História Metamorfose - Capítulo 19


Escrita por: ~

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Categorias Shawn Mendes
Personagens Shawn Mendes
Tags Fanfic, Romance, Shawn, Shawnmendes
Visualizações 19
Palavras 3.028
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Escolar, Ficção, Romance e Novela
Avisos: Álcool, Drogas, Heterossexualidade, Insinuação de sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Desculpem a demora! Final de ano, ENEM, recs... E além disso meu computador quebrou. Eu sinto muito.

Capítulo 19 - Finifugal


Finifugal – Adjetivo. Palavra de origem inglesa. “Odiar finais; Alguém que tenta evitar ou prolongar o momento final de uma história, relacionamento, ou outra coisa.”

 

28 de março de 2016, Segunda-feira, Oxford, Inglaterra.

As mensagens da Polícia iam e vinham da casa de Avery pelos correios. Ela os carregava pela escola e sempre os lia mais de uma vez. A cada nova pista de onde Logan estava, ela parecia mais feliz, realizava as atividades muito melhor e começou a pensar em que curso queria fazer na faculdade: Biomedicina era o melhor palpite. Ia ao Laboratório de Ciências sempre, estudava mais, mantinha o foco.

Enquanto eu guardava minhas apostilas no armário, ela lia pra mim parte de um artigo cientifico que havia saído sobre uma nova tabela periódica em uma forma muito diferente, mas que seria muito melhor de ser usada.

- O que eu estou dizendo é que o cérebro lida muito melhor com curvas do que com linhas, usar essa tabela seria o máximo! – Ela estava muito entusiasmada. Eu havia lido aquela informação a algum tempo atrás e concordei. – Conversei com o autor desse modelo e ele concordou em enviar cópias para serem distribuídas na escola.

- Isso é muito legal, Ave! – Eu estava muito feliz por ela.

- Mudando completamente de assunto – divagou ela, parecendo se acalmar um pouco. – O jantar do Rick amanhã, está tudo pronto. Obrigada por ter ajudado.

- Ele é meu melhor amigo assim como o Darren, que mais eu poderia fazer por ele?

Avery sorriu. O sinal tocou e logo ela teve que se apressar para a aula de Inglês e eu para a de Literatura. Encontrei Darren quando cheguei ao final do corredor, perto da sala de Hermann.

- Melhor? – Perguntou posicionando uma mão no meu ombro. Caminhamos até o primeiro lance de escadas.

- A Avery que está escondendo a dor muito bem, mas, pra ser sincera, eu estou bem menos triste do que pensei que fosse estar – respondi muito rápido enquanto pulava dois degraus por vez. Até cheguei a me assustar com o quão sincera eu tinha sido sem a menor dificuldade.

Darren se convenceu muito rápido do que eu disse e decidi ser mais honesta com as pessoas que eu me importava. Isso me remetia ao fato de eu ter que contar aos meus tios sobre Amy. O que também me lembrava da própria Amy e de Hermann. Chegamos ao primeiro andar e fomos para a aula de Literatura, onde outro professor nos esperava.

- Será que temos outra mudança? – Questionou Darren.

Nos sentamos nos nossos lugares no meio da sala e esperamos a aula começar. Samantha, a garota que dera a festa em que eu quase tive uma convulsão, tinha aulas de Literatura e Biologia conosco. Era engraçado olhar para ela e só conseguir lembrar dela gritando e dançando sobre as mesas.

 O novo professor se chamava Aaron Bradley e não tinha mais de 30 anos. Ele estava ali para substituir o nosso antigo professor, que já estava ali para substituir outra professora que não dava aulas pra nós. Uma bagunça. 

Foi uma boa aula, porém, eu tinha alguns dias de atraso para retomar por conta da viagem e precisava passar mais algumas horas na escola para isso.

- Você viu o Shawn? – Perguntei em um baixo tom de voz para Darren quando o professor nos mandou escrever numa folha nossas matérias e livros preferidos em Literatura.

- Não, mas ele não disse pra ninguém se vinha – respondeu. Darren começou a rabiscar com sua caligrafia torta no papel o nome de alguns livros bizarros e outros de culinária.

Enquanto eu escrevia “Os miseráveis” de Victor Hugo no papel, o professor caminhava entre as fileiras e eu só conseguia pensar em como Shawn estava distante, mas quando aparecia, grudava em mim como chiclete. O que será que ele estava escondendo? Ele provavelmente estava planejando algo importante e secreto e eu não tinha a mínima noção do que poderia ser. Também demorava para responder minhas mensagens e me dava respostas curtas.

