História Meu Primeiro amor - Capítulo 14


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Drama, Gay, Romance
Exibições 6
Palavras 2.312
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Famí­lia, Ficção, Romance e Novela, Violência
Avisos: Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Espero que gostem.
Este capitulo é todo do ponto de vista do Erick, e é provável que os próximos serão também, qualquer alteração eu aviso.

Capítulo 14 - A adoção


Erick*

Acordei na manhã seguinte, Everaldo já não estava mais na cama, levantei, coloquei uma bermuda e uma camisa e desci. Pedro e Mateus já estavam tomando café e fui fazer companhia a eles.

- Bom dia meninos.

- Bom dia, – responderam os dois – a noite parece ter sido maravilhosa ontem ne? – Perguntou Pedro.

- Acho que não só a minha, mas a de vocês também. Vocês viram o Everaldo essa manhã?

- Eu vi, - respondeu Bruno entrando na copa – ele disse que iria fazer uma caminhada e que voltaria na hora do almoço. Ah e bom dia para vocês.

- Que estranho, ele não é de fazer caminhada, ainda mais no domingo. A não ser...

- O que Erick?

- Bom, hoje é dia dos pais, e bom acho que ele deve ter ido ao cemitério.

- Vá lá então. – Disse Mateus.

- Não acho melhor não.

- Quando estamos sozinhos e tristes o que mais precisamos é de um abraço.

- Você está certo Pedro, vou fazer isso. Mas o cemitério é longe daqui?

- Não se você for de ônibus ainda chega primeiro que ele, todos os ônibus passam em frente.

- Obrigado Bruno, parece que o Caio está morto né?

- Coitado, acho que suguei as energias dele ontem.

Todos riram, eu subi e fui me arrumar, levei cinco minutos, desci dei tchau a todos e peguei o ônibus. Realmente foi muito rápido, cheguei lá no cemitério e fui pedir informação sobre onde o pai de Everaldo estava. Um coveiro que estava lá me informou e fui até lá, chegando lá esperei um pouco sentado num banco que tinha ali perto, vi ele chegar uns dois minutos depois, estava com um buquê de margaridas, se ajoelhou em frente a lapide, deu uma limpada com as mãos o chão que estava coberto de folhas secas e depositou as flores ali, era uma cena muito triste, ele chorando, devia estar lembrando da época em que seu pai era vivo, não consegui me conter e andei em sua direção e o abracei pelas costas. Ficamos lá um bom tempo abraçados, não dizíamos nada um para o outro e não precisávamos, apesar de estamos pouco tempo juntos, menos de um ano (para ser exato 11 meses), sabíamos exatamente sem precisar falar o que o outro estava sentindo.

- Obrigado, meu príncipe, desculpa, você deve ter ficado preocupado não deixei nenhum bilhete.

- Tudo bem amor, Bruno me falou que viu você saindo cedo, eu só me liguei a data de hoje e supus que você estaria vindo para cá, não imagino o quão difícil deve ser para você.

- Eu agradeço de novo, não mereço um namorado, quer dizer noivo como você.

- Como assim, por que?

- Você sempre tenta me elevar, você me permitiu entrar em sua vida, sua família, você e sua mãe me acolheram, ela me tratou como se eu fosse o filho dela, nunca irei esquecer isso, e você sempre tenta fazer seu melhor, não imaginava que poderia ter um namorado como você, você é especial é tudo de bom.

- Que isso amor, não sou isso tudo não, eu que sou feliz por ter encontrado você, ou melhor por você ter me encontrado, você não saiu do meu lado em nenhum momento, me apoio nas minhas escolhas, cuidou de mim e ainda cuida com todo seu amor e carinho, você é uma ótima pessoa ao qual coisas ruins aconteceram. Todos nós temos luz e trevas dentro de nós, e apesar de tudo que lhe aconteceu tentar atrai-lo para as trevas, você seguiu a luz.

- Você tirou essa frase de um livro não foi?

- Sim, do Harry Potter.

- Sabia, e a questão de eu ter escolhido a luz foi por sua causa, antes de te conhecer, eu apenas sobrevivia, não estava vivendo, você trouxe alegria a meu mundo, um noivo com que irei me casar e ter um filho e apesar dela não estar aqui, você me deu uma mãe que em três dias que fiquei na sua casa cuidou mais de mim, do que aquela mulher em toda a minha infância.

Olhamos então um para o outro, nos beijamos profundamente e choramos, uma mescla de tristeza por não termos mais aqueles que nos amávamos e alegria por poder estar compartilhando aquele momento. Nos levantamos e fomos caminhando de volta para casa, os meninos já haviam feito o almoço e Caio já havia acordado.

