História Mentira e Sangue - Capítulo 14


Escrita por: ~

Postado
Categorias Gravity Falls
Personagens Bill Cipher, Candy Chiu, Dipper Pines, Gideon Gleeful, Grenda, Mabel Pines, Pacifica Northwest, Personagens Originais, Soos Ramirez, Stanford "Ford" Pines, Stanley "Stan" Pines, Wendy Corduroy
Tags Bill, Bill Cipher, Dipcifica, Dipper, Dipper Gleeful, Dipper Pines, Gideon, Gideon Gleeful, Gideon Pines, Gravity Falls, Incesto, Mabel, Mabel Gleeful, Mabel Pines, Magidbeleon, Pacifica, Pacifica Northwest, Pinecest, Reverse Falls, Universo Alternativo, will, Will Cipher
Exibições 115
Palavras 4.609
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Drama (Tragédia), Luta, Magia, Mistério, Romance e Novela, Sobrenatural, Suspense, Universo Alternativo, Violência
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Estupro, Heterossexualidade, Incesto, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sadomasoquismo, Sexo, Spoilers, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Me desculpem pela demora, as coisas ficaram difíceis, eu fiquei cheia de problemas e mal pude escrever.
Eu tentei fazer um capítulo bem bombástico pro niver dos gêmeos, espero que tenha ficado bom.
A música a do cap é Dance With The Devil, da banda Breacking Benjamin

Capítulo 14 - Um Prazer Para Acabar Com Todos os Prazeres


Fanfic / Fanfiction Mentira e Sangue - Capítulo 14 - Um Prazer Para Acabar Com Todos os Prazeres

"Aqui eu estou, indefeso e deixado para morrer
Feche seus olhos, então muitos dias se vão
Fácil de se achar o que está errado, difícil de se
Achar o que está certo
Eu acredito em você
Eu posso te mostrar
Que eu posso ver através de todas as suas mentiras vazias
Eu não vou ficar por muito tempo, nesse mundo tão errado
Diga adeus, pois nós dançaremos com o demônio essa noite
Não o desafie olhando ele nos olhos
Pois nós dançaremos com o demônio essa noite
Tremendo, rastejando através da minha pele
Sentindo seus frios olhos mortos
Roubando a minha vida"

 

Querido Diário,

Eu estive buscando inspiração, mas sinceramente, eu não sei o que diabos estou fazendo. Algo dentro de mim morreu naquela sala, eu sinto isso. Não necessariamente uma parte sólida, mas mesmo assim, algo.

A maior parte das pessoas desta cidade vive em meio ao caos e agradece por isso, sem saber no que se metem. Eles assam o peru, se sentam com suas famílias e dão as mãos, sem perceber que estão dizendo obrigado por algo que eles mesmos pagaram por. Nenhuma intervenção divina, nenhuma graça de um ser superior, só o trabalho sem fim e dinheiro vazio. Para que? Manter seus estômagos cheios quando era melhor simplesmente abandonarem suas vidas miseráveis?

É por isso que odeio este lugar. Tudo é tão... Simples. Pessoas se contentam com o que tem, aceitam seus bens mas não lutam suas guerras. Os únicos minimamente sensatos se perdem nas batalhas. Covardes. Segam-se com o que conseguem. Às vezes penso que sou a única que não é tola neste buraco.

Mesmo abominando Gravity Falls e tudo que nela vive, sou obrigada a passar meus dias aqui. Não por alguém, ou por uma droga de herança nem nada do tipo. Devo ficar por conta de uma profecia, duas na verdade, mas a segunda não me interessa tanto.

"Ache o Norte e o Noroeste sobre o Pinheiro, criado do sangue nascerá um herdeiro"

Essas palavras me perseguem como caçadores atrás de uma maldita presa. Por causa delas tenho de ficar aqui, construir um maldito portal e fugir, ao invés de simplesmente ir pra qualquer outra cidade ou estado, longe dessa maluquice toda. Essa frase amaldiçoada me levou à perder tudo! Pelo que? Mais tempo? Ao inferno com o tempo! Não quero te-lo se não houver mais nada.

