História Moonlight - Capítulo 25


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Categorias Seventeen
Personagens Boo Seungkwan, Hansol "Vernon" Chwe, Hong Jisoo "Joshua", Jeon Wonwoo, Junghan "Jeonghan", Kim Mingyu, Lee Chan "Dino", Lee Jihun "Woozi", Lee Seokmin "DK", Seungcheol "S.Coups", Soonyoung "Hoshi", Wen Junhui "JUN", Xu Ming Hao "THE8"
Tags Drama, Fantasia, Ficção, Jeongcheol, Jun, Junhao, Junhui, Lemon, Meanie, Minghao, Romance, Seokkwan, Seventeen, Sobrenatural, Soonhoon, The8, Yaoi
Visualizações 182
Palavras 3.969
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Escolar, Famí­lia, Fantasia, Ficção, Fluffy, Lemon, Magia, Mistério, Romance e Novela, Shonen-Ai, Sobrenatural, Universo Alternativo, Yaoi
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Olá!!!!!!!!
Desculpa de novo pelo atraso aksfjsks (embora eu ache que ninguém ligue pra quando eu falo disso)
Por causa disso e de umas coisas que eu estou percebendo agora que a rotina de aulas voltou, vou ter que mudar o dia de postar, que antes era sexta/sábado, pra sábado/domigo. Isso porque eu percebi que o dia em que eu mais rendo é sexta, tanto que agora é sempre nas sextas que eu consigo terminar os capítulos, então.....
É isso aí

Boa leitura!~

Capítulo 25 - XXIV- Acidente


Fanfic / Fanfiction Moonlight - Capítulo 25 - XXIV- Acidente

•Seokmin

O pesadelo começou assim que acordei. Espera, então eu estava desacordado? Por quanto tempo? Era para isso acontecer? Ergui minha mão agora desprovida de poderes e passei a observá-la, tentando organizar meus pensamentos, quando passei a reparar no céu que se estendia à minha frente. Era todo azul claro com certas manchas brancas e um sol que eu não quis observar por muito tempo por causar dor aos olhos. Então me pus sentado, e percebi que nada me era familiar. Nem mesmo o solo em que eu descansava era de confiança. Aquela coisa verde que compunha o chão, a vastidão daquele céu que parecia me engolir... Quando me dei conta, meu corpo inteiro tremia, e tudo o que eu queria naquele momento era sair, sair daquele lugar que eu não pertencia!

– Ei! – Então a voz de Seungkwan chamou minha atenção. – Você está bem?

Parei então para visualizar seu rosto. Aquele rosto tão familiar e tão importante para mim, a ponto de me fazer cometer uma loucura dessas, com aquele cenário tão estranho e medonho no fundo, bem no fundo. Percebi então que, não importava onde eu estivesse, ele ainda estaria comigo, e eu estaria com ele. Pela primeira vez, agradeci a mim mesmo por ter vindo, por não ter deixado o meu bebê se meter nessa encrenca sozinho.

Acho que minha tremedeira diminuiu.

– Estou... Agora estou... – Respondi, tentando recuperar o fôlego.

– Tem certeza? O que aconteceu?

– Não foi nada... – Tentei ocultar a fobia que tinha pelo desconhecido, pois achava que as fobias eram a maior fraqueza que um ser vivo poderia ter.

– Ah, eu te conheço, Seokmin. – Ele sorriu. Fazia tempo que eu não via aquele sorriso... – Eu sei que está com medo!

– Mas e você? Duvido que não esteja assustado com tanta coisa desconhecida por toda parte.

– Eu achei bem bonito, na verdade...

Fechei a cara propositalmente, demonstrando que não acreditava em nenhuma palavra saída de sua boca.

– Está bem! No fundo também estou com medo, mas ao mesmo tempo curioso sobre tudo! Você não?

– Bem, não. Você sabe muito bem que eu não queria estar aqui, Seungkwan.

