História Mitw- How I Met Your Father... - Capítulo 50


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Categorias Felipe "Febatista" Batista, Felipe Z. "Felps", João Victor Negromonte Queiroz "Jvnq", Rafael "CellBit" Lange, TazerCraft
Personagens Felipe "Febatista" Batista, Felps, João Victor Negromonte Queiroz "Jvnq", Mike, Pac, Personagens Originais, Rafael "CellBit" Lange
Tags Cellbit, Cellps, Febatista, Felps, Jvnq, Jvtista, Mike, Mitw, Originais, Pac, Romance, Yaoi
Visualizações 116
Palavras 5.029
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Colegial, Comédia, Crossover, Drama (Tragédia), Ecchi, Escolar, Hentai, Lemon, Luta, Mistério, Romance e Novela, Violência, Yaoi
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Drogas, Estupro, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sadomasoquismo, Sexo, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Eae galerinha do mal. Estamos de volta com essa estória linda e maravilhosa. Hoje teremos a introdução de um personagem muito importante. E eu recomendo que vocês deem uma olhada no capítulo 45 mais uma vez antes de lerem esse cap. É isso, espero que curtam!
Nos vemos lá embaixo S2.

Capítulo 50 - The Acid Tears Of An Envious Bastard...


Fanfic / Fanfiction Mitw- How I Met Your Father... - Capítulo 50 - The Acid Tears Of An Envious Bastard...

– Crianças, existem pessoas que simplesmente são muito narcisistas... Pessoas que realmente se acham... E na época em que seus pais se conheceram nós conhecemos uma pessoa que era a personificação disso tudo... Porém, às vezes, o que nós acreditamos que é verdade não é.

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Eu acordo no peito do Felps mais uma manhã. O rosto sereno com a boca entreaberta o dava um ar calmo... Tranquilo...

Eu me aconchego ao lado dele na tentativa de dormir mais um pouco. Era final de semana e nós havíamos decidido dormir até tarde. Nós sairíamos com o pessoal a noite pra podermos aproveitar e assistir Guardiões da Galáxia 2 no cinema... Eu não cheguei a ver o primeiro no cinema, mas Felps me forçou a ver o filme ontem a noite antes de dormirmos... É um filme até que bom, renovou meu ânimo pra ver o segundo...

Mas a calma e a tranquilidade do silêncio do nosso quarto fora quebrado pelo som de Clocks, do Coldplay. Era o celular do Felps tocando...

Ele acorda num susto, mas a preguiça bate e ele cai na cama de novo. Eu rio com isso e acaricio o peito dele.

– Bom dia, Fê... – Eu digo sorrinso ao lado dele – Não vai atender o telefone? – Eu pergunto e ele faz um resmungo enquanto se espreguiça fazendo os seus músculos do abdômem se contrairem.

– Eu tenho...? – Ele pergunta e eu negativo com a cabeça pegando o telefone dele e olhando quem era.

– É o seu pai... Acho melhor atender... – Eu digo, ele fecha a cara e se senta na cama atendendo o celular.

– Alô? Ah, bom dia pai... Sim estou bem... – A conversa continuou nessa por alguns segundos até que eu pude ver o Felps arregalando os olhos – O QUÊ?! Mas por quê?! Pai, você sabe que eu não me dei bem com ele... PORQUE ELE É UM CHATO E METIDO! Mas pa... Tá... Tá... Ok... Eu realmente não tenho escolha, não é?  Ok... Tchau... – Ele desliga o telefone e o encara.

– E então? – Eu pergunto querendo saber sobre a conversa.

– Aparentemente o meu irmão vai estudar nessa escola conosco... – Ele diz com um tom meio irritadiço.

– Mas isso é bom, não é? Afinal você poderá se aproximar do seu irmão... Não falava com ele há muito tempo... –Eu digo e ele bufa.

– Há uma razão pra eu não querer que ele venha... – Ele diz e eu franzo o cenho.

– E qual seria...? – Eu pergunto e ele pende a cabeça para o lado...

– Ele pode ser um pouco convencido...

#Quebra do Tempo#

Já era de tarde. O nosso grupo acabara de se reunir na frente do portão de entrada. Esperávamos pelo Lucas, o irmão do Felps, que em breve chegaria à escola...

