História Meu espaço, seu tempo - Capítulo 1


Escrita por: ~

Postado
Categorias EXO
Personagens Lu Han, Sehun
Tags Drama, Hanhun, Hunhan, Sonhos Lucídos
Visualizações 11
Palavras 1.888
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Fantasia, Ficção, Romance e Novela, Yaoi
Avisos: Homossexualidade
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Olá marshmallows!
Essa fic fala sobre sonhos lúcidos e um bocadinho sobre depressão também, viu? São temas meio delicados e tal mas eu juro que fiz com o maior carinho possível pra dar certo. E não foi por acaso, porque os dois temas fazem toda a diferença no enredo, aliás...
Mas enfim, essa fic é um presente pra minha marida linda popcandy maraviosa, por isso espero que você curta, amor 💛

E vamos logo pra história.

Capítulo 1 - Com você


Fanfic / Fanfiction Meu espaço, seu tempo - Capítulo 1 - Com você

POV Sehun

Eu o via todos os dias sentado perto da fonte que ficava naquele bairro miúdo e escondido de Felfor. Ele escrevia em um caderno miúdo meio desgastado, com uma capa de couro sem muito acabamento. Eu ficava ali observando-o, vidrado no movimento de sua mão, no jeito como ele segurava a caneta tinteiro e a deslizava pelo papel, escrevendo sílabas que me atingiam como flechas. E não era por acaso. Eu nem ao menos precisava me aproximar para saber o que ele rabiscava desleixadamente naquelas folhas, eu sentia. Todas as emoções, as perdas, os machucados e curativos que ele criava naquela história acabavam tendo algum efeito em mim.

E eu não lembro do meu passado antes dele, até porque não existia nada antes dele ter me criado. Eu era só mais uma invenção da mente de um garoto que escrevia em seus cadernos amassados. Mas isso não era qualquer coisa. Pra mim, Luhan era como um mago. Sua caneta lhe dava todos os poderes para mexer em meu mundo, mudar toda a minha vida.

Com apenas um abanar da caneta ele poderia me matar, me fazer sumir, ou simplesmente deixar de falar de mim. Mas a única coisa que me mantinha ocupado era assisti-lo costurando minha história em frente aos meus olhos, ver a sua expressão se modificando de acordo com o ritmo do que escrevia, vê-lo entretido com os personagens, vê-lo chorando quando eu descobri sobre a perda da minha família. Ele era belo de todas essas formas. E eu nunca conseguiria odiá-lo por escolher meu destino, porque era só por causa dele que eu podia existir e estar ali de qualquer modo.

Mas tem um porém também. Quando Luhan me criou, ele não havia me escrito num papel, nem me imaginado em uma história específica, por isso eu não era preso à realidade de seus mundos mágicos. Ele simplesmente pensou em mim em algum momento, aí eu apareci. Por isso, de alguma forma, eu conseguia transitar entre a realidade em que ele vivia e a que havia criado para mim livremente.

Por um lado isso era bom, porque me deixava ver o que ele fazia durante os dias, saber quem ele era, conhecê-lo de longe, mesmo sem poder interagir com nada que o envolvesse. Mas por outro lado, depois de aprender a admirá-lo fazendo qualquer pequena coisa, a ser quase como sua sombra sempre que eu podia, eu não tinha muitos motivos pra voltar para o meu mundo. E por isso eu ficava ali o quanto conseguisse.

Nessa manhã especificamente ele parecia um bocado indisposto a levantar. Eu estava sentado no chão, ao lado da poltrona que ficava em seu quarto, vendo os ponteiros do relógio de seu quarto imóveis, quando ele se enterrou novamente nas cobertas. Ah, verdade, eu não via nada que se relacionasse ao tempo do mundo dele. Basicamente porque a ideia de tempo e de uma cronologia única não fazia sentido dentro de um mundo criado somente pela imaginação de alguém. Então eu via a manhã, a noite e tudo mais no mundo real onde ele vivia, mas não fazia a menor ideia do porque daqueles relógios - que nunca se moviam - e dessas tais de horas.

