História More than a Feeling - Capítulo 16


Escrita por: ~

Postado
Categorias Fairy Tail
Personagens Erza Scarlet, Jellal Fernandes
Tags Anos 80, Drogas, Erza, Jellal, Jerza, Jerza Fanfic, Rock N´roll
Exibições 102
Palavras 3.241
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Colegial, Drama (Tragédia), Ecchi, Escolar, Famí­lia, Hentai, Musical (Songfic), Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo
Avisos: Álcool, Drogas, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Olá liendos *-*
Mais um capítulo para vocês, espero que gostem
A parte do começo do capitulo em itálico é pov do Jellal, depois da quebra de tempo com as primeiras notinhas musicais volta a narração convencional da Erza.
Bjossss e até mais, muito obrigada pelos comentários do capítulo passado, irei responde-los agora.

Capítulo 16 - Capítulo XVI


Fanfic / Fanfiction More than a Feeling - Capítulo 16 - Capítulo XVI

Paredes acinzentadas, um piso que lembrava um tabuleiro de xadrez, assim como o da Punk Drops, e uma lâmpada branca que me cegava os olhos foi tudo o que eu vi quando abri os olhos e me deparei sem movimentos sobre uma cama coberta com brancos lençóis. Lembrei-me vagamente de ter sido pego pelos enfermeiros grandalhões que me puseram na ambulância depois de ser atingido por uma injeção sufocante. Eu não conseguia respirar apropriadamente, e os movimentos do meu corpo não eram como de costume, eu não conseguia raciocinar bem e fui preenchido por um sono descomunal, mas consigo lembrar das mãos grosseiras a me amarrarem na maca, e consigo lembrar do choro copioso de Erza, mesmo que suas palavras não fizessem sentido nenhum para mim naquele momento. O choro dela foi a última coisa que ouvi antes de apagar completamente; e se eu fechasse os olhos bem agora eu poderia ouvir nitidamente o seu pranto a chamar o meu nome...

Olhar ao redor e ver apenas aquela grande quantidade de nada acinzentada naqueles pedaços de concreto e não poder fazer nada me sufocava. Eu queria gritar, mas eu não podia, mesmo que aquela mordaça não me segurasse as cordas vocais eu não teria força para fazê-lo; eu queria correr, mas não podia, mesmo que aquela camisa de força não me segurasse o sistema esquelético eu não teria força para fazê-lo; eu queria chorar, mas não podia, mesmo que a dor sangrenta no meu peito o rasgasse ao meio era como se as lágrimas fossem secas demais para escorrer pelos meus olhos mortos.

Após algum tempo tentando raciocinar sobre em que espécie de lugar eu estava, e quando eu senti finalmente o meu corpo e a minha consciência recuperando o vigor, eu ouvi pela primeira vez o barulho arrastado daquela porta sendo aberta. Eu não sabia naquele momento, mas aquele som só me traria pavor a partir daquele momento. E toda vez que aquela porta fosse aberta novamente, eu iria preferir estar morto.

Pela maldita porta branca entrou um enfermeiro que me trouxe um remédio, o qual relutei em tomar, entretanto impossibilitado de me movimentar eu ingeri o que quer que fosse aquela merda. E quando ele retirou a mordaça para me entregar o grande comprimido branco eu pude emitir um som fraco, como uma imitação fajuta de um grito; eu não conseguia nem gritar. E após ingerir o remédio eu senti cada fibra muscular do meu corpo adormecer novamente antes de eu apagar por completo outra vez.

Não sei ao certo por quantas vezes essa cena se repetiu... Vinte, trinta, cem, mil vezes, eu não sei, a única coisa que sei era que quando eu conseguia recobrar a consciência por minutos que fossem era dopado novamente... E tudo que eu ouvia nesses instantes era o choro de Erza, o meu nome a ser chamado pela voz súplice dela.

Após alguns dias, não sei quantos, a frequência com que a maldita porta era aberta diminuiu, eu conseguia passar mais tempo consciente, e comia algumas gororobas horrorosas que me entregavam por uma portinhola na parte inferior da maldita porta branca. Eu já não usava mais a camisa de força e nem a mordaça, e eu riscava a parede cinza com um pedaço dela mesma que quebrei marcando traços a cada vez que me traziam comida, e assim conseguia contar o maldito tempo em que estava ali.

