História Mutação - Capítulo 1


Escrita por: ~

Postado
Categorias EXO
Personagens D.O, Kris Wu, Sehun, Tao, Xiumin
Tags ?2concursoexofanfics?, Dtehospital, Hospital, Sesoo, Zumbis
Exibições 37
Palavras 5.650
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Terror e Horror, Universo Alternativo, Yaoi
Avisos: Canibalismo, Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Boa noite pessoal!
Hoje vim trazer uma fanfic diferente do que costumo fazer, ja que o universo possui uma trama diferente!
Essa historia foi feita para o 2º Concurso de fanfics do exo e o primeiro tema proposto é Hospital, com o personagem principal sendo Kyungsoo. Fiquei na torcida para que fosse decidido entre eles algo que eu pudesse colocar um terrorzinho básico, porque amo esse gênero e fiquei toda feliz quando percebi que dava! *O*
Espero muito que gostem e espero ter passado nem que for um arrepio com meus belos zumbi's "diferentões" :'D hehueuheuheue

Boa leitura! <3

Capítulo 1 - Fio de esperança.


Fanfic / Fanfiction Mutação - Capítulo 1 - Fio de esperança.

Do Kyungsoo encarava com certa tristeza a paisagem que permanecia toda destorcida na janela a sua frente. A visão dos carros revirados, das árvores caídas, da estrada cheia de buracos e tantos corpos mortos espalhados por ela era algo que nunca pensou, em tantos anos de vida e profissão, que poderia acontecer. 

A chuva caía de forma forte, molhando toda aquela cena assombrosa, mas no fundo, com os trovões refletidos em uma musica de terror ele sabia que a esperança aos poucos acabava. 

O hospital na qual se encontrava acabou tornando-se um refúgio para ele, outros profissionais e pacientes que estavam no exato momento em que tudo mudou. O que um dia cheio de pessoas precisando ser atendidas para voltar as suas casas e cuidarem de suas famílias, para um cenário cheio de gritos, pavores e muito sangue... Ainda lembrava-se perfeitamente de quando as portas principais daquele edifício foram fechadas e sobrepostas com armários, cadeiras, macas e qualquer outro móvel para protegê-los do que havia lá fora.  

Estava voltando para sua ala, já que como técnico de enfermagem ficava encarregado dos pacientes que chegavam a UTI, quando soldados invadiram o corredor aos berros, com suas armas apontadas para todos de que as janelas, portas e qualquer outro meio de invasão daquele lugar fossem lacrados, porque acima de tudo, a vida de todos, sem exceção estavam contados. 

O hospital Fijiong Stanley não ficava no centro de Seul como todos os similares. Seu posicionamento era afastado, na parte divisória de uma cidade a outra, sendo quase deserto a sua volta. O porquê disso se voltava ao fato de que os pacientes normalmente eram estrangeiros; Ao que o lado esquerdo era onde ficava o pouso de aviões que os traziam para cá e o direito uma área restrita ao exército. 

Deveria ser por isso que toda aquela desgraça os atingiu primeiro. Se tivesse trabalhando em outro lugar ainda daria tempo de se esconder ou fugir do país... Mas não era bem assim que as coisas funcionavam. A nação coreana trabalhava em um experimento voltado a criar uma arma mais potente contra os inimigos em uma provável guerra. Se a própria Coréia do Norte estava contra a do Sul com suas bombas e armas nucleares... Eles precisariam de algo muito mais potente para se defenderem. 

E qual o melhor do que criar um laboratório em uma base ao lado de um hospital imenso, que poderia ajudar com a parte dos elementos injetados em suas cobaias? O provedor daquele lugar transferia vários medicamentos em que a medicina cuidava para que corressem no corpo humano.  

Mutantes. 

Eles queriam não uma arma comum sendo branca ou de fogo. Tinha que ser algo sutil, sem indícios de perigo. Se criaram a tática dos homens-bomba, porque não fazer uma pessoa capaz de ter uma força tão imensa e cheia de poder, capaz de se defender e ter sua pele como um escudo para proteção? 

