História Monsters in 1920 - Capítulo 1


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Arthur, Death, Drama, Emily, Horror, Life, Monsters, Morte, Shadows, Suspense, Terror, Vida
Exibições 11
Palavras 1.772
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Ficção, Mistério, Romance e Novela, Survival, Suspense, Terror e Horror, Violência
Avisos: Álcool, Mutilação, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


E assim começa uma história triste e não recomendada para pessoas que gostam de finais felizes. Busque por outros contos de seu interesse, porque você certamente não terá um tempo agradável lendo este.

Capítulo 1 - O começo desagradável.


Eu realmente não tenho a mínima ideia do que levaria uma pessoa a querer ler esse macabro conto. Acredito que a sinopse tenha sido muito clara quando informou que essa não é, de maneira alguma, uma história para pessoas alegres. O que eu retrato aqui é a história de um casal de meio-irmãos, que sofrem por diversos infortúnios e calamidades durante sua jornada, para voltar ao mundo dos vivos. Antes de começar, gostaria de dizer duas coisas: Essa história é atemporal, e mesmo que o título diga especificamente “Monsters in 1920’’ essa foi só uma maneira de indicar como vocês deveriam imaginar o ambiente ao seu redor. E a segunda coisa, se você é fã de finais felizes ou coerentes, não leia essa história de maneira alguma. Escape desse infortúnio antes que seja tarde de mais. Não leia essa história.

 

-Com todo respeito, Martin Rain.

 

 

Emily e Arthur são um casal de meio irmãos. Arthur está em seus doze anos de idade, enquanto Emily tem treze. Embora não partilhem de nenhum tipo de laço sanguíneo, os dois irmãos são muito achegados, e apoiariam um ao outro “para o que der e vier” expressão aqui utilizada para simbolizar “qualquer infortúnio, eles estariam ali para se ajudar’’. Emily é filha de uma socialite famosa, chamada Barbara Reis, que como qualquer socialite, havia preservado seu nome de solteira para o caso de um futuro divórcio. E antes que vocês me perguntem se realmente existiam socialites em uma época como essa, eu gostaria de ressaltar mais uma vez que essa história é atemporal, termo aqui utilizado que significa “Não se passa em nenhum período de tempo oficial, e você pode imaginar da maneira que quiser em que ano eles estão”. Emily, como qualquer garota prestes a atingir sua adolescência, nutria algum desgosto pela personalidade liberal e sarcástica de sua mãe. Mesmo assim, Emily era uma jovem muito bem educada e humilde, que tinha uma enorme paixão por cálculos matemáticos de vários tipos. Sim, Emily era uma jovem de feições belas e muito inteligente, que poderia fazer cálculos mais rapidamente que uma calculadora. Talvez seja um exemplo exagerado, afinal a mente humana está longe de fazer cálculos matemáticos tão rápidos quanto uma calculadora, mas Emily era muito bom nisso.

Quanto ao irmão mais novo de Emily, Arthur, não tinha o mesmo dom para cálculos matemáticos que sua meia-irmã, mas era tão inteligente quanto a mesma, é claro, em uma área diferente, e posso dizer, um tanto peculiar. O jovem era fascinado pelo universo, estrelas, e qualquer outra coisa que envolvesse tudo que existe além do nosso pequeno planeta. Para alguns, principalmente para sua madrasta Barbara, era um interesse sem sentido e que não o levaria a nada. Você pode me perguntar por que razão Barbara achava isso. Bem, sendo uma socialite, e eu não falo isso querendo ofender nenhuma socialite que esteja lendo, Barbara via muito mais os prazeres que a vida podia fornecer do que coisas simples, como observar o céu de noite. Não é preciso deixar claro que os dois irmãos não tinham muito prazer na companhia de sua, no caso de Emily, mãe, e no caso de Arthur, madrasta. Mas, como qualquer membro da família que acabamos por criar desgosto, eles a suportavam. O homem que Barbara se casou, pai de Arthur e padrasto de Emily, se chamava Robert, um nome considerado famoso naquela época. Diferente de Barbara, Robert era um homem bom, com o único erro de dar valor de mais ao dinheiro. Talvez pelo fato dele ser banqueiro, ou simplesmente porque queria dar uma boa vida a sua família, para tentar compensar sua infância sofrida no campo. Robert era o banqueiro “número 1’’ da cidade que viviam, e o mais procurado quando se tratava de negócios, por isso passava muito pouco tempo em casa e com sua família. Agora voltando nossa atenção para Arthur, seus conhecimentos do universo e estrelas eram, mesmo que Barbara não admitisse, úteis. É claro, embora eles não aprendessem muito sobre o universo na escola, caso um dia os dois irmãos ficassem perdidos em uma selva escura ou em um deserto, o conhecimento de Arthur com as estrelas viria muito a calhar. E é um desprazer informar, caro leitor, de que em breve Arthur realmente terá que reunir seus conhecimentos para fugir de uma terra aparentemente sem fim.

