História Mil Maneiras de Amar Você - Capítulo 4


Escrita por: ~

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Categorias Naruto
Personagens Boruto Uzumaki, Gaara do Deserto (Sabaku no Gaara), Hanabi Hyuuga, Himawari Uzumaki, Hinata Hyuuga, Hyuuga Hiashi, Itachi Uchiha, Kaguya Ootsutsuki, Kakashi Hatake, Kiba Inuzuka, Kushina Uzumaki, Mei, Minato "Yondaime" Namikaze, Nagato, Naruto Uzumaki, Neji Hyuuga, Obito Uchiha (Tobi), Personagens Originais, Sakura Haruno, Sasuke Uchiha, Shikamaru Nara, Shino Aburame, Temari, Toneri Otsutsuki, Tsunade Senju
Tags Drama, Hinata, Inclusão Social, Naruhina, Naruhina4ever, Naruto, Superação
Visualizações 806
Palavras 3.747
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Colegial, Drama (Tragédia), Ecchi, Famí­lia, Hentai, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo, Visual Novel
Avisos: Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Nudez, Sexo, Spoilers
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Oi gente. Boa noite, cheguei.

Mais um capítulo de Mil Maneiras de Amar Você pra vocês. Espero muito que gostem.
Sei que prometi postar a cada 15 dias, porém, tive um pequeno atraso. A história exige muita pesquisa gente, eu não quero falar de coisas que eu não saiba ou trazer qualquer coisa pra vocês. Por isso, estou me esforçando ao máximo com essa história.

Quero muito agradecer a duas pessoas, em especial, que me ajudaram muito na construção desse capítulo: A minha amiga Caah (Princesa Crystal) que deu toda assistência psicológica que eu precisei nesse capítulo. E a Ju (Alice 90) que, desde o começo, tem me auxiliado e assistido como psicanalista. Obrigada as duas pelo apoio e auxílio.
Também, quero agradecer a Nathy (Nathyuga) que tem me betado e auxiliado com a escrita. A Isis (LillyMPHyuuga) e a Thais (Srta_Hinata) que foram as minhas críticas literárias. Obrigada gente.

Dedico esse capítulo a todos os que tem favoritado e comentado. Fiquei extasiada quando li alguns comentários que me tocaram profundamente. A vocês, meu muito obrigada.

Sem mais delongas, Capítulo 3 Um Passo de Cada Vez, pra vocês.
Beijos e ótima leitura.

Capítulo 4 - Um Passo de Cada Vez


Fanfic / Fanfiction Mil Maneiras de Amar Você - Capítulo 4 - Um Passo de Cada Vez

Mil Maneiras de Amar Você


Capítulo 3 — Um Passo de Cada Vez


Na manhã do dia seguinte, quando a minha mãe e a Hanabi foram ao meu quarto me chamar, eu já estava acordada fazia tempo. Pude notar uma certa surpresa por parte das duas ao me verem acordada, entretanto, eu estava apenas esperando-as chegar, para dizer que não ia a lugar algum naquele dia. Aliás, nem naquele dia nem noutro.

— Ohayou, musume! Acordou cedo hoje — disse minha mãe ao entrar em meu quarto.

— Humm... eu só dormi cedo demais ontem, só isso — respondi sem vontade.

De repente, Hanabi pulou em minha cama, fazendo com que eu pulasse junto, já que o colchão era de água.

— AH!!! — gritei assustada.

— Larga de ser rabugenta, nee-chan — falou  e continuou. — Hum… que colchão gostoso!

Eu fiquei tão nervosa, com raiva por ela estar se divertindo às minhas custas, que acabei brigando com ela.

— HANABI! VOCÊ QUER ME DERRUBAR É? — esbravejei nervosa.

Minha mãe interferiu passivamente.

— Hanabi, tome mais cuidado. — Ela dizia sorrindo.

Hanabi ria igual a uma boba e minha mãe acompanhava. Aquilo me deixou mais nervosa do que já estava.

— Okaa-san, não quero sair da cama hoje. Não estou me sentindo muito bem — falei aborrecida.

