História Metamorfose Contrária - Capítulo 12


Escrita por: ~

Postado
Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens J-hope, Jimin, Jin, Jungkook, Personagens Originais, Suga
Tags Bipolaridade, Jikook, Kookmin, Yoonmin, Yoonseok
Exibições 294
Palavras 5.451
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Drama (Tragédia), Fluffy, Lemon, Romance e Novela, Universo Alternativo, Yaoi
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 12 - Não faça marcas


Fanfic / Fanfiction Metamorfose Contrária - Capítulo 12 - Não faça marcas

 

 

*

D 31

 

O sol entrava forte pela janela e cada canto do quarto pequeno era coberto de brilho. Mesmo que Jeongguk tivesse despertado algumas horas antes, só abriu os olhos naquele momento – seus contrastes despertos não superavam a vontade imensa de continuar mole. Estava enrolado nos cobertores dele, na cama dele, vestindo as roupas dele e ganhando todo seu calor num abraço que durou a noite toda.

Se mexeu para o outro lado da cama, colocando-se de barriga pro teto e descobrindo que não era o único atordoado por frio no estômago, sorrisos inconscientes e coração acelerado. Jimin estava do mesmo jeito, na mesma posição, como se tivesse muito mais pra ver naquele telhado feio. Os olhos inchados de Jimin – que ficavam ainda menores quando ele acordava – eram captados pelos filetes de luz saindo de trás da cortina. Jeongguk acompanhava seus detalhes simples, requirindo que cada um fosse lembrado da maneira que só ele sabia fazer.

Poderia ser que trinta e um dias atrás ele tivesse pensado, de um jeito breve, que Jimin era alguém bom pra se guardar e se ter de objetivo. Ele teve uma impressão – mínima – de que o desencontro banal no dia um teria bem mais pra contar do que aquele diálogo horrível. Entretanto, agora, seus passos com um garoto de cabelo estranho e um sorriso grande demais era mais uma das histórias que Jeongguk olhava não tendo a mínima ideia do final, mal tinha ideia se seriam os mesmos dali a vinte anos ou dali a dois minutos.

De qualquer forma, não havia motivo pra pensar no que viria e no que iria embora quando ele tinha Jimin tão leve, compartilhando uma casa silenciosa.

É, ele estava mesmo virando um cara estranho. Tinha começado a tratar memórias e expectativas da mesma maneira, e já que não sabia o motivo certo pra tanta mudança, definiu que tudo se resumia à sua vontade de gritar para Park dar mais beijos na sua boca, enquanto Jeon jura mais vezes que está amando.

Por experiência própria, Jeongguk julgava que a paixão meio que cutucava as pessoas e as modificava. Transformava todos num bando de experimentos mal sucedidos, fazendo com que viver deixasse de ser algo fatal. 

Já o amor era a realidade. Era achar estranho o jeito em que os olhos de Jimin diziam tão pouco sobre o tudo que ele era. Era perceber que a voz dele não era só uma maneira do seu corpo pedir, dizer, mandar – a voz de Jimin era uma música eterna que soava sem ninguém ter apertado o play e sem ninguém saber quando terminava. Amor era o abraço que ele dava, consertando até a rachadura mais profunda no concreto ímpeto de Jeongguk. Era saber que nunca seria capaz de encontrar alguém como ele, mas não se sentia triste por isso. Se sentia grato.

Pensaria nele quando os outros falassem coisas aleatórias achando que sabem o que o amor é. Então se perguntaria que diabos está fazendo da própria vida, para no fim admitir que ninguém pode explicar o que esse sentimento realmente significa, até, enfim, sentir.

Como o dia que trouxe o garoto de muitos remédios e poucas palavras tinha feito tudo aquilo? 

– Jimin. – chamou, sem desviar os olhos pra o mais velho ou mudar de posição. 

– Oi.  – Foi respondido do mesmo jeito.

– Eu ainda consigo sentir as suas mãos no meu corpo. – Os olhos de Jeongguk pareciam inexpressivos, ao mesmo tempo em que continuava evitando olhar seu garoto nos olhos. – Eu consigo sentir tudo o que você me fez.

Jimin entrelaçou suas mãos na cama. Ficaram parados daquele jeito até o ruivo dar o próximo passo de coragem. Subiu em Jeongguk, segurando o rosto dele num beijo de bom dia. Tinha muito ali: muitos estalos, muitos apertos um no outro – que eram distribuídos mesmo por cima das roupas –, muitos movimentos pra duas aberturas tão pequenas quanto suas bocas recém despertas. Mas era bom, era incrível. Jeongguk tratava de retribuí-lo roubando sua respiração, sua saliva e suas palavras. Por um momento tudo o que precisava era tê-lo de volta. Mal conseguiu finalizar aquele tremendo beijo, pois criou um Jimin completamente sem fôlego, que levantava e abaixava os ombros com necessidade. Jimin olhava para o garoto abaixo dele e sorria inclinado, mordendo o próprio lábio como se também continuasse sentindo Jeongguk ali, puxando e chupando, mordendo e invadindo. 

