História Meu... - Capítulo 2


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Colegial, Drama, Fest Vainqueur, Gaku, Haku, Hal, Hiro, Kazhiro, Kazi, Romance, Shonen-ai, Yaoi
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Palavras 5.378
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Colegial, Comédia, Crossover, Drama (Tragédia), Escolar, Famí­lia, Romance e Novela, Shonen-Ai, Slash, Universo Alternativo, Violência, Yaoi
Avisos: Álcool, Cross-dresser, Homossexualidade, Incesto, Linguagem Imprópria, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas da Autora


Antes de mais nada eu queria pedir desculpas pela demora "pequena", eu estava esperando o capítulo ser betado. :') Porém, se bem me lembro, este é o maior capítulo de todos os 6. :3

O nome dos capítulos a partir desse será o complemento do nome da fic, então ele é um "spoiler" do conteúdo do capítulo, é.

Enfim, espero que gostem desse capítulo tanto quanto eu amei escrever, espero que riam igual eu também.

Capítulo betado pela @Leirim0404

Como creio que não tenho nenhum aviso para deixar aqui, boa leitura. ♥

Capítulo 2 - Inimigo


– Hiro, você está me ouvindo? – Gaku perguntou enquanto encarava Hiro com certa preocupação. Certo que o outro acabava indo parar no mundo da lua em algumas ocasiões, mas nesse dia estava parecendo que Hiro esquecera de voltar para a Terra.

– Uhum, você estava falando sobre comprar presunto, não é? – o andrógino indagou ao outro, que bufou de forma irritada.

– Por Deus, Hiro! Em que mundo você está? – Gaku perguntou em um resmungo deveras dramático.

– Gaku, o que você faz quando quer foder a vida de uma pessoa? –Hiro perguntou, mudando de assunto enquanto seu olhar se fixava em um belo nada.

– E desde quando você pensa em foder com a vida alheia, Hiro? – o outro perguntou com um sorrisinho de canto que Hiro julgava no mínimo irritante.

– Só responde.

– Antes de mais nada, você precisa conhecer melhor o ser, e depois você ataca. – Gaku respondeu de forma séria. – Confia, é tiro e queda.

– Então eu tenho que ser um stalker? – a pergunta de Hiro arrancou uma risada do loiro.

– Não é obrigatório, mas se você quiser...

– Vá à merda.

Gaku estava prestes a provocar o outro – como sempre –, e Hiro já estava pronto para entrar no pátio da sua casa e ignorar o loiro, porém, uma figura que Hiro conhecia mais do que queria o impediu de tal ato.

– Hiro-chan, posso falar com você? – a voz masculina que Hiro finalmente havia esquecido ecoara em seus ouvidos, lhe arrancando uma careta desagradável.

– Primeiro que você não tem intimidade para me chamar assim; segundo que eu estou ocupado, então, por favor, seja rápido com sabe-se lá o que você queira falar comigo. – Hiro falou com descaso, despedindo-se de Gaku pelo olhar e passando a encarar coisa que não fosse o homem à sua frente.

– Como assim? Eu sou seu pai.

– Takada-san, só porque você engravidou a minha mãe, não significa que eu lhe considere meu pai. Você nem sabe nada sobre mim. – Hiro falou antes de suspirar com exaustão. – Agora poderia parar de tomar o meu tempo e falar o que quer?

– Você sabe, eu me casei novamente e...

– E eu com isso? Grande merda. Parabéns para você e para a coitada. – o mais novo falou com sarcasmo, sendo encarado pelo pai, que suspirou.

– E ela tem um filho que tem praticamente a sua idade, pensei de você vir morar conosco. O que acha? – Takashi Takada perguntou com um olhar esperançoso para o filho, que apenas riu de forma irônica.

– Mas nem se você me pagasse quinze mil em barras de ouro, que vale mais do que dinheiro. – Hiro respondeu com completo descaso, não se preocupando com o que suas palavras causariam no mais velho.

– Mas, Hiro-chan... Você não queria um irmão?

– Você realmente não me conhece. – um riso soprado escapou dos lábios do adolescente, que encarou o pai com remorso. – Eu não me lembro de ter dito alguma vez que queria um irmão. Por que você não pergunta isso para seu mais novo filho? Talvez você tenha mais sorte e quem sabe você conheça ele.

E então deu as costas para o homem, não deixando que ele lhe respondesse, não era como se quisesse uma resposta. Como pensara, dar ouvidos para aquele homem fora uma perda de tempo lastimável.

