História Meu Doce Amargo HÍbrido. - Capítulo 12


Escrita por: ~

Postado
Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens J-hope, Jimin, Jin, Jungkook, Personagens Originais, Rap Monster, Suga, V
Tags Amizade, Família, Híbrido, Memórias Sofridas, Menção Taegi, Menção Yoonmin, Namjin, Taejikook, Traumas, Yoonseok
Visualizações 37
Palavras 4.701
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Famí­lia, Misticismo, Musical (Songfic), Romance e Novela, Universo Alternativo, Yaoi
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Estupro, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Era pra sair em alguns dias, mas o que uma espera em consultório não faz?

Capítulo 12 - Por que ela voltou?!


Fanfic / Fanfiction Meu Doce Amargo HÍbrido. - Capítulo 12 - Por que ela voltou?!




Yoongi.

  Se passou duas semanas desde que Hoseok me aceitou. Eu não podia estar mais... Alegre? Acho que é essa a palavra, já que eu nunca fui capaz de usá-la. Hoseok me tirou do café, e me deixou como estagiário em seu hospital, mas eu gostava do café. Vocês não precisam de muito pra saber que nossa briga terminou comigo sem andar por três dias, eu não conseguia ficar com raiva dele por muito mais que meia hora.


  E hoje, eu estava na ala infantil, vendo Hoseok cuidar das crianças com uma felicidade incomum.


  - Mia, esse é o Yoongi. -Hoseok me empurrou uma menina de vestido rosa e trancinhas no cabelo, que desceu as mãos pelo meu rosto. Um toque simples que me fez sorrir, assim como ela.


  - Ele é bonito, Hoseok oppa.-ela disse abraçando meu pescoço.- E tem orelhas de cachorro.


  - São de lobo pequena.-corrigi, vendo ela cobrir a boquinha com as mãos.


  - Oppa, ele é o lobo-mal da Chapeuzinho Vermelho?!-ela perguntou com os olhos grandes de criança assustada.


  - Não Mia!-Hoseok respondeu tirando a menina do meu colo e rindo.- Ele é um lobo fofinho e manhoso, quase um gatinho.


  - Cale a boca, Jung.-pedi revirando os olhos e botando as mãos nos bolsos do jaleco. Hoseok me deu um beijo na bochecha, me fazendo o olhar irrritado (e corado).


  - Viu?-Hoseok perguntou olhando para Mia, que riu em seu colo.- Ele não é fofo?


  - Um lobinho fofo.-Mia disse pedindo para descer.- Até mais tarde, Hoseok e Yoongi oppa!


  Eu soltei um pequeno bufo, vendo a menina ir até os amigos. Ela tinha os cabelos pretos e olhos alegres com uma curvinha nas maçãs do rosto ao sorrir. Às vezes eu ficava pensando se uma criança minha e de Hoseok seria parecida com Mia.


  - Tá tudo bem?-Hoseok perguntou deslizando a mão pelo meu rosto. Apoiei o rosto na palma da mão alheia, agradecendo pelo leve calor oferecido pela mesma.


  - Sim, tudo bem.-respondi soltando um suspiro.


  - Sei que não está. -Hoseok disse botando a mão no peito.- Esqueceu?


  O ruivo se aproveitava da situação da nossa ligação para saber quando eu estava mentindo ou não, e isso estava se tornando frequente. Suspirei, revirando os olhos e olhando triste para as crianças.


  - As... As vezes eu me pego pensando em como seria se eu tivesse me deixado engravidar.-confessei, controlando as lágrimas. - Como seria uma criança... Uma criança nossa.


  Hoseok tocou meu cordão, o mesmo que ele compartilhava comigo: um lobo preto e o meu era o branco. Era a nossa marca.


  - Não fique remoendo isso.-ele disse apertando o seu pingente, fazendo o meu esquentar.- Você não pode ficar remoendo isso. Vai... Vai matar você por dentro. E você não podia ter aquela criança, Yoon. Ok?


  Assenti, conseguindo desfazer o pouco do nosso laço, conseguindo mentir pelo menos um pouco.


