História Meu gato, Leão - Capítulo 2


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Categorias Originais
Tags Original, Original Story
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Palavras 929
Terminada Sim
LIVRE PARA TODOS OS PÚBLICOS
Gêneros: Romance e Novela

Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 2 - Segundo


O senhor Tomas acordou no horário de sempre e por um momento esqueceu de seu hóspede. Tomou um banho, colocou suas calças marrom e a blusa vermelha e desceu feliz, assobiando, carregando sua baladeira. Passou pela sala e pela cozinha e abriu a porta de trás, indo para a parte de trás do quintal. Sentou em sua cadeira, posicionou a primeira pedra e mirou na pobre ave que estava no galho mais baixo do pé de acerola. Um segundo antes de lançar a pedra ouviu um miado bem no ouvido direito. Soltou a pedra de qualquer jeito, deu um pulo da cadeira e errou o pássaro.

- Mas que...? – ao se virar deparou com o gato sentado na mesa ao lado de onde estava sua cadeira (agora ela estava no chão), olhando com olhos atentos e balançando o rabo calmamente. – Ora seu, seu... Argh! – o senhor Tomas jogou a baladeira no chão de tanta irritação e lançou-se sobre o gato. O animal, porém foi mais rápido e desatou a correr. E aí a brincadeira começou. O felino corria pelo quintal, entrava na casa, subia as escadas e tornava a descer e desatar para o quintal, enquanto um homem velho e pouco ativo se arrastava atrás na fraca e tola esperança de em algum momento pegar o animal. Depois de vários minutos o senhor Tomas percebeu que nunca seria páreo para o gato e jogou-se no sofá, arfando, totalmente exausto. O gato subiu no sofá ao lado e miou para o velho.

- Quer saber? – falou ele entre suspiros e tossidas. – Não vou perder meu tempo com você. – E, quando retomou o fôlego, dirigiu-se para a cozinha. Já havia passado da hora em que o senhor Tomas normalmente se distraía com os pássaros, então ele passou para o café da manhã.

O dia passou mais devagar do que o normal e o senhor Tomas sempre tinha uma companhia em tudo que iria fazer: fazer as refeições, limpar a cozinha e a casa, inspecionar os móveis e objetos de decoração, fazer algum reparo que fosse necessário. O gato sempre estava lá. Nem sempre ele atrapalhava, às vezes simplesmente ficava sentado, olhando para o velho, outras brincava com os objetos, metia-se no meio e esfregava-se nas pernas do seu anfitrião, miando e ronronando. O senhor Tomas limitava-se a pegar o objeto das patas e boca do animal e a empurrá-lo ou chutá-lo (não tão forte) caso atrapalhasse. Ah, e gritava e xingava. Se o gato se recusasse a lhe devolver algo ou corresse para não ser pego o homem simplesmente deixava para lá, parava, fazia outra coisa e retornava quando tivesse sua ferramenta de trabalho de novo. Ao final do dia, estava mais cansado do que nunca. Deixou de lado seu jantar habitual e optou por uma xícara de chá e algumas bolachas. Sentou-se no sofá, com os pés suspensos em um apoio e começou a comer. O gato postou-se a seu lado, deitado sobre uma almofada.

- Quer saber, vou lhe dar um nome. – falou o homem depois de um longo silêncio. – Não porque eu goste de você, pelo contrário, eu realmente te detesto. Mas enquanto você não vai embora daqui preciso me referir a você de alguma outra forma. – Tomou um gole de chá. – E não vai demorar o dia em que você irá embora. Gatos são traiçoeiros e individualistas, sempre fazem o que lhes agrada, não se prendem em um lugar só. Andam por telhados e muros, invadem quintais, mexem no lixo dos outros. Você logo abandonará a vida caseira pelas aventuras da rua. – O animal permanecia deitado, olhando para o velho com o canto do olho. – Bom, a partir de agora lhe chamarei de Bichano. – Nesse momento o gato saiu de sua calmaria. Deu um alto chiado, elevou-se nas patas dianteiras e mostrou os dentes. O senhor Tomas deu um pulo no sofá. Por pouco não soltou a xícara já vazia no chão. – Mas o que é isso? Você está louco? – falou, olhando para o gato, que por sua vez mostrou os dentes uma vez mais. – Ora, me desculpe – disse o velho, sentando-se no sofá –, não sou tão criativo para nomes.

O senhor Tomas parou por um momento, pensando em outros nomes para o gato. De alguma forma sabia que deveria encontrar o nome certo e o próprio animal o aprovaria.

- Que tal Gatinho?

Chiado e dentes à mostra.

- Tá bom. E que tal Felino?

Mais chiados e dentes à mostra.

- Oras, já disse, não sou criativo. – falou o homem balançando as mãos e olhando pela janela. – São os melhores nomes que consigo pensar para um gato. Não espere um nome à altura de um leão.

Miaaaaaaaau. O senhor Tomas virou-se para o gato. Ele agora estava com os grandes olhos fixos no homem, o rabo balançando.

- O quê? Leão? – o gato miou mais uma vez e ele percebeu claramente que era um som de aprovação. – Leão! – disse outra vez e o gato tornou a aprovar. – Tudo bem, chamarei você de Leão. – disse o homem. E percebeu que estava sorrindo de leve. Estava feliz. Não sabia por que, mas estava satisfeito em ter conseguido encontrar o nome para seu hóspede temporário. Não gostou disso. Fechou a cara, largou a xícara na mesinha de centro, levantou-se e subiu as escadas como um furacão. Antes de chegar ao primeiro andar, gritou:

- Não me perturbe, Leão, preciso de uma boa noite de sono depois de todo o trabalho que você me deu. – Alcançou o quarto sem sinal do companheiro e fechou a porta com força.



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