História Missão De Senar - As Crônicas De Nihal - 2 Temporada - Capítulo 23


Escrita por: ~

Postado
Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Exibições 4
Palavras 1.461
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 14 ANOS
Gêneros: Ação, Artes Marciais, Aventura, Drama (Tragédia), Famí­lia, Ficção, Luta, Magia, Romance e Novela, Universo Alternativo
Avisos: Linguagem Imprópria
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 23 - Segredo De Ido


A decisão de manter Dola ocupado enquanto as tropas atacavam revelou-se correta. O combate havia sido árduo, mas concluíra-se com a vitória do exército das Terras livres. Ao alvorecer, o acampamento no bosque de Herzli havia sido reconquistado.

Enquanto a luta continuava furiosa no campo de batalha, Laio assistira ao duelo entre Nihal e Dola do alto da colina. Vira Oarf e o imenso dragão negro agitando-se no céu noturno, ouvira os gritos de Nihal. Fechara os olhos diante de cada ferimento sofrido pela amiga e exultara quando a espada dela fincara-se na impenetrável armadura do gnomo. Também vira Nihal precipitar-se junto com Dola e os dois dragões, e juntara-se o mais depressa possível ao general.

Quando a equipe de reconhecimento voltou trazendo Nihal, toda manchada de sangue e inconsciente, o silêncio mais absoluto tomou conta do acampamento. A alguns passos de distância, quatro soldados arrastavam Dola, acorrentado e ferido.

O mago que acompanhava a operação ficou ao lado de Nihal o dia todo e só na noite seguinte atreveu-se a dizer que talvez o pior já passara.

Nihal não iria guardar qualquer lembrança do tempo passado no catre da enfermaria. Nem mesmo os sonhos apareceram para dar-lhe a impressão de estar viva. Era realmente como a morte: escuridão e vazio, por toda parte.

A notícia de que Nihal estava gravemente ferida, Ido incitou Vesa a voar mais veloz que o vento. Ele e Laio se revezavam na cabeceira de sua cama, vigiando noite e dia, esperando com confiança o momento em que abriria os olhos.

— Continua a chamar o seu nome, Ido. 

— Eu sei.

— Mas é verdade mesmo? Isso é, é verdade que ele... 

— Cale a boca, Laio.

Nihal abriu lentamente os olhos e duas figuras indistintas emergiram confusamente das trevas. Ouviu chamar o seu nome.

— Nihal! Nihal! Está acordada?

Laio... Piscou algumas vezes e os rostos diante dela tornaram-se reconhecíveis. Laio tinha os cabelos desgrenhados e parecia cansado. Ido sorria. Nihal tentou responder àquele sorriso, mas apesar do esforço não achou que a tentativa foi bem-sucedida.

— Estou orgulhoso de você — murmurou Ido. 

De repente Nihal lembrou-se de tudo. Pois é, isso mesmo. Ela também sentia orgulho de si mesma.

Durante todo o tempo que ficou na enfermaria, Nihal recebeu uma infinidade de visitas. Um dos primeiros a chegar foi o general, que lhe assegurou o seu empenho em promover um reconhecimento oficial pela façanha. Depois começou a procissão dos soldados e Nihal foi forçada a contar até não agüentar mais como tinha conseguido derrotar o mais temível guerreiro do Tirano. Claro, não podia certamente deixar de sentir- se lisonjeada com todas aquelas atenções, mas o papel de heroína deixava-a um tanto constrangida.

Ido, por sua vez, só aparecia raramente, e quando ia visitá-la nunca se demorava. Até certo ponto ela até preferia que fosse assim. Não podia esquecer com que tipo de arma havia vencido Dola, nem com quais motivações. É verdade, não o tinha matado. Mantivera a palavra dada a Megisto. Alcançara o seu objetivo. Mas e agora?

Depois de dez dias de convalescença, pôde dar os primeiros passos com a ajuda de muletas. Saiu da barraca e deu uma volta pelo acampamento.

O sol estava quente e acariciava sua pele. Nihal sentiu-se quase em casa. Tinha a impressão de reconhecer aquele sol: era o mesmo que a vira crescer cheia de confiança entre as muralhas de Salazar.

Antes de mais nada quis visitar Oarf. Logo que o viu, deitado na grama à margem do acampamento, com a ferida na asa ainda não totalmente curada, sentiu um aperto no coração.

Chegou perto, cambaleando.

— Conseguimos, meu amigo, conseguimos — disse. Afagou-lhe o focinho e o dragão lambeu sua mão.

Mais tarde, enquanto comia no refeitório da base, Nihal teve a oportunidade de ouvir uma estranha conversa entre dois soldados sentados atrás dela. — E ainda insiste?

— Claro que insiste! E pensar que a gente não fazia a menor idéia!

— Parece impossível. Quer dizer, estamos falando de Dola! Se for verdade, então a coisa é realmente séria...

— Não sei não, mas não podemos esquecer que Ido não fez qualquer comentário a respeito. Agora, se alguém me acusasse de ter estado em conluio com o inimigo, eu faria de tudo para provar a minha inocência...

 Nihal virou-se na mesma hora. 

— Do que estão falando? — perguntou com voz tensa. 