Tudo isso sendo feito por baixo dos planos, até que o experimento deu errado. As cobaias criaram uma força poderosa de forma que seu cérebro não raciocinasse como uma pessoa comum. O corpo na qual queriam que fosse indestrutível começou a rachar, buracos feitos na pele como se um ácido potente estivesse corroendo a carne, semelhante a úlceras, assim como a racionalidade viesse apenas como uma ordem: Matar. 

Criaram monstros sem se darem conta. Pelo que escutou do sargento que conversava com o provedor do hospital na sala de um dos médicos psiquiatras, os remédios e a bateria de exames feitos nos corpos agora sem vida deram um fracasso gigantesco, eles pareciam zumbis em busca de se alimentarem e apenas isso.  

Mas não eram apenas esse caso como via em filmes na qual a criatura tentava correr e por mais que tentasse, seu corpo desabilitado rastejava-se enquanto gemia ao ver um ser vivo... Não. Eles tinham uma alta rapidez, assim como poderiam quebrar facilmente um caminhão que o fosse atropelar em alta velocidade. 

Sentia medo, não negava. Nenhum deles chegou a invadir o hospital, pois a ordem de manter as luzes apagadas e o silêncio como regra crucial era cumprida à risca. Só que, o jovem Do era do tipo que não deixava transparecer. Focava em sua cabeça que perder o controle era o fim da linha e por mais que quisesse injetar uma droga em sua veia, morrendo por um ato impensado ao invés de ter o corpo devorado por aqueles dentes pontiagudos dos monstros lá fora... Ele pensava e criava esperanças de que tudo poderia mudar.  

Que eles teriam uma chance... 

Suas mãos foram ao próprio rosto esfregando-o e suspirando diante a tudo aquilo. Fazia uma semana que o caos se instalou por toda a cidade, segundo os noticiários que passava na televisão na copa e, pelo menos os potes que carregavam a fiação elétrica estavam intactos. Agradecia muito por isso, ou senão nem poderiam saber como estava à situação mundial.  

A Coréia do Sul estava infestada e pelo que pôde escutar ao prestar atenção em um jornal da tarde, o governo norte americano também fazia aquelas experiências... Mas não se soube se também fugiu de suas mãos. A questão agora era sobreviver. Havia muita comida abastecida na cozinha e duraria por um mês. Alguns soldados que sobraram da base atacada ao lado se sacrificavam para irem até o mercado do centro e voltar em seus tanques com os alimentos, agora enlatados.  

Na visão de Kyungsoo não faziam mais do que sua obrigação, já que a culpa era toda deles. 

Doía em seu peito de coração tão nobre e caridoso, escutar os bipes das maquinas em que seus pacientes entubados mantinham-se para se sustentar com o O2 e as alimentações que deveriam ser colocadas no encaixe, próprias a eles, por serem tão líquidas quanto o soro que pingava e era injetado em seus acessos. O jovem Do trancava-se no banheiro chorando em prantos quando o som de que a morte bateu por aquele quarto amplo em que todos se encontravam, indicando que um deles havia morrido. Já estava se tornando mais do que rotina. 

Poderiam ter tudo para as pessoas que trabalhava lá se manterem vivas, mas os remédios, os instrumentos e equipamentos esgotavam-se de forma insana. Ele sabia que se aquele novo mundo de monstros não acabasse, nenhum deles iria sobreviver. 

Pior era quando os corpos precisavam ser embalados. Não podiam atrair pelo odor daqueles canibais o cheiro podre dos cadáveres então os soldados levavam ao longe, para serem queimados. Assim, a fumaça atrairia aqueles seres a outro lugar e nunca chegariam e desconfiariam do hospital. 

-Do Kyungsoo? – Uma voz masculina soou atrás de si e ele respirou fundo virando-se e ajeitando seu jaleco ao corpo. Minseok era um estrangeiro que conseguiu o estagio de secretario ali no edifício e conquistou a todos com seu jeito competente, atento e educado.  

