História Meu amigo não tão imaginário - Capítulo 5


Escrita por: ~

Postado
Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens J-hope, Jimin, Jin, Jungkook, Rap Monster, Suga, V
Tags Amém Vianne, Amigo Imaginário, Chimchim, Coly-unnie, Jikook, Kookmin, Muitas Referências, Vianne
Visualizações 1.974
Palavras 4.813
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Colegial, Comédia, Drama (Tragédia), Fluffy, Lemon, Romance e Novela, Suspense, Yaoi
Avisos: Álcool, Drogas, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


AHHHH olá xuxus, tudo bem com vocês? Espero que sim, viu?

Boa leitura!

Capítulo 5 - Achocolatado, Titanic e Festas


— Assim? — mostrou a folha para o Hobi.

— Exatamente assim. — eles voltaram a rabiscar o papel, pelo sorriso travesso, estavam planejando fazer alguma merda.

— Tenta esse. — eles começaram a usar o lápis de cor, pareciam duas crianças desenhando casinhas para darem de presente para seus pais.

— O que vocês estão fazendo? — parei de sugar o canudinho, colocando o copo de achocolatado sobre a mesa do refeitório.

— Estamos desenhando. — jura, Taehyung? Nem sabia, pô.

— É mesmo? — ri irônico, fazendo Tae revirar os olhos diante do meu deboche.

— Fica quieto. — e eles voltaram a pintar a folha.

Olhei em volta, voltando a sugar a bebida pelo canudo e, nossa, o refeitório estava muito cheio. Estava começando a ficar abafado e, porra, que saco. O intervalo havia sido prolongado por causa da falta de professores, e bem, isso era bom, levando em consideração o fato de que posso ficar com meus únicos dois amigos, jogando conversa fora, mexendo nos jogos do celular, dormindo. Era melhor que estudar sim, mas também era ruim em alguns aspectos. Tipo, como o fato do refeitório estar lotado. Eu nem consegui comprar um lanche decente, tive que alimentar meu corpo apenas com algumas garrafinhas de achocolatado da máquina, eu provavelmente chegaria em casa faminto.  

Mas não era ruim apenas por isso. Como havia muitas pessoas, eu não conseguia reconhecer ninguém dentro daquele refeitório. E sim, eu queria reconhecer certo alguém, e é claro que era o Jimin. Quem mais seria, afinal?

Ainda estava pensando no que faria sobre aquilo que havia acontecido, sobre o que eu havia feito. Aquela confusão que eu comecei ontem precisava ser resolvida, e enquanto eu não me levantar daqui e procurar resolvê-la, não irei passar sequer um minuto sossegado. Minha cabeça estava pipocando, e honestamente, acho que eu mereço isso. Afinal, a culpa é minha. Quem mandou empurrar o garoto contra uma parede só para perguntar qual era o seu nome, hein, Jeongguk?  

Eu podia simplesmente deixar pra lá, sabe? Eu queria, queria muito. Sério, meu atual sonho é esquecer aquilo, deixar pra lá. Tudo aconteceu ontem mesmo, e caramba, o acontecimento já está me consumindo. Eu realmente queria esquecer. Mas só de lembrar de como eu fui rude com ele e mal educado, eu me sentia na obrigação de ir me desculpar, de fazer algo, qualquer coisa. Eu só não queria causar uma má impressão. Além de que ele deve ter se perguntado o que aquilo que fiz significava, certo? E se ele estiver preocupado com isso? Me deixa louco imaginar que o fiz pensar na coisa errada. Como, agora, ele estar pensando que o meu ato rude fora porque eu queria brigar com ele, ou porque eu o odiava, ou por qualquer outra coisa. Queria tanto me explicar… Só não fazia ideia de como.

— Ah, acabou. — murmurei tristinho, vendo meu copo vazio. — Eu vou comprar outro.

— O quê? Mais, Jeongguk? — Hoseok me olhou desacreditado. — Você já bebeu duas garrafas.

— Só tem 600ml em cada uma. — fiz um bico.

— Isso quer dizer que você já bebeu um litro de achocolatado. — dei de ombros. — Não faz mal?

