História Meu amor imaginário - Capítulo 44


Escrita por: ~

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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Amigos Imaginários, Amizade, Amor, Colegial, Conflitos, Diversão, Escola, Imaginação, Magia, Melhores Amigos, Passado, Problemas, Sofrimento
Visualizações 44
Palavras 3.875
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 14 ANOS
Gêneros: Aventura, Colegial, Comédia, Escolar, Famí­lia, Fantasia, Festa, Magia, Romance e Novela
Avisos: Heterossexualidade
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


OLHA SÓ QUEM FOI COMPLETAMENTE ESCRAVIZADA PELA MÃE E PELOS PROFESSORES ESSA SEMANA!!
Isso aí, aconteceu tudo ao contrário do que desejei e tive que enfrentar uma semana inteira de trabalhos (não paro de ir na casa dos meus colegas fazer isso afff) e também de faxina! Maldita hora em que minha mãe resolveu crescer a casa!!
Enfim daí deu no que deu. Eu só escrevia no ônibus (até meu estômago embrulhar) e nos intervalos de uma aula pra outra...
Espero que valha a pena a espera!! S2

Capítulo 44 - Cap 43


Fanfic / Fanfiction Meu amor imaginário - Capítulo 44 - Cap 43

Era impossível descrever a gratidão que eu sentia por Kile não ter me feito uma pergunta sequer sobre o acontecido, mesmo comigo chorando durante quase todo trajeto o máximo que ele fazia era dar um suspiro e revirar os olhos! Eu me sentia mal por não querer contar nada, mas aquele em si não era o momento certo, bom, talvez fosse, mas não era o momento em que eu fazia questão de sequer abrir a boca.

A cena de Marta chorando e tentando me convencer de que a culpa não era minha, não saia da minha cabeça. Mais horrível ainda foi a pequena discussão que ela teve com a enfermeira sobre eu não precisar mais dos serviços dela e que a própria Marta daria conta de tudo. E o pior, A ligação de Angel furiosa por eu ainda não ter voltado pra casa! No fim das contas, Marta me orientou a contar tudo pra ela antes que as coisas saíssem do controle, acabei aceitando, mas não naquele momento.

-Seguinte.-Kile parou o carro em frente a minha casa. Pela janela do segundo andar, eu podia ver o rosto furioso de Angel me encarando.-Não pense que eu vou deixar essa história passar assim ilesa sem perguntar nada, mas pelo menos eu não farei isso agora.-Fiquei aliviada.-Segunda coisa.-Olhou para a janela e encarou Angel, em seguida, se virou pra mim.-Não faça ela achar que sua demora foi culpa minha, e se ela perguntar, eu não passo de um taxista.

-Será super fácil convencer a minha avó de que você é um taxista!-Ironizei.-Principalmente por causa desse seu carro humilde.

-Ela é velha! Velhos não entendem de carros.

-Ao menos que eles sejam velhos ricos e modernos!-Abri a porta.-Relaxa, qualquer coisa eu fujo de casa.

-Não antes de me contar.-Ligou o carro sorrindo.-Até amanhã gatinha!-E saiu buzinando loucamente pelas ruas.

-Até amanhã...Gatinho.-Esbocei um sorriso bobo e irônico, logo sacudi a cabeça me repreendendo daqueles pensamentos.-Kile é um lixo, Kile é um lixo, Kile é um lind… Kile é um lixo…-Adentrei a casa sussurrando.

-LUA! VOCÊ ESTÁ MUITO, ENCRENCADA.-Ouvi os passos fortes de Angel descendo as escadas. Dei palmadas leves em minhas bochechas para que pegassem um pouco de cor e ânimo e olhei para escada vendo uma Angel furiosa descendo com sua saia branca estilo Rainha da Inglaterra.

-Vovó!-Disse num tom meigo indo na direção dela. Lolo surgiu logo atrás sacudindo a cabeça alegando que aquilo não era uma boa ideia.