– Eu te amo também. – Falou, quando sua respiração voltou ao normal. Contou aquilo de olhos fechados, bem baixinho, em forma de segredo. – Eu te amo muito, muito, muito, Jeongguk.

 

*
 

– Tudo bem. Aham. Ok. – Jimin falava no telefone, preso numa conversa muito insistente de Mindae. Jeongguk e ele estavam sentados no último degrau da escada. Quando a mãe do mais velho ligou, Jimin estava dizendo que tinha contado cada uma das pintinhas ao longo do corpo de Jeongguk na noite anterior. Foi terrível fazer o moreno controlar o tom das risadas para que a mulher não percebesse nada de estranho.

Pelo o que Jeon entendia atrás das várias afirmativas curtas e impacientes de Jimin para a moça – aham, sim, beleza, tudo bem –, Mindae ia demorar mais um pouco pra voltar porque não fazia ideia de onde o marido estava, e se o mesmo não aparecesse ela iria de ônibus. Jeongguk ficou um pouco preocupado, mas Park riu e contou que aquilo acontecia sempre. 

Mindae era um tipo de mãe que Jeongguk não tinha conhecido, não de perto. Apesar da carapuça irritada que a mulher vestia na maior parte do tempo, Jimin dizia que ela conseguia ser compreensiva quando queria. Mas no minuto em questão ela só agia como se Jimin fosse um filhotinho de cão e precisasse ser protegido à todo custo.

– Sim, eu sei que são dez e vinte da manhã agora. Eu não tava esquecendo...  – Revirou os olhos. Jeongguk sorria com os lábios crispados, acariciando os dedos dele. Mindae finalmente desligou depois de quinhentas outras instruções do que fazer durante o dia, mesmo que ela provavelmente fosse chegar antes do almoço.

Jimin encostou a cabeça no sustento da escada, frustrado. Jeongguk deixou um selinho nas costas da sua mão destra. 

– O que ela disse? – Perguntou. O mais velho se levantou da escada e o puxou consigo. 

– Ela tentou me lembrar de comer alguma coisa – Abriu as janelas da cozinha e o resto do sobrado se transformou num abrigo de luz. – Tenho alguns comprimidos pra tomar às onze e ela me mata se eu fizer isso de estômago vazio. – Jeongguk lembrava-se da cena melancólica de um Park Jimin ingerindo remédios calmamente no dia três, mas nunca se perguntou quantas das pílulas tomava por dia, ou se esquecia de alguma, ou como era a sensação de marcar horários específicos, cada um pra determinada medicação.

O mais velho foi até a geladeira, pegando leite, alguns temperos, o arroz do jantar e ovos em conserva. Preparou um copo médio com o leite e revirou algumas tigelas planejando fazer uma salada de ovos. Jeongguk ofereceu ajuda porque era meio desconfortável apenas observar enquanto ele tratava de fazer tudo, mas depois Jimin interrompeu sua bagunça na cozinha pra se aproximar dele – e com um beijo nos seus lábios dizer obrigado, mas não precisa – o moreno puxou uma cadeira e o esperou acabar.

Jimin combinava com todas as cores quentes que tomavam o sobrado colorido. Era impossível negar que aquele ambiente era sua casa. Jeongguk ficou ali, olhando os talheres e pratos espalhados pela pia, a adorável imagem do corpo do menor trabalhando com descaso – porque não estava com fome, só obedecia as ordens pra não contrariar a mãe. Jimin começou uma conversa super aleatória sobre o quanto sua comida era ruim e o quanto detestava improvisar tudo aquilo. Jeongguk ria, caçoando das habilidades dele como sempre, irritando o garoto à ponto de ele ter que se virar ameaçando fazer Jeongguk comer toda aquela bagunça ruim junto com ele.

Jeon percebeu que gostava do som das suas risadas unidas. Foi só reparar naquilo pra começar sua série de observações passageiras.

Jimin vestia uma bermuda qualquer e uma blusa que vinha o intrigando desde a noite anterior. Reparava tanto nele, a ponto de saber que aquela peça era nova no seu guarda roupa, e que o mais velho nunca tinha a usado até então. Era uma regata longa, num tom roxo acinzentado, o cobria até um pouco abaixo do quadril e tinha alças cavadas na região dos braços.

