História Mentiras que parecem verdades - Capítulo 5


Escrita por: ~

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Categorias EXO, Harry Potter, Kris Wu, Lu Han
Personagens Baekhyun, Chanyeol, Chen, Kai, Kris Wu, Lu Han
Tags Baekyeol, Chanbaek, Chenkai, Exo!harrypotter, Exo!hp, Kaichen, Krismin, Xiuris
Visualizações 113
Palavras 3.966
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Magia, Romance e Novela, Universo Alternativo, Yaoi
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Olha só que ainda está viva? Eu mesma. Espero que todos os leitores dessa história possam me perdoar e não me amaldiçoar até a próxima geração por ter sumido por tantos meses. Eu juro que a culpa é minha, mas também da faculdade. Vou tentar atualizar um pouquinho mais rápido daqui para frente, hm? Por favor, me perdoem. E muito, muito, muito obrigada pelos comentários doces, pelo tanto de favoritos! Fico muito feliz!
No finalzinho do capítulo há algumas notinhas sobre termos específicos do universo Potter. Não se esqueçam de ler, caso não entendam algumas pequenas referências! ♥
Sem mais, boa leitura! ♥

Capítulo 5 - V. A mentira do não estamos namorando.


"It's not  our abilities that show what we truly are.

It's our choices"

 

Desde que a marcação para os N.O.M.s começaram, Wu YiFan esqueceu completamente o que era ter uma vida social. A taça do campeonato de Quadribol era a única coisa que a maioria dos alunos pensavam, o que rendia treinos longos e cansativos, sem contar o pânico diário que os quintanistas estavam vivendo. Uma garota surtou naquela manhã, dizendo que se jogaria da torre de Astronomia antes do término da prova.

Passara as tardes enfurnado na biblioteca ao lado de praticamente todos os alunos de seu ano, quando não estava no treino de Quadribol, é claro. Kevin estava tranquilo, revisava seus cadernos e ajudava quem precisasse com os assuntos de Herbologia. Kris arrancava os cabelos ao lado de Marco, completamente derrotado porque tinha certeza de que só conseguira um Excede Expectativas em Poções, e ele não menos esperava um Excelente, já que esta era, pode se dizer, sua matéria favorita. De acordo com Luhan, contanto que não houvesse nenhum Trasgo, eles teriam chances o suficiente para chegar aos N.I.E.M.s.

— Eu odeio você e a sua inteligência idiota. – Enfiou as mãos no cabelo enquanto olhava feio para o melhor amigo, que rabiscava algumas anotações com sua pena branca. — Seu filho da puta.

— Você devia parar de me odiar e se concentrar nas suas runas. – Kevin lhe lançou um olhar entediado, e engoliu um grito quando o mais novo o chutou por baixo da mesa. — Ai! Eu não tenho culpa se você escolheu fazer Runas Antigas ao invés de Adivinhação, Kris!

— Tem sim! Você deveria ter sido um amigo melhor e me dito para parar de bancar o cara inteligente que faz as matérias difíceis! – O Wu se jogou de cabeça no livro aberto em cima da mesa, choramingando suas desgraças enquanto Kevin apenas revirava os olhos. — Anna Hill está olhando pra cá, Kev. – A capitã do time da Sonserina parecia distraída fitando o ambiente da biblioteca lotada, e acabou por notar os garotos na mesa ao canto. — Você é mais idiota por estar ignorando ela, sabia?

— Eu não estou ignorando. – Defendeu-se o Shin. — Estou evitando que se distraia. Ela precisa focar nas provas e nos jogos finais.

— Oh, olha só, temos um ser magnificamente elevado aqui. Desculpe senhor altruísta.

— O seu tom de deboche não me atinge, Wu YiFan. Volte para suas runas. – Kevin murmurou ríspido, e o Wu apenas lhe mostrou a língua.

