História Muito Mais Que 5 Minutos - Capítulo 6


Escrita por: ~

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Categorias Kéfera Buchmann
Personagens Kéfera Buchmann
Exibições 12
Palavras 1.525
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 12 ANOS
Gêneros: Famí­lia
Avisos: Linguagem Imprópria
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Boa Leitura!

Capítulo 6 - Capítulo #1


Fanfic / Fanfiction Muito Mais Que 5 Minutos - Capítulo 6 - Capítulo #1

Desde cedo tenho uma ligação forte com arte. Qualquer tipo de arte. Começou quando eu era criança (mais criança do que ainda sou). Eu desenhava e por um longo período (de três meses) acreditei que um dia seria desenhista, uma pintora incrível, conhecida no mundo inteiro pelos meus desenhos (que eram uma bosta, para ser sincera). Eu fazia desenhos e entregava para a família toda. Presenteava meus familiares com meus desenhos como se fossem algo que eles realmente quisessem. E todos mentiam para mim, dizendo que o desenho era bonito e que eu tinha muito talento. E eu acabei acreditando.

Mas logo esse sonho de ser uma renomada pintora foi aquarela abaixo. Minha mãe até que tentou me incentivar a fazer aulas de desenho, porque, segundo ela, eu realmente tinha traços muito bons. Mas sabe como são as mães, né? Não dá para confiar cegamente em alguém que te elogia até quando você faz cocô (dentro do penico). E minha mãe sempre me elogiava muito (mesmo quando eu não acertava dentro do penico). Minha mãe sempre gostou de qualquer merda (literalmente) que eu fizesse. 

Logo, no entanto, comecei a perceber que eu não desenhava tão bem quanto as minhas coleguinhas da escola. E aí o desenho acabou virando só um hobby. Um hobby bem inútil e que eu só chamo de hobby para não me parecer tão vergonhosa a constatação de que eu desenhava tão mal. Chamar o que você não sabe fazer direito de hobby pega bem. Fica a dica.

E fica também um beijo para dona Zeivanez, minha mãe, que tem esse nome horrível. E que descontou a raiva de ter um nome esquisito em mim, me chamando de Kéfera. Aliás, prazer: Kéfera Buchmann.

Eu me lembro da minha vida mais ou menos a partir dos cinco anos.

Deve ter acontecido alguma coisa legal antes, mas não lembro. Desculpem. Bom, com cinco aninhos já tinha conhecido minha amiguinha Josiéne. (Que, aliás, também tem um nome bem esquisito, assim como o meu. Sim, nossos pais estavam a fim de nos sacanear, como você já percebeu.) Na verdade, conheci a Josie quando tinha três anos. Bem, isso é o que os nossos pais nos contam, porque com três anos de idade eu nem sabia que existia. Ainda não estava muito ligada nessa parada chamada vida. Você, por exemplo, com três anos ainda estava mamando na teta da sua mãe. Certo? Só estou te lembrando para você se sentir meio mal.

Eu e a Josie brincávamos de ser alguma cantora gostosa do momento (QUE FASE, HEIN?). Tínhamos nossas bonecas e a história era sempre a mesma. Nossas Barbies namoravam um cara gostoso e rico e eram famosas (cantoras ou atrizes), felizes, realizadas, magras, gostosas, desejadas e meio vagabundas. Porque ser desejada e não sair por aí de piranhagem não tem muita graça, né? Era mais ou menos como eu e a Josie imaginávamos que seria nossa vida aos catorze anos. (Precoces para cacete, pois é, mas a gente acabou desistindo da ideia de ser meio vagaba quando descobrimos que isso não era algo tããão legal assim.) O sonho de ser artista e bem-sucedida, porém, continuou vivo, bem mais que o fogo no rabo das nossas Barbies. Contei toda essa besteira para reforçar que sempre me imaginei trabalhando no ramo artístico. Só não sabia direito onde.

Com sete aninhos, lá estava a menina Kéfera entrando na primeira série do ensino fundamental. O primeiro dia foi um desastre. Fui de condução (junto com a Josie!) e logo de cara encontramos uns palhaços mais velhos que começaram a nos zoar. Porque primeiro dia de escola sem sofrer bullying não é primeiro dia de escola. Aliás, quem diz que criança é um ser inocente não sabe o que está falando. Crianças podem ser as criaturas mais demoníacas que existem, por mais que digam o contrário. Sabe por quê? Porque são sinceras demais. Criança olha para uma velha com o peito caído, aponta, dá risada e diz que “ela vai tropeçar na própria teta”. E ainda chamam de anjo? NUNCA! Adultos também não são seres puros e cheios de luz, mas pelo menos evitam ser sinceros demais, porque sabem que a gente tem uma coisa chamada coração e que existem outras chamadas problemas-de-autoestima.