Tudo que eu queria era me mandar daquele lugar horroroso, naqueles momentos de consciência eu só queria usar drogas, a minha mente só conseguia pensar na coca, o meu corpo tremia e ansiava por ela, pela minha neve branca, eu tremia corpo e mente em busca dela, por vezes rasguei a túnica branca que me vestia em acessos de tremor, por vezes tirei sangue da minha pele em acessos de arranhões, por vezes destruí o reboco da parede nas quinas em busca de esfarelar a terra e cheirar como se aquela merda fosse me saciar de alguma forma. E naqueles momentos de loucura eu começava a pensar que seria melhor voltar a estar dopado 24h por dia, qualquer coisa era melhor que ansiar pela coca e não poder cheirar.

Eu oscilava momentos de depressão profunda, nos quais queria sumir para sempre da vida de todos, foi em um desses momentos que resolvi por afastar-me completamente de Erza; com momentos de loucura e fissura, nos quais tudo em que eu podia pensar era em cheirar cocaína, foi em um desses momentos que resolvi fingir que estava bem, para que pudesse sair do quarto por um momento e fugir assim que possível.

Não tardou para que eu pudesse sair às tardes e ver a grama do jardim bonito daquele lugar, pelo menos o jardim era bonito, e sentir depois de dias o ar fresco dali, uma pena que eu não queria ar fresco, eu só queria ela, a coca. E a partir daí eu tentei fugir, sem êxito algum. Os muros da clínica eram protegidos por cercas elétricas e mesmo que uma parte da minha consciência me dissesse para não me arriscar a isso, a outra dizia “foda-se” e eu me arrisquei, infelizmente não consegui nem fugir para cheirar e nem consegui morrer. Depois disso, em um castigo disfarçado de tratamento, eu novamente fui abraçado pela camisa de força e voltei para as 24h preso no quarto. E agora a cada vez que a porta se abria para me dar o remédio que me dopava eu recebia também algumas sessões de tratamento de choque.

E o meu inferno tornou-se ainda mais quente.

Eu sentia meus músculos tremerem e meu coração bombear o sangue a todo vapor de maneira bizarra, por vezes sentia a pele queimar e o coração quase parar após funcionar na sua plenitude, e logo em seguida eu era dopado com aquele remédio, que agora eu passara a amar. Tudo era melhor que estar consciente. Tudo era melhor que aqueles malditos choques elétricos.

Mais alguns dias e novamente me tiraram a camisa de força. Naquele dia a minha depressão foi confundida com melhora, eu não tentei fugir, eu não tentei reagir aos choques, eu aceitei a comida sem gritar, embora não tivesse comido, eu não tentei esmurrar ninguém. Naquele dia, eu queria morrer. E foi o que eu tentei fazer, a única coisa que eu tinha era a túnica branca que me vestia, e foi ela mesma que usei para tentar me enforcar. Mas Deus era o demônio e não me deixou morrer, eu consegui perder a consciência depois de me sufocar, mas acordei não sei quanto tempo depois em um quarto diferente do que eu costumava ficar, com um acesso na mão por onde recebia soro e um aparelho no rosto, que me fazia infelizmente respirar. A partir daquele dia, eu passei a ser monitorado 24h por dia, em terapia de choque, sedado uma parte do tempo, deprimido em outra parte, fissurado em outra.

Naquela tarde, elas vieram me visitar; e por conta disso eu não fui sedado nos dois dias anteriores, estava completamente consciente, como jamais estivera desde que abri os olhos pela primeira vez naquele inferno. E foi aí que pude me dar conta de tudo o que estava acontecendo comigo, eu estava à beira da morte naquele lugar, se não a morte do meu corpo, a morte da minha mente. Eu não era mais um ser humano... Eu precisava sair dali, e eu precisava afastar de mim todos que ainda podiam se salvar da bomba atômica que eu me tornei, eu precisava afastar de mim todos que ainda podiam ser felizes, mesmo que eu não pudesse mais ser, nunca mais.