– Cheguei. – murmurou de forma cansada assim que chegou em casa, sendo recebido carinhosamente por Mari, que tinha um sorriso doce estampado nos lábios.

– Teve um dia cansativo, Hiro-chan? – a mãe perguntou antes de deixar um breve selar na testa do filho que sorriu de volta para si.

– Mais ou menos. Mas eu tive o desprazer de ser abordado por aquele traste assim que cheguei, e isso deixa qualquer um cansado. – Hiro respondeu como se somente olhar para o pai fosse um ato que exigia muito de si, o que não era uma mentira de todo.

– Entendo, mas o que ele queria? – Mari perguntou um tanto quanto preocupada.

– Perguntou se eu não queria morar com ele. Aquele cara é burro ou se faz? – Hiro praguejou após calar-se, sentia como se tivesse alergia à presença do pai, tamanha era a vontade de se coçar. – Esse cara me irrita mais do que qualquer um.

– Eu sei meu amor, mas não ligue para ele, sim? – a mais velha respondeu com carinho, vendo o mais novo respirar fundo antes de assentir de forma afirmativa. – Agora vá se sentar à mesa que o almoço já está quase pronto.

– Sim senhora. – o garoto falou sorrindo abertamente, não demorando para acatar a ordem da mulher.

Não fazia nem mesmo trinta minutos que haviam começado a comer o almoço, e o céu outrora limpo e ensolarado agora encontrava-se em uma chuva que pegou a todos desprevenidos, principalmente Emi que havia usado aquela manhã tão bonita para lavar roupa.

– Ai meu Deus! – a mulher de fios castanhos levantou-se abruptamente enquanto cobria a boca com ambas as mãos em sinal de desespero. – A roupa está no varal!

– Puta que pariu. – Hiro não conseguiu reprimir o xingamento, logo levantando-se da mesma maneira que a mãe e correndo junto da mesma para fora da casa, à fim de recolher toda a roupa já encharcada.

Próximo aos dois, observando-os logo atrás do pequeno muro da casa de Hiro, Kazi espreitava mãe e filho com um pequeno sorriso de canto formado em seus lábios, pouco se importando com a chuva repentina ou se ficaria resfriado no dia seguinte.

– Ah, que azar... – Emi murmurou de forma frustrada assim que voltaram para dentro da casa, deixando um suspiro de decepção escapar por seus lábios. – Tinha que chover logo hoje que eu coloquei toda a roupa para lavar..!

– Toda a roupa...? – Hiro perguntou um tanto quanto apreensivo, seu rosto assumindo uma expressão levemente desesperada ao ver Emi acenar positivamente com a cabeça repetidas vezes, tendo de morder o interior da bochecha para reprimir o xingamento que queria proferir naquele momento.

– Sim! Ou seja, não terá nada para usarmos amanhã, por que diabos isso foi acontecer logo agora, caralho? – a mulher praguejou enquanto andava de um lado para o outro com as mãos apertando os fios castanhos sem muita força.

– Mãe, acalme-se. – Hiro falou com calma, apertando os ombros da mais velha para que a mesma parasse. – Se está preocupada comigo, não precisa, tudo bem? Eu tenho certeza de que até amanhã estará tudo seco, hm? – falou calmamente enquanto forçava um pequeno sorriso à fim de acalmar a mãe.

Kazi teve de cobrir a boca com a mão para conter o riso que queria sair por seus lábios. Não que aquela situação lhe divertisse – pelo contrário –, porém, a reação de Hiro diante aquilo era tão... Fofa, que não parecia aquele garoto que distribuía xingamentos durante as aulas.

 

K&H

 

– Ele sempre dorme desse jeito? – Kazi perguntara para a garota conhecida que viera lhe tirar o seu tão adorado sossego, pelo menos esse infeliz incidente serviria para algo.

– Está brincando? Ele dorme praticamente o tempo todo! – a outra respondeu de forma óbvia, esquecendo-se de que Kazi havia entrado naquela escola tinha pouco tempo. – Digo, sempre que ele pode, ele dorme. Mas isso não o impede de ser inteligente e ter ótimas notas, sem mencionar o gênio forte que ele tem. É incrível, não acha?

– Uhum. – o maior respondeu distraidamente enquanto mordia a ponta do lápis de forma leve.

– Mas, sabe, ele tem um segredo. Bom, não é bem um segredo, mas gostaria de saber? – ela perguntou um tanto quanto animada.

“Que fofoqueira...”, sua consciência gritava, mas se era sobre Hiro, poderia ignorar seus pensamentos por algum tempo.