Mas antes de me responder, minha mãe já me ajudava a sentar.

— Okaa-san! — reclamei a contragosto.

— Hanabi, pegue a cadeira de banho da sua irmã para mim, sim — pediu sem se importar com a minha decisão.

— EU NÃO QUERO SAIR JÁ DISSE — explodi irritada.

Minha mãe parou de tirar minha roupa e me olhou séria.

— Se você não pode fazer esse esforço por si mesma, faça-o por seu pai e por mim. Nós te amamos e jamais faríamos algo para magoá-la, Hinata. Só que dói ver você aprisionada dentro desse quarto sem que possamos ajudá-la — respondeu-me entristecida.

Hanabi estava em pé ao lado da minha cama, escorada na cadeira de banho.

Ela me olhou com tanta tristeza que um nó se formou em minha garganta. Nem ousei levantar o rosto para ver como minha mãe se encontrava, se Hanabi já expressava decepção, ela certamente estaria pior.

— E então? Vamos ao menos tomar um banho? — perguntou decidida.

Concordei com um aceno de cabeça e, silenciosamente, minha mãe me levou para o banheiro.


Durante aquele banho deixei minhas lágrimas se misturarem com a água que caía sobre mim. Eu me sentia um fardo e minha mãe aguentava todo o meu mau-humor resignada. Pela primeira vez aquilo doeu mais em mim do que eu imaginava.

Até então, eu nunca havia reparado que as minhas ações feriam diretamente não só a mim, mas também as pessoas ao meu redor. E isso incluía a minha família.

Minha mãe me viu chorar e não disse absolutamente nada. Ela apenas me deu banho, como fazia todos os dias.

Depois do banho ela me arrumou e, ainda em silêncio, me levou para a copa, onde o café da manhã estava sendo servido.

Neji e Toneri conversavam alegremente, já meu pai lia o jornal concentrado. Mas quando eles olharam em minha direção, o que antes era alegria se tornou um silêncio constrangedor.

— Ohayou, hime. Está tudo bem? — perguntou meu pai com cautela.

— Está sim, querido. Não se preocupe. Hinata apenas amanheceu indisposta. Não é verdade, musume?

Todos olhavam para mim, o que me deixou ainda mais entristecida.

"Eu sou um peso morto" pensei amargurada.

Minha mãe ajeitou minha cadeira e foi se sentar em seu lugar. Hanabi se sentou ao lado do Neji e não abriu a boca em momento algum.

Ao ver o silêncio que se instaurou na mesa por minha causa, me senti ainda mais culpada. Nem meus irmãos pareciam felizes com a minha presença. Talvez, se eu tivesse morrido naquela brincadeira estúpida, não precisaria estar passando por tudo aquilo. Minha família seria muito feliz sem mim.

Quando faltavam 10min para às 08h da manhã, a campainha tocou e eu já sabia quem era. Meu pai, também sabendo de quem se tratava, levantou-se para receber o meu sensei. Quase 20min depois, ele voltava para me informar que o meu professor me aguardava na sala. Minha mãe se levantou e sem dizer uma palavra me levou até a sala onde o senhor Uchiha me esperava.
Eles estavam lutando por mim quando eu já havia desistido de lutar.


(Obito Uchiha 23 de dezembro, Casa da família Hyuuga)

Cheguei pontualmente às 07h50min da manhã a casa da família Hyuuga. Era o nosso segundo dia de tratamento e eu sabia que aquele dia seria mais difícil que o primeiro. Se readaptar a uma rotina e aceitá-la, era algo difícil em qualquer tratamento psicológico. E assim como eu previa, quando o senhor Hyuuga veio me receber, percebi de imediato a sua preocupação.

— Ohayou, Hiashi-sama — cumprimentei-o educadamente.

— Ohayou, doutor Uchiha. Venha, vamos até a sala para conversarmos melhor — chamou-me gentilmente.

O segui até a sala e sentei-me num dos sofás para podermos conversar.
Olhei para ele e comecei.