Foi por isso que quando fiquei sozinho com a Erza, e ela me deu aquela fita de presente e o seu precioso walkman, eu chorei; eu chorei porque aquela fita era tudo que eu teria dela, da minha pitchula, até o dia em que eu morresse, e eu esperava que não tardasse muito. Eu falei as coisas mais certas que poderia lhe falar, eu a libertei de mim para que pudesse ser feliz, para que pudesse se salvar, porque eu já não tinha salvação. E vê-la correr para longe de mim me deixou tristemente feliz, naquele dia eu vi a minha Erza ir embora...

Eu vi tia Sara correr atrás de Erza e fiquei na companhia da minha avó. Como fazer para afastá-la também? Ouvi, mas não ouvi, tudo o que ela me falou. Fui abraçado, mas não abracei, embora quisesse me jogar nos braços dela e chorar, e a vi ir embora também...

Para logo depois eu voltar para a minha prisão.

Depois desse dia, Erza nunca mais foi me visitar, mas vovó ia todos os meses, jamais falou sobre minha prima, e eu jamais perguntei sobre.

Eu ouvi todos os dias a fita que Erza gravou para mim, era o único momento feliz que eu tinha naquele lugar; ouvia em especial a última faixa do lado B, tal qual como na fita que eu havia gravado para ela, eu ouvia More than a Feeling.

 

More than a Feeling (Mais que um Sentimento)

Eu olhei para fora esta manhã e o sol havia ido embora
Coloquei algumas músicas para começar meu dia,
Me perdi numa canção familiar
Eu fechei meus olhos e escapei

É mais que um sentimento,
quando ouço aquela velha canção que costumávamos tocar
E eu começo a sonhar
Até ver Marianne ir embora

Eu vejo minha Marianne ir embora.

(...)

 

Alguns poucos meses depois da visita de Erza e vovó eu consegui enganar o enfermeiro sobre ter tomado o remédio por três dias consecutivos, e então pude pôr em prática o plano de fuga que eu vinha formulando há semanas. Quando o porteiro da porta dos fundos foi demitido e veio um novato para o seu lugar, eu tive a ideia que me faria ir embora daquele lugar para sempre. Tratei de não voltar mais ao jardim por uns dias, eu não poderia ser reconhecido pelo novo porteiro como um paciente. Dei um jeito de descobrir onde eram guardados os uniformes dos enfermeiros e roubei uma roupa de lá depois de fugir do quarto, o qual destranquei graças aos clipes de escritório que havia roubado previamente do posto de enfermagem. Ludibriando a todos, e porque Deus finalmente se apiedou de mim, eu saí dali pela porta dos fundos do jardim em uma tarde ensolarada. E as únicas coisas que não deixei para trás foram a fita e o walkman de Erza.

Eu consegui fugir daquele lugar maldito, jamais vou esquecer da imagem daquele quarto na minha mente, daquele quarto onde fiquei trancafiado, onde fui sedado, onde tomei tratamento de choque, onde me molestei fisicamente, onde tentei me suicidar. As paredes cinzas riscadas por mim em momentos de loucura em desenhos abstratos e contagem dos dias, o piso xadrez onde tantas vezes delirei ao ver aqueles quadros se misturarem e se sobreporem uns aos outros, a lâmpada branca cegante sobre o meu rosto e a maldita porta branca por onde o meu sofrimento entrava sem pena. Nem que eu viva por mil anos eu esquecerei...

♪♪♪

Acordei em uma cama de hospital. Tudo que lembro antes de apagar foi de estar correndo sem rumo após Jellal ter desistido de mim, ter desistido de lutar, e ser atropelada por um carro. Olhei para o lado e vi uma estante com tubos de plástico dependurados, de onde cânulas de silicone ligavam-se às minhas veias, olhei para o outro lado e vi algumas máquinas, aquelas que faziam barulhos típicos de contadores de batimentos cardíacos, tentei retirar o tubo do meu nariz e então uma enfermeira, que cuidava de alguém à minha frente, correu até mim.

