História Mine Again - Capítulo 5


Escrita por: ~

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Categorias Michael Jackson
Personagens Michael Jackson
Tags Lisamariepresley, Michaeljackson
Visualizações 86
Palavras 2.794
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Romance e Novela
Avisos: Linguagem Imprópria, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Olá, to de volta. Espero que gostem.

Capítulo 5 - - Rebeldia adolescente.


Querida Michaela, o verão tem sido difícil sem você. Espero que suas férias estejam boas; Minha família não quis viajar esse ano outra vez. Enquanto junho/julho/agosto representam o calor, o descanso e a alegria para os outros, nós nos depreciamos. Junho, por ser o mês em que tudo aconteceu, julho por ser a adaptação e os problemas burocráticos que vieram junto e agosto por ser o aniversário de meu pai; isso por que a maioria cresceu sem comemorar datas.

De qualquer forma não há espaço para descontrair. Então aproveite o Hawaii por mim.

Achei que as coisas fossem melhorar pra todos nós já que no fim do ano terá o julgamento do médico que provavelmente será condenado; Mas, segundo meus tios, não ficará nem ao menos dois anos de trás das grades. Eles têm falado em processar a agência que organizaria a turnê e em brigar pelo poder do ‘’ espólio’’.

Não aguento mais ouvir esse assunto diariamente. Me faz mal, me faz pensar em coisas que não quero. Mas ninguém liga, ninguém liga para o que estamos sentindo. Parece que não ter poder sobre o dinheiro de meu pai é superior a preocupação que todo esse redemoinho pode causar em nós, filhos dele.

É como se ninguém ligasse para mim de verdade.

Sei que você não aprova e que ao longo do ano brigamos muito por isso, mas, peço que respeite, tenho me aproximado ainda mais do Oliver. É que desde que você mudou de colégio as coisas pioraram muito. A escola é um inferno, meu pai tinha razão. Só que Oliver me entende, todos eles me entendem e não ligam para o que acontece na minha vida. Nem ao menos questionam. São pessoas de bem com a vida, que a sabem aproveitar, se divertir e não ligam para nada além da própria vontade.

Quero ser assim. Serei assim e ao mesmo tempo sei que não consigo.

Já não sei se tenho esperanças que meu pai acorde. Ouvi falar que depois de seis meses em coma, a probabilidade de retorno é quase nula.

Bom, é isso; Quando tiver tempo me escreva, pediu para desabafar e eu fiz.

Beijos, Paris.

---x---

A menina terminou a escrita, seguindo em direção ao banheiro de sua suíte. Encontrou o espelho se auto analisando com detalhes. Há muito tempo sentia-se insatisfeita com o outro lado, mas naquela noite fingiria uma confiança que teria de puxar com toda sua força.

Uma confiança de mulher mais velha, como a que traria em sua identidade falsa no bolso da calça. Oliver havia lhe entregado ontem. Não era mais Paris Jackson de treze anos. Era Juliet Green, de vinte e um. Quando questionou o absurdo da diferença, Oliver respondeu que iriam há um lugar que não se importavam, apenas pediam a identidade por questão de burocracia.

Dos pés à cabeça, uma cor: Preto. Botas cano alto, saia, meias arrastão, blusa de manga longa, cabelo, maquiagem. Talvez pudesse mesmo aparentar vinte e um.

Ou uma prostituta.  

Tomou cuidado em escolher a camiseta. Assim como todas que usava ultimamente procurava ser o mais larga que pudesse para esconder os cortes em seu pulso. Fosse por faca, gilete ou qualquer aparelho. Havia começado no começo do ano, como uma maneira de extravasar seus sentimentos. E ajudava. Ao menos por alguns segundos. Desde então casacos eram seus melhores amigos, mas com a entrada do tempo quente, a situação começa a se complicar. Procuraria cobrir com maquiagem a partir de então.

O telefone apitou com a mensagem de texto que aguardou. Eram onze em ponto da noite no relógio.

Não pôde evitar as borboletas que criaram em seu estômago. Era a primeira vez que faria algo assim. Limpou o suor das mãos e respirou profundamente para acalmar a adrenalina. Foi até a janela tentando mapear a área. Os seguranças naquela hora preparavam-se para trocar de turno, por isso não havia ninguém em espreita. Desceu as escadas, em passos lentos para o térreo. A porta de emergência, na cozinha, era silenciosa. Ao contrário da barulhenta da entrada. Ao ver se no quintal, o último passo fora subir em uma árvore e alcançar então o muro.