— E então, Hiashi-sama, como foi o primeiro dia de Hinata? — perguntei já sabendo a possível resposta.

— Confesso que foi uma surpresa muito grande quando a minha esposa contou-me alegremente que Hinata passou quase o dia todo fora da cama, pesquisando na internet o trabalho de ciências que o senhor passou, doutor. Nós não esperávamos por isso assim tão rapidamente — relatou sincero.

Mais um comportamento já esperado, porém, pela cara de desânimo do homem à minha frente, eu já sabia o que estava acontecendo.

— Hinata tem uma curiosidade natural e, percebendo isso, aproveitei para trabalhar melhor com ela. Mas pela sua cara já sei o que aconteceu: Ela "acordou", digamos assim, meio indisposta, se sentindo mal e cansada, não é verdade?

Ele confirmou com um leve aceno de cabeça. Olhei-o firme e, com muita sinceridade, continuei.

— Para um primeiro dia, Hinata deu um grande passo. Mas vamos destacar alguns pontos importantes. Primeiro: pelo histórico de resistência aos tratamentos anteriores, já sabíamos que não seria nada fácil alcançá-la. Hinata é apenas uma menina passando por um turbilhão de coisas. Se coloque no lugar dela, imagine o quanto deve ser difícil ver seus sonhos acabarem de uma hora para outra, por causa de uma brincadeira? Se não seria fácil para nós que somos adultos, quem dirá para uma adolescente que foi forçada a aprender a conviver com isso todos os dias? Segundo: Hinata, criou uma bolha e está vivendo dentro dela. Ela se sente inútil, inválida, não vê motivos para ser feliz e por mais que ela tenha vontade de ser diferente, ao olhar para si mesma, é como se a realidade dela fosse a verdade absoluta. Eu já esperava que hoje fosse ser mais difícil e estou decidido a seguir em frente. Como eu te disse, Hiashi-sama, será um passo de cada vez — expliquei paciente.

O senhor Hyuuga prestava atenção às minhas palavras e, assim que terminei, ele se pronunciou.

— Doutor Uchiha, só o fato de minha filha não ter ficado deitada o dia todo ontem, já foi um grande avanço. Mas hoje ela acordou muito arisca e mau-humorada, minha esposa saiu apreensiva do quarto de Hinata essa manhã. Já fique preparado para os possíveis xingamentos que o senhor possa receber — disse-me preocupado.

— Não se preocupe, Hiashi-sama, isso tudo já era esperado, traga Hinata para darmos início a sessão, depois conversamos como foi o segundo dia dela — disse a ele e me levantei.

O senhor Hyuuga fez como eu pedi e, enquanto isso, peguei meu material e segui para o lugar reservado para as aulas.

Arrumei o necessário, sentei-me e esperei. Quando a senhora Hyuuga trouxe Hinata, me olhou com um pedido de desculpas silencioso. Hinata estava de cabeça baixa, mas assim que a levantou pude ver seus olhos vermelhos pelo choro recente.

"Isso vai ser complicado" pensei reflexivo.

— Ohayou, Hinata. Como se sente hoje? — perguntei sorrindo.

Hinata olhou para mim sarcástica.

— Como eu me sinto? Forçada — respondeu-me ironicamente.

— Hinata! — repreendeu-a a senhora Kaguya séria.

— Está tudo bem, senhora Hyuuga, não se preocupe — disse a tranquilizando.

Ela encostou a cadeira de rodas da filha próximo a mesa e, com um beijo no rosto, despediu-se.

Dei um pequeno sorriso para a moça a minha frente e me preparei. Aquela manhã seria muito importante para Hinata.


(Hinata Hyuuga)

Aquela manhã estava sendo horrível. Minha vontade era de me trancar no quarto e nunca mais sair de lá. Não tinha coragem de olhar para ninguém, já que foi eu chegar à mesa para todos emudecerem. Eu queria desaparecer e acabar com tudo aquilo.

Um tempo depois, o senhor Uchiha chegou para nossa aula. Meu pai foi recebê-lo e 20min voltou com tranquilidade.