-O que aconteceu? 

-Um dos soldados foi baleado de raspão enquanto lutava contra os zumbis no leste da cidade. – Disse fazendo um gesto com as mãos para que o seguisse, levando-os até a enfermaria, naquele mesmo corredor do quinto andar. 

-Porque foram tão longe? – Questionou vendo o loiro sem o uniforme, vestindo apenas uma blusa e calça simples dadas pelo hospital, branquíssimas. Eles preferiam utilizar a farda quando estivesse fora, assim elas mantinham-se intactas e sem desgaste para a luta. 

-A comida esta acabando. Os mercados vazios e as farmácias destruídas. Ficaram muito tempo lá a procura e- 

-Eles nos pegaram desprevenidos. – A figura ferida disse cortando o secretario que apenas pediu licença e se retirou. 

-Pelo menos, já que esta aqui de favor poderia ser mais educado, não acha senhor Oh? – Kyungsoo ironizou pegando tudo o que precisava ao analisar acima do cotovelo, para que montasse um curativo. Puxou uma das cadeiras por estar cansado ignorando todo o lado profissional já que naquela situação em que estavam não faria muita diferença e ficou frente a frente com o loiro mais alto que franzia as sobrancelhas por ser tratado daquele jeito. 

-Será que é tão difícil me chamar pelo nome? Sehun nem é tão difícil. – Respondeu ao apoiar o braço para frente na bancada que fora aberta da mesa, assim semelhante a uma tábua de passar roupa.  

-Prefiro manter a cordialidade. Pelo menos isso eu sei que posso ter até o fim de minha vida. – Abria o pacote de gazes e trazia o soro fisiológico para limpar, uma cuba, ataduras, tesoura e por fim o esparadrapo. Não se esquecendo das luvas, por um ato mecânico. Não estava feio aquilo, sabia que o maravilhoso soldado era dramático demais, parecia mais um pequeno corte com sujeira da terra que provavelmente havia se arrastado ao cair no chão. Nem ponto precisava dar. – Quer um analgésico também, criança? – Perguntou depois de algum tempo terminando o que fazia, jogando o que não precisava no lixo junto as luvas, indo lavar as mãos. 

-Não. – Falou unicamente, observando o técnico indo de um lado para o outro. Desde que o conhecera no primeiro dia do caos o baixinho tratava ele e sua equipe como culpados sem escutar um “ah” vindo deles. Os ajudava quando se machucavam, mas logo tratava de sair de perto da tropa. 

E isso iria acontecer naquele exato momento se não fosse mais rápido e o segurasse pelo pulso, puxando seu corpo levemente próximo a si. 

-O que deseja agora Oh? Estou cansado, já é de madrugada e precisamos descansar. – Falou voltando a encarar o loiro que se levantou e com o olhar pensativo, passou dos limites que o baixinho mesmo impôs e achava que não era nada profissional. – O-Oh?! 

-Gostaria que me tratasse como um amigo. Estamos no mesmo barco. – Disse baixo. Não negava que naqueles últimos dias mesmo que não fosse recíproco sentia uma tração pelo Do. Gostava de sua preocupação com os outros, do rostinho angelical que o mesmo possuía e de todo o conjunto que formava aquele homem. Até pensava em formas de aborda-lo para saber mais sobre sua vida, se tinha interesses em alguém e se estava solteiro, não negava. Mas seria um pouco ridículo ao seu pensar falar alguma coisa, em vista que tudo lá fora do hospital parecia desabar e ele focando em coisas românticas. Com toda certeza receberia uma patada nada agradável. 

-Certo, se precisar de algo me chame, irei descansar. – Falou apontando para porta de frente a enfermaria, onde antes ficava uma sala reserva para os funcionários lancharem, sem sair do setor. Tudo nele havia sido jogado no primeiro andar para que prendesse a porta da frente, e agora duas camas foram colocadas junto de um armário pequeno. Aquilo seria um quartinho provisório. Seu e do Doutor Wu, que também era um dos poucos médicos que estavam de plantão no dia do pânico. Ele deveria estar junto do namorado que também trabalhava ali, só que do segundo andar, na pediatria. Huang Zitao.  