Duas aulas se arrastaram antes do intervalo e tentei focar o máximo possível. A aula de Matemática e a de Produção Textual foram interessantes, mas eu não conseguia prestar atenção por muito tempo. Quando o sinal tocou, disparei para fora da sala e entrei numa sala vazia. Contentei-me com uma maçã como lanche para poder conseguir conversar com Shawn. Eu precisava ouvir a voz dele, mesmo que não soubesse o que responder. Disquei o número dele rapidamente e ele logo atendeu.

- Oi – disse uma voz distante e pesada do outro lado da linha.

- Você está bem? – Nenhuma resposta veio. Por um momento pensei que ele estivesse chorando, então escutei o barulho de um vidro sendo jogado contra a parede. – Ah meu Deus. Por favor, me deixe ir ver você.

- Não sei se é uma boa ideia – ele estava longe do telefone. Eu odiava admitir que sentia medo e não podia demonstrar isso. – Também não sei se consigo ir até a festa do Rick amanhã. Eu sinto muito, Claire.

- Então você não quer me ver? – Minha voz falhou um pouco.

- Eu não disse isso – ele se acalmou.

-  Então me deixe ir até você – implorei.

- Tudo bem – agora ele estava mais perto do telefone. – Eu amo você, Clarice.

Um pouco surpresa, pensei no que dizer, mas ele aparentemente cansou de esperar, pois logo desligou o telefone.

Fui até o final do corredor. Bati levemente na porta de Hermann e ouvi ele pedindo que eu entrasse.

- Eu sabia que uma hora você viria, então tenho preparado chá de camomila a semana toda – informou-me e logo me entregou uma xícara de chá. Sem saber se seria uma coisa certa a se fazer, não resisti a vontade de abraça-lo, então simplesmente o fiz.

Hermann pareceu um pouco surpreso, mas logo retribuiu o abraço. Um disco da Billie Holiday tocava no canto da sala. Sentamos nas poltronas e Hermann bebericou seu chá.

- Então você foi à Paris e perdeu uma semana de aula.

- Apenas quatro dias, e estou recuperando o tempo perdido – informei-o com um tom humorado. A voz de Hermann estava um pouco mais falha e me perguntei se ele não estava envelhecendo mais rápido.

- E gostou da nova casa? – Perguntou inocentemente.

- Então você continua conversando com a Amy – constatei e ele concordou. – Sim, gostei. Parece um lar agora.

Passamos apenas cinco minutos conversando, pois logo o sinal bateu e eu tinha que correr para aula de Sociologia. Despedi-me de Hermann e corri escadas acima novamente, encontrando Darren sentado numa cadeira perto da parede com um dos braços virado para trás, aparentemente guardando um lugar para mim. Agradeci-o, sentei no meu lugar e divaguei as duas aulas seguintes. Felizmente era uma matéria completamente fácil para mim.

O som estridente do sinal ecoou pelos corredores e me levantei num pulo. Beijei a bochecha de Darren e disparei porta afora com a mochila pendendo no ombro esquerdo. Acenei para Hermann no portão e fui em direção à rua St. Margaret. Levei cerca de sete minutos para chegar à casa dos Mendes.

Karen abriu a porta antes mesmo que eu apertasse a campainha.

- Eu vi você chegando, querida. Eu esperava que você viesse. – Ela disse e envolveu seus braços ao meu redor. – Ele precisa de você e você precisa ouvi-lo.

Karen segurou meus braços e olhou nos meus olhos por alguns segundos, então sorriu e deixou a sala. Eu estava confusa e não sabia o que esperar e, mesmo assim, com as minhas mãos tremendo no corrimão, eu subi as escadas. Estava começando a perguntar à mim mesma onde Shawn estaria, mas logo ouvi o som do piano vindo do final do corredor, do quarto que sempre estava com a porta fechada e que mal era notado.

Era a última porta do lado esquerdo do corredor. Shawn estava sentado à frente do piano, no centro da sala. Havia vários quadros recostados na parede e além disso, a sala parecia quase vazia. Shawn não estava tocando piano, ele estava o destruindo, movendo o corpo para um lado e para o outro enquanto martelava as teclas e algo como Tchaikovsky rodeava a sala.

Por vários minutos eu fiquei recostada à porta, observando-o. Temi o que aconteceria em seguida e me odiei por me sentir tão insignificante. Mas ao mesmo tempo eu ansiava escutá-lo, tocá-lo, dizer que tudo ia ficar bem. Andei em sua direção e sentei ao seu lado no banco. Shawn se assustou com a minha chegada súbita e pareceu fora de si até que eu sussurrasse seu nome, chamando-o de volta de onde quer que eles estivesse. Então ele me abraçou e eu pude sentir seu coração batendo, sua respiração na minha nuca, suas mãos nos meus ombros e o quão desesperado ele estava. Quando Shawn me soltou e ele segurou meu rosto e apoiei minhas mãos sobre as dele.