— Seu sensei te espera, Hinata. — Ele falou com seriedade.

Eu já tinha o rosto manchado pelas lágrimas de tanto que havia chorado, mas nem aquilo comoveu o meu pai.

— Eu não quero ir, Otou-san. Quero voltar para o meu quarto — disse chorosa, porém, foi o mesmo que não ter dito nada.

Minha mãe se levantou e, mesmo contra a minha vontade, me levou até a sala.

Assim que me viu, o senhor Uchiha sorriu animado.

— Ohayou, Hinata. Como se sente?

Olhei para a cara de alegria daquele sujeito e me irritei na hora.

— Como eu me sinto? Forçada — respondi amarga.

"Pergunta idiota" pensei aborrecida.

Minha mãe chamou minha atenção, mas o senhor Uchiha tomou por menos.

Ela encostou minha cadeira na mesa e deu um beijo meu rosto.

— Fique bem — disse e se foi.

Olhei para o senhor Uchiha e ele sorria. Me deu uma raiva tão grande de tudo aquilo, que quando vi já tinha falado.

— Está rindo do quê?

— Eu? De nada — respondeu  tranquilamente.

Ele tirou um jogo de dentro da pasta e o colocou em cima da mesa.

— O que pensa que está fazendo? — perguntei enquanto ele embaralhava as peça de um dominó.

— Estou preparando um jogo, não é óbvio? — Ele começou a dividir as peças e eu me irritei mais ainda.

— Eu não quero jogar nada, quero voltar para o meu quarto — falei taxativa.

Ele olhou para mim e com uma calma absurda se pronunciou.

— Sinto muito, Hinata, mas isso não será possível. Estamos em aula agora e a menos que você esteja doente ou seja liberada pela sua família, a aula continuará normalmente — respondeu-me educado.

Ele voltou a olhar as peças a sua frente e, em seguida, sorrindo animado se pronunciou.

— Aha! Eu começo, a peça maior é minha.

— EU NÃO QUERO JOGAR, O SENHOR NÃO ENTENDE? — gritei perdendo a paciência. 

— E quem disse que estamos jogando? Isso é uma aula de matemática.

Eu estava abismada, aquele homem me achava boba, só podia ser isso.

— E o que dominó tem a ver com matemática? — perguntei incrédula.

— Raciocínio lógico e números. Sua vez — disse apontando para o jogo. 

— O senhor é igual a todo mundo, vocês querem me obrigar a fazer tudo o que eu não quero — lancei revoltada.

— Não estou te obrigando a nada, aliás, você pode sair daqui a hora que quiser — disse me olhando sério.

Eu fiquei paralisada com aquela resposta. Se eu tivesse pernas sairia dali imediatamente.

Senti um aperto no peito e quando vi já estava chorando outra vez.

— Bom... já que desistiu de ir, estou esperando a sua jogada — falou seriamente.

— Eu não posso sair daqui — respondi chorando.

— E por quê não? É só virar a cadeira e empurrar.

Aquilo foi a gota d'água. Olhei para ele furiosa e explodi.

— EU NÃO SEI MEXER COM ESSA CADEIRA, SATISFEITO? POR ISSO, EU NÃO POSSO SAIR DAQUI. NÃO POSSO IR A LUGAR NENHUM.

O senhor Uchiha me olhou como se aquilo não fosse nada. No entanto, não era ele quem estava preso a uma cadeira de rodas para sempre.

— Era esse o seu problema? Então está resolvido, vou te ensinar a andar com ela para você pode ir aonde quiser — respondeu tranquilamente.

— EU NÃO QUERO A SUA AJUDA, NÃO ESTOU TE PEDINDO NADA — disse ofensiva.

— E por que não? Você está reclamando que não pode sair daqui porque não sabe andar de cadeira de rodas, eu estou te dando a chance de aprender a ser livre, assim ninguém vai te obrigar a nada. O que tem de errado nisso?

— TUDO. EU NÃO PEDI PARA ESTAR AQUI, EU NÃO QUERIA ESTAR AQUI.