Haviam vários alunos transitando pelo pátio adjacente ao portão. Acho que todos estávamos alheios ao que iria acontecer naquela tarde de sábado.

– E quando ele chega? – Pac pergunta ao olhar no telefone e notar um atraso pela parte do Lucas.

– Não sei. Era pra ele estar aqui às onze da manhã... Pelo menos foi o que o meu pai disse... – Felps diz checando no relógio de pulso dele.

– Fiquem calmos. Ele deve ter tido um contratempo... – Diz Thomas apaziguando os ânimos de todos. – Afinal, por que toda essa tensão? É só o seu irmão, Felps... Para de drama... – Thomas diz dando de ombros.

– É porque vocês não o conhecem como eu conheço... Ele não é alguém convencional... – Ele diz de maneira insegura – Eu não sei o que ele é capaz de fazer... – E ao dizer isso um som começou a emanar das caixas de som espalhadas pelo colégio... Era uma batida... Era uma batida com uma pegada de funk dos anos 70... Espera eu reconhecia aquela música!

– Uptown Funk? – Eu digo olhando pra Pac que também parecia confuso.

Uptown Funk!-Bruno Mars.

Do, do, do, do, do, do, do, do, do

Do, do, do, do, do, do, do, do, do

Do, do, do, do, do, do, do, do, do

E então nós vemos surgir no portão um garoto com um casaco preto, óculos escuros e um sorriso pra lá de convencido, mas uma coisa era inegável: ele era o maior gato.

This hit, that ice cold

Michelle Pfeiffer, that white gold

This one, for them hood girls

Them good girls

Straight masterpieces

Stylin', while in

Livin’ it up in the city

Got Chucks on with Saint Laurent

Got kiss myself, I’m so pretty

– Uau... – Eu digo ao olhá-lo. Era como uma cópia mais nova do Felps. Haviam algumas diferenças, claro, porém a semelhança era impressionante...

– Uau o quê, senhor Rafael? – Felps diz com os braços cruzados.

– Desculpa Felps, mas você tem que admitir que se irmão é um gato... – Pac fala, se intrometendo na conversa.

– Vocês são nojentos... Meu irmão não é flor que se cheire... Não é, Thomas? – Felps pergunta, mas Thomas não responde... Ele estava muito ocupado secando o Lucas até sair um raio-laser dos olhos dele...

I’m too hot (hot damn)

Call the police and a fireman

I’m too hot (hot damn)

Make a dragon wanna retire, man

I’m too hot (hot damn)

Say my name, you know who I am

I’m too hot (hot damn)

And my band 'bout that money

Break it down

Lucas ia atravessando o corredor na nossa direção. Sempre com um sorriso sacana e convencido no rosto, como se ele soubesse que era muito bonito.

As garotas o encaravam como leoas olhando um antílope. Logo os cochichos começaram a circular. Coisas como “Nossa! Que gatinho!”, ou “De onde saiu esse pedaço de mau caminho?” começaram a reinar nos corredores. E ele não parecia nem um pouco incomodado com isso, pelo contrário, o sorriso aumentou no rosto dele.

Ele para no meio do caminho e abaixa os óculos revelando os olhos azuis. Ele encara as garotas e pisca pra elas fazendo as gritar de emoção.

Girls, hit your hallelujah

Girls, hit your hallelujah

Girls, hit your hallelujah

'Cause Uptown Funk gon’ give it to you

'Cause Uptown Funk gon’ give it to you

'Cause Uptown Funk gon’ give it to you

Saturday night and we in the spot

Don’t believe me, just watch (come on).

Ele continua a andar devagar, como se aproveitasse cada verso da música tocada nas caixas de som do colégio. Agora era oficial. Todos olhavam pra ele... Ele era como uma diva na passarela.

Stop

Wait a minute

Fill my cup, pour some liquor in it

Take a sip, sign a check

Julio! Get the stretch!