– Por que não ficou lá, então? Ajudando a sua mãe a matar os meus amigos?

– Nunca que eu deixaria você vir sozinho! Eu preciso cuidar de você! Nem que pra isso eu tenha que provar desse inferno... E eu já sinto falta dos meus poderes.

– Você não vai precisar dos seus poderes aqui. Nós vamos nos virar como humanos, e sermos felizes normalmente.

– Kwan... Nós vamos mesmo ficar aqui pra sempre?

– Bem, eu receio que sim... A menos que sua mãe deixe de ser uma ameaça algum dia...

Ou seja, pra sempre.

 

Ficamos por um bom tempo sem sair do lugar, conhecendo o novo ambiente em que iríamos viver, até que decidimos tomar um rumo. À nossa frente havia uma larga e extensa faixa cinza e lisa no chão, e atrás de nós, uma casinha rodeada de pequenos animais não identificados.

Concordamos em explorar a faixa cinza primeiro, que lembrava de leve as ruas menos povoadas de Uchandra. De início aquele lugar parecia deserto, e não vimos problema nenhum em atravessá-lo. Porém, já no meio do caminho, fomos surpreendidos por um veículo em alta velocidade que, por alguns passos, quase se chocou contra nós. Meus extintos e todo aquele meu medo daquele planeta fizeram com que eu automaticamente saísse correndo, puxando Seungkwan junto, é claro, que acabou caindo no chão, talvez pelo medo ou pelo meu jeito brusco, e foi arrastado até atingirmos a parte verde novamente.

– Que porra é essa, Seokmin?! – Ele se levantou assim que parei de puxá-lo, batendo no tecido da calça para tirar os pedaços verdes que acabaram ficando grudados.

Comecei a rir tanto da situação que era difícil acreditar que estava morrendo de medo cerca de minutos atrás. Deveria ser a primeira vez em semanas que eu sentia algo diferente do mais puro desgosto e o medo de ter chegado aqui. Seungkwan, por sua vez, no começo apenas me encarou o mais sério possível, mas logo não conseguiu mais aguentar e também se desfez em risos.

Optamos então por seguir em direção à casinha, já que eu não me atreveria a atravessar aquela estrada novamente, nem que Seungkwan morresse de insistir. Felizmente, ele me compreendeu e não falou mais nisso.

Era uma casinha um tanto pequena e simples, totalmente diferente do modelo de casas de Uchandra, até mesmo dos modelos mais pobres. Nós dois chegamos à conclusão de que o proprietário não era alguém de muitas riquezas, já que, mesmo completamente diferentes, as casas pobres de qualquer lugar que fosse possuíam uma característica em comum: sua simplicidade.

Porém, ao contrário do que deve estar se pensando, não damos a mínima para a classe social das pessoas, e posso dizer que essa foi a última coisa que pensamos ao bater na porta envelhecida, agora diante de nós.

– Pois não?

Era uma mulher igualmente simples, a que nos atendeu. Havia alguma característica forte nela que lembrava muito o Junhui e o Minghao, mas não conseguia muito bem definir qual era... Parecia que estava no jeito em que nos olhava... Enfim, agora não era hora de pensar nisso. Precisávamos responder, é claro! Mas como? O que exatamente queríamos? Algum lugar para ficar? Sim, com certeza, mas como pedir algo assim sem ser rude? Pelo menos em Uchandra, se você chegar na casa de alguém pedindo uma coisa dessas, não importa quem for, será chutado para fora imediatamente!

– Somos viajantes e nos perdemos, a senhora poderia nos fornecer abrigo por alguns dias? – Posso jurar que minha boca se abriu em um “o” assim que Seungkwan começou a falar, agindo o mais naturalmente possível, como se já fosse familiarizado com humanos há anos.