  - Vou... Vou esperar você lá fora, ok?-disse soltando sua mão, e Hoseok assentiu, seguindo até as crianças. Eu saí, ficando do lado de fora, me apoiando na parede, segurando o choro. Precisava segurar o máximo possível, os pesadelos haviam voltado como um bala alojada no peito, me perfurando de novo.


  "Mas..."pensei secando o suór da testa e a lágrima da bochecha. "Aquele último... Não era meu..."


  "Como você pôde, Kira? Podendo, Jung, não achou que eu realmente iria ficar presa à você, achou?! Kira, eu deixei você entrar em tudo! Exatamente como eu queria, e muito obrigado, seu gayzinho de merda!"


Flashes rápidos passaram a minha mente, coisas quebrando, choro, gritos, dor...


  - Senhor Min?-acordei com um sobressalto, a enfermeira Aijunhi me chamando.- Você está bem?


Fiz minha normal cara de tédio, embora o suor e o choro ainda se fizessem presentes.


  - Claro que estou.-respondi dando de ombros.- O que faz aqui?


  - Estava procurando o doutor Hoseok.-ela respondeu ajeitando o uniforme (vadia).- Tem uma transfusão de sangue para ele inspecionar em meia hora na ala 7.


  - Certo, eu aviso à ele.-respondi cruzando os braços. Logo Hoseok saiu da sala, e eu passei um braço pela sua cintura.- Hyung, tem uma transfusão de sangue pra você supervisionar daqui à uns vinte minutos, na ala 7.


  - Aish, isso dá trabalho.-Hoseok olhou um pouco no relógio. - Seu expediente termina em uma hora, mas não vou poder sair em menos de duas... Você vai ficar bem, Yoonginie?


  "Caralho, também não precisa exagerar, droga!" pensei com o rosto pinicando.


  - Vou Hobie.-disse fingindo um bocejo.- Vou lá no refeitório, até mais tarde, hyung!


  Saí correndo direto por Aijunhi.

  "Será que nenhuma dessas enfermeiras oferecidas perceberam que Hoseok agora tem dono?!" pensei quase matando meus sanduíches. Era verdade, assim que cheguei, a recepcionista Hyunna o viu e foi ajeitando o uniforme, o cabelo loiro oxigenado e fez uma voz tão enjoada que quase vomitei. Deixei bem claro que ele tinha dono quando tive que sair do lado de Hoseok, me despedindo com selinho nada casto do ruivo.


  - Vai morrer de ciúmes. -me assustei quando Kenchun (parece nome de Pokémon), o enfermeiro da ala 13 (câncer) disse se sentando do meu lado.- Só um café.


  - Não estou com ciúmes. -respondi deixando meu prato vazio no lugar.- Mas essas enfermeiras bem que podiam aquietar esse fogo no rabo.


  - Você só tem cara de criança, né? -ele disse rindo e esfriando o café.


  Kenchun tinha vinte e cinco anos, assim como todos, mais velho que eu. Mas a mentalidade era de com certeza quinze anos, e isso me irritava um pouco.


  - Você que tem cara de criança, Kenchun. -corrigi, fazendo ele formar um bico nos lábios.


  - Lino não reclama.-ele disse tomando mais de seu café.


  - Lino é seu namorado, queria o que?-eu disse revirando os olhos.


  - Aish, vou fazer uma cirurgia que ganho mais.-ele disse saindo do refeitório e batendo o pé. Eu ri, ajeitando qualquer coisa no celular, enquanto Hoseok não saía da sala. Quando tive que sair, fiquei esperando o ruivo na praça do hospital, vendo as crianças brincando.


  - Moço, posso me sentar aqui?-um garotinho perguntou. Os cabelos eram castanhos e o rostinho cheio, os olhinhos pretos tinham um brilho fraco.


   - Claro, senta.-respondi dando de ombros. Assim que o garoto encostou em mim sem querer, senti meus ombros pesarem e minha respiração vacilar por minutos. Depois,a dor foi passando de pouco em pouco, mas a sensação de que algo errado estava acontecendo não passou.


