História Meu delegado - Capítulo 17


Escrita por: ~ e ~NoemyMc

Postado
Categorias Sou Luna
Tags Ruggarol
Visualizações 287
Palavras 3.698
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Romance e Novela
Avisos: Álcool, Estupro, Insinuação de sexo, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


E voltamos
Mais um capítulo
Boa leitura

Capítulo 17 - Capitulo 9 - Karol


Karol



O meu coração está quebrado. Eu senti uma dor tão grande quando eu ouvi aquilo tudo saindo de sua boca.

Continuo parada aqui na cozinha deixando que as lágrimas descessem. Não movi nenhum músculo desde o momento em que ele disse aquelas coisas pra mim e logo em seguida saiu daqui.

Se eu pudesse. Se tivesse opção de escolha, eu sairia por aquela porta e não voltava nunca mais. Mas eu não posso. Eu não posso deixar esse emprego. Eu não posso deixar o meu filho passando necessidades por um orgulho meu.

Eu não sei o que deu em mim em deixar o beijo chegar onde chegou. O pior é que eu estava gostando. Gostando muito. Gostando de sentir suas mãos fortes em minha cintura. O jeito que ele me segurava era um pouco possessivo, um pouco grosseiro, mas nada que me assustasse.

Nada que me trouxesse más lembranças. Na verdade esse homem tem o poder de me fazer esquecer tudo quando está por perto. Aí ele começou a me tocar de um jeito mais íntimo, que fez meu corpo inteiro se acender. Mas eu não podia. Eu não podia deixar aquilo tudo continuar. Eu sabia muito bem onde aquilo tudo iria parar. E eu ainda não sei se estou preparada pra isso. E mesmo se estivesse, não seria com ele que aconteceria. Nunca que permitiria algo assim. Então eu me afastei.

Eu não sabia onde enfiar minha cara. Não sabia o que fazer. A vergonha tomou conta de mim e a primeira coisa que veio a minha cabeça, foi ir embora, sair dessa casa... Da vida dele. Eu não suportaria olhá-lo todos os dias e lembrar o que aconteceu aqui nessa cozinha. Quando ele tocou no nome do meu filho, eu tive a certeza de que teria que sair daqui. Eu não imaginava que ele seria tão baixo ao ponto de usar o Matteo para me levar pra cama... Mas não. Não era isso. Ele deixou bem claro que não me queria. Deixou bem claro que o beijo não significou nada. Deixou bem claro que eu não passava de uma empregadinha pra ele... Deixou bem claro que ele pagava as minhas contas.


E na medida em que ele ia dizendo essas palavras, uma vontade grande de chorar me invadia.


Mas eu não ia fazer isso. Não na frente dele…


Enxugo as lágrimas que teimavam em cair. E nem eu sabia o real motivo de estar chorando tanto assim. Não sei se foi pelo sentimento de rejeição dele, por ele deixar bem claro que eu não passo de uma empregada, ou por ele ter jogado na minha cara que eu dependo dele. O que não é de todo mentira, pois se não fosse por ele me dar uma chance eu nem sei o que seria de mim e da minha mãe com aquela aposentadoria dela.

Resolvo voltar para o meu quarto. Eu não quero correr o risco dele voltar para a cozinha e me ver chorando desse jeito.

Tranco a porta do quarto e me jogo na cama obrigando as lágrimas a pararem de cair...

Proíbo-me de chorar por causa dele. Ele não merece... Eu não mereço.


[...]


A semana que se passou, foi a pior de todas. Nós não nos falamos uma vez sequer. Não que antes nós falássemos como se fossemos melhores amigos, também não era assim. Mas posso dizer que pelo menos não ficava um clima chato e incômodo entre a gente.


Parecia que a cada dia que se passava e eu ali perto, mas ao mesmo tempo tão longe dele, o que eu sinto por ele ia crescendo mais e mais. E eu me odeio muito por isso. Eu me odeio por estar nutrindo um sentimento por um cara que apenas me ver como uma empregada.


Hoje já é sexta-feira e eu estou arrumando a minha pequena bolsa para voltar pra casa amanhã e ver o meu filho. A única coisa que me deixava feliz nesse momento.


O Ruggero não veio para casa jantar. Melhor. Ele até veio, mas se arrumou e saiu sem nem mesmo dizer pra onde. Mas eu não esperava que ele fizesse isso. E também não me importava saber para onde ele estava indo.


Com certeza bater em alguma mulher por aí.