A mulher nos analisou por segundos, passando os olhos do rosto de Seungkwan ao meu, tentando entender o que estava acontecendo, já que não é todo dia que se recebe um pedido desses, até mesmo para os humanos. Achei que estaríamos ferrados e que ela sairia nos xingando e nos batendo, como um chandrama provavelmente faria, mas minhas expectativas mudaram completamente ao poder visualizar o primeiro sorriso que nos exibia.

– É claro, jovens! Entrem! – Ela fez um gesto com a mão para que entrássemos e nos deu espaço. Seungkwan e eu nos entreolhamos, e dei meu primeiro passo para frente assim que percebi o sorrisinho orgulhoso de si mesmo de Seungkwan.

A casa por dentro também não era das mais desenvolvidas, mas transmitia certo conforto. Logo de cara podia se ver várias estantes cheias de livros, alguns um tanto velhos, um sofá marrom diante do tapete da sala e uma parte da cozinha, que era separada do cômodo em que estávamos apenas por uma meia parede.

– Sentem-se! Aceitam um café? Ou talvez um chá? – Ela perguntava, enquanto nós dois obedientemente sentávamo-nos naquele sofá.

– O que é iss-

– Nós dois queremos café, por favor! – Seungkwan me interrompeu.

– Certo, eu já volto! – E desapareceu pela cozinha.

– Todo humano sabe o que é café e chá! – Seungkwan sussurrou para mim assim que perdemos a mulher de vista.

– E o que são essas coisas?

– São bebidas quentes. Eu só tive a oportunidade de provar o café, por causa de Jun, por isso pedi o mesmo para nós dois.

– E isso é bom?

– Aqui está! – Antes que Seungkwan pudesse me responder, ela voltou com duas xícaras com um líquido preto dentro. Seungkwan começou a bebericar o seu, então fiz o mesmo, e o resultado foi que queimei a língua. Credo, o que há com esses humanos? Por que eles gostam de se queimar assim? Ou será que eu deveria esperar esfriar? – Então, jovens, como se chamam?

– Eu sou o Seungkwan, e ele o Seokmin. – Seungkwan respondeu antes mesmo que eu pudesse abrir a boca. – Ele é tímido, por isso não fala...

– Vocês lembram muito o meu filho! – Parando para pensar, ela realmente parecia encantada com a nossa presença, e agora podíamos entender que era por causa de seu filho.

– Ah, é? E onde ele está? – Deveria ter sido a primeira vez que conseguir dizer algo a ela sem ser interrompido ou minha voz falhar.

– Essa hora deve estar na Coreia, estudando... – Por dentro eu me perguntava o que diabos era essa tal Coreia, mas esses pensamentos insignificantes logo se esvaíram assim que ouvi sua próxima frase. – Se chama Junhui. Ele foi com o amigo, Minghao... A amizade de vocês dois lembra muito a deles! Aliás, ainda não disse meu nome! Prazer, me chamo Mei!

✨✨

 

•Minghao

Enquanto Wonwoo, em sua forma de tigre, lutava frente a frente contra a rainha, Coups redescobria a sensação de ter poderes percorrendo seu corpo, Jihoon fazia de tudo para sair daquele lugar discretamente com Soonyoung e protegê-lo, Seungkwan e Seokmin eram mandados à Terra e Jun estava completamente desaparecido, eu, juntamente a todos os outros que sobraram, vulgos Jeonghan, Dino e Mingyu, tentávamos pensar em algum plano para acabar de vez com aquilo.

A ideia fora de Jeonghan, como esperado. Sempre foi a pessoa mais organizada entre nós, aquele tipo de gente que esquematiza em um papel todas as suas ideias para não se perder entre elas, e também um dos que sofreram e aprenderam com a derrota que tiveram no passado. “Francamente, eles não aprendem mesmo!” Comentou, assim que Coups, agora extremamente confiante e seguro de si, avançava também contra a rainha.

