História Monnot - Capítulo 4


Escrita por: ~

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Categorias A Fantástica Fábrica de Chocolate, Bette Davis, Marlene Dietrich
Visualizações 10
Palavras 3.166
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Drama (Tragédia), Romance e Novela
Avisos: Adultério, Álcool, Drogas, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 4 - The Blue Angel


Fanfic / Fanfiction Monnot - Capítulo 4 - The Blue Angel

Liah Sullivan

Já se passaram dois meses desde que vim para a América, e eu estou desesperada. Estou no terceiro mês da gestação e ainda não consegui trabalho. Nem vou conseguir mais, porque a barriga já está começando a aparecer. Eu busquei trabalhos comuns. Em lojas, fábricas, mercados. Não consegui nada. O meu dinheiro está acabando. Eu poupei o máximo que pude, mas não tinha muito. A verdade é que foi uma loucura voltar pros Estados Unidos assim. Eu não tenho nem onde ficar. Eu tenho estado num hotel barato todo esse tempo, mas mesmo um hotel barato se torna caro se você passa dois meses nele.

Agora estou vagando pelas ruas, chorando discretamente, sem saber o que fazer da minha vida.

Estou usando sapatos oxford pretos baixinhos, um vestido estampado simples, meias finas pretas, um grosso casaco cinza e uma boina da cor do casaco. Perfeito para passar despercebida na multidão. Perfeito também para esconder a barriga.

Eu caminho por muito tempo, sem rumo. Eu precisava caminhar pra espairecer. Tenho andado muito nervosa por esses dias. Não saber o que fazer me tira o sono e a paz.

Eu ando de cabeça baixa, e acabo esbarrando numa mulher bem vestida, com sacolas de loja na mão. Ela as deixa cair.

- Me desculpe, senhora. Eu sinto muito, muito mesmo.- eu digo, enquanto cato as sacolas, e algumas peças que escaparam delas. Eu às entrego a mulher. As lágrimas nos meus olhos me impedem de ver o rosto dela direito.- Mais uma vez, me desculpe.

- Tudo bem. Por que está chorando, mocinha? - as lágrimas nos meus olhos descem, e eu finalmente vejo seu rosto. Eu sei que a conheço de algum lugar, mas de onde? Estou muito abalada pra pensar em qualquer coisa agora.

- Não quero aborrecer a senhora com os meus problemas.

- Ora, me conte. Talvez eu possa te ajudar.

- Acho muito difícil...

- Eu faço questão de ouvir. Se eu não puder te ajudar, pelo menos você encontrou alguém com quem desabafar. Olhe, tem um café aqui. Venha, vamos entrar. - Ela me pega gentilmente pelo pulso e me faz acompanhá-la para dentro do café. Nós nos sentamos num canto do café, ao lado da vidraça, nas poltronas macias.

- Bebe alguma coisa?

- Eu não posso beber, sou menor de idade. E também...

- E também...?

- Eu não posso pagar nada daqui.

- Não se preocupe com isso, querida. Quer um chocolate quente, ou um chá, ou um suco...? Sabe que eu não posso te oferecer café.

- Bem, se não for pedir demais... Um chocolate quente e um pedaço de bolo. Ainda não comi hoje.

- Não? Meu deus, que horror! - ela chama o garçom, pede meu chocolate quente e meu pedaço de bolo, depois volta a atenção para mim. Já a reconheci. É Marlene Dietrich. - Como se chama, meu bem?

- Liah. Liah Sullivan.

- Quantos anos tem, meu anjo? Quinze?

- Dezessete.

- Querida, me conte pelo que está passando.

- Bem... Eu nem sei por onde começar.

- Que tal pelo começo?

- Bom, eu... Eu cheguei de Paris há dois meses. Eu tenho tentado encontrar trabalho aqui esse tempo todo, mas não consegui nada até agora. O dinheiro que eu trouxe de Paris está acabando, e... - o garçom traz o meu bolo e o meu chocolate quente. Eu tomo um gole. -... E eu não sei mais o que fazer. Estou desesperada. Eu não vou encontrar emprego mais. E logo a despesa do hotel vai ser maior do que o dinheiro que eu tenho comigo. Com "logo", quero dizer amanhã. Se eu gastar com comida, não vou ter como pagar o hotel. Se eu pagar o hotel, eu não vou ter o que comer.

