História Meu Eu Depois Dela - Capítulo 13


Escrita por: ~

Postado
Categorias Naruto
Personagens Hanabi Hyuuga, Hinata Hyuuga, Hyuuga Hiashi, Kakashi Hatake, Naruto Uzumaki, Sakura Haruno, Sasuke Uchiha, Shizune, Tsunade Senju
Tags Naruhina, Naruto, Plano, Romance
Visualizações 423
Palavras 4.098
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Musical (Songfic), Romance e Novela, Shoujo (Romântico)
Avisos: Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Oi, povo lindo! Tudo baum? =D
Levanta a mão quem tava com saudade! o/ Eu tava... ♥‿♥
Vim aqui, humildemente, deixar esse capítulo para aliviar o coraçãozinho aflito de vocês, rsrs. ^^"
Espero que gostem!
Boa leitura! ♥

P.S. 1: A capa do capítulo está no Pinterest. Não coloquei hoje porque... Né? Spoiler. xD
P.S. 2: Leiam as notas finais, por favor.

Capítulo 13 - O Último Segredo



“Palavras não bastam, não dá pra entender
E esse medo que cresce e não para
É uma história que se complicou
E eu sei bem o por quê”

 

Naruto a deixou sozinha no enorme apartamento. A respiração ficou irregular com a ausência dele, e Hinata teve que se esforçar para não desmaiar ali mesmo, no meio da sala. Sentou no confortável sofá avermelhado, a mão sobre o peito. Doía demais... As lágrimas saltaram aos olhos, as palavras magoadas dele ecoando em sua mente:

“Achei que você me amava!”.

Todo aquele tempo e ele nunca falara nada a respeito. Ela também nunca o forçara, a ponto de pensar que Naruto há muito havia se esquecido de sua declaração. A frase espontânea a pegara de surpresa, sem conseguir reagir e responder o que ele queria ouvir. E mesmo que o fizesse, não seria justo, ela concluiu. Seria ainda pior confessar novamente que o amava e depois ir embora.

Olhou ao seu redor. A sala tão belamente decorada, e aquele cartaz “Sem lámen, sem vida” que sumira do pequeno apartamento onde moravam. Lembrava-se de perguntar ao rapaz onde ele enfiara o pôster, mas ele fugira do assunto. Hinata nunca sentira falta dele, achava-o horroroso até. Mas vê-lo ali, na casa que Naruto devia estar arrumando há semanas, longe de suas vistas para lhe fazer uma surpresa, foi um golpe pesado em seu coração.

Naruto fizera tudo com tanto carinho...

Forçou-se a levantar, percorrendo mais uma vez o corredor que levava aos quartos. Um deles todo pintado de branco, ainda não mobiliado, a fez sonhar... Um sonho que não era mais possível.

“Para nosso bebê” Naruto comentou, um pouco envergonhado. “Foi ideia da vovó. Deixar um quarto vazio, quero dizer”.

Adoraria ter um filho com Naruto... Imaginou um menininho de cabelos loiros e rebeldes correndo pela casa, gritando “ttebayo” e chamando outras crianças para brincar. Ou quem sabe uma garotinha, de espertos olhos azuis, conquistando o coração do papai... Ela fechou os olhos, deixando uma lágrima cair. Enxugou o rosto e negou com a cabeça, afastando os pensamentos bons. Andou mais um pouco, o quarto de hóspedes já pronto. Mais alguns passos e a suíte do casal, com vista para o Monte Hokage, a derrubara emocionalmente de novo. A cama seria trazida do pequeno apartamento, assim como o guarda-roupa. O resto já estava lá e funcionando perfeitamente. O banheiro impecável continha até uma banheira de hidromassagem.

Ah, as vezes que ela reclamou sozinha do banheiro pequeno...

Aquele lugar estava lhe fazendo mal. Enchendo-a de sonhos e promessas de uma boa vida que jamais poderia dar a Naruto.