  - Qual o seu nome? -o menino perguntou balançando as pernas que não alcançavam o chão. Eu queria o ignorar, um arrepio que pareciam aranhas subindo pelos meus braços.


  - Jung Min.-eu dava esse nome quando queria despistar alguém, juntando o meu nome com o de Hoseok.- E o seu?


  - Hikaru Soichiro. -ele respondeu fechando os olhos e botando as mãos atrás da cabeça.


  - Cadê sua mãe, Hikaru?-perguntei procurando por alguma mulher parecida com o garoto.


  - Ela entrou no hospital, disse que foi ver meu pai.-ele disse com um brilho nos olhos.- Ela confiou que eu não iria fugir enquanto ela estivesse lá dentro, sou menino grande sabe?!


"Só se for em um outro sentido." pensei vendo o tamanho minúsculo do garoto.


  - E quem é seu pai?-perguntei sentindo como se dedos frios subissem pelas minhas costas.


  - Ah, minha mãe não me disse.-Hikaru baixou a cabeça.- Ela quer me fazer uma surpresa. Mas eu não gosto de surpresas.


  - Vamos Hikaru.


Senti meu almoço tentando fugir do meu estômago, todas as aranhas se concentrando nas minhas costas, pernas e braços. Meus pelos da nuca arrepiaram, subindo para as orelhas de lobo. Consegui levantar o olhar para a mulher loira à minha frente:os olhos eram grandes e castanhos, o cabelo era preso em um coque frouxo e a pele morena era bem clara. Com certeza não era oriental, talvez do ocidente.


  - Oi mamãe. -Hikaru disse descendo (à custo) do banco.- Cadê o papai?

  - Ah, hoje ele não pode ver você. -a loira disse sem me olhar.- No domingo ele vê, depois da sua aula. E quem é o seu... Amigo?

Ela virou os olhos castanhos para mim, as sensações do meu corpo piorando, minhas orelhas repuxadas para trás escondidas entre o cabelo. As aranhas chegaram ao meu rosto, me fazendo sentir como se entrassem dentro de mim.


  - Ah, é o Jung Min.-Hikaru disse subindo para o colo da mãe. - Eu já vou, tchau!

Acenei para o garoto, enquanto a mãe dele mantinha os olhos vidrados em mim, como se fosse me matar com o olhar.

  - Então, tchau,Jung Min.-ela disse finalmente se afastando. A voz me deu arrepios e uma estranha sensação de reconhecimento.

  "Eu conheço essa voz..." pensei segurando um choro sem motivo e o súbito alívio que sua distância me passou. Estava suado e com as pernas bambas, o rosto doendo de segurar as lágrimas.

  - Yoongi? -mais uma onda de alívio me percorreu, vendo Hoseok parado com um sorriso à minha frente. - Parece que viu um fantasma.

  - Não... Não vi não. -disse me recuperando. - E você? Parece meio abalado.

  - Ah...-seu sorriso murchou um pouco.- Esse tipo de cirurgia sempre me deixa assim. Vamos pra casa?

  Assenti, me apoiando nele para levantar. A calma que nossa ligação me transmitia ajudava,mas ainda me sentia mal. E ao tocá-lo, me senti triste. Como se tivesse uma lembrança dolorosa.

  Em casa eu tomei um banho para me livrar das malditas aranhas. Assim que desci, dei de cara com Hoseok fazendo (leia esquentando) a janta.


  - Jin e Namjoon ainda estão na boate?-perguntei meio estranhando, as festas lá nunca duravam muito tempo.


  - Parece que estão pagando por horas extras, e o apartamento deles está com a hipoteca atrasada.-Hoseok explicou suspirando e cruzando os braços.- Isso não vai fazer bem para Jin, Namjoon nem se fala. Vive em brigas, e agora até com Jin.


  - Eles precisam relaxar.-Jimin disse "brotando" de algum dos sete infernos e me fazendo me bater na parede de susto.


  - De onde tu surgiu, criatura de Deus?!-perguntei respirando fundo e com a mão no peito (gesto muito másculo, eu sei).


