História Morno - Capítulo 1


Escrita por: ~

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Categorias EXO
Tags ?2concursoexofanfics?, Chansoo, Dtehospital
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Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Universo Alternativo
Avisos: Homossexualidade
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Olá amores, cá estou eu participando do concurso e espero conseguir postar as cinco fics;; Acho que se eu conseguir participar de todas as fases já é uma grande vitória hahahah. Enfim, espero que gostem <3

Capítulo 1 - Quente e Frio


Nunca escolhi ser paramédico.

Não era a minha pretensão inicial após eu sair da faculdade com um diploma nos braços de fisioterapia e nenhuma vaga disponível no mercado para mim. O fato era que eu não possuía ninguém que pudesse me indicar a clínicas e a hospitais para poder exercer a função que passei anos estudando. Para ser mais exato: quatro anos da minha vida.

O mercado de trabalho exigia especializações e eu apenas tinha terminado o semestre, consequentemente a faculdade, e estava desempregado. A faculdade não me ofereceria mais bolsas de programas científicos, muito menos eu teria condições de continuar pagando o aluguel, já que não possuía nenhum centavo no bolso. Meus pais não poderiam me bancar para sempre... E eu não desejava isso, sabia que os últimos anos tudo tinha sido muito apertado para todos nós.

E, foi em uma das minhas buscas por um trabalho que meus planos se modificaram. Segundo um dos coordenadores do hospital que estava me entrevistando para a vaga de fisioterapeuta, os números de paramédicos tinham diminuído muito em relação a necessidade e não existia nenhuma vaga no meu setor de origem, e com a proposta de um salário razoável e algumas regalias como plano de saúde e vale transporte e alimentação, acabei aceitando mudar de área.

O hospital bancou o meu curso preparatório para ser paramédico, aparentemente eu deveria aprender ainda mais sobre o corpo humano e como conter um sangramento, manter um indivíduo respirando até que finalmente chegássemos no hospital. Enquanto eu observava aquelas simulações de corpos mutilados, eu dizia para mim mesmo que aquilo seria algo temporário, e que quando pudesse voltar a minha área de origem, não pensaria duas vezes para responder a uma proposta de trabalho.

A minha primeira “corrida” em uma ambulância foi completamente traumática. Ainda tinha um supervisor junto a nós, como em uma aula prática. Nós, eu e o outro paramédico/motorista, socorremos um jovem bêbado que tinha desmaiado na frente de uma boate. O supervisor observava as nossas técnicas, Minseok, nome do meu colega de curso, me ajudou a colocar o paciente na maca e na ambulância, e logo assumiu o seu posto na direção. Porém, no meio da viagem, quando já tinha colocado o paciente no soro, ele acordou e eu me aproximei para explicar o que tinha ocorrido, e ele vomitou em mim.

Dizem que a gente se acostuma com as tragédias.

Mas eu não conseguia me acostumar.

Os meses se passaram, e eu não conseguia me acostumar a ver a vida de alguém em minhas mãos. O meu novo companheiro de ambulância dizia que deveríamos dormir com a consciência tranquila a noite pois estávamos tentando ajudar alguém, independente de quem fosse, mas eu não conseguia ficar tranquilo quando sentia o sangue quente sujando minhas mãos, roupas, braços como naquela madrugada de sexta para sábado.

Quando as portas da ambulância se abriram e a equipe médica pegou a vítima de disparos com armas de fogo, eu só conseguia sentir minha janta voltando e meu corpo tremulo após tentar, tentar e tentar comprimir os locais que tinham sido atingidos. Desci rapidamente do automóvel e entrei no hospital em passos rápidos, eu só conseguia pensar em tirar de mim aquele sofrimento.

Não tinha mais pulso, não tinha mais sinais vitais naquele jovem.

Senti a água se chocando contra mim, estava fria mas eu não me importava. O frio combinava com o que estava sentindo naquele momento.

Apenas queria que o rubro, agora seco e frio, de sangue que me cobria desaparecesse.

Que aquele sentimento de impotência sumisse.

Aquela não era a primeira vez que eu tentava socorrer alguém em estado tão grave, mas era a primeira vez que observava um jovem completamente ferido, tanto ódio despejado em uma pessoa. Encostei a cabeça na parede, e comecei a chorar. Ele deveria ter mais ou menos a minha idade.

– Kyungsoo. – Escutei o meu parceiro me gritando.