-Boa noite, Soo. – O soltou e o baixinho deixou-o ali. Sehun assim como os outros soldados quando todos descansavam ficavam espalhados em cada ala, então não achou ruim ficar ali onde estava, fechando os olhos desligando o abajur do balcão já que era a única iluminação que poderiam ter e não era forte; Pegando seu rifle, um M16A4, posicionando em seu colo. 

 
 
 

Kyungsoo remexia-se naquele colchão duro de um lado para o outro. A lembrança do dia em que houve uma explosão nos pousos de aviões de viagens o assombrava em seus pesadelos todas as noites. Suava e tremia. Agarrava firme o lençol branco abaixo de si e, quando abriu os olhos deparando-se com aquelas orbes castanhas tão próximas a si pensou em gritar... Até ter sua boca tapada pelas mãos grossas de Oh que fez um sinal com os lábios para manter silencio. 

O técnico se sentou todo amassado percebendo que a porta do quartinho mantinha-se fechada e Yifan estava com Zitao sentados na outra cama, conversando baixinho. Seus cabelos tão negros quanto a escuridão que passaram a conviver foram ajeitados pelo soldado que acabou vendo ao acordar e deu-lhe um tapa para que parasse. 

-O que aconteceu?  

-Zumbis aqui no hospital. – Sehun mordeu os lábios com sua resposta. Percebia que ele estava tenso. 

-Como?! 

-Não sabemos, a única coisa que tivemos certeza é que eles estão por todo o primeiro andar. Alguns de minha tropa conseguiram matar cinco deles. Tudo esta vazio, mas... Acreditamos que tenham mais escondidos. 

-Mas que droga! – Rosnou indignado. Era só o que faltava! – O que vamos fazer? 

-Como soldado, digo que devemos ir até lá e descobrir por onde eles entraram. Não adianta fechar e ficarmos nos andares de cima porque pense: Uma hora ou outra não sobrará nem meios de sairmos daqui e buscar mais mantimentos. Soo, imagine se cada andar for fechado. Esse hospital é grande por largura, mas não passa do quinto! – Disse o que pensava, tentando transparecer que o mais sensato era ir buscar pelo buraco de tudo. 

-Você esta certo. Precisamos manter a calma, gritar e entrar em desespero não vai ajudar. 

-Sim. Aquelas criaturas são fortes, ágeis. Não podemos vacilar nem por um instante. – Oh assegurou e o trio se levantou, a procura de alguma coisa que poderiam usar como arma, ja que pelo menos o soldado, possuía uma de fogo em mãos, porém com poucas balas. 

Kyungsoo teve uma ideia indo até a enfermaria de frente ao quartinho em que estavam, abrindo com cuidado a porta, procurando o que tanto desejava e sorriu ao ver o tripé de ferro, que utilizava quando precisava fazer uma coleta de sangue e o paciente apoiava seu braço. Ajoelhou-se e desenroscou os pinos de cada lateral da base por ser um modelo novo, assim como tudo naquele hospital e deixou de lado o cano maior, fazendo o mesmo com os outros apoiadores ao lado do armário. 

-Boa, Kyung! – Zitao disse assim que o amigo foi até si e Yifan, entregando a base do suporte. 

-Vamos? – Sehun questionou e quando acharam que estavam preparados. Concordaram. 

 
 

-Não me levem a mal, mas... Onde estão os funcionários? – O Wu passeava seus olhos pelo corredor comprido do primeiro andar onde ficava as salas de repouso e equipamentos para a realizações de emergências trazidas pela ambulância. Não havia um indicio de vida por ali. 

-Escondidos? Talvez tentaram fugir ou- 

-Mortos. – Sehun disse como se fosse a coisa mais normal e... Bem, era. Kyung não queria encarar aquela realidade ainda, então na ponta dos pés deu um tapa na cabeça do maior que resmungou alguma coisa baixinho e, ao escutarem o som de algo quebrando entraram em alerta. 