– Escutem – ele começou – sabemos que ninguém aqui tem poder o suficiente para ir encará-la de frente como aqueles idiotas estão fazendo, então precisamos de um esquema. Podemos dizer que os três – porque agora Vernon, em sua forma de águia, também lutava contra a rainha – assumiram a frente, com o intuito de atrasar a rainha enquanto nós, a parcela inútil, resolvemos as coisas.

– Eu só quero saber cadê o Jun! – Exclamei, desesperado.

– Você vai saber, porque é exatamente isso que vamos fazer. Não sei, mas eu sinto que as coisas só irão se resolver se tivermos Jun conosco... Ele é bem poderoso, isso é verdade. Você acha que ele tem poder o suficiente para dar o xeque-mate na rainha, Ming?

– Eu nem sei, na verdade... Nunca o vi usando seus poderes na potência máxima, já que nunca precisávamos dessas coisas na Terra.

– Sim, é verdade. Não sabemos, então... Mas tenho certas esperanças, sabe? Enfim, vamos lá. E Dino, nós ficaremos muito visíveis se formos em quatro pessoas, então você pode ir ver como estão Soonyoung e Jihoon?

– Certo! – Dino então desapareceu.

– Agora vamos. – Jeonghan declarou, determinado.

 

•Jun

Tinha acabado de jantar – ou ao menos tentado, já que a fome não me vinha, devido à preocupação com todos, em especial Minghao – e meu objetivo agora era... Nada, para falar a verdade. Não tinha nada para fazer, tarefa nenhuma para cumprir, nada para estudar, ninguém para ver... Gostaria de ser aquelas pessoas que reclamam de serem ocupadas demais. O tédio é algo depressivo, e ninguém merecia senti-lo. Especialmente o tédio misturado à preocupação.

Em meio a tantos pensamentos sobre o sentido da vida e até mesmo sobre a morte, de repente senti uma pontada de dor na cabeça. Uma dor de cabeça, talvez? É a resposta mais lógica. Porém, logo depois daquela pontada, a dor – que agora se tornara contínua – apenas piorava. Ah, faça-me o favor, o que é isso agora? Não acredito que seja pelos meus pensamentos depressivos, pois eu estou assim há um bom tempo e as dores que senti foram mínimas! O que aconteceu de errado agora? O que eu fiz?

“– Meu filho...”

A voz sussurrou na minha cabeça, e eu já sabia muito bem a quem pertencia. Sabia muito mais do que desejava saber. Quando eu achava que aquela dor não poderia piorar, ela aumentou ainda mais enquanto a voz falava. Era como se minha cabeça estivesse prestes a explodir, isso se já não estava explodindo e eu ainda não percebera...

Sentado em minha cama, eu mexia o corpo compulsivamente na tentativa de aliviar a dor, mesmo sabendo que não adiantaria. Os movimentos ficaram mais bruscos, eu já não conseguia enxergar com clareza e me apoiava no criado-mudo ao lado com uma das mãos para tentar manter o equilíbrio.

“– A mamãe precisa de você... Ajude a mamãe...”

Meu braço escorregou do criado-mudo, derrubando todos os objetos sobre ele. Acabei caindo no chão sem nem mesmo perceber, pois a dor do tombo não era nada comparada à dor de cabeça que sentia. Era como se algo externo quisesse invadir minha mente, roubar minha sanidade, escravizá-la... E ela, obviamente, fazia de tudo para rejeitar este corpo estranho. Mas parece que minha mente, acabada do jeito que está, está cedendo ao controle da rainha.

“– Defenda a mamãe dos caras maldosos... Meu filhinho...”

– NÃO! – Gritei, apelando à magia das palavras, para tentar convencer minha mente de que ela era forte o suficiente para vencer isso. Porque o único que pode fortalecer minha mente sou eu mesmo... – EU NÃO VOU TE AJUDAR! EU NÃO ESTOU DO SEU LADO!