Ride to Harlem, Hollywood, Jackson, Mississippi

If we show up, we gon’ show out

Smoother than a fresh dry skippy

A música continuava. Ele pegou nos braços de uma menina e a puxou pra dançar no meio do corredor, na frente de todo mundo. As pessoas começaram a fazer um circulo em volta dele. Todos observávamos aquilo com a maior cara de tacho possível...

Come on, dance

Jump on it

If you sexy, then flaunt it

If you freaky, then own it

Don’t brag about it, come show me

Come on, dance

Jump on it

If you sexy, then flaunt it

Well, it’s Saturday night and we in the spot

Don’t believe me, just watch!

Ele, após se livrar da multidão que estava ao redor dele, finalmente chega ao nosso lado. Sempre com um sorriso sacana no rosto...

– Irmãozinho! – Ele diz com um tom alegre – Feliz em me ver? – Ele diz e Felps fecha a cara com tanta força que eu achei que ela fosse ficar em negativo.

  – Sabe que não, Lucas... – Ele diz e Lucas coloca a mão no peito como se tivesse se ofendido.

– Ora, assim me magoa, irmãozinho... – Ele diz, mas logo volta a rir.

– É essa a ideia... – Ele diz ainda com a cara fechada. Ninguém se atrevia a dizer uma palavra. Felps, quando queria, dava medo... – Afinal de contas, o que veio fazer aqui? Por que se mudar justamente pra onde eu estava? Está querendo realmente acabar com a minha paz, não é? – Felps pergunta colocando a mão no rosto.

– Ora, achei que nos demos tão bem lá em casa que eu resolvi me aproximar do meu irmãozinho... Não está feliz em passar esses anos ao meu lado? – Ele diz com um sorriso totalmente convencido. Era de propósito. Ele queria irritar o Felps, e estava conseguindo...

– Ora, escuta aqui seu merd...

–Ok, já chega. – Mike intervém, graças a Deus. – Vocês dois podem parar já! – Ele diz decididamente. Estranho, nunca vi o Mike ser tão... Paizão...

– Mas foi ele quem começou! – Felps diz apontando pro Lucas.

– Não me interessa quem começou, eu vou terminar... – Mike diz de maneira decidida. Lucas apenas dá de ombros e se vira em minha direção.

– Ora, onde está a minha educação...?

– Eu poderia perguntar a mesma coisa... – Felps diz interrompendo-o, mas ele não liga.

– Como se chama? – Ele me pergunta me olhando no fundo dos olhos com aqueles olhos azuis como o mar... Eu me sinto corar pela aproximação dele.

– Rafael... Rafael Lange... – Eu digo e ele pega a minha mão e beija a parte superior. Esquisito...

– Então é você o lendário Rafael Lange hm? – Ele diz sorrindo sem mostrar os dentes exageradamente brancos – Meu irmão tem bom gosto, de fato... – Ele diz e sorri pra mim. Eu dou um sorriso fraco em resposta... – E você, caladão? – Ele diz olhando pra Thomas que apenas desviava o olhar. – Como se chama? – Ele pergunta na frente do Thomas que parecia corado e intimidado com a presença dele. Lucas era uns quatro centímetros mais altos que Thomas.

– E-Eu... O m-meu nome... – Ele se embolava com as palavras. Eu decido intervir.

– O nome dele é Thomas... – Eu digo e ele sorri pra Thomas que, ao apertar a mão estendida de Lucas, acaba derrubando o livro que estava consigo.

Ambos se abaixam e acabam encostando as mãos, coisa bem de cinema, clichê. Lucas sorri mais ainda com aquela situação, mas Thomas parecia ainda mais corado com isso.

– Ora, “Inferno”... – Ele diz lendo a capa do livro – É de fato um excelente livro... – Ele diz e o entrega ao Thomas de novo. Pela primeira vez ele levanta a cabeça.

– Você gosta de Dan Brown? – Ele pergunta se referindo ao autor do livro. Thomas havia me dito uma vez que gostava desse autor... Foi o cara que escreveu “O Código Da Vinci”.

– Se gosto! Já li vários livros dele... – Ele riu, mas pareceu pensativo após um segundo – Espera aí... Por um acaso, você não seria Thomas Romanov, seria? – Ele pergunta com as sobrancelhas franzidas.