Irresistíveis alças cavadas, que deixavam mais de Jimin exposto. Foi impossível não reparar.

Jeongguk não estava inventando ou romantizando suas sensações quando disse que ainda sentia as mãos dele no seu corpo. Era uma verdade tremenda, ele nem precisava fechar os olhos pra perceber. Esse sentimento apenas continuava lá, como uma presença cautelosa que aparecia através de arrepios mansos, dentro de pouco já ressaltava os toques nítidos em si.

De sobressalto, quando o mais velho ainda estava falando, Jeongguk se desprendeu totalmente do foco do assunto – o que quase nunca acontecia – e quis tentar algo novo. Se levantou da cadeira e andou até da pia em passos lentos. Jimin tinha acabado de fazer seu café da manhã. Lavou as mãos e as secou no pano, mas quando estava prestes a levar o prato para a mesa, foi surpreendido pela movimentação leve rente à sua nuca.

Parou tudo o que dizia, soltando um risinho animado. Jeongguk raspava o nariz naquela área e distribuía beijos de todos os tipos: rápidos e lentos, suaves e profundos, delicados e vorazes. Marcava Jimin como não tinha feito antes. O mesmo acendia, apoiando as mãos na sua cabeça e o puxando contra ele.

–  Ah, Jeongguk...  – Ele chamou num tom que deveria ter saído como algo provocante, mas que não conseguiu expressar nada além de carinho. Jeon enfiou suas mãos nas alças da maravilhosa regata que o outro vestia. Seus dedos rodeavam partes da pele que tanto gostava de sentir. Arrepios corriam pela trilha feita para chegar aos mamilos de Jimin, sentindo os dois botões ficarem eretos logo abaixo do seu toque. Pressionava e acariciava com seus indicadores, brincava com as pontas rijas de cada um nos polegares. Fazia tudo isso com um sorriso satisfeito, vendo o mais velho arquear as costas tentando empinar o peito contra suas mãos e ajeitar o traseiro contra seu quadril. – O que deu em você, moleque?

Jimin não aguentou por muito tempo. Poucos segundos depois de ter se rendido daquela forma, fez com que Jeongguk tirasse as mãos de si, logo se pondo de frente pra ele e o segurando pela gola da camiseta até a parede vizinha. 

– Tive vontade de te tocar, Jiminnie. – O corpo dele tinha sido empurrado com força, mas Jeon não perderia seu sorriso por nada. Na verdade, se sentiu ainda melhor quando desviou os olhos mais pra baixo e viu que os mamilos de Jimin continuavam eretos por de trás da camisa. – O que achou? – Perguntou, referente aos seus movimentos.

– Acho que você é um pirralho que adora me maltratar. – Park disse, antes de avançar na boca dele. – Mas eu também gosto de fazer isso com você... – Desceu as mãos pelo tronco do moreno.

Jeon estava ansioso para saber onde o toque ágil de Jimin iria parar, por isso incendiou seu controle: mordeu a pontinha da língua do mais velho enquanto o mesmo passeava pela sua cavidade. Era a hora perfeita para o ato se encaixar – Jimin pousou as palmas bruscamente na bunda de Jeongguk, trazendo seu quadril pra perto e enroscando suas pernas. Também passou a distribuir beijos pelo pescoço dele.

Aquele tipo de carícia era intensa, capaz de fazer toda boa sensação elétrica se alastrar mil vezes mais rápido. A força qual sua pele era beijada preocupou Jeongguk pela metade, pois a outra parte do seu corpo estava gostando demais das chupadas do menor pra se importar com os riscos.

– N-Não faça marcas – pediu entredentes porque não conseguia conter seus sorrisos. Rodeou o pescoço do garoto com seus braços, relaxando no espaço entre a parede e o corpo dele. Os beijos de Jimin pararam mas a cabeça dele continuou descendo.

– Pode deixar, Jeonggukie. – Levantou a camiseta de Jeon, mostrando seu abdômen. Fechou os olhos, se permitiu sentir o calor e o cheiro da pele dele antes de voltar seus movimentos. Era grosseiro o jeito que sugava, como se fosse arrancar pedaços da carne de Jeongguk com seus lábios. Ainda assim, o mais novo adorava a pressão feita sempre que Jimin comprimia os dentes à sua pele e puxava com força. – Não vou fazer marcas visíveis. – Sorriu, a boca contornada de saliva mantendo a profundidade das carícias.

Jeongguk acabou no mesmo sentimento que tinha o corrompido quando Jimin puxou seu cabelo entre o beijo no dia vinte e dois: assim como os chupões que recebia, o movimento fazia arder e incomodar mas era recebido pelo seu corpo animado como algo fantástico.