Enquanto Luhan rolava como um filhote de panda em sua cama eu aproveitei para passar os olhos pelo seu quarto. Era um cômodo pequeno, mas ainda assim eu o achava bem confortável. Havia a cama dele, com um colcha cheia de retalhos coloridos, uma série de prateleiras onde ele deixava todos os livros, seus cadernos cheios de histórias, e uma mesa de madeira ao canto do quarto, que servia como uma escrivaninha para ele. Não era nada de incrível, eu pensava, mas ainda assim era o local onde ele passava a maior parte do tempo. E bem, se ele gostava de lá, eu acabava gostando um pouquinho também.

Aliás, eu não quero que você pense que eu ficava atrás de Luhan como um louco também. Eu tinha um limite pro quanto eu poderia ficar com ele. Na verdade haviam dois limites que não dependiam de mim: primeiro, que eu não podia ficar o quanto quisesse no mundo real porque eu começava a ficar fraco, meu corpo se cansava e eu mal conseguiria andar. E também havia o fato de que eu não interagia com nada físico ou sensível naquele planeta. Eu não podia sentar na poltrona, não podia ler os livros de Luhan, sentir a chuva ou o cheiro da manhã. O máximo que eu conseguia era ouvir a voz de Luhan naquele mundo, e só a dele, aliás. E no final das contas eu gostava de ficar em meu mundo também, para ver como as coisas estavam, andar pela floresta e tudo mais. Porém como eu disse, não é como se eu pudesse contabilizar isso tudo para dizer quanto tempo eu ficava perto ou longe de Luhan.

Até porque mesmo quando eu voltava pra Phossei - o meu mundo - eu conseguia saber o que Luhan estava fazendo. Ou quase isso. Na verdade eu só sabia o que ele estava fazendo porque na maior parte do tempo ele estava escrevendo. E quando ele o fazia eu podia ouvir sua voz narrando o que escrevia, não importava onde eu estivesse. Então eu ia até meu vilarejo, andava pelo campo de cogumelos, cavalgava até o vale e via o sol se pôr por trás daquela linha tênue no horizonte.

Enquanto isso lá estaria aquela voz que já era companhia permanente em meus pensamentos. "O sol alcançava lentamente o horizonte verde do vale, deixando todas aquelas pessoas, histórias e sombras alaranjadas pra trás, enquanto Sehun e os outros moradores do vilarejo ficavam pensando em sua infinitude"

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POV Luhan
As coisas andavam muito complicadas ultimamente. Meu pai havia conseguido um emprego novo em outra cidade - eu mal o via nos últimos tempos - e eu estava um bocado desanimado com o colégio depois que meu melhor amigo havia mudado de escola.
Com o passar das semanas eu sentia cada vez um vazio maior em mim. Parecia que sempre haveria algo errado pra me atormentar, e que não valia a pena levantar todos dias pra tentar fazer alguma coisa.
Nos últimos meses eu estava tentando apenas entender o que estava acontecendo comigo, porque parecia que eu só queria ficar em casa escondido debaixo das cobertas tentando esquecer qualquer pensamento ruim. Minha vida não estava tão terrível assim, estava? Não era como se essa resposta fosse mudar o modo como eu me sentia, mas eu tentava pensar assim. E era tão confuso.

Eu não sabia se era pior continuar a me sentir sem forças nem vontade pra nada ou se era achar que eu estava me tornando uma pessoa cada vez mais fraca. Eu devia ficar feliz de fazer as coisas que antes me animavam, eu devia voltar a escrever a minha história. Eu devia muitas coisas, mas não conseguia fazer nenhuma.

Minha mãe que trabalhava mais do que deveria, e também mal parava em casa, uma hora percebeu que eu mais parecia uma alma penada andando pela casa do que qualquer outra coisa. Ela começou a achar que eu estava fazendo corpo mole porque não queria mais ir para o colégio e tal… Mas não era verdade. O que eu mais queria era que tudo voltasse ao normal, que eu me sentisse bem em ir pra escola de novo, que eu quisesse voltar a escrever minhas e que eu tivesse força pra tentar enfrentar o mundo de novo.
Eu só queria saber porquê eu estava preso naquela escuridão.

