História Meu Direito de Viver - Capítulo 1


Escrita por: ~

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Palavras 2.734
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Drama (Tragédia), Festa, Hentai, Romance e Novela
Avisos: Álcool, Drogas, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sadomasoquismo, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 1 - One


LUNA

Eu nunca pensei que estivesse aqui, com meus 19 anos e vivendo novamente, digo, nascendo novamente. Algumas pessoas acreditam em karma, outras destino, outras em Deus, bom, seja lá o que for, ele me curou e eu realmente queria que meus pais estivessem aqui para ver o quanto melhorei, o quanto posso correr, eu queria que eles estivessem aqui para me dar um abraço e chorar junto comigo.

Mas eles não estão. E, com certeza, nunca voltarão. 

- Luna! - gritou minha mãe adotiva no andar de baixo

Agradeço muito ao Senhor e Senhora Johnson, eles me receberão de braços e portas abertas quando minha familia morreu naquele maldito acidente.

Desci as escadas, degrau por degrau para não cair, tenho fama de ser desastrada então é melhor prevenir novos hematomas depois da leucemia, não que seja uma coisa de outro mundo para mim, até porque tenho dezenas deles espalhadas pelo meu corpo

- Sim? - perguntei quando cheguei na sala e me sentei ao seu lado

- precisamos ter aquela conversinha e, não venha me enrolar novamente - pediu-a

Era meio difícil para mim falar sobre isso, o que deveria ser dito? "Obrigada por me acolherem mas agora que não tenho mais doenças ou vocês me impedindo irei viver em paz. Adeus" 

Não é uma coisa que se diz tão abertamente e facilmente. 

Roberta Johnson e seu marido, Evan Johnson queria a explicação exata para eu querer sair da casa nobre deles

- Olhe, Roberta. Já é meio difícil pensar nisso sozinha, é mais difícil ainda contar para alguém - tentava escolher com cuidado cada consoante que saisse de minha boca - não insista, por favor.

- querendo ou não, Luna. Somos seus pais agora, temos total responsabilidade por você e precisamos saber o que se passa ai dentro de você - explicou Roberta segurando minha mão direita

Puxei rapidamente minha mão. 

- vocês tem a responsabilidade sobre mim, mas nunca serão os meus pais, portanto, parem de me tratar como filha real de vocês, eu tenho 19 anos e quero sim morar sozinha - agi sem pensar novamente

Roberta olhou fixamente sobre meus olhos verdes, herdados de minha mãe, ela parecia estar tentando decifrar minha face

- mas... - começou novamente

Mas fomos interrompidas por alguém descendo a escada, era o Senhor Evan

- Deixe ela, Roberta. - falou com sua voz grossa, pousando sua mão esquerda em seu ombro direito

- o que disse, Evan? Você que pediu para impor limites em tudo 

- Pedi sim, confesso. Mas, pedi para impor limites para menores de idade e, pelo o que nós sabemos, Luna tem 19, portanto, já é uma mulher adulta

Cocei minha nuca disfarçadamente e abaixei minha cabeça

- não estou indo embora por causa de vocês, mas sim porque quero construir minha vida de novo, do zero e dessa vez com um final muito feliz - respondi sorrindo

Eles se entreolharam e novamente pousaram o olhar em mim. Roberta suspirou e deu um sorriso desanimado

- está bem, filha. Apenas siga seu coração

Eu sorri e a abracei, Evan olhou para a gente e sorriu verdadeiramente

- saiba que as portas de nossa casa, sempre estará aberta pra você, Luna - Seus olhos estavam marejados de lágrimas

Respirei fundo e me levantei:

- obrigada, serei muito grata a vocês, agora preciso sair para procurar um lugar para morar

- quer uma carona?

- não, não precisa Senhor Johnson, com licença, vou me arrumar

Sai saltitante para o meu quarto, jamais pensei que eles pudessem deixar.

Tranquei a porta e fui rapidamente para o meu closet, peguei uma calça jeans clara que tinha um rasgo nos joelhos, uma blusa básica branca e uma jaqueta jeans da mesma cor da calça, peguei meu velho all star preto e branco e o calcei. Fui para o banheiro e passei um pouco de base no rosto e no pescoço, porque ainda havia um hematoma ali, meus cabelos loiros estavam ralos, começando ainda a crescer então peguei uma peruca de minha coleção e coloquei-a, peguei minha bolsa preta e sai do quarto, descendo novamente as escadas com cuidado

- bom, estou indo, qualquer coisa liguem para o meu celular

Dei um beijo na testa de cada um e sai de casa.

