História Meu Melhor Amigo - Capítulo 11


Escrita por: ~

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Categorias A Feia Mais Bela
Personagens Fernando Mendiola, Letícia "Lety" Padilha Solís
Tags A Feia Mais Bela, Ferlety, Fernando Y Lety, La Fea Mas Bella, Lfmb, Romance
Exibições 225
Palavras 6.508
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo
Avisos: Homossexualidade, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 11 - Sim!


FERNANDO

 

- Tenta de novo! – Falei eufórico, com o celular em mãos.

- Fernando, se todos nós ligarmos ao mesmo tempo, não vai adiantar nada! – Omar disse.

               Respirei fundo e tentei me acalmar, mas era impossível. Antonio correu em nossa direção e eu o olhei esperançoso, mas sua feição de desânimo não me convenceu.

- Não consegui alcançá-la. – Ele disse respirando ofegante.

- Ela deve ter ido para o hotel! – Falei colocando as mãos no bolso. – Onde estão as minhas chaves?

- Não. – Minha mãe segurou minha mão. – Você não pode ir atrás dela, filho. Não pode abandonar os seus convidados aqui.

- Mamãe, os meus convidados são vocês. Eu estou pouco me importando para essa gente toda aqui!

- E a sua noiva?

               Eu não poderia fazer aquilo com Marianne. Ela merecia uma explicação, e não que eu a abandonasse sem dizer absolutamente nada.

- Mas a Lety... – Falei magoado.

- Ela precisava fazer isso, Fernando. – Márcia me olhou. – Ela não conseguiria.

- O que é que está acontecendo com vocês? – Minha mãe me olhou.

- Uma longa história. – Respondi. – Eu só... Precisava ir atrás dela.

- A questão é que você não pode insistir com isso, Fernando. – Carolina disse.

- Por que estão dizendo isso? – Perguntei nervoso. – Não posso deixar a Letícia ir embora!

- Fernando... – Antonio tocou em meu ombro. – Ela já sofreu demais com isso. Ela apenas chegou no seu limite.

               Meu coração doía ao ouvir aquilo.

- Ela agüentou uma semana disso, não a obrigue a ter que presenciar voce se casando com outra também.

               Ele tinha toda a razão. A culpa de tudo aquilo era minha, e eu me sentia um idiota por não ter me preocupado com o que Lety sentiria quanto àquilo. Mesmo que ela tenha dito que nunca daríamos certo há um ano atrás, já estava mais do que claro que ela se equivocou, e depois de sua declaração no ensaio do casamento, eu tinha ainda mais certeza disso. Por minha causa Letícia sofreu durante uma semana, tendo que ficar ao meu lado por causa daquele maldito casamento. Eu fui egoísta por não me preocupar com isso quando pedi para que ela ficasse ao meu lado, e eu deveria saber que ela não me negaria isso. Eu me sentia um total idiota.

- Fernando... – Meu pai me olhou. – Vamos conversar.

               Respirei fundo e aceitei. Caminhamos pelo jardim e nos afastamos de toda a festa e convidados. Quando chegamos à um local longe o suficiente de tudo e de todos, meu pai parou de me andar e me olhou.

- Eu não sei exatamente o que está acontecendo, mas já posso ter uma idéia... – Ele disse com seriedade, colocando as mãos no bolso. – Por que exatamente está fazendo tudo isso?

               Ele se referia ao casamento, e eu queria contar à ele sobre tudo. Que estava fazendo tudo isso para salvá-lo de ser preso por um crime que ele não cometeu. Que o imbecil do Gonzáles conseguiu me manipular à ponto de cometer essa besteira. Queria dizer tudo isso, mas eu não poderia arriscar.

- Tudo bem. Não precisa responder. – Ele falou rapidamente. – Eu só quero que saiba que... Casamento é um passo muito serio. Seja qual for o motivo que o fez tomar essa decisão, você precisa repensá-la agora mesmo. Não vai poder voltar atrás depois, e pode se arrepender pelo resto de sua vida.

- Eu sei. – Respondi magoado. – Eu sei disso.

               Olhei para a direção da festa e vi Gonzáles conversar com Marina a sós. Provavelmente estavam falando sobre o ocorrido de Letícia, já que Marina não perderia a oportunidade de falar mal dela. O meu sangue ferveu naquele momento ao olhar para as duas pessoas que eu mais desprezava na vida.

- Letícia está magoada por algum motivo, e nesse momento ela deve estar arrumando as malas para ir embora. Ela não vai te esperar, Fernando, nem hoje, e nem quando você se casar. Sei que a amizade de vocês é muito importante, e espero que saiba que ela também está em risco. Você não pode estar casado morando em outra cidade e achar que sua relação com Letícia será a mesma.

               Continuei em silencio olhando para Gonzáles e Marina.

- Sua mãe e eu continuaremos ao seu lado independente da sua escolha. Mas não podemos negar que nós percebemos que você não está satisfeito. Por isso me sinto na obrigação de dizer para que você pense com clareza sobre isso. Você só tem mais alguns minutos para isso.