Provavelmente, isto não faz muito sentido, mas estou escrevendo isso praticamente um dia depois do fatídico aniversário dos gleeful. Meu aniversário. Não direi muito do que está acontecendo agora, mas estou em uma sala repleta de estranhos e conhecidos, todos deitados no chão frio seminuas e manchados com o próprio sangue, a única parte boa desta história. Bem, acho que devo falar do início, para poder explicar tudo. Por onde começar?

Minha garganta estava completamente seca. Sentia suas paredes se rachando enquanto respirava pesadamente. Todo o meu corpo se enfraquecia, como se todas as minhas energias fossem drenadas. Levantei-me com dificuldade, segurando na mesinha de cabeceira e derrubando alguns copos de vidro. Mesmo com os cacos perfurando minha carne, tudo que sentia era a impotência de meu corpo.

Olhei para mim no espelho. Odeio me ver assim. Minha pele parece um pano cinza sobre carne apodrecida. Parecia mais um esqueleto do que o que sou. Aliás, o que sou? Todos esses anos fui testada, perfurada, modificada, deveria ser, ao menos, diferente. Mas cá estou. Nada mudou, nada funcionou. Quase duas décadas de tortura por resultado nenhum! Acho que devo ser a pessoa mais idiota desta cidade. Não, esses babacas devem ganham de mim nisso!

Caminhei até minha varanda, me apoiando na grande que me separava do chão que estava andares abaixo. Durante quase todos os dias de minha vida fui até lá e pensei em me jogar. Deixar tudo para trás e morrer logo de uma vez. Mas isto significaria abandona - lo,  uma das únicas coisas que não consigo fazer. -É estranho, não? Amar o homem que vem te destruindo por longos 18 anos, acho que não consigo evitar, ele era tão romântico no início, éramos crianças, dando presentes e nos encontrando na calada da noite, tão puros, tão tolos. Acho que tudo passou a desandar depois daquele trágico acontecimento. Eu aceitava bem todos aqueles experimentos, ele os fazia para me melhorar, tinha que ser por isso. Mas depois de fazer aquilo com tyrone, tudo se desfez. Ele mudou. Não era mais o mesmo, todas as noites saía para matar alguém é voltava quatro horas da manhã, caindo direto nos relatórios velhos de Ford. Não era mais o Dipper, não o meu Dipper.

Imagine como é matar seu irmão e ser odiada pelo outro, a única pessoa que você ama! É isso mexe com você, isso dói até você se jogar ao chão de joelhos pedindo por misericórdia! Isso é a minha vida depois daquele dia. Eu amava o Ty, afinal de contas, ele era meu irmão, mas só me lembro da morte dele, de resto, é tudo um borrão. Acho que após a mudança de Dipper eu parei de me importar, portanto, me esqueci. Ou talvez eu simplesmente tenha uma péssima memória. Um dos dois.

Tudo seria tão mais fácil se eu simplesmente deixasse meu corpo cair. Jogasse a grade longe e me atirasse da sacada. Não haveria mais irmão, não haveria mais profecia, não haveria mais dor, só o grande escuro e vazio da morte.

Então, eu o faço.

Jogo-me sem piedade, sentindo o ar passar por mim mais rápido do que eu poderia acreditar. Fecho meus olhos e sorrio. A dor de estar caindo é ótima! Mas então, por que parou? Eu ainda não havia alcançado a grama, como já estava morta? Ao abrir minhas pálpebras, me vejo rodeada à uma luz azul, que me levita de volta ao quarto, me deixando de pé, em frente à meu irmão.

-Pode  não morrer no único dia em que tem que estar viva? -Ele disse, enquanto eu me sentava na cadeira em frente a minha penteadeira.

-Eu sei que me ama, querido irmão. Ainda está bravo que seu experimento não funcionou? De novo.

-O problema não foi minha máquina! Foi seu maldito e inútil corpo que não conseguiu absorver o meu sangue!

-Você não acha meu corpo inútil quando estamos na cama. -Escovei meus cabelos e tomo um gole de nossa "mistura especial", a única coisa para qual os cidadãos desta cidade servem.

-Não tente mudar o foco desta conversa para conseguir o que quer. Por sua causa eu tive de organizar esta festa, só para distrair a cidade! Faz a mínima idéia de quantos convites tive de distribuir somente ontem? Ao invés disso eu deveria estar atrás do McGucket, ele deve ter as respostas que precisamos é diferente de Ford suas memórias devem estar intactas!

