História Midnight of Halloween - Capítulo 2


Escrita por: ~

Postado
Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Drama, Festa, Halloween, Horror, Interativa, Medo, Mistério, Originais, Pesadelo, Terror
Visualizações 80
Palavras 2.009
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Crossover, Drama (Tragédia), Famí­lia, Fantasia, Festa, Ficção, Mistério, Romance e Novela, Sobrenatural, Survival, Suspense, Terror e Horror, Universo Alternativo, Violência
Avisos: Canibalismo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Tortura
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Oi oi gente, tudo bom? Bom, recomendo uma coisa: NÃO LEIAM ESSA PORRA A NOITE. Obrigada ^^ Estou no aguardo das fichinhas de vcs ;3

Boa Leitura.

Capítulo 2 - 1964


Fanfic / Fanfiction Midnight of Halloween - Capítulo 2 - 1964

1964

O tédio consome as gêmeas da cutícula ao fio de cabelo, tão contagioso quanto uma gripe. A trilha sonora era entediante, a sala de estar era entediante, as feições de ambas eram entediantes, até o gato gorducho preguiçoso ronronava tedioso. Estavam de castigo e por isso não podiam encontrar os vizinhos, do lado de fora da janela eles brincavam de amarelinha e dono da rua. O tédio causa náuseas. Cruzes que sensação horrível para duas crianças esbeltas e travessas. Havia punição pior que aquela?

A mãe delas saiu ao mercado, convencida de que eram grandinhas o suficiente para ficarem sozinhas e que não aprontariam. Se a senhoria não passasse tanto tempo mostrando o decote e contando a boa história de viúva para os charlatões da feira, a confiança não seria depositada nesse banco corrupto.

A primeira gêmea surrupiou o estilingue da prateleira mais alta, a segunda enche os bolsos do vestido xadrez de pedra e em seguida tomando o gato dorminhoco no colo. O último quarto do corredor é o reino da poeira, carregado de mofo e de velharias desinteressantes, útil para brincar de esconde-esconde e caçar aranhas. A única janela grande de madeira permite a luz solar iluminar o bolor no papel de parede. De cima do móvel, o bichano perde a chance de se acomodar por causa de uma pedra maliciosa da dupla.

Os mimos ganham efeito, pois ele é incapaz de fugir da crueldade das donas. Os finos e estridentes miados não causam comoção, pelo contrário, é fonte de incentivo.

- Pontaria horrível – debocha a garota de olhos azuis, cabelos louros escuros. Sua irmã se indignou e entrega o estilingue. – Se ele tem sete vidas. Tenho o direito de tirar uma na base da pedrada.

Os curtos pulos do felino gorducho trazem as gargalhadas, rindo da incapacidade dele. Preso ao medo. Indefeso. Pobre gato. MIAU! Logo, o tiro ao alvo trouxe o tédio novamente para a tristeza das irmãs, já riram o suficiente dos hematomas destacados nos pelos amarelados. No canto do quarto, diante daquele show de poeira o palco tinha outro destaque na particularidade das garotinhas. Um lençol. Ele deveria ser branco há anos, agora é o amarelado esquisito. Dispostas a apunhalar aquilo que as mataria, puxaram o pano criando expectativas sobre o que ele escondia.

Não era tesouro, um achado, e sim um espelho. Espelho redondo de bordas prateadas, sujo. A decepção no rosto delas refletiu no objeto. Pensando que a tarde estava perdida e que a única saída é o abismo da chatice, a menina cutuca o ombro da irmã fazendo-a lembrar das histórias que ouviram no acampamento de verão.

A história conta sobre uma belíssima moça, narcisista no caso, que vivia se olhando no espelho e agradecendo a Deus pela sua beleza. Por culpa de sua beleza, ela causava intrigas entre os casamentos, deixando as esposas furiosas. Seja grande a inveja, o recalque, mas os pecados não as levariam a tirar a vida. A inveja partiu daquela que todos menos esperavam, da sua mãe. Ela sabia que o pai a mimava mais, a amava mais, dava-lhe mais presentes. Para a esposa restavam ordens da comida e noites sem nenhuma paixão envolvente. Quanta humilhação. Uma noite, uma faca, uma mulher, uma decisão. Não a mataria, deixaria menos bonita. O rostinho angelical tornou-se num rosto cheio de cicatrizes. Que homem iria querer alguém daquele jeito? O espelho agora é o inimigo da pobre moça que odiava o próprio reflexo. Outra noite, a mesma faca, outra decisão. Diante de tanta feiura ela penetra a lâmina nos olhos. Os gritos são o alerta para todo o povoado. Os pais obviamente queriam saber o que diabos estava acontecendo no quarto da filha, tudo que acharam foi o corpo da virgem caído na frente do espelho. Sem olhos. Eles guardam a maldade e a inveja da mãe. As cicatrizes do rostinho belo sangravam como se fossem frescos, bom, eles foram frescos na memória da mesma que lhes concederam. Pronto. O povoado a nomeou de...