Os canos de ferro segurados firmemente, assim como a arma nas mãos de Oh bem posicionada de frente ao seu corpo, com o dedo no gatilho foram suficientes para os manterem em postura, até chegar a sala hemoterapia, a qual ficava armazenada o ponto principal do hospital, as bolsas de sangue. Entraram em meio as geladeiras que guardavam respectivamente cada RH e seus componentes. 

A medida em que se aproximavam, podia-se perceber a respiração pesada, soltando gemidos agoniados e quando viraram mais um refrigerador... Depararam-se com Minseok caído, chorando com suas mãos sujas de sangue em toda sua roupa social. 

-Min! – Do iria até o secretario para ajudá-lo, quando Oh o parou colocando seu braço em sua frente. – O que esta fazendo? 

-Veja. – Rosnou como se o técnico fosse tão desatento ao olhar melhor a situação. Várias bolsas descartadas e vazias, sujas no chão em volta do corpo trêmulo jaziam abertas e rasgadas. 

-Três... – O Kim falou finalmente os olhando, choroso. – Três de-deles! Muitos... 

-Você foi machucado? – Kyung ainda perguntava deixando o soldado bravo, era óbvio. 

-Minhas costas... E-Eles rasgaram, unhas enormes! – Ajoelhou-se e analisando sua blusa, a parte de trás do tecido estava em trapos, sua pele gravemente ferida, parecia que os cortes soltavam pequenas bolhas, o tal ácido que falaram. – Me ajudem... 

-Precisamos sair daqui, não podemos! – Huang puxou a mão do namorado e Do ficou indignado. 

-Não! Mas é claro que não! – Exclamou empurrando o braço de sua frente. – Acham que isso é um filme que devemos descartar quem esta ferido? Não podemos largá-lo assim! 

-E espera que façamos o que? 

-Vamos levá-lo a outra enfermaria. Cuidaremos de suas feridas e- 

-Quente. – Minseok reclamou grunhindo de dor ao deitar a testa no chão, abraçando os próprios braços. – Fome! 

-Pessoal... – Wu disse dando passos para trás. – Ele estava bebendo isso! – Puxou a mão do pediatra que quase tropeçou ao ver que todo o sangue dos saquinhos eram os mesmo que estavam no corpo do outro, e percebendo agora, o secretario estava com os lábios rosados, provavelmente ao ter limpado quando os escutou. 

-E-Eu nã-não vou machucá-los! Soo! – Começou a engatinhar em sua direção, porém, acabou vomitando em seus pés após arregalar os olhos, sujando todo sapato de couro do técnico.  

-Céus, Sehun! – Olhou o soldado que assim como os outros, fez menção de correr e horripilantemente, Minseok pareceu surtar ao ver que seria abandonado, mexendo com a adrenalina de seu corpo. Seus olhos ficaram opacos e um rugido escapou de seus lábios antes dele pular em seu corpo jogando ambos no chão.  

Kyungsoo sentiu quando seu rosto foi socado sem dó por uma força sobre-humana, seu jaleco sendo rasgado e uma dor insuportável perto dos braços. Um puxão e logo mantinha-se solto daquele jovem que um dia chamara tanto de amigo. Sua cabeça havia sido batida contra o piso quando caiu e um som insuportável atingia seus ouvidos, o que deixava uma dor aguda até mesmo embaçando sua visão. 

Estava sendo carregado pelos ombros e podia ver o secretário levantando e correndo na direção deles. Atravessaram o corredor fechando-se em outra sala e quando trancaram a porta, o baixinho pode ver a mutação do outro aos poucos sendo conhecida pelo vidro na madeira. Agora sendo um zumbi, o corpo lunático jogava-se contra o batente tentando rachar até mesmo e, ao perceber que não conseguia, deu passos para trás arrancando os próprios  fios de cabelo. Deveria estar gritando.  