  * - Eu estava aqui o tempo todo, só você não viu.-ele disse olhando ao redor.- Acho que o Tae e o Kook ainda não chegaram.


  - Tae?-Hoseok perguntou deixando varias coisas caírem.


  - Kook?!-perguntei juntando as coisas com Hoseok.


  - É, ou só vocês acham que têm apelidos?-Jimin perguntou bagunçando o cabelo.- Até parece que o Yoongi não ficava gritando "Ah, Hobie...!" durante o cio dele.


  Jimin tentou fazer simples sons manhosos, enquanto eu ficava me deteriorando de vergonha no chão, ainda juntando as coisas.


  - Cale a boca Jimin, até parece que minha voz é manhosa assim.-reclamei sentindo meu rosto em chamas.


  - Ah, é sim! -Jimin disse se apoiando na parede com um bico nos lábios. - Parece criança que nunca fica satisfeita, queria ficar arrombado? "Mais Hobie...!" caralho, eu ainda era inocente!


  Se houvesse um tom de vermelho maior que escarlate, esse era eu com as palavras de rosado. Eu sabia que era manhoso sim, mas Jimin não precisava ficar jogando na minha cara. E até porquê...


  - Ah é, eu até posso ser manhoso, falo mesmo.-disse me levantando, aproveitando que até eu era maior que Jimin.- Mas pelo menos eu não ficava literalmente gritando quando certo ponto era atingido!


  - Eu não gritava, ok?!-Jimin reclamou corando até o cabelo rosa.- Não é minha culpa se alguém aqui consegue transar com alguém e ainda ser virgem!


  - Caralho, eu já te expliquei isso umas trinta vezes!-gritei sentindo o calor do meu rosto cair para meu peito e braços.- Eu não tenho culpa de ter esse problema.


  - Já acabaram, Jéssicas?-Hoseok perguntou prensando os lábios. Seu rosto estava vermelho, enquanto ele soltava caretas.- Vou terminar a janta, Jimin, sobe e espera os meninos. Vem cá, você não tem mais casa não?


  - Tenho, mas perdi as chaves.-ele disse seguindo para o outro quarto.


  Bufei, tentando fazer meu corpo voltar ao normal, mas a vergonha não queria desaparecer. Percebi o olhar curioso de Hoseok, e suspirei, sentindo que lá vinha mais uma onda de vergonha.


  - Quer saber do que Jimin estava falando, certo?-perguntei, vendo ele desviar o olhar.


  - Não precisa falar se não quiser.-ele disse olhando para qualquer lugar que não fosse eu.


  - Acontece que híbridos são considerados virgens até terem relações com alguém que o marque ou algo assim.-expliquei suspirando ao sentir o corar do meu rosto.- Jimin não me marcou e eu também não à ele. Por isso, eu era virgem antes de te conhecer.


  - Ah...-meu corpo se arrepiou com a bendita voz grossa perto do meu ouvido, me fazendo assustar.- - Então, Jimin foi seu primeiro?


  - Na... Na verdade...-gaguejei sentindo ele apertar minha cintura e deixar um selar no meu pescoço. - Na verdade você foi meu primeiro... Jimin não pode ser considerado.


   - Bom saber.-ele disse em um sussurro, me virando e prensando na parede.- Afinal, eu não preciso me preocupar em você já ter tido uma primeira desilusão para curar.


  - Muito engraçado, Hoseok. -disse revirando os olhos, enquanto ele segurava meus pulsos acima da cabeça, descendo os beijos pelo meu pescoço., e eu apenas tremia- Ah... Aqui? S... Se... Sério isso?!


  - Quem manda?-ele perguntou deixando uma marca na minha clavícula.- Fica me provocando... Acha que é legal?


  - Te ver desesperado por mim?-perguntei me rendendo àquelas tão boas carícias.- É sim.


  Hoseok desceu uma das mãos para minha coxa, apertando antes de me fazer passá-la pela sua cintura, repetindo o processo com a outra. Não bastou isso, Hoseok continuou marcando minha pele enquanto apertava minha carne, e como algo como aquilo podia dar tamanho prazer?