               Senti ele bater em meu ombro e o olhei com os olhos marejados. Meu pai disse as palavras certas que eu precisava ouvir. Eu ainda estava preso ao “acordo” que fiz com Gonzáles, e por mais que eu quisesse, não poderia simplesmente desistir. Se eu bem o conhecia, era capaz de ter uma viatura esperando por meu pai na porta de sua casa. Mas a vontade de desistir era grande. Não porque eu não me preocupava com a situação do meu pai, mas porque eu amava a Lety o suficiente para não conseguir me casar com outra.

- Vou procurar por sua mãe. Ela deve estar preocupada.

               Meu pai se afastou e me deixou a sós com meus pensamentos e minha culpa. No mesmo instante senti meu celular vibrar em meu bolso, e rapidamente o atendi, na esperança de que fosse Letícia.

- Alo? – Atendi a ligação com o coração disparado.

- Fernando? Fernando Mendiola?

               Não. Não era ela.

- Sim... – Respondi desanimado. – Quem deseja?

- Sou o Bernardo. Bernardo Oliveira. Nós nos falamos há alguns meses.

               O desanimo rapidamente desapareceu e eu me interessei pela conversa.

- Sim! É claro! Como vai, Bernardo?

- Bem. Eu só estou ligando por que... Eu tenho algo para te dizer. Eu sinto muito que tenha demorado tanto tempo para criar coragem de lhe dizer isso, mas... Quando você me perguntou sobre o acidente e eu disse que não sabia de nada... Eu... Bem... Eu menti. Eu vi tudo, e eu estou disposto a te contar tudo o que sei.

               Minhas mãos começaram a suar e o meu coração estava prestes a sair do próprio corpo. Aquela conversa era relacionada ao acidente que meu pai supostamente estava envolvido. Há alguns meses Gonzáles pediu para que algumas pessoas dessem o depoimento à favor do meu pai, e Bernardo foi uma dessas pessoas. Mas, na hora do seu depoimento, ele pareceu nervoso e disse que não sabia de nada, e que não tinha visto o acidente. Ele trabalhava em um restaurante próximo à estrada onde tudo aconteceu, e era provavelmente a única testemunha verdadeira que Gonzáles conseguiu arranjar para a audiência. Sem que ele soubesse, eu entrei em contato com Bernardo e ele mais uma vez negou, dizendo que não havia visto o acidente. Receber uma ligação dele depois de tantos meses, dizendo que ele mentiu sobre tudo, me deu esperança de que toda aquela confusão poderia ser revertida, e eu poderia não ser obrigado a me casar. Não com alguém que eu não amava.

- Estou ouvindo... – Falei.

 

 

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               Fernando encarava o chão há alguns minutos. Havia acabado de sair da audiência, e mesmo que seu pai tivesse sido liberado, eles não o julgaram inocente. As investigações continuariam, e caso encontrassem algo concreto que o incriminasse, sua prisão seria declarada. Não era do jeito que Fernando imaginou, mas ao menos seu pai estaria fora de perigo. Ao menos enquanto ele cumprisse com o acordo com Gonzáles. Enquanto encarava o chão pensativo, Fernando ouviu alguém caminhando pelo corredor e rapidamente o reconheceu como sendo uma das “testemunhas” que Gonzáles havia encontrado. Ele já sabia que todas as testemunhas eram falsas, e que ele as manipulou para que ficassem a favor do seu pai. Mas, uma das falsas testemunhas não parecia tão falso assim, se mostrando totalmente nervoso durante as perguntas que Gonzáles lhe fez.

- Com licença? – Fernando se levantou e o homem pareceu assustá-lo em vê-lo. – Desculpe, não quero te incomodar. Mas...

- Eu não posso falar nada sobre isso. – Ele disse tenso.

- Não, eu não quero falar... – Fernando suspirou. – Tudo bem, mas eu não quero te aborrecer. Eu só preciso saber se você... Realmente estava no local na hora do acidente. É a única coisa que preciso saber. O acusado é meu pai, e eu estou realmente fazendo o possível para que ele seja inocentado. Eu preciso saber se Gonzáles lhe pagou para você dizer que era testemunha ou se você é realmente uma.

               O rapaz olhou para Fernando e pareceu ainda mais tenso.

- Sim, eu estava no local.

               Fernando pôde ver uma luz no fim do túnel.

- Isso é... Ótimo! – Ele sorriu. – De verdade, é ótimo! Então... Você pode dar outro depoimento e dizer que meu pai é inocente, não é? Você viu que ele é inocente! Ele parou apenas para prestar socorro e...

- Eu estava no local, mas eu não vi nada. – Ele respondeu rapidamente.

- Como?

- Eu não vi nada. Não vi nada.

- Ei! Calma!

- Eu só estava trabalhando no restaurante próximo ao local do acidente. Apenas isso. Mas eu não vi o que aconteceu. Eu não vi quem... – Ele parou de falar ao ver que Gonzáles estava se aproximando dos dois. – Eu preciso ir. Preciso ir, com licença.

               Sem esperar Fernando insistir um pouco mais, o homem passou por ele parecendo um furacão. Fernando o observou se afastar, mas sentiu que ele estava escondendo algo.

- Fernando. Algum problema? – Gonzáles perguntou quando se aproximou.