Me levantei, indo ao armário e pegando um roupão.

-E pelo menos McGucket não está à sete palmos para baixo, se é que me entende. - Soltei um riso baixo e tirei a camisola, antes de ter minha garganta enforcada e meu corpo jogado contra a parede por meu querido irmão.

-Não faça piadas com nossos problemas. Você é só mais uma vadia ingrata, não é? Eu estou fazendo isso para te salvar e você aje como se eu estivesse brincando!

-Você sabe que eu amo quando faz isso. Não pode me machucar dos modos convencionais, maninho. Você sabe que eu amo essa dor. -Minha voz saiu um tanto fraca. Merda! Não posso ser fraca na frente dele!

-Minha garota... -Sussurrou pra si mesmo, antes de perceber e soltar minha garganta. -Vá lá para baixo, quem sabe pode ajudar em alguma coisa, para variar.

Pus meu roupão e saí, sentindo o olhar dele me acompanhar. Eu gosto disso, me faz me sentir desejada, mesmo que às vezes pareça que sou só um pedaço de carne. Esse é o problema de meu irmão, ele diz me amar mas parece ser leal só ao meu corpo, quem sabe um dia isto mude.

Ao chegar na sala vi uma grande movimentação. Soos andava de um lado para o outro, junto de serviçais que eu nunca havia visto antes. Cortinas novas estavam sendo postas e mesas arrumadas. Candelabros de ouro eram posicionados ao longo do salão. Só mais uma preparação cara para algo tão trivial como mais um ano perto da morte.
Neste ano a data serviria para outra coisa, muito mais importante.

Existem várias salas no subterrâneo da mansão, um laboratório completo. Mas o que mais me interessa fica na última sala. Uma porta, selada por várias pedras e com algumas runas estranhas. Foi feita por meu tio, mas de alguma forma está ligada à profecia que mencionei antes. Will me disse uma vez que pode ter sido obra de um demônio como ele, que quando Ford voltou para casa com sua memória abalada, algo fechou a passagem e fez nela as seguintes palavras:

"Quando o décimo oitavo ano se passar, e as peças o tabuleiro lentamente juntar, a entrada do segredo finalmente se abrirá"

Mais uma profecia, que desgraçado escreveu uma coisa deste tipo? Só para fazer meu irmão acreditar que dentro há algo que possa fazer alguma diferença em nossa situação? Isto não está certo! Talvez só exista poeira e mofo lá, mas mesmo assim devemos criar uma mega distração para a cidade, para que se isso afetar qualquer outro lugar da cidade, todos pensem que estávamos ocupados com uma festa. Um álibi perfeito.

De repente sinto minha cabeça balançar e meus joelhos cederem, me jogando ao frio chão. Pacífica havia dormido, o que às vezes me faz dormir também. Não havia nada que eu pudesse fazer, sem ser assistir ao seu sonho, o que quer que fosse.

E ela correu. Usou todas as suas forças e adentrou a floresta. As árvores cortavam sua pele com longos galhos que rasgavam e dilaceram.  As folhas secas, rachando no chão, faziam seus passos serem três vezes mais altos, ecoando na escuridão da noite, somente iluminada pela fraca luz da lua.

Então caiu.

Não havia diferença se havia quebrado a perna ou o corpo todo, estava morta de qualquer jeito, de que adiantava fugir? Logo algo a alcançaria, com suas garras vermelho carmim e presas longas, acabando com o último sopro de vida que restava naquele corpo no chão. Não havia para onde fugir, estava tudo acabado.

Uma luz se aproximou, tão brilhante quanto o sol e tão branca quanto a neve. Era a salvação, só poderia ser isso, por que outro motivo seria o contrário?  Pensou ela, erguendo sua mão e tentando tocar o que poderia a tirar daquele inferno.

Burra.

Ao invés disso, a luz tão linda, tomou a forma de um homem, grande, com o dobro do tamanho da menina, criando uma imensa sombra sobre a mesma. Sua pele verde brilhava pelos poros abertos e derramavam um líquido cor de musgo, que caía em um tronco apodrecido. Sem mais nem menos acertou um chute na garota, bem em sua barriga, a fazendo tossir sangue. Dois, três, mais quatro chutes. O líquido vermelho escorria, descendo por uma leve inclinação na terra e levando diretamente ao monstro de quem Pacífica tanto fugia. E ela não pode correr, pois eu era o monstro.