Permaneci em silêncio. O sangue parecia que estava preso em mim como um lembrete do ocorrido, peguei o sabonete com raiva e comecei a esfregar em meu corpo... Não queria àquilo em mim, enquanto o meu choro aumentava.

Não conseguia sequer me limpar, não conseguia salvar aquele jovem...

Meu corpo não aguentava aquilo, e desabei no chão.

Não sei o que aconteceu exatamente, e muito menos percebi quando Chanyeol entrou no box do chuveiro, e mesmo no meio da água fria, ele me abraçou. Meu corpo tremia em choque, tanto das cenas vividas, quanto do frio da água, e mesmo assim, meu companheiro me abraçou forte e permaneceu comigo lá até que finalmente conseguisse parar de chorar.

Estava imóvel. Não conseguia me mexer, não tinha forças para aquilo. E eu só desejava que a água levasse toda a minha dor embora.

Chanyeol me levantou com cuidado, e aqueceu a água do chuveiro, me deixou alguns minutos sozinho e voltou com uma muda de roupa nova, pendurando a beirada do box e outro sabonete e shampoo. Ele me ajudou a remover a camisa cheia de sangue, e lavou meus braços com cuidado, os quais já estavam feridos pela minha tentativa frustrada de me limpar.

– Preciso que você termine de se lavar. – Ele me pediu, e apenas confirmei com a cabeça pegando o sabonete de sua mão. – Estarei no box ao lado tomando banho, estou do seu lado, está bem?

Naquela madrugada fria, eu não voltei para casa. Demorei um longo tempo no banho, e Chanyeol me aguardou do lado de fora me esperando, em silêncio. Não existia o ar de deboche que constantemente o dominava, nem mesmo os risos fáceis e sorrisos bonitos. Ele tinha se tornado novamente o motorista experiente, sério, no qual conduzia a vida de diversas pessoas para o hospital.

– Falei com o supervisor, e ele nos dispensou hoje.

Confirmei com a cabeça, não aguentaria sair em outra corrida na ambulância naquela noite. Tinha vontade de gritar e pedir demissão, mas eu não tinha condições financeiras de me manter longe daquele trabalho... Ainda possuía dividas a pagar, além das despesas.

– E ele? – Questionei.

Ele não me respondeu de primeira, sabia que Chanyeol já tinha visto coisas piores, fazia quase quatro anos que ele trabalhava como socorrista mas ainda assim ele era um humano e sofria junto a cada perda.

E a sua falta de fala só podia significar que o garoto tinha morrido.

Antes que eu pudesse ter uma reação, ele pegou na minha mão e correu comigo pelo hospital, meu corpo era puxado em sua direção e eu apenas o acompanhava com medo de cair. Ele cumprimentou alguns seguranças de uma das alas, e falou “A noite foi muito difícil” e a nossa entrada foi liberada.

– Onde você está me levando?

– Espere. Estou te levando no local que sempre me ajuda a seguir.

Passamos por diversos corredores e em certo momento cheguei a não saber mais onde estávamos. Algumas enfermeiras e enfermeiros nos cumprimentavam e lançavam um sorriso triste em nossa direção, por algum motivo eles sabiam que nós estarmos ali não era algo bom.

Só fui entender o que Chanyeol dizia quando paramos em frente a grandes portas, e encontramos um salão enormes divididos por vidros. Eu me aproximei com cuidado, não sabia o que esperar e quando o reflexo não me atrapalhou mais, percebi meu colega de trabalho ao meu lado.

Era lindo observar.

– Aqui me faz ver que também há muita coisa boa no mundo.

E era verdade. Uma enfermeira acenou para nós do outro lado do vidro e se aproximou entre as pequenas caminhas de nós, mas meus olhos estavam completamente focados naqueles bebês, a sua maioria dormindo tão tranquilamente, tão em paz.

Eles eram o futuro.

Estavam no início de uma vida, sem preocupações, sem julgamento ou malicia.

Meus olhos focaram em um bebê que estava acordando, devia ter nascido poucos dias atrás, e mesmo assim permanecia no berçário. Observei a enfermeira pegando aquele neném, e se aproximando do vidro para que eu pudesse ver melhor, meus problemas financeiros e a dor que até o momento sentia parecia ter se dissolvido. Escutei a voz grave de Chanyeol dizendo alguma coisa, e não me importei, a forma que aquele pingo de gente mexia a boca me fazia querer sorrir.