Quando se viu ali em cima, vinha a parte mais complicada: Pular.

Mas bastou ver a figura de Paul com os braços esticados para apanhá-la, que tomou tranquilidade outra vez. Paul era melhor amigo de Oliver. Era atlético, forte e deveria ter quase dois metros.

O pequeno corpo de Paris caiu aos braços do rapaz como uma bola de futebol.

Esperavam: Oliver, Paul e Gina. O trio de valentões, problemáticos da escola que agora eram sua companhia.

Correram assim que ele a apanhou. O carro com o restante do grupo a aguardavam na esquina.

---x---

DUAS HORAS DEPOIS.

Nem ao menos sabia o que o dj tocava ou ao que acontecia ao seu redor. Não era capaz de atentar a nada que não fosse os movimentos do próprio corpo pela pista. Perdera noção da quantidade de vezes que levou a identidade falsa até o barman exigindo outra dose.

A primeira foi medrosa. Mas a cada virada sentia-se mais inclusa ao grupo e mais parte do ambiente.

‘’ Não quer parecer uma careta, não é?’’ Oliver riu ao vê-la hesitante se ingeria ou não.

Não. Definitivamente não queria. Aceitou tudo. Aceitou desde a primeira vodka, até a maconha e agora a curiosa bala que a fez querer levantar e dançar por toda a pista.

Mexia o corpo sem muita noção do que estava fazendo, apenas balançava deixando-se levar. Ao seu lado, apesar da visão estar turva conseguia identificar os amigos, já tão chapados quanto ela.

Ria para o nada, sentia tudo rodar e nem ao menos ficava enojada. Era como se houvesse sido transportada para outra realidade. Na qual gostava bem mais.

Aos poucos cada vez mais longe, a interrupção do fim de uma música para o começo de uma, de dois segundos, pareceu inexistente. Era como se tudo fosse conectado, mas com a entonação da seguinte canção ecoando pelo cômodo, Paris sentiu-se sendo traga de volta.

Reconhecia a voz que vinha do alto. Era seu pai.

Parou.

Olhou para os lados, dessa vez girando atônita, procurando. Ainda sentia-se drogada, mas era como se o efeito houvesse paralisado um tanto.

- Pai? – Perguntou para o nada, ainda girando. – Pai? – Mais alto.

Ouviu alguém rindo. Gina.

- Tá dormindo ainda. Calma que é só uma música dele. – Ironizou.

- Vai que se a gente pedir thriller o homem sai do coma. – Paul rebateu, causando mais risos.

Para Paris era como se fosse incapaz até mesmo de se atentar ao que diziam. Continuou vasculhando ao redor, com a vista. Sua mente o chamava ‘’ Pai? Você está aí?’’. Mas nem ao menos conseguia falar.

Aos poucos foi cambaleando para longe do grupo e mais próximo de uma parede. Os outros estavam muito dentro do efeito das pílulas para a verem.

Colocou a mão na cabeça, sentindo a consciência voltar. Foi consumida por uma pontada em seu crânio, implorando por um travesseiro. Já ouvia Michael melhor. Conseguindo captar rock with you saindo da cabine do DJ.

Suspirou já sem vontade de mais nada. Queria ir embora; Veio para tentar fugir dele, fugir de sua vida e o encontrou.

Aproximou-se de um homem perto de si.

- Moço onde é o banheiro? – Coçou os olhos, ainda levemente turvos.

Ele percebeu sua tontura.

- É aqui perto. – Disse educado. – Você parece mal. Tá tudo bem? – Sem resposta, Paris encarava o chão. – Vem, vou te levar até a porta. Senão vai cair no meio do caminho.

Sem reclamações, a menina permitiu ser guiada. Atravessaram alguns corpos mais zonzos que o seu próprio, chegando a um local mais distante do que imaginou para um banheiro de boate onde as pessoas provavelmente teriam que correr o mais rápido e perto possível para vomitar.

Mas era sua primeira vez em um lugar assim, o que poderia saber?

Parou para se atentar ao homem. Vestia jeans, camisa polo e uma jaqueta por cima. A aparência era bem mais velha do que o que conseguiu enxergar agora com a luz clara do corredor e não as fumaças da pista de dança. Grisalho, com barba e aparentemente uns trinta e oito anos.

Pararam. Olhou em volta, não havia ninguém. O movimentado lugar agora estava há pelo menos dez metros atrás;

- É aqui? – Franziu o rosto. 