Acordei em minha cama, sem o roupão e com Dipper me encarando. Ele parecia estar lutando para não pular em mim. Provavelmente ainda estava com raiva, mas eu o conheço, sabia que ia desistir alguma hora e que nesse momento, ele não ia se conter.

-O que houve? Parece até que viu um fantasma.

-Você desmaiou do nada e espera que eu não me preocupe? Não sou tão ruim assim, irmãzinha.

-Não havia dito que eu não servia para nada? Agora se preocupa? Que atitude bipolar, meu caro irmão.- Me levantei, caminhando até o mesmo, enquanto seus olhos me acompanhavam, mirados permanentemente em meus seios.

-Não mude de assunto, o que aconteceu com você é de fato anormal, é de se esperar que eu fique intrigado.

Me aproximei ainda mais, pressinando meu corpo contra o dele e indo lentamente até seu ouvido, onde sussurrei calmamente.

-Pare de mentir. Você não se importa comigo, neste exato momento só está dizendo isso pois uma vontade incontrolável está aí dentro. Subindo sua espinha e fazendo um desespero surgir, implorando por uma foda, para acalmar seu corpo. Bem, por quê não sucumbe a esse desejo?

Percebi que tentou permanecer parado, em seu lugar, mas eu o conheço bem demais. Senti sua mão agarrar minha cintura com força.

-Não me diga o que fazer. -Falou, me jogando na cama e retirando suas roupas.

Quando já despido, veio até mim, me beijando e passando suas mãos por toda a minha pele, logo me dando um tapa e segurando meu rosto, antes de dar início a nossa rotina, que eu tanto amo, que sempre me leva ao tão maravilhoso orgasmo.

Não consegui adormecer depois disso, só conseguia o observar, desacordado ao meu lado, com alguns arranhões pelo corpo todo. Parecia tão lindo, tão pacífico, diferente de como realmente é, descontrolado, insano, violento, o homem que amo. O jeito que ele me tocava, me usava, me beijava, nada disso poderia sair de minha cabeça, quando eu olhava aquela face, que me levou à tantas atrocidades desde muito cedo.

Olhei para mim mesma, haviam marcas roxas por todo meu corpo, troféus de mais um momento incrível, como eu amo isso. Mas minha visão foi atraída para outra coisa, um vestido, ao lado de um paletó preto, bem em frente à cama. Era azul, com um grande decote. Tinha uma longa saia com alguns enfeites, que provavelmente me faria parecer ainda mais velha. Sempre achei esta a parte mais chata, me arrumar. A pior parte de ser rico é ter de fazer uma festa deste tamanho e usar roupas desse tipo. Mas tudo pelo plano, as pessoas se distrairiam mais com a roupa do que com minhas atitudes estranhas , e essa era a intenção.

Me vesti o mais rápido que pude, em qualquer minuto poderia chegar alguém, então escondi os machucados e me arrumei, descendo as escadas para receber a primeira pessoa que estava na porta.

Não demorou para meu irmão descer e recepcionar os convidados. Me dando uma brecha para respirar. Odeio visitas, elas são xeretas e mechem em tudo, por causa delas tive de usar um encanto de proteção para esconder certos quartos e a escada para os laboratórios. Mesmo assim olhavam para todos os lados, como se fossem roubar cada canto. Que coisa chata!

Em pouco tempo haviam pessoas por toda a parte, a maioria desconhecidos, mas de repente um casal entrou, aqueles dois eu reconheceria em qualquer lugar, Grenda e Marius. A garota usava um vestido vermelho e justo, enquanto ele preferiu vir todo de preto, com um paletó e uma gravata foscos. Eram de fato uma boa dupla, lembro-me de quando se conheceram, ela era minha única amiga e me levou junto, para ver o tão maravilhoso Jackpot, a obra prima do mesmo. Eu sempre soube que o amor incondicional do chefe de polícia por minha colega nunca foi recíproco. Afinal, ela só se interessava pelo mundo dele, não pela pessoa.

Caminhei até os mesmos, logo sendo puxada por ela para uma longa conversa.