- Não constava o nome de nenhuma testemunha na ocorrência. – Ele disse olhando-o. – Como foi que você encontrou justamente a única provável testemunha do local?

- Eu fiz algumas pesquisas. Não é a toa que sou o advogado mais bem pago do país, não é? – Ele sorriu parecendo debochado. – De que isso importa agora, Fernando? Seu pai não foi preso. Não era isso que queria?

               Fernando queria mandar aquele homem para o inferno, mas a única coisa que fez foi ficar em silencio, mesmo com suas desconfianças.

 

 

 

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               A raiva estava me dominando por inteiro. Estava praticamente cego enquanto caminhava à passos firmes em direção à Gonzáles. Ele conversava com alguns convidados e dava gargalhadas. Filho da mãe! Imbecil! Mentiroso! Tudo o que eu queria era descontar toda a minha raiva naquele idiota, ao mesmo tempo que gritaria toda a verdade para todas as pessoas que estavam ali. Eu fazia questão que todos soubessem o mentiroso que ele era, e que ele deveria estar na cadeia!

- Gonzáles! – Exclamei furioso caminhando em sua direção.

               Assim que ele me olhou, antes que eu dissesse algo, lhe acertei um soco no meio do rosto, fazendo-o cambalear. Os convidados gritaram assustados e meus pais rapidamente se aproximaram. Senti alguém segurar meus braços e logo notei que era Omar, mas eu ainda tentava me soltar, decidido a bater ainda mais naquele idiota.

- VOCÊ PERDEU O JUÍZO? – Gonzáles perguntou passando a mão em sua boca que sangrava.

- VOCÊ É UM MENTIROSO! – Gritei furioso.

- O que é que está acontecendo? – A mãe de Marianne se aproximou assustada.

- Fernando, você é louco? – Marina perguntou. – Papai, o Senhor está bem?

- Ele está bem, mas logo não vai ficar! – Falei com a raiva me dominando.

- Do que é que voce está falando? – Marina perguntou.

- Ah... Eu aposto tudo o que tenho que você sabe de tudo, Marina!

- Fernando, explique-se melhor. – Meu pai disse assustado.

- Esse imbecil... –Apontei para Gonzáles. – Ele me manipulou durante todos esses malditos meses!

               As pessoas me olhavam confusas.

- Ele me obrigou a casar com a Marianne por meio de uma ameaça!

               Gonzáles me olhava com raiva, mas eu estava adorando desmascará-lo na frente de todos.

- Ele me fez aceitar esse maldito casamento em troca da sua liberdade, papai!

- Como assim? – Meu pai me olhou.

- Ele descobriu sobre o acidente. Descobriu que o Senhor era o principal suspeito!

- Meu Deus! – Minha mãe colocou as mãos à boca.

- E ele usou isso contra mim! Ele me fez aceitar esse casamento dizendo que iria me ajudar a inocentá-lo. Mas tudo o que ele fez foi uma mentira!

- Você fez isso? – A mãe de Marianne o olhou.

- Não! É claro que não!

- Você vai continuar mentindo, Gonzáles? – Perguntei sarcástico. – Não seja hipócrita!

- Fernando, você não sabe com quem está se metendo...

- Eu sei! Eu sei sim! Você ameaçou a única testemunha que estava no local do acidente! Você o fez mentir no seu depoimento, e o fez mentir durante todos esses meses.

- Mentir sobre o que? – Minha mãe perguntou.

- Sobre o acidente! Esse maldito sabia de tudo! Ele sabia quem era a única testemunha que estava no local na hora do acidente e a ameaçou para que ele não dissesse toda a verdade.

- E como ele sabia de tudo isso? – Meu pai perguntou. – E de que verdade você está falando?

- Ele sabe que o Senhor não é o culpado, papai... – Eu o olhei com fúria. – Porque foi ele que causou o acidente!

               Pude ouvir todas as pessoas que estavam em nossa volta suspirarem assustadas. Alguns ainda não acreditavam, outros estavam surpresos demais para dizer qualquer coisa. Meus pais estavam sem reação alguma, mas eu só tinha raiva. Raiva por ter sido manipulado durante todos aqueles meses por causa de uma mentira! Gonzáles era o culpado, e ele mentiu sobre tudo isso na minha frente, e por pouco eu não cometi o maior erro da minha vida por causa dessa mentira.

- Papai? - Marianne se aproximou nos olhando assustada.

- Marianne! Você não deveria ter saído do quarto antes da cerimônia! – Marina ralhou.

- Mas que cerimônia? – Perguntei impaciente. – Não vai ter cerimônia! Não vai ter casamento! Você não vai conseguir me manipular mais, Gonzáles, porque eu tenho provas contra você! O que você não sabia era que a testemunha gravou a hora do acidente, e guardou o vídeo durante todo esse tempo por medo do que poderia acontecer. Mas já está tudo feito. Ele já foi à delegacia e já contou tudo o que sabe. Você não vai conseguir sair dessa.

               Gonzáles parecia prestes a explodir. Ele obviamente não esperava por isso.

- Isso é mesmo verdade? – Marianne perguntou olhando-o.