Caminhava lentamente pela calçada, carros passavam ao meu lado e buzinavam para uma "gostosa" que havia na minha frente. Bom, ela era muito bonita, tinha que concordar, era uma morena com pernas torneadas, peitos grandes e uma bunda tão enorme que fazia a saia subir, ela usava uma saia colada de couro, botas pretas com salto agulha e uma blusa também de couro tão decotada que podia ver suas mamas pulando para fora, seus olhos eram pretos e carregavam uma maquiagem pesada e sua boca era tão grande que fazia o batom vermelho parecer um pedaço de carne.

Passei por ela rapidamente e senti um forte cheiro de vodka, agora está explicado o porquê dessa roupa escandalosa, cheguei no ponto de táxi e sentei, minha respiração estava pesada e eu estava muito cansada.

Eu ainda era vítima dos sintomas da leucemia, dores de cabeça, alguns hematomas misteriosos, falta de apetite, perda de peso, sangramentos, fadiga, liguei para o meu médico uma noite dessas para perguntar se era normal

"- É normal sim, Luna. Você está 99% curada da leucemia, e essa sua cura faz apenas duas semanas, o 1% que resta é dos sintomas finais" esta foi sua sábia resposta, então fiquei aliviada e dei um ponto final a preocupação de: E se ela voltar?  

Assim que o táxi chegou, dei o endereço de uma imobiliária muito famosa aqui de Londres, ele deu partida no carro e ligou o rádio, colocando em uma música de melodia suave e relaxante

- Senhorita - seu timbre de voz era fraco e podia ver seus olhos me procurando pelo retrovisor

- Sim?

- Posso fazer uma pergunta informal?

- claro

- A senhorita é modelo?

- Eu? Modelo? Não, não, sou apenas uma garota de 19 anos sem trabalho 

- perdão pela pergunta

- relaxe, foi apenas uma pergunta que lhe interessava - dei um meio sorriso e encostei a cabeça no vidro do táxi, fechei meus olhos e mergulhei na melodia suave da música clássica. 

****

- Chegamos - falou ele quando parou em frente a um prédio cinza

- muito obrigada - dei a quantia de dinheiro para ele e abri a porta

- a senhorita quer que eu lhe aguarde?

- não, não precisa, obrigada novamente - 

E desci do carro, notei que as minhas mãos estavam suadas e minha boca seca.

Coloquei os pés no prédio e vi uma recepcionista, ela me olhava solenemente e sorria como se fosse a pessoa mais feliz do universo

- Olá, posso ajudá-la?

- Oi, eu sou Luna Walker, tenho 19 anos e marquei um horário com Jeffrey White - meu tom de voz era calmo e severo

- Sim, pegue o elevador, 3º andar, segunda porta a esquerda 

- obrigada 

- não há de quê - ela sorriu novamente, seus dentes eram tão brancos e bem cuidados que até me elevava um tom a mais de inveja pela moça dos cabelos loiros e bem cuidados

Entrei no elevador, só havia eu, apertei o botão do 3º andar e alguém do lado de fora gritou 

- Espere! Segure o elevador!

Coloquei o pé em frente e a porta se abriu

- obrigado - disse um homem cansado e sorri de volta enquanto ele entrava, as portas atrás dele se fecharam e ele ficou ao meu lado direito

Ele usava um terno de linho escuro, com a gravata vermelha, sapatos lustrosos, seus cabelos era pretos como um carvão e estava penteado com muito laquê, seus olhos eram verdes com um leve reflexo de azul, - o que dava um charme a mais para ele - sua barba era cheia e muito bem feita, tinha uma boca grossa mas estava em uma linha fina, sua testa estava enrugada, como se estivesse preocupado com algo

- sou Louis Carter - falou me surpreendendo, sua mão direita estava estendida em minha direção

- Luna, Luna Walker 

Seu aperto de mão era forte mas ao mesmo tempo cuidadoso, sua expressão de preocupado acabou, tornando um simples homem aliviado. A porta do 3º andar se abriu e eu sorri para ele - adeus Louis - acenei e sai do mesmo