- Eu amo você – ele disse com raiva e medo numa forma inesperada. – Não estou te dizendo para sentir o mesmo. Por favor, não ache que estou te pressionando. Mas eu te amo. Independentemente do que vai acontecer, indiferente do que eu sou ou quem você é. Talvez eu seja muito novo, mas eu não sou estúpido, e eu posso te assegurar disso. Eu te amo.

- Me diga – pedi. – Me diga o que está acontecendo.

Ele tirou as mãos do meu rosto e segurou as minhas.

- Prometa que vai ficar triste, mas não brava. Por favor tente entender.

- Claro – ele estava tão confuso e triste que eu me senti obrigada de assegurá-lo da minha compaixão.

Nós estávamos virados de frente um para o outro. Eu podia ver o quão doloroso estava sendo para ele. Os olhos dele procuravam qualquer vestígio de medo ou lágrimas no meu rosto, mas eu estava estranhamente calma.

- Meu pai conseguiu um emprego no Canadá. Ele ia para lá sozinho e voltar todos os finais de semana, porque ele achava melhor assim e minha mãe havia concordado. Mas então ele achou que não ia compensar e começou a brigar conosco porque achava que todos deviam ir. Eu fiquei muito triste e confuso, quer dizer, eu amo minha cidade, mas você está aqui e não em Toronto. Além disso, minha mãe acha que estamos bem com esse salário, com essa casa... Não precisamos mudar.

- Quando foi que você descobriu? – Perguntei. Eu não o olhava nos olhos e estava confusa demais, porém não estava triste, nem brava.

- Dois meses.

- E porque você não me contou?

- Eu pensei que estava tudo bem até meu pai mudar de ideia e começar a brigar comigo e falar merda de você. Ele me ofereceu algo pensando que isso substituiria minha felicidade com você.

- E que oferta seria essa?

- Assinar contrato com uma gravadora para gravar meu álbum.

Por um momento eu mal pude acreditar no que estava ouvindo ou falar. Eu não podia aceitar aquilo. Me sentindo culpada, levantei do banco e virei as costas para Shawn. Ouvi-o me chamando e se levantando também.

- Shawn eu não posso deixar você fazer isso – virei para ele, mas não conseguia olhar nos seus olhos. – Brigar com seu pai, desistir de uma chance dessas por conta de uma garota problemática que está te segurando!

- Você não está me segurando!

- Então vá! Sua vida vai ser muito melhor sem mim.

- Não diga isso.

- Mas é verdade! Você ficou do meu lado, você me amou... E o que eu tenho feito? Tudo que eu fiz foi sobreviver e isso não significa nada pra você, ou pelo menos não deveria.

- Você não me ama.

- Claro que eu amo! Essa é uma suposição ridícula baseada na minha necessidade de te proteger!

- Me proteger? Do que? – O sarcasmo e a raiva na voz dele estavam aparentes agora. O rosto dele estava escarlate.

- De mim, de perder a sua família, mas especialmente de se arrepender. Nós dois sabemos que somos apenas adolescentes e vai chegar um dia que você vai se cansar de mim.

- Eu nunca vou ficar cansado de você! – Gritou mais alto do que antes.

- Como você pode ter certeza disso?

Houve um minuto de silêncio. Minhas mãos estavam posicionadas na minha cintura, assim como as de Shawn. Eu virei para a janela e senti lágrimas pesadas e quentes caindo no meu rosto como cortinas. Eu me senti mal não porque ele estava indo embora, mas sim porque eu era a razão de sua dor.

- Quando você vai embora? – Questionei me virando de volta para ele.

- Em um mês – ele respondeu, parecendo mais calmo. Seu olhar estava perdido em algum lugar na sala. Eu me aproximei dele. – Mas eu posso conseguir mais tempo.

- Não podemos adiar isso pra sempre. Não podemos escapar do fim. Por favor, vá com a sua família. Obedeça seu pai. Mas por agora... Vamos aproveitar. Você só precisa saber que eu amo você.

Sem mais nenhuma palavra, eu o beijei. Senti que estávamos lá por horas seguidas, apenas trocando nossas mãos de lugares, sentindo o vento que batia da janela e eu mal podia sentir meus lábios.

- O nós vamos fazer quando eu for embora?

- É muito óbvio, não é?