– Ah... Sim... Sou eu... Por quê? – Ele diz e Lucas abre um sorriso de orelha a orelha.

– AH! Isso significa que seremos colegas de quarto! – Lucas abraça Thomas que treme de cima a baixo – Ah, será ótimo. Você vai adorar. Afinal todos me adoram... –Ele diz convencido.

– Com licença, eu não... – Felps diz levantando a mão.

– Tsc, você não sabe de nada, irmãozinho... – Lucas diz colocando o braço dele em volta do pescoço do Thomas – Agora, eu adoraria ficar e conversar com vocês o dia todo em relação ao quanto eu sou incrível, mas tenho que guardar as minhas roupas no meu quarto. Até mais ver, amiguinhos e irmãozinho... – Ele diz e vai na direção do quarto levando a mala na direção do quarto dele.

–O que foi que acabou de acontecer aqui? –Thomas pergunta ainda confuso. Eu dou um tapa na cabeça dele. –AI! Por que me bateu?! – Ele pergunta e eu sorrio.

– Eu te disse, otário... – Eu digo em relação a quando conversávamos sobre o Felps...

#Flashback On#

– E você Thomas... Tem alguma menina ou menino que mexe com o seu coração? – Eu pergunto e vejo Thomas dar de ombros.

– Não. Eu não me apaixono como as outras pessoas... – Ele diz e volta a comer a pipoca. Eu o encaro com as sobrancelhas franzidas.

– Como assim “Não me apaixono”? Todo mundo se apaixona, Thomas, é algo que não se controla... – Eu digo e ele arqueia as sobrancelhas enquanto dá de ombros novamente.

– Acho que sou imune. Eu nunca me apaixonei por ninguém que eu fiquei antes... Eu até achava que o problema era as outras pessoas, ou que ninguém me chamava à atenção de verdade... Mas depois de um tempo eu simplesmente aceitei que o problema era eu e que eu nunca me apaixonaria de verdade... – Ele diz e eu o encaro desconfiado.

– Eu não acredito em você... – Eu digo e ele e franze o cenho – Não acredito que alguém possa ser capaz de não se apaixonar por alguém... – Thomas me encara esperando eu completar o meu raciocínio – Eu acho que você apenas não achou a pessoa certa... – Eu digo e sorrio pra ele – Quando essa pessoa aparecer, você vai ver que estava errado e eu vou dar um tapa na sua cabeça, me virar e dizer: “Eu te disse, otário”. – Eu digo e Thomas apenas dá de ombros.

#Flashback Off#

– Você está completamente pirado! – Thomas diz exarcerbado – Eu... Ele... Nós... – A cada segundo que o Thomas tentava articular alguma palavra algo pior saia...

  – Thomas, só faltou você comer ele com os olhos... – Mike diz sorrindo maliciosamente pro Thomas.

– QUE NADA! Ele é um convencido... Ficou nesse papinho de “Ah, todos gostam de mim”... Ridículo... – Thomas diz se agarrando ao livro dele – Felps tinha toda a razão. – Ele diz e Felps levanta os braços.

– Viu! Eu disse!

– Ele só concordou com você porque está se sentindo estranho em relação ao Lucas... –Pac diz contrariando Felps.

– Ah, vão se fuder... – Ele diz e sai de perto de nós indo na direção do quarto dele.

– Olha lá, já está indo se encontrar com ele – Eu digo apenas para provocá-lo. Nós todos rimos dele.

– Mas falando sério. – Felps interrompe os risos – Eu não sei o que fazer agora... Meu irmão vir pra cá muda tudo! Meu pai acha que eu devo me “aproximar” do meu irmão... Mas não dá! A personalidade dele é totalmente insuportável pra mim.

– Por que tanta raiva dele? É só conviver pacificamente com ele... – Mike diz e Felps o encara.

– E você acha que eu não tentei? Nos primeiros dias que eu fiquei fora, eu tentei me aproximar dele, jogar bola com ele, jogar videogame com ele, tocar violão com ele... Não dava! Ele era... Era insuportável... – Ele diz e bufa. – Quer saber... Foda-se o que o meu pai quer. Eu preciso de um tempo pra me acalmar... A sala de música está aberta? – Ele pergunta e eu assinto.