― Vejo que finalmente acordou, querida. Fique quietinha, não tire os aparelhos, está tudo bem, você está no hospital. Sofreu um acidente, mas está tudo bem, acalme-se, vou chamar o médico.

Esbocei um som qualquer na tentativa de dizer um “espere”, não conseguia falar muito bem com todos aqueles aparelhos.

― O que houve, querida? Acalme-se ― disse a enfermeira, sorrindo.

― M-meu b-bebê? ― falei fracamente e vi o sorriso dela diminuir um pouco antes de ela recuperar a postura.

― Irei chamar o médico, sim, fique quietinha, por favor.

Toquei minha barriga e a senti vazia, não pelo toque, não por nada físico, mas pela minha mente, pelo vazio que eu sentia no peito. Ninguém precisava me dizer nada, o meu bebê não vivia mais em mim, eu já sabia.

O médico veio e me examinou, parecia tudo bem para ele, mas para mim não estava nada bem. Não tardou para que mamãe viesse. E foi ela quem me deu a notícia que eu já sabia, que o meu bebê estava morto. Eu chorei em desespero com a confirmação do que eu já sabia, e naquele momento tive a certeza de que eu jamais seria feliz nessa vida. Jellal era um idiota, um viciado maldito que se recusava a lutar para se curar, um fraco, um imbecil, um odioso! Eu o odiava com tudo o que tinha naquele momento, mas infelizmente o amava também... Por culpa de Jellal o meu bebê estava morto, foi o que pensei de imediato. Mas depois do desespero inicial acabei aceitando como uma fatalidade.

Fiquei alguns dias no hospital, eu estava bem fisicamente, mas mentalmente eu estava destruída, completamente arrasada. Eu chorei todas as lágrimas que poderia chorar, eu havia perdido absolutamente tudo, e em meio a todas as minhas últimas gotas de lágrimas eu tomei a minha decisão: Eu voltaria para Boston, e viveria lá com o meu pai. Nada mais me prendia à Brasília, pelo contrário, tudo nessa cidade me machucava, tudo me lembrava Jellal, tudo me lembraria a perda do meu bebê, tudo me lembraria o quão desgraçada havia se tornado a minha vida. E depois de secarem as minhas lágrimas, eu decidi que jamais voltaria a chorar, eu havia me tornado uma muralha, e para sempre eu me protegeria com uma armadura em volta do meu coração. Depois de ter sido a mais fraca das mulheres, eu havia me tornado forte.

Depois de algumas semanas eu recebi alta do hospital, já havia comunicado à mamãe que voltaria para Boston e ela me apoiou, na verdade era o que ela mais queria no momento.

“Será melhor para você, Erza, afastar-se um pouco de toda essa confusão. Você merece ser feliz, minha filha, e você vai ser. Não há nada que eu possa dizer para te animar sobre a perda do seu bebê, apenas... eu sinto muito” ― foram as palavras de mamãe, que vieram juntas de um abraço carinhoso, selando por fim as nossas pazes definitivas, quando lhe pedi para voltar para os Estados Unidos.

Eu arrumava as minhas roupas na mala enquanto mamãe e vovó assistiam a novela das seis, eu podia ouvir da TV a música de Ritchie Valens, Donna, tema da novela Bambolê, que elas assistiam. E enquanto eu guardava tudo desajeitadamente na mala encontrei uma caixinha com um filme fotográfico que jamais fora revelado, lembrei-me de serem algumas fotos que tirei com Jellal na Punk Drops certa vez usando a máquina fotográfica de Laxus. Eram fotos que eu jamais mandaria revelar, mas eu não consegui me desfazer do filme preto enroladinho em um rolinho dentro da pequena caixinha. E contrariando a razão de jogá-lo no lixo, eu apenas guardei a caixinha na mala. Guardei também a maldita fita que ele me deu no natal e cada presentinho ou bilhetinho que ele havia me dado nesse ano em que estivemos juntos. Guardei também cada sorriso, cada palavra de amor, cada carinho, cada momento de intimidade, oh céus como eu era idiota, eu guardei tudo... bem no meu coração eu não tinha jogado nada disso no lixo. Mas eu iria! Ah se iria, iria esquecer Jellal ou eu não me chamava Erza Scarlet.

