História Metamorfose - Capítulo 15


Escrita por: ~

Postado
Categorias A Feia Mais Bela
Personagens Fernando Mendiola, Letícia "Lety" Padilha Solís
Exibições 159
Palavras 3.756
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Universo Alternativo

Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 15 - Rasgar os planos e deixar a vida acontecer


Não importa quantos planos à gente faça, não importa o quanto a gente se esforce para fazer tudo dá certo, pois de uma hora para a outra tudo pode mudar. A gente nunca sabe como nosso dia vai acabar. As vezes a gente se vê em um lugar que nunca imaginamos estar e leva um tempo para a gente se acostumar com a mudança, mas então um belo dia chega e a gente simplesmente se acostuma com a mudança. Você sabe por que a gente se acostuma com a mudança? Eu tenho uma teoria. A gente se acostuma com a mudança, pois mudamos junto com ela. Cada desvio que surge em nossos planos nos faz mudar e o melhor de tudo é que quase sempre essa mudança nos faz sermos pessoas melhores, por isso é bom as vezes rasgar os planos e deixar a vida acontecer.

 

LETICIA

 

Cheguei ao hospital e para minha total surpresa e felicidade Fernando estava sentado na recepção de cabeça baixa, eu respirei aliviada. Vê-lo ali, bem, foi indescritível, corri literalmente até ele e lhe abracei. No caminho até o hospital eu vi os piores cenários serem desenhados, jamais eu poderia pensar que ele estaria bem, que não estaria em uma cirurgia e nem ligado a aparelho nenhum.

Fernando ficou em pé e me abraçou, ele tentou buscar conforto no abraço e eu tentei proporcionar todo o conforto que ele precisava. Foi longos minutos até que eu rompi o abraço e o analisei, ele não parecia ferido, estava normal. Novamente respirei aliviada.

“O que aconteceu?”

“Foi horrível”

“Me explica, Fernando. Eu pensei que você tinha ...” Me calei, não teria coragem de falar em voz alta as coisas que pensei.

“Eu estava saindo da empresa, liguei o carro e engatei a ré, acelerei e quando tentei frear, simplesmente não consegui, eu tentei, mas não consegui, meu carro perdeu o freio. Omar estava passando e simplesmente eu atropelei ele” Fernando me olhou mais desesperado ainda “Lety, eu atropelei meu melhor amigo. Por minha culpa agora ele está sendo operado”

“Não foi sua culpa, foi um problema técnico”

“Foi minha culpa” Ele insistiu.

“Como ele está?” Desisti de falar que a culpa não era dele, pois naquele momento nada iria lhe fazer mudar de ideia.

“Eu ainda não tive coragem de ir perguntar” Ele falou tímido.

“Vem, vamos sentar” Fernando não contestou, sentamos lado a lado e segurei sua mão, ficamos em silêncio, eu não sabia o que falar ou como agir e ele estava igual, o silencio de longos minutos foi quebrado por ele.

 

“Eu tinha uns nove ou dez anos quando conheci Omar” Fernando iniciou a conversa e eu fiquei calada lhe ouvindo “Ele entrou no colégio que eu estudava e não demorou mais de uma hora para fazermos amizade, éramos iguais, éramos duas pestes” Fernando deu uma leve risada “Omar e eu nos tornamos inseparáveis, acredita que já pequeno ele ficava correndo atrás das meninas? Ele sempre foi esse Don Juan, desde pequeno” Fernando fez uma pausa antes de continuar sua história “Foi quando os Villarroel foram morar lá em casa que Omar virou realmente meu irmão” Senti involuntariamente Fernando apertar mais forte minha mão “Eu lembro que nunca tinha lidado antes com a morte, eu já sabia bem o que ela significava, mas nunca tinha visto realmente alguém morrer, então os tios morreram e eu pude entender de perto como era horrível.  Ariel, Márcia e Ana Leticia chegaram arrasados lá em casa e sem dúvida alguma meu pai, minha mãe e eu acolhemos eles. Eles eram meus primos até então, a gente sempre se deu bem, nos primeiros dias tudo foi muito tristeza, porém aos poucos, meses depois, as coisas foram mudando e eu simplesmente um dia cheguei em casa e me vi perdido. Eu era filho único, tinha minha casa só para mim, meus brinquedos só para mim e principalmente, eu tinha meus pais só para mim, nesse dia eu cheguei de um passeio na escola, era sábado, eu estava animado para contar as novidades para meus pais, porém quando eu cheguei minha mãe estava na sala com Márcia e Ana Leticia, brincando com elas no tapete e as meninas me mandaram sair, porque eu iria atrapalhar a brincadeira, eu sai irritado, mas obedeci, fui procurar meu pai para contar a ele as novidades, porém ele tinha saído com Ariel para o clube. Eu subi as escadas e fui triste para meu quarto, quando cheguei no meu quarto, vi meu carrinho preferido quebrado, Ariel provavelmente o tinha quebrado sem querer, mas a raiva me subiu, eu já não tinha mais nada, tudo meu tinha sido dividido. Eu lembro que meus pais sempre ficavam ao lado dos Villarroel e dizia que eles eram órfãos e precisavam de mais atenção do que eu, tolo engano deles, eu também era órfão, entre eu e os Villarroel, os Villarroel sempre vinham primeiro, Ariel parecia gostar de ter toda atenção do meu pai só para ele, era sonso, se fazia de bom menino e meu pai caia sempre. Foi então que eu passei a dormir na casa de Omar, toda a semana eu passava ao menos uma noite na casa de Omar e aquele era o meu dia preferido, passávamos o dia brincando e a noite falando mal de Ariel. Omar e eu éramos amigos, a gente se entendia em tudo. Lembro que uma vez Ariel de proposito quebrou um boneco meu e como eu nada podia fazer, Omar esperou ele chegar na escola e bateu nele. Bater não é certo, mas tínhamos uns onze anos e eu me senti vingado naquele dia” Fernando fez uma pausa.