-Onde você esteve? Estava fazendo uma caminhada até o Canadá? -Ela parecia aliviada, no entanto muito, mais muito furiosa.

-Eu deixei claro que eu poderia parar numa lanchonete aí no bilhete. -Disse notando que ela o segurava.

-Mas não deixou claro que demoraria tanto! São duas horas da tarde Lua! Eu fiquei preocupada.

-Desculpa Vó.-Disse mesmo sem estar entendendo bem o que estava acontecendo. Minha cabeça estava cheia de coisas e eu só queria ficar sozinha.

-Aconteceu alguma coisa?-Droga, estava difícil esconder minha dor. -Querida o que aconteceu? -Angel se preocupou ao notar minha cara de choro se formando e minha mão enfaixada.-Lua?-Passou as mãos sobre meu cabelo e então desabei.

-Me deixa ficar sozinha por favor! -Pedi em súplica com a voz de choro completamente embargada.

-V-você não quer conversar?

-Agora não Angel. Só me deixa ir…-Pedi e corri escada acima indo em direção ao meu quarto.

Tranquei a porta com força e me joguei em minha cama descarregando tudo que sentia. As dúvidas, o medo, o cansaço, a dor, a saudade… tudo que eu mais queria naquele momento era nunca ter tido dons nenhum, era ter uma vida normal, com um pai uma mãe e nada mais do que dois amigos, mas eu estava passando por algo muito além disso! E não tinha forças nem mesmo para enfrentar.

Não sei por quanto tempo passei ali chorando, a realidade é que eu havia ignorado tudo naquele dia! As ligações dos meus amigos, as novecentas vezes que Angel bateu na minha porta me obrigando a comer, e as mensagens de Marta! Eu só queria esquecer tudo que estava acontecendo, mas era impossível porque sempre que eu cogitava resolver esse problema, era em Markson que eu pensava. Mas Mark não estava ali, e o pior de tudo, era que ele era o problema.

Só de pensar, que se não fosse pela “invasão” de minha mãe no tal reino, nada disso estaria acontecendo, eu poderia estar bem, talvez morando com ela em uma casa qualquer no Brasil, talvez eu não tivesse o meu pai presente, mas pelo menos ele não estaria preso numa cama de hospital completamente inconsciente. Era difícil pra mim tentar entender tudo, e era pior ainda ter de chegar ao ponto em que eu simplesmente não poderia mas esconder isso de ninguém! Eu precisava tomar uma atitude, mas naquele momento, tudo que eu queria era continuar chorando.

-Você não quer abrir para a sua avó, mas vai abrir pra mim!-A voz agressiva de Tichynna me causava dor de cabeça.

-E pra mim também! -Ótimo, Jeremy também estava lá.

-Lua, se você não abrir essa porta agora, eu juro que acabo com a nossa amizade! -Tichynna parecia estar falando a verdade.

-Sério? -Ouvi os sussurros de Jeremy.  Tichynna apenas bufou num “claro que não”. Tentei de todos os modos prender o choro e fingir que estava tudo bem, mas não consegui. Meu coração estava apertado e pensando bem, seria ótimo abraçá-los.-Lua.-Jeremy dava pequenos socos na minha porta.-Olha eu sei que você quer ficar sozinha mas já está o dia todo aí, por favor vamos tentar conversar, eu sei que podemos te ajudar de alguma maneira, deixe a gente pelo menos tentar!

-Abre logo esse lixo de porta ou eu derrubo!-Era incrível a diferença daqueles dois.

Me levantei e me olhei no espelho por alguns minutos, a situação estava terrível. Mas eu não estava com ânimo para agradar ninguém com minha a aparência, nem mesmo eu. Abri a porta devagar, e puxei os dois para dentro pelo braço trancando-a rapidamente.

-Não quero que Angel entre aqui.-Disse voltando a me sentar na cama.

-Você está péssima! -Jeremy comentou recebendo um cutucão da namorada.