— Não, achocolatado nunca faz mal. — eu disse para Hoseok.

— Achocolatado me deixa inchado. — Tae reclamou chateado, sem retirar sua atenção do desenho ou… Sei lá o que aquilo era.

— Ah você fica bonitinho inchado, Tae. — Hobi disse sorrindo, e na mesma hora me levantei, não queria ficar ali agora.

— Já volto. — ambos confirmaram com a cabeça, acho que não me queriam ali agora também.

A máquina de bebidas ficava perto, as pessoas estavam formando filas para elas também, mas eu tinha tirado sorte grande ao gostar de achocolatado americano. E pela empresa deste ser grande, havia duas máquinas só com as bebidas daquela marca e quase ninguém aqui gosta delas, então não tinha fila. Aproximei-me e selecionei a bebida que queria, inserindo minha nota em seguida.

A máquina do lado foi ocupada e eu estava distraído o bastante para olhar para a pessoa que estava ali com a maior naturalidade do mundo, até notar que era Jimin.

Deve ter sido muito estranho como eu me virei para o chão rápido ao perceber que era ele, e ao mesmo tempo, minha bebida caiu. Eu suspirei nervoso e insistia em olhá-lo de esguelha, o mesmo nem havia me notado, estava ocupado demais revezando entre olhar para seu próprio celular e a máquina. Ele parecia confuso e… Cego. Sim, ele parecia um cego. Ficava forçando a vista e praticamente grudando o rosto na máquina. Parecia não enxergar nada.

Será que ele precisava de ajuda?

Eu fingi escolher algo na máquina em minha frente, só observava e fingia estar ocupado, mas a real era que eu estava esperando para ver se ele fazia algo. Mesmo que eu já tivesse escolhido e pagado minha bebida, eu queria ver se ele ia conseguir usar a máquina. E quando, pelo menos dois minutos se passaram e Jimin continuou com a cara quase enfiada na máquina, vi que ele realmente precisava de uma ajuda.

— É… Você… — eu comecei murmurando. — Você quer uma ajuda? — perguntei, me agachando rapidamente para pegar o meu achocolatado e voltar a ficar ao seu lado.

Jimin me olhou, seus olhos estavam inchadinhos e acho que era por ele estar forçando tanto a vista, ou não, eu não sei.

— Ah você… Você consegue ler isso? É muito pequeno. — colocou o dedo indicador sobre a máquina.

Olhei para onde ele apontava e, sim, dava pra ler tudo tranquilamente. E não era pequeno.

— Ah… É, eu consigo. — ri baixo. — Você quer ajuda?

— Ai, eu quero. — ele voltou a olhar para o seu celular. — Você sabe aquele dlupo... — eu quase, quase ri de como ele falou a palavra duplo, mas ele se corrigiu antes, e também eu fingiria não perceber para não deixá-lo constrangido. — Duplo, digo, duplo. — suspirou. — Aquele que é duplo… Tipo, dose dupla de chocolate.

Sim, eu sabia qual era e odiava. Era muito doce, inclusive, eu bebia o que tinha 30% menos achocolatado porque não suportava coisas doces demais.

— Você quer o duplo? — perguntei e ele me olhou.

— S-sim, por quê? — franzi o cenho, estranho como ele pareceu se sentir ofendido com a minha pergunta, mas talvez eu tenha usado um tom rude sem perceber por não gostar da bebida.

— Só pra confirmar. — eu sorri pequeno, ele sorriu um pouco e olhou para a máquina. — Tem sim, é o número vinte e quatro. — apontei para os números ao lado.

— Ah, sim. — Jimin riu baixo. — Ahhh, muito obrigado. — foi engraçado como ele cantarolou a última palavra, ri pequeno. Ele era fofinho.

— Tudo bem.

Eu esperei até que ele conseguisse a bebida e quando ele pagou e pegou, eu fui em silêncio.

Nossa.

Nossa…

Como assim?

Ri, mas foi de nervoso. Eu estava nervoso, sorrindo, provavelmente parecia um doido.

Que coisa foi essa? Foi muito tranquilo falar com ele!