Sua expressão mudou para um tom sério e misterioso

- Tchau, senhorita Walker - e as portas se fecharam

Virei-me a esquerda e segui até a segunda porta, respirei fundo e bati duas vezes na grande porta de madeira

- pode entrar - disse um homem 

Abri lentamente a porta e adentrei o aconchegante local, era um pequeno escritório de paredes cinza e piso preto, em frente a porta havia uma mesa com uma cadeira de frente para mim e duas de costas, ao meu lado esquerdo havia uma estante repleta de obras magníficas, na parede direita havia alguns quadros de pintores desconhecidos, atrás do Senhor White havia uma janela tampada por grandes cortinas brancas

- com licença - falei e apertei minha bolsa de baixo do braço direito

- sente-se senhorita Walker - falou o homem apontando para ambas cadeiras que havia em minha frente, sentei na cadeira da esquerda e comecei a observar melhor o homem que digitava algo no notebook

Ele parecia ser baixo, seus cabelos eram castanho e esta meio penteado para trás, qualquer um percebia os pequenos fios brancos que nasciam, usava uma camisa social azul, seus olhos denunciavam que ele não teve uma boa noite de sono, pois estavam vermelhos e com olheiras, suas rugas eram bem visiveis e sua barba estava mal feita

- Me atrasei?

- Não, pelo contrário, foi muito pontual e chegou na hora

Sorri e coloquei minha bolsa na cadeira ao lado

- Bom, um ponto a mais pra mim então

- Podemos começar? 

- Claro, claro

- Apartamento ou casa?

Comecei a observar um ponto a cima da cabeça do Senhor White, sempre fui distraída e sou mais ainda quando preciso pensar em algo.

- Senhorita Walker?

- An? Ah perdoe-me, eu... eu não sei

- quantas pessoas vai morar?

- Só... Eu

- Apartamento é uma ótima opção para você senhorita Walker

- Ok então, apartamento.

- Quantos cômodos? 

- O básico

- o que significa o básico para a senhorita?

- cozinha, sala, quarto, banheiro e uma lavanderia já está ótimo

- Muito bem, vou pesquisar então, só um minuto

- está bem

Nunca fui de muito luxo, mesmo meus pais tendo uma conta bancária gorda, nunca fui de esbanjar dinheiro por ai, portanto, o básico das coisas para mim está ótimo, com o dinheiro que eu tenho, poderia comprar uma mansão em Paris e viver uma digna vida de Parisiense, mas com toda a certeza, não iria conviver bem lá. 

- achei um

- conte-me mais

- é aqui em Londres mesmo, bem perto até, um prédio de 15º andares

- vamos direto ao apartamento senhor White

- ah sim. O apartamento tem uma cozinha americana, sala, um quarto com closet e banheiro, um quarto de hóspede com closet e banheiro, um banheiro a parte, lavanderia, sacada nos dois quartos e uma vista linda pra cidade 

Sorri, era exatamente do jeito que eu queria

- podemos ir lá ver?

- mas é claro

- quanto custa o apartamento?

- 118 libras (500 reais) o aluguel

- bom, vamos ao apartamento então

Ele se levantou e eu pude tirar a minha dúvida, ele chegava no meu ombro, estatura baixa como eu imaginava. Caminhou até a porta e abriu a mesma, esperando eu sair, peguei minha bolsa e caminhei para fora do escritório, ele fechou a porta e ficamos parado em frente ao elevador, alguém parou atrás da gente e eu olhei disfarçadamente a cima do meu ombro esquerdo

- Vai ser um prazer levar você Louis - falou uma mulher alta, magra com cabelos tão loiros que deixava-a com uma cara de velha e vi Louis Carter sorrindo para ela, realmente feliz de estar ali. O elevador demorava chegar e eu ja estava começando a ficar irritada com a demora e com a conversa chata atrás de mim.

- Louis? - falou Senhor White olhando para trás com a testa franzida

- Jeff! - respondeu-o e o abraçou

- quanto tempo, rapaz! - Jeffrey estava sorrindo de orelha a orelha - como vai a sua familia?

- estão ótimos, fiquei sabendo o que houve com a sua filha, eu sinto muito

Senhor White ficou cabisbaixo e cumprimentou a loira 

- Olá Mandy, ah sim, essa é minha cliente, Luna Walker

Respirei fundo, olhei para trás e sorri. Louis fixou o olhar em mim e sorriu

- acho que já nos conhecemos, não é mesmo, senhorita Walker? 

