História Morphine - Capítulo 16


Escrita por: ~

Postado
Categorias Barbara Palvin, Justin Bieber
Personagens Barbara Palvin, Caitlin Beadles, Chaz Somers, Christian Beadles, Justin Bieber, Khalil Sharief, Lil Za, Ryan Butler
Tags Criminal, Drama, Psicose, Romance
Exibições 93
Palavras 3.675
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Policial, Romance e Novela
Avisos: Adultério, Álcool, Drogas, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


AMORES, EU ESTOU MUITO FELIZ! Muito obrigada pelos 75 favoritos!
E como prometido, finalmente um capítulo inteiramente do nosso futuro casalzinho! Espero que gostem xox

Capítulo 16 - Forgiveness


  Point of View - Barbara Palvin

 

   Ouvir Justin, o garotinho fraco e indefeso, dizer que assumiria a sessão de tortura de Ryan no meu lugar fez um nó se formar na minha garganta, mas eu segurei o choro mesmo estando a ponto de explodir. 
  A risada irônica de Ryan ecoou em cada canto do porão e por fim, ele perguntou:
- Ah, é? Tem certeza que quer apanhar no lugar dela?
- T-tenho.
- E por que está fazendo isso? Essa vagabunda não vale nada, quando você menos esperar ela vai estar lá pra te tirar do sério, fazer repensar e até mesmo se arrepender por todas as vezes que você tentou ser bom com ela.