Tá que ele não me reconheceu e, acredito que seja por conta de seu problema de vista — que depois dele não conseguir enxergar aquelas letras, deixou bem óbvio que tinha um —, mas mesmo assim, eu deveria ter ficado nervoso, não é? Ele não me reconheceu, mas eu reconheci ele. Então por que agi tão bem? Estava surpreso e orgulhoso de mim mesmo.

Quando eu me sentei de frente para Hoseok e Tae, fui lento ao beber meu achocolatado. Estava muito surpreso com a minha própria naturalidade com ele e poxa, bem feliz.

Talvez não seja tão ruim falar com ele, né? Pedir desculpas?

— Taehyung... Deixa eu ficar do seu lado. — pedi baixinho, passando para o lado deles e me sentando no meio dos dois. — Hyung, o que eu faço?

Taehyung largou a folha e franziu o cenho.

— Com o quê? — perguntou, acolhendo com a mão minha cabeça quando a deitei em seu ombro.

— Eu quero falar com o Jimin.

Ele e Hoseok deram risada.

— Então fala, poxa. — Tae me acariciou os cabelos, ele parecia ser um irmão mais velho. — Mas por que você quer? Não é…

— Não é porque ele parece o Chim, tá? — murmurei antes que ele perguntasse, suspirando. — Eu juro que não é.

Sim, sempre que eu olhava para o rosto do Jimin, me pegava pensando em como ele era parecido com o ChimChim, mas não, eu não queria falar com ele e me desculpar por causa disso.

Já tinha aceitado que era só uma coincidência.

— Tá bom, eu acredito em você, Kook. — Kim murmurou. — Por que você quer falar com ele?

— Porque eu fiz burrada, poxa. — eu me afastei para poder lhe olhar. — E se ele pensou algo? Tipo… E se ele achar que eu quero bater nele?

— O quê? Ah, não, ele não pensou nisso. — Tae disse rindo.

— Pensando bem… — Hoseok começou, olhei-o. — Se alguém me jogasse na parede brutalmente e começasse a gritar, do jeito que o Tae me disse que você fez… — Taehyung o cortou.

— Mas não é possível aquilo parecer uma briga. — disse, parecia ter certeza do que falava. — Você tinha que ver como o Jeongguk olhou pra ele, parecia muito feliz, apesar de estar confuso… Aquele olhar não era de alguém que queria brigar. Sério.

— Realmente? — perguntei e Tae assentiu. — Hum, então…

— Mas, sabe o que eu acho? — meu primo sorriu. — Acho que deveria pedir desculpas. Ele merece. E você tem que falar com ele também, pô. — sorriu de lado. — Ele pode ser sua alma gêmea. — cantarolou.

— Aish Tae, para com isso. — revirei os olhos, fazendo ambos rirem da minha timidez. — Eu acho que… Acho que vou falar com ele sim. Hoje.

— Muito bem, assim você me orgulha. — deu uns tapinhas nas minhas costas e eu suspirei ali.

É, eu teria que encarar aquilo.

[…]

Fim das aulas, sexta feira. Jeon Jeongguk quase morrendo de medo, ansiedade, medo, um pouco mais de medo e um pouco muito mais de ansiedade.

Eu arrastava os braços pelas paredes e caminhava em uma lerdeza quase surreal pelos corredores vazios, tentando adiar ao máximo o que estava prestes a fazer. As aulas tiveram seu fim há quase quinze minutos, então poucos colegiais tinham de continuar aqui dentro. Se estavam, provavelmente era para estudar ou ter suas aulas extras. Enfim, o colégio parecia tranquilo e silencioso, a não ser pelo som alto de uma canção, digamos, meio estranha para uma sala de dança.

Dream A Little Dream of Me, Doris Day.

Música antiga, relaxante. E sem batida alguma.

Será que estavam praticando com aquela canção ou era da sala de teatro?

De qualquer jeito, aquilo não era de fato importante. Importante mesmo seria como eu pediria desculpas para Park Jimin.

