História Meu mundo de cabeça para baixo - Capítulo 2


Escrita por: ~

Postado
Categorias Os Heróis do Olimpo
Tags Pernico
Visualizações 39
Palavras 2.174
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Colegial, Comédia, Drama (Tragédia), Escolar, Lemon, Romance e Novela, Yaoi
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Homossexualidade, Nudez, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Espero que vocês gostem. Desculpem pela demora.

Capítulo 2 - Revolução escolar


Naquele exato momento eu estava com a cueca atolada em minha bunda, com minhas calças arriadas até metade de minhas coxas e caído sobre o que era meu lanche. O novato ainda me encarava com aquele olhar de satisfação, enquanto os demais alunos olhavam para a cena perplexos, sem saber exatamente como agir.

                Era a primeira vez que alguém naquela escola me desafiava dessa forma. Quer dizer... não era exatamente a primeira vez. Há alguns anos atrás, alguns alunos tentaram me intimidar, porém todos fracassaram e terminaram tendo um destino cruel: pendurados pela cueca, amarrados na privada, jogados dentro do lixo e muitas outras coisas que eu havia feito.

                Ainda estava um tanto atônito com aquela situação toda, mas pude escutar alguns comentários do tipo “Agora esse novato está morto.”, ou “O que será que o Percy fará com ele?”. Me movi lentamente, primeiro ajeitei minha cueca e subi minhas calças, me levantei calmamente e ao recuperar todos os meus sentidos e focar na cara do novato, vi que não havia nem um pingo de medo em seu olhar, pelo contrário, ele estava confiante e nesse exato momento eu que senti um tremor percorrer meu corpo.

                Não sabia direito o que fazer e tudo que passou na minha mente foi correr para fora da cantina. Me encostei na parede para recuperar o fôlego e conseguir assimilar tudo que havia ocorrido lá dentro, e não demorou muito para que eu escutasse de dentro da cantina gritos de comemoração e alguns risadas.

                -Tá tudo bem com você? – Jason apareceu sorrateiramente ao meu lado e colocou a mão em meu ombro. – O que houve com você?

                -Eu não sei direito o que foi aquilo. – engoli em seco. Meu corpo começou a suar, e meus joelhos vibravam por conta própria. – Aquele garoto...

                -O que tem ele? – ele me encarava confuso.

                -Eu não sei bem, tem algo de errado nele... – suspirei – eu preciso pensar um pouco.

                Caminhei até a sala de aula e sentei em meu lugar. Era a primeira vez que eu era o primeiro a voltar do intervalo, a sala estava um completo silêncio, e eu apenas ficava encarando o vazio, pensando em diversas coisas que não tinham o menor sentido. Minha mente estava completamente embaralhada, mas isso tudo acabou quando escutei o sinal da escola soar freneticamente. Ué, fiquei tanto tempo assim distraído? Pareceram apenas alguns segundos.

                Os alunos começavam a entrar na sala de aula aos poucos. Todos estavam com um sorriso estampado no rosto, alguns até tentavam conter uma risada quando olhavam para mim, e Jason era o único que não possuía um olhar de deboche. O novato havia entrado, porém eu abaixei a cabeça assim que ele me encarou. Por que diabos eu estava assim? O que era aquilo que aquele garoto tinha? Não demorou muito para que o professor entrasse apressado e começasse a dar a aula de matemática,

                A aula estava na metade, eu fiquei o tempo todo calado, encarando a folha do caderno em branco, mas isso tudo acabou quando...

                -Hã? – senti algo pequeno acertar minha nuca no lado esquerdo. – O que foi isso? – Olhei para o lado esquerdo e logo algo acertou minha nuca no lado direito, e logo várias coisas começaram a me acertar freneticamente. Olhei para o chão e vi diversas bolinhas de papeis no chão, me virei um tanto irritado e vi que vários alunos tinham um canudo na mão, eles haviam se juntado para atirar em mim.

                -Algum problema, senhor Jackson? – o professor me encarou e eu engoli em seco.

                -Nenhum professor. – respondi.

                Ele voltou a copiar no quadro e assim que eu virei para frente, os alunos voltaram a atirar em mim. Aquilo durou por diversos minutos, até que Jason encarou todos e fez sinal para que eles parassem com a brincadeira. Inicialmente eles não ficaram satisfeitos com o pedido de Jason, mas depois aceitaram sem nenhuma objeção.

                Aquele dia estava completamente terrível! O que havia acontecido para tudo isso? Minha mente estava um tanto pesada e eu não estava sabendo lidar com aquilo. Peguei minha bolsa, me levantei e sai da sala sem a permissão do professor. Com certeza eu teria problemas depois, mas não me importei com as consequências que teria no futuro.