– A sala de música está sempre aberta, o diretor acha que devemos nos expressar através da música quando precisamos, é quase terapêutico... – Eu digo e ele assente.

– De fato. Eu preciso tocar alguma coisa. Querem vir comigo? – Ele diz e assentimos.

Porém, ao chegarmos à sala de música temos uma surpresa...

Lucas e Thomas estavam na sala de música com Lucas na bateria mandando ver. Ele tocava muito bem. No nível profissional de bem...

– Caramba, seu irmão toca muito! – Mike diz, curtindo o som. Felps fecha a cara.

– É, eu sei... Esse é o problema... – Ele diz e todos o encaramos – Ele é bom em tudo... – Felps diz e nós voltamos a encarar o dueto. Thomas cantava baixinho uma música do AC/DC, uma banda de rock dos anos 80.

– Como assim “bom em tudo”? – Mike pergunta – Ele não pode ser bom em tudo...

– Bem, se é melhor que todos, eu não sei, mas melhor que eu em tudo ele é... –Felps diz com os lábios franzidos – Jogamos futebol, ele ganhou, jogamos xadrez, ele ganhou... Jogamos Fifa... – Felps desvia o olhar, eu o encaro com os olhos arregalados.

–Não... Não me diga que... – Eu digo, incrédulo.

Se havia alguém que eu conhecesse que gostasse de fifa e que jogasse bem era o Felps. Não era possível que ele tivesse perdido.

– Sim, ele me ganhou no fifa também... – Felps diz triste.

– E foi fácil... – Lucas diz saindo da bateria ao lado de Thomas – O Lipe não tem exatamente a melhor defesa. Foi fácil explorar essa fraqueza dele... – Ele diz com um sorriso divertido no rosto, não era um dos sorrisos convencidos, como de costume, era um mais... Amigável, eu diria... Porém Felps o encara com raiva – Como sempre, eu venci... – Ele diz e parece ter sido a gota d’água, pois Felps logo em seguida explode.

– Você... Você o tempo todo só sabe me humilhar! Por que veio pra cá se não sabe me respeitar?! É por isso que você não tem amigos, tem várias pessoas ao seu redor, mas não pode contar com ninguém de verdade... É xulo, vazio, mimado, prepotente, arrogante e um grandissíssimo convencido. Meu pai deve ter te mandado pra cá pra ver se eu dava um jeito nessa sua personalidade, mas eu sei que é impossível ajudar alguém como você! Todos te acham o maioral, ficam ao seu redor e te veneram, mas você realmente precisa disso. Precisa que as pessoas gostem de você, precisa que as pessoas aprovem você, precisa que as pessoas notem você... Mas a verdade, irmãozinho, é que você não passa de um garoto mimado. Alguém que ninguém consegue gostar de verdade! As pessoas não ficam ao seu redor porque gostam de você, as pessoas ficam ao ser redor por pena... Porque alguém como você nunca seria capaz de criar uma relação de amizade com outro ser humano de verdade... O fim da minha família foi culpa sua! Se você não tivesse nascido meus pais ainda estariam junto quando a minha mãe morreu... E eu não teria perdido a minha família... Você é apenas um filho bastardo de uma família perfeitinha... – Felps diz despejando tudo o que estava preso na garganta dele desde que o irmão dele chegou.

Era, de certa forma, verdade, o que o Felps falou. Os pais dele se separaram após a descoberta da traição do pai dele. O nascimento de Lucas fez com que a família do Felps se partisse... E Felps pensava nisso desde quando conheceu o irmão, o achava um bastardo, o filho fruto de uma traição...

Lucas tinha um sorriso belo, isso era algo indiscutível, mas quando Felps despejou toda a sua angústia em cima dele ele fechou a cara até assumir uma expressão incrédula e rancorosa. Todos ficaram em silêncio vendo a tensão no ar. Felps respirava descompassadamente, mas aos poucos ia se acalmando. Lucas, por outro lado, estava com uma expressão de raiva no rosto, mas era uma raiva misturada com um tom de amargura, como se essas palavras cutucassem uma ferida antiga. Lucas encara o Felps, que estava mais calmo, com os olhos começando a lacrimejar. Tá aí algo que eu não pensei que veria.