— Então a culpa por você estar aqui é da cadeira de rodas? — perguntou sério.

Aquela pergunta me desarmou, o problema não era só a cadeira de rodas.

— Não — respondi zangada.

— Hinata, seja mais clara, você está se confundindo — disse com firmeza.

— Eu não estou confusa, estou inválida. Satisfeito? — respondi irônica.

— E quem te disse que por não poder mais andar você se tornou inválida?

"Que pergunta mais idiota" pensei nervosa.

— O SENHOR É CEGO, É? MINHAS PERNAS NÃO ME OBEDECEM — esbravejei irritada.

— Mas e a cadeira de rodas? Está com defeito? — perguntou mais uma vez.

— PARA DE FALAR DESSA CADEIRA MALDITA.

Eu já não aguentava mais ouvir aquelas perguntas. Já estava a ponto de quebrar alguma coisa.

— Por que? É tão normal falar sobre ela — falou de forma simples.

Olhei para ele e com todo o meu sarcasmo respondi a sua pergunta idiota.

— Normal para o senhor que tem duas pernas.

E para minha surpresa ele simplesmente continuou.

— Mas eu vejo as suas pernas, então o problema não é elas. Diga, Hinata, qual é o verdadeiro problema então? — questionou-me decidido.

— QUER SABER QUAL É O PROBLEMA? VOCÊ, MEUS PAIS, TODO MUNDO, ESTE É O PROBLEMA — respondi num rompante de raiva.

— E por que seríamos o problema? A culpa não é nossa pelo que aconteceu.

— Não estou culpando ninguém — respondi indignada.

— Então de quem é a culpa? Porque está claro que você culpa alguém. Será que a culpa é do Neji? — indagou ele intrigado.

— O que? Claro que não — respondi exacerbada.

— Então por que você quer tanto achar um culpado para o que aconteceu? — perguntou sério.

— Eu não estou procurando um culpado.

E não estava, eu só estava com raiva. Por tudo e de tudo.

— Não é isso que está parecendo, você não se aceita, não quer viver, não quer fazer nada, é óbvio que está procurando um culpado. Ou se não está, até quando vai continuar atacando para se proteger?

— Eu não estou atacando a ninguém — respondi duramente.

— Está sim, tanto que eu estou querendo te dar aula de matemática, mas estou aqui aguentando a sua fúria matinal por conta de uma cadeira de rodas — afirmou resoluto.

— Eu não estou furiosa com o senhor — neguei magoada.

— Então com o que está furiosa, Hinata? — Ele perguntou outra vez.

— Com tudo, com a vida. Eu sou um peso para todo mundo. Eu preferia ter morrido do que ter ficado inválida nessa cadeira de rodas — respondi com amargura.

— De novo a cadeira de rodas? Você pode ir aonde quiser, sabia?

— EU NÃO POSSO — gritei alterada.

— Por que não?

Olhei para ele indignada, pois parecia querer me irritar, fazendo as mesmas perguntas.

— PARA DE ME PERGUNTAR AS MESMAS COISAS.

— Então pare de responder as mesmas coisas. Você está se vitimizando para pôr a culpa em alguém e como não encontrou colocou na cadeira de rodas.

Fiquei boquiaberta com a dedução dele sobre eu me fazer de vítima. Eu era a vítima, não estava me fazendo de uma.

— Não estou me fazendo de vítima, é a minha realidade. O senhor não entende? — Perguntei magoada.

— Entender eu entendo, só não aceito o fato de você acreditar que essa realidade é somente sua, quando existem tantas outras pessoas na mesma situação — respondeu decidido.

— Não estou dizendo nada disso — falei chorosa.

— Está sim e não percebeu. De verdade, Hinata, o que está te incomodando? — perguntou me olhando fixamente.

Eu já estava chorando outra vez, de tanta raiva que sentia. E, com lágrimas nos olhos, o respondi.

— Me incomoda o fato de estar presa, me incomoda o fato de não poder fazer mais nada.

— É isso que você sente? Que sua cadeira de rodas é a sua prisão? — perguntou intrigado.