Eu ensaiei pelo menos dez vezes em frente ao espelho do banheiro antes de vir aqui, tentando achar as palavras certas para poder me explicar para ele. Mas nada saía correto, tudo me era estranho, alienado, sem sentido. Era impossível achar uma explicação razoável para o que havia acontecido, para minha atitude contra ele, para o meu ato de empurrá-lo contra a parede e ter perguntado gritando qual era seu nome. Porque, convenhamos, o motivo é super estranho. Afinal, eu fiz aquilo pois achei que ele era meu amigo imaginário! Isso é esquisito demais. Sem chances de eu conseguir explicar.

Mas mesmo assim, eu estava indo até ele, só para me desculpar. Porque… Eu não sei ao certo o porquê, apenas sentia que devia me desculpar.

Eu queria o ver e pedir perdão pelo inconveniente. Realmente, eu estava muito nervoso e tentando calcular minhas palavras de um jeito que não parecesse muito estranho. E também tinha medo de que a forma como eu falasse parecesse uma cantada cafona. Percebe que dizer que ele parecia ser imaginário/falso soa como uma cantada? Não? Na minha cabeça parece. Mas pode ser que eu só esteja meio louco por conta do nervosismo. Nunca se sabe.

— Esperem aqui! É sério, não parem de praticar! Vou ficar triste se pararem, ouviu?

Só percebi que antes encarava o chão quando tive que levantar o olhar para ver quem havia ditado aquelas palavras, com uma voz meio chorosa e brincalhona. Avistei a cabeleira loira, a franjinha úmida grudada na testa pelo suor — eu suponho — e o boné preto sobre sua cabeça. A calça jeans preta e a blusa larga me fizeram pensar em como Park Jimin entrava no colégio com roupas tão… Tão assim. Aish. Eu sei lá, na minha opinião, vestir-se daquele jeito era um… Abuso.

Ele corria, rindo, e estava vindo para perto de mim, mesmo que ainda não tivesse notado a minha presença por estar olhando para trás, brincando e rindo com uma das garotas que estavam perto da porta da sala de dança. Mordi o lábio, apertando a alça da minha mochila conforme as batidas do meu coração aceleravam. Era patético. Sentia-me nervoso pra cacete e nem havia motivo.

Digo, no máximo eu seria chamado de esquisito, ou passaria vergonha. Então por que sentia que aquilo era questão de vida ou morte? Parecia tão importante ser desculpado e entendido pelo norueguês que meu rosto ficou quente. Parecia que eu havia pegado um solzão na cara por horas, minhas mãos chegaram a suar, e detalhe: ele nem havia notado minha presença.

— Ah. Oi! — ele enfim direcionou seu olhar para mim, parando de caminhar conforme íamos ficando mais próximos.

Parei e pensei por um momento, me questionando sobre o porquê dele ter me cumprimentado. Teria ele me reconhecido? Notado que eu era o esquisito? Ou era só porque apenas eu e ele estávamos no corredor? Ou era porque o ajudei lá na máquina?

Por que estou pensando tanto? Assim eu só ficarei mais nervoso.

Péssimo, Jeon. Péssimo.

— Oi! Boa tarde. — cumprimentei formalmente, inclinado meu corpo brevemente.

Ele sorriu, seus olhos ficaram menores do que já eram e seus dentes perfeitinhos vieram a ser visíveis por mim. O da frente era inclinadinho, mas me parecia muito certo aquele sorriso. Ele colocou uma das mãos sobre sua cintura e jogou o corpo para o lado, tombando a cabeça levemente para direita e fazendo uma expressão de dúvida, perguntou:

— O que faz aqui? As aulas já acabaram. Pensei que hoje a escola fosse nossa, você faz teatro? Jisoo cancelou hoje para podermos usar a sala dela. Ela me enganou? — cruzou seus braços, semicerrando as pálpebras. Falava tão rápido que, além de dançarino, o Park poderia ser um rapper. — Ah, é isso! Ela me enganou!

— O quê? Quem te enganou?

— Aish, aquela garota é uma cavala! Eu vou chutar a bunda dela. Eu não acredito que emprestei dois 'conto pra ela só pra no final ela me enganar assim! — bufou e o biquinho que fez com os lábios fora adorável. Eu me senti perdido em seu semblante por um momento. — Ei, espera! Está do lado dela, não? Vou chutar você também!