Saiu correndo, trancando a porta e deixando a chave com o porteiro.

Não encontrou o loiro em casa. Hinata não soube dizer se aquilo poderia ser melhor. Ele fugira do apartamento, abalado, e sabia que podia encontrá-la em casa. E então, o que diria? Naruto nunca fora muito bom com as palavras, e era provável que discutissem de novo se eles se encontrassem tão cedo.

Mas não saber onde ele estava, como estava... Era ainda pior.

Hinata passou os braços em torno do próprio corpo, saudosa do abraço caloroso que somente ele sabia lhe dar. Ansiosa para tê-lo perto, foi até o quarto e agarrou o travesseiro dele, o cheiro amadeirado impregnado na colcha macia. As lágrimas voltaram com força, e ela se encolheu no lado dele da cama, presa aos travesseiros de Naruto.

“Você já é minha” ele declarara na primeira noite que Hinata teve coragem de aparecer de camisola na sua frente, o medo dele expulsá-la de casa e mandá-la de volta aos Hyuuga sendo maior que a vergonha da moça. “E será para sempre”.

– Não desista de mim – ela pediu ao vazio. – Por favor, Naruto-kun... Não me mande para meu pai...

Nenhuma resposta além de seus próprios soluços.

– Eu faço qualquer coisa, Naruto-kun. Apenas... volte para casa.


“Qual é o peso da culpa que eu carrego nos braços?
Me entorta as costas e dá um cansaço
A maldade do tempo fez eu me afastar de você”

 

Acordou com a claridade do pôr-do-sol invadindo o quarto. Ela tomou um susto com o horário, voltando a percorrer a casa atrás de Naruto.

Nada ainda.

Quase seis horas depois e nenhum sinal de vida. Começou a andar de um lado para outro na pequena sala. E se ele estivesse passando mal? E se estivesse perdido? Sozinho? Sem ninguém conhecido por perto? Faminto?

A preocupação a encheu de perguntas tolas, mas não a deixou distinguir as perguntas de sentido lógico das exageradas. Ela fez um clone, mandando a cópia atrás dos amigos e conhecidos de Naruto. Ela fez outro para se posicionar no ponto mais alto da cidade e procurá-lo incansavelmente com o Byakugan.

A verdadeira Hinata ficou em casa, decidida a esperá-lo ali caso o loiro resolvesse voltar. Iria recebê-lo com carinho, sem brigar, prometeu a si mesma. Daria um prato de seu lámen favorito (talvez mais de um), sobremesa e o que mais o rapaz pedisse. E uma massagem antes de dormir, do jeito que ele gostava, pensava ansiosamente.

Correu para a cozinha, para ter tempo de preparar o jantar. Naruto voltaria em pouco tempo, ela pensou esperançosa, e faminto. Não poderia deixá-lo esperando, de jeito nenhum! Deu uma checada no relógio. Seis e meia. Teria pelo menos uma hora e meia, tempo mais que suficiente. Talvez fizesse um bolo...

Ela parou um pouco quando puxou uma panela.

A culpa a enlouquecia.

Era a primeira vez em muito tempo que não cantava enquanto cozinhava.


“E quando chega a noite e eu não consigo dormir
Meu coração acelera e eu sozinha aqui
Eu mudo o lado da cama, eu ligo a televisão
Olhos nos olhos no espelho e o telefone na mão”

 

Oito e meia. Nenhum bilhete ou aviso, nada.

Seus clones também não apareceram com boas notícias. Nenhum conhecido vira Naruto durante todo o dia. O Byakugan vasculhara toda a vila. Ele não estava lá.

A preocupação de Hinata atingiu níveis alarmantes. Dois comprimidos de calmante foi tudo o que conseguiu pensar para se acalmar. Teve vontade de sair na rua, perguntar a todos se viram o Uzumaki por aí, em como diabos ele saiu da Folha sem ninguém perceber! Mas se controlou, pois seu clone deixara os amigos avisados. Ela seria a primeira a saber se o loiro aparecesse, vivo ou morto.