                Corri até o banheiro e me tranquei em um dos boxes. Passei vários minutos lá sentado no vaso, apenas encarando o chão, até ouvir alguém bater na porta.

                -Tem gente. – falei e voltei a encarar o chão. Novamente uma batida na porta. – Tem gente, falei mais alto. – Bateram na porta novamente e eu não me contive e sai do boxe. – Qual o seu problema que... – Senti meu corpo ser empurrado para um lado, depois para o outro, me jogaram mais uma vez e depois me vi caído no chão.

                Olhei em volta e vi que o banheiro estava repleto de outros garotos que me encaravam com um sorriso perverso em seus rostos. Alguns nerds e até mesmo alguns garotos que eu considerava meus amigos. Mas por que diabos eles estavam todos lá.

                -Seu reinado acabou. – um deles falou. – peguem ele.

                Os meninos avançaram em mim, tentei reagir, mas eram muitos contra apenas um. Eles tiraram minha calça de moletom e jogaram pra longe, me deixando apenas e logo em seguida um deles chegou por trás de mim.

                -Essa é pela aquela vez que você me deixou pendurado no ginásio. – ele puxou minha cueca com força. Sério cara? Duas vezes no mesmo dia?

                Gemi de dor, e assim que ele finalmente soltou minha a cueca, eles me levantaram e apoiaram meu tronco deitado na pia, forçando meu corpo para que eu não reagisse.

                -Esse é pelo dia que você fez a “iniciação” quando quisermos entrar pra equipe. – dois deles se posicionaram atrás de mim e com uma tábua de madeira, cada um, começaram a bater com força em minha bunda.

                Mais uma vez fui jogado de bruços no chão; um deles sentou em minhas costas; pegou meu braço, colocando-os juntos, e amarraram minhas mãos.

                -Ei levante logo, ainda temos coisas pra fazer. – um dos meninos protestou quando o cara que estava em cima de mim fez questão de puxar minha cueca mais uma vez.

                -Foi mal, mas está vingança está me dando uma sensação tão boa. – o garoto saiu de cima de mim.

                Eles me arrastaram para um dos boxes e me colocaram ajoelhado de frente a privada, e nessa hora eu já sabia o que estava por vir. Olhei diretamente para dentro do vaso e para meu azar ele estava com fezes e urina misturados naquela água. Esse pessoal não sabe dar descarga não? Não é algo difícil de se fazer.

                -Não! Não! Por favor! – implorei para eles.

                -Isso só deixa tudo melhor para nós. – um deles falou. – Qual é, Jackson? Penei que você adorava água. Vamos lá!

                Ele segurou meu cabelo e empurrou minha cabeça para dentro, tentei resistir contraindo meu abdômen e jogando meu corpo para trás, mas um segundo garoto veio e o ajudou a empurrar minha cabeça.

                Minha cabeça estava submersa naquela água imunda, nem queria imaginar a quantidade de germes que tinha naquilo, e tudo piorou quando eles acionaram a descarga. Então era isso que eles passavam quando eu enfiava a cara deles na descarga? Nossa, eu não fazia ideia do quão ruim era.

                Eles levantaram minha cabeça, eu tentava recuperar o folego. Normalmente eu aguentava muito tempo debaixo d’água, mas eu me debatendo e o pânico não me foi de muita serventia naquela situação.

                -Segundo round! Respira fundo. – o povo vibrava e gargalhava do meu sofrimento.

                -Não! – gritei antes de ter a cara jogada na água novamente.

                Aquilo se repetiu por mais três vezes, até me jogaram no chão novamente e viraram vários lixeiros em cima de mim, o que era até apropriado, pois era assim que eu estava me sentindo naquele exato momento.

                Eu estava completamente acabado, nunca havia passado por algo semelhante antes. Bem, não do lado que sofria, apenas do que via os outros sofrerem. Minha cabeça girava, e os meninos me colocavam sentado no vaso, e logo em seguida pegaram a fita adesiva para me amarrar nele.

                -Não! Por favor, eu imploro. – algumas lágrimas escorreram dos meus olhos, mas foram disfarçadas por conta de toda água que escorria do meu cabelo. – Eu aprendi a lição. Me desculpem por tudo o que eu fiz com todos vocês durante esses anos. Nunca mais farei isso com nenhum de vocês. – eu estava desesperado.