  - Se eu soubesse que era tão sensível, nem teria me dado ao trabalho de mexer com você.-Hoseok disse rindo, e uma onda de adrenalina percorreu o meu corpo, virei Hoseok na parede, dessa vez, o deixando entre a parede e eu.


  - Agora você vai ver o sensível. -rosnei o máximo que podia sendo humano, sentindo ele se arrepiar.


  Deixei selares frios pelo seu pescoço, deixando meus dedos brincarem com seus fios da nuca. Hoseok apertava o que dava da parede, me fazendo rir contra sua pele.


  - Depois eu que sou sensível. -disse, ouvindo ele resmungar.- Um pequeno teste Hobi.


Dei um chupão sem dó nem pena na pele dele, enquanto Hoseok soltava um gemido baixo e arrastado, o que me deixou com ainda mais vontade de repetir o gesto. Só não o fiz porquê ele voltou à me marcar.


  - Já sei que você é sensível. -disse tombando a cabeça para o lado, dando espaço à ele.- Então se acostume à mudar de posição.


  - Até parece.-ele discordou se afastando um mínimo.


  - Quer subir pra comprovar?-provoquei, vendo ele revirar os olhos, me beijando na sequência.


  Aquele gesto dele sempre me transmitiu calma, mas agora, ele parecia pedir calma. Ele pareceria desesperado, como se eu fosse algo que pudesse ajudar... Ou esquecer.


  - Hobi, tá tudo bem?-perguntei quando consegui me separar do ruivo.


  - Só... Só me deixa assim, ok?-ele pediu, e por um momento, pensei ter sentido ele tremer.- Vamos comer, amanhã você tem aula.


  - Precisava me lembrar? -reclamei suspirando e saindo para a cozinha.- E ainda tem aquele desgraçado do trabalho de história.


  - Deixa que eu vou te buscar, ok?-Hoseok disse respirando fundo. - Não quero você andando sozinho, tudo bem?


  - Hoseok, o que houve?-perguntei tentando manter a calma. - Você está estranho.


O sangue corria muito rápido nas minhas veias, me fazendo esquentar até doer. O pingente de lobo estava frio no meu peito, me dando um extremo desconforto. O que me incomodava mais, era sombra que insistia em passar pelos olhos de Hoseok.


   - Por favor Yoongi. -ele pediu apoiado na pia, os nós dos dedos brancos pela força.- Por favor, não ande sozinho por longas distâncias sozinho. É... Perigoso pra você, tudo bem?


  Estava em dúvida em responder, já que do nada, meu sangue pareceu gelar, me deixando completamente dormente.


  - Promete pra mim?-ele pediu limpando o rosto, que estava molhado (lágrimas ou suor, eu não sei).


  - Prometo...-respondi vago, enquanto meu sangue voltava à circular normalmente.- Prometo, Hoseok.


  O ruivo me abraçou, escondendo o rosto no meu pescoço. Senti lágrimas leves escorrendo, me molhando e me fazendo ter vontade de chorar junto.


  - Não quero que me pergunte sobre o que está acontecendo, certo?-ele pediu, segurando meu rosto em mãos. - Eu... Te conto quando tudo se resolver.


  - Hobi...-pensei em perguntar, mas acabei me calando. Nosso laço estava doendo, como se algo estivesse o desfazendo... Nos desatando.- Eu... Eu vou dormir, tá bom?


  - Vai que eu já vou também. -ele disse reunindo um sorriso, que saiu quebradiço.- Afinal, você não dorme sem mim, né?


  Revirei os olhos e voltei para o quarto, vendo que Jimin dormira no seu.


  - Filho da mãe, pau no cu!-reclamei baixo.- Depois de me deixar passando vergonha, ele vem dormir.


  Me irritei logo e fui para o quarto. Eu me sentia terrivelmente cansado, com uma dor de cabeça que me fez deitar rapidamente. Dormi quase no mesmo momento, apagando em seguida.


- Olha Hobi, não vou mais mentir para você.


  Estava tudo escuro, eu apenas ouvia as vozes e ouvia um barulho de água pingando.