Segundo registros fornecidos a mim por fontes, era manhã de um dia chuvoso, provavelmente 14 de Outubro quando tudo começou. As crianças estavam sentadas no banco de trás de um automóvel, vendo os pingos de chuva respingarem sobre a janela embaçada. Dirigindo o carro, o mordomo da casa, um homem de meia idade gordinho e com um bigode branco, chamado George, dirigia pelas ruas aparentemente vazias enquanto vários prédios cercavam a estrada dos lados esquerdo e direito. George era um homem muito bom para as crianças, e tenho certeza de que você leitor, se tivesse um mordomo, (que segundo minhas fontes, você não tem) certamente gostaria que ele fosse George. O homem dava secretamente doces as crianças antes do jantar, quando tinha instruções específicas de Robert para não fazer isso. Só por esse simples fato, você já deve ter percebido o quão bom ele era, mesmo sendo um pouco avoado.

Neste momento você deve estar se perguntando para onde o mordomo levava as crianças a essa hora da manhã, e a resposta é simples e curta: A escola. Mesmo eu já tendo mencionado que Emily era ótima com cálculos, e Arthur era excelente quando o assunto era astronomia, a escola era um lugar um tanto desanimador para crianças tão inteligentes. Talvez pelo fato de sofrerem com “brincadeiras de mal gosto” de algumas outras crianças, que geralmente os ofendiam por terem uma família de classe alta. É verdade, as outras crianças as ofendiam por serem ricos. Mas você, eu, e todos devem estar pensando a mesma coisa: Por que motivos alguém iria zombar de outro por essa pessoa ser rica? E por que alguém rico iria ligar? Bem, as crianças ligavam. Além disso, os professores não eram muito gentis com eles, e esperavam que eles tivessem um desempenho melhor que todas as outras crianças, pelo simples fato de serem ricos. Quanta bobagem, não é mesmo? Mas é por isso que os jovens meio-irmãos tinham que passar sempre que iam para a escola.

Retornando ao assunto do agradável mordomo George, todas as pessoas tem algum tipo de erro, ou como eu gosto de chamar, “problemas no molde”. E mesmo George sendo uma ótima pessoa, ele tinha o péssimo hábito do alcoolismo, que começou quando se separou de sua mulher seis meses atrás. Desde aquele tempo, ele bebe pelo menos três vezes por dia e lamentava o porque de sua mulher o ter deixado. Quando eu digo três vezes por dia, significa que ele bebia todo café da manhã, almoço e jantar. Geralmente apenas um ou dois goles a cada refeição, mas hoje, foi diferente. George havia recebido uma carta de sua ex-mulher, com más notícias pra ele. E graças a isso, estava mais triste do que o normal. Naquela simples e chuvosa manhã, já havia bebido cinco goles durante o caminho do carro até a escola, e nós sabemos muito bem que beber álcool enquanto dirige, é uma das coisas mais graves que podem ser feitas. A cada 6 minutos George tomava um gole da bebida que havia trazido com sigo, e os irmãos, por serem crianças inteligentes, notavam isso, mas não resolveram comentar o assunto.