“Sabe, Lety ... eu sou um covarde” Olhei para Fernando e ele estava prestes a chorar “Coloquei covardemente a culpa em Omar por tudo que fizemos com você, Omar deu a ideia apenas, ele não me obrigou a fazer nada, fiz porque fui um fraco que me deixei ser influenciado, fiz porque eu era um covarde. Eu tô com medo, Lety.  Medo de ter perdido para sempre meu melhor amigo” Fernando já não conseguia mais segurar e iniciou um choro desesperado, eu lhe abracei forte, sussurrei palavras de consolo, mas foi inútil, ele apenas chorava mais e eu entendi que ele precisava desse choro, acabei me calando e o deixando chorar enquanto eu apenas lhe abraçava e fazia carinho em seu cabelo.

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Como a vida é surpreendente, quando acordei naquele dia nunca iria desejar que a amizade de Omar e Fernando voltasse, porém agora, naquele segundo após ouvir tudo e vê o desespero de Fernando, eu consegui entender a importância de Omar em sua vida, e a única coisa que eu conseguia desejar é que tudo ficasse bem e que Omar pudesse sair logo daquele maldito hospital e estivesse disposto a voltar a ser amigo de Fernando.

Ficamos ali, abraçados, por cerca de vinte minutos, até Fernando se acalmar e ir até o banheiro lavar o rosto. Aproveitei esse tempo dele no banheiro e fui buscar noticias de Omar, por sorte as noticias eram boas, respirei aliviada e com um sorriso no rosto voltei para Fernando.

“Lety, você sumiu” Ele falou agoniado quando me viu.

“Fui saber como Omar está”

“Eu não sei se quero saber”

“Não seja tolo, você quer saber” Eu sorri e pude ver Fernando ganhar um brilho nos olhos, naquele momento era claro que as noticias eram boas.

“Me diga logo, como ele está?” Sua voz se tornou ansiosa.

“Seu carro estava em baixa velocidade, foi apenas o impacto do carro batendo na perna dele e imprensando na parede, isso poderia ser muito ruim ou muito leve, Omar teve sorte e foi muito leve, ele apenas quebrou a perna, nada exposto, apenas uma perna quebrada e ele já está no quarto, à cirurgia foi ótima e ele não terá nenhuma sequela” Foi à vez de Fernando respirar aliviado.

“Ela disse que ele está dormindo devido à anestesia, mas se você quiser, podemos ir vê-lo”

“Eu não sei se devo”

“Não seja burro homem, você deve isso a ele, vá visitar seu amigo, mesmo que ele não lembre disso, vai te fazer bem. Na verdade você deve isso a você mesmo”

Fernando ainda inseguro resolveu entrar no quarto, deixei-o ir sozinho e após breves minutos ele saiu.

Fernando disse que a família de Omar já não morava mais no México, fiquei triste por ele, nunca tinha pensado em Omar como um homem sozinho, mas era isso que ele era, um homem sozinho, pois ao sairmos do hospital ele tinha ficado sozinho lá, provavelmente acordaria só e não teria ninguém para conversar e expor seus medos e felicidades após o acidente. Pobre Omar - sinceramente eu desejava que isso mudasse o mais breve possível e ele se tornasse menos só, talvez assim ele se tornaria uma pessoa melhor.

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.