- Bom dia dorminhoco.

- Oi bom dia, nossa gente eu estou morto.

- Imagino, com tanto que o Bruno gemia, não sei nem como os vizinhos não reclamaram. – Disse Pedro.

- Ei estamos deixando eles sem graça. – Disse Everaldo.

Todos começaram a rir e cada um beijou seu namorado, fomos então almoçar, resolvemos fazer um churrasco simples só com linguiça e umas coxas de frango que tinha na geladeira. A campainha tocou uns 15 minutos que havíamos começado e fui lá ver quem era.

- Boa tarde, estamos procurando o senhor Erick. – Disse o policial que estava na frente.

- Sou eu, algum problema senhor?

- Sargento Vásquez, bom estou aqui porque recebemos uma denúncia de que o senhor sequestrou o filho da senhora Silva e de seu marido que está detido em nossa delegacia.

- Sequestro? Ah o senhor deve estar falando do Bruno.

- Sim, então o senhor afirma que ele está em sua residência?

- Sim, ele está com o namorado dele aqui, ele na verdade já está morando com a gente um bom tempo.

- E o senhor tem autorização legal para ele?

- Não, mas foi uma escolha dele, ele tem 16 anos e já sabe muito bem fazer suas escolhas.

- Bom independente disso ele é menor de idade, podemos entrar e conversar com ele?

- Sim, claro, sem problema algum, podem vir comigo, estamos fazendo um churrasco aqui nos fundos, os senhores desejam algo?

- Não, está tudo bem.

Levei então os dois policias no fundo e quando todos viram quem estava comigo surgiu um silencio absoluto. Então falei:

- Bruno eles querem falar com você.

- O senhor pode nos acompanhar também senhor Erick, tem algum em que podemos conversar a sós, apenas nos três?

- Sim, se o senhor puder me seguir.

- Marcos, fique aqui e não permita a entrada de nenhum dos outros.

- Sim senhor.

Entramos então em casa eu, Bruno e o sargento, fomos até a sala e sentamos no sofá.

- Bruno, seus pais relataram uma queixa contra o senhor Erick, em que ele o sequestrou. Você está nessa casa contra sua vontade?

- Não, claro que não, o Erick e o Everaldo na verdade eles me ajudaram.

- Mas por você ser menor de idade e eles não serem seus tutores legais, você deverá voltar para sua casa.

- O que? Mas foi exatamente esse o motivo de eu ter vindo para cá, o senhor sabe porque meu está preso?

- Ele possuía porte ilegal de arma de fogo, e tentou matar o senhor Erick.

- Na verdade não, senhor sargento. – Eu disse – A verdade é que ele iria matar o Bruno, só que ao ver isso eu entrei na frente, Bruno sofria violências constantes do pai e a mãe dele, apenas observava e não fazia nada.

- Isso que ele está dizendo é verdade Bruno?

- Sim senhor.

- Se o que vocês dois estiverem falando for verdade, seu pai pode continuar vários anos preso e sua mãe pode ser detida por fazer parte de tal ato.

- Mas minha mãe não me batia, só meu pai.

- Eu sei Bruno, mas sua mãe por permitir que tal ato fosse cometido a torna cúmplice de seu pai e por isso se os dois forem presos você por ser menor deverá ir para o conselho tutelar.

- Não, mas porque ele não pode ficar aqui?

- Eu já expliquei para o senhor, ele é menor de idade, só cumpro as leis, agora preciso que Bruno pegue suas coisas e venha conosco, se ele quiser retirar as queixas ele poderá ficar com a mãe ou então deverá ser levado ao conselho tutelar.

- Por favor Erick, - suplicou Bruno chorando – não deixe que eles me levem.

- Eu não quero deixar Bruno...

- Se o senhor não coopera conosco o senhor será detido.

- Não, não prendam ele eu, eu vou com vocês.

- Bruno, eu...sinto muito, vou correr atrás disso.

- Tudo bem, será melhor assim, posso me despedir dos outros?

- Sim, mas seja breve.

Voltamos então para os fundos, Bruno correu para os braços de Caio e começou a chorar, foi muito triste ver aquilo, ele foi se despedindo de cada um, e ficou novamente com Caio, ao qual se demorou mais. Em seguida ele subiu até o quarto e arrumou sua mala, Caio já estava chorando eu o abracei e ele chorou mais ainda quando o carro foi embora. Eu faria de tudo para ter Bruno com a gente de novo era uma promessa interna.

- Amor, como estão os preparativos para adoção?

- Bom falta levar alguns documentos e podemos escolher a criança por que?

- Eu quero usar isso para adotar o Bruno.