- Tudo o que eu queria era te deixar feliz! – Ele respondeu impaciente. – Tudo o que eu queria era que você ficasse com alguém que gostasse! Fernando te magoou, e eu não poderia permitir isso!

- Meu Deus! – Marianne exclamou colocando as mãos à testa. – Então tudo isso foi por causa de... De uma... Uma manipulação sua?

- EU QUERIA TE DEIXAR FELIZ! – Ele gritou.

- MAS EU NÃO ESTOU FELIZ! – Ela gritou de volta.

               Dessa vez, eu fiquei surpreso.

- Eu sinto muito, Fernando... – Ela me olhou magoada. – Você é maravilhoso, e eu... Eu realmente gosto de voce, mas... Eu não o amo.

               Eu nunca senti tanto alívio em toda a minha vida.

- Eu pensei que amava, mas... Eu não o amo. Desde o dia que descobri que você e Lety ficaram juntos e que você queria ficar com ela, eu não consigo mais nos ver como... Como um casal. Nós nunca fomos um casal, na verdade, mas... Eu... Bem... Não queria te magoar.

- Você não queria me magoar? – Perguntei surpreso.

- Quando você veio atrás de mim dizendo estar arrependido eu me senti mal por isso. Eu aceitei perdoá-lo e aceitei que voltássemos a nos relacionar porque não queria te magoar. Tive medo de te rejeitar e você ficar ainda pior do que estava.

- Eu não acredito! – Márcia disse perplexa.

- Mas até então eu pensei que gostava mesmo de você. Acho que... Aprendi a ficar com voce. Me acostumei. Só que agora quando estava sozinha no quarto eu percebi que não o amo. Não o amo como pensei que amava, e... Sei que você também não me ama.

- Isso é óbvio, não é? – Marina comentou mal humorada.

- E você! – Marianne apontou para ela. – Você sabia de tudo, não é?

               Todos a olharam e ela pareceu tensa.

- Você nunca gostou do Fernando! Você sabia que o papai estava manipulando ele, não sabia?

               Ela não respondeu.

- Não acredito que fui enganada pela minha própria família... – Ela se afastou. – Eu nunca vou perdoá-los por isso!

               Marianne virou-se e correu em direção as escadas. Marina se preparou para ir atrás dela, mas sua mãe impediu.

- Está feliz? – Gonzáles perguntou à mim. – Agora Marianne está magoada!

- Isso não foi minha culpa. – Falei com desprezo. – A culpa é toda sua! Você fez tudo isso para que ela não se magoasse, mas no fim quem a magoou foi você! Com sua mentira, e com sua manipulação sobre mim. Teria sido muito melhor se tivesse aceitado que nós não nos amávamos. Nada disso teria acontecido!

- Você vai me pagar por isso, Fernando. – Ele me olhou com raiva.

- Ah não... – Sorri vitorioso. – Você vai pagar por isso. Pelo crime, por ter mentido, e por ter enganado tantas pessoas. A polícia já está ciente disso, e não vai demorar a ir atrás de você. Então sugiro que se você quiser fugir e ser um covarde como foi todo esse tempo, faça isso agora! Porque em pouco tempo você não será mais o “melhor advogado do país”. – Falei orgulhoso. – Você sempre me deu dicas de como ser um advogado de verdade, mas você nunca foi um. Você sempre foi um mentiroso e manipulador. Eu posso não ser um dos melhores advogados que existem, mas eu me orgulho de não ser nada parecido com você!

               No mesmo instante ouvimos o barulho de duas viaturas entrando nos jardins da casa. A atenção de todos voltaram-se para os policiais que desceram armados do carro e seguiram em nossa direção.

- Onde está Vicente Gonzáles? – Um dos policiais perguntou e todos nós apontamos para ele. Vários policiais caminharam em sua direção e o seguraram, algemando-o. – O Senhor está preso por tentativa de homicídio, omissão de socorro e manipulação de testemunhas...

- É muito crime pra uma pessoa só. – Omar comentou e todos nós rimos.

- Você vai me pagar por isso, Fernando Mendiola. – Gonzáles disse quando os policiais o empurravam para fora de casa.

- Eu acho bom você se preocupar em conseguir um bom advogado para você agora. – Falei. – Quem sabe ele consiga reduzir sua pena, não é? Talvez pegue apenas uns... Quatorze ou quinze anos.

- VOCÊ VAI ME PAGAR! – Ele gritou enquanto o afastavam.

- Papai! – Marina exclamou. – Mamãe, não pode deixar que façam isso com ele! Precisamos fazer alguma coisa!

- Você é a filha dele? – Um dos policiais perguntou.

- Eu... S... Sou.

- Vai ter que nos acompanhar também. E a Senhora também, Senhora Gonzáles.

               Nenhuma das duas disse absolutamente nada. Os policiais caminharam com elas na mesma direção em que seguiram com Gonzáles. Assim que se afastaram, respirei aliviado e recebi o cumprimento de várias pessoas. Alguns convidados foram embora, e os familiares que ainda restaram, tentavam engolir aquela história.

- Não acredito que você conseguiu se livrar disso! – Omar sorriu batendo em meu ombro.

- E nem eu. – Suspirei. – Foi por pouco. Ainda bem que a testemunha voltou atrás à tempo.