Thomas tenta chegar perto dele, mas é repelido com o braço do mesmo enquanto sai da sala de música correndo de lá com os olhos cheios de lágrimas.

– LUCAS ESPERA! – Thomas grita tentando alcançá-lo. Ele olha para o Felps que estava confuso com a reação de Lucas. Entendo o porquê dessa confusão, afinal todos vimos como o Lucas parecia seguro e confiante de si, não imaginávamos que ele fosse tão sensível com esse tipo de coisa. – Você faz ideia do que fez, seu idiota?! –Thomas pergunta encarando Felps com uma cara irada.

– Por que está irritado comigo? Eu apenas disse a verda...

–Disse a verdade uma ova! –Thomas interrompe – Disse a verdade que você quis acreditar... Desde que ele chegou aqui você o trata apenas com ignorância e desrespeito, não faz ideia do que ele está passando e nem sequer tentou entendê-lo!–Thomas diz enquanto Felps ficava em silêncio.

–Como pode me dizer isso? Desde quando é o presidente do fã-clube do Lucas? Por que acha que o conhece tanto quanto eu? VOCÊ NÃO VIVEU DIAS INSUPORTÁVEIS COM ELE! –Felps retruca de maneira explosiva.

–Por causa do que eu ouvi... –Thomas diz, baixinho... – Assim que eu cheguei no quarto ele estava lá... E você não viu o que eu vi... Não ouviu o que eu ouvi...

#Flashback On#

– Ah, vão se fuder... – Eu digo pegando meu livro e indo embora. Meu coração estava palpitando a cada passo... O que caralhos estava acontecendo comigo?

– Olha lá, já está indo se encontrar com ele – Rafael diz me sacaneando.

Aquele sorriso, os olhos claros, os cabelos negros. Meu Deus... Que droga, Thomas! Recomponha-se!

E pensar que eu ainda terei que dividir quarto com ele... Ai meu Senhor, me ajuda...

Eu tomo um fôlego ao colocar a mão na maçaneta e abro a porta devagar.

Porém o que eu encontro é bem diferente do que eu imaginava...

Lucas estava chorando encolhido na cama. Estava sentado de costas pra mim, o que o impossibilitava de me ver chegando. Ele não chorava um pranto baixo, era um choro sofrido, engasgado. Como se manter aquele sorriso tivesse sido um sacrifício pra ele... Um choro que partiu meu coração...

– Lucas...? –Eu o chamo baixinho. Ele pula da cama, nervoso. Limpa as lágrimas e seca as bochechas com os punhos.

– A-Ah... Thomas... Oi, o que houve...? – Ele pergunta com a cara mais lavada do mundo. Os olhos azuis estavam avermelhados, o choro estava preso na garganta dele, era quase como um nó invisível...

– Por que estava chorando...? – Eu faço a pergunta óbvia. Lucas era um cara bem convencido. Tinha resposta pra tudo, mas dessa vez ele parecia perdido... Dividido...

–E-Eu... Eu não...

–Não adianta mentir pra mim... Eu vi que estava chorando... –Eu digo me aproximando lentamente dele... O mesmo volta a se sentar na cama e eu me sento ao lado dele – Então... Por que estava chorando? – Eu pergunto e ele encara o chão.

– Já teve a sensação de que nada que faz é certo? De que não importa o quanto você se esforce nada será suficiente pra te satisfazer? – Ele pergunta retoricamente. – Eu entrei nessa escola por um motivo, Thomas...

– E que motivo seria esse?

