História Metamorfose - Capítulo 16


Escrita por: ~

Postado
Categorias A Feia Mais Bela
Personagens Fernando Mendiola, Letícia "Lety" Padilha Solís
Exibições 140
Palavras 2.739
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Universo Alternativo

Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Desculpa não ter postado no fim de semana, espero que gostem do capítulo de hoje.

Capítulo 16 - Uma nova família


FERNANDO

 

Acordei cedo, provavelmente eu não tinha dormido mais do que três horas durante toda a noite, pensei em voltar a dormir, mas senti a cama vazia e a sensação de estar sozinho me causou um incomodo tão grande que me fez levantar imediatamente. Fui ao banheiro escovar os dentes, pentear o cabelo e lavar o rosto. Desci as escadas apenas com a calça do moletom, sem blusa e sem chinelo. A sala estava vazia, mas ouvi vozes vindo do quintal, fui até lá e encontrei Sophi andando em sua bicicleta da Barbie e Taik correndo atrás dela, Sophi estava morrendo de rir, já tinha superado totalmente a noite passada, Leticia estava sentada, com uma xicara do lado e o celular na mão, ela estava tão distraída no celular que nem sequer me viu, Sophi ao contrário dela me viu de imediato e desceu da bicicleta tão rápido que quase caiu, ela literalmente correu até mim e se jogou em meu colo.

“Bom dia, pequena princesa” Beijei sua bochecha.

“Bom dia, grande rei” Ela retribuiu o beijo em minha bochecha. Aquela era a primeira vez que eu lhe chamava de pequena princesa e ela me chamava de grande rei, a primeira de muitas outras, na verdade, a primeira vez de uma vida inteira. Arrastei Sophi comigo e sentei ao lado de Leticia, que ainda estava focada no celular conversando com alguém.

“Devo me preocupar com você vidrada nesse celular?” Dei um beijo na bochecha de Leticia.

“Estou falando com Carolina” Ela me respondeu como se fosse a coisa mais natural do mundo.

“Então eu definitivamente tenho que me preocupar” Ela me olhou e fez uma careta “Nunca é cedo para colocar em prática meus planos”

“Lety” Falei com a voz grave “Você não pode levar a sério seus planos, não podemos interferir na vida dos outros assim”

“Não seja chato, um dia eles irão nos agradecer, vai dizer que não está com pena de Omar sozinho no Hospital?”

“Estou, claro que estou e inclusive daqui a pouco irei para lá”

“Ah, você não vai mesmo” Lety falou decidida e eu fiquei confuso, entendia que ela ainda estava magoa com tudo que Omar lhe fez, mas depois de ontem eu pensei que talvez ela tivesse disposta a lhe perdoar.

“O que aconteceu? Você mesmo disse que está com pena dele sozinho lá, por que não quer que eu o visite? Assim a gente pode conversa ou brigar e ele vai se distrair um pouco”

“Carolina vai visita-lo” Leticia me olhou com um sorriso presunçoso.

“O que você disse a ela? Por Deus, Leticia. Você não pode fazer essas coisas” Eu estava realmente preocupado com aquele plano maluco de Leticia.

“Fazer o que? Eu não fiz nada, apenas contei do acidente, da operação e talvez posso ter dramatizado um pouco mais, falado que ele está lá sozinho e que a família dele não está no pais, mas eu não menti, não é verdade isso?” Ela me perguntou com aquele olhar desafiador.

“É verdade, mas ainda assim ...” Ela não me deixou terminar de falar.

“Ainda assim nada, ela simplesmente perguntou qual era o hospital e disse que vai visita-lo ainda de manhã. Duvida? Pode ler a conversa” Leticia me entregou o celular e eu li a conversa, realmente Carolina tinha se oferecido para a visita, porém Leticia tinha dramatizado tanto que mais parecia que Omar era um órfão tão indefeso quanto Sophia.

“Eu não disse?” Ela me olhava orgulhosa.

“Você acha mesmo que vai consegui juntar esses dois?” Perguntei já com uma pontinha de vontade de ajudar ela, afinal, pensando bem, que mal poderia ter?

“Eu não acho, eu tenho certeza”

.

.

