História Meu Namorado De Aluguel - Capítulo 22


Escrita por: ~ e ~IchirukiBrasil

Postado
Categorias Bleach
Personagens Ichigo Kurosaki, Rukia Kuchiki
Tags Bleach, Ichigo, Rukia
Exibições 235
Palavras 2.154
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo
Avisos: Nudez, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 22 - O Sabor da perda


Fanfic / Fanfiction Meu Namorado De Aluguel - Capítulo 22 - O Sabor da perda

Acordei com uma voz grave cantarolando baixinho. 

 

Abri um olho e vi vovô deixando as roupas dobradas em cima da minha cômoda.

 

— Você devia estar acordada — ele disse.

 

Pus o travesseiro em cima da cabeça.

 

— Não vou ao colégio hoje.

 

— Sim, você vai.

 

— Vô Rei, eu não quero ir. Tive um dia ruim ontem.

 

— Você não pode se esconder dos problemas.

 

— Por que não? Você se esconde.

 

O silêncio foi tão prolongado que eu pensei que ele tivesse saído. Tirei o travesseiro de cima da cabeça e o vi em pé no meio do quarto, olhando pela janela com uma expressão triste. Eu queria retirar o que disse, mas não podia.

 

— Seu pai disse que você pode usar o carro dele — vovô avisou, depois se virou e saiu do quarto.

 

Tomei banho e me vesti para ir à aula. Fui à cozinha tomar café com vovô, como sempre fazia, pensando em pedir desculpas, mas ele não estava lá... como de costume. Havia um bilhete em cima da bancada. “Fui trabalhar mais cedo. Tem cereal na despensa.”

 

Kouga entrou na cozinha e leu o bilhete por cima do meu ombro.

 

— Você magoou o vovô.

 

Rangi os dentes.

 

— Você o magoou. — Passei por ele, peguei a chave do carro no gancho da parede e saí.

 

 

Kouga estava certo. Eu tinha estragado tudo, mas hoje começaria a consertar as coisas.

 

Entrei no estacionamento e parei na área onde Momo sempre parava. O carro dela não estava lá. Esperei até ouvir o sinal, mas ela não apareceu. O segundo sinal também não a fez aparecer. Vi o carro de Tatsuki algumas fileiras longe do meu. 

 

Elas vieram juntas? Eu sabia que tinha que consertar as coisas com Tatsuki e Inoue também, mas queria começar com Momo.

 

Suspirei e saí do carro. Quando estava indo para a sala de aula, tive uma ideia. Eu era a presidente do conselho estudantil. Normalmente não abusava do título, mas hoje o faria trabalhar por mim. Mudei de direção e fui à secretaria.

 

Se agisse como se fosse uma coisa normal, ia dar certo. Forcei um sorriso e falei com a Nano-san.

 

— Oi, estou cuidando dos últimos detalhes do discurso do conselho na sexta-feira e preciso da Hinamori-san. Pode dispensá-la da primeira aula?

 

— Em que sala ela está? — a Naomi-san perguntou, como se eu fizesse isso sempre.

 

— Cálculo. Amagai-san.

 

Meu coração disparou, mas ela não percebeu, porque pegou o telefone e digitou um ramal.

 

— Oi — disse, depois de um instante. — Preciso da Hinamori Momo-san na secretaria, por favor. — Depois de alguns “hums”, ela desligou. Esperei que me dissesse que Momo não havia ido ao colégio. Ela não disse. Em vez disso, sorriu e me avisou:

 

— Ela vem vindo.

 

— Ah, ótimo. Vou esperar lá fora. Obrigada.

 

Saí da secretaria e tentei pensar no que ia dizer. Não havia desculpa para o que eu tinha feito. Para o que eu tinha falado. E esse seria um bom começo. Era verdade. Se eu fosse a Momo, também estaria brava. Mas nós fomos melhores amigas durante dez anos, e isso devia valer de alguma coisa.

 

Ouvi os passos dela no cimento antes de vê-la virar a esquina. Seu olhar calmo e curioso endureceu quando me viu. Momo parou no meio do corredor. Não hesitei e percorri a distância entre nós.

 

— A gente pode conversar?

 

— Você me tirou da aula para isso? Mentiu para a Nanao-san para me trazer aqui?

 

Talvez a ideia não tivesse sido tão boa.

 

— Não. Sim. Mais ou menos. — Qual era o problema comigo? Segui o plano. — Não tem desculpa para o que eu fiz.

 

— Mentir para me tirar da aula?

 

— Não... Bom, isso também, mas acho que querer falar com você é uma desculpa até que decente. — Balancei a cabeça. — Estou falando da mentira sobre o Ashido.

 

— Eu sei do que você está falando. — A expressão dela ainda era dura. — Era só isso?

 

— E começou a se afastar.

 

— Não. E sobre o que eu falei no restaurante. Eu não quis dizer que nunca fomos amigas. Você é a minha melhor amiga, Momo. Fui muito egoísta. Só quero falar sobre isso. Estraguei tudo, e queria pedir desculpas.

