História Millennium - Capítulo 14


Escrita por: ~

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Categorias Yu-Gi-Oh!
Tags Magia, Romance, Sobrenatural, Suspense
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Palavras 2.820
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 14 ANOS
Gêneros: Aventura, Bishoujo, Bishounen, Romance e Novela, Sobrenatural, Survival, Suspense, Universo Alternativo
Avisos: Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 14 - Interlúdios


Alguns dias se passaram desde o incidente no museu da cidade. A notícia da histeria coletiva – como foi nomeado aquele evento – foi divulgada por todos os telejornais locais e até alguns de maior amplitude. Para o conhecimento geral, de longe, todo o ocorrido teve ligação com algum tipo de guerra mística, mesmo sendo essa a grande verdade.

– O Olho do Milênio... – diz Leona, para si mesma, assentada em uma cadeira ao lado direito de uma maca.

O local é o quarto de um hospital. Enquanto a garota permanece assentada em seu devido lugar, observando um dourado objeto em forma de olho humano em sua mão direita, seu companheiro de trabalho Krest continua desacordado na cama ao seu lado.

– São por coisas assim que as pessoas lutam, arriscam suas vidas... – continua falando, erguendo seu rosto e lançando seu olhar sobre o inconsciente Krest. – E machucam tantas outras...

Leona se levanta, desviando seu olhar para a janela do quarto, do outro lado da cama de Krest. Caminhando em silêncio até ela, a jovem cruza seus braços, colando suas mãos aos seus cotovelos e mantendo-se desta maneira enquanto observa o radiante céu azul da manhã.

– Thoma... Onde você está...? Será que se esqueceu de mim como eu havia me esquecido de você...? – se questiona, em baixo tom, como se procurasse uma resposta proveniente de nuvens tão claras e calmas que navegam pelo céu.

Após a batalha contra Kazuya, Leona e Krest conseguiram retornar ao mundo real. Com a ajuda de algumas pessoas, Krest e tantas outras vítimas do ataque do escolhido do Olho do Milênio foram encaminhadas para o hospital.

Ao retornar para casa depois de tudo aquilo, a jovem encontrou Silver e os demais reunidos com Windany, Ren e Lanaly. Sequencialmente, o trio de convidados falaram para ela sobre suas hipóteses ao mesmo tempo em que Leona revelou ter recuperado parte de sua memória após uma estranha visão envolvendo Espíritos de Duelo em um templo antigo.

– Afinal, o que é tudo isso que está acontecendo? – se pergunta a jovem, ainda de frente para a janela e de olhos ao céu. – Eu sinto como se fosse uma trama muito maior do que a própria Guerra Milenar... Sinto como se tudo o que aconteceu comigo, todas as memórias que perdi e aquelas que ainda não recuperei... Posso sentir, posso ter a certeza de que...

Batidas à porta fazem com que, imediatamente, a possuidora do Colar do Milênio guarde o seu outro item milenar em sua bolsa sobre seu ombro esquerdo.

– Pode entrar. – diz, dando meia volta, direcionando-se para a porta.

– Com licença. – articula uma voz feminina assim que a porta se abre.

Luna Scipher e Valquíria Helkin, lado a lado, adentram pelo local, surpreendendo a funcionária de Midlucy Chief. O motivo da surpresa? O Anel do Milênio pendurado sob o pescoço da mais jovem presente.

– Gostou dele? – pergunta Valquíria, com um leve sorriso, fazendo Leona deixar de olhar para seu item enquanto seus olhares se cruzam. – Também gostei do seu, o famigerado Colar do Milênio...

De imediato, Leona se lembra da visão que teve quando ainda estava dormindo. Não uma visão, e sim um sonho premonitório, obviamente. Naquele sonho, a escolhida pela Anja Cibernética Vrash viveu a mesma situação: o momento de reflexões interrompido pela aparição de Luna e Valquíria. O Anel do Milênio também estava no sonho, mas vê-lo pessoalmente não deixa de ser surpreendente.

– Se estão envolvidas nesta guerra, não há razão para mentir, não é? – indaga Leona, com um sublime tom de voz. – Não é questão de gostar, mas sim de ter cada vez mais confiança nos poderes do meu próprio item milenar...

Ouvindo isso, Valquíria mostra-se um tanto quanto interessa em prosseguir com essa “estranha” conversa, mas antes que o faça, Luna se movimenta, aproximando-se da cama onde Krest está dormindo. Colocando-se perto dele e próxima da cadeira onde Leona estava assentada até a pouco, a sacerdotisa suspira profundamente. E articula:

– Saia desta guerra, Leona.