Seus olhos correrão pelo salão coberto por mesas, estantes imensas e livros de cem anos de idade. Havia alunos de todas as casas, juntos e unidos pelo bem maior de serem aprovados nos N.O.M.s, e a pressão era tão intensa que Helena Both fora uma das que tivera um colapso nervoso na segunda-feira e ainda estava repousando na ala hospitalar. O batedor afrouxou a gravata verde e prateada no pescoço e repousou os óculos nos cabelos loiros, esfregando as mãos no rosto e tentando não se detestar completamente pelo fato de ter ignorado os bons conselhos sobre preparar-se desde o quarto ano para aquelas malditas provas devoradoras de cérebro. Ele estava arrasado, embora um avião de papel tenha levitado em sua direção, o rapaz acabou por notá-lo somente quando o mesmo caiu diretamente em seu colo. Quando pegou o pergaminho picotado nas mãos, procurou pelo dono da magia, e não precisou de muito esforço para encontrá-lo.

Minseok estava em pé,  com as mangas da camisa arregaçadas e as olheiras tão fundas quanto as do sonserino. Recostado a uma das estantes de livros que dava para o corredor dos fundos, ele estava ao lado da mesa onde os amigos estudavam juntos, inclusive Luhan, que agora tirava um cochilo profundo em cima de seu livro de Poções. O apanhador lhe sorriu, balançando a varinha entre os dedos antes de sumir por entre as estantes.

É claro que Kris o seguiu, ora bolas. Que há de importância em N.O.M.s e N.I.E.M.s quando Kim Minseok lhe abre um sorriso daqueles? Por favor.

No fim do corredor mal iluminado, uma boa pernada da região onde se encontravam as mesas de estudos, Xiumin esperava pelo batedor ansiosamente. Tiveram pouquíssimo tempo juntos, desde que os treinos de quadribol estavam mais intensos, com a aproximação das provas, e justamente a maneira como se viam escondidos por aí, foi preciso driblar alguns encontros para que tudo ficasse em ordem.

— É muito incorreto atrapalhar os estudos do colega, sabia? – Kris tentou debochar quando chegou, mas foi absolutamente ignorado, afinal Minseok o agarrou pela gravata e lhe deu um beijo de tirar o fôlego. — Okay... Não é tão incorreto assim.

— Está conseguindo lidar com tudo? – O mais velho o soltou devagar, sentando-se na beirada de uma das estantes e encarando o mais alto.

— Não. – Choramingou, se recostando na parede frente ao Kim. — Eu vou pifar até o dia das provas.

— Não seja chorão. – Minseok sorriu para a expressão de desgosto do batedor, mas rapidamente levou os dedos até seus cabelos e os afagou cuidadosamente. — Não te vi no almoço hoje.

— Fica me vigiando, Kim Minseok? – O sorriso sedutor brotou em seus lábios enquanto os óculos escorregavam pelo nariz oleoso. Xiumin revirou os olhos. — O que quer que eu pense?

— Que eu estava entediado tomando sopa de ervilhas e coincidentemente notei a sua ausência no almoço. – Minseok resmungou, mesmo que estivesse com um de seus sorrisos nos lábios finos.

— Digamos que eu tirei um descanso de mente na aula da Professora Buff e ela não curtiu. – Defendeu-se o meio chinês, fazendo o mais velho rir. — Cala a boca.

— Você dormiu e ela te pôs de detenção? – O Kim continuou a rir. — Você realmente conseguiu essa proeza uma semana antes dos N.O.M.s?

— Por que não continuamos aquela coisa de nos beijar sem fazer perguntas?

E o pedido do batedor do time de quadribol da Sonserina, mais conhecido como Quebra-Pernas, foi atendido de imediato. Ambos os bruxos pareciam um casal muito estranho, mas na opinião de  singela de Minseok, eles formavam um belo par, e apesar de Wu YiFan não admitir, achava uma gracinha o fato do Kim ser tão baixinho quando comparado ao tamanho desproporcional do sonserino. Eles se enroscavam na boca um do outro, e os hormônios da adolescência queimavam entre os beijos secretos que trocavam, e quem dirá que havia freio na relação daquele casal quando estavam tão concentrados em descobrir o sabor dos lábios um do outro.