-Eu não abri a porta pra vocês para ter que ouvir isso.-Disse.

-Você abriu para a gente ter que ouvir alguma coisa.-Tichynna se sentou, notei que segurava uma sacola cheia de salgados e frutas, eles realmente pensavam em tudo.

-Eu não quero falar nada.-Enterrei minha cabeça no travesseiro e deixei as lágrimas voltarem. Senti Jeremy se sentar ao meu lado afagando meus cabelos.

-Eu segurei Tichynna a tarde toda e agora nem eu mesmo consigo me segurar mais! Ou você conta, ou terei que te forçar! -Jeremy disse calmamente.

-È isso mesmo xuxuzinho!-Tichynna bateu na mão dele com um sorriso vitorioso.

-Você criou um monstro. -Disse olhando brava para Tichynna.

Custou até eles finalmente me domarem e me forçar a falar um pouco. No fim das contas, acabei contando absolutamente tudo que aconteceu, enfatizando cada detalhe desde o dia em que Cecília me contou sobre Tórton até a parte em que Kile me trouxe de volta, eles colaboram muito ficando calados até o final. No final de tudo, Tichynna também chorava, e aquilo cortou o meu coração.

-Eu não acredito que a aberração foi embora pra sempre! -Ela abraçou Jeremy com força completamente abalada.-Eu estava começando a me acostumar com ele.

-Ele era um cara bacana e poxa! Ele era real como todo mundo!-Eu poderia estar louca, mas podia ver algumas lágrimas nos olhos de Jeremy também. -Eu não acredito…

-A culpa foi toda minha! Do meu orgulho, egoísmo...Eu poderia ter pensado além de mim, eu sempre usei Markson para resolver os meus problemas e amenizar a minha dor, e agora estou aqui completamente perdida dependendo dele.-Disse em meio aos soluços.

-Tem até mais um probleminha nessa história toda!-Tichynna sorriu forçado.

-O que?

-Acabou contando a Jeremy que Cecília e Kile tem dons.-Arregalei os olhos olhando pra ele, que deu uma risada despreocupada.

-Não se preocupem, eu já sabia.-Ele deu e ombros.

-Como assim já sabia? Está brincando? Desde quando?

-Faz poucos dias! Estávamos falando sobre vocês e sem querer ele acabou soltando que te viu no Recanto Dos Sonhos uma vez. A princípio ele tentou fugir e desfazer o assunto mas como eu já estava complemente mestrado no quesito Recanto, ele não conseguiu me esconder! Confesso que se fosse antes de eu ter te conhecido, teria matado meu irmão com medo de ele ser alguma coisa do mal.

-Os dons dele é uma bela porcaria.-Tichynna revirou os olhos.

-Mas os da Tia Cecília é simplesmente incrível! Ela é tipo a Elsa da vida real!-Rimos da animação de Jeremy, no fim das contas eles conseguiram me descontrair.

-Ei?-Estávamos comendo salgadinhos quando Tichynna pareceu se lembrar de algo.-Do que você e Kile estava falando sobre nós?

-Eu estava falando de você e ele da Lua.-Me engasguei e encarei Jeremy.

-O que ele disse?-Arregalei os olhos.

-Segredo de irmãos! -Jeremy piscou rindo.-Fica tranquila, nada que arruine a sua vida mais do que já está. -Mesmo sabendo que aquilo era brincadeira, ele não deixava de ter razão, pior que estava impossível!

-O que vai acontecer agora?-Tichynna perguntou se deitando na perna de Jeremy enquanto me observava pensar.

-Honestamente, parece que o amanhã nem vai chegar. Ou que isso é tudo um sonho e que logo tudo vai voltar ao normal.

-Não pense assim amiga, pense por outro lado! Agora que você não tem mais dons, tente focar em outra coisa, nos estudos, na vida, olha, tente encontrar um namorado sei lá!

-Eu não estou com cabeça pra isso agora!-Resmunguei. -Isso me faz lembrar que Markson se foi, apaixonado por mim o que me deixa mil vezes pior.