- Fernando... – Meu pai se aproximou e eu o olhei. – Se eu soubesse que estava fazendo tudo isso por mim, eu...

- Não. Não diga que teria pedido para eu desistir. – Falei rapidamente. – Eu não faria isso, e o Senhor sabe.

               Ele sorriu e me puxou para um abraço.

- Obrigado por isso.

- Agora o Senhor vai ser considerado inocente. – Retribuí o abraço. – Vai ficar finalmente livre disso.

- Graças à você!

               Nos separamos do abraço e logo minha mãe se aproximou, também me abraçando.

- Eu tenho tanto orgulho de você, meu amor!

- Obrigado, mamãe. – Retribuí o abraço.

- Então o casamento está oficialmente cancelado? – Márcia perguntou.

               Só então me lembrei de que tinha duas coisas muito importantes para fazer, e uma delas precisava ser feita naquele momento.

- Márcia... – Me virei para ela. – Vocês precisam ir até o hotel e tentar segurar Letícia o quanto puderem.

- É claro! – Ela concordou.

- Por favor, digam para ela tudo o que aconteceu e em poucos minutos eu chego lá para me explicar.

- Foi por pouco! – Antonio riu batendo em meu ombro.

- É. – Sorri.

- Vamos logo, pessoal! – Carolina disse. – Precisamos chegar antes que ela vá embora!

               Os quatro se afastaram e eu olhei para meus pais.

- Preciso conversar com a Marianne antes.

- Eu concordo. – Minha mãe segurou em meu rosto. – Faça o que é certo, querido.

               Balancei a cabeça concordando e rapidamente me afastei, subindo para o segundo andar. Caminhei pelo corredor até o quarto que Marianne estava e bati à porta. Sem ouvir uma resposta, abri a porta mesmo assim, e ela estava de pé em frente a cama, colocando o seu vestido sobre ela.

- Oi... – Falei adentrando o quarto.

- Oi. – Ela não me olhou.

- Eu queria te...

- Não. – Ela me olhou. – Não precisa se desculpar.

- Mas eu preciso. – Me aproximei. – Eu deveria ter sido sincero com você...

- Você não teve escolha. Precisava proteger o seu pai.

- Eu só não queria que tivesse demorado tanto tempo para assumir que também não me amava e que não queria isso.

- Eu tive medo de te magoar. Você é uma pessoa tão boa para mim... – Ela sorriu.

- E você merece um homem que realmente a ame. – Sorri de volta.

- Na verdade... Eu... Já tenho.

- O que?

- Antes de ficarmos juntos eu tive um namorado. Meu pai nunca aprovou nossa relação por ele ser... Um pouco diferente.

- Diferente?

- Sim. Ele não é rico, ele não é advogado, e... Ele é um motoqueiro.

- Que? – Perguntei perplexo.

- Eu sei. Difícil acreditar que eu já namorei alguém assim. Enfim... Eu gostava muito dele e ele de mim, mas não dava para continuarmos um relacionamento com meu pai sendo contra. Você bem sabe de tudo o que ele é capaz.

- E como sei!

- Então... Por fim nós terminamos. Mas... Eu nunca o esqueci.

- Marianne... – Segurei sua mão. – Você não sabe o quanto isso me deixa aliviado.

               Ela riu.

- Eu só não queria que as coisas tivessem demorado tanto para serem esclarecidas. – Ela disse triste. – E nem que fossem dessa maneira. Meu pai vai ser preso agora, e... Sinceramente... Não sinto nenhuma pena dele.

- Eu sinto muito por você saber dessa história assim.

- Não sinta. Na verdade eu que tenho que pedir desculpas em nome dele. Você foi obrigado a ficar com uma pessoa que não amava por tanto tempo e... AI meu Deus!

- O que foi?

- A Lety! Onde ela está?

- Eu espero que ela ainda esteja no hotel. – Suspirei. – Ela saiu logo depois que conversou com voce.

- Ah não... Pobrezinha! Ela deve ter ficado arrasada com tudo isso!

- Eu só não sei se ela vai me perdoar e me aceitar.

- É claro que vai! Ela te ama, Fernando... E você a ama também!

- Mas eu a magoei muito. Principalmente com esse casamento.

- Você não teve culpa, e ela vai entender isso! Você só precisa conversar com ela e esclarecer tudo.

- É. E eu farei isso.

- Então o que está esperando? – Ela me olhou. – Vá logo atrás dela!

               Sorri satisfeito e concordei, correndo em direção à porta. Mas, antes de sair, olhei para Marianne e voltei a me aproximar, lhe dando um abraço e um beijo em seu rosto logo depois.

- Obrigado.

- Pelo que? – Ela perguntou confusa.

- Por ser tão compreensível. – Sorri. – Você merece ser muito feliz.

- E você também. – Ela sorriu. – Agora vai!

               Dessa vez eu realmente me afastei, e corri o mais rápido que pude em direção ao meu carro. Precisava chegar ao hotel e me explicar para Letícia. A ansiedade e nervosismo me seguiram durante todo o caminho até o hotel, e assim que estacionei o carro praticamente no meio da rua, corri o mais rápido que pude para dentro do hotel. Mas, para minha surpresa, assim que entrei no saguão, vi todos reunidos próximos ao balcão da recepção, mas Letícia não estava com eles.