– Meu irmão... – Ele confessa – Eu sempre quis conhecer o meu irmão mais velho... Mas a minha mãe me proibia e o meu pai não se aproximava dele... Eu estava muito animado por ter um irmão mais velho... Mas quando ele chegou na minha casa... Eu me senti um lixo perto dele... Ele tinha acabado de perder a mãe, mas ainda se mantinha de pé... Tinha uma ótima escola, um namorado, um futuro pela frente... E eu? O que eu tenho? O que eu tenho...? – Ele diz e dá uma longa pausa, antes de continuar – Quando ele chegou na minha casa ele alegrou a minha família... Se é que posso chamá-los assim... Meu pai vive trabalhando, minha mãe nunca me deu atenção de verdade... Eu sou um estorvo pra todos... Sempre fui... E quando eu vi a minha mãe o tratando tão bem e vi o meu pai o dando tanta atenção... Eu enlouqueci! Não era justo! Ele tem tudo o que eu queria ter... É tudo o que eu queria ser... Ele é e sempre foi melhor que eu... Então eu fiquei arrogante perto dele... Arisco, debochado... Eu sentia que se o diminuísse eu poderia me sentir menos... Pequeno... Eu invejo tudo o que ele tem... Então eu decidi me inscrever nesse colégio pra que eu pelo menos pudesse ficar perto do meu irmão... Mas é tarde demais... Ele me odeia... Deixou isso mais do que claro quando cheguei... – Ele diz sorrindo enquanto as lágrimas caiam dos olhos azuis dele.

– Mas se você se sente assim, por que continua insistindo em humilhá-lo? Por que não tenta fazer uma amizade com ele? – Eu pergunto e ele ri.

– Não dá. Já olhou pra mim? – Ele pergunta apontando pra sí mesmo – Eu não tenho amigos de verdade... Só tem gente interesseira que finge gostar de mim... Eu tenho muito medo de me aproximar dele e me sentir ainda pior do que eu me sinto... Cada sorriso que eu invento é uma lágrima que eu seguro... – Ele diz secando as lágrimas com os punhos. – Não adianta... A minha única família de verdade é ele... O Lipe é a única coisa que me motivou a vir pra cá... Se havia alguém capaz de me fazer mudar... Fazer com que eu não me sentisse...  Eu... Seria ele... Mas não dá... Ele me acha um bastardo... E essas são lágrimas ácidas de um bastardo invejoso...

– Ele não te acha um bastardo! – Eu intervenho – Ele tem raiva de você porque você o trata mal... Se der uma chance pro relacionamento de vocês melhorar eu juro que ele não vai te humilhar... O Felps é um cara legal... Não faria mal nem a uma borboleta... – Eu digo e ele ri. – Vamos... Seca essas lágrimas e vamos até algum lugar pra você se acalmar...

– Vocês tem algum lugar que eu possa tocar? –Ele pergunta e eu franzo o cenho...

– Você toca? – Ele sorri com aquele sorriso bonito de antes.

– É claro! Sou muito bom na batera e na guitarra... – Ele diz e nós levantamos.

– Adoraria ver um show particular... – Eu digo e ele ri.

– Me leve a algum lugar que tenha um desses instrumentos que eu faço! – Ele diz e eu assinto.

–Ok, vem comigo... – Eu digo e nós nos dirigimos à sala de música da escola...

#Flashback Off#

– Ele não te desprezava... Ele te invejava... – Thomas diz enquanto Felps estava boquiaberto – Você era a pessoa que ele mais queria ser amigo... Eu sei que ele é confuso e tal, mas eu realmente acreditei que você não o humilharia... Realmente acreditei que você tinha aprendido a lição e que não faria a mesma coisa que fez com o seu pai... – Ele diz e Felps o encara confuso.

– Como assim? – Ele responde e Thomas ri.

– Porra Felipe! Você está óbviamente desviando a culpa e a raiva que você tem do seu pai pra cima dele! Como se ele tivesse sido o culpado da separação dos seus pais... E mesmo depois de tanto tempo você ainda prejulgava o seu pai... E agora faz a mesma coisa com o Lucas. – Thomas diz e Felps encara o chão com vergonha.

– E-Eu não sabia... – Ele diz baixinho.

– É claro que não sabia... Esse é o seu problema! Você nunca procura saber! – Ele diz e Felps levanta a cabeça – Você é tão psicológicamente fudido que não poder ver algo que possa te machucar que você já ataca. Foi assim com o Cellbit, foi assim com o seu pai, e agora faz isso com o Lucas... Isso foi impiedoso, cruel e sádico da sua parte... Espero que esteja feliz, seu filho da puta... – Ele diz e sai da sala indo atrás do Lucas... Felps fica parado por mais alguns segundos assimilando tudo que ele ouviu.