Olhando as faces deveras desanimadas das crianças, George não se conteve ao comentar:

- Não fiquem assim! Poderia ser bem pior...

Emily teria respondido alguma coisa, mas resolveu ficar calada. Arthur perguntou:

- Como poderia ser pior?

-Não sei, talvez vocês poderiam ser um mordomo que acaba de se separar da própria mulher, e recebe cartas dizendo que deve pagar pensão, sendo que você nem tem filhos! Haha...

Depois de uma risada fraca, George tomou um gole da sua bebida. As crianças resolveram ficar quietas e observar a chuva, que agora subia com uma neblina leve, que de pouco a pouco ia ficando mais densa. George continuou a falar.

-Sabe, vocês são ótimas crianças, e muito inteligentes também. Talvez se eu tivesse um pouco dessa inteligência quando mais jovem... Bem, vocês não me veriam como um mero mordomo.

- E o que você queria ser? – Perguntou Emily, delicadamente –

- Essa... É uma boa pergunta! Talvez fundar minha própria fábrica de automóveis, com meu sobrenome escrito em grandes letras maiúsculas... “George Poe”! Consegue imaginar? 

Não, as crianças não conseguiam imaginar. Provavelmente porque “George Poe” não é nome que se dá a uma fábrica de automóveis, mas eles por educação resolveram não comentar nada. George deu mais um gole na sua bebida, e se você o estivesse vendo neste exato momento, teria notado que o pobre homem já estava completamente bêbado. Ele não era o tipo de sujeito forte a álcool, e as crianças perceberam isso da pior maneira. O mordomo começou a falar palavras e frases meio desconexas sobre a ex-mulher, e sem perceber, fez uma curva errada na neblina, indo parar em outra rua. Emily percebeu, e tentou exclamar alguma coisa, mas George simplesmente não a ouvia, e murmurava alguma coisa sobre como a neblina estava densa naquele dia.

E foi nessa hora, caro leitor, que o momento mais triste desta história aconteceu. Se você realmente conseguiu acompanhar toda essa série de eventos até aqui, saiba que essa é a parte em que tudo muda, onde a vida dos irmãos é literalmente jogada de cabeça pra baixo, em uma série de infortúnios e desgraças que os levariam em uma enorme desventura para procurar o caminho da vida em um mundo de desolações. Porque naquele exato segundo que o mordomo George fez a curva errada, e entrou em uma certa rua, foi quando ele não percebeu no meio da densa neblina, estar indo em contra-mão.

E naquele momento, um carro vinha na exata mesma direção. Emily tentou gritar algo, mas já era tarde para se evitar qualquer coisa.

Pelo que minhas fontes disseram, o segundo carro estava vindo em alta velocidade, o que acabou causando um estrondoso acidente. Atualmente, estou sentado em um café com vista para a rua no qual o acidente foi causado, o que já faz bastante tempo do ponto que estou. Vendo as pessoas andarem calmamente por aqui, com a sensação de que nada ocorreu, mas eu sei muito bem que foi graças a esse acidente, nessa mesma rua, que os irmãos foram jogados em um mundo completamente diferente, de terríveis possibilidades, apenas para buscar uma forma de voltar a terra dos vivos.

 

 


Notas Finais


Enquanto este capítulo é publicado, eu estava a algumas horas atrás na Cidade-de-Baixo, observando a enorme estação das almas perdidas, e pensando no que caminho que Emily deve ter feito naquela terra desolada. Neste exato momento, estou no escuro pântano da perdição, sentado em um tronco sujo de musgo, enquanto vejo as criaturas me observarem com seus olhos vazios na escuridão. Foi aqui que Arthur começou sua jornada, e é um lugar bem interessante para estudos.

-Seu caro, Martin Rain.


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