Aquele pinguinho de gente aqueceu meu coração e me deu esperanças.

– Kyungsoo. – Chanyeol me chamou e o observei com a mão na maçaneta de porta. – Vem, vamos conhecer os bebês.

Consigo me lembrar da sensação de ter aquela criança em meus braços por alguns minutos, de nina-lo até que ele finalmente caísse no sono. Passamos a madrugada no berçário ajudando a enfermeira, cuidando das crianças, trocando fraldas, e até mesmo sorrindo.

–––

Minha vida virou uma rotina um tanto quanto estranha, geralmente meus plantões na ambulância em sua maioria era noturno, o que me dava um belo acréscimo na minha remuneração e me possibilitava sair após uma noite ruim ir até o berçário ou até mesmo ir em uma cafeteria com alimentos um pouco suspeitos na validade com Chanyeol.

Felizmente tudo estava mais pacifico, e eu conseguia aos poucos superar aquela cena. Ocorria uma investigação sobre a morte do jovem, o qual estava estampado em todos os jornais e telejornais... A suspeita era que ele tinha sido morto por homofobia. E eu não aguentava mais assistir àquelas tragédias constantemente. 

– Não quero mais trabalhar como paramédico... Não consigo esquecer as cenas que vivencio e o sofrimento das pessoas. – Afirmei a Chanyeol enquanto estávamos sentados na cafeteria dentro do hospital. Nosso turno tinha acabado de terminar e pelo horário da madrugada a cafeteria que frequentávamos já tinha fechado. – E você?

O refeitório estava vazio e eu conseguia sentir seus músculos ainda tensos. Enquanto ele dirigia a ambulância era como se transformasse em outra pessoa, cometendo várias infrações de transito que no final eram para uma boa causa.

– Eu gosto do meu trabalho. – Admitiu, e seus olhos se pousaram no grande copo de expresso que tinha comprado na máquina de café. – Mas sei que em alguns anos não poderia mais trabalhar com isso.

Existia um “prazo de validade” na nossa profissão e isso desde do início foi explicado para nós. Chanyeol não era apenas motorista, mas também socorrista, e isso significava que seu trabalho era em duas funções, as quais procuravam sempre os mais “ágeis”.

– O que você pensa em fazer?

– Talvez faculdade? Não sei... Não sei o que quero... Eu gosto do que eu faço, mas tenho que pensar no futuro.  – Chanyeol falou mais para si e me encarou novamente dando um daqueles belos sorrisos que nunca admitiria que mexiam comigo. – E quando você vai me dar uma chance?

Revirei os olhos como de costume quando ele me dava uma daquelas cantadas baratas seguidas de sorrisos debochados,e ele dizia sempre aquilo quando não queria falar algo, e no fundo eu respeitava.

– Mais chance que te dei e você não aceitou o meu amor?

Ele sorriu e voltou a tomar o seu café.

Nós não éramos mais simples colegas de trabalho. Éramos cumplices de certa forma.

Foi fácil se aproximar de Chanyeol, suas emoções estavam sempre bem definidas em suas expressões. E o seu sorriso morno me aquecia, me aproximando cada vez mais. Os convites após os turnos na ambulância para comermos um lanche ou até mesmo tomarmos um café, e mesmo que fosse sem cafeína ou um chá para dormirmos quando chegássemos em nossos lares.

Quando a tensão entre nós subia e um precisava do outro, era nos braços do Chanyeol que eu buscava conforto. Da mesma forma que ele me procurava. Nossos corpos na ambulância após alguma tragédia confortava o outro em abraços que aqueciam a alma, e nossas bocas se encontravam no chuveiro do box do hospital como uma justificativa para terminar com o silêncio e mesmo durante o silêncio que permanecia constantemente entre nós, tínhamos um ao outro no meio do caos.

Chanyeol surgiu como meu salvador, quem me segurava no meio de toda aquela bagunça, quem me vazia sorrir com piadas bobas enquanto seu corpo estava tenso atrás do volante. Nossas noites podiam ser frias cruzando a cidade, mas com um olhar eu sabia que ele me aquecia por dentro. Bastava eu segurar em sua mão para saber que de alguma forma, ficaríamos bem, mesmo que nós dois quiséssemos chorar de desespero, de medo ou até mesmo por uma perda, um consolava o outro e sempre existiria o berçário para nos garantir que sempre existiria esperanças.

