História Misplaced - Capítulo 25


Escrita por: ~

Postado
Categorias Originais
Tags Magia, Mistério, Romance
Exibições 12
Palavras 1.471
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 12 ANOS
Gêneros: Colegial, Escolar, Fantasia, Ficção, Ficção Científica, Magia, Mistério, Misticismo, Romance e Novela, Sobrenatural, Suspense
Avisos: Drogas, Linguagem Imprópria
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Saudades de mim? Não, né? Pois é.
Um Pov do Darren pra vocês aí.
Bjs, amo vcs
Boa leitura!

Capítulo 25 - Continue a Nadar - p.o.v Darren


Fanfic / Fanfiction Misplaced - Capítulo 25 - Continue a Nadar - p.o.v Darren

Eu sou mesmo um idiota.

Analisando bem, não há motivo de eu estar fazendo isso. Era só eu ter dito não.

Mas sejamos sinceros, eu precisava tirar a cabeça dos meus ambientes diários. Eu precisava frequentar paisagens novas, precisava deixar novos ambientes influenciarem minha cabeça. Eu precisava recuperar minha inspiração.

Claro, isso é muito egoísta da minha parte. E não é o único motivo de eu estar aqui agora. Claro que também faço pela Amy.

Você só quer a Amy de volta para garantir que sua inspiração voltará, disse uma voz em minha cabeça.

Tudo bem. Eu sou egoísta pra caramba.

A companhia de Mitchie naquele trem me fazia sentir seguro. Eu não tinha nenhuma intimidade com aquela garota, mas pelo menos ela era durona o suficiente para matar um dragão. Mitchie Torres é assustadora. E ela tem uma faca na mochila. Se fosse uma situação normal eu teria fugido, provavelmente.

Agora ela dormia. Pessoas dormindo geralmente transmitem tranquilidade, mas Mitchie parecia pronta para o combate. Como se uma mínima mosca voando perto da cabine pudesse fazê-la acordar num salto com um golpe de karatê. Era uma boa parceira de missão.

Mexi na minha mochila. Por baixo de vários pacotes de comida estava minha câmera. Minha boa e velha máquina Polaroid. Era triste o tempo que ela havia ficado sem fotografar nada.

Eu tirei uma foto durante o trajeto. Não foi uma boa foto. Jamais passaria numa seleção. Não foi uma foto no meu nível. Claro que não, eu estava sem inspiração. Fotografei um pássaro grande de asas amarelas majestosas. Ele era bonito. Mas não o suficiente. Eu gosto de compreender as coisas que fotografo, de encontrar poesia nelas, de ver a alma delas. Esse é o problema: ando sem conseguir fazer nada disso.

Fiquei olhando para a foto por alguns minutos. Eu precisava saber como melhorar. Foi então que ouvi-a acordar.

- O que é isso? – foi a primeira coisa que Mitchie perguntou.

- Isso? – tentei esconder. – Ah, nada... nada de mais. Nada de importante.

Ela pegou a foto da minha mão.

- É bonita. – ela disse. – Você que tirou? – ela se deu conta de algo. – Espere aí, você fotografa?

- Não, não, não, não... Não é minha. Eu... eu só... Eu achei por aí. – inventei.

- Que coincidência. – ela disse, reparando na foto.

- O que?

- Esse é o pássaro favorito da Amy.

- Sério? – perguntei.

- Sim. É um Iratuá, eu acho... – ela sorriu. – Amy ficou fascinada com eles na quinta série. Estudou sobre eles sem parar. Fez milhares de desenhos e imprimiu algumas fotos. Seu sonho era conhecer algum, um dia, mas não são muito comuns.

- E ela conheceu?

- Não sei. Ela desistiu desse sonho no ano seguinte. Começou a se interessar por astronomia. Mas de vez em quando ainda fala deles. – ela me devolveu a foto. – Amy fala de tudo, se você tocar no assunto. Se for algo que ela gosta, ela não para nunca mais.

- É, eu sei disso. – Falei, pensando nas aulas de história.

Mitchie suspirou. Todo o ar de durona envolta dela amoleceu. Pela primeira vez eu a via assim: preocupada, indefesa, triste, amedrontada. Nenhum desses adjetivos combinava com a boa e velha Mitchie Torres, a divertida, durona, a alma das festas, a única que enfrentava o professor de Educação Física.

- Espero que ela esteja bem. – ela disse.

- Sim. Eu também. Nós vamos ajudá-la, não é?

Mitchie suspirou mais uma vez. Parecia incerta.

- Só... tenho medo que tenha acontecido algo mais grave. – Ela pronunciou as últimas duas palavras de modo que eu pude perceber que havia algo a incomodando. Talvez algum detalhe da história que ela não me contara. Mas não insisti. – Mas... é. Faremos de tudo.

Poucos minutos depois o trem parou na estação. Nós desembarcamos.

- Muito bem. E agora? Para onde vamos? – perguntei com a maior empolgação que eu encontrei. Mitchie não estava bem. Eu também não, mas precisava fazê-la se sentir melhor.

Ela olhou envolta, repousou os olhos em suas anotações e fitou o céu.

- Vamos adiante. Precisamos andar o máximo que pudermos para chegarmos numa clareira segura para passarmos a noite antes de anoitecer.

- Sim. Parece um bom plano. – concordei. – Que clareira?

Começamos a andar.

