História Metáforas - Capítulo 2


Escrita por: ~ e ~hopefull

Postado
Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens Jimin, Suga
Tags Bangtan Boys, Bts, Dupladepressãogratuita, Hopefull, Jimin, Siena, Suga, Trazunslencinhos, Yoongi, Yoonmin
Exibições 70
Palavras 2.006
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Slash, Yaoi
Avisos: Bissexualidade, Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Mutilação, Suicídio
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


— Marina @Siena
Alô alô tripulantes do barquinho navegador de lágrimas, aqui quem fala é uma de suas capitãs. Trago o segundo capítulo para que vocês continuem enchendo nosso oceaninho de água e sal vindo dos vossos olhinhos inchados. Apesar de eu ter entregue uma playlist aos senhores nas notas finais do primeiro capítulo, alguns destes ainda terão uma música tema em especial. E este é o caso do segundo capítulo. Lá no final tem o link direto para "Pulsos" da Pitty. Caroline vai se manifestar nas notas depois quando ela editar essa bagaça aqui.

Ainda estamos vendendo lencinhos, estarei passando nas arquibancadas, quem quiser é só gritar "UNICÓRNIO!" três vezes. Não se assustem com a fumaça de purpurina que pode aparecer ao seu lado e te fazer espirrar horrores.

— Caroline @hopefull
(este número se encontra temporariamente fora de serviço - tu tu tu tu)

Capítulo 2 - Sobre listras


Fanfic / Fanfiction Metáforas - Capítulo 2 - Sobre listras


"E um dia se atreveu a olhar pro alto, tinha um céu mas não era azul.
No cansaço de tentar quis desistir, se é coragem eu não sei.
Tenta achar que não é assim tão mal, exercita a paciência.
Guarda os pulsos pro final, saída de emergência
"

Entediado. Talvez pior que isso, mas esta era a única palavra que parecia encontrar para definir como se sentia. Havia passado horas no banheiro de seu quarto fitando suas olheiras e seu rosto de quem só queria que tudo acabasse logo. Passou a mão pela testa, subindo para os cabelos verdes. Suava.

Bufou com todas as forças, relaxando os ombros. Passou a mão pelo controle remoto e desligou a televisão. O barulho parecia irritá-lo, como a voz do garoto que estivera mais cedo em seu quarto. Como é mesmo o nome dele?

Levou a mão direita para o lado sem olhar, sabendo que seu copo com água estaria ali como sempre. O estado de cansaço e sono em que se encontrava pareceram por um momento entorpecer seus sentidos de força e localização. Batera com as costas das mãos no vidro e o derrubara. A água escorria pela cômoda. Levantou-se, pegando a primeira toalha que encontrou. Quando voltou à cômoda para secá-la, algo lhe tirou do transe que seu sono parecia fazer às vezes entrar.

Parcialmente imerso na poça que se fizera sobre a mobília estava o pequeno ramo, eram pequenos e finos caules com florzinhas. Eram miúdas, delicadas e pareciam frágeis ao toque. Algo o fez recuar. Conhecia aquelas flores.

“Mini orquídeas…” ele disse para si com uma voz quase inaudível, contraindo os lábios. Já havia visto antes aquele espécie. Sua mãe tinha um vaso delas. Sentiu uma pontada na cabeça, contraindo os olhos e o cenho, e fazendo uma expressão de dor. Tentando voltar ao que iria fazer pegou o ramo pelo fino caule e ergueu. Olhou para ele por alguns segundos e o colocou sobre seu livro que estava a alguns centímetros da poça de água. Secou a cômoda com a toalha.

Depois de ter tudo novamente em ordem sentou-se na beira da cama e ficou observando aquele pedaço de planta que um dia esteve plenamente vivo. Sentiu que iria começar a lacrimejar mais uma vez. Inspirou profundamente, olhando para cima. Jogou-se de costas na cama, com os braços estendidos para os lados. Ali ficou, fitando o teto e o lustre. As luzes apagadas, mesmo estando quase de noite.

Agora nesta não tão confortável posição – depois de ter passado horas daquela tarde a remexer-se de uma posição a outra na cama – o garoto pareceu pegar no sono como não fazia há muito tempo.

“Bom dia.” uma voz masculina disse, enquanto a luz do dia gradativamente aumentava no quarto. A persiana estava sendo aberta. “Você dormiu bastante. Pensamos em colocá-lo na posição correta, mas você parecia bem do jeito que estava e chegou muito cansado, segundo as enfermeiras, decidimos não movê-lo para não acabar acordando-o”.

O garoto ouvia tudo enquanto se espreguiçava. Sentia-se bem melhor. Depois de algum tempo de conversa, o médico disse que lhe apresentaria o hospital. O jovem levantou-se da cama e foi ao banheiro a fim de preparar-se para sair do quarto depois do café-da-manhã. Quando olhou-se no espelho notou como sua expressão havia melhorado simplesmente por ter conseguido dormir.