–  Ah! – Grunhiu. Naquela hora Jimin agia perto do seu umbigo, o conduzindo pra si com as palmas no seu quadril. Jeongguk levou as mãos pra aquele lugar também e as apoiou em cima das dele, fincando as unhas nos dedos do ruivo pra sufocar as reações. – Jiminnie... – Passou a empurrar-se contra ele também. Porém, só pôde aproveitar do processo de criação das marcas até o volume entre suas pernas levantar de um jeito fiel perto da boca do mais velho.

Ai meus deuses.

Foi muito constrangedor ver aquilo acontecendo. Jeongguk não pode evitar soltar uma risada envergonhada e sentir suas bochechas esquentarem rapidinho. Aquela era a prova concreta do quão fraco era quando se tratava do ruivo – que também ria com ele e apreciava a vermelhidão cobrindo seu rosto. 

– Mas já?! – Caçoou. Jeongguk teve de acertar um peteleco no meio da testa dele, ao mesmo tempo que Jimin levantava os olhos. O mais mágico dessa cena não foi só aquele sorriso debochado, mas sim ver a mesma boca que exibia tal imagem praticamente escondida atrás da sua ereção. Além da fofura do mais velho deixando Jeongguk menos envergonhado, aquilo o fez ter vontade de testar outra coisa nova.

Essa só tinha visto em filmes.

Mas já estava perto das onze horas: Jimin não poderia irritar Mindae e nem atrasar a si mesmo.

Jeongguk ajeitou-se e voltou para a mesa junto com ele, balançando a própria cabeça e bagunçando os fios alaranjados do outro. Nas fases dos dias começados em trinta, o cabelo de Jimin já estava desbotando e sua raiz castanha estava visível. Conversaram sobre o mais velho querer retocar a tintura ou não – um jeito de fazer os dois controlarem suas ideias e não pensarem muito no que tinha acontecido. Não dava pra agravar a situação no meio das pernas. Funcionou, porque não demorou muito para Jeongguk ficar normal de novo.

Quer dizer, não tão normal, porque ele ainda tinha uma cara de bobo terrível olhando Jimin comer como se a visão fosse digna de um quadro de museu antigo. 

O relógio bateu o tal horário e foi Jeongguk quem lembrou do compromisso primeiro. O mais velho foi até a gaveta de madeira que Jeon reconhecia, de modo inadequado, por causa do dia três. A memória fez ele deter seu caminhar até lá por um minuto, com medo de estar soando invasivo demais outra vez, mas Jimin o puxou mostrando que, hoje, não tinha problemas em mostrá-la. 

– Olha só, Kook. – Jimin se apoiou no balcão e abriu o compartimento. Jeongguk enxergava cerca de vinte medicamentos diferentes, intercalando entre comprimidos e frascos. Tinham muitas cores e nomes complicados nos rótulos. – Essa é a minha coleção de amiguinhos. – Ironizou.

Park Jimin estava bem. Foi assim por um longo e incansável tempo com o outro por perto. Ficava tão incrível na presença do mais novo que nem parecia ligar para o quão grave aquelas piadas seriam em outra situação. Não percebia o quanto significava para Jeongguk o ato deixá-lo ver tudo aquilo.

Jimin era feito de personalidade e as vezes era reconstruído com remédios. Isso era um fato que não importava de tudo. Era o que menos importava nele inteirinho, mas Jeon estava florescendo por ter finalmente entrado na parte do universo dele que faltava.

O menor pegou um dos frascos – esse era transparente e era possível ver as unidades brancas lá dentro. Jeongguk enxergou o rótulo daquele de relance, com o canto do olho, mas conseguiu identificar uma palavra nas letras miúdas:

Lítio. 

– Quantos desses vocês toma por dia? – Ousou perguntar. Era uma curiosidade e também uma forma de memorizar alguns nomes e funções. Jimin continuava exalando bom humor, mesmo virando dois dos grandes comprimidos na boca. As pequenas circunferências apenas desapareceram lá dentro. O ruivo era tão acostumado com aquilo que não precisou de nenhum líquido além da própria saliva pra consumir.

– De lítio, só esses dois mesmo. – Rebateu quando guardou o frasco de volta na gaveta. – Mas tem mais seis de outros tipos. – Gesticulou na direção dos frascos que usava antes de fechar o compartimento de volta. – Tipo, isso atualmente.

Jeongguk não entendeu ao certo o que aquele termo significava mas assentiu de qualquer maneira. Começou a divagar sobre a frase mais do que deveria. A dosagem um dia já foi maior? Aquele tratamento já foi mais assustador?