-Lua? Se por acaso ele ainda...existisse, você teria o aceitado como seu namorado?-Jeremy quis saber.

-Eu não sei!-Disse num fiasco de voz.

-Quer saber? Acho que está mais do que na hora de você se reerguer, a gente não queria que isso tivesse acontecido mas já que aconteceu, bola pra frente! -Tichynna estava incrivelmente madura falando todas aquelas coisas.

-Você tem razão, vai ser meio difícil esquecer mas eu preciso entender! -Sorri sem humor.

-Assim que se fala!-Disseram em coro.

 

Depois que meus amigos saíram, Angel ficou me rodeando para tentar me fazer falar algo, mas eu não cedi pois não sabia como explicar minha situação à ela, por isso a ignorei o máximo que pude.

Meu celular apitou anunciando uma mensagem nova, que de algum modo mexeu comigo:

 

E aí? Como passou o dia? Olha, não pense que eu não quero saber de tudo ouviu bem? Como eu já disse, só estou te dando um tempo para esfriar a cabeça! Espero que durma bem.

Do seu digníssimo acompanhante de confusões paranormais...Kile!

 

Respondi a mensagem tomando cuidado com as palavras.

 

Não foi fácil, mas sobrevivi. Tudo bem, obrigada pelo tempo, vai servir para eu inventar alguma coisa convincente. Boa noite também :)

 

Me deitei com um sorriso bobo no rosto e fiquei pensando nisso o resto da noite, mais especificadamente, até pegar no sono…

 

Sonho ON

Acordar num sonho não tendo noção do que estava acontecendo foi estranho pra mim, mas não excitei em entender o que estava acontecendo o mais rápido possível. 

Procurei por Markson desesperadamente mesmo percebendo que aquele lugar que eu estava não era o mesmo que eu sempre acordava!

-Markson? -Chamei por ele. Mas não obtive resposta! Imediatamente, o lugar que já era escuro, se formou no mais profundo breu. E então um portal se abriu saindo dali uma silhueta grande e assustadora vindo em minha direção.

-Não se assuste. -A mesma voz que eu escutei naquela manhã.

-Gèrman. -Comentei irritada!-O que você está fazendo aqui? O que fez com Markson? Traz ele de volta AGORA!!-Minha sensibilidade precoce me fez chorar naquele mesmo momento.

-Eu sinto muito. -O Gèrman bruto e arrogante de mais cedo não estava ali. Muito pelo contrário, na minha frente, estava um homem completamente triste e arrependido.

-Você! Foi o responsável por todas as desgraças da minha vida. É tudo culpa sua! Eu perdi minha mãe por sua causa, e agora, perdi Markson também.

-Não fale assim. Se não fosse por mim você nem teria conhecido Markson.-Ele ficou inquieto mas se compôs em seguida.

-De qualquer modo! Eu odeio você! Você é terrível, é um lixo e não merece nem ao menos viver! -Eu nunca me imaginei falando coisas terríveis assim para ninguém. Mas na situação em que eu me encontrava, era quase que inevitável.

-Eu entendo que se sinta assim, mas tente superar!

-O que você está fazendo nos meus sonhos afinal?

-Eu só vim lhe pedir que não abandone minha filha agora que não precisa mais dela! Por favor, ela vai precisar de você mais do que nunca daqui pra frente.

-Como ousa a falar assim agora? Depois que acabou com tudo, depois de destruir vidas?-Sorri com ironia e raiva.

-As pessoas se arrependem, e você deveria aprender a perdoá-las.

-Você matou a minha mãe. -Minha voz estava trêmula.-Não tem como eu sequer cogitar te perdoar.

-Certo!-Ele suspirou. -Eu só peço que não desista assim tão fácil.

-Em que sentindo está falando?

-Em todos!-Ele sussurrou e desapareceu em seguida.
 