- Fernando! – Márcia exclamou. – Ainda bem que chegou!

- Onde ela está? – Perguntei com a respiração ofegante.

               Todos se olharam, mas ninguém me respondeu.

- Onde a Letícia está? – Perguntei novamente.

- Ela foi embora, Fernando. – Antonio respondeu. – Foi embora para casa.

 

 

 

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LETY

 

 

               No dia seguinte, a luz do sol atravessou a janela e veio diretamente para o meu rosto. Me mexi inquieta à cama e abri os olhos, me lembrando de que eu estava em casa. Respirei fundo e continuei encarando o teto sonolenta, me lembrando da péssima noite que tive. Assim que cheguei em casa depois da viagem de volta, a única coisa que consegui fazer foi cair na cama e chorar até pegar no sono. Eu não queria pensar que naquele exato momento Fernando estaria se casando. Mas, a cabeça pesada e a péssima sensação ainda permanecia no dia seguinte, e só em pensar que Fernando àquela hora já estava casado, meu estomago se embrulhou. Eu o perdi, e dessa vez era para sempre. Olhei para meu celular sobre a cômoda e pensei se deveria ligá-lo, mas achei melhor não. Não queria receber notícias de Márcia e Carolina, não queria saber as novidades do casamento, e não queria saber como foi estranho ouvir Fernando dizer “aceito” para Marianne. Eu só queria me esquecer daquela semana, e de preferência, me esquecer de qualquer coisa relacionada à Fernando.  Ao menos até eu estar boa o suficiente para vê-lo apenas como um amigo. Se isso chegasse a acontecer algum dia.

               Desanimada, me levantei da cama e caminhei em direção ao banheiro. Joguei uma água no rosto para despertar e logo depois segui até a cozinha. Não estava com a mínima vontade de comer, mas precisava de alguma coisa para me entreter naquele dia, e a única companhia que eu tinha era a comida. Preparei uma vitamina e cortei um pedaço de bolo que havia na geladeira, caminhando até a sala. Me sentei pesadamente ao sofá e liguei a televisão. Só então percebi que ainda era cedo demais para estar passando qualquer coisa útil na TV, e acabei me deparando com o jornal. Procurei pelo controle para mudar de canal, mas pelo visto ele estava em outra órbita como acontecia algumas vezes. Suspirei desanimada e me dei por vencida, assistindo ao jornal enquanto tomava a minha vitamina.

 

“A polícia acabou de confirmar a prisão do advogado Vicente Gonzáles, acusado de atropelar uma garota de apenas quatorze, fugindo sem prestar socorro. O caso que demorou dois anos para ser solucionado somente aconteceu graças à uma testemunha que estava no local e gravou todas as imagens. O ex suspeito do crime, o empresário Humberto Mendiola foi considerado inocente pelo juiz nessa manhã. Gonzáles deve pegar de vinte à trinta e cinco anos de prisão por omissão de socorro, manipulação de testemunhas e tentativa de homicídio.”

 

 

 

               O copo de vitamina já estava no chão, assim como minha boca. Eu não acreditava no que tinha acabado de ouvir, e por um momento pensei que estivesse dormindo ainda. Bati em meu rosto algumas vezes para me certificar de que não era um sonho ou pesadelo, mas parecia que eu estava mais acordada do que nunca. As coisas estavam confusas em minha cabeça, e imediatamente me levantei para pegar o meu celular no quarto, quando a campainha tocou. Ainda em transe caminhei até a porta, e antes de me certificar de quem estava ali, abri a porta, me assustando ainda mais com quem estava em minha frente.

- O que é que você está fazendo aqui? – Perguntei abismada.

- Oi Lety! – Fernando sorriu.

- Fernando, o que... Como...?

- Eu prometo que vou explicar tudo. – Ele deu um passo à frente. – Mas não agora.

- Mas...

- Agora eu preciso muito fazer uma coisa que já estava a fim de fazer a algum tempo.

- Fernando...

- Eu te amo, Lety! Eu te amo mais do que tudo! Eu te amo como eu nunca amei ninguém antes. E seria uma honra para mim, arriscar tudo tendo você ao meu lado.

- O que...?

               Não tive tempo de terminar a minha pergunta. Fernando imediatamente me pegou pela cintura e me puxou, me beijando logo depois. Eu não fazia idéia do que estava acontecendo, de por que ele estava ali quando na verdade deveria estar casado, mas assim que senti o toque de seus lábios nos meus, não fui capaz de pensar em mais nada. Enquanto ele me beijava, ele adentrou o meu apartamento, fechando a porta com o pé sem interromper o beijo.

- Espera. – Parei de beijá-lo e o olhei. – Você está casado?

- Não. – Ele sorriu. – Eu...

- Não quero saber ainda. – Falei rapidamente, entrelaçando meus braços em volta do seu pescoço. – Você me conta depois.