                -Com certeza você nunca mais fará isso com ninguém – puxou um celular do bolso. – Sorria! – e sorriu ao ver a foto. – Mexa com qualquer um de nós e essa foto vai se espalhar por toda escola e por fora dela também. – ele me mostrou a foto e eu realmente estava péssimo, acabado, e principalmente humilhado.

                -Até poderíamos perdoar você, mas suas desculpas estão bem atrasadas. – outro garoto falou e colocou uma fita adesiva na minha boca. – Reze para que alguém te socorra antes da segunda-feira. Vamos galera, vingança concluída, e agora a escola é nossa.

                Os meninos fecharam a porta do boxe e apagaram a luz do banheiro assim que saíram do banheiro, me deixando sozinho.

                Em plena sexta-feira eu estava amarrado em uma privada numa posição nada confortável, com a cueca entalada em minha bunda, com água nojenta escorrendo pelo meu cabelo e impossibilitado de gritar por socorro. Não tinha noção do tempo que havia passado, poderia ter sido minutos, ou horas, e até mesmo se passado um dia; não tinha como saber ao certo.

                Naquele momento aprisionado eu comecei a refletir em alguns pontos da minha vida escolar: eu não tinha nenhum amigo naquela escola, com exceção do Jason, e era praticamente odiado por todos os meninos daquela escola. Provavelmente vocês não tem noção do quão ruim é se sentir sozinho, se sentir odiado, mas só tenho uma coisa a dizer sobre isso: não importa o quão ruim vocês achem que seja, pode ter certeza que é muito pior. Meus olhos lacrimejavam, eu queria gritar, mas não tinha como fazer isso.

                A porta do banheiro foi aberta com força depois de muito tempo e as luzes acenderam. Tentei gemer para que a pessoa me escutasse. Ouvi as portas dos boxes serem abertas com força, até que finalmente chegou no boxe em que eu estava.

                -Percy! – nunca havia visto o Jason tão preocupado comigo antes. Ele estava suado e com a respiração ofegante – Cara, me desculpe! Eu pensei que você tinha ido embora e voltei de carona com o Leo. Em casa eu soube o que haviam feito com você e vim correndo de casa até a escola.

                Ele desatou a minha boca, mas eu não disse uma palavra, e logo ele começou a me desamarrar.

                -Aqui sua calça. – ele me entregou enquanto eu ajeitava a minha cueca.

                Ele pegou minha bolsa enquanto eu lavava meu rosto e assim que eu terminei ele me jogou uma toalha. Fomos até o meu carro, só que eu havia entregue a chave para que o Jason dirigisse.

                -Cara... – Jason olhou para mim assim que entramos no carro.

                -Eu não quero falar sobre isso. Coloquei o cinto e encostei meu rosto no vidro do carro.

                Ele não disse nenhuma palavra, apenas ligou o carro e passamos o caminho todo sem trocar uma única palavra.

                Ao chegar em casa eu subi correndo sem dar um oi para nenhum ser. Com certeza o Jason explicaria tudo para meus pais e eu não levaria uma bronca por grosseria. Tomei um relaxante na banheira do meu quarto e depois me joguei na cama.

                Não havia almoçado por estar amarrado, e também não tive coragem para descer para comer algo. Eu estava muito triste com tudo que havia ocorrido. Cada palavra que me foi dita. Cada risada que escutei. A satisfação de cada garoto ao me ver sendo humilhado. Cada falsa amizade descoberta. Aquilo tudo fez com que uma onda de tristeza tomasse conta de mim, eu não era popular como o meu primo, eu era apenas temido pelos demais e agora que o meu “reinado” havia acabado, eu era um ninguém.

                Escutei a porta do meu quarto ser aberta, mas não me virei para ver quem era, até porque estava tudo escuro.

                -Sei que você não está dormindo. – Jason falou. – Sei que você também não quer falar sobre o ocorrido de hoje, e sinto muito por tudo o que fizeram com você. – escutei ele se aproximar e deixar algo em cima na mesa de cabeceira que havia ao lado da minha cama. – Você precisa comer alguma coisa, trouxe uma fatia do seu bolo favorito. – ele se afastou mas logo voltou até mim. – Não importa o que falem de você, ninguém te conhece como eu conheço. Você é uma pessoa boa, e eu sempre estarei do seu lado. – ele se abaixou e deu um beijo em minha cabeça. – Te amo cara. – e então ele se retirou do meu quarto.

                E naquele momento eu percebi que por mais que eu fosse odiado por todos naquela escola, eu pelo menos tinha uma única pessoa que realmente gostava de mim.

 


Notas Finais


Espero que tenham gostado. Divulguem. Comentem. Isso me anima para escrever.


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...