História Mischance - Capítulo 6


Escrita por: ~

Postado
Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens J-hope, Jimin, Jin, Jungkook, Personagens Originais, Rap Monster, Suga, V
Tags Bangtan Boys, Bts, Drama, Hoseok, Jimin, Jin, Kook, Lemon, Namjin, Namjoon, Romance, Taehyung, Vhope, Yaoi, Yoongi, Yoonmin
Visualizações 851
Palavras 4.190
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Colegial, Comédia, Drama (Tragédia), Ecchi, Fluffy, Lemon, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo, Violência, Yaoi
Avisos: Álcool, Estupro, Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


GEEEENT
Eu super caprichei no tamanho desse capítulo e espero que vocês gostem sz 🌚
E pra ser sincera eu ainda queria escrever mais, no entanto resolvi deixar um pouco de treta pro próximo capítulo asuhshdhdhd
Okaaay vamos lá
Boa leitura e até as notas finais ♥

Capítulo 6 - Eu Sou Gay


Fanfic / Fanfiction Mischance - Capítulo 6 - Eu Sou Gay


Yoongi deslizou sua mão pelo braço de Jimin, sentindo seus músculos, cobertos pelo fino tecido de sua camiseta. Sentindo também a palma de sua mão, pálida e quente. Que envolvia seu punho num leve aperto.

Yoongi queria confortá-lo, mas não sabia como, ele era péssimo nisso. E se sentia um inútil ao perceber que Jimin tremia, num choro fraco, abraçado contra si, e que ele não poderia fazer nada para ajudá-lo nisso.

Aquilo que ele sentia não era uma dor momentânea, era um trauma, que não parecia ser fraco ou passageiro.

E Yoongi o entendia, como ninguém.

Entendia como era se sentir tão atordoado e perdido, sendo bombardeado por julgamentos e nunca por respostas. Se trancando em seu próprio sofrimento e deixando sua alma abandonada ali, naquele velho casulo, do qual praticamente ninguém teria acesso.

Mas por um momento Yoongi estava tendo acesso àquela parte, aquele lado que a todo custo Jimin tentava esconder. Aquele do qual o Park poderia se mostrar mais frágil do que aparentou inicialmente.

 

O loiro só não sabia o que fazer diante daquilo.

Talvez só o silêncio já fosse o bastante…

— Não quero que tenha dó de mim. — O Park murmurou contra o ombro de Yoongi. Fungando baixo e parando, aos poucos, de chorar. — Simplesmente esqueça. — Jimin se afastou de supetão, dando dois passos zonzos para trás e com rapidez secando as lágrimas que brilhavam em seu rosto. E então ergueu os olhos, encarando o loiro a sua frente, como se nada daquilo tivesse acontecido. — Finge que nada disso aconteceu. — Avisou, virando-se em direção a porta e pronto para e sumir dali.

Não queria se rebaixar mais do que já tinha feito.

— Por que você é assim? — Yoongi indagou raivoso, observando o ruivo de costas pra si. Tal que havia cessado os passos.

— Assim como? — Riu, sem humor algum. Como se tivesse debochando de si próprio. — Fraco?

— Não. — Yoongi respirou fundo, pensando bem em que palavras deveria usar. — Você simplesmente não quer ser você mesmo. Fica a todo momento se escondendo nessa sua falsa máscara e esquece de demonstrar quem verdadeiramente é.

— Esse é meu eu verdadeiro. — Virou-se bruscamente, encarando Yoongi com raiva no olhar. — Uma pessoa que não liga pra ninguém, uma pessoa pronta pra vencer e…

— Não tente me enganar. — O Min abriu um singelo sorriso arqueado. — Eu sei que por trás desse “Jimin O Maioral” existe alguém de verdade. Alguém que se importa. Alguém humano.

— Esse é só meu lado fraco. — Sentiu seus punhos se fecharem, com força. Era como se Yoongi estivesse expondo suas fraquezas e ele ao menos pudesse se defender.