Sonho OFF

 

Me assustei com o barulho estridente do despertador tudo que eu queria, era conseguir tirar a cara de enterro que carregava. Tomei um banho gelado durante longos minutos. Me vesti com o uniforme e com a pequena habilidade que eu tinha em maquilhagem, consegui esconder todo aquele “luto”.

-Já se recuperou do que quer que tenha acontecido? -Angel perguntou quando me viu descer as escadas.

-Em meados sim!-Respondi me sentando à mesa.

-E quando pretende me contar? -Ela parecia muito curiosa.

-Prometo que vai saber, mas não agora pois estou atrasada. -Me levantei enchendo as mãos de pão de queijo, que para a minha graça, meu pai havia ensinando a Angel como se preparava aquele digníssimo invento brasileiro.

Saí pelas ruas me sentindo melhor. Chorar mesmo sendo terrível, me fez bem, a dor ainda estava ali, mas a vontade de chorar estava completamente controlada. Eu seguia no intuito de pensar em Markson o.menos possível e mesmo sendo difícil, eu precisava conseguir.

Entrei no colégio estranhando toda aquela movimentação. Procurei pelos meus amigos que seguravam três cadeiras indo em direção ao centro da quadra de esportes.

-Que raios está acontecendo aqui?-Perguntei.

-Apenas se sente aqui e espere a coisa acontecer. -Tichynna falou me puxando para sentar ao seu lado.

-Não teremos aula?-Perguntei.

-Talvez sim, talvez não…-Jeremy respondeu. -E como passou a noite? -Perguntou mudando totalmente de assunto.

-Gèrman aparece num sonho meu. -Falei irritada.

-Você chutou as bolas dele?-Tichynna perguntou séria.

-Não, mas acho que consegui ferir bastante seus sentimentos. E agora falando em voz alta, me sinto terrível por isso.

-O cara matou a sua mãe Lua! -Jeremy disse revoltado.

-Realmente, é burrice minha me sentir mal...Mas ele me parecia tão arrependido…

-Atenção todos!-Fomos interrompidos pela diretora sobre um palanque improvisado enquanto toda a escola estava reunida.-Não se se vocês se lembram mas algumas salas receberam a visita de Marta, dona do Recanto dos Sonhos algum tempo atrás para falar sobre a rebelião de dons que ocorreu no nosso estado a algum tempo atrás. E bom...Vocês sabem que eles existem até hoje, e por isso… Marta voltou para orientá-los novamente.

-Está brincando? -Fechei a cara apenas encarando o palanque.

-Bom dia!-Marta disse sorrindo. Todos responderam com empolgação. -Creio que todos vocês já me conhecem e muitos até devem sentir um pouquinho de medo de mim.-Riram.-Bom, vocês com certeza conhecem a história que contei da última vez que vim aqui, toda a origem de Tórton e o fim dele também, isso até me despertou uma curiosidade! Quem de vocês procurou pesquisar mais sobre o assunto? -E por incrível que pareça, bem mais da metade do colégio levantou a mão. Fiquei surpresa tanto quanto Marta que esboçou um sorriso enorme.

-Me deu até vontade de ter dons também. -Uma garota comentou.

-Eu também. -A amiga dela riu.

-Fico feliz em saber que vocês pensam assim. E olha, honestamente, eu assumo o quão é incrível ter dons. Mesmo o de muitas pessoas não sendo algo completamente incrível, -Notei que ela olhou pra Kile que revirou os olhos, não pude deixar de rir.-Eles tão bem são bastante especiais, e carregam uma grande responsabilidade. -E então olhou pra mim. Meu sorriso se desfez e uma angústia tomou conta do meu peito. Abaixei a cabeça e Marta prosseguiu seu discurso.

-Não fica assim amiga.-Tichynna pediu me reanimando.