— Eu não quero ser rude... Mas isso é sério? – A voz mansa de Byun Baekhyun fez ambos os garotos darem se sobressaltarem, afastando o abraço imediatamente. — Caramba, eu não acredito! – Exclamou o aluno da Corvinal, esboçando um sorriso de orelha a orelha enquanto estava agarrado em seu livro de magia. — Uau! Faz tempo? Desde antes do jogo?

— Ahn, Baekhyun, não é o que você está pensando... – Kris se aproximou do menino, que apenas o ignorou, olhando de maneira empolgada para Minseok.

— Kris quebrou sua perna e mesmo assim você aceitou namorar com ele?

Não estamos namorando! – Alegaram em uníssono, fazendo Baekhyun rir. Minseok tinha as bochechas coradas, talvez um pouco menos que as de Kris, e desejava ardentemente que Baekhyun sumisse dali. — Vamos apagar a memória dele.

— Eu não quebrei a perna dele. – O londrino se meteu no meio dos dois baixinhos. — E ninguém vai apagar a memória de ninguém, Minseok. Tá maluco? Eu nem sei fazer um feitiço desse porte, e...

— Eu sei! – O Byun exclamou animado, ao que os mais velhos o fitaram de maneira chocada. — Eu treinei em Jongdae uma vez, e deu certo. Ele nem tem ideia de que fui eu quem mudou as respostas dele na prova de Herbologia. – Comentou alegre, logo notando o terror na face do casal. — Algum problema?

— Você tem catorze anos e já sinto medo da sua inteligência. – Minseok se aproximou do moreno, segurando em seus ombros. — Escuta, Baekhyun, eu e o Kris, nós... Meio que estamos juntos, mas não queremos que ninguém saiba, tá? Consegue guardar esse segredo?

— Mas por quê? – O mais novo arqueou a sobrancelha, olhando de Kris para Minseok. — Ah, é aquele lance das casas, não é? Sonserina, Grifinória... Rivais. – Baekhyun deixou os ombros caírem de maneira chateada, meio que partindo o coração dos garotos a sua frente.

— Não Baekehyunnie, eu e Minseok não temos esse problema. – YiFan se apressou a explicar, ao que recebeu um olhar questionador do Kim: “Não temos?”, ele podia ler a expressão do apanhador, mas o ignorou. — Ainda estamos nos conhecendo de... De outra forma, sabe? Queremos dar tempo ao tempo. Não fique chateado, é importante que você não acredite nessa coisa de rivalidade. Isso é idiota.

Minseok partiu os lábios em descrença e confusão, as bochechas tão vermelhas que poderiam ser comparadas a um par de maçãs. No entanto, Baekhyun abriu um sorriso, apertando um pouco mais o livro enorme contra os braços finos de moleque.

— Eu não vou contar para ninguém! Eu prometo. – Ele jurou. — Vocês deviam pensar em ficar juntos, são um casal muito bonito. — Byun Baekhyun deu uma risadinha infantil antes de acenar para os mais velhos, desejando boa sorte com os N.O.M.s e partindo pelo seu caminho solitário na imensa biblioteca.

O sonserino suspirou aliviado, escorregando pela parede até o chão, tirando os óculos e esfregando as mãos enormes no rosto corado. Que diabos aquele menino tinha que aparecer do nada bem no momento em que se encontrava aos beijos com Minseok? Pelas barbas de Merlin, isso era pior do que lidar com um Excede Expectativas em Poções.

Hey, - Lembrou-se subitamente que Minseok ainda estava ali, inclusive sentado ao seu lado. O rapaz se aproximou, colando seus ombros. — foi muito legal o que você disse ao Byun. – Murmurou, dando tapinhas no joelho do loiro.

— Sobre estarmos ficando?

