História Meu outono amarelado - Capítulo 1


Escrita por: ~

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Categorias Originais
Tags Aventura, Drama, Emo, Família, Ficção, Halloween, Mistério, Original, Outubro
Exibições 22
Palavras 1.692
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Aventura, Drama (Tragédia), Famí­lia, Ficção, Lírica, Mistério, Poesias, Romance e Novela, Suspense, Visual Novel
Avisos: Álcool, Drogas, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas da Autora


Olá meu povinho \o/
Trouxe essa história em comemoração
ao glorioso Halloween e é a minha
primeira original no site :3

Espero que gostem e
BOA LEITURA!!! ^____^

Capítulo 1 - Presa no tempo


Fanfic / Fanfiction Meu outono amarelado - Capítulo 1 - Presa no tempo

Ah, o outono..

De longe minha estação favorita.

 As cores alaranjadas trazendo um toque tão especial para o dia, as noites ficando cada vez mais intensas e belas. As estrelas brilham mais claro, as folhas despedem-se dos galhos e formam um tapete junto à grama do solo. Cada vento sopra como se fosse uma melodia, hora calma, tranquila, hora brava e violenta. Mas, essas alterações drásticas na natureza, anualmente apenas a deixa mais bonita.

Há também um marco forte que ocorre em outubro, especificamente, o Halloween. A única data do ano que me faz ficar extremamente alegre e com vontade de sair de casa, apenas para pedir doces na vizinhança, reunir com os amigos para aprontar milhões de aventuras, da qual nossos parentes nunca poderiam ficar sabendo. É como um espetáculo a céu aberto, assistir os pisca piscas sobre os telhados das moradias enfeitadas, com morcegos, gatos pretos, bruxas, abóboras, que infelizmente só duram por um dia.

Por mim, facilmente os 365 dias continuariam nessa comemoração, sem fim determinado.

Lembro que uma determinada época, eu e minha mãe costumávamos costuras pequenos corvos, com todo tipo de tecido que tínhamos, principalmente o feltro. Fazíamos aquilo para pendurar próximo da lareira, era realmente divertido. Na aula de artes, a professora tinha o hábito de mandar a sala inteira desenhar sobre o tema, por uma sorte os meus traços eram os melhores dali, era um destaque em tanto. Porém, na área de exatas não poderia dizer o mesmo, alguém tinha que ser de humanas na família e eu fui a escolhida para isso.

Parei de pensar um pouco, focando-me para uma simples tarefa, que tirava muito do meu sossego matinal: escolher uma roupa para sair. Abri meu armário, investigando como um policial por peças que fossem mais coloridas, entretanto, não há uma variação de tons, desde 2009 praticamente. Coloquei então, uma blusa preta, estampada com a logo da minha banda favorita, em um branco quase neve. Não tive muito trabalho em pegar um jeans da mesma cor, sentindo que ele estava mais apertado do que a última vez. Nos pés, botei meu fiel amigo que estava sujo após estar tantos anos comigo, um all star que um dia já foi bordô. De acessórios, usei meu cinto favorito de tachinhas prateadas, inúmeras pulseiras de couro e por fim, uma luva arrastão escura.

Em frente ao espelho, ajeitei minha franja até ela ficar perfeitamente espetadinha, desperdiçando muito tempo no processo. Meu reflexo, do nada, se encheu de sangue, era como se tivesse sido atacada por um bando de lobos famintos. Jamais tinha visto minha pele tão ferida daquela maneira, estava completamente horrível, tinha medo do que via, ou seja, de mim.

Respirei fundo, aterrorizada com a cena.