— Claro que é, eu perdi tudo por causa dela. Meus sonhos, meus amigos, até meus irmãos me ignoram por causa dela.

Me lembrei do silêncio que se instaurou na mesa, com a minha chegada, pela manhã e de todas as vezes que tanto o Toneri, quanto o Neji me evitavam desde o acidente.

— Então, a culpa por toda essa raiva é da cadeira de rodas? — perguntou se fazendo de desentendido.

— NÃO! — respondi alterada.

— E de quem seria então, Hinata?

— O senhor quer saber de quem é a culpa? Pois eu vou te dizer de quem é a culpa, a culpa é de Deus, Ele quem me deixou ficar assim, Ele se esqueceu de mim — respondi com toda a mágoa que eu sentia.

De repente, o senhor Uchiha me olhou com a maior tranquilidade, começou a juntar as peças do dominó e a guardá-las. Ele não me questionou, não falou uma única palavra, apenas guardava as peças em silêncio.

— Desistiu de mim, é? — perguntei ácida.

Ele olhou para mim sorrindo e se pronunciou.

— Não, só estou guardando o meu material. Por que a pergunta? — disse de forma tranquila.

Apenas neguei com um sinal de cabeça vendo-o continuar.

Ele olhou para o relógio no pulso e,em seguida, olhou de volta para mim.

— Humm, acho que o nosso tempo terminou — disse animadamente.

— Nós não fizemos nada — relatei a realidade.

— Um passo de cada vez, Hinata — respondeu sério.

Em seguida, ele tirou uma folha da bolsa e me entregou sorrindo. Mais um daqueles trabalhos idiotas.

— Onde está o seu trabalho de ciências? — perguntou me olhando sério.

— Eu não fiz, apenas li — respondi friamente.

— Certo, amanhã teremos uma prova e o conteúdo dos dois trabalhos cairão nas questões.

Arregalei os olhos em descrença.

— O que?

— Não achou que eu ficaria aqui apenas te ouvindo reclamar e não te daria aula, não é? Eu sou seu professor, não se esqueça disso — disse sério.

O senhor Uchiha caminhou até a porta e chamou pela minha mãe.

Vi quando ela entrou na sala vindo diretamente até mim.

— Como fomos hoje, senhor Uchiha? — perguntou minha mãe educadamente.

— Estamos indo, não é verdade Hinata? Um passo de cada vez — falou positivo e continuou. — Ah! Antes que eu me esqueça, Hinata tem um pequeno trabalho para amanhã e também uma prova. Não deixe ela esquecer.

Eu o olhei sem entender, pensei que ele não viria por ser véspera de feriado.

— Mas amanhã é véspera de natal — disse estupefata.

— Sim… mas não é feriado. Teremos aula normalmente. Senhora Hyuuga, tenha um bom dia — olhou para minha mãe se despedindo.

Depois olhou para mim e sorriu gentil.

— Até amanhã, Hinata.


O senhor Uchiha foi embora e minha mãe me levou de volta para o meu quarto. Nem eu nem ela falamos alguma coisa.

Quando paramos de frente para minha cama eu apertei o papel do trabalho em minhas mãos.

— Quer se deitar, querida? — perguntou carinhosa.

Assenti em concordância e ela me deitou na cama.

Fiquei com aquele papel na mão apenas pensando no que havia acontecido.

"Maldita brincadeira, malditos cachorros" pensei magoada.

Minnha mãe me ajeitou na cama, me cobriu, me deu um beijo e se despediu.

— Qualquer coisa me chame — disse se retirando do quarto.

Quando a porta foi fechada levantei o papel para ver qual era a loucura da vez. Me surpreendi.

O trabalho era de geografia e o assunto muito interessante: Rotação e Translação.

Fiquei curiosa para saber mais sobre aquilo, porém, não daria o braço a torcer.

— Quando minha mãe vir me buscar para o almoço, eu falo com ela — disse a mim mesma decidida.

Olhei o papel mais uma vez e levei o dedo a boca roendo a unha.