– Hiro Sakurai não tem pai. – a garota sussurrou rente ao seu ouvido, as palavras que ela acabara de proferir fizeram com que Kazi sentisse seu sangue congelar enquanto seu olhar se fixava na figura de Hiro debruçado sobre a própria classe enquanto dormia profundamente.

Quanto mais Kazi descobria sobre o loiro, maior se tornava o seu interesse por tal.

E fora exatamente por isso que, durante o recreio, o garoto de fios acinzentados pediu para a professora regente de sua turma que mudasse seu lugar para atrás de Hiro Sakurai.

E tal feito de Kazi Yamada era agora encarado por Hiro, que tinha uma expressão descrente estampada em sua face.

– Por que caralhos você não está na merda do seu lugar? – o loiro perguntou antes de respirar fundo.

“Mantenha a paciência com essa criatura, não deixe ele te deixar mais irritado do que já está”, Hiro dizia a si mesmo mentalmente, uma vez que sua vontade era de jogar Kazi do último andar do prédio escolar, para então apreciar a queda que o mesmo sofreria.

– Então, princesa, eu, simplesmente, estou no meu lugar. – o garoto um pouco menor que si respondeu com aquele sorriso sarcástico que em menos de um dia Hiro passou a odiar.

– Você não fez isso...

– Ah, eu fiz..!

“Apenas ignore-o, finja que ele não está aí”, Hiro falou para si mesmo em seus pensamentos enquanto voltava a respirar fundo para em seguida sentar-se em seu lugar, não permanecendo muito tempo em seu lugar, já que poucos minutos após o garoto se levantou para ir ao banheiro, e Kazi não conteve o sorriso sacana que se formou em seu rosto.

E assim que Hiro voltou, não demorou para que saísse a sala pela segunda vez, logo voltando para a sala novamente.

E o sinal havia tocado, um período vago graças a falta do professor lhes foi concedido. A maioria dos alunos saíram da sala para poderem a aproveitar o tempo livre no pátio, e pela terceira vez Hiro saiu da sala para novamente dirigir-se ao banheiro.

Aproveitando que haviam poucas pessoas na sala e que Hiro também havia saído, Kazi colocou no espaço abaixo da mesa de Hiro um pacote de roupas íntimas e um pacote de comprimidos para a dor de barriga que o outro sentia junto de um bilhete que dizia “Para você! ;D”.

E o acinzentado teve de reprimir o riso ao ver a careta de desgosto assim que Hiro voltou e viu os objetos que foram deixados para si.

– Muito bem, quem foi o infeliz sem vida que me seguiu até em casa ontem? – Hiro pronunciou para que todos ali presentes pudessem lhe ouvir, logo batendo sobre a sua classe em sinal de revolta. – Não se esconda.

– Fui eu. – Kazi respondeu enquanto se levantava, à fim de encarar o maior cara a cara. – Não é como se eu tivesse uma intenção em especial, eu só quero cuidar de você e, claro, pedir desculpas pelo o que eu fiz.

– É só porque você tem uma caligrafia horrível? – o loiro questionou enquanto voltava a respirar fundo, voltando a dizer a si mesmo para manter a calma.

– Não, foi por ter arrancado a folha daquele seu caderno para poder treinar a minha caligrafia horrível. – o acinzentado respondeu de forma irônica.

E por poucos segundos, Hiro ficou apenas lhe encarando com cara de poucos amigos, para que logo em seguida agarrasse o outro pelo colarinho da camisa do uniforme escolar.

– Por acaso você quer morrer?! – Hiro questionou de forma irritada, praticamente gritando com o outro. – Quem foi que lhe deu a porra da autorização para mexer nas minhas coisas?! Você quer levar uma surra?

– Sabe, você deveria ser uma mocinha fofa que fica feliz quando um garoto gosta da sua caligrafia. – Kazi falou de forma debochada, arrancando algumas risadas vindo dos outros alunos e uma expressão cada vez mais zangada de Hiro, que não pensou muito antes de estapear (sem usar a força que realmente queria para o ato) o rosto alheio. – Mas que merda! Eu já pedi desculpas, não pedi?

– Eu nunca conheci alguém tão sem-vergonha e irritante como você. – o maior falou enquanto levantava o dedo para o outro.

– Ah, é? Pois eu também nunca conheci um ser humano que me fizesse pedir desculpas. – Kazi respondeu enquanto pressionava o indicador contra a testa de Hiro, já que a diferença de altura entre ambos era pequena.

O loiro não respondeu a afronta do acinzentado, contentando-se apenas em afastar a mão alheia de si com um tapa, logo pegando a mochila que lhe pertencia para que pudesse sair da sala.