— Mas eu prefiro esse lado. — Deu de ombros. — Você tem que entender que ninguém é perfeito vinte e quatro horas por dia. Todos nós temos defeitos, cicatrizes e lembranças ruins. Não somos robôs. Temos sentimentos.

— E por que está falando isso pra mim? Você ao menos se importa. Na verdade eu acho que seu único objetivo aqui foi bagunçar a minha vida e estraga-la. E parabéns. — Bateu palmas, ironicamente. — Você conseguiu.

— Você ainda não se tocou? Desde o começo quem se meteu em meu caminho foi você, eu só queria seguir minha vida normalmente igual vinha seguindo há anos. Mas “você” se intrometeu. Você “buscou” confusão. E mesmo assim ainda insiste em me culpar? — Levou a mão aos fios de cabelo, enterrando seus dedos ali e remexendo em suas mechas, encarou o teto e então riu. — Você não é nem homem o suficiente pra assumir seus erros e derrotas que precisa jogar tudo isso sobre outra pessoa pra se sentir um pouco mais livre.

— Chega! — Gritou possesso de raiva, talvez porque Yoongi estivesse certo demais, e ele não quisesse admitir isso. — Simplesmente esquece tudo okay? Finge que nunca nos conhecemos e pronto.

— Eu até tentei, mas parece que para todos os cantos que eu corro você vem de encontro a mim. Agora foi essa história com o Jungkook. E se eu fugir mais uma vez? O que vai acontecer?

— Não fala dele. — O olhar de Jimin se tornou mais obscuro e ele massageou de leve a lateral da cabeça, como se aquele assunto trouxesse a si uma forte dor de cabeça.

— Então okay. — Yoongi Mordeu os lábios de leve e se aproximou do ruivo. — Nunca nos vimos antes, nunca tivemos essa conversa, simplesmente nada aconteceu. — Murmurou devagar, calculando cada palavra. — Então prazer. — Estendeu a mão. — Min Yoongi.

Jimin riu nasalado, não acreditava que Yoongi estava fazendo aquilo.

— Prazer, Park Jimin. — Apertou a mão do loiro e sorriu para o mesmo.

— Vamos tentar não odiar um ao outro agora?

— Eu vou tentar. — Jimin respondeu, ainda risonho.

— Agora me escuta. Eu não quero roubar sua popularidade, eu não quero saber de nada disso, não quero ser um novo Park Jimin pra esse colégio. Mas tenta não se ligar muito a isso. — Falou. — Você é muito mais que um simples status.

— Hm. — Jimin encarou o chão, pensativo.

Não é como se fosse tão fácil… Ele se sentia inteiro quando tinha atenção das pessoas, mesmo que de forma tão fútil.

— Agora vou sair por aquela porta. — Yoongi avisou. — E eu vou fingir que a única que eu sei sobre Park Jimin é seu nome.

— E eu farei o mesmo. — Murmurou, soltando sua mão da de Yoongi.

— E agora faremos de tudo para não interferirmos no caminho um do outro.

— Certo. — Jimin concordou e sem mais palavras Yoongi rumou até a saída, abandonando tudo que sabia em relação a Jimin.

E o ruivo tentou fazer o mesmo.

Tentou.
 




— Bem vindo Sr. Park. — A velha empregada, de cabelos grisalhos e marcas de idade pelo rosto atendeu a porta principal com um belo sorriso no rosto, cumprimentando o filho de seus patrões, porém como sempre Jimin apenas passou reto, rumando até seu quarto.

Mas antes que alcançasse as escadas uma voz grossa e rouca lhe chamou a atenção.

— Jimin, venha até aqui. — O ruivo virou-se em direção a pessoa que falava, encontrando a figura de seu pai, sentado elegantemente sobre a poltrona da sala de estar.

Jimin sentiu uma péssima sensação com o olhar sério que seu progenitor mandava em sua direção.

— O que houve? — Perguntou, com a voz trêmula. — Normalmente neste horário você estaria trabalhando. — Se aproximou, notando então a empregada fugindo dali para a cozinha, afinal o clima havia ficado pesado demais.