   Eu odiava ouvir Ryan me xingar desse jeito, mas talvez fosse tudo verdade. 
- P-po-porque...
- Não, não, não. - Ryan moveu o dedo indicador no ar. - Sem gaguejar.
   Eu via o brilho de desejo pelo sofrimento alheio nos olhos dele cintilar mesmo em meio à escuridão do porão. Justin respirou fundo com os olhos fechados.
- Apenas me coloque no lugar dela, eu disse que estou pronto.
- Ótimo. Senta no chão. - Ryan respondeu sem tirar aquela droga de sorriso doentio do rosto.
- Solta ela primeiro. - Justin negociou.
   Ryan riu nervoso e alcançou uma tesoura enferrujada em cima da pequena tábua de madeira presa à parede. O objeto ficava junto a vários outros outros pontiagudos que eu nunca soube o real propósito para que eram utilizados, muita coisa era escondida de mim nessa casa, ficava só entre os caras. Ele se inclinou e cortou as fitas que me amarravam de mau grado; também arrancou a que estava colada na minha boca.
   Corri para a escada ainda segurando as lágrimas, mas parei no meio dela ao ver o primeiro soco ser dado no rosto do pirralho. Senti meu coração apertar.
- Você vai se arrepender por cada palavra que disse hoje. - Ryan gritou claramente tomado pela raiva agarrando o garoto pela camiseta e fazendo sua cabeça se chocar contra a barra de ferro antes de jogá-lo no chão e lhe acertar mais socos no rosto e chutes extremamente violentos em cada parte de seu corpo. 
  Fiquei imóvel ouvindo com peso os barulhos das pancadas que Justin recebia sem soltar um murmúrio se quer, ele apenas chorava e gemia baixinho de dor. Meus olhos inundaram e quando a primeira lágrima caiu eu subi correndo escondendo o rosto com as mãos.    
- Barbara? O que foi?! O que o Ryan fez? - ouvi Za gritar, mas passei reto indo para o quarto e me joguei na cama de bruços abraçando o travesseiro.
   Gritei de forma abafada com o rosto no mesmo por conta da enorme culpa que estava sentindo e vi minhas lágrimas se misturarem com o sangue que escorria do meu lábio cortado.
- Eu acho que ele machucou ela. Pra valer. - ouvi Za dizer baixo atrás da porta.
- Que novidade! - Chaz comentou - Babi? - e bateu na porta. - O que aconteceu? O que o Ryan fez com você? O que fez com o pirralho?
- Vai embora, Chaz!
- Você nunca faz isso, me conta. - ele sussurrava. - Ele te machucou muito? Precisa de ajuda?
   Não respondi mais e me encolhi na cama, as lágrimas que saíam dos meus olhos eram só um resquício da fonte que jorrava culpa e dor de dentro do meu coração. Justin me perdoou por ter matado os seus pais! Ele apanhou no meu lugar! Isso não existe! Não é possível que esse garoto seja algo real, não há como existir um cara que seja cavalheiro e se importe com as mulheres dessa forma. Por que ele fez isso?!
- Sai da minha frente, filho da puta! - ouvi Ryan gritar, provavelmente com Chaz. - Ela tá aqui?
   Funguei e engoli o choro.
- BARBARA, ABRE ESSA PORTA! - ele esmurrou a mesma.
  Não respondi, eu preferia ficar bem quieta, como se não estivesse aqui.
- Não testa a minha paciência, caralho! Sua vagabunda, tu vai abrir essa porra antes que eu arrombe!
   Apertei os olhos deixando mais lágrimas escaparem, vê-lo com tanta raiva assim fazia calafrios intensos atravessarem minha espinha. 
   Levantei silenciosamente e vesti as roupas que estavam jogadas ao chão, uma calça preta, meias, minhas botas de cano baixo e...
- SUA DESGRAÇADA, FILHA DA PUTA! ABRE ESSA PORRA, CARALHO! - dessa vez os socos foram mais fortes, acho que ele já havia começado a chutar a porta. - Achou mesmo que eu ia te deixar livre? Eu vou contar até três. 
   Coloquei o cabelo atrás da orelha procurando desesperadamente minha jaqueta preta, minha pistola e as chaves da moto. Ouvi Ryan esbravejar mais uma vez e alguns ruídos na sala e a porta da mesma bater de repente. Meu coração palpitou, pelo menos não era a porta do quarto. Por fim, Ryan começou a dizer que ia e a de fato tentar arrombar a porta. Abri a janela com cuidado e senti o vento golpear meu rosto fazendo meu cabelo voar para trás. Saltei caindo de quatro no chão e não me importei em limpar o barro dos joelhos. Caminhei rapidamente até a garagem enquanto via Justin correr portão à fora. Coloquei o capacete e subi na moto dando partida e saindo daquela casa, eu sei que seria bem pior quando Ryan me encontrasse, mas hoje eu já não aguentaria apanhar mais. A morte me parece uma boa opção, mas não quero morrer agora.