- Onde estão seus pais, meu bem?

- Morreram.

- E você não tem ninguém por você? Está sozinha?

- Completamente sozinha.

- Você disse que não vai conseguir emprego mais. Por quê?

- Porque ninguém vai empregar uma adolescente grávida e solteira. Eu não sou promíscua, senhora. Eu sou uma moça honesta. Mas ninguém vai acreditar nisso na hora de me dar um trabalho. Ah, se eu tivesse dinheiro pra voltar a Paris...

- Onde está pai do seu bebê?

- Na França.

- E ele sabe que está grávida?

- Não.

- Por quê não contou?

- Porque... Eu ia contar. Eu sou uma atriz. Estava fazendo minha primeira peça quando descobri. Eu ia esperar o fim da temporada para dar a notícia a ele. Porque se eu contasse antes, ele me faria deixar a peça.

- Compreendo.

- E... Na noite da última apresentação, quando eu ia finalmente contar a ele sobre o bebê, eu o encontrei com outra, dentro do meu camarim. E eles não estavam apenas se beijando. Eles tinham acabado de fazer amor. Eu pensei que ele me amasse, mas ele só queria se divertir comigo.- eu volto a chorar e abaixo a cabeça. Ela segura minhas mãos.

- Eu vou te ajudar, minha criança. Não posso saber pelo que você está passando e não fazer nada a respeito. Poderia ser minha filha. Vocês têm a mesma idade, são poucos meses de diferença. Eu vou ajudar você, meu bem.- eu levanto a cabeça.

- A senhora é um anjo? - ela ri. Ela é tão bonita...

- Não... Eu só... Eu tenho um coração, só isso.

- A senhora é um anjo. Muito obrigada. Eu nunca saberia como lhe agradecer por isso, Marlene.

- Ah, pensei que não tivesse me reconhecido. - ela diz, sorrindo.- E deixa essa coisa de "senhora" pra lá. Eu só tenho trinta e... Bem, não importa. Seque esse rostinho, meu bem. Termine de comer e vamos embora. - eu sorrio enquanto seco as bochechas com as palmas e as costas das mãos, termino de comer meu bolo e de tomar o chocolate morno.

Ela paga o que eu comi e nós saímos da cafeteria. Algumas crianças a param na porta, algumas pedindo autógrafos para seus pais, irmãos, algumas pedindo autógrafos para si próprias. Ela trata os pequenos com muito carinho e simpatia, depois nós continuamos a caminhar pela calçada.

- Para onde estamos indo?

- Para o seu hotel. Vamos buscar as suas coisas.

- Mas...

- Pensou que eu ia te emprestar dinheiro?

- É...

- Que dinheiro o quê? Eu não sou um banco. - ela diz, bem humorada. - Vou te levar pro meu apartamento. Você vai ficar comigo até acertar sua vida. Não precisa ter pressa, meu bem.

- Mas... Eu não vou conseguir "acertar minha vida" antes de ter o meu bebê.

- Eu sei. E você acha que pode ter um bebê dentro de um quarto de hotel? - eu sorrio.

- Viu? Eu disse que você era um anjo. - ela ri. - Quer que eu carregue essas coisas pra você? - ela para de caminhar por um instante e eu também.

- Não há necessidade, não são pesadas.

- Eu faço questão.

- Bem, já que é assim... - ela me entrega as sacolas e nós voltamos a caminhar. Ela atravessa a rua sem me avisar e eu vou atrás. Ela entra num táxi e deixa a porta aberta para mim.

- Pra onde, senhoras? - ela olha para mim.

- Pra onde?

Eu digo ao taxista o nome do hotel, e ele nós leva até lá.

- Você percorreu toda essa distância a pé? - Ela me pergunta quando chegamos.

- Sim... E nem me dei conta. Vamos?