A segunda ideia lhe deu calafrios.

Nove horas.

O bule de café esvaziara com sua ansiedade; ela frustrada com o efeito lento do calmante. O botão para mudar de canal do controle remoto quebrara sem que ela notasse, apertando a tecla e olhando para a porta a cada cinco segundos. Desistiu da televisão uma hora depois, conformada que não prestaria atenção em nada. Tomou um banho demorado, para, quem sabe, dar tempo de Naruto aparecer.

Tentativa falha.

Colocou os pijamas para tentar dormir. Talvez ele aparecesse enquanto pegava no sono, chegando de mansinho e a abraçando durante o sono, como já fizera vezes sem conta. Ela nunca soube, nem nunca perguntou, se Naruto a abraçava antes dele mesmo dormir ou se o carinho se devia ao sonambulismo do rapaz. Seria tarde demais para perguntar?

Rolou na cama por horas a fio. Os olhos não fechavam por mais que um minuto, o perfume de Naruto forte demais ao seu lado para ignorar.


“Pro tanto que eu te queria, o perto nunca bastava
E essa proximidade não dava
Me perdi no que era real e no que eu inventei
Reescrevi as memórias, deixei o cabelo crescer
E te dedico uma linda história confessa
Nem a maldade do tempo consegue me afastar de você”

 

Olhou para o criado-mudo do lado de Naruto. Nunca dera muita atenção àquelas fotografias. Deixavam-na envergonhada, para dizer a verdade. Agora, prestando mais atenção longe das írises azuis, Hinata sentia o coração se apertar mais uma vez.

Uma pequena coleção de fotos dela.

Ele encontrara num álbum antigo a foto de formatura na Academia Ninja. Hinata nunca se dera conta do quão perto dele ela estava naquele dia – talvez fosse o motivo daquela imagem estar ali. Havia também uma de Naruto com o time 8, que Ino tirara quando ganhara uma câmera de presente de aniversário. O primeiro grupo que a loira avistou fora a equipe que procurava um insetinho que ajudaria na busca por Sasuke.

A terceira fotografia era recente, de poucos meses atrás, quando Naruto a pedira em casamento durante um jantar com os amigos. Sakura carregava na bolsa sua máquina fotográfica, e tirou uma do casal alguns segundos após ele colocar o anel no dedo da Hyuuga.

Naruto parecia mais radiante do que ela, emocionada demais para assimilar tudo ao redor.

A quarta e última também não tinha muito tempo, mas era a que recebia mais destaque. Uma foto só dela, em que sorria envergonhada no vestido novo. Naruto dizia que gostava muito do retrato, que o sorriso de Hinata era o mais bonito que ele já vira.

Teve vontade de responder naquela vez, mas não teve coragem. Não teve coragem de dizer que o sorriso dele a salvara dos próprios medos e inseguranças, que o sorriso dele era uma coisa mágica, que fazia o coração bater descompassado quando era direcionado apenas para ela...

“Achei que você me amava! Foi o que você disse naquela vez, não foi? Você disse que me amava!”.

Ela o fez pensar que não tinha mais sentimentos por ele. Naruto foi embora acreditando que Hinata queria partir porque ele não a fazia feliz. E pior: que nunca seria capaz de tal.

– Como você pode pensar algo assim, Naruto-kun?


“Te contei tantos segredos que já não eram só meus
Rimas de um velho diário que nunca me pertenceu
Entre palavras não ditas, tantas palavras de amor
Essa paixão é antiga e o tempo nunca passou”

 

Deu uma última espiada no relógio. Cinco e meia. Não demoraria a amanhecer, ela notou ao abrir as cortinas. Vestiu um robe por cima do pijama e foi até o banheiro. Lavou o rosto a fim de disfarçar as olheiras. Não encontrou motivos para trocar de roupa antes de preparar um café forte e sentar de volta no sofá.