– O que foi que eu fiz...? – Felps diz colocando as mãos na cabeça – O que foi que eu fiz...? – Ele repetia como um mantra. Eu me aproximo dele e seguro o rosto dele com as duas mãos.

– Felps, me escuta... – Eu digo e ele foca em mim – Você tem duas escolhas: Ou você se agarra ao passado e deixa o seu irmão pra lá, ou você se agarra ao presente e se une a única família que você tem... A decisão é sua... – Eu digo e ele olha pra mim com um olhar perdido.

– O que eu devo fazer...? – Ele pergunta pra mim.

– Corre atrás dele... Ele é seu irmão, vai te perdoar... – Eu digo com um sorriso e ele assente.

– Ok... Eu vou atrás dele! – Ele diz e começa a correr pra fora da sala de música...

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– O seu Tio felps era um cara bem problemático... – Cellbit diz, cruzando os braços – Não era fácil conseguir sua confiança... Ele fora muito machucado quando era mais novo, e isso acabou fazendo com que ele criasse esse sistema de defesa pra tentar expulsar qualquer um que chegasse perto demais...

– Mas eu estava disposto a abaixar a guarda pra poder deixar o meu irmão entrar... Eu não sabia o que dizer, mas eu tinha que tentar alguma coisa... E foi pensando nisso que eu continuei...

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Eu precisava falar alguma coisa... Precisava me desculpar e eu precisava recomeçar...

Minhas panturrilhas queimavam com o esforço físico que eu fiz, corri através do colégio procurando por ele, mas não consegui achá-lo em lugar nenhum.

Depois de muita procura eu o encontrei perto da quadra. Thomas estava perto dele o consolando. Logo todos chegaram perto de mim. Eu avanço alguns passos e ele me percebe. Ele se vira e vem na minha direção, os punhos fechados e a cara franzida me fizeram parar de andar.

– Lucas... Eu... – Eu sou interrompido com um soco na bochecha esquerda que me fez cambalear pra trás.

– FELPS! – Cellbit grita vindo na minha direção.

–Não! Não venha... – Eu digo e ele para de andar, confuso. Lucas me encarava com raiva. A respiração ofegante e descompassada misturada com a angústica e com a tristeza no rosto dele me deixavam muito triste. – Eu sei que você está com raiva, mas... –E sou interrompido com outro soco, dessa vez do lado direito.

Lucas começa a me dar uma sequência de socos no rosto, no supercílio, nos lábios...

– VOCÊ ACHA QUE EU PEDI PRA SER ASSIM?! – Ele grita enquanto chorava e me socava – ACHA QUE EU PEDI PRA NASCER?! EU SEI QUE EU SOU UM BASTARDO, MAS EU NÃO PEDI PRA SER SEU IRMÃO! EU NÃO PEDI PRA ACABAR COM A SUA FAMÍLIA! Eu não pedi pra existir... Eu não pedi pra ser sozinho... Eu não pedi... – Ele diz com as mãos ensanguentadas enquanto chora apoiado em mim. Mesmo com muita dor no rosto eu levantei os meus braços e o fechei num abraço desajeitado por causa da posição dele.

– Você... Não está mais sozinho... – Eu digo com um pouco de dificuldade por causa dos machucados. Ele desaba no meu ombro... Suas lágrimas encharcavam o meu ombro...

Depois de toda essa confusão nós nos pedimos desculpas e decidimos recomeçar... Ambos estávamos exaustos, o dia ia acabar e nós nem conseguimos ir ao shopping no fim das contas... Eu ainda tive que ouvir as reclamações do meu loiro sobre o quão idiota eu era por deixar o Lucas estragar a minha cara na porrada, e ainda tive que explicar ao diretor o porquê do pátio estar sujo de sangue... Foi tudo uma grande confusão... Mas mesmo com tanta confusão eu pude recomeçar com o meu irmão... E pra mim só isso já fazia todo o resto valer a pena...

 


Notas Finais


E foi isso, espero que tenham gostado. Se gostaram favoritem e comentem pra me incentivar a continuar!
Eu vejo vocês no próximo cap, amiguinhos, Hasta.


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