Era óbvio que nós nunca mais nos veríamos, que, a partir do momento que ele colocasse os pés dele para fora da Inglaterra nós não estaríamos mais juntos. Com o pensamento dele vivendo sua própria vida longe de mim, outra lágrima escorreu pela minha bochecha e ele a secou rapidamente e me beijou de novo.

- Me diga quando você quiser que eu pare – ele disse gentilmente e eu concordei.

Ele só parou quando nós estávamos no quarto dele, em frente à cama, e eu estava sem folego, com ele à minha frente sem camisa. Levei alguns segundos para perceber que eu havia tirado sua camisa e que nós havíamos saído da outra sala. Ele notou que eu estava dando passos para trás e colocou sua camiseta novamente.

- Me desculpe – ele pediu e andou até mim.

- A culpa foi minha por não ter dito nada – disse calmamente. Ele pareceu assustado de me induzir a algo que não poderíamos desfazer depois.

As horas seguintes passaram como um borrão. Nós tomamos chá, conversamos sobre tudo que se pode imaginar, e depois voltamos para o quarto. Lembro-me de ter sentado para mexer no celular e chamar por Shawn, mas ele havia dormido. Cobri-o com um cobertor e fui até a janela para fechar as cortinas, mas acabei me demorando ao observar a rua e esqueci o estava fazendo ali. As cortinas continuaram abertas, tempo suficiente para que eu vesse o céu escurecer.

Quando voltei até a cama, Shawn ainda dormia. Fui até a escrivaninha dele e havia vários papeis e livros da escola entreabertos. Sentei-me na cadeira e comecei a revirar as coisas sobre a mesa. Ele havia feito todas as atividades da semana, além de algumas extras. No final da pilha de tarefas havia um pequeno caderno de capa de couro preto. Senti uma imensa curiosidade para abrir e pensei se ele se importaria em me mostrar. Folheei as páginas rapidamente e vi “ALTM” escrito como título e a letra de A Little Too Much embaixo. Logo em seguida, “TIWIT” com a letra de This Is What It Takes.

Virei a cabeça para trás para checar se Shawn ainda dormia e ao conferir que sim, continuei folheando as páginas. Havia vários parágrafos escritos de forma desconexa e algumas coisas terminadas. As que já haviam sido escritas por completo, eu decidi não ler. Me sentindo terrivelmente mal, tirei foto das partes soltas e salvei no meu bloco de notas. Peguei um papel limpo, uma caneta, e comecei a escrever, tendo como suporte algumas estrofes do caderno de Shawn.

“Just know it takes it from me

To end this Darling”

 

“And I know you'll find someone who
Gives you the time I didn't give to you
I'm running low
I'm sorry that you have to go
And maybe I will never feel
You gave me something so real
I'm running low
I'm sorry, but I have to go

 

Thinking back to every night
That we just laid there for a while
And when I looked into your eyes
I never thought I'd say goodbye

 

Escrevi Running Low como título. Imaginei como seria quando Shawn recebesse aqueles trechos: se me odiaria por mexer em suas coisas e se os usaria em suas músicas. Tentei ser o mais sincera possível. Tentei escrever tão bem como ele. Fui para uma página em que ele havia escrito “Act Like You Love Me”. Ao ler o título imagino se ele realmente quis dizer aquilo, se achava que eu não o amava e queria que eu fingisse. Mas eu nunca poderia culpa-lo por se sentir daquele jeito.

Utilizei o que ele já havia escrito como refrão e escrevi mais duas estrofes. Shawn já havia escrito diversos versos, mas nenhum deles pareceu funcionar, restando apenas uma estrofe.  

So you leave tomorrow
Just sleep the night
I promise I will, make things right
I'll make you breakfast, the way you like
Before you leave tomorrow
Just let me try

Just one more night
Lying in bed
Whether it's wrong or right
Just gotta make sense of it
And you'll be gone in the morning
And you'll be over this
Just one more night, so I can forget

 

Fiquei sentada em silêncio por longos segundos apenas observando tudo ao meu redor. As paredes, as prateleiras, a colcha. Em pouco tempo a cada seria colocada à venda e todas aquelas coisas seriam tiradas dali. As réplicas das varinhas do Harry Potter vão ser levadas para um quarto diferente no Canadá.

Levantei-me e deitei na cama. Adormeci encarando Shawn e desejando que ele encontrasse alguém mais legal que eu no Canadá. Quis que ele encontrasse alguém que ele amasse mais e passasse a vida inteira com ela. E ao mesmo tempo que isso era tudo que eu queria, era tudo que eu mais temia. Amei-o cada vez mais conforme minhas pálpebras eram vencidas pelo cansaço. 



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