Sempre esperando por ele.

Parecia um castigo divino.

A quinta xícara se esvaziara, e ela voltou à cozinha, o estômago embrulhado demais para comer qualquer coisa. Lavou a louça e resolveu voltar ao quarto, porém estancou nos primeiros passos dentro da sala.

Até com a pouca claridade foi capaz de reconhecer o contorno de Uzumaki Naruto.

– Naruto-kun!

Ela correu até ele, acendendo as luzes e abrindo a boca num “O” ao reparar bem o estado do rapaz. Naruto estava encharcado da cabeça aos pés, o cabelo desgrenhado, as roupas com um cheiro desagradável, a bota enlameada e alguns pequenos cortes no rosto e no braço esquerdo.

– Por Deus, Naruto-kun, o que houve com você? Onde estava?

Nenhuma palavra. Naruto mantinha-se cabisbaixo, parado no meio da sala com o olhar mais triste e perdido que Hinata já vira. Percebendo que não conseguiria arrancar uma palavra dele, ela se esforçou para convencê-lo a sair dali. Puxou-o delicadamente até o banheiro, tirando o casaco laranja molhado e ignorando o próprio rosto pegar fogo ao ajudá-lo com a camisa e a calça. “Não é como se você nunca tivesse visto o corpo dele, Hinata. Controle-se” ela repetia na mente. Ia colocá-lo embaixo do chuveiro e buscar roupas limpas para o loiro, até que reparou mais em seus cabelos... Obrigou-o a sentar no vaso e deu uma boa olhada no estrago. Não era somente sujeira. Hinata encontrou mínimos caquinhos de vidro sem precisar do Byakugan. Algumas mechas faltantes indicavam que foram arrancadas. Até um pedacinho de goma de mascar ela achou.

– Não vai mesmo me contar o que aconteceu com você?

Ele virou o rosto para o outro lado, decidido a não encará-la. Hinata bufou.

– Não saia daí. Vou atrás de uma tesoura.

Foi um trabalho árduo, e a garota lamentou ter que dizer adeus aos cabelos compridos que tanto gostava. Cortou as madeixas loiras até deixar apenas três dedos de altura. Deixou a tesoura na pia, ficando de frente para o rapaz e implorando mentalmente que ele a olhasse.

– Po-Posso levá-lo ao barbeiro mais tarde... Pa-Para ajeitar... – Engoliu em seco, odiando gaguejar naquele momento. – Deixe-me ajudá-lo com as ataduras.

Tomou um susto quando ele trouxe o braço direito para mais perto de si, impedindo-a de tocá-lo.

– Não – ele falou, baixo e rouco, negando com a cabeça e remexendo-se nervosamente sobre o vaso. – Me... Me deixe... Sozinho.

Os olhos perolados se arregalaram por um instante, e ela controlou as lágrimas antes de se pronunciar de novo:

– V-Vou pegar roupas limpas. Tome um banho quente, Naruto-kun.

Saiu do banheiro e o ouviu mexer na tranca. Soltou um suspiro pesado e pegou as roupas limpas, como prometido. Deixou-as sobre uma cadeira em frente à porta do banheiro e correu até a cozinha. Preparou um suco, torradas, queijo e ovos. Deixou tudo pronto sobre uma bandeja, controlando a respiração e as mãos trêmulas antes de levá-la até o quarto. Naruto já estava lá, deitado de costas para a porta, mas definitivamente acordado.

– Trouxe seu café, Naruto-kun. – Fez o possível para a manter a voz no tom mais normal possível. – Por favor, coma um pouco antes de dormir.

Nenhuma resposta. Hinata deixou a bandeja sobre o criado-mudo e voltou até a porta, se escondendo no corredor. O rapaz pensou que a morena se afastara.