 

— Já pediu. — Ela se virou e continuou se afastando.

 

— É assim? — falei. — Estou tentando consertar as coisas.

 

Momo não virou para trás.

 

Tempo. Eu sabia que ela precisava de tempo. Eu a magoei, e ela não ia superar tão cedo. Por isso pedi a mim mesma para aguentar firme. Mas, quando duas garotas passaram por mim no intervalo e cochicharam a palavra “mentirosa”, não aguentei mais.

 

Fui até a área dos banheiros químicos e encontrei Karin.

 

— Preciso de você — eu disse, puxando-a pelo braço pelos corredores lotados até o estacionamento.

 

— Cuidado. A escola inteira está vendo a gente.

 

— Estou tendo um ataque. — Meu peito estava apertado, e eu tinha que me esforçar para falar.

 

Ela esfregou os lábios pintados de batom escuro.

 

— E aí... quer ir jogar umas bolas de beisebol? Vim de carro para a escola.

 

— Sim — confirmei, sem pensar duas vezes.

 

— Legal. Vamos nessa.

 

Enquanto dirigia para o bairro de casas velhas, Karin cantarolava a música que ouvíamos no rádio. Depois de vários minutos, ela perguntou, do nada:

 

— Você acredita em segunda chance?

 

— Não — respondi sem rodeios, porque sabia que ela se referia ao Ichigo.

 

— Então você não acha que a Hinamori-san deve te dar uma segunda chance?

 

Suspirei.

 

— Sim, eu acho que deve.

 

— Eu também acho. — Foi tudo o que ela disse. Eu não sabia se estava dizendo que Momo devia me dar uma segunda chance, ou se simplesmente acreditava no conceito de maneira geral.

 

Estava cansada de falar de mim, de pensar nos meus problemas. Precisava dar um tempo deles.

 

— E o Hitsugaya-san? Rola alguma coisa? Já contou que está apaixonada?

 

— Eu estou? Quer dizer, apaixonada por ele? Não tenho certeza. E só um tipo de amor me faria pensar em uma declaração neste momento. O tipo de amor que enlouquece, que faz a gente fazer coisas absurdas. Um amor louco.

 

— Por que é loucura se declarar para o Hitsugaya-san?

 

— Porque ele é um grande amigo. Não quero estragar tudo. Sabe como é?

 

— Sim, eu sei. Perder amigos é a pior coisa.

 

— O Ichigo está bem mal, Rukia.

 

Eu gemi. Mudamos de assunto. Ela não tinha que voltar ao assunto anterior.

 

— O negócio é o seguinte...

 

— Por favor, não quero falar sobre isso.

 

— Escuta o que eu tenho para dizer, depois eu calo a boca.

 

— Tudo bem.

 

Ela assentiu uma vez.

 

— Obrigada. É o seguinte — ela repetiu, com uma careta debochada. — Ele não queria ser como o Grimmjow. Não queria escolher uma garota e abrir mão de um amigo. Já havia sido o excluído nessa escolha, sabia como era e não queria fazer a mesma coisa com outra pessoa. Com o único amigo que sobrou depois de toda a confusão com a Nelliel. Ele precisava acreditar no Renji. Mas não importa mais, porque ele deu um aperto no Renji. Um aperto forte, e a verdade sobre você acabou aparecendo. E ele ficou muito mal, Rukia.

 

— Mas ele não tentou falar comigo. Não ligou, não mandou mensagem, nada.

 

— Porque ele sabe que pisou na bola. E acha que não merece uma segunda chance. Então você vai ter que falar com ele. Por favor.

 

— Eu não devia ter que tomar a iniciativa.

 

— Eu sei. Mas você disse para ele não te procurar, e agora ele acha que não te merece. Sério, não sei se todos os atores são dramáticos ou se é só ele, mas a minha vontade é matar o cara. Você precisa perdoar o Ichigo antes que ele me deixe maluca.

 

— Eu não sei se consigo.

 

— Legal. Vou ter que matar os dois, então. — Chegamos à casa do Omaeda-san. Passamos pelo carro cujo para-brisa quebramos com as bolas na última vez, e pensei que a ideia de voltar talvez não fosse tão boa, porque as lembranças vieram com força total.

 

Os quatro cachorros cercaram o carro, latindo. Karin buzinou, mas ninguém apareceu para cuidar deles.

 

— Dessa vez é com você — ela avisou.

 

— Quê? Você vai me matar de verdade? Pensei que fosse piada.

 

— Eles não vão te matar. Eu juro que não mordem.

 

Olhei para o banco de trás.

 

— E as bolas de beisebol?

 

— Então, não imaginei que ia precisar delas quando saí para ir à escola hoje de manhã.

 

— Pensei que fosse esse o motivo de termos escolhido o seu carro. É melhor a gente ir embora.

 

— Não, nós já estamos aqui. Sempre tem uma ou outra bola que acabamos esquecendo. Aposto que tem algumas dentro do carro que usamos como alvo na última vez.

