História Meu Porto Seguro - Capítulo 5


Escrita por: ~

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Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens J-hope, Rap Monster, Suga, V
Tags Bangtan Boys (bts), Vhope
Exibições 36
Palavras 2.324
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Fluffy, Lemon, Romance e Novela, Yaoi
Avisos: Álcool, Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Confesso que esse capítulo não ficou como eu queria, mas não consegui melhorá-lo mais que isso.

Espero muito que gostem, e me desculpem caso não tenha ficado tão bom!

Boa leitura <3

Capítulo 5 - Meu Porto Seguro


O despertador tocou e, como sempre, eu quase desisti de me levantar. Especialmente com a falta de V na última semana, eu vinha dormindo pouco e mal, então acordar era praticamente um sacrifício diário.

As provas haviam chegado, e eu só estava conseguindo fazê-las porque vinha estudando desde o mês anterior. Eu não tinha muita energia, por causa da falta de sono, mas pelo menos vinha conseguindo driblar as pessoas que sempre roubavam meu lanche – seguindo a sugestão de V, eu comecei a sair da sala e me esconder durante o intervalo. Fui comer escondido na biblioteca uma vez, e me experimentei me trancar em uma cabine de um dos banheiros espalhados pelo prédio. Até que estava dando certo.

Quando cheguei em casa, descobri que iria ao médico com meu pai, para que ele visse os resultados e nos dissesse o que fazer. Fomos logo depois do almoço.

— Seu quadro é preocupante para sua idade, Hoseok. – O médico disse, depois de ver os resultados de meus exames.

— Existe algo que possamos fazer? Ele tem a dieta balanceada e se alimenta a cada três horas, é o máximo que podemos fazer por conta. – Meu pai perguntou, porque eu mesmo não conseguia dizer nada. Mordia o lábio, nervoso com a possibilidade de ele dizer algo que entregasse a verdade aos meus pais.

— Podemos tentar um remédio para ele tomar em jejum, pela manhã. – Ouvi a resposta, e o médico começou a anotar a receita. — Deve ajudar.

— Muito obrigado. Marcaremos o retorno já para o próximo mês.

— Sim, sim. Precisamos acompanhar Hoseok de perto.

Suspirei, agradecendo ao médico antes que meu pai me guiasse para fora. Eu esperava que o remédio ajudasse, não queria meus pais preocupados comigo.

-x-x-x-

Não acreditei quando liguei o notebook e vi que V estava online. Abri a caixa de chat e digitei tão rápido que até saiu coisa errada.

 

Jung_96

Você est´s aqui

Ai mwu Deus

Oi ;;

Kim95V

Hobi <3

Oi

Desculpa não estar entrando...

Jung_96

Tudo bem...

Como você tá?

Kim95V

Melhor agora

E você?

Jung_96

Também, com certeza

Sinto sua falta ><

Kim95V

Logo deve tudo voltar ao normal

Como está indo de prova?

Jung_96

Ah, até que bem

E eu tô conseguindo lanchar!

Quer dizer, às vezes

Kim95V

Ah, que bom <3

O que tá fazendo?

Jung_96

Saio da sala super rápido e vou pro banheiro ou pra biblioteca...

Kim95V

Bom, se estiver funcionando...

Ainda acho um absurdo

Jung_96

Tá tudo bem... ;;

Tô acostumado

É assim há quatro anos já

Kim95V

Nossa, Hobi

Não acredito ):

Jung_96

Não se preocupe, por favor...

Kim95V

Claro que eu me preocupo, não seja bobo

Ah, se eu já morasse aí

Eu queria ver quem ia ousar mexer com você

Jung_96

Ai meu Deus

Não fala assim

Me deixa sem jeito ;;

Kim95V

Mas é verdade

Então trate de se acostumar com isso

 

As borboletas em meu estômago estavam loucas; aquela havia sido a coisa mais linda que V me dissera. Mesmo que nenhum de nós tivesse dito nada demais, até ali eu já tinha certeza de que, para a minha sorte, eu significava alguma coisa para ele, assim como ele significava o mundo para mim.