- Não, vou esperar aqui. Busque suas coisas, pague a conta e volte.

- Está bem, não vou demorar.

Eu subo as escadas até o meu quarto, guardo minhas coisas temendo para que tudo não tenha sido apenas uma alucinação. Temendo que quando eu volte para fora não haja nenhum táxi esperando por mim.

Eu pago minhas despesas e só me resta U$ 1,15. Um empregado do hotel leva minhas coisas até o porta malas. Marlene está fumando e conversando com o taxista.

Ao que parece, não é uma alucinação, afinal.

Ela diz ao taxista o nome do bairro onde ela mora, e ele começa a dirigir o carro.

- Olhe porque eu não comi nada. - eu lhe mostro o quanto sobrou do meu dinheiro.

- Isso é tudo?

- Cada centavo. Se eu tivesse comido, não poderia pagar.

- E não tem café da manhã nesse hotel?

- Tem, mas é pago por fora.

- Que absurdo. Mas você está livre dessas preocupações agora.- eu sorrio.- Que nome vai dar a esse menino que está aí?

- Como sabe que é menino?

- Acredite em mim. Marlene sabe dessas coisas. É um menino. Como vai chamá-lo?

- Bem, se é um menino... Joseph.

- Lindo nome. Foi um homem chamado Joseph que me colocou no cinema.

- Foi?

- Joseph Von Sternberg. Quando eu era estudante na escola de teatro, ele foi a Berlim para fazer um filme. Aquele que se chama "The Blue Angel". Ele deu uma olhada em todas as atrizes, e não encontrou a que ele queria para o papel, então ele procurou entre as estudantes. Ele pediu que nós trouxéssemos uma canção alegre para o teste. Eu estava tão certa de que nunca conseguiria o papel, que entrei sem a canção. Ele disse "já que você não trouxe uma música alegre... Cante qualquer música que você goste", e eu disse "eu gosto das músicas americanas". Ele disse "tudo bem. Cante uma música americana". Eu cantei "You're The Cream In My Coffee". E consegui o papel.

- Eu gosto muito desse filme.- ela sorri.

- Então você é uma atriz. Você vai tentar o cinema, ou vai continuar no teatro?

- Meu sonho sempre foi o cinema. Mas talvez eu continue no teatro por um tempo, eu não sei... Não sei se estou preparada para Hollywood ainda.

- Entendo. Você vai ter tempo para pensar nisso.- ela acende mais um cigarro e nós ficamos caladas por mais uns dois ou três minutos, até que o taxista desacelera o carro.

- Qual deles é o prédio da senhora?

- Aquele. - ela diz, apontando para o prédio onde mora. O homem dirige até o prédio e para na frente dele, sai do veículo e tira as malas do carro, ela paga o valor da corrida e vai para dentro do prédio. Eu fico tomando conta das minhas malas. Ela volta com um rapaz. Ele leva quatro das minhas malas. Eu levo uma. Marlene leva apenas suas sacolas de compras.

Nós subimos até o andar onde ela mora. O rapaz deixa as malas na frente da porta, pede licença e volta para a portaria. Ela procura a chave dentro da bolsa e abre a porta.

- Entre. - eu limpo os pés no capacho, pego mais uma mala, entro, e deixo as duas do lado de dentro. Eu volto para buscar mais duas e ela pega a última. Ela acende a luz.  Eu olho em volta.

É a coisa mais linda que eu já vi. Perfeitamente limpo e decorado com esmero. Tudo tão refinado, tão requintado, tão... rico.

Ela pega minha mão.

- Vou te mostrar o seu quarto.

- Vou ter um quarto só meu?

- Você achou que ia dormir no sofá? - eu dou uma risadinha tímida. Eu a sigo até um corredor com quatro portas.- Aqui é o meu quarto, aqui o de Maria, aqui o seu, aqui o banheiro social. Todos quartos são suítes.- ela diz, apontando para as respectivas portas e abre a do quarto que disse que será meu.