Podia me lembrar do dia em que atendemos vítimas de um grave acidente de carro, e mesmo com o fim do nosso turno, não tínhamos informações sobre os envolvidos, aparentemente estavam em cirurgias. Após finalmente conseguirmos entregar a vítima aos médicos, poucos segundos após Chanyeol começou a socar o volante com força, poucos minutos atrás tínhamos transportado uma menina, e quando ele se permitiu extrapolar suas emoções permaneci afastado. Naquele madrugada, ele me levou para casa em seu carro sem sequer tocar em assunto de paradas para lanche ou café. Seu corpo estava tenso, sabia que os acidentes de carro eram os que mais o atingiam, e acabei descobrindo, pouco tempo depois, que ele tinha sobrevivido a um quando criança, porém, tinha perdido sua mãe. 

Coloquei a mão na sua perna quando o carro parou, como ele sempre fazia comigo quando sabíamos que o que enfrentaríamos seria difícil ainda dentro da ambulância. Existia um silêncio monstruoso criado entre nós, e ele desligou o motor do carro como se quisesse permanecer mais um tempo ali parado na rua fria e escura, ele me encarou brevemente e naquele momento me aproximei lentamente.

                Seus lábios eram mornos como sempre imaginei, tudo que envolvia Chanyeol era quente em sua essência e era o contraste em relação ao frio da minha pele. Ele me puxou para mais perto, e não sei quanto tempo fiquei ali junto a ele. 

Mesmo com o trabalho em horários atípicos, Chanyeol conseguiu entrar na faculdade algum tempo depois. Enfermagem. Sua formação como socorrista era técnica e ele quis se aprimorar ainda mais, ele sabia que em alguns anos teria que deixar a ambulância e gostaria ainda de ser socorrista, mesmo que fosse no Pronto Socorro de um hospital.

Naquele momento já estávamos morando juntos, o que reduzia nossos gastos em quase a metade. Nós dois continuávamos trabalhando juntos, e segundo um elogio de um dos nossos pacientes, o diretor do hospital me convidou para a vaga de fisioterapeuta.

Aos poucos íamos abandonando a ambulância, porém, não o hospital. Em certo momento não aguentei seguir com os dois trabalhos, e tive que parar as ‘corridas’ noturnas, e próximo ao fim da faculdade, Chanyeol não tinha mais condições prosseguir como socorrista e começou a trabalhar no hospital.

Durante toda a faculdade quis trabalhar em clinicas de reabilitação, mas hoje não conseguia mais me imaginar trabalhando em uma delas, minha vida tinha modificado-se e não me conseguia imaginar trabalhando longe de um hospital. Às vezes, durante a tarde, quando eu e Chanyeol tínhamos um tempo vago, lanchávamos em um banco na frente do estacionamento das ambulâncias, como nos antigos tempos que ficávamos sentados de frente para o outro jogando cartas ou papo furado enquanto esperávamos um chamado acordados.

– Ele tá perdido como você ficava. – Chanyeol disse enquanto abria o seu sanduiche que tinha preparado para nós. E eu olhei em direção a ambulância, a nossa tinha sido substituída, aliás, toda a frota por novas e mais modernas.

– Mas eu sabia o que estava fazendo. – Resmuguei. Os anos tinham passado, mas Chanyeol continuava com aquela maldito sorriso bonito. – E sempre fui muito útil.

Suas mãos foram ao meu joelho apertando levemente, enquanto acompanhávamos o desenrolar da cena de dois paramédicos preparando a ambulância antes de um chamado, era muito importante deixar tudo organizado previamente.

– Até que eles fazem uma bela dupla. – Ele disse rindo dos dois paramédicos, um estava gritando com o outro, que estava rindo também.

Eu podia nós ver anos antes. Nossas escapadas pelo hospital até os berçários, cochilos no banco da ambulância, nos quais Chanyeol sempre acabava dormindo em cima de mim ou até mesmo nos nossos jogos de cartas que sempre um dos lados frustrado ou forçava para perder para alegrar o outro.

– Não, nós somos uma dupla melhor.

Não importava se estávamos trabalhando juntos ou separados, na parte interna ou externa do hospital, mesmo com o tempo corrido e selares roubados em breves instantes:

Nós sempre seriamos a dupla perfeita.

                                                                                                                                        


Notas Finais


Muito obrigada por ler <3 O que vocês acharam da fic? Aaaa quero saber ^^
https://twitter.com/yehunnie | https://curiouscat.me/yehunnie


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