– Para evitar que eu me machuque e por respeito ao Krest, um aliado que pediu pelo meu bem estar, seria a minha desistência a melhor saída para tudo... – se pronuncia a possuidora do Colar do Milênio, atraindo para si outra vez os olhares das outras duas presentes. – Não perca seu tempo falando qualquer coisa. Eu já sei tudo o que você irá dizer.

– O poder dela... – reflete Luna, encarando-a seriamente. – Está crescendo e revelando os mais profundos nuances da habilidade do Colar do Milênio. E agora que ela possui o Olho do Milênio que era, originalmente, do Kazuya... Essa mulher vai se tornar um obstáculo perigoso para os meus planos... Não posso permitir que...

– Olha, eu gostaria, antes de tudo, de agradecer por ter se livrado daquele insuportável do Kazuya. – se expressa Valquíria, quebrando a linha de raciocínio de sua aliada, trazendo para si o olhar de Leona. – Seria um completo desprazer ter de enfrenta-lo eu mesma. No entanto, nem mesmo a proteção de Krest sobre você vai me impedir de chegar onde quero. Portanto, escute a voz da razão e...

Antes que a garota continue a falar, Leona começa a se movimentar, indo na direção da mesma. Em instantes, a escolhida por Vrash se posiciona a poucos centímetros da garota. Seus olhares permanecem conectados em um silêncio excruciante, qual se arrasta por um período que quase se iguala à uma breve eternidade.

– Eu já disse. – articula Leona, colocando sua mão esquerda sobre o item dourado em seu pescoço, selando suas pálpebras. – Perder tempo falando qualquer coisa é jogar energia fora, não acha? Afinal, eu já vivi isto graças ao meu Colar do Milênio. Além disso, mais do nunca... – de imediato, reabre seus olhos, exibindo um convicto e firme olhar para Valquíria. – E pretendo vencer esta guerra.

Desviando-se da pequena à sua frente, Leona caminha em direção à porta. Luna e Valquíria, então, apenas permanecem observando seu afastar.

– Não tenho nenhum tipo de rancor contra Krest. É meu amigo, apesar de tudo, uma pessoa muito querida por mim. Se possível, deixem isso claro a ele quando acordar. – solicita, de costas para a dupla, usando sua mão direita para girar a maçaneta e se retirar do local.

Então, Leona arregala seus olhos, afinal, algo inesperado surge diante de si. Ou melhor, leona surgirá diante de alguém inesperado...

– Você... – a jovem, surpresa perante Grimm Sadat, após sair do quarto e fechar a porta do mesmo.

– Os seus poderes lunares finalmente estão despertando, Leona Swords. – articula o homem de cabelos azulados. – Não é apenas o Colar do Milênio que está chegando ao seu pico de poder, mas você também.

– Poderes lunares? – indaga, um tanto quanto surpresa.

Por seu sonho premonitório ter se encerrado no momento em que saia do quarto, Leona jamais esperou que algo “importante” aconteceria após tal instante, tinha convicção de que nada mais ocorreria. Ter tamanha certeza elevou ainda mais a sua surpresa ao se deparar com alguém já conhecido por seus olhos.

– Sim. – confirma ele, mantendo as mãos em seus bolsos enquanto a fita atentamente. – Você teve uma revelação, não é?

De imediato, a mulher se lembra da visão que teve envolvendo aqueles Espíritos de Duelo, durante a batalha contra Kazuya. Antes que possa dizer um sim, Grimm continua com suas próprias palavras:

– Aquilo não foi projetado apenas pelo Colar do Milênio, mas sim pelo poder que existe dentro de você.

– Os tais “poderes lunares”? – questiona, curiosa.

– Correto. – ele confirma. – Você os possui, e finalmente estão se libertando. Agora não é o momento, mas ainda procurarei você para lhe contar toda a verdade por trás daquilo que você é por essência.

– Aquilo que sou por essência... – reflete Leona, se perdendo em meio ao oceano azul dos olhos de Grimm.

Suspirando, Leona fecha suas pálpebras. E determina:

– Seja o passado ou o futuro... Eu não irei fugir do meu destino.

Mantendo os olhos fechados, a funcionária de Midlucy Chief desvia de Grimm, seguindo por um corredor à sua direita. Enquanto se afasta, abre seus olhos, ciente de que o olhar do “azulado” está fixo em seu caminhar.

– Existem muitas coisas que eu preciso alcançar... – diz para si mesma, afastando-se cada vez mais. – E tantas outras que tenho de proteger. Portanto, nada nem ninguém irá me fazer desistir...