— Eu, juntamente a sua mãe, queríamos ter uma conversa com você. — Cruzou os dedos e então ergueu a sobrancelha. — Uma conversa séria. — Sua voz soava grave e ameaçadora.

— O q-que houve? — Jimin engoliu em seco e sentiu o medo travar seus membros, o deixando paralisado no meio daquele gigantesco cômodo. Encarando o olhar voraz e amedrontador de seu pai.

— Siga-me, vamos até seu quarto, lá será mais tranquilo e não teremos a intromissão de empregadas irritantes. — Olhou de canto para uma funcionária, que parecia bastante atenta a conversa e mesmo tentando parecer invisível era fácil a percepção dela ali, escondida próxima a porta do corredor. — Aliás você está demitida. — O Sr. Park murmurou para a empregada, que era possivelmente novata, afinal Jimin nunca havia visto aquela menina. E então o pai do ruivo caminhou até as escadas, esperando que seu filho o seguisse e assim se fez, ambos ignorando a menina alarmada.

Quando Jimin chegou frente a porta de seu quarto e a abriu, ficou surpreso por já encontrar sua mãe ali, sentada sobre sua cama. Encarando um simples porta-retratos que anteriormente estaria empoeirado sobre a estante de Jimin, ela observava com atenção a foto dele, junto a ela. Os dois abraçados e sorrindo.

Era uma lembrança antiga… Mas feliz.

Uma época em que seus pais eram separados, uma época boa que ele não soube aproveitar.

Então suspirou, caminhando até sua mãe e sentando-se ao seu lado.

— Vamos, digam-me o que aconteceu. — Encarou os dois.

— Nós dois já sabemos de tudo. — Seu pai se pronunciou após longos segundos de silêncio, que mais pareciam horas. — E só queríamos te deixar avisado sobre algumas coisas.

— Do que está falando? — Jimin juntou as sobrancelhas, numa expressão imersa em confusão.

— Filho, ouvimos falar que o filho dos Jeon veio morar nesta mesma cidade que a nossa. — A mãe murmurava num timbre baixo e doce, mas que não deixava de ser direto. — E que ele ingressou na escola onde você estuda atualmente e…

— E que se você voltar a sequer olhar para aquele moleque nós teremos de tomar medidas drásticas. — Seu pai cortou a fala da esposa e tratou de ir direto ao assunto, sem rodeios. — Estamos entendidos? — Se aproximou do filho e agarrou o rosto do mesmo com força, o fazendo encara-lo.

— S-sim. — O ruivo sentia-se prestes a chorar. Como se voltasse a ser a criança medrosa de antigamente, sendo atingida por diversas regras da família tradicional, sem nem mesmo entender muito sobre aquilo.

Naquela época ele só pretendia ser feliz e livre.

Mas suas asas foram cortadas violentamente, o impedindo de voar, e fazendo-o decair, até alcançar o chão, onde se encontrava até hoje, impossibilitado de levantar e voar novamente.

Depois daquele acontecimento sobre sua sexualidade seus pais reataram o relacionamento, o que sempre foi um desejo de Jimin.

Mas agora ele sentia o peso que aquilo proporcionou em sua vida.

E o que ele pensou que juntaria sua família acabou se tornando o motivo de separá-los por completo.

Ele não lembrava-se da última vez que abraçou o pai, ou quando recebeu um “eu te amo” vindo de sua mãe.

Riu ironicamente, por dentro.

Ele nem mesmo via seus pais frequentemente.

Jimin se sentia só… Preso em sua própria jaula.

— Ficaremos de olho em você. — O pai ameaçou, soltando o rosto do filho.

De repente o quarto se submeteu a um silêncio desconfortável, fazendo Jimin navegar em pensamentos e lembranças, que inundavam sua mente e o deixavam mais confuso do que já estava antes.

E então as palavras que trocou com Namjoon aquela manhã vieram a tona, o despertando de um transe, e acordando uma coragem em seu peito, antes adormecida.