               Voltei a beijá-lo, dessa vez, aliviada por ouvir que ele não se casou. Eu não fazia idéia do que tinha acontecido para ele desistir, mas estava extremamente feliz que ele estava ali, e que estávamos juntos. Por tanto tempo eu tive que conter a vontade de beijá-lo, e finalmente eu poderia saciar o meu desejo de tanto tempo. Uma sensação de alívio e felicidade me dominou, e eu não queria que parássemos de nos beijar nunca mais. Mas, de repente, Fernando parou o beijo e olhou para o lado, justamente onde o chão estava sujo de vitamina.

- O que foi que aconteceu aqui? – Perguntou.

- Depois. – Sorri.

- Depois... – Ele retribuiu o sorriso e voltou a me beijar, me carregando em seu colo logo depois.

 

 

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- Eu não posso acreditar... – Falei deitada à cama. – Tudo isso porque aquele desgraçado estava fazendo um jogo com você? – Perguntei perplexa.

- Um jogo de mentiras. – Fernando respondeu sentado ao meu lado.

- E a Marianne? Como ela ficou com tudo isso? Pobrezinha... Ela deve ter ficado arrasada.

- Na verdade, a única coisa que a arrasou foi saber que seu pai é um idiota mentiroso. Ela também não queria esse casamento.

- Como é que é? – Perguntei perplexa. – Mas... Ela...

- Ela disse que quando nós... Voltamos... Ela fez isso porque não queria me magoar.

- Meu Deus! Então quer dizer que se ela tivesse dito desde o inicio que não queria se casar com voce, poderia ter evitado muita coisa.

               Ele concordou.

- Realmente alguém lá em cima não queria nos ver juntos. – Disse com certa revolta.

- Mas agora quer. – Ele riu. – Eu tenho certeza.

- Não acredito... – Me sentei à cama, encarando o chão pensativa. – Então todo esse tempo... Você foi enganado. Quero dizer... Nós fomos enganados!

- Sim. – Ele me olhou triste.

               Peguei o meu travesseiro e o joguei contra Fernando.

- Ai! O que foi? – Perguntou me olhando.

- Seu idiota!

- O que eu fiz?

- Por que você não me contou tudo isso antes?

- Porque eu não poderia! Se Gonzáles descobrisse ele poderia usar isso contra mim!

- Mas nós teríamos dado um jeito! – Me levantei irritada. – Eu passei uma semana! Uma semana inteira tendo que ver você ao lado de outra mulher, pesquisando coisas sobre casamento, interagindo com aquelas pessoas sem graça, e agora descubro que você só estava fazendo isso para proteger o seu pai!

- Essa não é uma boa justificativa?

- Não! – Exclamei jogando outro travesseiro nele. – Nós dois somos advogados! Nós temos amigos advogados! Se você tivesse me contado isso antes, nós teríamos te ajudado à desmascará-lo!

- Lety, eu não poderia fazer isso.

               Andei de um lado para o outro pensativa.

- Ele já imaginava que você seria a primeira pessoa para quem eu contaria...

 

 

                                                           -------------------------------------

 

               Fernando olhava para seu celular há algum tempo. Já fazia tempos que não falava com Lety, e a única coisa que queria naquele momento era explicar toda a situação para ela. Dizer sobre toda a confusão com seu pai e com Gonzáles, e principalmente, dizer que ele não a esqueceu. Assim que começou a digitar a mensagem, a porta da sua sala se abriu e Gonzáles o olhou.

- O que você quer? – Ele perguntou com certa impaciência.

- Vim saber se nosso trato ainda está de pé. – Ele se aproximou da mesa. – Estou prestes à ir até o tribunal marcar uma audiência. Mas, preciso da sua palavra.

- Eu já disse que sim. – Respondeu sem olhá-lo.

- E você também está ciente de que ninguém pode saber disso, não é?

- Sei.

- Eu acho que você ainda não percebeu a gravidade da situação, Fernando. – Gonzáles o olhou com seriedade. – Você ainda duvida do que eu possa fazer. Acha que eu não sei que você está pensando em mandar uma mensagem para sua amiguinha explicando tudo?

               Fernando o olhou, pegando o seu celular sobre a mesa.

- Mas saiba que se ela souber de alguma coisa, as conseqüências serão ainda piores. E acho que você mencionou que ela também é advogada, não é? Seria terrível ela estar envolvida em algum escândalo.

- Ela não tem culpa disso, Gonzáles! – Fernando disse nervoso. – Deixe ela em paz!

- Eu deixarei, mas só se ela não souber de nada. Caso contrário... Terei que mexer alguns pauzinhos para que ela tenha alguma conseqüência nessa história também.

               Fernando sentiu a raiva por aquele homem aumentar ainda mais. Ele já estava suportando muito em aceitar ser chantageado por ele, usando o nome de seu pai. Mas envolver Letícia naquilo era ainda pior, e Fernando não poderia permitir que ele fizesse algo contra ela. Letícia já sofreria muito por sua culpa.

- Espero que tenha me entendido. – Gonzáles se afastou. – Eu estou de olho em você, Fernando. Sei de cada passo seu. Você não vai conseguir me enganar facilmente.

               Fernando suspirou tentando não mandar aquele homem para o inferno. Seria a melhor coisa que ele faria em muito tempo.