 

Jung_96

Yah ;;

É difícil, tá?

Mas vou tentar

Kim95V

Isso mesmo <3

Ei, preciso ir

Se cuida, tá?

Jung_96

Tá...

Você também

Kim95V está offline

 

Aquelas poucas palavras que trocamos foram como uma dose perfeita de energia para que eu ficasse bem durante o restante do dia. Saber que V ainda estava ali era reconfortante e me dava a esperança de que eu precisava.

-x-x-x-

Infelizmente, aquele fio de esperança foi me deixando, a cada dia depois daquele.

Eu não estava nada bem com a ausência de V. Ele não havia sequer postado de novo em seu perfil do chat, e eu não tinha outro meio de me comunicar com ele, então eu estava ficando assustado.

Já haviam se passado um pouco mais de três semanas desde que eu o vira online pela última vez e um mês desde que meus exames acusaram que eu estava com problemas, então eu vinha fazendo um esforço para não ficar sem comer durante o intervalo – até porque eu havia prometido a V, e pretendia manter minha promessa mesmo que não o visse de novo tão cedo.

Também já havia passado um mês desde aquele dia. V deveria estar me dizendo que logo estaria em Seul, que logo nos veríamos. Eu estava contando tanto com aquilo, que a desilusão estava tornando tudo ainda mais insuportável.

Eu estava dentro de uma das cabines do banheiro, terminando meu sanduíche. Era deprimente, mas fora o jeito que mais dera certo, então eu vinha fazendo isso.

Quando saí, no entanto, Namjoon e Yoongi me esperavam do lado de fora da cabine, dentro do banheiro masculino.

— Achooou. – Namjoon falou primeiro e eu engoli em seco, congelando onde estava, bem na porta da cabine.

— Você achou que era muito esperto, né, viado de merda? – Yoongi falou em seguida, e eu continuei sem me mexer. Eles estavam bloqueando a porta, não tinha nada para ser feito.

— Eu só...  – comecei a tentar falar.

— Só nada, bichinha. Vai pagar por tentar fugir de nos dar o seu lanche, sabia que estamos com fome?

— Me deixa ir embora. – pedi, tentando passar por eles.

— Ah, mas não mesmo. – foi tudo o que disseram, passando-me uma rasteira e me fazendo cair de joelhos.

Yoongi foi fechar e trancar a porta do banheiro. Namjoon me pegou pelos cabelos, apertando e puxando, fazendo-me olhar para ele.

— Se a gente fica sem comida, você também fica.

Levei uma joelhada no estômago. Depois outra, e mais outra, antes de ser jogado para o lado. Abracei meu próprio corpo e me encolhi totalmente no chão, já sentindo uma forte onda de enjoo me assolar.

Senti as mãos de Yoongi erguerem meu corpo, mas eu mal enxergava, porque já sentia muita dor. Namjoon me deu um chute na lateral do corpo, bem onde Yoongi acertara três semanas antes, e eu gritei, logo antes de sentir todo o meu lanche voltando até minha boca.

Desvencilhei-me com desespero das mãos de Yoongi e fui até o vaso, colocando tudo para fora. Mal estava conseguindo me manter ajoelhado, tamanha a dor que sentia na barriga, nos lugares em que fora atingido e dentro do estômago. Os dois mais velhos riam, satisfeitos, e graças aos céus, resolveram ir embora.

Depois que eu terminei de vomitar, dei a descarga, mas não me levantei. Não conseguia. Sentia-me fraco e dolorido, e só conseguia deixar as lágrimas de dor, ódio e frustração escorrerem por meu rosto. Foi só depois de muito tempo que consegui me levantar; lavei o rosto e a boca algumas vezes e, reunindo o pouco de força que ainda me restava, fui embora.

