História Mitomania - Capítulo 1


Escrita por: ~

Postado
Categorias Originais
Tags Biofobia, Esquizofrenia, Mitomania
Visualizações 8
Palavras 788
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Universo Alternativo

Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Eu fiquei sem dormir a noite inteira pensando no meu ex noivo e meio que percebi que nada do que eu pensava ser era real. Ele não me rendeu casamento, mas me rendeu um bom texto.
Eu escrevi ouvindo "Cry baby" de The Neighborhood mas não sei se indico isso para ouvir enquanto se lê, por não ter noção de quanto tempo você demora para ler e por saber o quanto a música é curta.
O texto é mais um desabafo sobre uma certa fase minha que qualquer outra coisa... Não sei explicar muito bem o quanto sou confiável, ao mesmo tempo que minto muito bem.
Contudo, garanto um minuto de reflexão, sendo assim, pegue seu café, suco, chá, óculos - se usar- e após ir para um lugar claro: boa leitura.

Capítulo 1 - Crise de identidade.


Fanfic / Fanfiction Mitomania - Capítulo 1 - Crise de identidade.

"Não mente pra mim."

Provavelmente são as palavras mais pesadas do mundo e provavelmente as que eu mais ouvi a vida toda. Mas, céus... Ignorar tudo isso me faz ser o quê? Isso me faz sentir tão mal... Me torna ruim. Não?

 Não gosto de ser como sou, não gosto da facilidade para esconder a verdade, da forma rápida que minha mente explode em milhões de possibilidades.

Eu sou tão vazio que posso me encher com qualquer coisa. Ouvir "Fale a verdade" e "Fale o que quiser." Me soam da mesma forma.

 É como se houvessem milhões de vozes e pessoas distintas na minha cabeça, como se eu quisesse corrigir o passado, ou ter mais de uma vida. Crises de identidade me fazem ter picos de criatividade e ser capaz de inventar até uma outra história para mim mesmo. Outra personalidade, outros sonhos e outros medos. Mas devo concordar que todos meus lados devem ter medo da vida real... Quer dizer, todos eles sabem que o mundo real existe e mesmo assim preferem se perder em seus próprios eixos. Não adianta eu tentar, sempre vou acabar alterando até o meu nome, no fim da história. 

Em uma única noite eu garanto saber tudo sobre você da mesma forma que você não vai saber, absolutamente nada, sobre mim. Mas vai achar que sabe. Vou te dar o conforto da verdade e meus olhos não vão precisar ir para os lados para criar as imagens, meus dedos vão estar abertos e isso vai me dar a aparência de quem tem auto estima, como quem sabe do que está falando, mesmo que eu só saia de casa para ir ao mercado da esquina e o assunto seja o outro lado do mundo. Vou te dar as precisões de cada uma de minhas viagens e eu sei que você vai se apaixonar pelo que eu criei ali, na sua frente, quase que feito sob medida para você. Eu vou ser perfeito para você. Metamorfo. E se você se permitir, vamos ter uma história linda, até eu decidir usar um outro personagem novo.

 Eu me odeio por isso. Eu queria ser normal. Mas eu sou quase um psicopata.

Sei lidar com minhas expressões como provavelmente ninguém mais sabe; Se for algo que eu "não faço ideia" o espanto toma os meus olhos e o ar me falta, ainda que eu saiba cada detalhe da história. Se for algo que "não sei onde está" meus ombros caem e um bico de tristeza me toma, como se eu fosse ajudar caso soubesse, mesmo que eu quem tenha escondido. Não vou confessar quantas vezes disse "Eu te amo" quando sequer acelerava durante o beijo e minhas pupilas não dilatavam durante o sexo. Seria tão mais simples apenas me virar para o outro lado e dizer que meu orgasmo me bastava, mas não sei... Eu precisava acariciar aquela nuca, permitir que meus dedos se envolvessem naquele emaranhado de fios escuros, me permitir ter aqueles segundos como uma verdade boa. Como um único momento de paz em meio ao desespero que eu era. Mas era só outra atuação. Ou não. Também poderia ser a necessidade de ter alguém verdadeiro, completamente distinto de mim, que não me julgasse por eu ser a pessoa que sou, ou por todas as pessoas que sou. Eu não sei. Nunca vou saber.

O único problema da atuação é que, no meio de tantas máscaras, ninguém consegue ver seu rosto. E isso tudo dói. 

Me perdoe, amor. Eu queria não ser assim. Queria poder olhar nos seus olhos e explicar absolutamente tudo, não é tão complicado quanto parece, é até tratável. Eu só não sei mais como parar...

Queria poder contar toda a verdade, mas isso tudo ia doer tanto e você não iria acreditar... É quase doentio, bizarro o suficiente para até eu mesmo preferir que seja mais uma de minhas mentiras. Eu só... Não quero te ver chorar, não quero te machucar. Era para ser uma coisa simples, mas então aconteceu aquele acidente e eu nem deveria ter me envolvido desse jeito, mas eu precisava... E uma mentira sempre leva a outra. Você sabe.

O caso é quase como um castelo de cartas, mas eu não vou permitir que ele caia enquanto ele lhe fizer bem. Não vou permitir que ventos o façam balançar, nem que alguém o toque, muito menos que alguém o ameace.

  Guardarei todos os segredos que eu precisar, mesmo que doam em mim.

Eu me recuso a ver esse castelo caindo e seu coração quebrando. Eu não vou deixar ninguém tocar nesse castelo, nesse segredo ou em você.

Eu serei fiel com cada uma de minhas promessas e eu nunca prometi dizer a verdade, mas eu prometi cuidar de você.


Notas Finais


O texto fica confuso do nada por se tratar de um caso grave de mitomania tentando ser sincero. É terrível.
Espero que tenham sentido o desespero da coisa. Espero que tenham notado a frieza em algumas partes e a dor em outras.
Mentir é um dos piores vícios, depois de cigarros. Ele não te mata, mas te confunde ao ponto de você não se lembrar se está vivo. As mentiras viram memórias reais e a pessoa pode beirar a loucura, podendo sofrer com crises de identidade e desenvolver uma dupla personalidade. É complicado também a forma como essas pessoas são tratadas. Distúrbios nunca são bons e a falta de ajuda sempre atrapalha ainda mais.
Mas o final me deixou tão sensível... Foi algo que eu mesma disse, uma vez. Um rapaz pediu para eu fingir que nunca havia me envolvido com ele, porque ele ia começar a namorar uma moça que eu conhecia e que morria de ciúmes de mim. Ele era um de meus melhores amigos... Eu concordei. Eles seguem felizes e eu sigo com a verdade. Não vou dizer que sigo bem. Mas sigo.

É isso. Tnx for all, sorry too.
Obrigado por ler, ó ! Beijo da tia Arym. ♡


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...