Comecei a bater a cabeça compulsivamente contra o chão. Não sabia bem o motivo, mas precisava tirar aquilo de mim. É como quando temos algum aparelho quebrado e batemos nele várias vezes, tentando fazer voltar a funcionar. Algo líquido começou a atrapalhar minha visão já turva; sangue. Minha cabeça estava ferida e... e...

De repente meus olhos pesavam e meu corpo não se movia mais. Ele parou de lutar contra aquele chão, desabando sobre o mesmo, e então tudo virou a mais pura escuridão.

 

•Minghao

Assim que perdemos Dino de vista, começamos a avançar silenciosa e cautelosamente, para que ninguém, especialmente a rainha, percebesse o que estávamos fazendo. Nosso objetivo era justamente passar por ela e chegar até a saída iluminada daquele ambiente escuro. Jeonghan, que estava nos liderando, decidiu por si mesmo ir na frente, enquanto Mingyu e eu íamos logo atrás. Embora tudo aquilo fosse arriscado, senti que podia confiar nele. Seus olhos eram demasiado atentos, e eu gostava deles.

No meio do caminho, porém, toda aquela bagunça desapareceu. Não sabia se era uma estratégia de ataque de Seungcheol ou até mesmo da rainha, já que eu possuía certa dificuldade para entender brigas de qualquer tipo, com exceção das verbais, o que não era muito bem o caso. Mas descobri que não era só eu; ninguém, nem mesmo Wonwoo ou Vernon sabiam o que acontecera, e ambos abriram a hipótese de que poderiam estar no salão principal, a fim de mais espaço. Estávamos todos preocupados, e agora que não tínhamos certeza do paradeiro da rainha, nossa busca secreta pelo Jun se tornava ainda mais difícil.

– O que está acontecendo?!

Era o príncipe Joshua, que se encontrava ao mesmo tempo desesperado e assustado. Assustado com o lugar onde sua mãe nos aprisionava, talvez? Seus olhos arregalados percorriam todo o lugar, e eu tinha certeza que ele ainda não sabia metade das coisas que sua mãe aprontava.

– Como nos achou? O que está acontecendo lá em cima? – Wonwoo se adiantou em sua direção e perguntou, enquanto todos nós que restávamos por lá também nos aproximávamos gradativamente.

– Eu não sei o que está acontecendo! Minha mãe apareceu do nada no meio do salão principal e Seungcheol estava atrás dela!

– Então precisamos ir pra lá! – Wonwoo propôs, e em seguida desapareceu, seguido de Vernon, que ainda era uma águia.

– Você sabe dizer quem estava em vantagem? – Jeonghan perguntou, provavelmente preocupado com o noivo.

– Eles... – Joshua demorou o olhar em Jeonghan. – Estão empatados, na verdade. Eu nunca tinha visto minha mãe assim antes! Mas e você, está bem? Vocês, quero dizer...

– Estamos, não precisa se preocupar!

– Se quiserem ajuda, saibam que estou do lado de vocês!

– Nós estamos procurando por Jun, você sabe onde ele está?

– Ele passa o dia todo no quarto! Posso mostrar onde está!

Então ele passa o dia todo no quarto... Era inevitável imaginar o quanto deveria estar sofrendo, sem ter notícias de nós, sem poder me ver, tendo apenas que obedecer tudo o que a rainha lhe falava, agora mais do que antes, já que tem conhecimento de tudo o que há entre nós e ameaça me prejudicar se ele não cumprir suas ordens, porque eu tenho certeza que ameaça... Pensando bem, até agora não aconteceu nada comigo em especial. Será que Jun está andando na linha ou tudo é apenas um blefe? Eu não duvido nada de que ela teria a capacidade de até mesmo me torturar se ele não fizesse o que mandasse, mas... As coisas estão tão estranhas...

Mas do que eu estou falando? As coisas estão estranhas desde que pisamos nas terras de Uchandra.