   Deixei que o vento gelado secasse as minhas lágrimas, eu apenas olhava para o nada, mesmo sabendo que poderia cair se continuasse a não prestar atenção na estrada, permaneci assim até ouvir um ronco de motor mais alto se sobressair sobre o da minha moto. Virei a cabeça para o lado e enxerguei Justin pelo retrovisor de sua Ferrari preta.
- Ei! - falei mesmo sabendo que ele não ouviria. Justin fechou o vidro rapidamente e acelerou.
   O acompanhei fazendo sinal com as mãos para que ele parasse, mas não rolou, ele parecia assustado. Resolvi apelar, tirei a pistola do cós e apontei para ele que logo parou o carro no acostamento e quando desceu do mesmo. Abaixei a arma, ele estava de cabeça baixa e com as mãos para o alto.
- Justin, o que ele...? - toquei em seu queixo com a mão em formato de "U" e o fiz olhar para mim. 
   Meus olhos marejaram instantaneamente mais uma vez ao ver a região de seus olhos com hematomas roxos, a boca estourada e a testa pingando sangue de um pequeno corte.
- Por que você fez isso?
- Eu não ia deixar ele te bater, não ia assistir uma mulher apanhando de um... - ele levou a mão à testa, falava feito um desesperado. - Esquece, eu...
- Não vou contar pra ele. - falei simplesmente. 
- Covarde! Ele te amarrou pra fazer isso com você! - Justin apontou para o próprio rosto. - Você precisa fazer ele parar!
- Ninguém consegue parar o Ryan. E quer que eu faça o que, caralho?! - gritei. - Quer que eu vá até a polícia?!
- Eu não sei! - por incrível que pareça ele gritou de volta. - Eu apanhei do Ryan e não escolhi ele, você escolheu!
- Se eu soubesse... - suspirei. - Teria escolhido certo, se há anos eu soubesse teria escolhido alguém como você.
  O garoto não disse nada, fiquei observando ele tentar estancar o sangue no canto dos lábios.
- Eu nem sabia que garotos como você existiam.
- Eu sou um garoto normal, aprendi a amar e respeitar as pessoas independente de quem fossem. Sou o pirralho, bebêzinho de vocês ou como quiser chamar.
- Eu nunca pensei que te veria bravo.
- Eu só queria que vocês sumissem da minha vida. - ele começou a chorar, ele chorava por tudo, mas dessa vez estava doendo em mim também. - Não estou bravo, estou magoado, estou com dor! Que droga!
  Ele reclamou levando as mãos no rosto.
- Me deixa te ajudar com isso. - segurei em seus pulsos. Justin parecia ter medo da aproximação de qualquer pessoa estranha. - Você tá muito machucado.
- Não vou voltar para aquela casa.
- Não estou falando da minha casa, Ryan ainda quer me matar. Vamos para sua, confia em mim. - engoli seco, não sabia como fazer para ele acreditar que eu estava falando a verdade. Eu ainda estava com o choro engasgado na garganta.
- N-não. Eu tô bem.
- Justin!
- O-o que? E p-por que está me chamando pelo nome ao invés de me xingar?
- Porque eu estou grata. - falei baixo, era difícil dar o braço a torcer dessa forma. - Fica tranquilo, não precisa ter medo de mim. Não mais, eu juro. Tá bom? Vou ir com você pra te ajudar a cuidar disso, ok?
- Mas meus avós...
- São duas da manhã, aposto que eles estão dormindo.
- Sim, eles estão. - ele respondeu baixo.
- Então vamos.
   Justin não disse nada, mas estava recuando de certa forma.
- Ei, tá tudo bem. - me aproximei devagar e ele foi cedendo aos poucos. - Eu não vou te machucar, eu prometo. Me deixa te ajudar, eu sei que você não pode mostrar pra ninguém, é o mínimo que posso fazer por ter me salvado e me tirado daquele lugar.
- Mas você fugiu.
   Balancei a cabeça que sim feito uma retardada e as lágrimas logo voltaram a rolar pelo meu rosto.
- Você tem razão, eu fugi do Ryan. E quero sair daqui antes que ele venha atrás de mim.
   Justin analisou meus olhos por um momento e disse por fim:
- Vem, me segue.