  - O que houve, Kira?-ouvi a voz, mas não pude reconhecer.- Aconteceu alguma coisa?


  - Sim.-a mulher disse, me fazendo quase vomitar.- Eu quero dizer que cansei de te fazer de trouxa. Eu queria apenas deixar claro: cansei de você.


  O impacto em mim foi como se uma janela explodisse em cima de mim, me perfurando sem nenhuma decência.


  - Calma Kira, o que você quis dizer?-ouvi de novo a voz conhecida mas não lembrada.- Que mala é essa?


  - Exatamente o que disse.-a tal Kira disse.- Cansei de fazer você de trouxa,eu só queria que você me desse aquele emprego, e consegui. E essa mala é a que eu vou levar pra casa do meu namorado. Meu namorado de verdade. 


  - Kira...-aquele sussurro me deixou um caco, chorando sem nem perceber.- Como você pôde, Kira?


  - Podendo Jung, você não achou que eu iria ficar presa à você, achou?


- Kira, eu deixei você entrar em tudo!


- Exatamente como eu queria, e muito obrigado, sei gayzinho de merda!


  Porta batendo. Choro. Coisas quebrando. E depois... Nada.


  Acordei com dores no peito, na cabeça e com o rosto inchado e molhado de lágrimas. Ainda era noite, e Hoseok dormia pesadamente ao meu lado, me segurando de forma firme. Passei a mão pelos fios laranjas, vendo ele sorrir pequeno, me apertando um pouco mais.


  "Que diabos foi aquilo?" pensei olhando para lua, através da janela. "Aquele sonho não era meu... Era... Dele?"


  Embora eu quisesse muito perguntar à Hoseok se aquele sonho era dele, eu estava com ainda mais sono. Estava mais esgotado que antes, como se eu tivesse arrastado um caminhão por toda uma viagem. Dormi novamente, com o rosto apoiado no peito de Hoseok, ouvindo o coração alheio bater.


  Dessa vez, acordei com todas as forças reunidas, mas ainda com preguiça. Hoseok ameaçou me jogar um blade de água fria se eu não o soltasse para ir pra escola.


  Na escola, eu já estava com medo de andar. Conforme eu seguia para a minha sala, mais pessoas comentavam. Mais vozes se tornavam altas e mesmo que aos cochichos, isso me deixava mais encolhido à cada passo.


  Na sala, eu me sentei no melhor lugar: o canto no fundo. Encolhi a cabeça entre os braços e deixei que o mundo todo parasse de existir por alguns minutos.


  - Vamos classe, resolver os exercícios 32 e 34 da página 204.


Meus ouvidos zumbiram, meu estômago revirou, e eu não consegui me impedir de levantar a cabeça tão rápido que meu pescoço doeu. A mulher que ocupava a mesa da professora, era mesma loira mãe de Hikaru.


  - Quem é você? -ouvi abafado vindo do fundo da sala, mas agradeci por não ter sido eu á perguntar.


  - A senhorita Forcibel está doente, e eu sou a professora substituta, Kira Soichiro. -ela respondeu soltando um sorriso leve.


  Minhas costas formigavam, meus pulsos doíam como se estivessem cheios de vidro em cima. Os olhos de Kira eram frios em frios, mas por um tempo, eles se mantiveram cravados em mim, me causando arrepios.


  "Por favor, que essa aula acabe logo, por favor..." pedia fazendo os benditos deveres.


  Senti dedos frios na minha nuca, vendo a loira logo atrás de mim.


  - que bonitinhas as suas orelhas.-ela disse passando as unhas pela minha nuca, com certa força.- Tão fofo e inocente...


  Me afastei, com o estômago revirando e o medo inundando minha garganta.


  "Por favor que essa aula acabe logo..." pensei de novo,terminando o exercício. "Hobi... Onde você está?"

Hoseok.

Um dia atrás.

  Eu estava saindo para encontrar Yoongi, com as mãos ainda meio suja de sangue. Estava lavando as mesmas, quando um incômodo passou pelo meu peito. Um frio misturado com dor, como se alguma coisa antiga voltasse perfurando meu peito por dentro.