Desde o dia em que eu vi aquelas coisas em seu quarto, a ideia de que ele é um dominador não sai da minha cabeça. Mas eu também não me atreveria a perguntar, até porque ele iria saber que eu mexi nas coisas dele sem sua autorização e poderia sobrar pra mim.

Assim que termino de arrumar a minha bolsa, pego o meu celular com a intenção de ligar para a minha mãe. Mas ela é mais rápida.


- Oi mãe. – atendo o celular.


- Filha. – sua voz era de desespero. Podia ouvir o choro do Matteo bem alto atrás e um barulho que eu conheço muito bem: de tiro.

E na mesma hora eu já comecei a entrar em desespero.


- Mãe o que está acontecendo? – pergunto, preocupada.


- Filha, não vem pra casa amanhã. A polícia está subindo o morro.


- Que droga mãe. Como assim? Por quê?


- O Lionel minha filha, ele voltou.


Quando ouço o nome daquele nojento, meu corpo começa a tremer e a certeza de que sim, eu o vi naquele dia, toma conta de mim. Não consigo impedir e as lágrimas já começam a descer sem parar.


- Mã-mãe, como assim ele voltou? Ele estava preso, mãe. – me controlo para não gritar.


Ainda podia ouvir os tiros do outro lado da linha que era o que me deixava ainda mais desesperada. Com medo de que alguma bala acerte o meu filho ou minha mãe.


- Ele fugiu e voltou para o morro, minha filha. A polícia parece ter descoberto que ele está aqui e estão atrás dele. O tiroteio está muito forte. O Matteo está assustado, não para de chorar.


- Mãe, por favor, me diz que isso é mentira. Me diz que ele não voltou. – o choro sai com tanta intensidade, que o meu pescoço e seios já estão totalmente molhados pelas lágrimas.


- Minha filha, fica calma…


- Mãe! Como eu posso ficar calma? Esse nojento voltou. Vocês estão agora no meio de um tiroteio. NÃO TEM COMO EU FICAR CALMA, MÃE.


Levanto-me da cama e começo a andar de um lado para o outro no quarto, procurando alguma solução. Mas não tinha. Não há nada que eu possa fazer nesse momento.


- Mãe, pelo menos me diz que a senhora e o Matt estão protegidos?


- Sim minha filha, nós estamos aqui encolhidinhos no chão. Eu estou tentando distrair o Matt, mas não adianta. O barulho dos tiros está ficando cada vez mais alto e está assustando ele mais ainda.


- Meu Deus, mãe! Coitado dele. -Uma sensação de impotência toma conta de mim.


Eu deveria estar lá com o meu filho protegendo-o. Ele não merece passar por uma situação dessas. Ele é tão pequeno.


- Filha, fica tranquila. Vai ficar tudo bem. Ora minha filha, ora.


- Mãe eu não quero saber, eu vou para aí amanhã. Eu vou tirar vocês dois daí.


- Karol, você vai tirar a gente daqui e nos levar pra onde? Para e pensa. Nós não temos pra onde ir.


- NÃO SEI MÃE! EU DOU O MEU JEITO, MAS EU NÃO VOU DEIXAR VOCÊS DOIS AÍ.


- Filha não adianta. Faz o que eu te falei. Fica ai esse final de semana e quando as coisas se acalmarem aqui, você vem.


- Mas mãe... Eu não posso... – um soluço de choro sai da minha boca. Levo minha mão ao alto da cabeça e seguro os meus cabelos com força. – Eu não posso deixar vocês ai... O meu filho… Não posso.


- Karol, por favor! Eu não sei o que eu faria se acontecesse algo a você. Fica aí. Eu cuido do Matteo. Vai ficar tudo bem aqui.


- Mãe, por favor, promete que vai me manter informada. Eu não vou conseguir dormir, então eu peço pra que me ligue sempre que der.


- Tudo bem minha filha, eu vou ligar. – ela já ia desligando quando eu a impedi.


- Mãe espera. Deixa eu falar com o Matteo.


Eu sei que ele não vai me entender. Mas eu precisava. Eu precisava tentar acalmar o meu filho de alguma forma. Eu sei pelo desespero do seu choro, que ele estava muito assustado.

Quando minha mãe me avisa que já posso falar eu começo tentando acalmá-lo.


- Meu filho…


- Mamãe. – ele chama o meu nome em desespero, o que faz o meu coração apertar e começo a chorar mais ainda.


- Filho, olha vai ficar tudo bem com você, tá? Não precisa ter medo a mamãe vai ir te buscar e…


Fico alguns míseros segundos conversando com ele, tentando fazer com que ele se acalme. E creio eu que deu certo, pois ele cessou o choro.