A última coisa que guardei na mala foi a minha caixinha de música, o meu porta joias, mas antes disso a abri e vi a bailarina girar graciosamente ao som típico das caixinhas de joias. E aquelas sim foram as últimas lágrimas que deixei escapar, as últimas lágrimas antes de começar a reconstruir a minha vida. Chorei os últimos milímetros que tinha do líquido salgado ao lembrar da ocasião em que ganhei aquele objeto especial.

 

― E para mim, vovô, o que vai ser? ― perguntei após Jellal abrir o seu presente de natal e encontrar um rádio gravador.

― Para a minha princesa, este aqui ― o velho disse me entregando um pequeno pacote, ainda embaixo da grande árvore de natal que enfeitava a sala de vovó Porlyussica.

Abri o embrulho e vi pela primeira vez a caixinha de madeira com tampo de vidro, toda trabalhada com detalhes em ouro. E quando abri a caixinha eu vi acordar a bailarina que estava deitada, e imediatamente ela começou a sua dança graciosa. Naquele momento, eu senti que queria ser como aquela bailarina, que queria dançar graciosamente como ela, que eu poderia cair, esmorecer, dormir, mas que acordaria dançando sempre.

― Obrigada, vovô ― respondi com os olhinhos infantis a brilhar.

― Essa bailarina é você, Erza ― disse o Jellal menino. ― Algum dia vou aprender a tocar e então posso tocar uma música para você dançar ― completou a sorrir lindamente.

Aquele foi o último natal que passamos juntos antes de eu ir para Boston com os meus pais.

 

E agora eu guardava a caixinha de música na mala que levaria para Boston novamente, assim como a minha esperança de reconstruir a minha vida, assim como a esperança de voltar a ser feliz.

No dia seguinte eu embarquei no avião que me levou de volta a Boston, me despedi de mamãe, vovó e minhas amigas, que foram todas ao aeroporto, sob choros esperançosos. Todos ali pensavam que aquilo era o melhor para mim, embora não negassem que sentiriam saudades. E em um misto de saudade e esperança, dor e fé, eu retornei aos Estados Unidos.

♪♪♪

Ao som de Material Girl, de Madonna, eu movia o meu corpo em movimentos graciosos e precisos diante do enorme espelho que cobria toda a parede da academia. O último aluno da minha turma de jazz havia ido embora e eu tinha toda a sala de dança para mim. Senti olhares incisivos sobre mim e parei os movimentos, sorri com gentileza para o dono dos olhares e desliguei o rádio que tocava Madonna.

― Seu pai trouxe essa carta que chegou para você hoje pela manhã depois que você saiu de casa. Eu não quis interromper sua aula mais cedo e nem essa sua dança sugestiva, mas aqui está, seu pai disse que era urgente então não esperou a noite.

― Obrigada, Simon ― respondi pegando a carta que ele me estendia. Era de mamãe.

 

Brasília, 23 de setembro de 1993.

Querida filha,

Estou enviando esta carta para dizer que sua avó Porlyussica está muito mal no hospital. Não queria preocupá-la antes, mas ela está doente há algum tempo e agora internou-se após um acidente vascular cerebral, estou extremamente preocupada. Ela quer vê-la, minha filha, diz que precisa se despedir, mas eu não quero acreditar nisso. Por favor, venha, Erza.

Não tenho tempo para lhe contar como está o restante das coisas por aqui, apenas venha. Mas quase nada mudou desde a última carta que lhe enviei.

Com amor,

Sara.

 

Apertei a carta de encontro ao peito. Depois de seis anos eu voltaria a Brasília.


Notas Finais


Músicas do capítulo
Donna - https://www.youtube.com/watch?v=HMcHbh6HBDk
Material girl - https://www.youtube.com/watch?v=DNSUOFgj97M

Deixem coments, isso é muito importante pra mim *-* bjinhossss e até a próxima ;***


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