Eram respostas óbvias, mas não queria admitir pra si mesmo já que não sabia nada sobre ter de tomar tantos medicamentos. Não sabia qual era a frequência com que Jimin visitava o hospital, ou como ele se sentia em relação ao cuidado superficial de enfermeiros, ou se aquelas caixinhas realmente significavam só cautelas à saúde.

 Deixou-se levar pelo o que Park vinha tentando lhe dizer desde o dia vinte e sete: aquela rotina não fazia dele alguém forte. Era básico, nada mais do que ele lidando consigo mesmo – tinha mais lados do que a maioria; mas ainda assim era básico.

Apesar dos costumes não serem tão raros, à frente de Jeongguk se colocava alguém diferente de tudo o que já tinha visto. Um estranho que tinha ensinado novas práticas, um garoto que conseguia ganhar seu coração e sua alma a cada novo dia adicionado na contagem, um homem que tinha se deitado com ele e o feito escutar pela primeira vez que era amado.

Um Park Jimin.

O pensamento fixou-se na sua cabeça enquanto recebia um abraço bem apertado. E tudo ficou bem.

 

*

 

Quando passou de volta pra casa, a atmosfera de Jeongguk era totalmente o oposto de quando tinha saído da mesma sem dar avisos, na última noite. Ele estava radiante, prestando atenção em todos os detalhes que o sol do meio dia lhe apresentava, assoviando e cantando para as ruas, repassando as memórias coletadas com Jimin pouco a pouco. A declaração baixinha dele com as famosas três palavras se repetiam na sua cabeça criando canção. Não era nem meio dia quando chegou em casa, mas aquele era um feriado de sexta, seus pais estavam em casa e provavelmente tratariam de algum compromisso para aproveitar a folga. Fazia muito tempo que Jeongguk não frequentava esses eventos em família, tinha começado a evita-los antes mesmo de conhecer Jimin, sempre arranjando desculpas esfarrapadas pra ficar em casa. Por mais vazias que suas mentiras fossem, sempre convenciam o senhor e a senhora Jeon de algum jeito.

Tocou a campainha, uma das empregadas atendeu com um sorriso. Omma falava no telefone com alguém e appa assistia algum programa na televisão, acomodado na poltrona de hastes de vidro. As roupas deles para os feriados eram sempre bonitas, mamãe parecia elegante até mesmo numa calça de moletom e papai ficava muito bem vestindo preto. Era um casal bonito visualmente.

E só. Porque entrar ali era um sacrifício, uma tortura, Jeongguk ainda tornava os passos bem rápidos pra chegar logo no seu quarto.

– Bom dia, filho! – Infelizmente foi notado. Omma cobrira o alto falante do telefone para exibir ao marido chegada do garoto, que crispou os lábios e deu um sorriso.

– Oi. Bom dia. – Foi um sorriso sincero.

De verdade, ele não precisou fingir. Aquela mansão lhe dava calafrios, mas graças a Jimin ele continuava bem.

– Onde passou a noite? – Appa não estava arrogante como de costume, só expressando um ar curioso. Omma adorou o fato daquela questão ter sido feita.

Jeongguk continuava andando enquanto aquele diálogo fluía. Adentrou a cozinha e roubou uma maçã da mesa – onde Hiruko tomava um café da manhã e quase se engasgou ao vê-lo de volta. Tentou fazer contato visual com Jeongguk a todo custo, mas ele saiu como se nem tivesse notado a presença da moça.

Satisfeito demais pra se importar com o que não deve.

– Pergunta pra minha governanta – Disse, seco. Deu uma mordida na fruta e se encaminhou pro andar de cima. Não precisou ficar ali pra saber que Hiruko correu pra sala dois segundos depois, respondendo todas as perguntas possíveis num tom nervoso pra não deixar o mais novo causar falhas no seu plano nojento.

Jeongguk tinha se irritado um pouco ao lembrar e talvez o sangue nas suas veias voltou a ferver quando o timbre da mulher invadiu seus ouvidos, mas não se deixaria abalar.

Fechou a porta do quarto. Guardou sua pequena mochila de coisas que sempre levava pra casa de Jimin e se jogou na cama da direita, fechando os olhos e respirando fundo. Sua cabeça parecia uma linha do tempo de imagens misturadas que sempre tinham alguma ligação com o menino de cabelo colorido. Era tão impossível de desviar o pensamento dele que Jeongguk só pôde rir um pouquinho mais, ainda que suas bochechas doessem do tanto que tinha sorrido.

Caminhou até o banheiro da suíte, onde um espelho grande emitia seu reflexo de corpo inteiro. Sua aparência era esquisita quando estava feliz, mas Jeongguk gostava do resultado: mãos leves pendendo ao lado do tronco, ombros relaxados, olhos brilhantes o tempo todo e uma curva natural em seus lábios dando leveza a todo o resto da sua expressão. Até admitiu pra si mesmo que era bonito.