— Não, espere, você entendeu errado. Não faço teatro. — cortei-o antes que ele me acertasse com seu pé, porque ele parecia falar muito sério. — Eu vim procurar você. 

— Hum? Por quê? — ele descruzou os braços e sua expressão suavizou, mesmo que seu cenho permanecesse levemente franzido pela curiosidade.

— Eu queria me desculpar.

Jimin ficou quieto por um tempo, meio segundo que pareceram horas e mais horas. Os dedos pentearam seu cabelo por um tempo e ele continuou me olhando nos olhos em completo silêncio. Por nervosismo, cocei a nuca, esperando que ele dissesse algo, mas a única coisa que saiu de sua boca foi:

— É o quê? Se desculpar? — então ele não se lembrava de mim?

— Sim. — ele continuou com sua face confusa, então, decidi perguntar. — Desculpa, mas você se lembra do que fiz ontem? — perguntei, bem, seria bom se não lembrasse.

Assim eu poderia causar, quem sabe, uma impressão nova nele. Por algum motivo, queria que Park Jimin tivesse uma boa impressão sobre quem eu era.

— Ontem? — confirmei com a cabeça. — Hum… — colocou a mão sob o queixo, suspirando, com sua carinha pensativa. Passaram-se alguns segundos até ele dizer: — Oh! Sim! O cara bruto! — ele mostrou um sorriso divertido.

Por que ele estava sorrindo?!

Ahhhh meu Deus! Me desculpe por aquilo! — ofeguei, colocando as mãos sobre os olhos, meu rosto estava fervendo, e como minha cara facilmente ficava vermelha, imaginei que eu estivesse assim agora. Jeon Jeongguk cara vermelha sob o olhar de Park Jimin. Tão patético…

Mas ele riu baixinho. E seu riso me acalmou por um breve momento. Mas isso não quer dizer que eu consegui voltar a olhá-lo.

— Nah, sem essa, eu não me importo. Apenas me diga o motivo daquilo. — voltei a olhá-lo, seu sorriso bonito só me deixou mais encabulado. — Tipo, daquela pegada. — ele realmente usou a palavra “pegada”?

— Eu pensei que você fosse um conhecido meu… Um conhecido antigo. — não iria mesmo dizer que ele parecia ser meu amigo imaginário. Não queria parecer ainda mais estranho. — Acho que exagerei um pouco.

— Entendi. Desculpe pelo meu amigo, ele foi meio extremo também. Em te empurrar, sabe? — assenti, ouvindo seu suspiro alto e relaxado. — Enfim, sem ressentimentos. Não se preocupe.

— Mesmo?

— Aham. — suspirei, como se um grande peso tivesse saído das minhas costas, e enfim relaxei. Ele parecia não se importar com a cena que fiz no dia interior, levou tudo tão tranquilamente que eu relaxei. Ele conseguiu me deixar relaxado. — É só isso?

— Sim. — sorri pequeno, ajeitando minha mochila nos ombros. — Obrigado por entender.

Ele sorriu, seus olhos também sorriram, tornaram-se mais puxadinhos que o normal, e por um segundo, me peguei pensando em como aquilo aconteceu. Como ele aconteceu. Um norueguês com aqueles olhos? Sua mãe talvez apenas estivesse passeando na Noruega quando ele decidiu vir ao mundo… É, pode ser isso. Por que os cabelos loiros tinham de ser tão bonitos?

Por Deus, ele é lindo.

— Tudo bem. — Jimin riu baixinho, me dando um soco leve no peito que nem doeu, mas eu fiz uma cena, colocando a mão ali e fazendo uma careta, fazendo-o dar risada. Eu ri junto. — Tenho que ir, as meninas estão esperando por mais água antes de voltarmos a ensaiar. — ele voltou a se afastar, passando direto por mim agora. — Fica de boas, tá?

— Ah. Sim. Claro. Você também. — virei-me para ele, acenando conforme ele se afastava.

Acho que os olhos de Jimin são verdes. Um verde bem escuro.

— Ah, e, ei? — ele me chamou, já estava um pouco afastado. — É Jimin, tá? O meu nome é Jimin.