Despeço-me da minha mãe, com a promessa de me manter informada de tudo que ocorresse por lá.

Eu não consigo acreditar que esse monstro voltou. Eu sabia que tinha o visto. Sabia que não era coisa da minha cabeça. O desespero toma ainda mais, quando eu penso que ele já possa estar sabendo da existência do Matteo. Ele não é burro. Não é idiota. Ele com certeza irá ligar as coisas e saber que o Matteo é filho dele.


Que merda!


Ele não pode. Não pode voltar depois de tanto tempo pra assombrar a minha vida. Não pode!

Passo a noite inteira acordada, rolando na cama. Não consegui pregar os olhos um minuto sequer. Ouço o Ruggero chegando, que por sinal foi um pouquinho tarde, mas não me importei.


Tinhas outras coisas muito mais relevantes para eu me preocupar naquele momento.

Minha mãe me ligou algumas poucas vezes durante a noite, apenas para me tranquilizar. O tiroteio ainda estava acontecendo lá, o que me deixava mais aflita. Ela me disse que com muito custo conseguiu fazer o Matteo se acalmar. Mas eu não. Eu não estou calma. Eu não consigo ficar calma. Não com a minha família lá correndo risco. Não com aquele estuprador nojento de volta.


Assim que amanheceu minha mãe me ligou dizendo que o tiroteio já havia acabado, mas que a situação ainda estava muito feia lá na Rocinha. Os policiais ainda se encontravam no pé do morro e a quantidade de mortos era enorme. Ainda assim ela me aconselhou a não ir para casa. Por um lado eu agradeço, pois eu não quero trombar com aquele homem por lá. Mas por outro, eu quero ir, pois preciso ver com os meus olhos se o meu filho está realmente bem. E eu não vou descansar enquanto não fizesse isso. Eu darei o meu jeito, mas farei.

Por volta de 08h00min me levanto da cama e vou para o banheiro. Tomo um banho, coloco uma bermuda um pouco acima das minhas coxas, uma regata branca e deixo os meus cabelos soltos.

Por mais que eu vá ficar aqui esse final de semana, não significa que eu vá trabalhar. Até porque são meus dias de folga. Assim que saio do banheiro o meu celular toca e é a Valentina.


- Oi amiga.


- Kah, como você está? Já fiquei sabendo que aquele cara fugiu. E o Matt e sua mãe, estão bem? – diz tudo muito rápido e pela sua voz está bastante preocupada.


- Amiga, eu estou com medo. Eu conheço o Lionel, eu sei do que ele é capaz de fazer. E se ele descobrir o Matt e tentar fazer algo? Eu não sei o que eu faço. – a vontade de chorar novamente me atinge, mas eu tento me controlar.


- Meu Deus fica calma Kah. Onde você está?


- Na casa do Ruggero. Minha mãe disse que era melhor eu ficar aqui esse final de semana. As coisas não estão nada boas pra eu subir o morro hoje.


- Eu entendo claro. É melhor você ficar aí mesmo.


- Mas Valentina eu estou preocupada. O meu filho e a minha mãe estão lá sozinhos. Eu não vou conseguir, eu tenho que vê-los pra ter certeza de que eles estão realmente bem.


- Pede ajuda ao Ruggero.


- Não. – digo rapidamente.


- Karol, para de ser orgulhosa. Esquece por um momento o episódio do beijo e pensa no seu filho e na sua mãe.


Sim, a Valentina sabe do beijo. Ela sabe de tudo, eu contei a ela. Até mesmo a parte em que ele disse aquelas coisas... Mas enfim, isso não vem ao caso.


- Você tem razão. Pelo menos agora eu tenho que deixar o meu orgulho de lado.


- Eu vou aí te ajudar. Daqui a 15 minutos eu chego aí.


- Tá bom Valu, obrigada.


Desligo o telefone e na mesma hora ouço a minha barriga roncar de fome.

Saio do quarto e assim que entro na cozinha, eu paro petrificada na porta. Tento focar os meus olhos novamente para ter certeza de que é isso que eu estou vendo; uma mulher loira vestida com uma blusa do Ruggero mexendo em algo dentro da geladeira.


Quem é ela? O que faz aqui?


“Que pergunta idiota, em Karol. Tomar o seu lugar de empregada é que não foi. Pelo jeito que está vestida, ela veio tomar foi outro lugar”– diz a minha terrível consciência.


Não sei qual lugar ela veio roubar, eu de fato nunca tive um. Esse espaço sempre esteve disponível.

Perdida em meus estúpidos pensamentos, que não me levam à lugar algum. Percebo que ela notou a minha presença quando ouço sua voz falar comigo.