Sem perceber, Jeongguk tinha levantado a barra da própria camiseta na altura do abdômen. Agora, o espelho mostrava um reflexo de um garoto com várias manchas arroxeadas distribuídas por toda a pele da sua barriga. Arfou em um riso mudo, surpreso pelos desenhos na sua derme clara serem lindos demais. O contemplar ficava ainda mais mágico ressaltando que os chupões em forma de pintura foram causados só com a boca carnuda do mais velho.

E Jimin estava enganado se achou que aquelas marcas ficariam ali por pouco tempo e depois desapareceriam. Quando Jeongguk encostou em uma delas com a ponta dos dedos, desejando senti-lo sugando a área mais vezes, soube que sua alma também tinha sido marcada com o ato, e dali não cicatrizariam tão cedo.

Pegou o celular, tirando uma foto das cores dos chupões. Mandaria para Jimin como registro, mais tarde.

– Jeongguk-kun? – Só não faria aquilo no momento porque já previa ter de lidar com a governanta. – Posso entrar? – Hiruko deu três toques na porta.

Jeon bufou, voltando pro quarto e pra posição de antes na cama.

– Tanto faz.

Houve um pouco de silêncio. Sabia que seu jeito de agir incomodava a mulher, mas era exatamente isso que queria.

– Tudo bem... – Ela insistiu. – Então vou considerar isso como um ''sim''.

Como sempre aumentando as coisas que percebe, Jeongguk pensou.

Hiruko se aproximou de onde ele estava, suas sapatilhas estalando no piso. Se sentou na cama livre com as pernas cruzadas sob a saia, encarando Jeongguk como se não tivesse preparado as palavras corretas. Sua mania de descascar os esmaltes das unhas voltou. O mais novo respirava fundo: a companhia dela o deixava nervoso não só pelo tanto de atrocidade embutida nos seus atos, mas também porque não queria ouvi-la abrir a boca pra dizer outra coisa que não fosse um pedido de desculpas.

Planejava uma estratégia de se atirar pela janela pra não ter de ouvi-la falar. 

– Como foi na casa dele? – Aquela era sempre uma das primeiras tentativas de conserto de Hiruko, quando fazia algo errado: tentar soar adorável. Em noventa e nove por cento das vezes ela conseguia, mas Jeongguk fazia parte do um por cento que ficava mais irritado com a atitude. 

– Foi ótimo como sempre é. – Estalou a língua. – Por que tá fingindo que se importa?

Jeongguk continuava deitado e não a encarava diretamente, apenas ouvia seus suspiros conformados e resmungos baixinhos. Estava ansioso pra que ela fosse embora. 

– Porque eu percebi que me precipitei. – A governanta lamentou.

– E você se arrependeu? – O garoto levantou o tronco e se sentou na cama, igual à ela, fitando sua silhueta. Tentava encontrar algum traço de realidade nas suas ações. Porém, sua pergunta só recebeu silêncio.

Não que ele estivesse surpreso. As emoções impassíveis de Hiruko eram piores do que cometer algo ruim, já que erros podem ser reparados quando você volta atrás. Não era muito bom com raciocínios quando ficava de cabeça cheia, mas tudo o que seus pensamentos tinham lhe dito nos momentos de fúria, depois da mulher dizer suas mentiras de um jeito descarado, estava totalmente certo. Hiruko era uma pessoa tão má que sequer reconhecia o absurdo no que tinha feito.

Aquilo só irritava Jeongguk mais e mais.

– Não entenda assim... – Hiruko desatou a lamentar mais, quando viu o mais novo fechar os olhos e balançar a cabeça negativamente. – Eu sei que fiz algo péssimo, mas eu não posso perder o emprego ou a confiança dos seus pais...

Aí preferiu deixar com que ele quase me perdesse, Jeongguk pensou de novo. Seus comentários pareciam coerentes na sua cabeça, mas evitava dizê-los em voz alta pra não prolongar aquele mini-inferno. A governanta abriu a boca ao notar outro silêncio e foi impedida de dizer.

– Tá, chega. – O maior caiu de costas na cama de novo. – Não fala mais nada, por favor. – Massageou sua têmpora, tentando relaxar a pressão que sua cabeça tinha começado a fazer. – A gente não precisa mais falar dessa história. – Decretou. Precisavam falar sobre o que ela tinha feito, sim, mas não ia solucionar nada se Hiruko só continuasse falando sem perceber o problema enorme que aquela maldade significava. 

Ela respirou fundo.

– Tudo bem. É melhor assim e...