Quando abri meus olhos, era como se nunca minhas vestimentas tivessem se manchado, minha face estava limpinha e sem sinal algum de marcas. Busquei minha mochila lotada de bottons, chaveiros de estrela, bordados de diversos gêneros, coloquei-a nas costas, descendo a escada para chegar até a cozinha. Não belisquei nenhum pedaço de bolo, com a ideia de preservar minha maquiagem. Tomei um copo d'água, analisando os ponteiros do relógio estacado às 10:40, não adiantava de nada arrumá-lo, pois sempre ele voltava a ficar parado nesse horário. 

Peguei as chaves, destrancando a porta com um tanto de pressa, não sabendo se estava exatamente atrasada ou adiantada para a chegada do veículo amarelo, que mais parece um milho gigante de rodas. Caminhei escassamente até mergulhar em praticamente, outra dimensão. Não havia registros de humanidade passando naquela rua, estava tão frio, se um apocalipse zumbi se formasse, não ficaria tão espantada. Aguardei no ponto, escutando minhas músicas tipicamente emo, para dar um ar mais sentimental naquela manhã tão vazia. 

Meus pés doíam, não aguentava ficar mais ficar como um estátua ali. Não tinha nenhuma aula importante hoje, o que tinha era só uma festa espetacular de Halloween no apartamento da minha melhor amiga. Poderia ficar enrolando no celular, até o instante certo de ir para lá. Entretanto, há uma sensação estranha queimando meu peito, ela alertava que estava esquecendo de algo muito importante. 

De qualquer maneira, saí daquela posição e fui passear pelo bairro, calmamente. O céu estava azulado, com uma grande influência da névoa sobre o pobre coitado. Um pouco mais abaixo, contemplei as gigantescas árvores, que quase não tinham folhas. As belas damas dançavam conforme o sopro do vento, cada uma no seu ritmo próprio.

Quando era menor, vinha para a floresta a maior parte das vezes, sozinha. Gostava de ficar eternidades apenas observando os pássaros voarem, invejando a sua liberdade. Até hoje, quero ser como um deles, para ir a qualquer lugar, até mesmo ao espaço, seria tão divertido. Porém, parecia que estava presa nesse círculo eterno, destinada a dar voltas o resto da minha vida.

Mais à frente, havia um pequeno lago da qual fez várias das minhas memórias da infância, virem à tona. Aqui, Distraia-me de lançar pedras para verificar seu movimento na água, mas como ele não é tão extenso, nunca tive o prazer de atacar à uma distância longa. Costumava molhar minhas mãos para aliviar-me um tanto da tensão doméstica, o que infelizmente era muito comum, pois meus pais estavam em constante briga.

Sentei-me próxima da margem, arriscaria dar um mergulho, entretanto iria congelar se o fizesse. Então, continuei a minha exploração, vagando pela imensidão do local. Alguns passos à mais, visualizei uma bicicleta azul cobalto, muito similar à minha, idêntica para ser sincera. Estava destruída, totalmente amassada, da mesma maneira que estaria se um ônibus tivesse passado por cima dela, quanta tragédia. Também havia respingos vermelhos, talvez fossem algumas hemácias, seja lá de quem for, este se machucou bastante no processo.

Com a tamanha brutalidade, fiquei à favor da ventania, fazendo meu cabelo não ficar sobre minhas pálpebras. Assim, pude enxergar a casa onde tinha morado, quase sem alteração alguma. Como não possuía nada de interessante para fazer, decidi 'invadir', para saber se de fato os objetos continuavam iguais, mesmo após tantos anos. Nada poderia dar errado, pois aparentemente não tem ninguém vivendo ali, ao menos era isso que esperava, verdadeiramente.

Ao encostar na maçaneta, a entrada se abriu, era uma novidade ela não estar trancada. Detesto essa habitação, o cheiro de álcool podre, aliado ao mofo, realmente continuava do mesmo jeito de sempre. Estavam ambos impregnados no teto, para provavelmente jamais sair. Havia dezenas de garrafas espalhadas por todo o canto, da mesma forma que a sujeira de restos de drogas, comidas envelhecidas, cacos de vidro no chão e fora, outras nojeiras.