— Não! – Apressou-se a negar de maneira envergonhada, olhando para o lado oposto do corredor. — Sobre o lance da rivalidade. Eu não sabia que você pensava sobre isso, dessa forma. – Completou de maneira quase sussurrada.

De primeiro ato, YiFan fez sua expressão emburrada, porque afinal era sempre assim, pois a Sonserina era conhecida por semear a discórdia e a plena rivalidade com as demais casas, mas esse conceito passara a ser muito distorcido na cabecinha do Wu, que apesar de não ter muitos (na verdade quase nenhum) amigo fora de sua casa, gostaria de pelo menos parecer uma pessoa simpática aos demais, e não um quebrador de pernas valentão.

— Não me venha com essa carranca, Kris Wu. – Minseok levou as mãos até o rosto do maior, esmagando suas bochechas num aperto. — Me desculpe, mas infelizmente não fui ensinado a imaginar que um sonserino pode ser incrivelmente bonzinho e fofo, mas você faz tudo isso cair por Terra a cada minuto que passamos juntos. – E o sorriso que o apanhador lhe deu foi suficiente para que as linhas duras de expressão do batedor se desfizessem. — Vou me adaptar a essa nova ideia.

— Você se incomoda de saberem sobre nós? – Perguntou de repente, pegando-o de surpresa e fazendo com que as mãos de Minseok deixassem seu rosto, assim como o sorriso do Kim se desfizesse.

— Não... Eu não me incomodo. – O grifinório deu de ombros, fitando-o de maneira séria. — Você se incomoda?

— Se Luhan der show, eu me incomodo. – Xiumin acabou gargalhando da resposta alheia. — Estou falando sério. Ele irá nos infernizar e amaldiçoar até a décima geração.

— Você acha que Kevin vai aceitar bem? – Kris se surpreendeu com a pergunta do grifinório, sentindo-se meramente envergonhado pelo Kim se importar em receber a aprovação de seu melhor amigo.

— Acho que sim. – YiFan deu de ombros, não sabendo o que responder. Provavelmente Kevin ficaria chocado e perguntaria ao amigo desde quando ele era gay, mas isso poderia ser resolvido infinitamente mais rápido e tranquilamente do que o diálogo que teriam de ter com Luhan. — Mas, essa conversa, o que ela quer dizer? – Indagou intrigado, recebendo uma expressão envergonhada em resposta.

Ahn? Bom... Eu não sei. Quer dizer, se você quiser, eu quero... – Resmungou baixinho, e YiFan segurou-se para não rir, apesar de estar sentindo tanta vergonha quanto o Kim. Seus rostos foram se aproximando lentamente, quase como se houvesse um imã entre seus corpos, e que os atraísse completamente e absolutamente.

— Eu quero. Você quer? – Sussurrou o loiro, e com um suspiro indignado, Minseok o segurou pelo queixo, beijando-o de maneira lenta, porém totalmente dominadora, sorrindo com os selinhos doces que trocavam entre um toque e outro.

— Você notou que o Byun não achou estranho? – Murmurou o apanhador depois de um tempo. — Nós dois. Dois homens. Ele sequer pareceu se importar com isso. – Completou seu raciocínio, recostado nos ombros de YiFan.

— Suspeito que Baekhyun nutre uma paixãozinha pelo Park. – Minseok ergueu a cabeça, horrorizado.

— Park? Park Chanyeol? – Repetiu, ao que o Wu apenas aquiesceu. — Esses dois se odeiam desde o primeiro ano.

— Bom, eu também não ia muito com a sua cara. – O sonserino sorriu, recebendo um olhar divertido do garoto com quem trocara alguns beijos há alguns minutos. — Inclusive, até quebrei sua perna, não é?

— Certo. Estou convencido.

