
É isso aí.
Mereço comentários? :3


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