-Recentemente todos vocês descobriram uma colega que possui dons, e apesar de ter sido complicado, Beatriz me disse que foi bem aceita por várias pessoas. Querem saber? Eu imagino que ela não seja a única dessa escola que possui dons, na verdade vocês sabem bem do que falo, já que conheço bastante alunos daqui. Até mesmo os que não tem dons nenhum visitam o Recanto algumas vezes apenas para conhecer melhor o meio. O meu intuito aqui hoje, não è falar e falar sem nenhum fim, eu queria mesmo do fundo do coração, dizer a vocês uma coisa…-Marta abaixou a cabeça e parecia querer chorar.

-Acha que ela vai falar alguma coisa?-Jeremy perguntou assustado.

-Eu acho que não.-Comentei apesar da pequena insegurança.

-Queria que soubessem, que eu perdi um filho por conta dos dons!-Todos fizeram um barulho num “OH” assustados. -Na verdade, eu não posso contar essa história e ela não tem nem muito haver com tudo isso...Mas è só que…-Suspirou. -Só peço que valorizem a vida de vocês, os amigos, os namorados,  cada momento que passam. Com ou sem dons, vocês são jovens, e tem uma vida incrível pela frente! O meu filho infelizmente perdeu essa oportunidade. -E enfim ela chorou. Algumas pessoas ficaram confusas e outras sensibilizadas.-O que eu quero realmente, é que vocês não escondam quem são, e que não percam nunca a essência de vocês! Não finjam, não mintam, não julguem…-Olhou para Lucynda que cruzou os braços irritada. -E não se prendam a nada! Se soltem e se libertem de tudo que prende vocês de serem felizes...Alunos, sejam livres!

-Você pode nos contar como perdeu o seu filho? -Um garoto pediu tímido. Marta olhou pra mim disfarçadamente e então sacudi a cabeça a proibindo de fazer aquilo.

-Me desculpe, não posso.-Ela respondeu. Olhei todos a minha volta, muitas pessoas empolgadas para ouvir ficaram frustradas e isso me deixou angustiada. Olhei para Kile que esboçou um sorriso pleno. E então para Jeremy e Tichynna que assentiram como quem quisessem me dizer alguma coisa, Beatriz que estava próxima ao palco mesmo sem saber de nada sorriu pra mim quando me viu, e então, me levantei devagar. Todos estavam em silêncio então desviaram a atenção deles para mim. Fiquei em pé sobre a cadeira e então tomei fôlego.

-Eu posso. -Falei com a voz trêmula!

-Lua?-Marta me repreendeu.-Tem certeza?

-Sim Marta, eu tenho certeza!-Olhei para trás e a quantidade de gente olhando apenas para mim me causava tremor nas pernas, me esforcei para controlar o nervosismo.-Eu...Eu também tenho dons.-Disse por fim fechando os olhos esperando tudo se repercutir, mas nada aconteceu, ficaram parados me olhando e era possível ouvir mínimos sussurros.-É isso! Markson filho de Marta estava preso nos meus sonhos, eu precisava acreditar na existência dele para que ele se tornasse real, mas como eu acabei descobrindo antes, Mark acabou desaparecendo para sempre.-Soltei o ar e olhei pra Marta. Parte de mim dizia que ela estava orgulhosa por me ver fazer aquilo, mas o interesse das pessoas ainda estavam centrados no fato de eu ter dons.

-E ele era muito gato!-Tichynna estava em pé na cadeira dela também ao meu lado. A intenção dela era exatamente tirar o susto das pessoas e descontraí-las, e em boa parte disso ela conseguiu. Mas isso até Lucynda mostrar as garrinhas.

-Então temos outra aberração na escola?

-Ain droga ela me lembrou dele.-Tichynna mordeu o lábio irritada e foi puxada para baixo por Jeremy logo em seguida.

-A é mesmo?-Disse irônica.-Você e quem?-As pessoas começaram a gritar tentando causar uma briga.