▲▼▲

Era tecnicamente impossível não sair do N.O.M.s em estado semivegetativo, na opinião do batedor de quase dois metros. Kris se arrastava pelos corredores até as masmorras agarrado a Kevin, que menos cansado, tentava inutilmente sustentar o melhor amigos nas costas enquanto ele resmungava de maneira manhosa, dissertando sobre como fora um trasgo nas questões de Defesa Contra as Artes das Trevas, e que provavelmente teria de voltar ao primeiro ano e cursas aulas especiais.

— Você é tão dramático. Aposto que foi muito bem em tudo. – Kevin o jogou em sua cama, erguendo suas pernas e retirando seus tênis dos pés enormes. — Quanto é que você calça, cara? Isso é imenso. – Murmurou cético, apontando para o All Star surrado do garoto.

— Quarenta e seis. – E o Wu continuava a resmungar. — Kev, eu acho que vou ser reprovado. Eu não entendi bolhufas daquelas runas. Vou ter que continuar com a Adivinhação, e por Merlin, eu não tenho ideia de como ler o futuro numa xícara de chá! – Reclamou alto, fazendo os colegas de quarto olharem confusos para o Shin, que apenas deu de ombros. Era costumeiro o drama de YiFan depois de provas e jogos importantes.

— Para início de conversa, não se prevê o futuro numa xícara de chá, e sim no pó de café. E não são realmente previsões, apenas símbolos que representam algo que pode vir a acontecer, ou já aconteceu. Enfim, - O amigo sentou ao seu lado na cama, dividindo o espacinho que sobrava do corpo esguio do Wu deitado de bruços e completamente esparramado. — Você vai ser sair bem em tudo, relaxa. – O moreno de dentes tortos abraçou os joelhos e ficou em silêncio logo depois, encarando as serpentes enfeitiçadas no teto do dormitório.

— Você está bem? – YiFan ergueu o rosto para encarar o amigo, que o fitou de volta.

— Queria voltar a falar com Anna, mas Luhan já deve estar anos-luz a minha frente. – Resmungou, encostando o queixo nos joelhos. YiFan bufou, erguendo-se para sentar de frente para o amigo. — Não começa.

— Você é burro. – Kevin revirou os olhos ao ter seu pedido ignorado. — Burro e bonitinho, por isso voto na opção de chamá-la para sair. Vamos para Hogsmeade no sábado. – O loiro se espreguiçou, apoiando as costas no alambrado da cama.

— Você acha mesmo que tenho chance? Quer dizer... Olha o Luhan, ele é popular com as garotas, e apesar de eu detestar admitir isso, ele é bonito. – Resmungou o viciado em Herbologia, fazendo com que Kris risse debochado.

— Para com isso, cara. Se você não tivesse chance, Anna Hill não ficaria me parando a cada dez minutos de treino para perguntar se você gosta de alguma planta que nem sei repetir o nome. – O Wu bocejou de maneira preguiçosa, começando a desabotoar a própria camisa, observando o silêncio do amigo. — Então você acha o Luhan bonito, hm? Bom saber.

— Ah, qual é! – Kevin atirou o travesseiro na cara do Wu, que foi pego desprevenido e acabou gargalhando. — Você é o pior melhor amigo do universo, sabia?

— É você quem acha o Luhan bonitão.

— É mais fácil você ter crush em Kim Minseok do que eu achar o Luhan “bonitão”. – Enfatizou a última palavra, imitando o tom de voz do batedor, que prendeu a respiração, encarando o Shin de olhos arregalados. — O que foi?

— Por que disse isso?

— Isso o quê?

— De crush. 

— Eu estava brincando, cara. – Kevin Shin demorou alguns pares de segundos encarando o amigo com seus olhos de peixe-morto, para só então partir os lábios em choque. — Não brinca. Sério?

— Sério o quê?

— Kris Wu. – Aumentou o tom de voz, mas logo notou os colegas de quarto, e gradualmente se aproximou mais do batedor. — Você gosta do Minseok?

— Não! – O batedor apressou-se em negar, mas falhando miseravelmente enquanto suas maçãs do rosto queimavam completamente febris. — Eu juro que gostaria de ser mais convincente. Sinto muito, Kev.