- Maria Sangrenta...

A vela na mão de uma, a pronúncia vinha de outra. Janelas fechadas e a porta fechada. A chama se dava o trabalho de iluminar as feições debochadas duplicadas.

- Maria Sangrenta...

- Chama duma vez! Quanta frescura!

-Shiu. Cala a boca.

Por que levariam aquilo a sério? É só uma história boboca que aquele pedófilo do acampamento contou, não era real. Daquelas bocas pequenas saltaram o nome maldoso que o povoado deu para o cadáver. Estava feito. Silêncio. Esperou algo acontecer, só se ouvia o compasso dos pulmões. Nada. Absolutamente nada.

A primeira gêmea a desistir se direciona a porta. A maçaneta não girava, parecia emperrada. Puxou com a força dos braços magricelas, impulsionou o ombro, nada funcionava. Acusa a irmã de trancar a porta que em sua defesa declara que nem se quer pegou a chave.Larga vela no chão e abre as janelas, que transmitiram a noite escura repleta de estrelas. Juntas tentaram abrir xingando a porta que pela falta de boca não pôde revidar. Socam, gritam por socorro, desespero maior quando o vento invadiu o cômodo levando a pequena chama embora. As pernas tremem, o coração gela e a garganta faz um nó.

Tentam a liberdade com pontapés. A madeira não demonstrava sinais de que enfraqueceu. O frio repentino causa arrepio na espinha, os xingamentos vão embora restando gritinhos agudos do esforço de arrombar a porta. Prensadas no batente da porta, ouviram alguma coisa nos fundos.

É só imaginação...

O banco cai. Os saltos tiveram sincronia. Não eram mais gritos, mas vozes embargadas desesperadas. Eis que a porta é aberta e as gêmeas são envolvidas pela luz do corredor, tropeçando nos próprios pés. Foi então que deram de cara com a mãe, que antes mesmo de as deixarem bolar uma boa mentira, puxou-as pelas orelhas dando bofetadas na nuca. Foram jogadas no quarto como forma de extensão do castigo e que logo apanhariam se soubessem que tinham quebrado alguma coisa.

O choro da dor se mistura com o choro de medo. Pelo menos a segurança é garantida, as cobertas as protegeriam.

Era Halloween finalmente, e como castigo tinham que passar novamente pela inveja de ver a vida passar pela janela. Apesar de o quarto ser no andar de cima, podia ouvir vozes infanto-juvenis pedindo doces e ameaçando com travessuras. Mas como a mãe estava distraída virando taças de vinho, aproveitaram para quebrar novamente o castigo. Levaram a vela. Passava das onze e deveriam estar dormindo, a mãe não iria desconfiar de nada enquanto o vinho lhe fizesse dançar na cozinha.

Outra tentativa.

- Acho que quando você me interrompeu ela não apareceu. – deduz uma fechando lentamente a porta, torcendo pra cretina não ranger.

Outra vez se viam pendentes da pequena chama da vela. O espelho continuava ali, a diferença era a maneira de encarar ele. Tinham receio, mas curiosidade. Nunca ficaram tão intrigadas como na noite anterior e no fim das contas deduziram que tudo que se passou era fruto da imaginação. Então, nada melhor a se fazer do que tirar a maldita dúvida. De dedos cruzados fazem o juramento de não atrapalhar mais e acontecer o que fosse acontecer, não gritariam.

Mamãe fica furiosa quando beija o vinho

- Maria Sangrenta. – Respiraram fundo – Maria Sangrenta... – Fecharam os olhos – Maria Sangrenta. – Agarraram a mão uma da outra.

A ousadia de abrir os olhos veio depois de o silêncio sepulcral sussurrar no ambiente. Nada mudara nada caíra nada escapa das bocas. Foi então que o silêncio espantou-se com uma gargalhada. Uma não. Duas. O pavor da noite anterior foi esquecido pelo melhor show de comédia delas.

- Ah pelo amor... Não vai se revelar a nós? É tímida? – debocha uma.

- Que nada. É feia mesmo. – ri a outra, apertando a mão da irmã de forma cúmplice.