E depois, ele se virou e correu, acenando para mim, não me deixando responder sua fala. Como se eu não soubesse o nome dele. Ri, lembrando que eu havia praticamente o jogado contra a parede ontem, apenas para perguntar qual era seu nome e agora ele me respondia.

Ah, Jimin…. Sua gentileza me contagia.

Saí do colégio e estava um pouco contagiado por causa de Jimin. Eu não sei, eu só fiquei sorrindo um pouco demais enquanto atravessava a rua para buscar o Yoongi, eu estava sentido, de verdade, o Park conseguiu mesmo mexer comigo. Perguntei-me o porquê dele ter levado tudo numa boa, ele era assim? Poxa, eu pensei de verdade que eu levaria uma patada, ou um olhar estranho, mas ele só foi gentil.

Isso mexeu comigo. De verdade.

— Yoongi. — fiz meu primo deixar de olhar para o celular e ri, estranhando. — Ué. Por que não fugiu? — afinal, eu tinha me atrasado e ele estava ali, sozinho, em frente a universidade. Poderia ter fugido de mim.

— Minha mãe ficaria triste. — ele bloqueou o celular, guardando em seu bolso.

— Então… Esse drama que você sempre faz pra ir embora… E as tentativas de fuga...? — eu ri. — Ah, Gi hyung… — Yoongi revirou seus olhos.

— Cala a boca. Vamos logo.

A rotina continuou, a gente subiu no ônibus e chegou em casa. Minha mãe estava cochilando no sofá e minha casa estava vazia, só eu e ela. Entrei de fininho para não acordá-la e fui direto para o meu quarto.

Quando finalmente guardei minhas coisas, troquei minha roupa e fiquei sem nada para fazer, me peguei encarando o computador, o teto e tendo umas dúvidas bem grandes sobre o Jimin.

Tá, eu sabia o que as pessoas diziam sobre ele. Ele era um dançarino espetacular, um grande líder, um menino popular que nasceu na Noruega. Ok, eu sabia o que as pessoas sabiam sobre ele. Mas quem disse que os rumores sempre estão certos? Não que eu não acredite que ele é tudo de bom, como todos disseram, depois de vê-lo hoje, depois dele ter sido carinhoso comigo mesmo quando fiz uma burrada, sabia que Jimin era sim uma pessoa boa. Ele provavelmente era maravilhoso. Mas eu não sabia quem ele era. Não de verdade.

E quem ele seria…

Olhei para o computador.

Será que… Eu deveria pesquisar?

Abri o laptop.

— Não. Seria estranho. — fechei o laptop, mas em um suspiro curioso, o abri novamente.

Seria só pra saber um pouco mais sobre ele. Não tinha problema, não é?

Franzi o cenho, encarando o site de pesquisa aberto.

Quando vi, já estava digitando o nome: Park Jimin.

Eu queria tanto saber um pouco mais, um pouquinho…

Ele era tão curioso.

Curioso demais.

Abri minhas redes sociais, e bem, eu não usava nenhuma delas, apenas o Tumblr para seguir uns caras que faziam uns desenhos legais. Mas eu tinha um Facebook antigo que eu usava quando jogava online pelo computador e eu também havia um Twitter, que criei apenas para ajudar meu artista favorito a ganhar uma premiação no ano passado.

Park Jimin não estava em nenhuma dessas redes sociais. Tipo, não mesmo, não tinha nenhum Jimin que fosse ele no Facebook, e foi engraçado como a maioria com o nome Jimin era menina. Pesquisei mesmo, entrei em pelo menos vinte perfis e nenhum deles era o do Park Jimin loiro norueguês.

No Twitter foi ainda mais difícil, não havia um usuário com o nome dele, e o nome Park Jimin não era mencionado por ninguém. Mano, o universo não queria que eu stalkeasse ele, é, era isso.

Então eu joguei no Google o nome dele e, estava quase morrendo enquanto esperava. Batucava os dedos no computador e quando a página carregou, dei um salto ao ver que tinha um vídeo do Jimin no Youtube. Era ele, era realmente ele porque, na capa, estava a cara do Jimin bem de perto e era engraçado.