  - Senhor Jung?-a enfermeira Aijunhi chamou da porta, ajeitando o zíper de seu uniforme.- Tem uma mulher querendo falar com você.


  - Ah, ainda tenho uns minutos,pode mandar entrar.-respondi sem dar atenção à ela. Eu já deixei bem claro que tinha namorado, mas a enfermeiras não pareciam se importar com isso.


  Voltei à arrumar a mesa, tirando uma ou outra coisa do lugar. À cada vez que eu ticava em algo preto, eu lembrava das madeixas negras do meu lobinho. Yoongi era tão doce, mas já passara por tanta coisa... Isso fazia meu sentido de médico apitar. No início, eu pensei que fosse somente isso, mas depois que eu ouvi ele falando com tanto medo sobre sua possível gravidez, percebi que aquela dor no meu peito não podia ser apenas amizade ou profissionalismo. Eu acabei realmente me apaixonando pelo mais novo.


  Só de lembrar que podia chegar e não ter ninguém em casa apenas poder malinar como quisesse do moreno me fazia desistir da idéia de atender aquela moça. Mas eu ainda estava de expediente. Quem dera eu tivesse feito isso.


  Terminei de ajeitar os papéis quando ela entrou. Todo o sangue do meu corpo pareceu se esvair, meus músculos me abandonaram e deram lugar à uma enorme vontade de chorar.


  - Oi, Hoseok.-Kira disse prendendo suas madeixas loiras no topo da cabeça.- Sentiu minha falta?


  Minha cabeça queria viajar à quatro anos atrás, quando aquela bruxa era o meu centro, mas eu a forcei à ficar no presente, exatamente para proteger à mim, e Yoongi.


  - Não, não senti.-respondi firme, embora minha vontade fosse de me jogar no chão e chorar.- O que faz aqui, Kira? Pensei que tinha deixado claro que não queria nada com um gayzinho de merda.


  A loira se sentou na ponta da minha mesa, a saia aberta do lados da perna.


  - Hoseok, eu queria te mostrar isso.-Kira pegou um papel de sua bolsa, infelizmente, eu conhecia aquilo.


  - Pra quê um teste de DNA?-perguntei engolindo em seco, mesmo que eu soubesse a merda que aquilo podia desencadear.


  - Hoseok, o que um teste de DNA deveria significar?-ela perguntou cínica, me fazendo ter vontade de jogá-la da mesa.- Eu não viria aqui se isso não fosse sério.


  - Kira, eu não te engravidei.-disse convicto.- Disso eu tenho certeza.


  - Então abre esse envelope, Hoseok.-ela ditou, revirando os olhos.


  Abri. Pulei logo para o resultado, vendo o maldito positivo, mas eu me recusaria à isso.


  - Kira, não tem nem como você ter uma prova da minha parte de DNA. -retruquei, me apoiando na mesa.- Esse filho não é meu.


  - Hoseok, eu não passei nenhuma noite com nenhum homem além de você até três anos atrás. -ela disse se prostando à minha frente.- Meu filho tem três anos. Ele, é teu filho sim!


  - Só acredito vendo a criança.-respondi me afastando o máximo dela.


  - Então pronto, Hoseok. -ela apertou com força as mãos, fazendo as palmas sangrarem.- Domingo você pode ver o Hikaru. E espero que veja.


  Kira teve a ousadia de me beijar, fazendo um arrepio de nojo passar por todo o meu corpo. Assim que ela se separou, olhei pela janela. Avistei a cabeleira preta de Yoongi em um banco, junto com ele, um garotinho minúsculo. Logo depois, Kira saiu pegando o menino no colo. Eu não queria descer e dar as caras com ela, por isso esperei a loira ir embora.


  "Ela não devia ter voltado... Ela voltou só para isso...?" pensei descendo as escadas, devagar. "Droga... Logo quando eu achei que isso estava resolvido."


Encontrei com Yoongi, o que me ofereceu uma leve calma, mesmo que o moreno parecesse estar em outro mundo. E aquela proposta de mudança de posição me pareceu tão tentadora...