 

Ele havia sido covarde demais por toda sua vida, e talvez a culpa do que acontecia atualmente a si fosse unicamente… Dele, que sempre fora incapaz de se impor perante sua família.

 

Mas estava cansado disso.

 

Havia chegado a hora de tomar alguma atitude.

 

Ele engoliu em seco e soltou tudo que estava preso em si, sem nem mesmo pensar nas palavras que usaria.

— Eu só quero… — Jimin começou baixo, pronunciando-se quase num sussurro, mas do qual seus pais puderam ouvir bem. — Quero saber qual o problema de eu me envolver com Jungkook? — Ergueu o rosto, encarando o olhar de seu pai com uma coragem que ele nunca pensou que o preencheria.

Naquele momento ele se sentia dono da própria vida. E não um simples animal a ser adestrado.

Era como abrir as asas pela primeira vez depois de anos.

— Quer mesmo que eu responda? — Riu debochado, cruzando os braços frente ao peito. — Eu não quero um viado na minha família e se você quiser dar a bunda pra aquele moleque que faça isso longe de mim! — Ralhou. — Não more debaixo do meu teto, não coma da minha comida e não olhe nos meus olhos.

— Ser gay não é errado. — Jimin grunhiu, raivoso, tentando fazer seu pai entender tal coisa, o que parecia extremamente difícil.

— Ser pecador é! Se quiser ir para o inferno que vá sozinho e não leve uma família de verdade contigo.

— Família de verdade? — O ruivo riu com diversão. — Isso é uma família de verdade pra você? — Abriu os braços, olhando ao redor. — Minha mãe nem mesmo pode se intrometer na conversa, pois tem sempre que te obedecer como um cachorrinho medroso. Eu, você nem mesmo parece considerar como um filho, fica fora de casa por dias e parece que só sabe ligar pra minha sexualidade! — Gritou, já sentindo lágrimas mancharem sua visão. — E quer saber? — Se ergueu, aproximando-se do pai e o enfrentando frente a frente, com o olhar a altura. — Eu sou gay mesmo. E não a nada que você possa fazer para mudar isso.

— Saia daqui querida. — O homem pediu, encarando sua esposa, que com uma expressão angustiada se afastou de ambos saindo do quarto, e assim que a porta se fechou o punho do pai de Jimin voou em direção ao seu rosto, acertando-o em cheio.

E ele não teve reação alguma diante daquilo, apenas perdendo o equilíbrio e caindo contra o chão. Sentindo um forte impacto em sua cabeça.

E antes que ele ao menos pudesse voltar a abrir os olhos foi bombardeado por chutes, que o acertaram em todas as direções, até mesmo em áreas já doloridas, pela recente briga com Yoongi.

— Isso é pra você aprender a me obedecer moleque insolente! — Desferiu um forte chute em seu estômago, fazendo-o cuspir sangue e soltar um alto resmungo de dor. — Acho melhor pensar duas vezes antes de manchar minha imagem, pirralho. — Agarrou o cabelo ruivo de Jimin com força e ergueu seu rosto, deixando seus olhos frente aos do filho, e com um riso de escárnio ele cortou o breve silêncio que se instalara ali. — Você é um lixo. — Cuspiu sobre o rosto de Jimin. — Eu tenho vergonha de ter um filho como você. — Empurrou a cabeça do Park contra o chão, com uma força descomunal. — A partir de agora eu farei da sua vida um inferno e talvez assim você aprenda a me respeitar e escutar o que eu digo. — Levantou-se, ajeitando seu terno e olhando para o filho com uma expressão de puro nojo. — Por hoje você vai ficar aqui, trancado nesse quarto. E não receberá nenhum tipo de cuidado, sem refeições e sem água.

— Você não pode fazer isso comigo. — Jimin falou com dificuldade e ao tentar se levantar foi surpreendido com um forte chute em suas costas. E mais sangue escorreu por entre seus lábios, manchando o chão abaixo de si.