Não estava aguentando mais nem ao mesmo ficar no mesmo cômodo que Kazi, apenas vê-lo já deixava Hiro irritado e estressado.

Quanto mais longe Kazi ficasse de si, melhor seria para a sua paciência que já não era dos melhores. Mas se depender de Kazi, Hiro ainda teria muito com o que se estressar.

 

K&H

 

– Gaku, quantos anos de prisão eu pego por matar alguém? – Hiro perguntou enquanto massageava as têmporas.

– Kazi tem te infernizado tanto que quer matar ele? – o garoto perguntou rindo baixinho, recebendo um peteleco na testa de Hiro e acabando por resmungar baixinho pela dor que o ato do maior lhe causara.

– Eu já não sou muito paciente e aquela criatura parece fazer de tudo para me fazer explodir, eu juro que já não sei mais de onde eu tiro paciência. – um suspiro pesado deixou os lábios de Hiro, o que arrancou um pequeno sorriso de Gaku. – O que foi?

– Nada, é que isso é engraçado demais.

– Vai à merda se não pode me ajudar. – Hiro resmungou sem muito humor, logo soltando algum xingamento sem coerência alguma. – Só de pensar que o horário escolar ainda não acabou... Me faz pela primeira vez na vida querer matar aula.

– Por falar nisso... Por que você trouxe sua mochila junto se a aula ainda nem acabou? – Gaku perguntou de forma despreocupada.

– Porque vai que aquela coisa decide mexer nas minhas coisas novamente. Você sabe que eu tenho pavor de quem faz isso. – o loiro maior respondeu em um resmungo um tanto quanto desanimado.

– Eu acho é que você está ficando paranoico. – Gaku falou, rindo assim que viu a careta que se formou no rosto de Hiro em resposta às suas palavras.

E um novo resmungo misturado com algum tipo de xingamento deixou os lábios do loiro de vestes femininas assim que o sinal soou.

– Eu só queria ter mais um período vago..! Queria viver deles... – o maior choramingou de forma sofrida, fazendo com que Gaku lhe desse um tapa fraco na nuca.

– Quem diabos é você, e o que fez com o Hiro? – o loiro perguntou de forma irônica, fazendo com que Hiro lhe encarasse um tanto surpreso pela reação que tivera. – Porque o Hiro que eu conheço e convivo todo santo dia não fica choramingando por aí, mas estaria devolvendo o inferno diário em dobro para aquele animal.

Um sorriso satisfeito se formou nos lábios de Gaku ao ver um sorriso de canto maldoso se formar nos lábios do outro.

– E não é que você está certo? – Hiro falou enquanto passava a dirigir-se de volta para a sala. – Mais uma que ele aprontar para cima de mim, e eu vou revidar.

– Não esquece de me avisar, eu quero trazer a pipoca. – Gaku comentou animado.

– Não sabia que você era uma naja em pele de anjo, Gakkun.

 

K&H

 

– Por que você costurou o casaco branco do uniforme com linha preta? – Kazi perguntou enquanto ficava cutucando a costura que Hiro fizera quando seu uniforme havia rasgado, fazendo com que o maior se virasse para si e lhe encarasse com sua melhor expressão de tédio.

– Porque eu sou um touro. – respondeu de forma óbvia.

– Que?

– Você nunca viu um touro com manchas brancas? – o loiro perguntou antes de sorrir de forma sarcástica, não demorando para voltar a ignorar o outro.

E o mesmo sorriso sarcástico se formou nos lábios de Kazi assim que seus olhos se fixaram na tesoura dentro de seu estojo, não demorando muito para que encarasse as costas de Hiro e seu sorriso se alargasse cada vez mais.

“Não tem sentido ser um touro de apenas uma mancha só. Vamos, durma logo.”

Alguns segundos se passaram para que Hiro se debruçasse sobre a mesa, descansando a cabeça sobre os braços cruzados sobre a mesma para que pudesse dormir.

Ao perceber que finalmente Hiro estava dormindo, Kazi usou a tesoura para cortar o casaco do outro, sorrindo satisfeito ao ver os novos buracos na vestimenta do outro.

As horas passaram e Hiro ainda continuava dormindo, acordando apenas quando o horário para ir embora havia chegado.

Ao finalmente chegar em sua casa, Hiro não conseguiu evitar um suspiro de alívio. Era como se tivessem se passado anos, onde ele estivera em uma câmara de tortura.