“Park Jimin conta como foi sua experiência assistindo Titanic! LOL!”

Oh meu Deus.

O vídeo começou com os pés de alguém, a pessoa andava tranquilamente em silêncio, pelo barulho, estava em algum lugar cheio e quando levantou a câmera, vi que aquele era o cinema do shopping de Seul.

Jimin-ssi! — o que gravava gritou, então eu vi um garoto, na frente, começar a correr. — Me diz, Jimin-ssi, como foi ver Titanic pela primeira vez dez anos depois de lançar e dez anos depois de todo mundo ver? — o menino que gravava alcançou o outro e, vi que quem corria antes era o Jimin.

Uau, ele estava ruivo.

Eu não tenho… Eu não tenho palavras, por favor, sem entrevistas. — Jimin disse, caindo na gargalhada com o menino que gravava, eles estavam brincando e… Pô, os fios alaranjados eram muito bonitos. Ficaram bem no Jimin. — E, você sabe que eu já vi esse filme antes, aish, eu sou um fã, você sabe, ai… — Jimin desviou seu olhar da câmera.

Jimin-ssi, por favor, diga sua opinião! — o menino fingiu que seu punho era um microfone e eu quase, quase gritei quando vi os lábios do Jimin tremerem e, depois, ele fez um biquinho. Seus olhos estavam alagando.

Eu quase chorei.

Ah não, por favor, eu não quero falar sobre isso. — Jimin ria e ao mesmo tempo fazia uma cara de choro, a risada do garoto que gravava era extremamente alta.

Jimin-ssi! Você está chorando por causa de Titanic? — o menino cutucou as bochechas do Jimin, tadinho, deixa o Jimin ficar triste, por favor!

Aish, fala sério, você é muito ruim… — o Jimin murmurou, coçando a ponta de seu nariz. — O Oscar já diz tudo né... Um filme que já entrou para a história do cinema. Olha, não tem motivos para eu falar as qualidades desse filme, se não teria que ficar aqui até amanhã, o mínimo que posso fazer é agradecer ao fantástico James Cameron por nos oferecer uma obra-prima como essa. — e ele fez outro beicinho. — Ahhh, é realmente… É realmente triste. — ele olhou para o chão outra vez.

Está chorando, Jimin-ssi? — eu juro que queria dar um tapa no menino que provocava o Jimin, e depois abraçar o Park, ele estava realmente triste. — Mas, Jimin-ssi, você não acha ridículo como o Jack morreu sendo que havia muito espaço naquele pedaço de madeira?

Eles estavam morrendo, pelo amor de Deus, a Rose estava fraca, você realmente acha que ela poderia fazer alguma coisa para salvá-lo? — Jimin ralhou, franzindo o cenho e fazendo o garoto cair na gargalhada. — Te odeio. — Jimin voltou a ficar bicudo, até que a câmera ficou bem perto do seu rosto.

Jimin-ssi, qual seu comentário final? — agora eu só via os olhos do Jimin, aquela câmera estava colada na sua cara.

Ótimo filme. — e depois ele saiu e o menino riu mais um pouco, a câmera desfocou, até que o video acabou.

Coloquei o vídeo para repetir.

Estava sem palavras pra aquilo. De verdade, o Jimin era um fofo e me parecia ser sensível. Eu nunca vi Titanic, não porque eu não gosto ou coisa do tipo, eu só havia pegado spoiler minha vida inteira, então mesmo sem ver, eu já sabia a história toda. Mas quando vi Jimin ali, triste por causa do filme, tive vontade de assistir só para entender sua dor.

Nossa, eu gostava de olhar para o Jimin naquele vídeo, sua pele era um pouco bronzeada, me parecia lisa. A data era de dois anos atrás e tinha menos de cem visualizações. Peguei-me olhando para o Jimin pelo computador, ah, ele era realmente fofo, eu gostei de como seus olhos sumiram quando ele ria eu achei… Muito fofo.

— Jeongguk? — vi Taehyung abrir a porta do meu quarto.

Eu fechei a tela do computador com uma força extrema e, pelo barulho alto, acho que posso ter quebrado meu laptop.