Pararam em frente a uma porta branca. Paris atentou rapidamente a placa que só conseguira ler com a proximidade. Nisso, o homem já estava com a mão na maçaneta.

‘’ Armário de faxina’’.

Antes que pudesse protestar, sentiu-se sendo empurrada com força para dentro. O choque foi tamanho que não houve tempo para grito. Nisso, a palma de uma mão pressionou-se contra sua boca impossibilitando a ação.

Debateu-se, socando o peito do rapaz que a pegou no colo levando-os até uma parede.

- Fica quieta. Fica quieta, vagabunda. – Rosnou, com a voz engasgada.

A saia facilitou, o homem a levantá-la. O empecilho da meia calça fora rasgado ainda com uma mão. Paris sentiu as lágrimas virem, enquanto a boca ainda era tampada. A pouca luz da sala apertada a impedia de vê-lo, mas a proximidade de um rosto contra o outro a fazia sentir a raiva dele em seu ato.

Chorou sem piedade de sua maquiagem. Em sua mente, o desespero de uma reza para que a porta fosse aberta, para que sentissem sua falta e a procurassem.

Mas não. Ao ouvir o barulho do cinto dele ser tirado, viu que não teria mais saída.

- NÃOOOOO. – Gritou, sendo abafada por aqueles dedos e até a própria fragilidade de sua própria voz.

Já não tinha mais forças.

---x---

INGLATERRA.

- E então ela ainda teve a coragem de insinuar se eu tinha engordado. – Disse Priscilla, repetindo a história como se fosse o acaso mais importante do mundo. Lisa rolou os olhos, sentindo-se sonolenta. – Mas quem ela pensa que é ainda por cima? Sendo que desde a última vez que nos vimos ganhou quase que cinco quilos. Eu, nem em gravidez, tive tanto peso. Palhaça. – Continuava a reclamação.

Lisa mirou o marido do outro lado da mesa de jantar. Ao contrário dela, Michael parecia divertido com as anedotas da sogra, mesmo se fosse para mais tarde fazer piada da personalidade caricata dela. Eles tinham humor ácido parecido, opiniões iguais e quando vinha da América para os visitarem conversavam mais entre si do que com a filha.

Não podia dizer-se frustrada com isso. Afinal, hoje em dia era mais próxima da mãe do que em muitos anos. Sempre fora complicado criar uma ligação entre as duas, em razão principal pelas personalidades distintas e consequências de sua adolescência rebelde. Desde que se mudou para fora do país e Priscilla continuou nos Estados unidos, a mãe a vinha ver no verão e ela ia para os natais de Graceland.

Mas desde esse isolamento dos amigos e de Hollywood em si, sentia falta de alguém para falar. Então quando Priscilla vinha, conversavam. O problema era em momentos como aquele quando a superficialidade da mãe vinha à tona. Nessas horas não conseguia evitar lembrar da relação que tinham antes e de como era difícil lidar com aquele lado dentro de si.

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JULHO 1994. HIDDEN HILL, LOS ANGELES.

 

Olhou para cima, ao ver uma sombra sendo posta em sua fronte. Um lenço branco. Preparou para questionar a razão para ele lhe oferecer tal pano, mas ao se atentar melhor em sua pele percebeu que escorria uma lágrima de seus olhos.

Droga. Xingou-se mentalmente. Percebendo a expressão envergonhada dela, Michael sentou-se ao seu lado no sofá e ele mesmo a enxugou os olhos.

- Não precisa ficar brava por ter chorado. – A confortou.

- Me irrita me abalar por ela, me irrita.

Michael terminou de secar seu rosto, trazendo para seu peito em seguida. Deitaram-se no sofá observando o silêncio até Lisa se acalmar.

- Quer me contar o que aconteceu?

Lisa afundou o rosto no peito dele.

- Não. Não quero repetir pra você as coisas horríveis que ela falou. – Não queria mesmo. Já imaginava que a mãe reagiria daquela maneira. Pela primeira vez desde seu casamento surpresa, a foi visitar. - Às vezes acho que ela me odeia, que detesta tudo que eu faço. Não importa o que seja.

- Bom, nesse caso a gente não pode culpar ela. Foi um casamento escondido e.... Bem, comigo. – Tentou apaziguar as coisas, colocando certa melancolia em falar ‘’ comigo’’.

Lisa o encarou.