 

Mordi o lábio e olhei para os cachorros, que pulavam no carro.

 

Ela bateu no console.

 

— Posso usar o seu celular um segundo? A bateria do meu acabou.

 

Tirei o telefone do bolso, entreguei a ela e a vi digitar um número. Karin percebeu que eu estava olhando, soltou meu cinto de segurança e disse:

 

— Vai, sai logo.

 

— Tudo bem. Quando os cachorros me aleijarem, é o seu nome que eu vou dar à polícia.

 

Karin não respondeu, e eu saí do carro. Os cachorros pularam em mim e me jogaram vários passos para trás. Consegui me apoiar no carro.

 

— Mostra para eles quem manda — ela disse e fechou a porta que eu havia deixado  aberta.

 

Segurei um dos cachorros pela coleira e o levei em direção ao cercado. Os outros me seguiram, mordendo meus calcanhares e latindo. Faziam tanto barulho que meus ouvidos zumbiam. Eu tinha certeza de que Omaeda-san não estava em casa, ou pensaria que um exército estava invadindo a propriedade. 

 

Assim que tranquei os cachorros atrás do portão, me virei com um sorriso orgulhoso e não vi mais o carro nem Karin. Voltei à estrada andando devagar, pensando que ela podia ter estacionado em algum outro lugar.

 

Instintivamente, levei a mão ao bolso para pegar o celular, e lembrei que ela o pedira emprestado... roubado! Foi uma armação. Não sei para quê, mas eu não precisava aceitar essa situação.

 

Com minha cara mais simpática, bati na porta de Omaeda-san esperando estar errada sobre ele não estar em casa. Talvez se divertisse vendo os cachorros apavorarem as pessoas. A casa podia parecer pré-histórica, mas ele devia ter um telefone. Ninguém me atendeu.

 

Olhei pela janela suja à direita da porta e só vi um corredor escuro.

 

Como as pessoas viviam sem celular? Eu estava sozinha no meio do nada. Sentei na varanda e apoiei a testa nos joelhos. Karin teria que voltar em algum momento. No mínimo, alguém ia perguntar onde eu estava quando as aulas terminassem. Talvez.

 

Sentada ali sozinha, pensei no que ela disse sobre Ichigo. Ele estava mal, Karin havia contado. Pensar nisso apertou meu coração, e por um momento achei que ela pudesse estar certa. Eu realmente precisava dar a ele uma segunda chance, dar à gente uma segunda chance. Era o que eu estava pedindo a Momo. Como podia negar a mesma coisa a outra pessoa? Mas, assim que pensei nisso, lembrei da noite na praia. Isso era diferente da minha briga com Momo. Ele me chamou de mentirosa, e eu nunca menti para ele. O amigo dele era um cretino, e ele duvidou de mim.

 

A raiva me invadiu. Não. Não dava para superar com tanta facilidade. Vi o Camaro 68 do outro lado do terreno. Fiquei em pé e fui procurar algumas bolas.

 

A pilha de bolas que eu tinha encontrado cobria a grama alta perto dos meus pés. Eram muitas. Levei meia hora, mas reuni umas vinte, pelo menos. Segurei uma delas e me preparei para o arremesso contra o Camaro. 

 

A pilha de bolas que eu tinha encontrado cobria a grama alta perto dos meus pés. Eram muitas. Levei meia hora, mas reuni umas vinte, pelo menos. Segurei uma delas e me preparei para o arremesso contra o Camaro. 

 

A lembrança de ter sentado dentro daquele  carro com Ichigo invadiu minha mente, e eu quase derrubei a bola. 

 

Depois outra lembrança se impôs à primeira, o que Karin dissera naquele mesmo dia: “Usou o truque do ‘pula comigo dentro do carro’?” Ele tinha feito isso com outra garota. Nelliel, provavelmente.

 

Levei o braço para trás e arremessei a bola com toda a força. Ela acertou a porta com um barulho alto e rolou pela grama. 

 

O amassado na lataria enferrujada era quase imperceptível e só alimentava minha necessidade de fazer um estrago. Um estrago de verdade. Peguei outra bola e arremessei. E outra.

 

Logo não era só o Ichigo que eu tentava acertar, mas Inoue, Vovô, meu pai, meu irmão e até eu mesma. Abaixei para pegar outra bola e só encontrei terra. Já havia jogado todas.

 

Meu coração batia depressa e meu rosto estava molhado de suor e algumas lágrimas, talvez.

 

Eu estava começando a recolher as bolas quando ouvi alguém atrás de mim:

 

— Quer jogar algumas na pessoa em quem está pensando, ou o carro é suficiente?

 

 

LEIAM COM CERTEZA AS NOTAS FINAIS.


Notas Finais


Ah, eu amo a expectativa. Como estamos próximos a reta final da história, eu estou postando uma vez na semana pra não gastar, lol. Na verdade estou escrevendo um bom final. (ou tentando).

Eu iria postar mais cedo, só que eu capotei na cama, acordei quase agora.

Obrigada pelos favoritos. Nos vemos nos comentários.
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