Passamos a manhã no quintal, brincando com Sophia e Taik, Carolina realmente tinha ido visitar Omar, eu estava ansioso para ir vê-lo e me desculpar pelo acidente e por toda a briga e o soco, afinal coloquei a culpa toda nele e fui injusto. Depois do almoço Sophi acabou deitado no sofá e dormindo, fiquei parado na porta com cara de bobo admirando ela. Quem diria que aquele menino de rua era na verdade essa linda princesinha. Voltei à realidade quando senti a mão de Leticia em meu ombro, ainda com um sorriso débil, olhei para Lety.

“Eu acho que estou amando ter Sophi por perto” Confessei a Leticia.

“Eu devo dizer que também estou, o tempo passa tão rápido, Fernando. Logo vai fazer um mês que ela está com a gente” Leticia respirou fundo “E vai também fazer um mês que não tomamos nenhuma atitude, apenas deixamos os dias irem seguindo, estamos agindo tão errados”

“Eu sei, desde o dia com o advogado nunca mais conversamos sobre nada relacionado a Sophia” Respirei fundo “Lety, sobre ontem, o pedido de casamento, eu estava falando sério e quero saber se você também estava falando sério quando disse sim”

“Fernando, quando você se tornou esse homem inseguro?” Fiquei com vontade de dizer que virei um homem inseguro no dia que ela me deixou, mas me calei, acho que ela sabia tanto quanto eu desde quando eu estava assim “Sim, eu falei sério, eu aceito me casar com você, eu te amo, mesmo após tudo eu te amo e cada dia ao seu lado eu esqueço mais o passado e me apego ao presente, está sendo maravilhoso nosso presente” Eu certamente tinha um sorriso tolo no rosto e um brilho nos olhos.

“Eu quero muito mais que um presente, quero um futuro, por isso te pedi em casamento e estou disposto a adotar Sophia, quero saber se você também está disposta a adotar ela, está?”

“Fernando, nós dois adotamos Sophi no dia da chuva, quando trouxemos ela para cá e cuidamos dela, o processo de adoção vai servir só para legalizar o que já está acontecendo, Sophi já é nossa, somos os responsáveis por ela, só precisamos ter um documento que diga isso” Eu poderia amar mais a Lety? Sim, aparentemente sim, a cada minuto eu a amava mais e mais.

“Eu já conversei com seu pai sobre a gente” Falei em um impulso e jamais podia imaginar que a reação de Leticia séria tão péssima quanto foi.

“Você o que?” Ela gritou e eu me assustei, fiz um sinal para ela falar baixo, Sophia dormia a poucos metros da gente.

“Eu fui até seu pai pedi sua mão em casamento”

“Você é louco?” Lety me deu um tapa no braço e além do barulho que fez ainda ardeu bastante “Por que você foi fazer isso? O que meu pai disse? Como ele não te matou? Você só pode está brincando” Leticia falava tudo correndo, não me dava espaço para responder.

“Se acalma mulher” Pedi e ganhei outro tapa. Deus, por que mesmo eu tinha que amar alguém tão brava assim? “Vai, Fernando. Me conta logo”

“Foi logo após a reunião com o advogado, eu decidi que queria casar com você, não só para termos a guarda de Sophi, mas porque eu te amo, Sophi apenas fez acelerar o processo, afinal ...” Lety me cortou.

“Fernando, corta essa parte que eu já sei, para de devagar e me conta como foi a conversa com meu pai” Respirei irritado, oh mulher mais brava.

“Eu fui até a casa de seus pais, contei para ele tudo, bem, quase tudo né e contei sobre Sophi, pedi sua mão em casamento e ele deixou” Ela não queria um resumo? Então era isso que ela iria ter, resumi toda a história em poucas palavras.

“Espera, você está me dizendo que meu pai sabe de Sophi e que sabe da nossa história e deixou a gente casar?” Leticia estava claramente confusa e assustada.

 

LETICIA

 

Fernando só poderia está blefando, ele não podia está falando sério, como assim ele tinha ido falar com meu pai? Como meu pai tinha permitido que eu, sua única filha, se casasse? E o principal, como assim meu pai sabia sobre Sophi?