Os garotos se encararam por alguns segundos em completo silêncio. Não fazia muito o tipo de Kris corar tão intensamente daquele jeito quando falava de algum casinho que tivera com alguma garota, algum beijo ou algum chocolate no dia dos namorados, mas desta vez o londrino sequer conseguia focar os olhos em outro ponto que não fossem as próprias mãos enormes que se ocupavam em arrancar os fiapos da barra da calça de seu uniforme. Kevin até queria dizer que estava levemente magoado pelo fato de, bem... Não saber que YiFan jogava em outro time, ou talvez jogasse nos dois, mas ele nunca conseguia realmente ficar bravo por mais do que dois minutos com o melhor amigo.

— Queria dizer que não estou surpreso, mas estou. Não sabia que você era... – E acabou corando, fazendo o loiro rir por trás dos óculos grandes. — É idiota perguntar sobre? Tipo, desde quando?

— Acho que desde sempre. – Kris deu de ombros, já tinha passado por aquela conversa com sua mãe alguns anos atrás, e quando se tem uma mãe como a senhora Wu, não existe um forma de não aprender a lidar com perguntas constrangedoras. — Desculpe nunca ter falado sobre isso... Eu não sabia exatamente como contar.

— Tudo bem, cara. – Kevin riu nervoso, dando um soquinho no joelho do amigo. — Luhan sabe?

— Mais ou menos, e não me peça para explicar. – Bufou. — Eu e Minseok... Nós estamos...

— Não acredito! Vocês estão juntos? – A voz do Shin se ergueu em dois quartos, chamando a atenção dos demais sonserinos quintanistas. — Você está ficando com Kim Minseok? – Perguntou de maneira ríspida, mas agora quase sussurrando.

Kris apenas aquiesceu, nunca sentindo tanta vergonha em falar sobre seus relacionamentos como agora. Afinal, se quer sabia o que tinha com Kim Minseok desde aquela conversa na biblioteca, alguns dias atrás, a qual fora a última vez que teve um tempo sozinho com o garoto. Em alguns cantos escuros dos corredores, combinaram de se encontrar em Hogsmeade, fugir para aproveitar um tempo juntos e de preferência bem longe de Luhan, Kevin e Anna Hill. E pela magia de Merlin, só o próprio sabia como Kris Wu estava ansioso por sentir o estômago revirar, situação frequente quando estava com o apanhador da Grifinória.

Depois de algumas perguntas invasivas sobre como o londrino passara a ter sentimentos pelo garoto meio coreano, Kevin deu uma segurada e se comportou. YiFan ficou aliviado quando o amigo exibiu sua fileira de dentes tortos e riu ao contar sobre como faziam para fugir dos monitores da Corvinal quando se encontravam na torre de Astronomia – momentos extremamente vergonhosos e que envolviam muita magia digna de um Ótimo em Defesa Contra as Artes das Trevas.

Quando enfim a manhã seguinte chegou, depois de uma noite de sono que não lhe era bem-vinda desde o início dos N.O.M.s, YiFan pulou o café da manhã e dormiu um pouco mais. Suas olheiras fundas já estavam quase inexistentes, o que o fez sentir-se mais bonito. O cabelo loiro precisava de um retoque, mas até que era charmosa aquela raiz preta, certo? O garoto alto demais para a própria idade fez questão de se arrumar mais que o de costume – sempre fora charmoso, mas hoje queria impressionar Minseok.

Num papo ou outro com Marco e Kevin enquanto caminhavam pelo vilarejo, resmungando sobre qualquer assunto que não envolvessem provas ou as finais de Quadribol, Kris viu seu objeto de desejo passar discretamente pelas portas de fora do Cabeça de Javali, olhando para os lados, talvez tentando imaginar se alguém o estava vigiando. O sorriso do filho de chineses se alargou, e tão espalhafatoso como era, ele se despediu dos amigos com alguma desculpa esfarrapada, caminhando pela mesma direção que Kim Minseok acabara de seguir.