- Quem é você? –


Volto a minha atenção total a ela e vejo-a me olhando de cima a baixo. O seu olhar direcionado a mim, era de total nojo.

Quando eu estava preparada para responder, o Ruggero entra na cozinha.... MERDA!


Por que ele não colocou uma roupa?


“Uma Karol passando vergonha em 3, 2, 1...”– diz minha consciência mais uma vez, mas dessa vez eu tenho que concordar, eu vou passar vergonha se eu não controlar pra onde olho.

Eu nunca tinha visto ele desse jeito. O máximo foi um shorts de malhar. Mas nunca de boxer. E meu Deus. O que é isso? Não estou falando do abdômen, pois esse eu de có cada curva, de tanto que eu olho. Retiro o meu olhar de onde não deveria estar e viro para o outro lado. Olho para um ponto qualquer na cozinha, apenas para tirar o foco desse homem.


- Clara, o que você está fazend…


Assim que ele percebe minha presença na cozinha, vejo pela minha visão periférica, que ele para imediatamente e pensa em voltar por onde veio. Mas a tal da Clara é mais rápida e vai até ele, ela praticamente pula no pescoço do Ruggero e o beija.


Abaixo minha cabeça para não ver a cena e respiro fundo para controlar a dor no meu peito e as lágrimas que queriam descer. Mas eu não deixo. Mesmo com a cabeça levemente abaixada consigo vê-lo afastando-a.


- Quem é essa? – ela o pergunta com o mesmo tom de nojo.


- Minha empregada. Que por sinal não deveria estar aqui, hoje. – levanto a minha cabeça e percebo que ele tem seus olhos presos a mim.


- Desculpa senhor Ruggero. É que eu tive um probleminha e…


- Empregada vestida desse jeito? – ela me interrompe e só o tom da sua voz, misturado com o som irritante da mesma, começou a me tirar do sério – Parece que está aqui para outra coisa e não pra trabalho, com esses trajes. – ela me olha novamente de cima para baixo e a expressão de nojo continua presente.


- O que você está insinuando com isso? – digo com a raiva já transbordando.


Quem essa mulher pensa que é pra dizer isso?


- Insinuando nada. Eu estou dizendo. Isso não é roupa de empregada. Não de doméstica e sim de outro tipo de empregada. Se é que você me entende.


- Olha aqui, eu não admito que você fale assim comigo. – quando eu vi já estava de frente pra ela, com o meu dedo apontado na sua cara.


A Clara continua com sua pose de superior e seu sorrisinho de deboche, parecendo amar a minha reação. O que mais me doía era o Ruggero ao lado dela, quieto. Em momento nenhum ele se meteu para me defender.


“Mas estamos falando do Ruggero, não posso esperar algo assim dele.” – digo a mim mesma.


- Posso apostar que é uma favelada morta de fome. Já está até querendo arranjar barraco. – ela abre um sorriso nojento e balança a cabeça de um lado para o outro.


Ah eu não vou deixar essa mulher falar assim de mim. Não vou mesmo!


- Olha VOCÊ…


- Pare as duas. – diz o Ruggero com sua voz firme e forte. Ele parece ter percebido que eu não ia deixar isso barato.


Eu já estava a ponto de meter a mãos na cara dessa mulher. Eu nunca fui de partir pra agressão. Muito pelo contrário. Eu sempre fui mais de levar desaforo pra casa do que arrumar confusão pela rua, eu sempre detestei isso. Mas essa mulher conseguiu me tirar totalmente do sério, a ponto de querer meter a mãos na cara dela.


O Ruggero se vira para ela e diz.


- Acho melhor você ir embora.


- O quê? Por que Ruggero? Eu achei que íamos passar o dia juntos. – diz com um ar de decepção.


- Não. Acho melhor você ir.


- Está me dispensando, é isso?


- Eu não te prometi nada. Foi apenas sexo. Nunca disse que seria mais do que isso.


Ela engole em seco. Parecendo estar muito sem graça, ela dirige agora o seu olhar raivoso pra mim, que estou me segurando para não rir de sua cara.

Se fosse outra pessoa, ou se ela não tivesse me tratado do jeito que tratou, eu até sentiria pena dela, pois nenhuma mulher merece ser tratada assim, como ele está a tratando agora.

Mas como é ela, eu não me importo. Acho até muito bem feito.


- O que você está olhando seu lixo?


Ainda por cima discrimina os outros?

Ah não!


- O que você disse? – pergunto sentindo a raiva voltar novamente.