 

FERNANDO

 

 

Em um segundo eu estava feliz, enfim era sexta-feira, eu iria para casa e passaria o fim de semana inteiro com as pessoas que eu amava, já tinha feito mil planos para o sábado e dois mil planos para o domingo, seria um fim de semana perfeito. A agonia que me deu ao pisar no freio e ver o carro continuar descendo foi inenarrável, naquele instante eu já sabia que a situação sairia de controle, quando vi Omar próximo ao carro eu buzinei, tentei lhe avisar, mas não deu tempo, simplesmente o carro bateu nele e o deixou preso na parede. Sai do carro desesperado e gritando por ajuda, os seguranças logo vieram e me ajudaram, eles empurram o carro e eu tirei Omar dali e o deitei no chão. Omar estava desmaiado e eu tinha a certeza que tinha o matado, um flash passou em minha cabeça e pude rever Omar e eu crianças, rindo e brincando, como podia a vida ser tão injusta e no momento sermos duas pessoas que se odiavam tanto?

A ambulância chegou e eu fiz questão de ir junto de Omar, ouvi os médicos falando sobre cirurgia e travei, parei de escutar qualquer coisa que fosse, por minha culpa meu melhor amigo iria sofrer uma cirurgia. Fiquei na recepção horas até Leticia chegar, ela me deu apoio e acima de tudo, me ouviu, deixou que eu dividisse minha dor com ela.

A noticia que Omar apenas tinha quebrado uma perna me tranquilizou, porém quando entrei para vê-lo, me senti novamente culpado, meu amigo estava deitado em uma cama de hospital, anestesiado e a culpa era toda minha. Eu queria ter passado a noite lá, ter esperado ele acordar, pedido desculpa e lhe ajudado no que ele precisava, porém naquele momento eu fui egoísta e segui com Leticia para casa. Eu precisava ir para casa, eu precisava  tomar um banho e ficar abraçado a minha mulher e a Sophi. Leticia tinha me contado a agonia que Sophi ficou ao perceber minha demora e depois ao receber a noticia do acidente, sabíamos o que tinha acontecido com seu pai, eu precisava voltar para casa e mostrar para ela que eu estava bem e a história não iria se repetir.

Assim que colocamos o pé dentro de casa Sophia veio correndo e me abraçou, foi um abraço tão forte, tão cheio de emoção. Sem dificuldades eu coloquei ela no colo, ela era pequena e magra, uma criança, melhor, ela era a minha criança.

“Eu pensei que você tinha morrido” Sophi verbalizou o seu pensamento e então começou a chorar “Eu pensei que ia acontecer tudo novamente” Sophia chorava desesperada, Leticia chegou junto de nós, nos abraçou e tentou consolar Sophi, mas a menina não parava de chorar.

“Minha menina, pode chorar que estou aqui com você” Falei. Eu sabia que Sophia não chorava apenas pelo medo do meu acidente, Sophia chorava por tudo, pela morte do pai, pela dor de ter ficado sozinha, por tudo que passou no abrigo e nas ruas e por fim pelo desespero de pensar que sua triste história iria se repetir.

Demorou um bom tempo para Sophia se acalmar e quando fez ela dormiu instantaneamente, ainda em meu colo, fui até o quarto dela e a coloquei na cama. Leticia estava se despedindo de sua mãe e quando eu voltei para sala, minha sogra já tinha ido e apenas Leticia estava na sala, sentada no sofá e com o olhar perdido. Caminhei até ela e sentei ao seu lado.

“Quando eu vi que as horas iam passando, que já estava escurecendo e que você não chegava eu tentei não me desesperar, pensar em motivos normais para seu atraso, então eu comecei a te ligar e te liguei muitas vezes e você não atendeu nenhuma, eu sabia ali que algo estava errado, mas ainda assim tentei pensar positivo, que você tinha talvez ido ao seu apartamento e esqueceu o celular no escritório ou no carro. Quando eu liguei para a empresa e o segurança disse a palavra acidente e hospital, eu já não podia mais tentar me enganar, tive que deixar a realidade vir e assumi que algo grave tinha acontecido. Fernando, eu fiquei com tanto medo de te perder” Quando Leticia começou a falar eu tinha segurado sua mão, agora eu apenas apertava ela mais forte ou talvez fosse Leticia que apertava a minha mais forte “Eu não quero perder você”

A única coisa que me veio na cabeça após as palavras de Leticia foi a aliança, a aliança que estava guardada no fundo do armário e que estava esperando o momento certo para lhe ser entregue. Quando lhe comprei eu imaginei mil planos românticos para pedi Leticia em casamento, eu criaria o momento certo, algo especial e único, mas simplesmente quem disse que o momento certo é algo mecânico? Que tem que ser romântico e criado para ser perfeito. Eu nada disse para Leticia, soltei sua mão e subi quase que correndo, aquele era o momento certo, um momento ao qual ambos estávamos com medo, justamente medo por pensar que iriamos ficar separados. O casamento é algo que une as pessoas e tudo que Leticia e eu queríamos agora era ficar unidos.