-Então, vocês deram um baita jeito na sala, da última vez que vim aqui estava tudo bagunçado.

-Dipper mandou os criados arrumarem, eu não mexi em nada.

Nos aproximamos de uma mesa afastada, com várias garrafas de bebida e abrimos uma, como sempre, brindamos e tomamos algumas taças, enquanto falávamos sobre assuntos sem muita ligação.

-Então eu acertei o Marty e atirei no Calabas, foi uma comemoração e tanto.

-Eu queria estar lá para ver, mas não estava bem.-Terminei uma quarta taça.

-Você não me visita muito. Faz falta. Eu queria que fosse lá mais vezes.

-Bem... -Antes de terminar minha resposta, pude ver Dipper conversando mal humorado com Marius, não poderia ser coisa boa. -Espere um pouco, eu já volto.

Andei o mais rápido que pude até eles, só para ver que já discutiam.

-Que bom que chegou, Mabel, posso conversar com você por um minuto? -Falou meu irmão. Concordei com a cabeça e fui puxada para o lado. -Marius quer me fazer algumas perguntas sobre o assassinato da Candy, acho que ele suspeita de mim. Eu preciso que você desça e espere a entrada se abrir sem mim.

-Tudo bem, mas você vai se safar dessa, não vai?

-Claro que sim, agora vá.

Corri pelo salão, passando por várias pessoas, até mesmo por Pacífica, o que ela estava fazendo lá? Isso não importava. Fui até a entrada da escada e desci, tropeçando no vestido e quase caindo em frente às várias salas, antes de chegar na última, onde a entrada me esperava, nas pedras agora, outra coisa estava escrita. "Somente com a garota de pura mente se pode passar"

O que aquilo significava? Pura mente... uma pessoa inocente, talvez? Mas quem? Todas que conheço estão bem longe disso. Menos uma. Como não havia pensado nisso? Ela não estaria lá por acaso. Eu precisava achar Pacífica.

Voltei para a festa, à procura da loira, que aparentemente dançava sozinha em um canto.

-Olá. Gostando da festa? -Disse, ao vê-la.

Usava um vestido rosa curto com alguns babados, a mesma não parecia bem, mas mesmo assim sorriu ao me responder.

-Sim, obrigada por me convidar.

-Eu não te convidei, Dipper o fez. Mas eu preciso de um favor seu.

-Que tipo de favor? -Obviamente estava desconfiada, mas isso não me importava em nada.

-Você vai descobrir. Venha comigo!

Puxei-a pelos longos corredores da mansão, até longe de tudo e todos e desfiz o feitiço que escondia a escada. A garota pareceu estar incomodada com as salas, também, por quê não se incomodaria, até onde sabe sou uma ameaça, e qualquer coisa de minha casa pode ser suspeita. Chegamos na entrada de pedra, onde parei para observar de novo as escrituras.

-Eu não quero ser petulante, mas o que diabos é isso? E... Ai!- Furei a ponta de seu dedo com uma faca que guardava na meia -Por quê fez isso? Você ficou louca ou... Ah meu deus...

Sua fala se calou, quando viu as pedras, sujas por seu sangue se erguerem e mostrarem o caminho para um corredor de pedra muito escuro e longo. Caminhamos caladas por um bom tempo, ela ainda analisava o que acabara de acontecer, enquanto eu, simplesmente tentava me acostumar com a presença da mesma, já que ela não poderia ir embora

-Por quê está me trazendo aqui?

-Eu preciso de uma garota de mente pura para abrir e fechar a porta. E você é a única que conheço.

-Valeu, eu acho. O que é este lugar?

-Um túnel feito por meu tio, não se sabe o porquê e nem como, mas as respostas para algumas coisas importantes podem estar aqui.

Gotas D'água caiam de algumas pedras em cima de nós, enquanto nos aproximávamos de uma sala escura, ainda bem que estávamos com velas que acendi antes de entrar.

-O mesmo tio que você precisa do portal para achar?

-É isso que Dipper lhe contou? Eu estou fazendo isso para salvar o meu maldito tio? Ele deveria estar sem idéias mesmo.