Voltando para os capetas que começaram a me zoar na saída do ônibus, um deles era um loiro e, infelizmente bonito. Infelizmente porque eu estava com ódio de ele ser bonito, porque ele estava me xingando. O outro tinha uma carinha comum de criança demoníaca, então dane-se. Na hora das ofensas gratuitas, não entendi muito bem o que estava acontecendo e por que eles estavam sendo sacanas comigo. Eles me chamavam de “bolinha” e “quatro olhos”. Se fosse hoje, mandaria eles tomarem no cu, mas naquela época eu nem sabia o que era cu direito, então acabei ficando quieta. Meus olhos começaram a se encher de lágrimas e senti a primeira escorrer pela minha bochecha. A Josie também estava assustada, me olhando sem entender o que estava acontecendo. Foi um longo caminho de vinte minutos até finalmente chegarmos à nova escola.

Quando desci da condução, além dos capetas, vi um monte de crianças abraçando os pais, chorando, rindo, se batendo. Vi pais correndo atrás dos filhos, que pareciam ter cheirado alguma substância estranha, tamanhas eram a insanidade e a energia que tinham. Logo me perdi da Josie. Pensei: “Fodeu!”. Mentira. Não pensei “fodeu”, não. Afinal, eu tinha sete anos. Mas fiquei muito chateada na hora, e com raiva dela por ter se afastado de mim, dando a chance de nos perdermos uma da outra.

Primeiro dia em uma escola nova é como o começo do Big Brother Brasil. Todo mundo se ama e fica amigo e uma semana depois estão se odiando e fazendo macumba para os coleguinhas. Conheci umas meninas que foram legais comigo e achei a maioria dos meninos feios. Os que eram bonitinhos já estavam de olho nas loirinhas magras da sala. Foi com sete anos que eu comecei a perceber que eu era meio diferente das outras garotas da classe. Elas tinham o cabelo liso e comprido, enquanto o meu parecia uma vassoura de palha. Eram loiras, eu tinha o cabelo castanho. Elas tinham olhos claros e eu, escuros. Elas eram mais baixas, eu, mais alta. Elas eram magras, eu estava acima do peso. Elas usavam produtos de marca, eu, minha caneta que tinha comprado na lojinha de R$ 1,99.

 Não preciso dizer que logo as loirinhas magras se tornaram as populares, cheias de meninos correndo atrás, né? O que acontece sempre nos filmes adolescentes americanos. Se eu pudesse determinar quem seria escolhida a bonitinha da escola naquela época, teria indicado uma mulata delícia meio Globeleza, para sair desse maldito padrão das loirinhas magras. Mas éramos criancinhas sebosas que não sabiam direito o que estava acontecendo.

Não demorou muito para o pessoal da minha classe me escolher como objeto de zoeira. E em pouco tempo eu já odiava a escola inteira e vice-versa. Sempre fui o tipo de garota que atrai treta. Talvez fosse porque eu fazia muita besteira. Os meninos começaram a me perseguir, passando a me dar apelidos muito “carinhosos”, como: balão, rolha de poço, saco de areia, balofa, pneu de trator, bolo fofo, pudim de banha, baleia, barril destampado, bujão, Free Willy, porpeta, polenta, almôndega, chupeta de baleia, saco de banha e por aí vai... O povo era criativo, preciso admitir. Relembrando agora, é engraçado. Mas na época doeu bastante. Tipo, muito mesmo. Eu odiava ir para a escola. Chorava todos os dias. E me culpava por estar crescendo (tanto cronologicamente quanto para os lados). Achava que se eu não estivesse ficando mais velha, não precisaria enfrentar a escola. Desejei ficar no jardim de infância para sempre. E olha que eu nem sabia o que me esperava.


Bullying é coisa séria 

É comum crianças se ofenderem e até se xingarem na escola. É assim desde que o mundo é mundo. A diferença é que alguns meninos e meninas levam numa boa e deixam os xingamentos que ouviram para trás. Outros carregam isso para a vida toda. Sou assim. Levei para a vida todos os xingamentos que recebi, como conto neste livro. Para quem ainda não sabe, na definição de Cleo Fante, pioneira no estudo desse assunto no Brasil, bullying é “quando um estudante (ou mais), de forma intencional, elege como alvo outro (ou outros) contra o qual desfere uma série de maus-tratos repetitivos, impossibilitando a defesa”.

 Eu sempre fui gordinha e sofri muito com isso. Passei por todo tipo de humilhação possível na época da escola e isso foi o motivo da minha infelicidade por anos. Não é fácil consertar a cabeça de um ser humano que foi tão ridicularizado, digo do fundo do coração. Então é preciso combater o bullying. “Ah, mas é só brincadeira”, vai ter gente insistindo. Se existe a menor chance de a pessoa ficar muito chateada, triste mesmo, então não é mais piada, brincadeira. Se você sofre bullying ou conhece alguém que passe por isso, peça ajuda aos seus pais, amigos ou professores. Tem vergonha? Não é para ter. É enfrentar a vergonha ou correr o risco de arrastar o fantasma da humilhação pelo resto da vida. 


Notas Finais


Espero que tenha gostado.


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