O Ruggero assim como eu a olhava com incredulidade. Quando ela se prepara para responder, o Ruggero a impede.


- Saia daqui agora, Clara. – ele fecha os olhos, respira profundamente e aperta as próprias mãos com força. A raiva presente em sua fala é nítida.


Ela parece perceber a gravidade de suas “simples” palavras.


- Ruggero não me interprete mal…


- Eu quero que você cale a boca e saia da minha casa agora. Aproveita que eu vou te dar a chance de trocar de roupa... Aliás pode levar essa blusa com você, não irei mais usar isso.


- Ruggero você... Está me tratando assim por causa dessazinha?


Ele fecha os olhos e respira fundo. Novamente.


- Se você não sair daqui agora mesmo eu serei obrigado a te prender por injúria social... Na verdade é isso que eu deveria fazer nesse momento. – ele cruza os braços e se vira pra mim. – Se você quiser eu faço isso agora, Karol. É só dizer.


- O que? – a Clara praticamente grita. Seus olhos estão arregalados e seu rosto passa a fazer mais ainda jus ao nome, pois ela perdeu totalmente a cor.


O Ruggero ainda mantinha aquela postura imponente de sempre, mas agora ele transmite mais raiva.


- Eu estou esperando a sua resposta, Karol. Eu só preciso dela pra fazer o que eu tenho que fazer.


- Ka-Karol, você entendeu errado. Não foi isso que eu quis diz…


- Nós sabemos muito bem o que você quis dizer, Clara.


- Ruggero... Deixa isso pra lá. – digo cansada.


- Você tem certeza, Karol? – pergunta novamente parecendo não acreditar na minha decisão.


- Sim. – digo e balanço a cabeça. Olho com desdém para a mulher ao lado dele e depois volto a minha atenção para o mesmo. - Ela não vale tudo isso. Eu tenho pessoas importantes que precisam realmente da minha atenção neste momento. E essa aí não está inclusa...


Ela não vale a pena, eu quero saber da minha família. Eu quero ver o meu filho e saber se ele está realmente bem. Essa preconceituosa de merda eu só quero que suma daqui e não volte nunca mais.


- Já que você quer assim. – ele dá um aceno de levo com a cabeça e se vira novamente para olhar a mulher ao seu lado. – Eu te dou cinco minutos pra te ver fora da minha casa, Clara. – ele diz entre dentes.


- Ruggero não...


- Trinta segundos já se foram. – diz firme.


- Você não sabe a besteira que está fazendo.


Assim que a Clara sai da cozinha, Ruggero volta a sua atenção para mim e eu o agradeço.


- Obrigada. Eu acho que se você não tivesse se metido eu teria partido pra agressão. Ela estava me tirando do sério.


- Eu não sabia que ela era assim. Trabalho com ela há anos e nunca a vi agindo dessa forma.


Ah então eles trabalham juntos?


Quer dizer que ela é uma policial. Então foi até bom mesmo eu não ter enfiado a mão na cara dela, se não eu poderia até ser presa…


Alguns minutinhos depois, ela desce e avisa ao Ruggero que está indo embora. Ele nem se presta ao papel de olhá-la, muito menos de respondê-la. Antes de ir, ela me direcionou um olhar mortal. Mas eu não me importei. Ela tem é que me agradecer por eu não ter feito o que deveria ter feito se eu não estivesse com a minha cabeça em outro lugar.

O Ruggero foi para o quarto e eu abri a geladeira, peguei uma garrafa d’água e tomei um copo.


Em questão de segundos ele já está de volta na cozinha, mas desta vez, completamente vestido. Ele se coloca ao meu lado, próximo a enorme pia, pega um dos copos dentro do armário e se serve com a água também.


O seu cheiro, como sempre, me tirou do chão. Por isso fiz questão de me afastar.


- O senhor quer que eu faça o seu café?


Digo procurando coragem para, de alguma forma, que nem eu sei qual, lhe pedir ajuda.


- Aceito. – ele se vira de frente para mim e encosta-se à bancada da pia com o copo de água na mão. – Mas não era pra você estar em casa, Karol?


- Sim, mas é que…


- Oi gente! Cheguei. – diz Valentina entrando na cozinha e me interrompendo.


- Valentina, o que você está fazendo aqui á essa hora?


- Ainda não falou com ele né? – ela faz um pequeno bico e coloca as mãos na cintura.


- Falar o quê comigo? O que está acontecendo?


Na mesma hora ele desencosta o seu corpo da bancada, deixando-o ereto. Coloca o copo dentro da pia, cruza os braços na altura do peitoral e intercala seu olhar entre mim e a Valentina.



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