– Teve um dia cansativo, meu amor? – Emi perguntou assim que ouviu a voz do filho soar pela casa com um alívio que nunca havia pronunciado antes, acabando por sorrir ao ter como resposta o olhar exausto do filho.

– Eu acho que nunca fiquei tão cansado em tão pouco tempo, mãe. – Hiro confessou, não demorando para ir para o próprio quarto.

– Hiro? – a mais velha chamou, tendo a atenção do filho para si quase que de imediato. – Onde foi que rasgou seu casaco desse jeito?

– Como assim? – o loiro questionou, largando a mochila no chão para que pudesse retirar o casaco e ver do que sua mãe falava. Os rasgos na peça de roupa não causaram espanto no garoto, mas fez com que ele sorrisse de uma forma estranha.

Se Kazi Yamada estava tentando implorar a Hiro que iniciasse uma guerra, então estava de parabéns, porque havia conseguido.

 

K&H

 

– Professor, vamos fazer flexões na barra juntos. – Kazi falou de forma sarcástica para o mais velho assim que o mesmo lhe mandara fazer as tais flexões e, que faria o dobro.

Já poderia estar fazendo aquilo que lhe fora pedido, se não fosse um de seus colegas contestar o professor, dizendo que Kazi deveria estar cansado devido às sessenta flexões que fizera tinha pouco tempo – o que também fora mandado pelo professor – e que seria melhor deixar aquilo para outro dia.

Eis que Kazi teve aquela brilhante ideia.

– Pois, então, vamos. – foi a resposta do professor.

Um sorriso de canto se formou nos lábios do garoto de fios acinzentados à medida que tirava seu casaco acompanhado pelo mais velho e o entregando para a primeira pessoa que vira pela frente.

Ao ver aquilo, Hiro não conseguiu conter que um sorriso maldoso estampasse seu rosto.

– Quer que eu cuide para você? – o loiro perguntou ao colega que tomava conta da vestimenta de Kazi, não demorando para que tivesse a peça de roupa em mãos.

Afastou-se dos demais alunos enquanto retirava a agulha já com linha da camisa do uniforme – esta que estava espetada no tecido da peça de roupa que usava de forma estratégica para que pudesse pegá-la na hora que quisesse.

Olhou na direção de Kazi e o professor e ao vê-los na barra fez com que Hiro voltasse a sorrir de forma maldosa.

– Se esforce, Kaz-chan, até porque irei precisar da sua ajuda por um tempo. – murmurou para si mesmo, logo começando a costurar o casaco do outro.

A cada flexão que Kazi fazia na barra era um ponto que Hiro fazia no tecido da peça de roupa que tinha em mãos, e foi assim que ficou até que o professor de educação física cansasse e perdesse para o acinzentado, e ao perceber que o “desafio” havia terminado, Hiro apressou-se em cortar a linha com os dentes e a voltar para junto dos outros alunos e entregar o casaco para o dono.

Não demorou muito até que Hiro estivesse na sala de aula e em seu lugar, apenas esperando para que sua mágica fosse posta em prática.

O resto dos alunos entraram, o professor também. Olhou para trás apenas para ver Kazi tentando vestir o casaco e, claro, falhando.

– Hey, garoto, não vou julgar se você gosta de andar seminu, mas pelo menos na minha aula coloque o casaco! – o professor falou irritado, arrancando risadas dos alunos e fazendo Hiro cobrir a boca com uma das mãos para controlar o riso que lhe escapava pelos lábios.

– Mas, professor, tem alguma coisa errada com ele. – Kazi respondeu enquanto tentava desfazer os pontos da costura de Hiro e falhando miseravelmente. – Mas que merda! – esbravejou, fazendo com que mais risadas fossem ouvidas.

– Já chega! Saia da sala, Yamada. – o professor mandou, fazendo com que o garoto deixasse a sala de forma relutante.

– Foi você? – Gaku perguntou para Hiro enquanto tentava não rir, recebendo um aceno positivo do outro. – Nossa, que naja você é.

– E ainda não acabou. – Hiro comentou aleatoriamente.

– Ainda bem que eu sou seu amigo.

– Sorte sua que eu tenho muita paciência com você.

– É porque você me ama.

– Vai à merda.

– Viu só? Também te amo.

E mais um período havia se passado, assim como o tempo que Kazi deveria ficar fora da sala de aula.

Em frente à porta – e vestindo o casaco devidamente após ter desfeito os pontos de costura –, Kazi estava prestes a entrar na sala e teria entrado se a mesma não estivesse trancada.

Bateu algumas vezes na porta à fim de chamar a atenção de algum colega próximo dali e, assim que o obteve, teve seu pedido prontamente atendido.