 

•Jun

Abri meus olhos, e a primeira coisa que avistei foi um dos pés da cama. De início não consegui identificar muito bem o que era aquilo, talvez por minha visão estar meio turva no momento, mas logo aqueles montes de borrões começaram a tomar forma e eu descobri onde estava.

Virei a cabeça e observei o teto com aquela lâmpada apagada, e em seguida passei para o outro lado e meus olhos se concentraram no tapete do quarto. Estava no chão, afinal. Mas o que estava fazendo lá? Estava dormindo? O que aconteceu exatamente? Por que peguei no sono do nada? Já havia amanhecido o dia? Lembro-me de ter jantado e voltado diretamente ao quarto, e então... A dor.

Foi incrível o fato de a minha dor ter voltado bem quando me lembrei da mesma. Seria algo apenas psicológico, então? Impossível. Uma dor tão real quanto aquela não poderia ser apenas psicológica.

“– Venha... Venha...”

Agora, porém, eu estava tão relaxado que quase acabei realmente fazendo o que aquela voz tão hipnotizante me dizia. Aquela voz... Era a minha mãe? Ela precisava de mim?

Ah, faça-me o favor, Jun. Pare com todas essas perguntas quando você já reconhece toda a verdade. A rainha obtivera sucesso em invadir minha mente e agora estava começando a conseguir controlá-la. O tempo em que fiquei inconsciente foi perfeito para que ela fizesse com que minha mente se acostumasse à sua invasão, por isso agora não dói tanto como doía antes. Estou até relaxado demais, na verdade. E cada vez mais... É como se ela sempre tivesse feito parte de mim, como se suas ordens fossem o que mais fazia sentido para mim...

“– Venha, meu bebê, a mamãe precisa de você...”

– Vou, mamãe...

 

•Minghao

Seguindo cautelosamente em direção à luz do lado de fora do porão em que fomos presos, continuamos avançando em busca do Jun, agora juntos a mais um aliado, Joshua, que fazia questão de nos acompanhar.

Joshua nos disse que precisaríamos subir vários andares se quiséssemos chegar ao quarto de Jun, já que estávamos no mais baixo de todos enquanto o quarto se localiza em um dos mais altos. Para isso, portanto, não tínhamos como evitar passar pelo salão principal. Jeonghan, que ainda assumia a frente, mesmo com um Joshua preocupado logo atrás, estava mais decidido do que nunca a prosseguir com aquilo. Ele tinha seus motivos, afinal. Se pensarmos bem, de todos nós quatro, ele é o único que presenciou o primeiro ataque à rainha de vinte anos atrás, bem parecido com o que estamos realizando agora, pelo que Coups contou, e sua determinação deve partir da frustração que sentiu pela derrota.

– Você não quer que eu vá na frente? – Joshua perguntou, quando já nos aproximávamos do perigo. Quero dizer, do salão principal. – Eu domino poderes de proteção muito bem! Vocês estarão seguros se eu...

– Não precisa. – Jeonghan interrompeu-o rispidamente, talvez por estar focado demais no que estava fazendo a ponto de não ligar para mais nada e ninguém. – Vamos logo.

Por estarmos ainda com um pé atrás, Jeonghan foi o primeiro a sair correndo a passos silenciosos, enquanto Joshua seguia-o desesperadamente e Mingyu e eu, relutantes, tentávamos vencer o medo e avançar. Acabamos nos tornando um grupo um tanto separado, afinal.

No momento que escolhemos para atravessar aquele salão, Coups e a rainha estavam em uma briga de forças, onde os poderes de ambos os lados se encontravam e tentavam superar um ao outro. Até então tudo corria relativamente bem, desconsiderando alguns fatores, é claro, como toda essa guerra em si, mas o que poderíamos fazer, afinal? Até que, enquanto atravessava e meus olhos observavam uma curiosa pedra azul da gargantilha da rainha, notei que seus olhos, antes focados em Coups e apenas nele, por segundos, desviaram para a direção de Jeonghan. Então ela percebera nossa presença, afinal...