-Soo! Ei, Soo! – Oh chacoalhava-o passando a mão em seu rosto. O moreno aos poucos situava-se onde estava e finalmente aquele zumbido infernal parou. – Tudo bem? Como esta se sentindo, ele te machucou? – Perguntava o loiro tentando tocá-lo e afastado por essa ideia. 

-Como vamos sa- 

E o som do alarme de incêndio do hospital tocava por todos os andares. 

Yifan correu até a porta e resmungou indignado que Minseok havia quebrado a caixa de emergência e acionado o dispositivo. Este, sorria no corredor voltando aonde estavam as bolsas de sangue. Se tinha mais monstros naquele hospital, com toda certeza até mesmo os de fora iriam entrar e procurar em meio aquele barulho por sobreviventes como eles. 

-O que faremos agora? – Huang perguntou mas nenhum dos três disse algo. Chocados com tudo aquilo. 

Do não raciocinava sob pressão, ainda mais com o alarme agora para deixá-lo desestabilizado. depois de longos minutos soando, finalmente havia parado. 

-Sentar, chorar, rezar e amaldiçoar essa vida de mer- 

-Yifan! – Huang o empurrou e percebendo que já surtava, o namorado o abraçou pedindo desculpas. 

-Precisamos ir para o terraço. – Oh disse a única ideia que teve e foi questionado como. – E se por acaso... – Olhou pelo cômodo todo, percebendo ser mais uma salinha feita de quarto. Encarou as duas macas e quando ergueu o olhar... – Tubulação? 

 
 

-Essa ideia não foi nada boa... – Comentou kyungsoo baixinho, rastejando-se no metal em volta que os cobria. Não poderia fazer barulho, o mínimo que fosse. O alarme não rodopiava mais pelo hospital e aqueles seres monstruosos eram espertos o suficiente que uma mínima cotovelada poderia ser a passagem para sua vida. Logo atrás se seguia Sehun, Huang e Yifan. A ideia do duto de ar foi genial, subiram nas macas sem problemas e como o Wu era o mais alto, ele os ajudava a entrar naquele cubículo e quando chegasse sua vez... Precisava pular e agarrar-se. 

Toda vez que olhava para baixo e aparecia uma grade por onde passava o ar para determinada ala seu corpo se arrepiava completamente e, com uma caricia suave em sua cintura Oh o tranquilizava quando acabava travando encarando os corpos dos funcionários mortos no chão.  

No fundo se perguntava o porquê de ter dado tamanha liberdade. Do não era do tipo que gostava dos toques voltados a si com desconhecidos. Gostava mais de culpar a adrenalina que sentia. Isso! A adrenalina. 

-Façam silencio. – Murmurou ao perceber que quando subiram na parte que formavam um ‘L’ os levando ao segundo andar, rastejaram-se mais um pouco e, quando olhou a próxima grade... Saberia que teriam problemas. – Fan, vê se controla seu namorado. Não o deixe olhar para a janela de ar.  

-Porque? – Questionou curioso como era. 

-Maternidade... – Disse. Precisava e isso parecia ter levado o Huang ao seu fim da linha. O pediatra rastejou-se até chegar na janelinha que dava uma visão ampla da sala e, ao olhar mais atento, colocando o rosto para fora, encarou a sala que mostrava pelo vidro onde ficava os recém-nascidos em observação.  

Aquilo estava horrível. Os berços revirados, alguns quebrados, tudo no chão. O carmesim borrando as paredes, assim como os corpos miúdos sendo devorados por um monte de zumbis que ao escutarem o grito do moreno em raiva por presenciar aquela monstruosidade nos seus bebês que havia cuidado tanto, com muito carinho, vieram em sua direção. 

Sehun ao perceber aquilo empurrou o corpo de Kyungsoo para que este agisse logo. Dane-se o silencio! Pensava. Precisavam cair o fora dali e engatinhando desesperadamente, o menor foi até o final daquele duto, abrindo sua saída e jogando seu corpo para fora sem ver o que lhe esperava naquele próximo cômodo. 