Aos poucos tudo foi fazendo sentido, por isso meu pai não implicou com minha mãe ficando todos os dias aqui em casa, ele sabia de Sophi e sabia exatamente o que minha mãe estava fazendo aqui. Instantaneamente outra coisa me veio a cabeça, minha mãe sabia que Fernando tinha conversado com meu pai e não tinha me dito nada, ela certamente sabia dos planos de casamento dele e nada disse. Realmente minha mãe iria ouvir um monte de reclamações, afinal ela é minha mãe, tinha que ter me contado sobre tudo.

“Você está brava comigo?” Fernando perguntou e eu só tive vontade de abraça-lo, esse jeito inseguro dele tinha o deixado mil vezes mais apaixonante, como eu poderia ficar brava com ele? Não quando ele faz essa carinha fofa.

“Brava não, surpresa apenas”

“Eu realmente planejei tudo, eu sei que não deveria fazer planos para você e não te consultar, mas quando eu vi, já estava tudo planejado na minha cabeça e eu só fui executando”

“Será que posso ao menos saber qual é o próximo passo? Quero dizer, quais são todos esses planos?” Perguntei curiosa, afinal eram planos que me incluíam e desenharia meu futuro.

“Eu pensei que por agora poderíamos casar apenas no Civil, casaríamos no cartório e daríamos entrada no processo de adoção de Sophi, ganharíamos tempo para depois planejarmos um casamento na Igreja, com festa e tudo que você tem de direito” Sim, como toda a mulher eu sempre tive o sonho de casar na Igreja e sabia que isso iria requerer tempo e planejamento, Fernando estava certo, teríamos que casar antes no Civil, se não iriamos acabar postergando mais a questão de Sophi.

“Eu acho que por enquanto a gente continua morando aqui, eu gosto dessa casa, parece que foi feita para a gente. Tem espaço para o Taik, para Sophi e para sermos uma família” Ele disse.

Família. Uau, aquela palavra pesou em mim. Até então quando eu pensava em família sempre me vinha na cabeça apenas meus pais e eu, nada além, mas Fernando estava certo, a partir daqueles passos minha família iria aumentar, definitivamente Sophi e ele entrariam nesse grupo. Eu realmente não sei se estava pronta para fazer deles minha família, mas pensando rapidamente, a verdade é que o destino já tinha se encarregado disso, Fernando estava certo, já estávamos vivendo como família, só faltava oficializar tudo e eu me acostumar com isso.

“Eu acho que isso tudo é informação demais” Confessei

“Eu entendo, eu acho que sempre quis tanto ter uma família que estou ansioso demais para tudo isso se regulamentar”

Sophia acordou e nem sequer notamos, ela veio correndo até junto de nós dois e sem se preocupar em ponderar ou ser discreta, deixou claro que estava ouvindo a conversa desde o inicio e tinha entendido tudo. Com toda certeza meu grito ao saber que Fernando tinha conversado com meu pai tinha acordado a menina.

“Eu ouvi tudo” Sophi disse e sorria de forma presunçosa, ela estava começando a ficar tão parecida comigo.

“Tudo o que?” Fernando indagou afim de se certificar do quanto ela tinha ouvido e do quanto tinha entendido.

“Eu ouvi que vocês vão casar, mas eu pensei que vocês já eram casados, vocês moram juntos” Como explicar a Sophi que não morávamos juntos sendo que Fernando dormia aqui todas as noites desde que ela veio? Não tinha explicação.

“Coisas de adulto, Sophi. E você não deveria ouvir conversas de adulto” Fernando tentou brigar, mas ele era muito trouxa por Sophi, não conseguia brigar com ela, sua voz sempre saia doce.

“Desculpa, tio” Ela sorriu e lá estava ele sorrindo para ela “Tio, vocês vão me adotar mesmo? Eu vou morar aqui para sempre? Não vou mais precisar ir para um abrigo ou para as ruas?” Meu coração quebrou com as dúvidas dela, Sophia demonstrou que apesar dela está vivendo aqui e curtindo seus dias com a gente, ela ainda acreditava naquela história que uma hora iriamos cansar e colocá-la na rua.