É quando a jovem para em determinado ponto, após dobrar o corredor em que estava. Olhando para todos os lados, é capaz de se deparar com vários funcionários do hospital se encaminhando para tantos outros quartos do estabelecimento. Seus pensamentos parecem se perder quando a jovem para pra pensar em todos os doentes, todos os feridos, todos os enfermos que estão aqui neste momento. Não apenas nisso, mas em toda a dor e sofrimento que pacientes e familiares podem estar sentindo no momento, a mesma dor que Krest pode estar enfrentando agora, a mesma dor que tantas outras pessoas poderão conhecer caso a Guerra Milenar continue avançando, cada vez, mais agressiva e violenta.

– Leona. – se expressa uma voz masculina, de alguém que passa por entre os funcionários do local, se aproximando da mesma.

Fechando seus olhos, colocando ambas as mãos sobre o seu Colar do Milênio, a jovem suspira profundamente, parada no mesmo ponto enquanto aquele sujeito que a chamou se aproxima.

– Leona? – insiste ele, ao parar a poucos centímetros dela, estranhando a forma de agir dela.

– Não precisa me dizer nada, Rokaro. Absolutamente nada. – articula a funcionária do Midlucy Chief, abrindo os seus olhos de modo lento e gradual, lançando seu foco sobre o rosto um tanto quanto surpreso do jovem. – O meu Colar do Milênio já me disse tudo o que sairá... Da sua boca.

 

/--/--/

 

Enquanto isso, na casa dos Swords...

 

– Kazuya, um vizinho da Leona... Participante da Guerra Milenar, escolhido do Olho do Milênio... – descreve Silver, assentado em uma cama no quarto em que ele passou as últimas noites na companhia de Natsu e Mansakiuy.

Ao lado direito do primo de Leona, assentada na mesma cama que ele, está Nicole. Paralelamente, de frente para os dois, assentados em outra cama, estão Mansakiuy e Natsu.

– Não apenas isso, né? – Natsu, por sua vez. – A cabeça dela deve estar uma loucura... Descobrir que o Krest também estava envolvido em tudo isso no meio de uma batalha... E ainda lembrar parte do próprio passado dela, que sempre esteve oculto.

– Me conte melhor sobre como ela entrou na família, Silver. – determina Mansakiuy, focando toda a sua atenção em Silver.

Por alguns segundos, o silêncio impera no recinto. Silver, com um semblante quase inexpressivo, dirige seu olhar para o questionador. Suspirando, abre seus lábios, declarando:

– Foi há dois anos. Meus tios estavam voltando do dojô em uma noite no fim de semana. Próximo da casa, desta casa, pelo caminho, encontraram uma moça desacordada. A princípio, acharam que ela teria sido assaltada ou sofrido algum tipo de violência, e por isso ligaram para a polícia. No entanto, ela não se lembrava de absolutamente nada além do próprio nome... “Leona”.

– Os Swords decidiram acolhe-la enquanto ela realizava terapia e outros procedimentos psicológicos e médicos para encontrarem alguma pista sobre o seu “problema”. – intervém Nicole. – Afinal de contas, é completamente anormal uma jovem com seus aproximados 18, 19 anos não se lembrar de nada além do seu primeiro nome.

– Mesmo assim, nada teve resultado. – articula Silver. – O pouco que ela se lembrou foi da sua idade, tinha certeza que possuía 20 anos na época. Nada mais. O pior era que nada tinha sido encontrado com ela naquela noite, além de nenhum vestígio de violência ou briga. Era como se ela tivesse vindo de...

– Outro mundo... – completa Nicole, levantando-se do seu lugar.

Ao perceber a expressão “estranha” de sua amiga, Natsu, lhe dirigindo o olhar, pergunta:

– Algum problema?

Assim como Leona, Nicole também foi adotada, mas por um cientista famoso do Japão. Apesar de se lembrar do seu próprio passado antes do dia em que ganhou uma nova família, o que a difere de Leona, a “esverdeada” acabou criando um laço forte com a mesma justamente por terem esse “algo” em comum. Apesar disso, apesar de saber que o laço entre elas cresceu cada vez mais forte com o tempo, Natsu...

– Nicole... – articula o jovem, encarando-a. – Você...

– Está pensando o mesmo que eu? – perguntam, juntos, Nicole e Natsu.

Mansakiuy e Silver, em meio a tal situação, alteram juntos seus olhares entre os outros dois presentes, mantendo o completo silêncio. Afinal, não fazem ideia do que está acontecendo aqui...

– O que foi!? – indaga Silver, quebrando o silêncio, inquieto com a situação.