Ela escorregou até o chão ao ouvir o choro sofrido e contido do homem que amava. Ficou ali por longos minutos, escutando os soluços e engolindo os seus, sem saber o que fazer. Quando ele finalmente se silenciou, Hinata se pôs de pé no minuto seguinte. Enxugou o rosto e respirou fundo, dando-lhe alguns segundos de vantagem antes de entrar no quarto novamente. Naruto estava sentado no chão, ainda sem ver a porta, as costas apoiadas na cama e a comida intocada.

– Você precisa comer alguma coisa... – falou de mansinho. – Vai ficar doente desse jeito.

Nada. Apenas o rosto dele se escondendo entre os joelhos.

Alguma coisa se remexeu no âmago da Hyuuga. Ela sempre fora muito paciente, mas toda aquela teimosia estava tirando-a do sério. Hinata até poderia entender que ele não quisesse conversar sobre o dia anterior, ou mesmo onde passara a noite. Mas de forma alguma ela o deixaria arriscar a saúde por sua causa.

– Uzumaki Naruto! – ela falou alto, autoritária. O rapaz deu um pulo no lugar. – Eu exijo que coma alguma coisa imediatamente! Se quiser ficar sozinho, vai ter que raspar a comida dessa bandeja!

– Eu... – Ainda tinha voz rouca. – Não quero.

– Não perguntei se você quer! Eu o mandei comer!

Viu a hesitação do loiro, mas ele não saiu do lugar. Hinata andou até ele a passos pesados. Naruto se encolheu com sua aproximação.

– É assim que lida com seus problemas, Naruto-kun? Se encolhendo, se escondendo num canto, fingindo que eles não existem?! – Ele virou o rosto, envergonhado. – Ficará desse jeito quando eu for embora? Chorando como se eu tivesse morrido?

Naruto a olhou, espantado com suas palavras duras.

– Eu não disse que iria partir amanhã, Naruto-kun, ou mesmo na semana que vem – continuou, sem se abalar com os olhos azuis arregalados. – Ainda faltam meses inteiros até nosso casamento!

– Você...

– Eu prometi que iria me casar com você, não foi? Não vou embora pelo menos até janeiro!

Ele escondeu o rosto novamente, fazendo-a bufar.

– Como consegue? – Hinata se espantou com a voz baixa. – Como consegue fingir que não é nada?

Hinata engoliu em seco. Ajoelhou-se perto dele, arrependida de suas palavras. Não queria fazê-lo sofrer ainda mais, apenas queria... O quê? O que ela poderia querer além de um sorriso dele? Precisava que ele ficasse bem... Precisava ver um sorriso no loiro para poder ficar bem também. Só então teria coragem de levar sua ideia adiante.

– Nós... Nós tínhamos planos...

– Não, Naruto-kun. Seus planos. Não nossos.

O garoto se assustou, levantando o semblante chocado com a resposta dela.

– Me deixou acreditar que eram nossos.

Ela deu um suspiro pesado. Arriscou levar uma mão até o rosto abatido do rapaz. Ele não a rejeitou. Ao contrário, aceitou o carinho, segurando a mão dela com aflição.

– Não quero desistir de nós dois, Hina. Não quero abrir mão do futuro que planejei com você ao meu lado.

Naruto a puxou com cuidado, hesitante no início, mas desesperadamente quando ela aceitou ser colocada em seu colo. Ele a abraçou com força, e Hinata enfim se rendeu. Abraçou o loiro na mesma intensidade, afundando o rosto no pescoço dele, embriagada com o cheiro amadeirado de seu perfume. Não quis mais sair dali. Desejou tê-lo para sempre, assim, agarrado nela como se aquilo fosse o suficiente para impedi-la de partir.

Tecnicamente, era mesmo.

– Não pode fingir que isso não existe. – Ele a apertou mais, a mão se perdendo nos fios escuros. – Nós dois... não somos mais completos desconhecidos. Não pode negar o laço que se formou entre a gente. Não pode esperar que eu esqueça tudo o que vivemos de uma hora para outra.