- Sim. Prazer - estendi a mão para Mandy, que olhou para mesma e comprimiu seu olhar para mim apertando minha mão

- o prazer é todo meu - e sorriu falsamente

O elevador abriu as portas e três pessoas sairam dele, entramos e Jeffrey apertou o botão do estacionamento.

****

- foi bom te ver, Lou. Dê um abraço em todos, inclusive a sua mãe. Até, Mandy

Eles acenaram e entraram no carro e fizemos o mesmo. Senhor White deu partida no carro e logo estávamos na rua da imobiliária

- Ah! Louis é um cara tão gente fina - suas mãos apertavam o volante e seus olhos brilhavam enquanto olhava para a estrada

- Se me permite perguntar, conhece ele de onde?

- já fui casado com a mãe dele, éramos bons amigos eu e ele mas, com o tempo, perdemos o contato

- quantos anos ele tem?

- Louis? Ah! Louis é um cara jovem! Se eu não me engano, acabou de completar 22 anos e você Luna? Tem quantos anos?

- 19

- essa fase é a mais complicada, é aquela fase em que você sai completamente da adolescência e chega na tão esperada fase adulta. Serviço, trabalho, namorado, contas, casa, limpezas.

- estou tentando construir tudo isso

- espere só para ver o quanto ficará louca - o carro parou - chegamos! 

Fui a primeira a sair do carro e admirar o prédio, era um grande prédio de  , sua cor era cinza e tinha uma aparência luxuosa, com grandes carros estacionados

- estamos na área nobre de Londres, os apartamentos daqui são baratos mas muito luxuosos, e só mora gente de grande quantia de dinheiro 

Me desanimei por conta disso, queria um apartamento normal com vizinhos alegres e bem humorados, de sorriso fácil no rosto

- vamos entrar? - ele me observava com cautela, assenti 

Chegamos na recepção do prédio e uma mulher esguia dos cabelos presos, nos atendeu, seu sorriso era enorme e seus dentes pareciam pequenas peças de porcelana

- posso ajudar?

- pode sim. Viemos ver o apartamento no 

15º andar 

- me acompanhe

E adentramos o pequeno elevador.

****

Cada andar tinha 6 apartamentos, o meu - que era no 15º andar - não era diferente, o apartamento que provavelmente seria meu, era o último, o 90.

- Não tenho muito o que falar desse apartamento, a cozinha americana junto com a sala, a vista incrível da cidade de Londres, 2 quartos com banheiro, closet e sacada, banheiro a parte e uma lavanderia, ótimo para quem quer morar sozinho ou com o namorado, amiga, o que acharam? 

A moça me olhava atenciosamente, como se dissesse com o olhar"esse é o apartamento perfeito para você, vadia"

- agora é a sua opinião, Luna. - falou Jeffrey

Caminhei até a enorme janela e fiquei ali, contemplando a vista maravilhosa, o que mais me apaixonou foi essa vista. Na sala, havia uma grande janela de vista para toda a cidade. Me virei e olhei para os dois que não paravam de se mexer, sorri afetuosamente

- Fechado

Os dois susperaram e sorriram.

- Bem vinda ao lar Senhorita Walker

- obrigada Rachel, está bem Senhor White?

Jeffrey estava pálido como uma folha de papel, ele pareceu acordar de um mundo paralelo

- estou sim - sorriu - bem vinda Luna - e me abraçou 

- amanhã me mudo para cá, Rachel e já pago o aluguel dos próximos 1 ano

- oh! Está bem - ela sorria de orelha a orelha

- eu te levo até em casa, Luna

- ok; obrigada

E entramos silenciosamente no elevador.

Minha vida já estava começando a mudar, não que eu quisesse mudar radicalmente, até porque iria continuar a Luna Walker de sempre, mas digo no sentido, amadurecer. Com certeza se meus pais ainda estivessem vivos, eles iriam estar felizes, sorrindo de orelha a orelha e se gabando porque sua filha mais velha já tinha liberdade e sabia lidar com a vida.

Estou fazendo isso por mim mas, também estou fazendo por eles, eles que deram a vida por mim e eu agora estarei cuidando dessa vida que eles tanto preservara nesses últimos 15 anos.

Estarei renascendo das cinzas como uma verdadeira fênix e estarei cuidando do coração que foi tanto amado por aqueles que já não estão mais aqui, pela minha verdadeira familia.





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