Tão lindo que eu mal posso acreditar que seja verdade. O papel de parede tem uma estampa delicada em tons pastéis. O tapete é macio, a cama bastante espaçosa, a janela é grande e tem uma vista linda.

O quarto é simplesmente perfeito.

- Gostou?

- Adorei. É lindo, é... É perfeito. Parece um sonho. Ontem eu estava correndo atrás de uma barata pra me livrar dela antes de ir pra cama e poder ter um sono tranquilo, e hoje eu estou aqui. Marlene, muito obrigada. - eu a abraço. Ela corresponde, me apertando carinhosamente.

- Sinta-se à vontade, querida. Pelos próximos meses, essa é a sua casa. Se instale no quarto. Eu vou guardar minhas compras e preparar algo para nós comermos.

- Está bem. Com licença. - eu volto para a sala e busco duas malas, depois busco as outras duas, depois a última e a minha bolsa.

Eu tiro os sapatos, a boina e o casaco, e começo a arrumar minhas coisas. Santo Deus, ainda não parece real.

Quando termino, eu vou à cozinha, onde encontro Marlene mexendo algo numa panela.

- Dona Marlene? - eu chamo baixinho, e ela olha para mim. - A senhora me dá um copo d'água? - ela abaixa o fogo e sai de perto do fogão.

- "Dona Marlene? A senhora me dá um copo d'água?" - ela me imita. - Você é uma gracinha. - ela pega garrafa de água na geladeira e me serve um copo.

- Obrigada. - eu tomo a água e lavo o copo na pia. - Quer ajuda?

- É, quero... Pique as batatas.

- Quantas?

- Umas quatro.

- Onde estão? - ela aponta. Eu pego as batatas, as lavo e começo a descascá-las.

- Então, Liah... Me conte a história da sua vida.

- Bem... A minha mãe era cantora, e o meu pai farmacêutico. Não cheguei a conhecê-lo. Ele morreu quando ela ainda estava grávida, ou poucos meses depois de meu nascimento. Não tenho certeza, não me falaram muito dele. Eu vivi com ela até meus cinco anos, quando ela morreu de tuberculose. Então eu fui viver com a minha avó, Gertrudes. Era a mãe de meu pai. Fiquei com ela até os treze. Ela também morreu, então eu fiquei no orfanato até que minha tia pudesse vir de Paris para me buscar. E eu gostava muito dela, mas ela não gostava muito de mim. Ela me acolheu por obrigação, mas assim que pôde se livrar de mim, me mandou embora.

- Ela te pôs na rua?

- Não... Ela ia me colocar no colégio interno. Mas a minha prima, que também é minha melhor amiga, disse que se eu fosse, ela também iria. Então tia Margareth alugou um apartamento para nós duas. Era pequeno e barato, mas nós vivíamos bem.

- Ela dava uma mesada a vocês?

- Ela dava uma mesada a Rose. Eu trabalhava.

- E você tinha quantos anos?

- Tinha 16. Foi aí que conheci o Willy.

- Esse é o pai do seu bebê?

- Sim.

- Hum... Você é tão jovem, querida. Já passou por tanta coisa... Será que não está na hora de você começar a ser feliz?

- Deus queira. - eu acabo de picar as batatas, que não eram muito grandes, e as levo para ela.

- Obrigada.

- Sua filha, Maria. Acha que ela vai gostar de mim?

- Como não gostaria? Você é um docinho.

- Obrigada.

- Qual é o seu signo?

- Eu não sei... Eu não entendo de signos.

- Quando você nasceu?

- 23 de fevereiro.

- É Peixes. Está explicado por que você é um docinho e por que o seu namorado te fez de trouxa. - eu rio. - Você me parece com sono.

- Estou. Eu não dormi muito bem nas últimas noites. As piores situações possíveis passaram pela minha cabeça. Pensei que o hotel fosse me pôr na rua por não ter como pagar, que eu fosse ter que dormir na calçada, pedir esmolas... Pensei que fosse ter que entregar o meu bebê para adoção, por não ter como criá-lo.

- Realmente não tem como dormir com esses pensamentos. Mas você é muito pessimista.

- Talvez.