Depois de comer, o médico o chamou para irem fazer o reconhecimento do local. O garoto, então, acabou por olhar para a cômoda. Viu as flores sobre o livro. Colocou-as no bolso do avental. Min Yoongi estava pronto.

Caminhou com o Dr. Lee Jinhwan pelos andares que mais usaria. Chegavam de elevador ao sétimo andar. A porta se abriu e o médico saiu com o paciente na cadeira de rodas. Como andariam muito achou que aquela opção era melhor para não cansá-lo logo no primeiro dia.

Ouviu, então, uma voz conhecida. Olhou para a direção contrária a que o médico pretendia seguir. Viu o jovem de cabelos alaranjados conversar com um médico que parecia estar lhe entregando… Um milkshake?

Não pode deixar de notar que alguém o observava e olhou para o lado. Viu os olhos escuros sob a franja verde lhe fitarem.

Por um instante, Min Yoongi arregalou os olhos. O mais novo usava uma camiseta sem mangas, tinha os braços pálidos e muito magros. E neles tinha uma dezena de curativos.

Jimin notou a reação dos olhos que o observavam e olhou para si. Eles haviam notado seus curativos. Eles sabiam o que havia debaixo deles. Sabiam? Não, não sabiam. Havia coisas demais sob aqueles pedaços de esparadrapo. O mais baixo apenas olhou de volta para Min e sorriu, apertando as bochechas contra os pequeninos olhos.

Aquela cena foi um soco no estômago de Yoongi. A agonia fez com que, ao ver os curativos do outro, fechasse os olhos com certa força, tentando apagar aquela memória anátema; fincou as unhas mal cortadas na palma das mãos, enquanto fechava o punho, pois podia sentir o sangue quente escorrer pelo vão de seus pequenos dedos.

Ele nem sequer sabia do que se tratava, e nem queria saber, no fundo; mas era certo que lembrou-se exatamente de seus pulsos, sua saída de emergência. Ao abrir os olhos, o som ao seu redor parecia abafado e a visão turva, e, como que por instinto, focou em seu pulso, como se pudesse enxergar as linhas verticais tão bem desenhadas, de onde saíra tanta dor, que chegava a ser insuportável recordar.

Ainda assim, ficava perplexo com o fato de Jimin ainda sorrir. A única coisa clara naquele momento era o sorriso acanhado que ele havia esboçado para Yoongi, como se dissesse com a pupila dos olhos “está tudo bem”. E aquilo apavorou-o, aliás, nem ali gostaria de estar; na verdade, aquele era o último lugar em que gostaria de estar.

“Min Yoongi?” o médico chamou-o, espantado com sua feição. “Você está sentindo dor?”

E o garoto nada respondeu. Yoongi, efetivamente, era um garoto de poucas palavras; vez ou outra, sentia-se confortável para falar, mas, na maior parte das vezes, isso não acontecia. Naquela hora, definitivamente, não estava confortável para fazê-lo.

As pernas pareciam tremer, e agradeceu a qualquer deus que existisse – se é que existia – por estar naquela cadeira de rodas, pois se estivesse apoiado em suas pernas, certamente cairia no chão.

Odiava sentir aquela angústia tomar-lhe conta do peito, e sabia que, não tardio, choraria, e o garoto de cabelos verdes odiava chorar. Mas certas memórias machucam muito, e o único escape de Yoongi agora eram as lágrimas, já que nada mais tinha.

Pegou o milkshake em suas mãos e pareceu encerrar a conversa com um obrigada e se curvou para o médico. Ambos saíram dali, um para cada lado. O corpo magro seguiu na direção do garoto que parecia gritar pelos olhos quando olhou novamente para Jimin.

“Bom dia, doutor” saudou o médico, que parecia ainda confuso com as reações do paciente ao chegarem naquele andar. Antes mesmo do médico respondê-lo, agachou-se na frente da cadeira de rodas. “Suas pernas não te trouxeram aqui, mas é válida ainda a visita” ele riu. “Quer um pouco?” ofereceu apontando o canudo na direção do mais velho. Agora naquela posição ele podia vê-lo melhor, já que seus olhares se cruzavam sem interrupções.

“Você já conhece o Jimin?” o médico disse, abaixando um pouco para alcançar melhor os ouvidos de Yoongi. Ao ouvir a pergunta, Jimin deu um sorriso tímido, lembrando de como o mais velho lhe recebera no seu quarto no dia anterior. Sem esperar uma resposta do outro, ele levantou-se devagar e deu mais um gole no seu prêmio por ter tentado – mas sem sucesso aparente – fazer Yoongi conhecer o hospital. “Fui chamá-lo para um passeio no hospital ontem, mas ele estava bastante cansado, achei melhor deixá-lo descansar, estava com uma aparência um pouco exausta..”