– Não é melhor, não, mas é o que a gente vai fazer. – Interrompeu-a. – Só me deixa em paz, noona. – Usou o termo com desprezo.

Melhor mesmo seria se você nunca tivesse se intrometido, sua mente sugeriu conforme ela deixava seu quarto.

 

*

D 34

 

O final de semana passou extremamente devagar porque ele e Jimin não se viram – o pai do mais velho tinha começado a se recusar à acompanhar Mindae no emprego dela, então o filho teve de ir no seu lugar. Já que não teria muito o que fazer, então, Jeongguk aproveitou os compromissos que a Omma criava de última hora e lá foi a família Jeon passar dois dias numa casa de praia. No final do dia trinta e três estavam cansados, cada um por seu devido motivo, mas de qualquer jeito fizeram uma ligação que durou quatro horas e meia da noite de domingo.

Durante a conversa, um dos assuntos foi a volta de Jeongguk para a escola. Aconteceria naquela segunda, porque já tinha perdido vários conteúdos e se aquilo permanecesse mais problemas surgiriam pela frente. Teria de estudar redobrado pra compensar suas faltas – mas isso não era um problema pra sua memória fotográfica e facilidade em aprender. Se gabou dessas habilidades pra Jimin, que riu muito e disse que iria acordar cedo pra ver com o mais novo na entrada do colégio.

Não fizeram muito além de se abraçarem bastante. Uma dessas agarrações acontecia quando Yoongi e Hoseok chegaram. Os quatro não tagarelaram sobre nada de diferente, mas bem depois de Jimin ter ido embora – aquela surpresa enorme aconteceu na hora do intervalo –, a dupla imbatível decidiu que o maknae começaria a se sentar com eles na hora do almoço.

Agora Jeongguk estava ali, ouvindo os dois darem suas sinceras opiniões e comentários sobre a festa de quinta feira, se sentindo mais deslocado que qualquer outra coisa.

– Aí eu jurei que nunca tinha visto ninguém rebolar de um jeito tão perfeito quanto aquela menina. – Yoongi descrevia uma garota fazia algum tempo. Antes os detalhes tinham sido um pouquinho mais específicos, como se a fulana fosse uma das batatas fritas oleosas que consumiam no momento. – Quer dizer, tem você, Hobi, mas eu parei de te considerar nessa lista já que nenhum outro ser humano chega aos seus pés quando se trata de dançar. – Declarou para o castanho do seu lado, que só abriu um sorriso convencido e deu de ombros.

– A social foi incrível, Jeongguk. Dessa vez você teria gostado. – Hoseok ergueu as sobrancelhas. Se Jeongguk não soubesse que eles não eram muito próximos, acreditaria na frase só pela confiança que ele transmitiu.

– Acho difícil de isso acontecer... – Respondia tentando soar amigável. Sua especialidade não era se enturmar, mas a simpatia do Jung praticamente o forçava a tentar aquilo.

– Não fale assim, rapazinho. – Hoseok cantarolou, por cima do barulho do refeitório. – Por que todo esse desgosto por festas?

– Sei lá. – Deu de ombros, vendo Yoongi amassar uma bolinha de guardanapo e arremessar em quem se sentava perto deles. – Na minha outra escola o pessoal raramente fazia festas, mas nas poucas que eu fui eu nunca gostava das músicas. Eu também não costumo beber, quase sempre acabava sozinho... – Faltou contar que a convivência humana nem sempre era amigável, só que a tal pré-socialização dizia que essa parte deveria ficar pra lá.

Hoseok bateu os punhos na mesa.

– Eu consigo resolver tudo isso! – Soltou um gritinho. – As nossas músicas são sempre as melhores por causa desse senhor aqui, e a gente ainda aceita sugestões – ergueu uma das mãos de Yoongi (sim, a que estava equipada com o garfo enquanto ele comia) como se ele fosse um campeão de boxe – Apesar de eu gostar muito, não precisa beber pra se divertir. E, caramba, eu tenho uma lista de contatos gigantesca se o seu problema é ficar sozinho, é só você descrever seu tipo que eu...

– Hoseok, para de ser um cuzão! – O loiro acertou um tapa no topo da cabeça dele, cortando sua fala. – O menino falou das festas na outra escola. Acho que ele vai aprender a gostar das atuais. – Na verdade, não era bem isso que se passou pela cabeça do mais novo, mas outra vez ele sorriu e deixou passar batido. – Além disso, que porra de desespero pra conseguir alguém pra ele pegar, hein? Até parece que você não sabe que ele tá namorando o Jimin.

Jeongguk quase se engasgou com as batatinhas: Yoongi nunca pareceu se gostar da relação entre o ruivo e ele. Então, de repente, fala sobre os dois como se tivesse toda a intimidade do mundo.