                        Point of View - Justin Bieber

 

   Disse isso porquê enxerguei algo verdadeiro dentro de seus olhos, era a segunda vez que eu estava confiando em Barbara por mais que apenas por estar ao lado dela meu corpo todo trema de medo. Entrei no carro e ela foi seguindo ao meu lado.
   Deixei meu carro na frente de casa para não fazer muito barulho e escondemos a moto dela nos fundos da garagem ao chegar. Eu estava com o pé meio atrás em deixá-la entrar aqui e ainda mais pelo fato dos meus avós estarem dormindo bem ao lado do meu quarto. Passei na cozinha, pois ela pediu para que eu pegasse um pouco de gelo e subimos. Encostei a porta e sentei na cama.
- E-eu não quero te obrigar a nada e nem parecer que estou falando grosso, mas... Como vai me ajudar?
- Não precisa se desculpar antes mesmo de dizer algo pra mim. Tá tudo bem, eu aposto que mesmo se você me xingasse iria soar de uma forma gentil.
- Eu jamais faria isso.
- Eu sou uma filha da puta com você. - ela fez uma pausa - O banheiro é ali? - e apontou. 
   Assenti com a cabeça e ela adentrou no mesmo. Engoli o choro, estava sentindo muita dor, era agonizante. Tirei o tênis e fiz perna de índio a observando voltar com uma toalha molhada em mãos. Barbara pediu licença com uma voz doce e se sentou mandando eu ficar de frente para ela.
- Eu só vou limpar, tudo bem?
    Balancei a cabeça que sim analisando cada centímetro de seu rosto, seus olhos continuavam vazios como sempre, mas lá no fundo eu enxergava um pouco de bondade e gratidão dentro deles. Ela tocou em meu queixo segurando meu rosto e começou a passar a toalha sobre o mesmo com toques leves. 
- Ai! - não consegui segurar quando ela começou a tocar em meu nariz. 
- Desculpa. - ela sorriu brevemente.
   Espremi os olhos quando senti minha visão ficar turva e percebi que eram de lágrimas.
- Está doendo muito? - ela segurou meu cabelo para trás dando batidinhas fracas com a toalha em minha testa.
- Sim.
- Acredite, eu sei que dói, mas... - ela olhou para baixo e umedeceu os lábios com a língua. - vai passar, eu prometo.
- Você não precisa me prometer nada.
- Não acredita em mim?
   Sinceramente não. 
- Não é por isso, eu sei que vai sarar um dia, mas porquê você está com o Ryan se...?
- Eu não quero falar dele. - ela evitava ao máximo manter contato visual comigo. Esticou a toalha sobre as pernas e limpou uma lágrima rapidamente.
- Você não tem mais com quem falar, você mesma me disse isso uma vez. E se acha que eu estou perguntando porquê acha que eu planejo alguma coisa contra você, é mentira. Estou tentando tocar no assunto porquê sei o quanto é ruim não ter alguém que te entenda ou que pelo menos finja estar te ouvindo.
- E você entende? - ela perguntou ríspida. - Você nem nunca namorou. 
- Eu sei disso, mas o que eu posso dizer com convicção é que nenhum ser humano merece passar por isso. Não tem como aguentar e não estou falando do que você sente aí dentro, mas por fora. Você sabe que é verdade, sabe que um dia a morte vai chegar e tem a certeza de que é o Ryan que vai fazer isso com você.
   Ela assentiu.
- E você acha isso certo? Acha mesmo que isso é amor?
- O amor machuca às vezes. - ela afirmou, mas não parecia acreditar, de fato, em suas próprias palavras. 
- Amar não dói, Barbara.
- Você não sabe do que está falando.
- Enquanto você luta por esse relacionamento, Ryan luta com você. Vai deixar esse amor que você diz existir te matar?
- Ele não vai me matar. - ela disse mais baixo do que todos os sussurros que demos até agora.
- Não tente se convencer de uma mentira.
- Você realmente está preocupado?
- Já é a terceira vez que eu sinto na pele o que ele faz com você todos os dias!
- Eu sou um monstro, eu matei os seus pais. Eu mereço tudo isso, não acha?
- Eu não sei quem você é, essa é a verdade. 
- O que? - ela me olhou sem entender.
- Talvez nem você mesma saiba. Você é aquilo que o Ryan montou, aquilo que ele disse pra você ser.
   Ela ficou pensativa, não respondeu nada.
- Eu... Tudo bem, eu só... Eu-eu sou muito intrometido, mas é que depois dessa surra eu pude imaginar... Deixa pra lá. - falei ao ver que ela ficou realmente mal, eu não deveria ter aberto a boca.
   Eu boto fé nas pessoas e por um momento tentei não julgá-la por ser, aparentemente, uma criminosa. Qual é, Barbara é humana também e eu não aguentaria um dia na pele dela. Talvez eu seja um retardado por acreditar nela e até mesmo em acreditar que ela possa ter sentimentos, mas vê-la tão abatida e reparar que os olhos dela nunca brilham dói em mim, é como se ela vivesse debaixo de um manto de dor.
   Ela continuou a limpar meu rosto com cuidado e com uma expressão estranha. Pediu que eu tirasse o moletom e a camiseta para poder limpar o sangue que havia escorrido para meu pescoço e peito e eu o fiz. Segurei o gelo no rosto como ela mandou e a senti deslizar com a toalha com cada vez mais força como se fosse arrancar minha pele, quando percebi ela estava chorando.
- Barbara?
- Eu não aguento mais! - ela jogou a toalha em cima de mim e colocou as mãos no rosto.
- Fala baixo. O que foi?
- Por que você me perdoou? Por que me perdoou por ter matado seus pais? Como você consegue ser assim? Eu te fiz tanto mal! Não quero que me perdoe! Eu não mereço!
- Ei, ei. - segurei em seus pulsos, ela queria me bater! - Tá tudo bem.
- Não, não está! Por que? C-como você consegue? - ela abaixou o tom de voz.