A moça se afastou apenas um pouco, enxugando as lágrimas teimosas que insistiam em cair no rosto bonito do rapaz.

– Não estou pedindo que esqueça, Naruto-kun – falou doce, tentado controlar as próprias lágrimas. – Estou pedindo que aproveite comigo esses últimos meses, ao invés de ficar preso nesse quarto lamentando algo que ainda nem aconteceu.

Encostou a testa na dele, o coração apertado ao vê-lo naquele estado. Nada do que ela dizia parecia ajudá-lo, e a garota estava começando a se desesperar.

– Dói tanto, Hina... Por que dói tanto?

– O que está doendo, Naruto-kun?

Naruto levou a mão dela até seu peito. Olhos azuis e perolados se encontraram, os últimos surpresos.

– Está me esmagando por dentro! – ele continuou, aflito. – Só a ideia de vê-la partir dói o peito. E parece que melhora quando a sinto assim, perto de mim. – Ele a puxou de volta ao abraço. – Não quero que vá embora, Hina. Você está buscando a sua felicidade, e eu devia apoiá-la, eu sei, mas não consigo! Não quero! Não posso mais viver sem você.

Foi o limite para a Hyuuga. Chegaram a um ponto sem volta, e por mais que seu coração tenha ficado feliz com a descoberta, seu bom-senso a reprovava. A partida seria ainda mais difícil, ela tinha certeza, mas não se arrependeria de suas palavras.

– Lá no apartamento – ela começou, hesitante – você me perguntou... me perguntou se eu o amava, não foi?

Sentiu o garoto ficar tenso. Hinata aproveitou para se afastar de novo. Não desviou de seu olhar por um segundo sequer.

– Já faz quase um ano desde que Pain atacou a vila... Todo esse tempo, eu achei que você tinha esquecido.

Naruto se surpreendeu quando um sorriso emocionado surgiu no rosto da morena. As mãos dela percorreram seu rosto carinhosamente, e ele fechou os olhos um instante, o olhar profundo quando ela voltou a falar:

– Ainda estou apaixonada por você, Naruto-kun. É por amá-lo que preciso...

– Como pode dizer que me ama e que vai embora? – cortou-a, nervoso. – Não faz o menor sentido, Hina! Se me ama, fique comigo! Tire da cabeça a ideia absurda de que não somos felizes juntos!

– Eu nunca disse...

– Mas disse que você nunca poderia me fazer feliz, e isso não é verdade! – Dessa vez foi a vez dele de trazer seu rosto para perto, unindo suas testas, mas nunca tirando seus olhos dos dela. – Desde que você chegou... invadiu minha casa e meu coração de alegria! Deu mais cor à minha vida, mais sentido em minha existência. Perto de você, eu me sinto vivo, infinitamente mais feliz! E eu sei que te faço feliz também, Hina... – Ele enxugou com um beijo carinhoso a lágrima que caía no rosto dela. – Então me diga, por favor, o porquê de ir embora se nos damos tão bem juntos!

Hinata fechou os olhos com força, numa tentativa tola de controlar as lágrimas. Não poderia mais esconder dele seu último segredo, não depois de suas palavras apaixonadas.

– Não posso ficar... – Ela o impediu de falar ao colocar um dedo sobre seus lábios. – Não posso correr o risco de voltar aos Hyuuga.

– Eu nunca...

– O acordo, Naruto-kun! – Calou-o de novo. – O acordo dos Hyuuga, para que Hanabi assuma a liderança... – Ela engoliu em seco. – Eu não posso cumprir.

Se afastaram pela última vez. Naruto a olhou apreensivo.

– Não posso te dar um filho, Naruto-kun. – Não impediu mais as lágrimas. Fechou os olhos e desviou o rosto, envergonhada com tantos segredos. – Os treinamentos com meu pai, no começo do ano, afetaram meus órgãos. Meu útero foi... foi muito danificado. As chances de eu gerar uma criança são... mínimas.