Em casa, pedi que minha mãe levasse meu almoço em meu quarto. Eu havia chegado bem mais tarde, com a desculpa de que ficara fazendo um exercício com meus colegas, e ela tinha deixado meu prato montado, à minha espera.

Joguei a comida toda fora no lixo do banheiro; eu não tinha a menor condição de comer. Eu estava esgotado, dolorido, nervoso, tudo ao mesmo tempo.

Sentia-me afundando. Toda a dor, a raiva, a frustração, a sensação de fraqueza a impotência, tudo aquilo formava um oceano que me puxava para baixo, fazendo com que eu me afogasse. Eu não aguentava mais.

Deitado em minha cama, trouxe o notebook para meu colo e loguei no aplicativo do chat. V não estava online, claro, ele ainda estava desaparecido – o que só aumentava ainda mais meu desespero. V era minha única fonte de força. Mas mesmo que ele não estivesse ali para ler, comecei a digitar as mensagens.

Jung_96

Eu não aguento mais

Eu tô afundando, V

Acho que se continuar assim, eu vou acabar morrendo

Todos os dias é a mesma coisa

E agora, sem você

Parece que toda a minha força se foi

Você é tudo que eu tenho

Sei que isso é doentio, eu nem sei como é seu rosto

Mas meus dias só se tornaram suportáveis depois que eu conheci você

Minha vida só ganhou propósito depois que eu conheci você

Sei que você deve ter mais o que fazer

Mas

Eu preciso de você, V

Você é a única coisa que me impede de continuar afundando

Você é meu porto seguro

Jung_96 está offline

 

Não conseguia mais sequer digitar, depois daquela última mensagem; minhas mãos tremiam e as lágrimas me impediam de enxergar com clareza. Fechei o notebook e o deixei de lado, abraçando meu travesseiro e chorando como nunca havia chorado antes. Meu corpo inteiro doía, meu estômago e minha garganta queimavam, meu orgulho estava ferido, e eu não suportava mais a ideia de passar por tudo aquilo sozinho.

Mas eu estava sozinho. Não tinha o apoio de ninguém no colégio; não podia contar a meus pais o que estava acontecendo; não tinha mais a presença de V. E especialmente ao pensar nele, eu só me sentia pior ainda – era ridículo que eu estivesse desesperado por ficar algumas semanas sem falar com alguém que eu sequer sabia o nome.

Era ridículo, mas o que eu podia fazer? Eu me apaixonara, por mais que soubesse que só ia acabar me machucando, em dois meses V se tornara tudo em que eu queria pensar e tudo em que eu depositava minha esperança e minha vontade de viver dia após dia.

Como sempre, acabei adormecendo. Fui acordado ao longo do dia por minha mãe, que mais duas vezes foi levar algo para que eu comesse.

— Querido, você está bem?

— Sim... Acho que é o estresse das provas, estou um pouco enjoado.

— Está pálido. — ela colocou a mão sobre minha testa. — E acho que está ficando com febre. Tire o dia para descansar e se alimente direito, tudo bem?

— Claro, mamãe. — Sorri fraco para ela. — Obrigado.

Joguei toda a comida fora, fazendo uma nota mental de que devia me livrar do lixo do banheiro antes que outra pessoa fosse recolher. Eu sentia tanta dor e tanto enjoo, que não queria nem sentir o cheiro de comida nenhuma. Mas segui seu conselho e, de fato, dormi o dia inteiro mesmo.

-x-x-x-

Não conseguia me levantar.

Na terceira vez que o despertador tocou, desliguei o modo de repetir do alarme e me sentei na cama. O mundo pareceu rodar e escurecer de uma vez, e me deitei novamente.

Merda.

Levei uma das mãos até minha testa, e senti que estava com febre. Eu me sentia fraco e enjoado, e minha cabeça latejava. Seria impossível levantar da cama naquele estado.