- Como consigo o que? Calma, Barbara.
- Como consegue ser tão bom? Por que está se importando comigo? - as lágrimas dela corriam de uma forma tão natural que chegava a ser desesperador, ela estava chorando muito, chorando de verdade, chorando de tristeza.
   Eu não sabia o que fazer ou responder, eu simplesmente sempre fui assim, segundo Christian, eu sempre fui otário por se importar demais com as pessoas. Ele também diz não entender como eu posso ser bom até com quem me fez tão mal. Fiquei encarando Barbara até ela parar de chorar e soluçar. 
- Tudo isso porquê eu te perdoei?
- Eu estou me sentindo horrível. 
- Não precisa. Faz mais sentido se você estivesse se sentindo mal se eu não tivesse te perdoado, não é mesmo? - perguntei amigável e tive a audácia de tirar o cabelo dela da frente do rosto que estava grudando nas lágrimas, vai que ela não gosta.
- Sim, mas você é tão... Eu nunca vou entender, só sei que não acho mais que você esteja tramando algo contra mim.
- Eu não estou. Como você, os outros, meus amigos e todo mundo diz: eu tenho um coração mole, eu nem consigo pensar no que poderia fazer para me vingar de você se meus planos fossem esses.
- Eu nunca chorei de verdade em anos. - ela comprimiu os lábios e fez uma careta.
- Por que?
- Porque sabia que ninguém ia me ouvir e me socorrer dessa forma, sem contar que o Ryan diz que o som do meu choro o irrita e sempre me faz engolir. 
- Eu estou ouvindo.
- Obrigada. - ela suspirou 
- Tá sujo aqui. - passei o dedo no canto de sua boca, onde sangrava por conta do soco que havia recebido de Ryan.
- Eu já estou acost... Tá tudo bem. O seu rosto já tá melhor por causa do gelo, se tiver alguma pomada é bom passar. - ela se levantou. - Eu vou embora. 
- Embora? Vai voltar pra casa?
- Não. Eu vou...
    Ela colocou as mãos no bolso de trás da calça e o silêncio reinou até ela desistir daquilo e caminhar até a porta.
- Você não tem onde ficar, né?
   Eu ainda não acredito que estava fazendo isso.
- Eu posso ficar em algum...
- Nem dinheiro. - a cortei.
- Eu dou um jeito, não posso voltar pra casa com a raiva que Ryan está. - ela fez uma pausa. - E mesmo sabendo que daqui um tempo quando eu resolver aparecer e a raiva dele vai estar triplicada, eu não posso fazer isso hoje. 
- E o que você vai fazer?
- Vou ficar por aí. Vou pedir pra passar a noite em um clube de strip ou num puteiro dizendo que quero trabalhar e fujo no dia seguinte. Eu sempre faço isso ou posso ficar na rua com uns drogados que eu conheço, eles gostam de mim por eu vender pra eles. Ou então eu posso matar um motorista, roubar o carro dele e dormir lá dentro. Eu... sei lá, você precisa dormir, já vai amanhecer, ainda tenho que tirar a minha moto da garagem. Tchau.
- Você não precisa se humilhar, correr riscos ou matar alguém desse jeito. Fica aqui essa noite.
   Ela sorriu como se estivesse agradecendo, mas balançou a cabeça que não. 
- Você não confia em mim.
- Ele não vai te achar aqui. - me referi ao Ryan tentando convencê-la disso.
- Se seus avós me virem vão chamar a polícia, eu não posso. 
- Eu sempre durmo de porta trancada, eles não vão desconfiar. 
- Vai mentir pra eles?
- E-eu não costumo fazer isso. - apertei o tecido da calça. - Mas v-você n-não pode deixar o Ryan te encontrar, não... Eu... Eu não estou mentindo.
   Ela pareceu pensar e titubeou por um momento, mas finalmente forçou um sorriso e caminhou até mim tirando sua pistola da cintura. Engoli seco, meus olhos marejaram, eu não acredito que ela vai me matar depois de tud...
- Fica com você. Só pra ter certeza de que eu não vou tentar nada, eu confio em você, Justin. - Barbara disse para a minha surpresa e eu soltei o ar que estava prendendo, ela com certeza percebeu que meus pensamentos eram de que eu achava que ela ia atirar em mim.
- Por mais que eu não confie em você? - tirei a arma de sua mão devagar sem deixar de prestar atenção em seus olhos.
- Você fez muito mais coisas por mim que eu não retribuo. Você ganhou a minha confiança hoje e acredite, só uma pessoa em todo mundo tem isso.
- Eu?
- Além de você, mas não vem ao caso.
- É aquele cara da barba grande? - acho que ele se chama Charles.
- É sim.
- Eu vou colocar embaixo da cama, promete que não vai pegar? - perguntei me referindo à arma.
- Prometo. 
- Se eu sair pra dormir em outro lugar, meus avós vão ver a porta fechada e vão desconfiar e como pode ver, pra deitar, só tem uma cama, mas é de casal. Tudo bem?
- Sim, é claro. - ela respondeu com um sorriso simples. Vê-la forçar sorrisos desse jeito também me machuca de certa forma.
- Então tá bom. - levantei. - Eu só vou colocar uma roupa mais confortável, pode deitar se quiser.
   Ela assentiu e eu caminhei rapidamente até aquela frescura de closet onde minha vó inventou de arrumar minhas roupas. Eu precisava mesmo de um banho, mas não confio na Barbara para deixá-la tanto tempo sozinha. Tirei a calça jeans e vesti uma bermuda larga e uma camiseta. Quando voltei para o quarto ela já estava deitada de olhos fechados e encolhida num canto da cama, sem a jaqueta e sem as botas. Tranquei a porta, cobri seu pequeno corpo e deitei do outro lado me enrolando em um cobertor diferente.


Notas Finais


Me respondam: O que vocês preferem? Que eu poste duas ou três vezes por semana?
Espero que tenham gostado, até o próximo!! xox


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...