Quando regressei a sala eu tinha a caixinha de aliança no bolso e Leticia me olhava como se eu fosse louco, afinal de contas, após sua declaração eu simplesmente tinha fugido. Me aproximei de Leticia e ao invés de sentar ao seu lado eu me agachei a sua frente.

“Quantas e quantas vezes você já me viu sendo um menino mimado? Quantas vezes você já ouviu alguém me chamar de menino mimado? E quantas vezes foi você mesmo que me chamou de menino mimado?” Perguntei de forma retorica, Leticia me olhava confusa, certamente ela tinha a certeza que eu estava louco “A verdade é que eu sempre fui esse menino mimado, mimado e muito dramático, eu achei por muitos anos que a vida girava ao meu redor e odiava quando algo mudava isso. Talvez eu tenha sido injusto com os Villarroel, talvez eu tenha sido injusto com meus pais e não entendido o gesto nobre que eles fizeram” Fiz uma pausa “Eu estou tentando mudar, eu quero ser uma pessoa melhor, quando você foi embora eu percebi o quanto ruim eu era” Respirei fundo “Eu percebi que te perdi por eu ser um homem ruim, alguém a qual você necessitava se manter longe, caso contrário você sofreria. Está longe de você me matou, mas te salvou, você se tornou uma pessoa melhor, não digo isso pela aparência, mas agora você não se sente mais inferior a ninguém, você é decidida, forte, madura ...  você é incrível. Durante o tempo que você ficou longe eu aprendi com a dor a tentar ser alguém melhor, mas ainda era insuficiente, minha vida se acabou e eu não tinha forças para reconstruí-la, ficava o dia todo no trabalho ouvindo ordens do meu pai e depois ia para casa ficar sozinho me martirizando, mas então você voltou e simplesmente ... eu simplesmente não sei explicar o que eu senti. Leticia ...” O tempo todo a gente se olhava e ela ainda não estava entendendo o que estava acontecendo, pudera, eu também só conseguia divagar e estava longe de chegar ao meu objetivo. Afinal, como mesmo se pede alguém em casamento? Eu não fazia ideia, nunca antes estive naquela situação, minhas mãos começaram a tremer “Lety, está ao seu lado me faz ser melhor, eu amo cada dia com você, eu amo acordar de noite e sabe que você está comigo na cama, então eu te abraço e volto a dormi, eu nunca mais tive um pesadelo desde que estamos dormindo juntos. O que eu estou tentando dizer aqui é ...” Me calei “É...” Tentei voltar a falar. Merda, eu não conseguiria fazer aquilo.

“Fernando, você está bem? Você está tremendo, soando e gaguejando” Lety falou e eu tentei dá um sorriso “O que você quer dizer”

“Lety, eu não quero viver sem você”

“Eu também não quero viver sem você” Ela falou com um sorriso.

“Não é isso que eu quero dizer” Falei irritado e ela se assustou. Jesus, será que eu não conseguiria mesmo falar o que eu queria?

“Fernando, você está nervoso, até parece que vai me pedir em casamento” Ela disse e riu, olhei para ela assustado e então vi seu riso morrer “Calma, é isso? Você vai me pedi em casamento?” Agora seu rosto era tão assustado quanto o meu. Eu sabia que era agora ou nunca e o nunca não era uma opção valida, então definitivamente era agora.

“Lety, casa comigo?” Tirei a caixinha do bolso e ela simplesmente ficou muda e petrificada. O Deus, o que tinha saído errado? Ela agora iria me bater? Me empurrar? Correr para o quarto e se trancar? Subi em sua moto e voltar para Nova Iorque? “Fala alguma coisa, por favor” Pedi e ela continuava congelada - Merda. Mil vezes merda – pensei.

A reação de Leticia demorou quase um minuto completo, ela se jogou em meu braços, eu estava ajoelhado e não esperava isso,  nossos corpos caíram ao chão e ela riu, olhei para ela confuso.

“Eu te odeio tanto, Fernando” Leticia segurou meu rosto e me beijou, eu correspondi ao beijo de imediato, sua perna se encaixou no meio da minha e senti seu joelho me pressionar. O beijo foi urgente, as mãos de Leticia entraram por dentro da minha blusa e senti suas unhas arranharem minha barriga.