Após tentar abrir a porta pelo lado de dentro, a garota que havia tentado ajudar Kazi negou com um aceno de cabeça, dizendo que a porta não abria.

Tentou abrir a outra porta que dava para a sala, porém, a mesma também estava trancada. E ao olhar na direção de Hiro – maldito hábito que havia criado – viu o loiro rindo e olhando para a sua direção, o que fez Kazi respirar fundo.

Não podia negar que havia pedido – e talvez implorado – por algo assim, mas Hiro estava sendo cruel demais consigo.

Ou não.

Mas se o loiro achava que iria lhe proibir de entrar na sala apenas por trancar as portas, estava enganado.

Kazi não demorou muito para pegar o celular do bolso da calça do uniforme, logo discando para o número da escola.

– Alô? Então, eu gostaria de informar que o professor da minha turma acabou de desmaiar. – falou enquanto sorria de canto, e assim que encerrou a chamada se pôs a correr escada abaixo até o térreo à fim de sair do prédio escolar.

Olhou para o prédio da escola e o estudou com atenção, procurando pela janela que pertencia a sua sala.

Quando a achou, começou a escalar as grades – que apenas algumas janelas possuíam – e as paredes do prédio, não demorando muito para que chegasse onde queria.

Ao tentar abrir a janela para que pudesse finalmente entrar na sala de aula, sentiu a mão que segurava a grade escorregar devido ao óleo que havia ali, o que fez com que Kazi imediatamente caísse no chão.

O barulho que soou assim que o corpo do garoto caiu no chão pôde ser ouvido por algumas turmas, inclusive a sua.

Barulho esse que chegou aos ouvidos de Hiro como se fosse a música mais bela do mundo.

Porém, não teve tempo para comemorar seu feito ou ser parabenizado por Gaku, pois as constantes batidas na porta haviam interrompido a aula.

– Abram essa porta! Me ligaram dizendo que o professor desmaiou! – o diretor falou, deixando os alunos assustados e até mesmo confusos.

O professor apressou-se para abrir a porta, ficando um tanto quanto desesperado ao ver que a mesma não abria.

Um bilhete que estava preso na porta lhe chamou a atenção. Pegou o papel para ler as palavras: “Propriedade especial de Hiro Sakurai”.

No momento seguinte, o loiro havia se voluntariado para abrir a porta, retirando o elástico que impedia que a mesma de ser aberta.

O olhar do diretor para Hiro não era um dos melhores.

– Você é Hiro Sakurai? – perguntou.

– Ah... Sim. – o loiro respondeu um tanto quanto hesitante.

– Na minha sala, agora. – ordenou, não demorando para deixar aquela sala junto do garoto. Foi apenas Hiro fechar a porta da sua sala para que o sermão começasse. – Você acha isso divertido? Vandalizar a escola é como uma brincadeira?

– Mas, senhor, eu não vandalizei absolutamente nada. – o loiro resmungou com descaso.

– Segundo as leis dessa escola, você vandalizou sim, e irá pagar para que a porta seja consertada.

– O quê? Pagar? – Hiro questionou, encarando o mais velho com espanto. – Senhor, a maçaneta não quebrou ou algo do tipo, e mesmo que tivesse, eu posso consertar.

– Não, você vai pagar porque é o que diz as regras da escola.

– Senhor, entenda que eu não posso pagar. Eu não tenho dinheiro e muito menos a minha família. Nós somos pobres. Consegue entender isso? – a última pergunta do garoto soou um tanto quanto irônica, o que deixou uma carranca no rosto do diretor.

– É mesmo? Então me dê o número da sua mãe, veremos o que ela diz.

Hiro deu de ombros enquanto começava a ditar o número de Emi, e logo o diretor estava esperando que mulher atendesse.

– Alô? Quem fala é o diretor da escola de Hiro Sakurai. Seu filho danificou a maçaneta de uma das portas da escola e disse que não tem dinheiro para pagar. Isso é verdade? – o diretor perguntou sério e com seu olhar fixo em Hiro, que tinha um sorriso cínico estampado em seu rosto.

Ah, sim... Bom, senhor diretor, a maçaneta da nossa casa quebrou tem cinco anos e ainda não mandamos arrumar porque nos falta dinheiro. Isso responde a sua pergunta?

No segundo seguinte o diretor encerrou a chamada e Hiro começou a rir, mesmo que tentasse se conter.

– Saia da minha sala! – o diretor esbravejou, arrancando mais risadas do garoto. – Agora!