Meu pai tinha o costume de ser um idiota, só pensando em caçar animais e expô-los como um troféu, qualquer outra atitude que precisava que fosse um indivíduo responsável, não era capaz de fazer. Recordo que a minha mãe tentava me proteger, porém não se pode impedir o inimigo quando ele está dormindo na mesma cama que você. Um determinado dia, tomei um soco tão forte que caí bem perto da televisão, aquele monstro amassou-me contra a tela e deu uma garrafada na cabeça da minha única defensora naquele inferno. A partir daí que comecei a fugir daquela situação, indo para o alto de um tronco e dormindo nas piores condições, entretanto ainda sim era melhor do que mais um minuto perto do meu pai.

Irritada, peguei uma fotografia antiga que ele colocava em cima da sua estante, rasgando seu rosto, apenas deixando os nossos. No final, arremecei a moldura no piso de madeira, fragmentando-a em milhões de pedaços. 

Seguei para o meu quarto, desviando a atenção para centenas de caixas escritas à caneta que iriam para doação. A maioria dos meus pertences tinham sido retirados, menos uma peça particularmente. Era a minha caixinha de música rosada, que tinha um bocado de pó em cima dela, mas nada que um bom assopro não resolvesse. Ao dar corda, a bailarina ruiva com o tutu azul bebê, começou a movimentar-se. Um sorriso brotou no meu rosto, essa era a principal coisa que me ajudava a dormir.

Escutei pegadas se aproximando da minha localização, desesperadamente abri a janela com força, não completando com tanto êxito a ação, porque a mesma estava emperrada. Finalmente, escapei dali, correndo sem me preocupar em voltar atrás. Diminuí a velocidade ao chegar perto de um cemitério, nunca tinha tido a coragem para entrar ali, porém tive que mostrar ao mundo o quanto tinha amadurecido, que não era mais uma criança medrosa.

Pisando no território dos mortos, agachei por longos instantes, tocando no lápide da minha mãe, contendo as lágrimas que iriam derramar-se. Era difícil ter que lidar que uma das pessoas que você mais valoriza, desaparecem da sua vida por um ato estúpido. Tentei convencê-la de fugir,  porém, nada a fazia parar de ter uma mente otimista sobre o futuro. E nada do que esperava saiu dos seus planos, por via daquela sombra, que nos atingia no escuro. Nos seus momentos finais, ela dizia que se tivesse realmente vontade, poderia ser quem desejava ser, não importava o quão louco fosse meu desejo.

A terra abaixo do meus pés estava mais escura, tinha até mesmo algumas margaridas depositadas para uma pessoa garota especial: Annie. A frase que a descrevia era a das mais cliches possíveis e não esperava diferente, a criatividade é algo que foi bastante banido do nosso dia à dia. Fui embora em disparada, ao perceber que estava incrivelmente atrasada para o início da celebração. 

Depressa, saí da floresta em direção ao quintal da minha moradia, mesmo que fosse tão distante um do outro. Chegando enfim, peguei a minha bicicleta desmaiada na grama, preparando para sair com ela, quando algo me interrompeu. Uma borboleta laranja como uma abóbora, com detalhes pequenos em preto, pousou na minha mão. Ao me mover, ela voou junto as folhas, sumindo no meu campo de visão.

Meu celular vibrou, ao desbloqueá-lo com uma senha não tão complexa, reparei que as horas tinham sido restauradas, era exatamente 10:41. Tive a sensação de que toda aquela prisão em um círculo, tinha evaporado. As barreiras que me impediam de continuar,  já nem existem mais, finalmente tinha tornado-me um pássaro.

Agora, estou livre para voar para onde quiser...


Notas Finais


Chegamos ao fimm >___<

Obrigada para quem chegou até aqui,
não se esqueçam de comentar
prometo que não mordo :3

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INTENSAMENTE!!

Até uma próxima \o/


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