Ia demorar um pouco até a hora do almoço e bastava olhar para o papel para ficar ainda mais curiosa.

Por volta de 10h20min da manhã, minha mãe veio ao meu quarto com um lanche.

Musume, o almoço vai sair mais tarde hoje. Vim trazer um lanche para você — disse colocando a bandeja na cômoda.

Engoli em seco e criei coragem.

— Okaa-san?

— Hai — Olhou para mim docemente.

Mostrei-lhe a folha e ela sorriu.

— Quer ajuda para fazê-lo? — perguntou amavelmente.

Balancei a cabeça em confirmação e, enquanto eu lanchava, minha mãe saiu para buscar o notebook.

Sabe o que aconteceu? Mais uma vez eu passei o dia todo fora da cama e não me dei conta.

De uma certa forma, aqueles trabalhos estavam tendo um resultado significativo em mim, pois eu ficava curiosa quando os recebia. E aquele, por sinal, era muito interessante.


"Rotação e translação são os dois principais e mais conhecidos movimentos realizados pelo planeta Terra. Juntos, eles são responsáveis por uma infinidade de fenômenos que se manifestam na atmosfera e na litosfera, interferindo no clima, no relevo e até na duração dos dias e das noites.
A rotação é o movimento que a Terra realiza em torno de seu próprio eixo, é como se ela estivesse ‘rodando’ em volta de si mesma. O tempo que o planeta leva para completar esse ‘giro’ é de 24 horas. A principal consequência é a existência alternada entre os dias e as noites, pois, se não houvesse esse movimento, haveria apenas dia em um lado do planeta (que seria extremamente quente) e apenas noite no outro lado (que seria extremamente frio).
A translação é o movimento que a Terra realiza em torno do Sol, sendo que ela demora 365 dias, 4 horas e alguns minutos para completá-lo. Esse movimento é o responsável direto pela existência das estações do ano. Como o eixo de inclinação do nosso planeta é de 23º27', há períodos em que os dias são maiores que as noites (solstícios de verão), períodos em que as noites são maiores que os dias (solstícios de inverno) e períodos em que eles possuem a mesma duração (equinócios de primavera e outono).
Além desses dois importantes movimentos, a Terra realiza outros 12 movimentos, envolvendo a precessão, a nutação, a revolução, entre outros."



Descobrir que até mesmo o ser humano dependia dos movimentos do planeta para sua sobrevivência, me fazia pensar no que o senhor Uchiha queria com aqueles trabalhos?
Depois do almoço, Hanabi passou a tarde toda comigo no quarto me ajudando animadamente. E, sem perceber, eu estava sorrindo de verdade.

Diante de toda aquela confusão de sentimentos que me desnorteava, eu me vi presa em uma dúvida torturante. Eu precisava fazer a minha escolha, mas nada do que eu pensasse parecia ser fácil.

E essa história, de um passo de cada vez, acabou me levando para uma encruzilhada. O caminho que eu seguisse dali para frente não teria mais volta. Eram escolhas e decisões difíceis para quem, até o momento, só via a vida pelo vidro da porta do quarto.


Notas Finais


E então, gente? Espero muito que tenham gostado, viu.
Sobre o Naruto: Algumas pessoas já me perguntaram quando ele vai aparecer na história. Bem, eu decidi que quando a Hina estiver forte, decidida e bem resolvida consigo mesma, aí sim o Naruto vai entrar. A história é pra mostrar a Superação da Hinata e o Naruto vai ensiná-la a amar. Mas quem mais vai aprender nisso tudo será o Naruto, viu.

Sobre os comentários: Eu andei muito sem tempo esses dias, mas já estou respondendo a todos. Quem está acostumado e acompanha minhas putras histórias sabe muito bem que eu sempre respondo a todos os comentários. Ok?

A pesquisa sobre Rotação e Translação é do site Brasil Escola.
Obrigada pelo carinho de vocês e assim que eu entrar de férias, que será em 15 dias, darei mais atenção a Mil Maneiras.

Aguardem.
Abraços
Dani


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