– Natsu... – articula a “esverdeada”. – Eu me lembro bem que conheci você e, depois, a Leona através das aulas das minhas aulas de reforço. No entanto, eu não me lembro... – franzindo a testa, a jovem leva a mão direita para sua cabeça, como se tentasse se recordar de alguma peça perdida entre suas memórias. – Não me lembro de quando nos tornamos tão amigos...

– Hey, eu pensei o mesmo, quando você falou aquilo, agiu daquela maneira estranha... – pronuncia Natsu, se levantando também, mantendo-se de pé perante sua grande amiga. – Você se lembrou da sua própria história, não é isso?

– Qual história? – pergunta Mansakiuy, curioso.

Nicole, ao ouvir o questionamento do usuário do Enigma do Milênio, lança sua atenção sobre o mesmo. E, então, o próprio Mansakiuy se surpreende por, pela primeira vez, olhar bem dentro dos olhos da garota sem que a mesma demonstre inquietação ou hesitação. Pelo contrário, mais do que nunca, o olhar de Nicole está forte, convicto, certo de si.

– Eu fui adotada, mas diferente dela, eu sabia de toda a minha jornada até conhecer meu novo pai. No entanto, ele faleceu há algum tempo...

– Sinto muito... – lamenta Mansakiuy, sentindo-se culpado por tocar em um assunto, aparentemente, delicado para a jovem. – Eu não imaginei que...

– Não se importe. – ela o interrompe, mantendo seus olhares cruzados. – Eu superei a perda em algum momento... Mas...

– Nicole, sobre aquelas coisas que falou aquele dia, como se tivesse algo falando... – Natsu, por sua vez, atraindo para si a atenção dos demais presentes. – Sim, tem algo faltando... Coisas não se encaixam aqui.

– Mas que droga!! – reclama Silver, sendo agora quem se levanta, bem irritado, da cama, encarando tanto Natsu quanto Nicole. – Parem com esse papinho de enigma e desembuchem logo de uma vez!! Do que vocês estão falando!?

– Existe um vazio, como se as minhas lembranças sobre o crescimento da minha amizade com Leona fossem nebulosas e incertas. – explica Nicole. – Parando para pensar agora, de fato, eu não me lembro muito bem de quando nos tornamos tão próximas. Eu sei que ela estava comigo no velório do meu pai, eu sei que ela estava comigo durante minhas crises de angústia, mas...

– Eu também. – pontua Natsu, abrindo seus braços como alguém que tenta, em atônita agonia, se incluir na situação. – Eu só sei que somos amigos, grandes amigos... Mas o resto...

Suspirando, Nicole se assenta à cama outra vez, abaixando seu rosto e se esforçando ao máximo para recuperar alguma memória sobre o assunto. E falha...

– Não pode ser, isso é impossível. – determina ela, mantendo seu rosto baixo. – Não apenas sou incapaz de me lembrar, como nunca me dei conta de que não me lembrava...

– É como se estivesse aqui, mas ao mesmo tempo, não estivesse... – articula o outro grande amigo de Leona, assentando-se à outra cama também.

– Precisamos falar com o Ren e os outros. – afirma Mansakiuy, analisando tanto Natsu quanto Nicole. – Naquele dia, ele usaria o poder da Chave do Milênio para entrar na mente da Leona, mas devido a tudo o que houve no museu, tudo o que houve com Krest, ela preferiu descansar.

– Você está certo. – concorda a filha de um dos cientistas mais famosos do Japão, olhando para Mansakiuy, outra vez, com a mesma firmeza em seus olhos. – Precisamos entender tudo isso e...

– Kouran...? – a surpresa voz de Natsu quebra por completo a linha de raciocínio de Nicole.

Sendo a última a perceber a chegada de uma dos funcionários de Midlucy Chief, assim como todos já fizeram, a cientista presente no local cobre Kouran com toda a sua atenção. Antes que a amiga de Leona diga algo, Natsu se manifesta outra vez:

– Leona estava preocupada com você. – dirigindo a palavra para a recém-chegada. – O pessoal do Midlucy disse que você estava de licença por atestado. Pegou uma gripe forte, não foi...

O espanto de Natsu é suficiente para que o mesmo se cale. Até porque ver, bem aqui, uma carta entre os dedos da mão esquerda de Kouran, quando a mesma retira o braço de trás das costas, é de fato surpreendente. É quando todos os quatro percebem um sorriso inquietante estampado no rosto da garota, além de um estranho símbolo de luz surgindo na testa da mesma.

– Hoje é o dia em que as flores irão se vingar dos insetos. Lamento, mas... – se pronuncia Kouran, entre o vão da porta do quarto, retirando de trás do corpo a sua mão direita também, mostrando com ela o Cetro do Milênio. – Em um dia você é caça, mas em outro, pode ser o caçador...

 

 



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