-Estou falando de você sua idiota!-Lucynda caminhou em minha direção.-Você e Beatriz. As diferentonas, acham mesmo que vão conseguir ser melhor que os outros tendo esses dons? Vocês só colocam medo nas pessoas, não passam de seres diferentes dos outros e que na verdade não tem nada de interessante. -Ouvir Lucynda falar aquelas coisas, me causava uma sensação estranha, algo que me fazia ficar inferior a ela, e mesmo que eu lutasse contra isso, era muito difícil.

-Você não vai conseguir magoar Lucynda.-Disse firme.

-Minha intenção é apenas te fazer acordar, e te colocar no seu devido lugar!

-Não sou só que que tenho dons, não fale como se eu tivesse os criado. Não é culpa minha.

-Do que você está falando?-Ela riu esnobe.-Ninguém aqui além de vocês duas tem dons.-Permaneci calada a encarando. Olhei para Kile esperando que ele tomasse alguma atitude, mas simplesmente abaixou a cabeça e permaneceu sentado.

-Idiota.-Ouvi Tichynna sussurrar.

-Você tem razão...Ninguém mais tem dons aqui.-Me preparei para descer da cadeira mas logo senti uma mão me segurar. Permaneci em pé parada e notei que alguém que não era Tichynna subiu na cadeira dela...Era Kile.

-Eu tenho.-Ele disse sorrindo e fazendo com que um pequeno vapor de gelo subisse em suas mãos. Lucy arregalou os olhos e deu um passo para trás assustada.

-Eu também.-Uma voz vindo do fundo disse. Nos viramos e vimos um aluno tímido do segundo ano sorrindo enquanto fazia o mesmo que Kile, só que com fogo.

-E eu também!-Foi a vez de uma das patricinhas da escola. ‘A MOÇA DO CACHECOL COR DE ROSA!! Sorri atônita pra ela.

-Eu também tenho dons.-Um dos nerds do clube de xadrez de Jeremy disse tímido.

Bom, tecnicamente uma enorme parte dos alunos daquela escola tinham dons, e isso inclui as duas amigas de Lucy que ficaram bravas com ela ao fim do toda aquela sessão de revelação. Descrever o que aconteceu, é algo completamente difícil já que naquele momento eu não me dava nem mesmo o trabalho de raciocinar o que estava acontecendo. Mas a verdade, é que o meus dons, ou os de Kile, seriam mais um no meio de todos.

Marta ficou muito feliz com aquilo, e prometeu uma conversa em particular com absolutamente todas as pessoas que tinham dons, passamos a manhã inteira conversando sobre o assunto, e não foi difícil pra mim ter de falar sobre os meus dons. No final de tudo, as pessoas começaram a ir embora e até mesmo as que eu nunca tinha conversado na vida, se despediram de mim.

 

-Não foi tão mal assim.-Eu estava sentada em um banco sozinha quando Kile chegou para falar comigo.

-É, eu pensei que seria pior.-Disse sorrindo.

-Sabe, eu ainda não entendi 100% o lance de Markson.

-Eu conto pra você outra hora, mas preciso ir agora. Minha avó já está muito irritada comigo por causa de ontem.

-Pode me contar hoje às seis?-Kile disse assim que me virei.

-Como assim?-Olhei pra ele assustada.

-Na sorveteria as seis! Você me conta tudo pode ser?-.UM ENCONTRO?

-T-tudo bem pode sim.-Sorri.

-Então até mais.-Ele acenou tímido.-Aquele era mesmo o Kile que eu conhecia?

-Até.-Acenei e saí sorrindo. Lucynda passou por mim e esbarrou em meus ombros, optei por ignorá-la e então fui embora.

 


Notas Finais


E AÍ? ME DEEM A OPINIÃO SINCERA DE VOCÊS!!!!! Tentarei dar continuidade o mais rápido possível.
Ah, e só pra avisar. SEGUNDA TEMPORADA venceu com 100% dos votos haha. Bjs bjs bjs bjs amo vocês!!

Ps. Não tem nada a ver com o assunto mas eu só queria dizer que acabei com a minha garganta ontem de tanto gritar só pq o Justino me seguiu no twitter.


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