 

K&H

 

Na noite desse mesmo dia, Hiro fora dormir em meio a espirros que demonstravam o resfriado que pegara, e acordara no mesmo dia na mesma situação.

Sentou-se em sua cama e abriu a gaveta do criado-mudo em busca do remédio para gripe que havia tomado antes de dormir, logo ingerindo um comprimido antes de espirrar e levantar-se para que pudesse ir para o inferno que a escola se tornara.

Durante a aula, por incrível que parecesse, Hiro não estava dormindo – ainda. Até porque, não conseguia. Aquele resfriado estava lhe incomodando de tantas maneiras que certamente apenas perdia para Kazi.

E percebendo que o loiro a sua frente ainda permanecia acordado, Kazi teve uma ideia para uma – talvez a última – “brincadeira”.

Levantou-se durante uma das trocas de período para que pudesse ir até a enfermaria.

– Em que posso lhe ajudar? – a enfermeira perguntou assim que viu o garoto entrar no local.

– Eu preciso de remédio para dormir. – respondeu.

– Hm, sinto muito, mas eu não posso lhe dar esse medicamento. – falou enquanto negava com um breve aceno de cabeça.

– Por favor, eu preciso muito. Tem tempo desde que consegui dormir bem. – o acinzentado insistiu.

– No máximo, posso lhe dar dois comprimidos. – a mulher ditou antes de suspirar profundamente, logo levantando-se de onde estava para que pudesse dar os compridos para o garoto, que lhe agradeceu com uma breve reverência antes de sair dali.

Ao voltar para a sala, Kazi acabou por se surpreender ao não encontrar Hiro ali, já que o loiro não saía de seu lugar e nem da sala para nada.

Quando chegou ao seu devido lugar, o acinzentado pegou furtivamente a garrafa de água de Hiro, trazendo-a para perto de si para abri-la e então colocar os dois comprimidos de sonífero no líquido antes de devolver ao seu devido lugar.

O loiro não demorou para voltar para sala e, obviamente, estava acompanhado de Gaku. Hiro então sentou-se em seu devido lugar, ignorando a presença de Kazi atrás de si.

Como em todos os dias normais.

Após um espirro, Hiro fungou e virou-se para trás à fim de pegar a garrafa de água junto da cartela de comprimidos para gripe.

Uma careta se formou no rosto do loiro ao beber o líquido da garrafa, porém, naquele momento não deu tanta importância para aquilo.

Kazi não conseguiu evitar o sorriso que se formou em seus lábios assim que viu o corpo de Hiro debruçar-se sobre a mesa para que – finalmente – pudesse dormir. E o acinzentado permaneceu ali durante minutos, horas, períodos e intervalo, velando o sono do loiro, esperando que ele acordasse.

O que não aconteceu.

– Hiro, me entregue seu dever de casa. – Gaku falou enquanto cutucava o loiro, que não se mexeu. – Hiro, acorda. – nenhuma resposta. – Meu Deus, Hiro! Você está pálido demais, está bem? – novamente, nenhuma resposta. Foi então que Gaku cutucou Hal de forma insistente. – Hal, me ajuda! O Hiro não acorda, eu acho que ele não está bem!

Imediatamente o garoto de fios rosados levantou-se quase que de imediato, tentando levantar Hiro da cadeira para que pudesse leva-lo até a enfermaria, acabando por falhar – uma vez que não tinha força para tal.

– Tsc, deixa que eu faço isso. – Kazi resmungou, tentando parecer indiferente com aquela situação, não tendo muitos problemas para pôr Hiro em suas costas e ir para a enfermaria com pressa, sendo seguido por Gaku.

– Oh, você aqui de novo, o que quer dessa vez? – a enfermeira perguntou ao ver Kazi novamente entrar em seu ambiente de trabalho, sobressaltando-se ao ver que o garoto trazia Hiro desacordado em suas costas. – O que aconteceu?

– Eu não sei, ele dormiu durante a aula e não acordou mais. – Gaku respondeu apressadamente de forma preocupada.

A mulher apenas assentiu, indicando para que colocassem Hiro deitado sobre a maca que havia ali, não demorando muito para que examinasse o loiro.

– Não parece ter nada de errado com ele. Ele tomou alguma medicação? – perguntou.

– Não que eu saiba, somente aqueles dois comprimidos de sonífero. – Kazi falou, hesitando conforme ditava aquelas palavras.

– Mas somente aqueles dois comprimidos não causaria algo assim tão grande. Ele certamente misturou com algum outro remédio.

– É claro..! – Gaku falou como se tivesse feito a descoberta do ano. – Mais cedo eu vi ele tomando remédio para gripe.