Entendi a situação. Larguei a caixa com aliança no chão e me virei, deixei Leticia deitada no chão e fiquei por cima dela. Sem sua ajuda tirei minha camisa e abri o cinto da minha calça. Ela me puxou, meu corpo caiu novamente por cima do dela, senti sua língua na minha boca e novamente o beijo veio urgente. O vestido facilitou minha vida, apenas levantei ele ao máximo e nos amamos no tapete da sala, cada gemido que ela dava sua unha arranhava minhas costas. Terminamos exaustos, fiquei deitado ao seu lado, abraçado a ela. Aquilo era um sim? Era um sim, né? Eu não tinha certeza disso.

“Isso é um sim?” Perguntei tímido. Leticia riu e me beijou, correspondi o beijo e senti sua mão fazer carinho em minha bochecha, mas eu ainda estava confuso, afinal aquilo era um sim, certo?

“É um sim, não é?” Tornei a perguntar e ela soltou uma risada sarcástica.

“Preciso usar palavras? Tudo que fizemos nessa sala não foi resposta suficiente?”

“Eu não quero criar uma ilusão” Falei sincero, meu coração gritava que aquilo era mais que um sim, porém minha mente não estava convencida.

“Sim, Fernando, eu aceito casar com você” Foi minha vez de sorrir, simplesmente eu era o homem mais sortudo do mundo.

 

Minha sorte no entanto não foi suficiente e eu errei grosseiramente o tamanho da aliança, ficou extremamente larga no dedo de Leticia.

 

“Não se preocupe com isso, eles apertam” Ela tentou me animar, eu realmente estava triste. Fomos para o quarto e compartilhamos um banho, deitamos na cama exaustos por tudo que aconteceu naquele dia, eu já estava quase dormindo quando Leticia começou com estranhas perguntas.

 

“Fernando, Omar nunca namorou?”

“Não”

“E ele nunca se apaixonou?” Leticia insistia naquele interrogatório sem sentido.

“Definitivamente não, ele foge dessas coisas”

“Ele nunca falou de nenhuma mulher com um interesse a mais? Algo que não fosse apenas por uma noite?” Ok, aquela conversa só ficava mais estranha, me sentei na cama e olhei para Leticia, o quarto estava escuro, mas eu ainda conseguia vê-la com perfeição e ela tinha os olhos abertos e parecia totalmente sem sono.

“Por que essas perguntas?” Perguntei irritado.

“Porque estou com pena dele sozinho no hospital, provavelmente essa hora ele já acordou e está lá sem ninguém” Minha irritação aumentou.

“Se está com tanta pena dele assim, vá lá ficar com ele” Fui grosseiro, mas a raiva dentro de mim era sufocante.

“Não seja grosso”

“Vá lá fazer companhia a ele, ele nunca rejeita uma companhia feminina” Insisti e Leticia explodiu em riso, fiquei mais irritado ainda e simplesmente voltei a deitar e fiquei de costas enquanto ela ria de algo que eu não fazia ideia do que era.

“Você está com ciúmes do Omar” Ela declarou e o mais engraçado é que aquilo fazia sentido, sim, Leticia estava certa, minha raiva era ciúmes e eu estava com ciúmes de Omar “Não seja burro” Ela como sempre delicada – Senti Leticia me abraçar e beijar meu ombro.

“Eu quero que Omar encontre alguém, mas definitivamente eu não estou interessada que esse alguém seja eu, até porque, eu já sou completamente sua” Sua voz era sexy e minha raiva foi totalmente embora, me virei ficando de frente a ela e lhe beijei.

“Não acho que Omar queira uma namorada” Fui sincero, Leticia agora estava deitada com a cabeça em meu peito e eu fazendo carinho em seu cabelo.

“Pense direito Fernando, ele nunca comentou de ninguém? Ninguém mesmo?” Eu tentei me concentrar e com esforço me lembrei de uma conversa.

“Bom, um dia ele me disse que Carolina era uma mulher linda e encantadora, geralmente ele sempre elogiava as mulheres pela aparência e chamava de gostosa, linda e encantadora foi um elogio diferente”

“Ótimo, nos vamos juntar os dois e você vai me ajudar” Eu ri, mas ao notar que apenas eu estava rindo, parei de ri e olhei para Leticia. Será? Ela estava mesmo falando sério?

“Você está brincando, não é?”

“Obvio que não”

 

Revirei os olhos, Leticia era teimosa e eu a conhecia bem, enquanto ela não juntasse Omar e Carolina ela não iria sossegar.  Pobre Carol ... Pobre Omar.



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