“Desculpa.” foi a primeira coisa que soltou desde que haviam chegado naquele andar, e, por um momento, Jimin pensou que fosse um pedido de desculpas por toda a sua grosseria do dia anterior, mas isso demoraria um pouco mais. “Será que…” deu uma pausa, tentando respirar. “Será que a gente pode voltar, doutor?” olhou de lado para os pulsos de Jimin, como se fosse algum tipo de assombração, sem nem conseguir olhar para os olhos dele. Somente colocou a mão direita no bolso, e apertou a flor que lá estava, sem que ninguém percebesse – nem mesmo aquele que havia dado-a.

Jimin abaixou a cabeça, colocando o canudo na boca, talvez tentando disfarçar um breve expressão de decepção por ainda não ter conseguido tirar nada melhor do garoto dos cabelos bonitos. Levantou apenas os olhos, olhando a mão de Yoongi se contraindo dentro do bolso. Um leve suspiro lhe saiu de dentro. Não havia desistido ainda. Nunca iria.

O médico concordou com o garoto que agora parecia fitar o chão, com medo de erguer os olhos e ir novamente de encontro com os curativos na pele branca do mais novo.

“Ah, Park Jimin, você poderia acompanhar o Yoongi até a sala da terapia em grupo mais tarde? Eu vou estar numa cirurgia.” o médico disse, enquanto virava a cadeira em direção aos elevadores novamente.

“Ah…” o mais baixo mexeu nos cabelos, um pouco apreensivo “Se ele não se incomodar.”

Os dois fizeram silêncio. Pareciam esperar a voz de Yoongi vir à tona e responder às suas dúvidas. Nada foi dito. O mais velho apenas engoliu em seco ainda, olhando para o piso do hospital.

“Yoongi?” o médico pediu. “Algum problema?” olhava para ele, sem conseguir encontrar seu olhos, que estavam perdidos nas lajotas do chão.

“Ah…” suspirou. “Tudo bem.” proferiu, um tanto quanto baixo. Não havia outra chance ou alternativa, então teria que tentar, mesmo que fosse com Jimin.

“Então, esteja no quarto dele pouco antes das 19h, ok?” o médico olhou para os cabelos laranjas do garoto. “Você sabe o quarto?” perguntou, enquanto o elevador se abria.

“Sei, sim, pode deixar, estarei lá” sorriu mais uma vez para o Doutor Lee. Observava Yoongi, a respiração do garoto parecia ter ficado acelerada de repente. Por um momento jurou achar que ele chorava a seco. Como se por um último instante, Min ergueu a cabeça e seus olhos e o de Park se encontraram e então a porta cortou seu breve, mas suficiente, contato visual.

 

 

Eram 18h30 no relógio do corredor. Jimin tinha colocado outra blusa, novamente com mangas longas. Era nítido o incômodo que havia causado no mais velho ao deixar os curativos expostos. Como de costume usava listras. Talvez mais de setenta e cinco por cento de suas blusas fossem listradas. Gostava delas – as listras. Vivem lado a lado mesmo sendo de cores tão opostas.

Estava já na porta do quarto. Antes que pudesse bater, a voz veio de dentro do cômodo apagado: “Estou saindo já, pode esperar aí”.

Deu seus passos para trás e sentou-se numa das cadeiras que havia no corredor. Puxou as pontas das mangas até cobrir as mãos, elevou os joelhos até os ombros e ficou encolhido esperando.

O mais velho vinha, ainda na cadeira de rodas, saindo do quarto escuro. Olhou um pouco receoso para Jimin e notou que ele voltara com as mangas longas. Soltou um suspiro, aliviado. O mais novo levantou e colocou-se atrás da cadeira, empurrando-a. Apenas os dois pareciam fazer barulho no andar naquele momento. Os passos ecoavam.

“Posso te chamar de Yoongi?” o mais baixo disse, mordendo o lábio. Silêncio. Apesar de quieto, os movimentos leves e repetitivos das pernas mostravam que o garoto estava nervoso. Chamou o elevador. Parou em frente, aos pés do mais velho.

“Desculpa ter deixado você desconfortável mais cedo…” mexeu no cabelo e desceu a mão pela nuca. “Não os verá mais.” disse, dando um sorriso um pouco sem graça, parecia arrependido por ter deixado os braços à mostra.

O elevador havia chegado, voltou a sua posição e empurrou o mais velho para dentro. A porta se fechava em frente aos dois. O botão do sétimo andar brilhava.

“Jimin…” disse, cerrando os punhos “Eu não quero ir”.


Notas Finais




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