História Inferno - Capítulo 1


Escrita por: ~

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Categorias Originais
Visualizações 11
Palavras 1.069
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Romance e Novela, Suspense, Violência
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 1 - Sorte


Chove, mas eu não me importo com a chuva.

Nunca entendi... nunca entendi por que as pessoas correm da chuva. O que me deixa fascinado é o fato dessas pessoas serem as mesmas que desejam pela chuva. Desejar tanto algo para no fim evitar contato com aquilo, huh?

As gotas da chuva acabaram por apagar o cigarro que eu estava fumando. Talvez essa seja uma mensagem para eu cessar essa maldição que me corrói por dentro. A natureza é realmente ousada...

Diante do banho que os céus me entregam, eu inclino meu rosto para as nuvens, fecho meus olhos e então começo a me lembrar de tudo.

Desde pequeno tive total atenção para a coisa mais interessante a ser encontrada nesse globo chamado planeta Terra: os seres que aqui habitam, nós. A vida é algo interessante, ela pode ser moldada, manipulada, analisada e por fim, finalizada. O que eu mais amo nas pessoas são suas reações. Amo ver como o corpo de uma bailarina se movimenta, amo ver as expressões de um maestro que conduz uma orquestra, amo ver um sorriso sincero, um choro de desespero, um grito de dor, mas o que eu mais amo é ver uma pessoa que guarda tudo isso.

Sim, certamente, este é o tipo de pessoa que mais me interessa: aquela que suprime seus sentimentos. Aquela que não ri quando sente vontade de rir, aquela que não chora quando sente vontade de chorar. Uma mulher uma vez me disse que ''segurar o choro não te faz uma pessoa forte, mas sim, uma pessoa que você não é.'' . Porém, conter sentimentos na minha frente é um ato em vão, pois eu tenho a habilidade de ler cada parte do corpo de um homem/mulher. Eu sei quando ele/ela mente e também quando ele/ela fala a verdade. Blefar é uma perca de tempo.

Por conta desse amor misturado com talento, eu decidi jogar. Jogar qualquer coisa que me faça focar 50% no jogo e 50% no meu adversário, mas... só jogar é muito chato. Meu corpo caçava algo, procurava uma resposta... e eu finalmente a encontrei. Existe algo que me da mais prazer do que ler uma pessoa, e esse algo é me arriscar. Me arriscar por completo. Seja qual for a área, o momento em que a adrenalina sobe, o desejo e o medo se misturam, esse é o momento em que eu me sinto mais vivo, em que eu me sinto o verdadeiro eu.

Então eu decidi apostar enquanto jogava. Apostar objetos, ações, dinheiro e qualquer coisa que possa me fazer falta. O momento em que eu apostava era o momento em que eu transcendia, e se eu ganhasse o jogo o sentimento era MUITO mais satisfatório.

Para encurtar a história, eu acabei enriquecendo rapidamente. Jogava contra pessoas que podiam colocar uma grande quantia na mesa e é claro que eu sempre ganhava, eu lia em seus olhos,boca,sobrancelha,dedos,voz,braço,perna,respiração... todas as ações futuras que iriam tomar naquele jogo, e então ganhava. Eu realmente acreditei que nunca iria encontrar um oponente à minha altura, e acabei me enganando no final. Acabei jogando com uma garota e apostei tudo, e perdi tudo. Aquela foi a primeira vez que eu perdia. Eu simplesmente não conseguia lê-la e acabei falhando miseravelmente... foi uma das melhores experiências da minha vida.

-

— Trabalhou bastante, Floyd? — uma voz feminina me chama a atenção

Uma menina se aproxima de mim com seu guarda-chuva para me dar cobertura.

— É... como sempre — respondo com um sorriso no rosto

— Minha mãe disse que você recebeu mais de cinco clientes, você não cansa? — a garota me pergunta enquanto girava o guarda-chuva com a sua mão direita e agitava seu vestido com a esquerda.

Desde que perdi todo o meu dinheiro, tive que ganhar a minha vida de outro modo, então decidi me prostituir.

Existem milhões de mulheres casadas que não recebem o prazer que merecem/necessitam de seus maridos por alguns motivos, sejam eles ausência, falta de libido, etc. Se você tiver um corpo musculoso, for bom de cama, souber conversar com elas, dar bastante atenção e prazer, você acaba ganhando muito dinheiro.

—Hm? Por que a pergunta, por acaso esta interessada no meu trabalho?

—Não, nem um pouco. A minha pergunta vem do princípio de que eu e minha mãe cuidamos do lugar que você alugou, logo é minha obrigação saber se esta tudo certo. Vai que você esta vendendo drogas ilícitas ou algo do tipo, hehe. — ela da uma risadinha fofa que me enche de desejos.

—Não se preocupe, jovem senhorita, não faço nada de ilegal lá. Se quiser me visitar qualquer dia, estou disposto a atender de graça, mas só por que é você — eu provoco ela no objetivo de ter aquele corpo pra mim.

—Naah~ — ela balança a mão esquerda em sinal de refutação —Eu não gosto de homens, já te expliquei isso, Floydzinho.

Eu me levanto e pego o guarda-chuva das brancas mãos de Rose que estavam com as pontas dos dedos rosadas por conta do frio e então nós vamos em direção a casa dela. Rose é estudante de medicina e esta trabalhando meio período em um hospital próximo. Ela acabou por me deixar morar em sua casa contanto que eu a ajudasse nos estudos e na limpeza da casa. Todo o dinheiro que consigo com meus programas eu uso para pagar o aluguel do lugar em que eu recebo minhas clientes e para pagar as contas de água e luz de Rose. Uma vez ou outra eu vou em um cassino ou em uma casa de jogos para me divertir um pouco, mas nunca me coloco em risco como fiz da última vez. Não me entenda errado, eu amei ter feito aquilo, porém as consequências também foram cruéis.

—Hoje você não precisa me ajudar em nada, Floyd, tá de folga. Amanhã é sábado e eu vou sair com o pessoal da minha turma... Hmmm. É, é isso, vou tomar um banho, já volto — Rose entra no banheiro e depois de alguns segundos usados pra tirar sua roupa ela liga o chuveiro.

A água do chuveiro que cai no chão do banheiro entra em sintonia com a água da chuva que faz música na janela e eu acabo entrando em um sono profundo no sofá da sala.

Eu me pergunto...

Me pergunto como ela está...

Me pergunto como a garota que venceu de mim e tirou todo o meu dinheiro está...



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