- Você tem certeza? Depois vamos ter que esperar mais tempo para adotarmos outra criança.

- Se por você estiver tudo bem, para mim também está.

- Tudo bem então, Bruno já é da família e todos nós queremos ele de volta.

Aquela noite não dormi, estava com a cabeça a mil, como os pais de uma pessoa podem fazer isso com vou lutar com unhas e dentes para ter Bruno de volta, ele deve estar passando por cada uma naquele lugar, só de pensar meu coração se aperta.

Seis meses depois...

- Vamos gente, o Caio já chegou, hoje é a audiência sobre a guarda do Bruno, a mãe dele já saiu e deve estar indo para lá.

Todos estavam descendo e Caio estava na sala esperando, saímos de casa e fomos para o carro que Mateus comprou, era um carro adaptado por causa de Pedro então era quase uma minivan. Chegamos no cartório e a mãe de Bruno já estava lá, Bruno não. Mandaram a gente entrar, só permitiram a minha entrada e a de Everaldo e da mãe do Bruno, o juiz chegou todos se levantaram.

- Podem se sentar. Bom depois de meses revisando o caso, cheguei a um veredito, porem Bruno que ainda não foi ouvido, por já ter 17 pode responder por si mesmo.

Trouxeram Bruno, havia seis meses que não via ele, ele estava mais magro, parecia triste e desnutrido, quando ele nos viu seus olhos encheram de lágrimas então segurei a mão de Everaldo.

- Bruno, estamos aqui para resolver quem terá sua guarda, eu já tenho meu veredito, mas dependendo do que você for falar eu posso muda-lo. Então quero que você me conte, já que você morou um tempo na casa de Erick e Everaldo, tudo que você passou, sentiu com eles e com seus pais.

- Sim senhor. Na casa dos meus pais até no início da minha adolescência por volta dos 13, 14 anos eu sempre recebia muito amor e carinho deles, então aos 15 anos decidi falar sobre minha sexualidade. Eu sou homossexual, minha mãe não aceitou de forma nenhuma, meu pai decidiu que isso era uma fase e que poderia ser corrigido, então toda vez que eu fazia alguma coisa que talvez pudesse expor minha sexualidade ele me batia, com um cinto e me deixava amarrado na cama do meu quarto, minha mãe nunca fez nada para impedir, eu arrumei um emprego na biblioteca e meu pai me batia quando eu chegava em casa porque dizia que eu estava saindo com homens e ele estava bêbado. Até que no ano passado eu conheci Erick e Everaldo, eles me ajudaram em muitas coisas, meu pai tentou me matar e Erick me protegeu entrando na frente, eles nunca foram desrespeitosos comigo, eles foram pais melhores que os meus já foram, na casa deles moram mais dois amigos nossos, o Pedro e o Mateus, nós nos damos muito bem também, somos quase como se todos nós fossemos irmãos e bom tem meu namorado o Caio ele não mora com eles, mas os pais dele também são muito legais.

- Muito bem, Bruno se você decidisse com quem você moraria, quem você iria escolher?

- Apesar de todos dizerem que temos que ser respeitosos com nossos pais ama-los acima de tudo, eu acredito que os pais de verdade sejam aqueles que nos protegem, nos dá carinho, amor, estão sempre do nosso lado nos apoiando, nos ajudando nas coisas difíceis. Eu por mais que queria não odeio meus pais, o ódio não leva a nada, mas eu amo muito meus irmãos de outras mães, então se estivesse em minhas mãos a decisão eu ficaria com Erick e Everaldo.

A mãe de bruno se levantou e começou a gritar com ele e dizer que ele iria com ela e o ameaçou, vendo tudo aquilo o juiz mandou ela se calar e deu seu veredito.

- Depois de ouvir depoimentos de todos, ouvir as testemunhas e agora com esse depoimento de bruno e o súbito ataque de dona Ester, tenho plena consciência de que o melhor lar para Bruno viver é com os senhores Erick e Everaldo, caso encerrado, vocês podem ir no cartório assinar que são tutores legais de bruno.

Bruno correu até nós e nos abraçou, e ficou agradecendo, saímos então da sala, ele deu um abraço em Mateus e Pedro e por fim cheio de lagrimas nos olhos abraçou Caio e os dois se beijaram, dava para a ver a felicidade dos dois, voltamos para o carro e fomos para casa, tínhamos que preparar uma recepção pela volta dele e agora ele era nosso “filho”.  


Notas Finais


Se alguem estiver com duvida, sim eles moram numa casa de dois andares, e sim os quartos são no segundo, o Pedro tem um mini elevador para descer, não coloquei na historia, por não achar necessário e não haveria um entrosamento.


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