– Ih, verdade. – Hoseok assentiu. – Foi mal, eu não sabia que o lance de vocês era sério. – Parecia sério, mas logo se inclinou sobre a cadeira do Jeon e apertou as bochechas dele, dizendo com uma voz fina: – Felicidades, neném!

A mudez de Jeongguk ou sua estratégia de não discordar ou assumir informações foi embora. Desde que Jimin o beijou, ele não tinha parado pra pensar no relacionamento que tinham com um nome. O termo namoro não era concretizado entre eles, mas nenhuma palavra que significasse menos que isso fora exposta também. Só tinha acontecido, porque nenhum deles ligava pra nomes. Se amavam e era só isso que precisavam saber. Seria bom falar com o Park pra esclarecer aquilo, com certeza tudo aconteceria no conforto e no bom humor como vinha fazendo.

– Obrigado, mas eu não tenho certeza se eu e ele estamos namorando. – Disse, simplista.

E não entendeu o motivo da sua resposta ter causado uma crise de risos tão grande em Yoongi.

– Não tem certeza?! – O Min deu ênfase e continuou gargalhando sozinho. Hoseok balançou a cabeça algumas vezes, só rindo um pouco no começo, mas depois deixou a atitude exagerada do loiro agir por si. – Cacete, que situação péssima! Eu não queria estar na sua pele, Jeongguk.

O sinal bateu, Yoongi levou sua bandeja e foi pra sala rindo sem dar explicações ou fazer o moreno menos desconfortável. Hoseok tentou reparar o que o amigo tinha causado com um beijinho de despedida na bochecha de Jeongguk, acompanhado de um ''te vejo na aula''; mas nada disso serviu pra deixá-lo menos paranoico sobre o que o outro garoto tinha dito.

 

*

D 35

 

Só foi entender no dia trinta e cinco, porque Jimin foi buscá-lo outra vez. Quando o mais novo chegou no pátio, Park foi correndo até ele e o recebeu com um beijo estalado no canto da sua boca – a cena foi muito bem desprezada pelos olhos de um Yoongi que estava inteiramente, obviamente e irritantemente com ciúme.

Porém, Jeongguk só sorriu e continuou retribuindo os beijos do seu garoto em público. 

 

* * * 

 


Notas Finais


uOUUUUUUU todos vcs sabem que eu costumo deixar as notas finais sempre vazias ou com pouquíssimas coisas pra dizer né, mas hoje eu me deu vontade de falar. deixem a preguiça de lado e leiam, é rapidinho e importante s2s2s2

bem, eu não pensei em desistir da fanfic no meu tempo fora, foi só um período chato onde eu acabei atrasando com algumas coisas mesmo. só que, desde lá, eu percebi várias coisas, recebi vários comentários e resolvi compartilhar isso com quem acompanha minhas histórias ou só >essa< história mesmo.
escrever sobre bipolaridade tá sendo um desafio muito grande pra mim desde que eu fiz o roteiro, não porque essa doença é algo grande ou um tabu, nada do tipo. escrever sobre bipolaridade é difícil porque eu não sou bipolar. eu não sei como é ter na minha pele tudo o que essas pessoas tem.
quando eu tive a ideia pra esse plot lá no finalzinho do ano passado (sim, metamorfose contrária está prestes a completar um aninho!!!) eu fiz o meu possível pra criar um enredo decente sem nenhuma gafe, ofensas ou esteriótipos referentes a esse assunto. acreditem, eu pesquisei, estudei, me informei ao máximo até com um caso que já tinha na minha família. desde que eu comecei a escrever parece que eu venho fazendo um bom resultado, mas eu queria esclarecer algumas coisinhas:

- primeiro, o foco dessa fanfic não é o transtorno do jimin. eu achei que isso já tava meio óbvio mas as pessoas ainda pegam no meu pé.
- segundo, o fato da doença dele trazer mudanças de humor e crises impulsivas não significa que ele vá sentir isso à todo momento. mesmo que isso seja comum em outras pessoas, vou ressaltar que assim como qualquer outra doença psicológica, a bipolaridade varia de um portador pro outro, agindo diferente em cada metabolismo. sendo assim, pessoa A pode ter crises constantes e pessoa B crises mais reguladas.
- espero que vcs estejam notando o quanto o jimin ta feliz agora, podendo ate falar sobre os remedios dele sem se sentir culpado!!! esses detalheszinhos fazem diferencas pro jeongguk da fic e espero q facam pra vcs tambem
- a fic ainda ta longe do final (esse tb meio obvio mas ok kkkkkk)

PRONTO CABO ces podem ir s2s2 dissertem sobre esse pseudo yoonmin embutido


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