— OLÁ!

Taehyung deu um saltinho onde estava, rindo nervoso da minha cara.

— O que está fazendo? — ele entrou no meu quarto, fechando a porta de novo.

— Bem, bem, bem.

— Bem? O quê? — ele voltou a rir, cruzando seus braços. — Eu não perguntei se você estava bem, perguntei o que você estava fazendo.

Ah, é. Merda.

— Ah, eu estava.. Pfft, sabe, né? — ri. Por que eu estava tão nervoso?

Aish, eu não queria que ele soubesse.

— Tá aprontando? — sorriu travesso. — Tá aprontando!

— Não tô, hyung, aliás, o que você quer?

— Você ia se masturbar? — ele riu alto. — Meu Deus, você tava vendo pornô, não é? O seu pau tá duro? Jesus!

— Não, Taehyung. — eu levantei minha blusa mostrando que, não, eu não estava excitado e não ia me masturbar. O papo estava estranho demais. — O que você quer, hein? — tá, o meu computador deu uma de louco e o som do vídeo do Jimin começou a sair pelas caixinhas de som. 

“Jimin-ssi!”

Taehyung me olhou.

— Ei! Você…

— Tae, o que você quer, hum? — eu pulei da cama, correndo até as caixinhas de som, desligando ambas.

— Eu queria saber se você quer ir em uma festa, mas agora quero saber o que você estava fazend-

— Sim, eu quero, Tae, agora saia. Eu vou na festa, mas sai daqui.

— Ah, mas por… — ele ficou em silêncio. — Espera, é sério? Você quer ir?

— Sim, agora sai, por favor. — eu disse abrindo a porta para ele ir.

— Você quer sair? — me olhava com os olhos levemente arregalados. — É sério?

— Sim. — ri nervoso.

Não, eu não queria sair, mas porra, eu não queria que ele soubesse que eu estava vendo um vídeo do Jimin no Youtube.

— Espera… Eu não tô entendendo. — era realmente difícil acreditar que eu queria sair, concluí ao ver Tae assustado e completamente confuso.

— Olha, só quero sair para respirar um pouco. Com você e com o Hobi. Na última vez, você foi atropelado.

Sou um mentiroso nato.

— É verdade. — ele riu, mas parecia ser de nervoso. — Jura que quer sair? Do nada, assim?

— Sim, Tae. Difícil de acreditar? — olhei-o rapidamente, vendo-lhe confirmar com a cabeça pelo menos três vezes. — Ah, apenas me leve para esse lugar aí dessa festa, eu vou, ok? Agora sai daqui!

Vi Taehyung sorrir, aquele sorriso travesso e quadrado que apenas Kim Taehyung havia. Aproximou-se, colocou a mão sobre os meus ombros e alargou seu sorrisão, dizendo:

— Hoje você não me escapa, Jeon Jeongguk. — chacoalhou-me brevemente. — Escolha uma roupa, eu vou ligar ‘pro Hoseok hyung. Sairemos em menos de uma hora. — ele se virou e saiu do quarto, praticamente saltitando de tanta animação.

— T-tá.— respondi, mesmo que ele não tivesse escutado por ter saído que nem o Flash.

Merda.

Agora vou ter que ir na droga de uma festa.

E o pior de tudo era que eu odiava festas. Inclusive, não havia ido em nenhuma que não fosse de uma criança.

Merda.

— Que Deus me ajude.


Notas Finais


playlist: https://open.spotify.com/user/nickuchanx/playlist/389snLNVQweLDQVpI9cEDQ
Eu de Jimin, choro sempre que vejo Titanic. Melhor obra, sim ou claro?

Ahhh eu ia postar dois capítulos essa semana, inclusive tenho todos prontos, mas cês acredita que fiquei com preguiça de betar? SOU UM LIXO! Prometo voltar logo, às vezes eu fico esperando vocês virem ler para postar um novo, por isso demoro um pouquinho, sabe? Mas eu volto rapidin essa semana! Beijon e até o próximo.

A fanfic tem um trailer, sabia? Aqui o Link: https://www.youtube.com/watch?v=kcNGn79xwgM


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