 

 

                                                           --------------------------------

 

 

               Eu o olhei com pesar. Entendia que ele não me contou toda a história apenas para me proteger, e conseguia imaginar o quanto foi difícil para ele agüentar tudo aquilo sozinho, mas ainda era complicado acreditar que passamos todo aquele tempo sofrendo a ausência do outro por uma coisa desse tipo.

- Eu sei que parece injusto para você. Mas, eu não poderia arriscar. – Ele suspirou triste. – Não poderia envolver você em toda essa história, por mais que eu quisesse te dizer toda a verdade desde quando a busquei no aeroporto. Na verdade, muito antes disso. Queria ter te dito toda a verdade desde quando aceitei essa chantagem. Mas, eu simplesmente não me perdoaria se algo acontecesse à você, Lety.

               Senti o meu coração se partir ao ver seus olhos vermelhos olhando para mim.

- Eu não consigo não me sentir culpado com toda essa situação, e a única coisa que eu queria era que você me perdoasse por tudo... Eu... Só... – Sua voz ficou falha. Percebi que ele estava juntando todas as forças para não chorar, e eu nunca havia visto Fernando daquela maneira.

- Você não tem que me pedir perdão. – Me sentei ao seu lado segurando sua mão. – Quero dizer... Por algumas coisinhas sim...

               Ele sorriu triste.

- Mas não por isso. Ainda é... Complicado para mim, mas eu consigo entender o quanto foi difícil para você também.

- Foi mais difícil ter que ficar longe de voce sem poder explicar o por que.

- Eu sei. E não é sua culpa. Você só estava querendo proteger seu pai e me proteger.

               Fernando me olhou com ternura e se aproximou ainda mais. Senti minhas pernas bambearem quando senti o cheiro do seu perfume. Aquela história ainda estava confusa para mim, mas por um lado eu o entendia, e entendia que ele só queria nos proteger. Se estava sendo difícil para mim, eu conseguia imaginar que para ele foi muito, muito pior. Ele foi obrigado a tomar uma decisão que mudaria toda a sua vida, e teve que aturar isso por um ano inteiro e sozinho.

- Então eu preciso que diga que... Que você me perdoa.

- Eu vou pensar no seu caso...

               Ele riu.

- Vai me fazer pagar por tudo?

- Quem sabe? Preciso arrumar um noivo.

- Ah... Então vai me pagar na mesma moeda?

- Ainda estou pensando nisso.

               Ele aproximou seu rosto do meu.

- E o que eu preciso fazer para você mudar de idéia?

- Me surpreenda.

               Ele sorriu.

- Eu te amo. E dessa vez eu não vou cometer o erro de te deixar ir. Eu estou disposto a me redimir por toda a tristeza que eu te causei, mas farei isso da melhor forma possível. Eu vou dizer todos os dias o quanto eu te amo e o quanto você me faz feliz.

               Suspirei satisfeita e sorri logo depois.

- Assim está ótimo.

- Está? – Ele perguntou divertido.

               O empurrei para se deitar à cama e me debrucei sobre ele. Olhei em seus olhos e ele me presenteou com o sorriso mais lindo do mundo.

- E eu também te amo. – Respondi sincera.

- E dessa vez está disposta a se arriscar comigo? – Ele me olhou com ternura.

- Sim. – Falei rapidamente. – Com toda a certeza!

               Ele me olhou contente e eu o beijei. Nunca me cansaria de fazer isso, e agora que tinha ele totalmente para mim, eu queria apenas aproveitar a oportunidade.

- Espera. – Parei o beijo e o olhei com seriedade. – Você não tem outra namorada em segredo, não é?

               Ele me olhou pensativo.

- Fernando!

- Não! – Ele riu. – É claro que não!

- Acho bom... – Voltei a beijá-lo, mas em pouco tempo pausei o beijo novamente e o olhei. – E também não tem nada para esconder de mim, não é? Porque se tiver, é bom falar agora e...

- Lety! – Ele segurou meu rosto com carinho e sorriu. – A única coisa que eu quero de agora em diante é ter você ao meu lado. Não estou escondendo nada de voce, e nunca mais farei isso.

- Tudo bem... – Sorri.

- Agora podemos nos beijar em paz? Passamos muito tempo querendo isso para você ficar nos interrompendo toda hora. – Ele riu.

- Não me culpe. Eu sou apenas a vítima nessa situação. – Brinquei.

- Justo. – Ele sorriu. – Mas será que agora podemos...?

               Balancei a cabeça rindo.

- Você é insistente, Fernando Mendiola!

- Só com o que estou com muita vontade. – Ele riu.

               Voltei a beijá-lo e ele retribuiu com vontade. Estava claro que estávamos felizes, e empolgados por finalmente darmos um passo à frente. Mas, o medo de que algo pudesse dar errado havia desaparecido como em um passe de mágica. Naquele momento, eu só queria aproveitar que tinha o homem que eu amava ao meu lado, e que dessa vez, ninguém poderia nos impedir de ficarmos juntos. Nada e nem ninguém.

 - Será que agora eu posso ver a tatuagem? – Ele perguntou divertido e eu gargalhei.


Notas Finais


E aí?? Como está o coração de vocês? hahaha


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