  No domingo, eu nem precisei me preocupar com a ciumeira de Yoongi, ele estava cheio de deveres da escola.


  A nova casa de Kira era bem modesta, três quartos e as coisas normais no lugar. Assim que entrei, os olhos frios da gaorta me encararam com cinismo.


  - Ele acabou de chegar da aula.-ela disse me dando passagem para entrar.- Ele está na sala. Peço que vá devagar com Hikaru, por favor.


  Assenti, suspirando e seguindo para a sala. O garoto tinha os cabelos castanhos como os meus já foram, e o sorriso tinha as minhas curvas nas maçãs do rosto. Realmente, parecia muito comigo quando eu era criança. Hikaru se virou, exibindo olhos negros que podiam ser meus, se não fossem castanhos.


  - Oi, você é o meu appa?-ele perguntou direto, me fazendo dar de ombros, sem muita certeza.- Ah... Quer desenhar?


  "Ele fala muito bem para a idade que tem."pensei me agachando ao seu lado. Os desenhos eram um pouco mais caprichados que o normal, mas ainda de jardim de infância.


  - Vai ficar pro almoço?-ele perguntou riscando a asa de uma borboleta em desenho.


  - Não posso.-respondi, fazendo ele me olhar estranho.- Tenho outras coisas em casa.


  - Tudo bem.-eel respondeu coçando os olhos.- Tô com sono, omma!


  - Você acordou muito cedo.-Kira disse pegando Hikaru no colo.- Vamos dormir, eu tenho que falar com seu appa.


  - Boa tarde, appa.-Hikaru respondeu sonolento, enquanto eu lhe enviei um aceno.


  Minha cabeça girava, aquele menino não podia ser meu filho, e muito menos falar tão bem aos dois/ três anos.


  - Hikaru sente falta de um pai, Hoseok.-Kira disse voltando com o olhar duro. - E você vai assumir.


  - Kira, apenas se ele realmente for meu filho.-respondi me levantando e me fazendo de forte.- Vou pedir um exame mais detalhado, e isso pode demorar. Por enquanto, diremos que Hikaru é meu filho.


  Kira apertou as mãos de novo, fazendo mais uma gota de sangue se esvair.


  - Certo Hoseok.-ela me guiou até a porta, deixando um beijo forte na minha boca.- Mas ele é seu filho.


  O beijo me deixou morto por um segundo, o pingente de Yoongi ficando mais frio no meu peito, mais que frio.


  - Não se atreva à tocar em mim de novo.-eu disse entredentes, fazendo ela se afastar.


  - Até logo, Hoseok.-ela disse soltando um sorriso.


Quando cheguei em casa, era noite, e Yoongi estava dormindo com o rosto em vários papéis. Eu sorri meio quebrado, o pegando no colo e ajeitando no sofá. Só porquê era Kira, ela tinha que surgir quando eu estivesse bem.


  - Hoseok?-Taehyung chamou baixo da cozinha.- Kira voltou?


  - Como você sabe?-perguntei me sentando e alisando os fios negros de Yoongi.


  - Ela é professora do Yoongi. -Taehyung resoondeu suspirando.- Ela tá fazendo o quê, agora?


Contei tudo à ele, mas o fazendo prometer que não iria contar à ninguém.


  - E o que você pretende fazer?-ele perguntou por fim.


  - Um teste mais rigoroso de DNA, mas quero mantê-la longe de Yoongi.-respondi suspirando mais alto.- Ela pode machucar muita gente e à mim, mas em Yoongi, ela não toca.


  Com esse pensamento, me aninhei junto à Yoongi no sofá, enquanto Taehyung voltava para o quarto.


  - Ninguém vai fazer mal à você. -sussurrei, deixando um selo em sua testa. - É uma promessa.



Notas Finais


*Ignorem as referências à músicas desse cap, ok?

Seguinte: as att vão atrasar, semana de prova. Talvez eu poste um cap ainda, mas não promero nada, certo? Desculpa, mas passar de ano tá foda.


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