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POV SEHUN

Eu sempre ia visitar Luhan ao menos para vê-lo e saber se ele estava bem. Porque por mais ridículo que pareça eu ficava preocupado com ele toda vez. Tinha vezes em que tudo o que ele escrevia era meio triste e sombrio, em outras, ele simplesmente nem escrevia, o que era pior. Pior porque eu não conseguia ouvir sua voz comigo pra ter certeza de que ele estava bem. E bem, entenda, eu não tinha muitas opções se ele não estivesse escrevendo minha história.

Na verdade nos últimos tempos ele não escrevia mais nada. Era como se tudo estivesse parado no meu mundo e aquilo estava se tornando cada vez mais desesperador. Eu queria saber saber o que estava acontecendo com Luhan, mas toda vez que eu o visitava eu só o encontrava escondido na sua cama. E eu não sabia o que fazer, o que ele estava passando... E isso me deixava com ainda mais vontade de proteger Luhan do que quer que estivesse o preocupando.

Naquele dia Luhan ainda não havia escrito nada e quando eu acordei senti minha cabeça doendo sem parar, o que me fez ir atrás dele assim que consegui acordar direito. Quando eu cheguei em seu quarto encontrei-o largado em sua cama, com um de seus cadernos jogado sobre seu peito. Estranhei a cena e cheguei mais perto dele só pra perceber que ele tinha um rosto abatido e os olhos meio inchados. Fiquei paralisado, imóvel ali, observando quando suas mãos foram até o seu rosto e eu percebi algumas lágrimas escapando por entre seus dedos. Me senti fraco de uma forma que eu nunca sentira, e antes que eu percebesse eu já estava caído ao seu lado, sem conseguir me mover.

E de cada lágrima que saia de seus olhos eu sentia uma pontada afiada em algum lugar dentro de mim. Porquê? Eu me perguntava. Eu queria saber o que estava acontecendo, falar com ele, tentar ajudá-lo. Era uma sensação que me corroía por dentro, vê-lo sozinho quando eu podia estar ao seu lado. Eu não quis mais existir só pra não ter que ver o quanto ele estava mal. Mas eu seria ainda pior se pensasse assim. Eu tinha que fazer algo… Mas eu não sabia como, eu não conseguia.

Naquela manhã fria e sem palavras, eu fiquei ali até que Luhan parasse de chorar e acabasse caindo no sono depois de horas a fio. Foi um recorte de eternidade que me deixou tão fraco que eu já não sabia se conseguiria voltar para Phossei. Tentei ficar de pé, me apoiando em meus joelhos e respirei fundo, me concentrando na imagem do meu próprio vilarejo antes de realmente voltar.

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Estava cansado e meio sem vontade de fazer nada. Por isso acabei indo até a frente de minha casa e me jogando na grama perto do bosque, pensando em tudo o que eu já tinha passado naquele mundo que Luhan criara. Fiquei sentindo aquela sensação estranha de preocupação com um desconforto que quase formigava em mim. Acabei imaginando o que seria de mim e dos outros seres ali se ele simplesmente deixasse de escrever. Um arrepio me cortou a espinha só de imaginar o que poderia acontecer. Talvez eu apenas estivesse com medo de ser esquecido, ou de deixar de existir.

Estava ali, preso em minhas suposições vazias, encarando as nuvens fofas no céu quando ouço "Ele enxerga os seus cabelos esparramados na grama mas interrompe seus passos quando vê ele se virar em sua direção"

Viro de repente e dou de encontro com um par de olhos catanhos que eu não esperava ver ali. Pisco algumas vezes até ter certeza de que é mesmo Luhan vindo pelo bosque.
O que ele está fazendo aqui?


Notas Finais


E aí, e aí? O que vocês acharam desse capítulo?
Ele não é dos mais bonitinhos na minha opinião mas já dá uma boa ideia do que vem pela frente.
Deixem aí suas opiniões e até o próximo~~


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