- Mas o que importa é que tudo vai ficar bem agora. - eu sorrio. Nós conversamos mais um pouco enquanto esperamos a comida ficar pronta.

- Me diz, você sabe cuidar de crianças?

- Até que sei... Quando eu tinha onze anos eu trabalhava numa casa de família, tinha crianças lá.

- Ah, não. Eu vou te ensinar a trocar fraldas e preparar mamadeiras mesmo que você já saiba. E a senhorita vai prestar muita atenção e vai aprender de novo. - nós rimos.

- Tá bom, tá bom... Mas você não me deixou terminar de falar. Tinha crianças lá, eram pequenas, mas não bebês. Só peguei um bebê no colo uma vez na vida. - ela sorri.

- Então vai precisar de mim.

- Vou.

Willy Wonka

Quanto mais o tempo passa, mais eu odeio Jacqueline. Ela é inútil e mimada.

Faz dois meses que chegamos aos Estados Unidos. E, tirando o casamento, está tudo indo de bem a melhor. Já consegui emprego e já aluguei um apartamento pequeno para nós. É simples, mas é o suficiente pra um casal e um bebê.

Há algumas semanas, a inútil se sentiu mal e pediu que eu a levasse ao médico para ver se estava tudo bem com o bebê. Eu levei, claro. O bebê acima de tudo. Estou curtindo bastante a ideia de ser pai.

A inútil ainda está dormindo. Eu já me levantei e me arrumei para ir ao trabalho. Eu trabalho no jornal. Eu vendo os espaços nas páginas para os anúncios.

Eu preparo o café da manhã, desço para buscar a correspondência, volto para o apartamento, me sento no sofá e começo a olhar os envelopes. Conta de luz, conta de gás, resultado dos exames. Vamos ver.

Eu abro o envelope e leio. Aparentemente está tudo bem com a criança, graças a deus. Mas um detalhe que eu leio no resultado me deixa muito, muito irritado.

Eu vou ao quarto, me sento na cama e cutuco o ombro dela.

- Jacqueline, acorde.- ela geme de preguiça.

- Ah, agora não... - ela puxa o cobertor mais para cima.

- Ah, agora sim. - eu tiro o cobertor de cima dela. - Jacqueline?

- Hum...- ela puxa o cobertor de volta.

- Jacqueline! - eu lhe dou um tapa no rosto. Não forte. Apenas para lhe dar um susto que a acorde.

- Ai! Willy, o que foi?

- A senhora pode me explicar o que significa isso? - eu lhe entrego o papel e ela olha.

- Está tudo em inglês, querido, eu não entendo nada.

- Ah, não seja por isso. Eu traduzo pra você. Aqui diz, vadia, que você está grávida há dois meses.

- Sim, meu amor, mas o que tem de errado?

- O que tem de errado? O que tem de errado? Tem de errado que nós estamos casados há dois meses. Você engravidou, desgraçada, foi na noite de núpcias, não antes. Você mentiu pros seus pais, mentiu pra sua família inteira, e mentiu pra mim, só pra me obrigar a me casar com você! - ela chora.

- É verdade. É verdade, querido, eu menti, sim. Mas tudo o que eu fiz foi por amor! - eu a seguro pelo pescoço, sem apertar, embora tenha vontade, e aproximo o rosto dela do meu.

- Amor?! Você me impediu de ser feliz com quem eu amo por amor? Você destruiu a minha única chance de felicidade por amor?! Você me fez infeliz por amor, Jacqueline? Foi por amor?

- Foi. Me perdoe.

- Não. Eu não perdoo. Eu te odeio. Eu tenho nojo de você.- eu a empurro de volta ao travesseiro e me levanto. Ela põe uma mão no pescoço e outra no peito, e continua chorando, nervosa. - Eu vou trabalhar. Tenha um bom dia, Jacqueline. - eu vou até a porta do quarto e me volto para ela. - E mais uma coisa: quando eu disser pra acordar, você acorda. - eu saio do quarto e bato a porta, pego uma fatia de bolo, minha carteira e as chaves de casa e saio.



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