— Meu filho, não vai para a aula hoje? — Minha mãe chamou da porta, minutos depois. Olhei meu celular e vi que já passara muito da hora de sair para a escola.

— Não estou me sentindo bem, mamãe. — Respondi, com a voz rouca. Sentia minha garganta arranhando, e imaginei que fosse por ter vomitado no dia anterior.

Vi minha mãe entrar e se sentar ao meu lado na cama. Depois de confirmar que eu estava com muita febre, seu rosto estampou clara preocupação.

— Fique em casa, hoje. Deve beber bastante água e descansar, querido.

— Tudo bem... Me desculpe.

— Não se preocupe. Você tem se esforçado demais, claro que ia acabar ficando doente... Trarei algo para você comer mais tarde, tudo bem?

Assenti com a cabeça e a vi se levantar para ir embora, fechei os olhos e voltei a dormir.

Não sei quanto tempo se passou, mas acordei com o som de notificação de nova mensagem do chat. Pensei estar ficando louco, mas então me lembrei de que eu não havia desligado o notebook antes, eu apenas o havia fechado. Meus olhos se arregalaram quando pensei que podia ser V, então minhas mãos correram a cama, em busca do notebook, trazendo-o para meu colo assim que o encontraram.

A tela do chat abriu instantaneamente, e havia quatro mensagens de V, embora ele estivesse offline. Ele enviara as mensagens durante a madrugada.

 

Kim95V

Eu preciso saber que você está bem

Pelo amor de Deus, Hobi

Me ligue.

 

A quarta mensagem era um número de celular. Encarei aqueles dígitos por longos minutos, antes de pegar meu celular e discar a sequência. Minhas mãos tremiam enquanto eu tocava a tela, e continuaram tremendo enquanto eu segurava o aparelho contra meu ouvido.

 

— Alô?

 

Era a voz de V?

Senti meus olhos se encherem de lágrimas, com a mera ideia de aquilo ser real.

 

— V...? – Experimentei perguntar, com a voz trêmula.

— Hobi. Hobi, é você?

— S-Sou eu...

— Meu Deus. Você está bem. Está chorando?

— E-Eu...

 

Estava tão feliz por ouvir a voz de V. Era a voz mais linda que eu já ouvira em toda a minha vida.

 

— Hobi?

— E-Eu não acredito que tô ouvindo a sua voz.

— Nem eu. Fiquei com tanto medo, Hobi.

— P-Por quê?

— Porque eu não quero te perder.

 

Eu não conseguia nem falar. Minhas lágrimas escorriam por meu rosto e eu soluçava.

 

— Hobi. Está tudo bem. Eu estou indo.

— H-Hm?

— Estou indo até Seul. Eu chego aí amanhã. Você espera mais um dia?

— E-Espero. C-Claro, V.

— Ótimo. Você me manda seu endereço, por favor?

— M-Mando.

— Obrigado. Eu preciso voltar para a aula agora. Só precisava ouvir sua voz.

— U-Uhum...

— Nos vemos amanhã, então. Me espere, por favor.

— T-Tá...

 

Ele desligou.

Fiquei segurando o celular ali contra meu ouvido por mais algum tempo, até processar o que havia acabado de acontecer.

Eu ouvira a voz de V. Ele saíra da aula para falar comigo, porque precisava ouvir minha voz. Ele estava preocupado comigo.

Fechei o notebook e o tirei do meu colo, antes de salvar o contato de V e lhe enviar uma mensagem com meu endereço. Minhas mãos ainda tremiam muito, mas agora de pura felicidade.

Tudo parecia pequeno depois disso; minha dor, meu medo, minha raiva. Meu porto seguro estava vindo. Finalmente, eu ia poder atracar e parar de me afogar.

Aquela seria minha motivação para as próximas 24 horas.


Notas Finais


Por hoje foi só!

Espero muito que tenham gostado, que estejam gostando e continuem acompanhando.

Obrigadx pelo carinho até agora. Até sexta!


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