— Deixe eu terminar de falar. — Grunhiu. — Vou também tirar qualquer meio de comunicação que você tenha, então diga adeus ao seu celular. — Caminhou pelo quarto, procurando qualquer tipo de objeto eletrônico que Jimin possuía e quebrando todos ao meio.

Jogou os restos do aparelho contra o corpo do filho e empurrou o computador em direção ao chão, com ferocidade, vendo-o se estraçalhar em vários pedaços.

E só ficou satisfeito após ter destruído tudo.

— Amanhã você vai de casa para escola e da escola para casa, e se me desobedecer, já sabe o que te espera. — Pegou a chave guardada em seu bolso e rumou até a porta do quarto, saindo dali e trancando Jimin naquele cômodo.

O abandonando, caído em meio ao seu próprio sangue e lágrimas.





As luzes de seu quarto estavam apagadas e a única iluminação que provinha dali era o brilho da lua que invadia o cômodo através da janela de vidro, que se mantinha fechada.

Jimin estava por ali, escondido em um canto da parede, abraçando os próprios joelhos e mantendo o olhar fixado no chão e os pensamentos perdidos.

O único som que provinha daquele lugar era a respiração pesada do ruivo, que já havia parado de chorar após algumas horas imerso naquele cubículo solitário, tentando ignorar a própria dor.

Sua barriga vez ou outra roncava, implorando por comida, que não lhe era concedida, assim como seu pai já havia ditado. Sem alimentação, sem água, sem nada…

A única coisa que sentia naquele instante era o gosto de ferro que ainda preenchia sua boca, por conta do sangue, que já havia parado de escorrer, mas que ainda marcava sua pele e roupas.

E a dor. Ela era forte, e por mais que o Park insistisse em ignorá-la a todo o instante o silêncio fazia questão de lembrá-lo.

Afinal ela estava presente e queria se fazer notada.

Mas não só a dor física… Pois seu corpo poderia ter parado de sangrar, mas sua alma não.

Ela ainda jorrava, lágrimas e berros.

E fechando os olhos com força, engolindo em seco e segurando suas lágrimas. Ele sentia novamente aquela sensação…

Solidão.

E o fato de ser aquilo que sempre desprezou.

Um fracassado…

Estava totalmente alheio a tudo quando pode ouvir um ruído de passos se aproximando pelo corredor, e seu corpo tremeu só com a possibilidade de ser seu pai novamente.

Jimin tentou se levantar, mas seu corpo cedeu, caindo sentado sobre o chão, e mesmo que ele tentasse não poderia fugir.

O som de chaves se fez presente e em poucos instantes a porta foi aberta, aumentando os batimentos de Jimin, tais que aceleraram demasiadamente pelo medo que transcorria em suas veias.

Mas tudo isso se esvaziou num simples suspirar ao observar a pessoa que adentrava o quarto silenciosamente.

Sua mãe.

Que trazia consigo um prato de comida juntamente a uma garrafa d’agua.

E isso fez os olhos do Park brilharem, ele nunca se sentiu tão feliz quanto naquele instante… E por algo tão simples.

A mulher fechou a porta e aproximou-se do filho com um doce sorriso no rosto. Mas sua expressão não o enganava, ele podia, de longe, enxergar a dor estampada com clareza em seu olhar.

Era difícil ver seu filho naquela situação, e Jimin se sentia bem ao saber que ela ao menos se importava…

— Eu trouxe isso para você. — Sussurrou, deixando o prato e a garrafa sobre o chão, ao lado do ruivo, que sorriu abertamente para sua progenitora. — Eu te amo meu filho. — Murmurou, com uma única lágrima escorrendo pelo seu rosto. — Eu prometo que vou fazer algo, não vou deixar que seu pai te trate desta forma. — Ajoelhou-se na frente de Jimin e se aproximou, depositando uma simples selar em sua testa.

— Eu também te amo mãe. — Abraçou o frágil corpo da mulher com força, e sentiu que ali realmente era o melhor lugar do mundo e não se importaria em viver naquele abraço pelo resto de sua vida.

Lágrimas voltaram a escorrer pelo rosto de Jimin. Lágrimas de felicidade.