De início nada acontecera, porém. Era isso mesmo, então? Ela simplesmente ignoraria nossa presença e continuaria concentrada em Coups? Bem, até que fazia sentido, já que ambos estavam em empate, e se ela desviasse a atenção de seu alvo principal para se preocupar conosco, Coups entraria em grande vantagem. A divisão em grupos que acabamos fazendo se tornou útil, afinal!

Então, acreditando que já tínhamos escapado dessa, a soma das forças dos dois lados que combatiam entre si de repente desviou seu foco em direção a Jeonghan, claramente o alvo mais perto que se podia encontrar, por ter teimosamente assumido a frente quando Joshua poderia muito bem nos proteger. Tragicamente, porém como o esperado, o chandrama que nos emprestara seus poderes instantaneamente caiu.

Quando Mingyu e eu nos adiantamos para ver seu estado, agora pouco nos importando em revelar nossa presença, Joshua já estava ajoelhado ao lado do corpo desacordado de Jeonghan, e parecia realizar algum tipo de primeiros-socorros mágicos que eu não entendi muito bem. Assim que ajoelhei para olhar mais de perto, percebi que as mãos de Joshua tremiam.

Àquela altura, Seungcheol também se adiantava para acudir o noivo, abandonando seu duelo contra a rainha, que agora enfrentava Wonwoo e Vernon juntos, que já estavam por lá também, aliás.

Joshua passava desesperadamente as mãos sobre o peito de Jeonghan, alegando, com sua voz trêmula, que seu coração havia parado. Realizou algumas tentativas de fazê-lo voltar a bater com alguns pequenos choques elétricos que saíam de suas mãos. Quanto mais tentativas sem sucesso, mais desesperado ele ficava, e com razão. Eu mesmo não saberia o que fazer se a vida de alguém estivesse nas minhas mãos. Até que...

– Morto. – Declarou, e eu podia ver lágrimas escorrendo em seu rosto baixo o suficiente para que seus olhos não fossem mostrados.

Aquelas pequenas gotas salgadas que começavam a molhar seu rosto eram apenas o começo de um choro incessável que se escandalizava cada vez mais. Senti-me igualmente sentido, chegando ao ponto em que não sabia mais se as lágrimas que sentia no meu rosto eram realmente minhas ou se estava apenas me colocando em seu lugar de forma realmente intensa. Saber aquilo mal importava, afinal, porque agora Jeonghan estava morto.

– Ela o matou... – Joshua murmurou com a voz tão sinistra que por um momento duvidei se aquilo estava mesmo saindo daquela pessoa tão simpática e educada que conhecia. – Ela o matou... Ela o matou... – Dizia compulsivamente, cada vez mais alto e com mais clareza. – Ela o matou! – Enfim levantou a cabeça, e no momento passei a preferir que não tivesse o feito. Seus olhos eram diferentes de qualquer coisa que aquela pessoa tão inocente já havia mostrado. Só não era o mais assassino que já vira na vida porque conhecia a rainha. – VOCÊ O MATOU!

Joshua tinha aqueles olhos sinistros cravados na rainha. Eu definitivamente não queria estar em sua pele, embora a crueldade daquela mulher fosse tão alta que já deveria estar acostumada a ver tal coisa todos os dias ao se olhar no espelho. Ela, porém, não exibiu uma reação tão diferente da nossa, para a surpresa de todos; estava igualmente espantada. Certamente deveria estar pensando em como até mesmo seu filho mais obediente estava se rebelando contra ela. Ele, por sua vez e sem pensar duas vezes, usou pela primeira vez seus poderes de ataque contra sua própria mãe.

– E NINGUÉM SAI ILESO DEPOIS DE MATAR O MEU AMOR! NEM MESMO VOCÊ, MAMÃE!



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