– Alguém pode buscar esse remédio para mim? – a enfermeira pediu, e no instante seguinte Hal correu de volta para a sala de aula, logo voltando com a cartela de comprimidos em mãos e entregando-os para a mulher. – Isso aqui venceu faz tempo, me surpreendo por ele não ter desmaiado antes. Mas, apesar disso, ele irá ficar bem. Podem voltar para a sala.

– Eu posso ficar aqui com ele? – Gaku perguntou, recebendo um sorriso e um aceno positivo da enfermeira.

– Deixe que eu fico. – Kazi falou em tom baixo, sendo encarado por Gaku que não demorou muito para sorrir de canto para si.

– Se você fizer alguma coisa para ele, eu juro que mato você. – o loiro falou antes de segurar o pulso de Hal e o arrastar para fora da enfermaria e voltando com o mesmo para a sala de aula.

Um suspiro longo e pesado deixou os lábios do acinzentado à medida que seu olhar se fixava no rosto de Hiro, que tinha uma expressão calma e serena estampada em seu rosto.

Kazi acabou por sorrir minimamente ao ver os olhos do garoto abrirem-se lentamente, uma careta se formando em seu rosto assim que viu Kazi à sua frente.

– Por que eu estou aqui? – perguntou baixinho, ainda atordoado pelo sono que sentia.

– Você tomou remédios vencidos e então desmaiou. – Kazi respondeu enquanto sorria para o loiro. – E também porque eu coloquei sonífero na sua água, você parecia tão cansado que...

– Você, o quê?! – Hiro perguntou, exaltando-se enquanto tentava sentar-se no leito onde estava, sendo barrado por Kazi.

– Fique deitado, você ainda não está bem. – falou com preocupação, fazendo Hiro lhe encarar com um careta desagradável.

– Me diga, o que foi que eu te fiz? Seja lá o que for, me desculpe. Só... Me deixe em paz. – o loiro resmungou enquanto passava a encarar qualquer coisa, menos o rosto de Kazi.

– Eu posso até mesmo reparar todo e qualquer dano, mas não me peça para deixar você em paz. Eu não posso. – o acinzentado falou enquanto também desviava o olhar do rosto alheio.

– Você por acaso é doente? – Hiro perguntou irritado.

– Talvez. – Kazi respondeu com um sorriso de canto estampado nos lábios.

– Então vá tomar remédio, idiota. – o loiro revirou os olhos.

– E se eu disser que você é o meu remédio? – o outro perguntou um tanto quanto sarcástico.

– Eu não entendi, mas parece clichê. – Hiro falou antes de suspirar longamente.

– Quero dizer que se você quiser me ver curado, terá que me aturar.

Ata.

– Eu estou falando sério.

– Puta que pariu.

Hiro não conseguia pensar nas palavras de Kazi de outra forma que não fosse uma maldição lançada para si.

Entretanto, apesar de sua revolta para com outro, fora naquele momento que uma longa trégua foi estabelecida entre eles.


Notas Finais


Então, crianças... Não rasguem o casaco do crush, não costurem as mangas uma na outra do casaco do crush, não tranquem o crush pra fora da sala, não façam o crush cair do prédio da escola, não façam o crush ir para a diretoria e por último mas não menos importante, n ã o dopem o crush. :D

Desculpa se eu esqueci de alguma traquinagem, eu tenho alzheimer.

Caso alguém quiser ler mais alguma história de minha autoria, segue a lista abaixo.

-> O conde que virou condessa (Labaiser e Misaruka): https://spiritfanfics.com/historia/o-conde-que-virou-condessa-7746728
-> As razões dele, os motivos dela (Labaiser e Misaruka): https://spiritfanfics.com/historia/as-razoes-dele-os-motivos-dela-7734242
-> Tudo ou nada Lycaon e Nocturnal Bloodlust): https://spiritfanfics.com/historia/tudo-ou-nada-4938268
-> Nascido para sofrer (Kiryu): https://spiritfanfics.com/historia/nascido-para-sofrer-7823463
-> Uma noite de verão (Royz): https://spiritfanfics.com/historia/uma-noite-de-verao-9563541
-> Um romance preto e rosa (Mejibray): https://spiritfanfics.com/historia/um-romance-preto-e-rosa-9022625
-> My happiness (Mejibray): https://spiritfanfics.com/historia/my-happiness-8982378
-> My Lady (Pentagon): https://spiritfanfics.com/historia/my-lady-8955708

Até o próximo que irá sair assim que eu receber ele betado. ♥


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