— Vou cuidar dos seus ferimentos. — Ela deslizou a alça da bolsa que pousava em seu ombro e a colocou sobre o chão, abrindo a mesma e retirando dali alguns itens necessários para os machucados do menino. — Sei que vai doer um pouco. — Levou a mão até suas mechas ruivas, às bagunçando. — Mas também sei que meu filho é muito forte. — Abriu um sorriso aconchegante, daqueles que Jimin tanto gostava. E que fazia tempos que não via.

— Sim. — Sorriu fraco. — Eu posso aguentar tudo quando estou ao seu lado mãe, posso até ser mais forte do que realmente sou.

— Nunca se subestime. — Pediu ela, acariciando o rosto do filho e secando as lágrimas que desciam pelo rosto dele. — Agora deixe-me cuidar de seus machucados. — Lembrou-se, entre risos, pegando algumas pomadas e retirando a camiseta do filho, para observar que estragos o pai dele havia feito.

Ela se recusava a enxergar aquele homem como marido depois de presenciar tantos atos monstruosos. Mas sempre fora medrosa demais para acabar com tudo aquilo.

Porém, a partir de agora, ela prometia ser mais forte e corajosa. Prometia ser a mãe que seu filho tanto gostava na infância.

Aquela mesma mãe que morreu quando decidiu que uma sexualidade seria mais importante que o amor.

— Me desculpe filho. — Ela decidiu que já passava da hora de pedir perdão, mas para ser sincera nunca seria tarde para fazê-lo.

— Não precisa d-disso. — Ele gaguejou, mordendo o lábio inferior e contendo um gemido de dor ao sentir a mulher passar a pomada sobre os ferimentos. — Eu entendo tudo o que fez, e o que foi forçada a fazer. E só de estar aqui comigo, agora, já é o bastante para mim.

— Eu vejo que você já se tornou um homem. — Ela sentia-se bem com aquilo, mesmo sem os pais para guiá-lo ele parecia ter seguido o caminho certo.

— Na verdade ainda sou imaturo demais. Sou insignificante demais. — Suspirou. — Eu faço coisas horríveis com os outros, e na frente deles finjo ser alguém que não sou. — Recordou-se das palavras de Yoongi. — Sou mais fútil do que imagina.

— Eu não me importo com o que fez há dias atrás, há horas atrás. Eu só sei que daqui pra frente você estará preparado para virar um homem e sei que fará de tudo para mudar esse Jimin fútil. Sei que você é capaz.

— Eu não sei…

— Eu já te dei minha certeza. E é só isso que importa.

Era normal se sentir tão leve? Tão bem?

Era como flutuar.

Se sentia seguro e pela primeira vez na vida pode perceber que não estava só.

Agora tinha seu porto seguro, e a confiança no olhar de sua mãe era o impulso que precisava para confiar totalmente nela.

Sua mãe sempre estaria ali para cuidar de si, e Jimin nunca mais duvidaria disso.

Os dois então ficaram em silêncio, um silêncio agradável e que ajudava a mulher a se concentrar nos ferimentos do filho.

E Jimin aproveitou aquela situação para encarar o rosto da mãe, memorizando cada traço dela e deixando guardado em um canto especial de sua mente.

Ela era linda.

Sua boca tinha um formato de coração e seus lábios eram bem rosados, seus olhos de um negro intenso o lembrava chocolate. Jimin ergueu sua mão e tocou-lhe a pele pálida do rosto, que era extremamente macia como uma coberta fofa e quentinha. Já seus cabelos, castanhos beirando ao alaranjado, eram de se invejar, com madeixas lisas e sem demonstrar defeito algum.

Sua mãe era modelo, e fazia jus a profissão. Afinal era a mulher mais bela que Jimin já virá.

O ruivo então desceu a mão pela lateral do rosto dela e alcançou seu pescoço fino, e deixou seus dedos se entrelaçarem ao colar dourado que ela carregava. Banhado em ouro puro e possuindo um pequeno e precioso pingente de coração, que ao ser aberto era possível ver uma pequena foto sua e do filho.