A Casa dos Gritos tinha um cerco de pelo menos quinhentos metros de distância de onde se encontravam. Mesmo de costas, o grifinório logo escutou o quebrar das folhas secas sob os tênis surrados do mais novo, virando-se imediatamente para exibir seu sorriso torto, fazendo YiFan sorrir também. Quando se viu mais perto do bruxo, imediatamente teve a cintura enlaçada e a boca tomada por um beijinho que deveria ser só um beijinho, mas acabou sugando todo o ar dos pulmões do batedor.

— Diga-me que foi aprovado em todas as disciplinas... – Murmurou, ainda abraçado a Minseok, mas agora protegidos por algumas árvores de copas altas e largas.

— Um verdadeiro trasgo, mas acho que podemos cursas o sexto ano juntos. – Xiumin sorriu, seus cabelos castanhos estavam compridos e despenteados, caindo majestosamente por seus olhos grandes. — O ano está acabando, finalmente.

— Ainda temos o Quadribol.

— Ainda temos o Quadribol. – Confirmou. — Mas são as finais. – O grifinório deu de ombros. — Você vai tentar quebrar minha perna novamente se ganharmos o jogo?

— Vocês não vão ganhar, Apanhador-de-Ouro. – Kris debochou, ao que Minseok revirou os olhos. — Antes de ser um Quebra-Pernas, eu era um belo destruidor de arquibancadas e vassouras.

— Espero que quando a taça esteja na comunal da Grfinória, você não chore. – O sorriso de YiFan se alargou, mesmo que estivessem trocando farpas curtas. — Luhan me convidou para passar alguns dias das férias de verão em sua casa.

Algumas folhas voaram por cima de suas cabeças, o vento da primavera era bastante fresco e aconchegante àquela hora da tarde. YiFan arqueou uma sobrancelha, notando o tom que Minseok usara ao lhe contar sobre Luhan. Será que ele queria causar... Ciúmes? Bem, não que o batedor fosse muito difícil de enciumar, mas era Luhan, certo? O que Luhan teria de relevante? A não ser que...

— Desista. Venha ficar comigo. – Pediu, apertando de leve os dedos em sua cintura.

— O quê? – Os olhos de Minseok dobraram de tamanho, e brilhavam. — Como assim?

— Para minha casa. Venha para minha casa... – Murmurou o londrino, envergonhado. — Você vai gostar de ver meus pôsteres do time búlgaro na parede do quarto.

O jeito como Xiumin gargalhou fez o peito de YiFan se aquecer (e o estômago revirar), o que consequentemente o fez roubar um beijo dos lábios entreabertos, surpreendendo o mais velho. Minseok passou os braços por seu pescoço e ficou na ponta dos pés, deixando que se apertassem mais um contra o outro.

— Luhan vai ficar chocado...

— Que se dane o Luhan, Minseok.

Seria um longo verão, e quem dirá Luhan fosse a pior parte – A senhora Wu com certeza iria infernizar a vida de YiFan quando soubesse quem era Kim Minseok, seu namoradinho da escola.

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Níveis Ordinários de Magia (N.O.M.s): É um exame específico de Hogwarts para alunos do quinto ano. A pontuação obtida no teste determina se o aluno está apto ou não para seguir determinada disciplina nos anos posteriores.

Excede Expectativas: As notas de aprovação do teste são referentes a, 1) Ótimo; 2) Excede Expectativas; 3) Aceitável; 4) Péssimo; 5) Deplorável; 6) Trasgo.

Níveis Incrivelmente Exaustivos de Magia (N.I.E.M.s): Exame específico do mesmo gênero dos N.O.M.s, porém direcionados aos alunos do sétimo ano com o intuito de ajuda-los a prosseguir com suas carreiras após serem graduados. 


Notas Finais


Muito obrigada a quem leu, peço desculpas pela demora e pelos erros ortográficos, e até o próximo capítulo! ♥


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