- Tem um parque central na cidade. Lá há um bosque. Bosques em parques são lugares tranquilos, não são? Quer dizer, que mal pode haver num bosque de parque? – perguntou.

- Esquilos.

- O que esquilos podem fazer de perigoso?

- Roubar sua comida. Arranhar seu rosto. Fazer cocô na sua cama.

- Darren, eles são fofinhos. Não fariam nada assim.

- Também tem ursos.

- Ursos? Em um parque?

- Você já assistiu Zé Colmeia?

Ela riu. Ótimo. Eu consegui fazê-la rir.

Andamos por poucos minutos, que pareceram horas. Encontramos o tal parque de que Mitchie falara. Não ia acontecer.

- Ah, droga, está cercado de guardas. – ela reclamou.

- Ah, quem sabe, se pedirmos com jeitinho, possamos ficar... “Ei, seu guarda, será que eu e minha amiga aqui poderíamos passar a noite no bosque em uma missão clandestina?”. Aposto que ele não iria se importar.

- Precisamos de outro plano. Rápido. Está escurecendo. E nenhum de nós trouxe uma lanterna. – falou.

- Você trouxe um canivete suíço mas não trouxe uma lanterna? – surpreendi-me.

- Você também não trouxe!

- É, mas eu só trouxe comida!

Ela olhou ao redor.

- Não temos tempo para isso. Venha. Continue andando.

- Qual é o plano? – perguntei.

- Complete a frase: se a vida te decepciona, qual é a solução?

Pensei um pouco.

- Chore?

Ela se enfureceu.

- Não, seu idiota! Tente de novo, vou te dar outra chance.

- Ah, sim! – lembrei. – Continue a nadar!

- Isso mesmo. Vamos nadar. – ela tomou a frente.

- Espere, você quer mergulhar de verdade, ou...?

- É uma metáfora. – disse ela como se fosse óbvio. – Vamos... seguir a maré.

- Certo.

Andamos mais um pouco. Na verdade, demos a volta no parque. A parte de trás do bosque não estava sendo densamente guardada.

- E então? Entramos? – ela perguntou.

- Você tem alguma ideia melhor? – perguntei.

- Não... Mas teríamos que arriscar ter que explicar isso tudo para um guarda se formos descobertos. Você tem uma boa desculpa?

- Não. – admiti.

- É um risco muito grande. – ela pareceu hesitante.

- Mas se não nos arriscarmos agora que somos jovens não teríamos boas histórias para contar quando formos velhos.

Ela sorriu.

- É. Você tem razão. – Ela adentrou um pouco mais na mata. – Além do mais... desde quando eu ligo para riscos?

E foi com essa frase inspiradora da maior filósofa cotidiana que você respeita que adentramos o bosque.

Mitchie e eu montamos um pequeno acampamento (Mentira. Apenas colocamos dois lençóis no chão e usamos nossas mochilas de travesseiros improvisados. Não sei se podemos considerar isso um pequeno acampamento.) dentre as árvores. Era um lugar calmo.

Mas foi a pior noite da minha vida.

Eu nunca notara o quanto minha cama era confortável até então. Nunca senti tantas saudades do meu travesseiro. Tive dores nas costas, frio, e acho que os mosquitos nunca foram tão cruéis.

Acordei um pouco antes de o sol nascer. Ou melhor, desisti de tentar dormir. Assisti o céu se colorir de azul aos poucos acima as copas das árvores. Mitchie ainda dormia profundamente. Não parecia estar sofrendo com os problemas que me incomodavam.

Tirei minha câmera da mochila. Tentei reativar minha inspiração no bosque. Caminhei um pouco, mas nada chamou minha atenção o suficiente. Recostei-me num tronco de uma árvore qualquer. Nada estava funcionando. Eu estava prestes a entrar em desespero. Então uma folha – nem muito pequena nem muito grande – amarronzada caiu morta de um dos galhos na árvore.

Não era surpreendente. Era só uma folha de... hum, aquilo era carvalho? Com formato arredondado e uma cor âmbar. Quer dizer, limitar-me a chamar aquela coloração de âmbar não seria apropriado. Era alguma tonalidade entre o castanho e o cobre, algo entre o marrom e o ruivo, uma cor rara, porém estranhamente familiar.

Darren Hudson, o que você está fazendo da sua vida  discutindo a cor de uma folha morta?

Dane-se. Tirei uma foto dela.

Outra que não me convenceu. Não era boa o bastante. Guardei-a junto do pássaro amarelo, bem no fundo da mochila.

- Está tudo bem? Você parece melancólico. – Mitchie havia acordado.

- Ah, não, sim, eu... eu estou bem. – Fechei o zíper da mochila. – Então... vamos?

- Gostei de você. Sua energia é inesgotável? – ela sorriu.

Eu ri.

- Minha mãe pergunta a mesma coisa.

- Ótimo. A minha também. – ela colocou a mochila nas costas, animada. – Vamos, tripulante?

- Claro, capitã. – ela riu e saiu na frente. – Ei, está meio quente... não quer tirar o casaco? – aconselhei.

- Não. – disse ela rápido e firmemente.

- Tudo bem...

 

 

 


Notas Finais


Comentem o que acharam! Adoro ler comentários e adoro vocês. Ler os comentários de vocês é tipo um unicórnio de tão legal.
Bjins
~Me<3


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...