Não precisou olhá-lo para saber que ele enfim montava as peças do quebra-cabeça – os olhares preocupados de Hanabi quando direcionava o Byakugan na direção da irmã, os exames que encontrara no mês anterior, a insistência de Tsunade para que Hinata fizesse um tratamento enquanto a morena insistia que não havia problema algum...

– Não posso correr o risco dos Hyuuga descobrirem que estou infértil – ela continuou, chorosa. – Eles me colocariam na liderança no minuto seguinte, alegando que um filho de Hanabi poderia ser meu sucessor. Se... Se eu for embora, será uma desonra para o clã ter uma herdeira fugitiva... E então Hanabi poderá assumir, e todos ficarão felizes com...

– Eu não vou.

Hinata o olhou surpresa. O semblante do ninja estava tão sério, e os olhos azuis marejados a deixaram sem chão.

– Não ficarei feliz sem você.

Ele segurou seu rosto com firmeza, obrigando-a a encará-lo.

– Fique aqui, Hina. Fique comigo. Daremos um jeito, juntos. Eu prometo a você, ninguém a tomará de mim!

– Mas... Naruto-kun, eu...

– Procuraremos a vovó – falou rapidamente. – Você fará o tratamento do qual ela tanto falou. Pode demorar o quanto for, Hina, mas não tem problema. Ainda somos jovens, poderemos ter filhos em alguns anos. Hanabi não poderá assumir antes dos vinte e um, de qualquer forma. Isso nos dá... Oito anos, Hina! Até lá já teremos jogado nossa felicidade na cara dos Hyuuga e... – Ele parou para pensar um instante. – E tido pelo menos seis filhos!

A brincadeira fora de hora arrancou-lhe uma risadinha surpresa. Olhou-o emocionada, mal acreditando que seus sentimentos finalmente o alcançaram.

– Naruto-kun...

Ele arriscaria a pele por ela... Estava disposto a encarar todo o Clã Hyuuga para mantê-la a salvo, para fazê-la feliz... Casaria com ela por livre e espontânea vontade, os sentimentos indo além da grande amizade que formaram...

– Hinata, eu...

Céus, ela merecia tanto assim?

– Eu... Eu também me apaixonei...

Não soube de onde tirou coragem para aproximar os lábios dos dele. Olhou-o por um momento, querendo ver sua reação. Surpreso com certeza, mas definitivamente desejando que ela chegasse mais perto.

Ela o fez.

Um toque de lábios. Tímido, receoso. Hinata não tinha experiência alguma quando se tratava de beijar, e percebendo isso, Naruto logo tratou de beijá-la mais profundamente. Abriu a boca devagar, ensinando que ela devia fazer o mesmo. A garota sentiu o corpo inteiro arrepiar-se quando as línguas se encontraram, para então esquentar quando sentiu as mãos do rapaz segurando sua nuca e cintura possessivamente, ansiosas por mais contato.

Foi somente quando se afastou dele, a respiração e os batimentos cardíacos irregulares, que percebeu as mãos agarrando a camisa dele com força.

“Meu Deus, eu beijei Naruto-kun!”.

Ele caiu na gargalhada quando percebeu o rosto avermelhado dela.


“E quando chega a noite, e eu não consigo dormir
Meu coração acelera e eu sozinha aqui
Eu mudo o lado da cama, eu ligo a televisão
Olhos nos olhos no espelho e o telefone na minha mão
E o telefone na minha mão”

(A Noite – Tiê)

 


– Hina... Quer ser minha namorada?

A moça levantou o rosto do peito dele, olhando-o divertida.

– Achei que éramos noivos.

Ele abriu um sorriso ainda maior.