— Nada de importante... — respondeu um dos dois soldados, constrangido. 

— Quero saber do que estão falando! — repetiu Nihal

— Estávamos falando de Dola — interveio o outro. — Desde que chegou aqui não faz outra coisa a não ser pedir para falar com Ido.

Nihal sentiu uma onda de calor corar seu rosto. 

— Por quê? Ele explicou o motivo disso?

— Diz que se conhecem há muito tempo... que já lutaram lado a lado — continuou

o soldado.

— É mentira! — gritou Nihal. Uma fisgada nas costas deixou-a sem fôlego, mas não impediu que agarrasse as muletas e ficasse de pé. — Onde está aquele verme?

que... — Na zona ocidental da base, onde ficam os prisioneiros. Mas o general ordenou

As palavras do soldado perderam-se no vazio. Nihal já fora embora, saltitando em cima das muletas.

Quando voltou para a tenda, Laio estava atarefado polindo a sua espada.

— Então, como está se saindo empoleirada nesses trastes? — perguntou o rapaz brincando, mas o sorriso morreu em seus lábios diante do olhar lúgubre de Nihal. — O que houve?

Nihal não respondeu. Tirou-lhe a arma das mãos e saiu. Laio chegou até a porta.

— Nihal, espere! — Viu-a afastar-se, então sacudiu a cabeça e voltou para dentro, conformado.

— Deixe-me entrar— ordenou Nihal ao guarda. Estava pálida e suada. Na atadura que lhe apertava o tórax aparecia uma mancha vermelha.

— Para dizer a verdade, as minhas ordens... — Deixe-me entrar — repetiu ela.

— Está bem, mas nem quero saber — resmungou o soldado. Deu de ombros e abriu a porta da jaula de madeira que funcionava como cela.

Quando entrou, Nihal foi investida por uma baforada de ar fechado e bolorento. A cela estava escura e as finas lâminas de luz que filtravam entre as tábuas mal davam para iluminar o ambiente. A jovem deu alguns passos, tropeçou, caiu no chão.

Uma risada ecoou entre as paredes de madeira. Lentamente, do escuro, apareceu a figura de um gnomo tão musculoso que parecia irreal. Tinha mãos e pés presos por pesadas correntes, o corpo estava coberto de ferimentos, mas não parecia sofrer qualquer dor. Seus olhos de furão fitavam Nihal com desdém.

— Não consegue nem ficar de pé, semi-elfo? Nihal levantou a espada diante de si, furiosa.

— Cale-se! Pode ser que não me agüente em pé, mas de nós dois o que está acorrentado é você!

— Que ferocidade! — escarneceu Dola. — Talvez o Tirano não esteja tão errado ao recear você.

— O Tirano nem sabe quem sou — respondeu Nihal.

— Não, não sabe, mas a receia assim mesmo. É por isso que está à sua procura — sussurrou o gnomo. — Por quanto tempo acha que ainda pode ficar escondida, antes que ele a encontre? De nada vai adiantar-lhe o fato de ter-me vencido, pois muito em breve todos vocês irão mergulhar no inferno. E você poderá juntar-se aos seus antepassados. Estão acabados, semi-elfo.

Nihal aproximou-se de Dola até encostar-lhe a lâmina no peito. 

— Que mentira é essa que anda dizendo do meu mestre?

— O seu mestre?! — exclamou Dola, incrédulo. — Quer dizer que aprendeu com Ido... Uma surpresa e tanto, ele nunca foi um bom guerreiro. Nihal ficou possessa de raiva.

— Como se atreve a manchar a honra de Ido, seu verme? Dola riu com escárnio. 

— Honra? Que honra? Ido não passa de um traidor! Lutou nas fileiras do Tirano durante anos. Estava com o Tirano quando acabaram com a raça dos semi-elfos. 

— Do que diabo está falando? — gritou Nihal.

— O seu amado mestre participou do extermínio do seu povo, semi-elfo. Pergunte a ele, quando encontrá-lo.

— Cale-se! Cale-se! — berrou Nihal.

Acabava de levantar a espada quando a porta se abriu e a cela encheu-se de luz. Nihal sentiu alguém segurar seu pulso.

A arma escorregou das suas mãos e caiu no chão com estrondo.

— Ninguém autorizou sua presença aqui — disse o general. Quatro soldados apareceram atrás dele.

Nihal achou que seu coração iria explodir. As pernas não a sustentaram. Teve uma tontura. Apoiou-se numa parede da cela e deixou-se escorregar até sentar-se no chão.

O general acenou com a cabeça para os soldados. 

— Mandem chamar o escudeiro.

Laio chegou correndo e levou-a embora, para longe do cubículo. Mandou-a deitar-se na grama, à sombra de uma árvore. Nihal não teve forças para se opor.

— Não é verdade — continuou dizendo, enquanto seus olhos iam ficando turvos. — É tudo mentira...

Então, fechou as pálpebras. Quando voltou a abri-las, Ido estava de pé ao seu lado, olhando em silêncio para ela.

— Diga-me que não é verdade... diga para eles todos... — murmurou Nihal. 

— Precisamos ter uma conversa, Nihal — respondeu o gnomo.



Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...