“Sophi, nos queremos adotar você e você vai viver para sempre com a gente, sem mais rua e sem mais abrigo” Falei e agora o sorriso dela tinha sido direcionado a mim. Me senti a pessoa mais feliz do mundo ao vê-la sorri e saber que eu era parte do motivo de seu sorriso, o abraço apertado que ela me deu me fez quase chorar, Sophia era pequena, sua altura era um pouco além da minha cintura, lhe abracei e Fernando se juntou a gente no abraço, deixando Sophi no meio de nós dois. Sim, ele estava certo, nos éramos uma família.

.

.

FERNANDO

 

Já era quase dezesseis horas, eu precisava visitar Omar, precisava saber o quão magoado comigo ele estava e se ele iria me perdoa pelo acidente e pela nossa briga. Deixei Leticia indo para um passeio no parque com Sophi e Taik e fui para o Hospital ver meu amigo. Sophi estava radiante com a noticia da adoção e parte de mim ficou triste por não ir ao parque com elas.

 

Entrei no quarto de Omar e foi nítida a surpresa dele quando me viu, eu entrei calado, fechei a porta e me aproximei dele, eu não tinha a coragem de falar nada, tinha tanto para falar, porém eu sabia que eu estava errado em tudo e estava tímido demais. para iniciar qualquer conversa. Por minha culpa ele estava deitado na cama de hospital com um pé engessado e recém saído de uma cirurgia.

“Você veio para ficar me admirando ou vai falar alguma coisa?” Foi Omar que teve a iniciativa de falar primeiro, seu comentário irônico já demonstrava a raiva que ele estava de mim.

“Eu vim para conversar, só não sei por onde começar” Fui sincero.

“Acho que é covardia me dá um soco como na nossa última conversa”

“Eu sei que fui covarde, você está certo, eu não tinha aquele direito de ter socado você. Eu preferi jogar a culpa toda em ti e assim eu me puni menos pelos meus erros. Eu fui covarde, você errou tanto quanto eu e eu tanto quanto você, na verdade, eu fui pior, você elaborou o plano e eu quem fui o fraco e mau caráter que executou tudo. Eu estou aqui para te pedi desculpa, fui injusto” Dessa vez foi Omar que ficou calado, eu já estava começando a ficar nervoso com seu silencio, já deveria está beirando quase dois minutos que eu pedi desculpa e ele nada falava.

“Você é meu melhor amigo” Foi tudo o que ele disse.

“Você é meu melhor amigo também” Respondi.

“Venha até aqui para eu te dá um soco” Omar falou e eu o olhei assustado.

“Você está falando sério?” Ele riu.

“Claro que não, depois eu que sou o burro, só venha até aqui que eu quero ir no banheiro e preciso de ajuda para levantar” Me aproximei receoso, talvez ele fosse mesmo me dá um soco, ele até brincou que me bateria, mas acabou rindo e realmente me usou como apoio para se levantar e foi até o banheiro.

Fiquei conversando com Omar por uma hora inteira e nem sequer vi o tempo passar, era bom estar com meu melhor amigo, ele realmente parecia não me culpar pelo acidente, entendeu que foi problema no freio e também tinha me desculpado por termos brigado e eu lhe agredido. Nossa conversa fluiu normal, a enfermeira veio dá o remédio para ele e anunciou que já era dezoito horas, me assustei, já era tarde, provavelmente Leticia já estava em casa há muito tempo.

“Eu tenho que ir amigo” Me levantei apressado da poltrona ao lado da cama.

“Por quê? Vai dizer que a cinderela tem que chegar a casa antes de anoitecer?” Dei um tapa brincalhão em Omar pela sua zoação, incrivelmente tínhamos conseguido voltar a sermos como antes. A verdade é que nós, homens, sempre encaramos a vida de forma simples.

“Apenas está ficando tarde”

“Quem olha pensa que você tem mulher e filhos te esperando, fala sério Fernando, para que tanta pressa para ficar sozinho em seu apartamento?”

“E quem disse que vou para meu apartamento ficar sozinho?” Sem deixar Omar questionar mais nada, sai do quarto quase correndo, eu sabia que ele ficaria com mil dúvidas e não sabia ainda se era o momento para lhe contar tudo.

 Omar realmente estava errado, afinal eu tinha uma mulher e uma filha me esperando e não podia contar os minutos para ir para casa e ficar com elas, ficar com a minha família.



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