Assim que terminei de falar paramos, estávamos em frente à tal sala, provavelmente em baixo da floresta. Liguei algumas velas, não havia lâmpada alguma, mas sim muitos e muitos papéis, algumas pesquisas e anotações, nada muito específico. Fui até a prateleira, nada marcado, eu teria de procurar no meio da papelada toda a tal resposta. Avisei a Pacífica para tentar achar alguma coisa relacionada a crianças ou a um portal. Eu já sabia que este momento chegaria, eu deveria responder à algumas perguntas da mesma.

-Se não é para encontrar seu tio, por quê precisa do portal? É mesmo o que Will disse? Uma máquina para destruir o mundo?

-Claro que não. Eu preciso da máquina ou morro, simples assim. Will é um fracote e tem medo do que o portal possa fazer, por isso lhe falou aquelas bobagens. Já Dipper... ele mentiu pois sabia o quão intrometida você é, que ia acabar sabendo demais.

Passei meus dedos por todas aquelas anotações, haviam coisas sobre McGucket, sobre Will, até sobre Stan, mas nada sobre mim.

-Então você só quer viver? Eu não imaginava isso. Eu... espera, acho que achei algo!- Me mostrou uma carta, destinada a McGucket porém nunca enviada. Poderia ser o que a tal profecia falava.

"Caro Fiddleford,

Descobri coisas magníficas sobre as profecias que lhe mostrei, uma grande bomba de ciência, como gosto de falar. Quando meus sobrinhos netos completarem dezoito anos, uma espécie de relógio começará a contar e eles terão pouco tempo, até seus corpos perderem a vida. A parte boa, é que para sobreviverem, devem construir um portal, para uma outra dimensão, habitada por demônios e criaturas do tipo, um lindo lugar que apelidei de "A Colina Verde" por ser descrito desta forma, como um grande vale com várias pequenas montanhas e árvores. Pensei que esta poderia ser uma grande oportunidade de contruirmos um portal nós mesmos. Não seria ótimo? Obviamente estou um tanto preocupado, já que como Tyrone morrerá antes da data, significa que o sacrifício terá de ser ou de Dipper ou de Mabel. Lembra deles? Segundo o que descobri, para um cruzar o portal, o outro deve morrer. Mas não entrarei em detalhes.

Espero que receba esta carta logo, já que os meu telefone de casa não está funcionando para lhe ligar,
Atenciosamente,

Stanford Gleeful."

-Meu deus. -Disse Pacífica, ao meu lado, largando o papel e se afastando aos poucos enquanto eu caía no chão.

Eu estava destruída, tudo dentro de mim parecia errado e se partia. Era como se houvessem arrancado meu coração e me jogado de um precipício. Eu gosto de dor, mas não desse tipo, nunca desse tipo. Era tão... desesperador.

-Não, não não não! Isso não!- Gritei o mais alto que pude. -É isso que você quer?! Que eu morra?! Que ele morra? Depois de tudo isso? -Eu sabia que eles não podiam me ouvir, mas quando se acredita em algum tipo de deus, tudo vale.

-Ei. -A garota tocou em meu ombro, tentando me acalmar, mas não pude me segurar, joguei-a contra a parede, segurando-a pelo pescoço. -Por favor Mabel, não me mate... Vamos resolver isso... eu vou te ajudar... Só por favor, não me mate...

Minha cabeça estava vazia, tudo que eu conseguia sentir era uma aflição se alastrando em mim. Tudo que eu sou, fui ou serei estava quebrado, partido em mil pedaços até não sobrar nada menos que cinzas e ódio.

-Você não me conhece... Nem um pouco! Você não sabe do que sou capaz! Eu matei centenas só por diversão, eu queimei famílias inteiras só pelo cheiro da sua carne queimada, eu assassinei todos que eu amava e todos que se importavam! Não vê que sou um monstro?! Eu vou te matar agora é mesmo assim quer me ajudar?! Não tem jeito de me ajudar! Eu tenho que morrer, pagar por tudo que fiz e apodrecer neste chão imundo! Não há nada para se fazer sobre isso! Nada...