Ele lembrava de cada detalhe daquele acessório, afinal também possuía um. Igualzinho. Que recebeu de presente num natal de anos atrás, quando ainda era uma pequena criança.

Dois colares em que o valor de ouro não ultrapassava o valor sentimental.

Pois sua mãe sempre dizia que aquele colar representaria eternamente o amor que sentia pelo filho e enquanto ele estivesse com o colar ele automaticamente estaria com ela. Talvez não ao vivo e em cores, mas sempre em seu coração.

E com essa lembrança, algo pesado e doloroso invadiu o coração de Jimin, o fazendo se sentir péssimo consigo mesmo.

Sua mãe logo percebeu a mudança de humor dele.

— O que houve Chim? — Perguntou preocupada, vendo-o abaixar a cabeça e recolher a mão que antes segurava o colar.

— Esse colar. Ele era muito importante, representava muito para mim. Mas… — Fungou baixo. — Eu fui descuidado e o perdi. E minha infantilidade não me fez ver importância nisso e agora me arrependo. — Cerrou os punhos. — Aquela época em que estávamos brigados, eu lhe odiei tanto que tudo que envolviam você e o papai se tornou insignificante para mim...

— Calma meu querido. — Sorriu, acariciando-o. — É só um colar. E sei que é importante para si, mas continua sendo apenas um objeto. — As palavras dela não pareciam surtir tanto efeito. — Mas se é tão importante pra você, então fique com o meu. — Ela o retirou com cuidado e entregou-lhe ao filho. — E quando estiver com ele, automaticamente estará comigo. — Sorriu.

— Eu não posso aceitar…

— Claro que pode. — Insistiu ela. — É um presente meu, para você. — A mulher fez um bico com os lábios. — Não acredito que você vai ser capaz de recusar Chim.

— Claro que não. — Ele riu, pegando o objeto que lhe era estendido com todo o cuidado do mundo e o levando direto até o peito, o apertando, aquilo era precioso demais… Precisava protegê-lo.

E agora faria de tudo para não perdê-lo de vista.

— Ah, eu também tenho outro presente. — Ela lembrou-se. — Esconda isso do seu pai. — Pediu ela, entregando ao filho um celular. — Era meu, mas eu nem uso tanto. — Deu de ombros. — E eu posso comprar outro.

— Obrigado. — Ele sorriu aliviado, agora ao menos teria algo a fazer.

— Deixarei o carregador com você também, mas trate de esconder. — Avisou-lhe, entregando a pequena caixa do aparelho que também continha um manual e um fone. — Não vai ser difícil, seu pai é muito desligado e ele nem mesmo teria paciência para vasculhar seu quarto. É só se manter atento.

— Tudo bem. Farei o possível.

— Agora acho que terei de ir. — Observou o relógio em seu pulso, já se passava da meia noite. — Seu pai tem um sono de pedra, mas não posso abusar. — Entregou a camiseta ao filho, que a vestiu com um pouco de dificuldade, afinal seus membros ainda latejavam de dor. — Coma um pouco e vá dormir, deixe a garrafa e o prato debaixo da cama que amanhã eu os recolho. — Beijo a bochecha do filho e se levantou. — Amanhã assim que possível eu volto. Tente não faltar a escola. — Sorriu com fraqueza. — Eu sei que vai ser difícil pra você, mas saiba que estarei aqui pra te acolher quando chegar.

Jimin sorriu, feliz por ouvir as palavras da mãe, mas também triste ao perceber que ela teria de ir embora.

— Estarei te esperando. — Ele murmurou.

E com um último sorriso, ela se foi.


 


Notas Finais


Entãoooo?
O que acharam?
Eu tinha algo pra falar aqui nas notas mas acabei esquecendo ausjsjsusjsh
Obrigada por todos que comentaram no capítulo anterior ♥ já já eu respondo
Espero que o capítulo não tenha ficado ameno, mas calma gente tretas virão
Tenho que ir agora kkkk beijooos


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