- Isso é muito antes de você. – Dessa vez ela o confortou. – Minha mãe é o tipo de pessoa que não queria uma filha, queria um clone. Ela queria planejar a minha vida toda, queria que eu seguisse todo o futuro de menina brilhante e prendada que preparou pra mim. – Confessava, sendo atingida por memórias de sua infância. – Alguém que suprisse as expectativas dela e que a visse como espelho. Eu sou uma boneca de pano, mais nada.

Michael surpreendeu-se com a coragem dela para falar. Já haviam tido outras conversas sobre Priscilla, onde Lisa lhe contava certas coisas, mas essa era a primeira vez que falava sobre o que sentia.

- Mas essa frustração deve ser dela. Não tem que ser sua. Foi ela quem colocou essas expectativas, não você. Provavelmente vieram antes mesmo de você nascer.  – Lhe apanhou pelo rosto, depositando um beijo na testa. – É uma mulher adulta, independente. Agora vai se culpar por ser quem você é?

Lisa sorriu para ele.

- Depende. – Fingiu um tom de malicia. – Você gosta de quem eu sou?

Em resposta, Michael elevou a mão que carregava a aliança ao redor.

- Eu amo. – Disse sem hesitar, assumindo o tom humorado em seguida. – Mas me responde uma coisa. Eu não sou um tipo de vingança de adolescente rebelde contra a mãe, não é? – Gargalharam juntos. – Do tipo ‘’ ah é, mãe. Não gosta dele, então eu caso’’.

Lisa fingiu uma expressão de pensativa, arrumando-se para sentar sob o colo dele.

- Acertou. Agora se me dê licença, preciso descontar toda a minha frustração rebelde de adolescente problemática bem na sua boca. – Deu sua última dose de sarcasmo antes de beijá-lo.

--x—

LOS ANGELES, CALIFÓRNIA.

Ao finalmente encontrar a porta, Paris esticou o corpo estalando todos os ossos possíveis de sua coluna. Sentia bolhas em seus pés. Os amigos não estavam em condições de abandonar a diversão e continuaram na dança. Teve de andar até encontrar um táxi.

Sentia-se completamente seca de sentimentos. Nem ódio e nem dor. Os seguranças nem ao menos a perceberam entrar, estavam cochilando.

Uma dor no meio das pernas fazia-se mais forte a cada passo que dava. Não lhe sobravam mais lágrimas.

No relógio, aproximava-se das três da manhã.

- A noite foi boa, heim. – Prince falou tão debochado quanto decepcionado. Assim como ela, frio como uma pedra.

- Não enche. – Continuou subindo os degraus da escada.

Correu para alcança-la.

- Vi você pulando o muro. – A prendeu pelo braço. A esperou na sala desde então. Sem fazer barulho, sem ligar a televisão. Só aguardando no escuro; Há um bom tempo notava um comportamento distinto na irmã. – Onde estava? – Perguntou firme.

- Você não é o papai. Não pense que pode cuidar de mim.

- Como se ele tivesse cuidado de você. Se realmente se importasse com você ou comigo, não estaria em coma agora. Então agradeça por eu estar cuidando de você. Por ter alguém finalmente fazendo isso.

Paris franziu as sobrancelhas, confusa.

- Do que está falando, seu idiota?

O irmão riu sem humor.

- Já parou pra pensar que estamos onde estamos por culpa dele mesmo? do orgulho dele, da teimosia. – Paris o encarou enojada. – Ele é o único culpado disso tudo. Então antes de agir aí como uma adolescentezinha rebelde frustrada, pelo menos faça por alguém que valha a pena. – Saiu, pisando forte a cada passo que dava.

Reflexiva sob as palavras do irmão e a situação de mais cedo, Paris correu em seguida de volta para o ninho que chamava de quarto. Não, não queria aceitar. Não queria nem pensar naquela probabilidade.

Seu pai ligava sim. Tinha certeza daquilo. A explosão de sua mente pela quantidade de coisas em tão poucas horas a fez querer explodir.

Não aguentava mais. Se o irmão estava certo, então por que continuar? Nem ao menos quem mais amava se importou.

Trancou a porta do banheiro. Aquela seria a última vez que se deixava abalar então.

Ele não importou com você. Outra vez, ouviu a voz de Prince. Agora parecendo até mais com a sua própria.

Apanhou a gilete sem medo e respirou aliviada pela probabilidade de encerrar toda aquela bagunça de vez. Não se cortaria para se machucar e colocar sua dor em si mesma temporariamente.

Faria para não acordar mais.

 



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