Sem saber o por quê, me afastei, deixando a ficar de pé. Tudo o que eu queria era arrancar sua garganta agora, ou a minha. Não existia sentido em viver se isso significaria Dipper morrer, ele era tudo. Sem ele, o que eu seria? Era o ar que eu respiro, o corte em minha face, o chão sobre meus pés, ele era tudo. Já eu era só uma peça coadjuvante, minha morte não faria diferença para ninguém, mas o salvaria. Então valeria a pena, porque mesmo que eu não queira admitir, qualquer coisa vale a pena por ele. Eu me jogaria no fogo do inferno, beberia do mais ácido dos venenos, mataria o mundo todo, se fosse para o manter vivo. Eu o amo. Não há como mudar isso.

-Deve haver algo que eu possa fazer! Eu sei que você é um monstro, eu acho que sempre soube, mas eu acredito que você merece outra chance! Você não é como o Bud, ele escolheu ser como era, escolheu destruir minha vida sem motivo algum, ele merece morrer numa cela vazia. Mas você fez o que fez para manter a si mesma e ao seu irmão vivos, pode não justificar as barbaridades que me disse, mas já é algo! Eu sei que eu devia ter medo, mas se houver alguma forma de eu ajudar, eu quero!

-Existe uma sim... -Murmurei, andando até ela. -Me mate. Fique com meu irmão para você, não é isso que sempre quis? Me tire do caminho, de forma que eu nunca mais o roube! Tire a minha vida para que ele viva! Eu não tenho coragem de o fazer, mas você tem...

Segurei sua mão e levitei um pedaço de madeira pontudo que estava no chão, colocando-o nela. Era isso, pelo menos eu morreria por ele, um sacrifício digno de meu amado. Não me importaria com a dor, eu até gostaria dela, por ele eu posso sentir o que for e continuarei sorrindo do jeito estranho que seus experimentos me fizeram sorrir. Morrer pela pessoa que amo seria um prazer para por fim em todos os prazeres.

-Eu sei que parece ser o certo, mas Mabel, isso não vai resolver nada. Tem que ter um outro jeito. Porque se matar você vai fazer o Dipper continuar vivo, então quem criou isso não quis um final feliz, e eu sei que se existe algum tipo de deus, ele quer que isso termine bem. Então se seu plano é se matar pelo bem de todos, eu não vou participar, por que mesmo eu  querendo o seu irmão mais do que tudo, eu não acho que você mereça um destino tão cruel.

Sua atitude "heróica" já estava me dando nos nervos. Como alguém pode ser tão irritante?!

-Então saía. Agora! -Gritei, enquanto a vi correr de volta pelo corredor de pedra, me deixando sozinha com meu lamento. -Will, eu sei que você está aí em algum lugar, apareça.

Uma luz azul preencheu o local, tomando a forma de um triângulo da mesma cor. É estranho ver o mesmo. Não sei o porquê mas sempre me senti à vontade com ele, mesmo quando traiu minha confiança, sempre se mostrou leal, e eu uso isso ao meu favor.

-O que houve mestra?

-Você sabia disso? Do que tinha aqui?- Ele discordou, o que me aliviou, mesmo que por uma pequena fração de segundos. - Então tome sua forma humana, porque eu realmente preciso disso agora.

Vi seu corpo mudar de novo, para o mesmo de sempre. Magro, pálido, de cabelos azuis e olhos tristes. Sempre me perguntei de onde veio essa forma, até que certa vez me contou que nasceu assim, não com o mesmo cabelo, mas humano. Isso sempre me fez pensar em como seria Tyrone se tivesse tido o destino que era para ter, como um demônio. Mas isto não importava, eu só queria um abraço, para afogar minha mágoa em algo que não fosse os convidados da festa, já que eu não poderia transformar isso numa carnificina. Então senti seus braços me envolverem e afundei minha cabeça em seu peito.

-Will, você me mataria se eu mandasse? Mesmo que fosse para salvar seu mestre?

-Faço tudo o que a senhora ordena, mas isto nunca. Se eu me atrever a considerar a possibilidade, é por quê não sou eu. Eu nunca a mataria, mestra, nem se fosse para eu mesmo viver.

E lá ficamos, pelos poucos minutos em que me dei a dádiva de ser humana novamente.


Notas Finais


Bem, o cap n ficou exatamente como eu queria mas o que vale é a intenção.
Me desculpem por qualquer erro de português, eu escrevi tudo no celular e meu corretor muda todas as palavras.
Por favor comentem e favoritem, isso ajuda muito <3


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