– Não somos um casal comum, não é? – Ela teve que concordar. – Primeiro companheiros ninjas, amigos. Depois noivos e só então melhores amigos. Que tal ser minha namorada antes de ser minha esposa?

Naruto tinha carregado-a do chão até a cama, enchendo o rosto dela de beijos até que ela perdesse a vergonha. Demorou um pouco, mas o loiro pareceu não se importar. Deitou-a sobre ele quando terminaram de tomar café, enfim entregando-se ao sono que não tiveram pela madrugada. Quando Naruto percebeu que ela acordara, não perdeu tempo para fazer a pergunta que parecia lhe queimar a garganta.

Como ela poderia dizer “não”? Amava aquele homem mais do que a própria vida. Se ele dizia que poderiam enfrentar seu problema juntos, Hinata acreditaria nele.

Roubou um beijo dele, deixando-o surpreso e bobo.

– Eu aceito.

 


Notas Finais


E então? Gostaram? xD
Não sei se é imaginação minha, mas escuto fogos de artifício... Vocês estão ouvindo também? Rsrs ^^"
Antes de dar o aviso que preciso, quero agradecer aos 314 favoritos e a michaeldlss, Annissima, I_Lost_my_shoes, papah, Karynara, Ponei0de1circo1, wanderleyluffy, DaayaChan, kitauzumaki, uzumakipatricia, Leifa, BrabuletaNinja, keina-chan, nathmfo, Andlucs, GabrielCOCDC, PrincesaCrystal, whatapanda, FelipeUch, NegaHyuuga, BettaMendes, AmineHokusho, amarcadeathena, princesahyuuga1, darli, NuelleUzuHyuuga, allehyuuga, ianbnuness, Uzuchiuuga, DaniShippuuden, Amora-san, Bolinha_Fofinha, Hyanny, esther0608, Sonkun, KitsuneGhoul, Thay48 e Antonnia (3x), pelos comentários do último capítulo! Quero agradecer também a PerfectQueen2, que comentou no capítulo 11, e a IGORVELOTEI, que comentou no capítulo 2! E também à Tayshippuden, que foi a tricentésima pessoa a favoritar a fic! Meu muito obrigada, a todos vocês! Amo vocês demais! ♥♥♥♥♥

Leitores divosos de meu S2... Eu já comentei para alguns de vocês antes, mas para os que não sabem, eu estou um pouco desorganizada com a minha vida. A faculdade e mais alguns probleminhas pessoais estão me atrapalhando um pouco na hora de escrever, então é justo que vocês saibam que esse é o último capítulo de MEDD que eu tinha pronto. Ou seja... A espera de verdade começa agora. ^^" E eu estou participando de um desafio de songfics, do blog que eu participo (vou deixar o link aí embaixo), então vou precisar de um tempo a mais para poder escrever. Ou seja (2)... Podem me esperar somente a partir de novembro. ^^" Eu sei, é um longo tempo, mas não posso e nem quero forçar a escrita. Gosto demais dessa história para deixar de qualquer jeito. Espero que entendam. ♥

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Momento propaganda:

1 - Pasta no Pinterest com fanarts e outras imagens que combinam com a fic (todo capítulo tem imagens novas): https://br.pinterest.com/isisbrito8/meu-eu-depois-dela-fnh/
2 - Blog "Resenhando: Naruhina", onde eu e mais três autoras (SBFernanda, Nathyuga e Leifa) postamos resenhas de fanfics NH: http://resenhandonaruhina.blogspot.com.br/
3 - Página do blog no Facebook: https://www.facebook.com/ResenhandoNH/
4 - Grupo no Facebook sobre fanfics NH: https://www.facebook.com/groups/1752547481730098/
5 - Página sobre fanfics NH (do mesmo grupo do item 4): https://www.facebook.com/Fanficsnaruhina/
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Acho que é só isso, pessoas lindas. =)
Muito, muito, muito obrigada por tudo! ♥
Até o próximo capítulo! *-* =*


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