- Pelo visto tem que ter hora marcada para encontrar a coisa feia.

Não tiveram problemas em abrir a porta. Todo aquele tremor agora é piada. De pijamas, abajur apagado, se entregaram ao sono.

A primeira badalada da meia-noite anuncia a chegada da madrugada de trinta e um de outubro. As garotas ressonavam tranqüilas na ausência de sonhos ou qualquer fenômeno que as levariam a crer serem frutos da mente. Mas ainda assim, as ruas eram tomadas por adolescentes fanfarrões que curtiam o “Espírito de Halloween”, em resumo, tacar ovo nas janelas, gastar papéis higiênicos e quebrar vidros de carros a base da pedrada.

Foi então que a garota escutou algo debaixo da cama, semelhante a algo sendo arrastado. Algo pesado. O susto foi grande. Olha para o lado vendo a irmã de cabelos amassados contra o travesseiro, dormia feito neném. Nheeeeec. Ela treme, automaticamente usa o escudo que é a coberta sussurrando o nome da irmã que com toda certeza não ouviria. Retira lentamente o tecido que cobre a visão ampla do quarto, e tinha que criar coragem para identificar a origem do ruído. Joga o pescoço para debaixo da cama, apoiando as mãos na beirada, os longos cabelos louros tocam no chão, daquele vazio um vulto passa próximo de seu rosto fazendo-a cair no chão. O estrondo e o grito agudo fazem a outra acordar e num gesto desesperador, puxa a irmã pelo antebraço para cima.

O gato miou abanando a cauda na direção da porta.

Pronto, as chacotas começaram.

Terminaram assim que ouviram passos e o gato sibilar. Seja a ameaça que se apresentou ao gato, chutou-o contra uma parede. Mamãe jamais bateria no felino já que é o seu maior xodó da casa. Ambas fazem a maior das burrices da ocasião: Investigar. De pijamas de ursinhos idênticos não se incomodaram de colocar os pés nus no chão frio e pouco limpo.

A casa é delas desde recém nascidas e sendo da maneira delas conhecem a casa de cabo a rabo, a lanterna é desnecessária. Primeiro passo é ir ao quarto da mãe que fica justamente ao lado. Trancada. A escada range. Olham uma para a outra tentando entender a situação. A porta só é trancada quando ela dorme ou quando está acompanhada, então por que diabos trancaria se a intenção é ir para a cozinha? Não fazia sentido.

- Se fizermos barulho, o bandido saberá que estamos aqui. – explica uma a outra, querendo não demonstrar pânico diante daquela situação. Encolheram-se no chão dando passos curtos de joelhos dobrados na direção da escada que tanto rangia. Nheee nheee . Nenhuma sombra, nenhuma figura se revelava na escada. Andaram mais um cadinho. Ao apoiar a mão no piso, sentiu algo estranho, algo líquido e que mais fundo é peludo. Recua prestes a soltar um berro quando a mão da irmã cobra-lhe a boca. Na janela do corredor que permite a entrada da luz do luar, puderam ver o bichano. Mas não mais o bichano de instantes atrás. Ele estava vivo e não esfolado no chão lambuzado de sangue.

A escada torna a ranger. As gêmeas ficam aflitas. A escolha de ligar para a polícia é válida se o telefone não ficasse no andar de baixo. A escolha de chamar a mãe seria válida se não estivessem num ultimato. Esconder-se é a única escolha. O quarto delas sempre foi o cenário perfeito para um pique - esconde e mais do que nunca aquilo seria útil. O armário de roupas foi a melhor opção. A gêmea começa a chorar vendo a mão suja de sangue do gato. Mesmo instável com a mesma cena a garota ordena num sussurro a irmã engolir o choro.

Nada. Absoluto silêncio.

A porta range, sendo aberta lentamente. Prendam a respiração meninas. Bisbilhotar o invasor arrisca o esconderijo e a chance dele entender que o quarto é vazio, mas evidências estão espalhadas. As camas bagunçadas. Apertam as mãos torcendo para não as encontrarem. Nunca pediram tanta ajuda da mãe mentalmente. Lágrimas descem naqueles rostos, e o soluço escapa. Tapar a boca não adiantou. As portas do armário são abertas bruscamente, o destaque vai para as duas mãos segurando firmemente facas ensanguentadas. Antes mesmo de desvendarem o rosto, ouviram uma frase.

- Tenho hora marcada com as gêmeas. 


Notas Finais


Gostaram? Odiaram? Me digam o que acharam.


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...