Oh ainda ousou olhar para trás antes de sair daquele cubículo  e quando encarou os braços fortes dos seres abaixo deles socando e atravessando o duto, indo em direção ao pescoço do pediatra quase faltou seu próprio ar em choque.  

Zitao sentia seus ossos serem quebrados a medida que tantas mãos o agarravam e prensavam seu corpo para que saísse dali de dentro. Suas pernas, braços e pescoço estalaram, fazendo uma enorme quantidade de sangue ser cuspido por sua boca e onde seus ossos atravessam a pele de tão tortos imposto a violência. Yifan estava atrás dele e pelo que podia perceber, pela pouca visão que lhe atrapalhava, este gritava por ajuda. 

Mas já era tarde, o corpo a sua frente estava com a vida contada em segundos e, quando este foi finalmente arrancado do duto pelos monstros, Oh pôde perceber que o próximo seria o médico.  

Os zumbis não pareciam ter notado sua presença ja que o Wu estava em pânico parado. O único som que eles escutavam era dos dentes devorando sua presa e isso o fez tombar para o lado, largado, como se desistisse de tudo. 

-Não, não, Yifan! – Sehun falou mudo, apenas para que o loiro entendesse através da leitura labial. – Não jogue tudo pelos ares... 

-Me mate, por favor! – Mas ele não queria saber, suas palavras saindo altas, encarando a arma presa no cinto do soldado. 

Percebeu que os zumbis haviam escutado e quase deu um salto quando estes tentavam invadir aquele duto, as mãos tentando atravessar o metal de forma impressionante, conseguindo criar um buraco próximo aos pés do outro. 

-Yifan! Corre até aqui! – Gritou e sua ordem não foi atendida. – Mas que droga, venha logo seu maldito doutor!  

-Apenas faça! – Wu disse sentindo sua perna ser puxada, passando pela abertura o mantendo entalado.  

Sehun ficou nervoso principalmente quando viu o amigo começar a arranhar as paredes metálicas, gritando provavelmente por ter seu membro inferior sendo devorado e, pensando em acabar com a vida dele de uma vez, sem que fosse uma tortura, mirou seu rifle de mau jeito atirando em sua cabeça.  

Aquilo estava errado, o som da bala, seria descoberto! Decidiu virar e engatinhar pra fora dali e quando conseguiu, caiu em algo duro, molhado, fazendo-o ficar um pouco tonto pela queda. 

-Po-Por favor, vamos dar o fora! – Escutou a voz de Kyungsoo e este abraçava a si próprio de olhos tão desesperados. Suas pupilas tão dilatas que achava que o baixinho fosse surtar a qualquer instante. Mas não era pra tanto. Ele estava ensopado de sangue,mais corpos mortos estavam no chão com suas carnes abertas, dilaceradas e isso os amorteceu da queda. Seria uma batida feia. – Do... – Levantou-se atordoado indo até si, limpando seu rosto todo manchado. – Falta pouco. Mais dois andares... 

-Vamos conseguir? – Perguntou baixinho e surpreendendo o soldado, abraçou-o fortemente, agarrando sua cintura. 

-Sim, vamos! – Acariciou suas costas. Nem ele sabia. 

-Escutei o Tao... O Fan... Céus! – Gemeu pronto para chorar novamente, quando foi afastado para que encarasse os olhos do loiro firmes.  

-Não podemos desistir! 

 

 

-Quantas balas tem nesse rifle? – Questionou ao outro enquanto subiam as escadas do quarto andar. Haviam encontrado mais zumbis e sem paciência alguma, Sehun começou a atirar em cada um deles como se estivessem em um videogame. O técnico de enfermagem achava totalmente belo como ele erguia a arma, posicionava em linha reta e fechava um dos olhos ao mirar os acertando.  

-Quando cheguei neste hospital ja havia gastado nove. Contando com o disparei no duto em que estivemos mais um e agora, com esses seres no andar anterior mais oito. – Respirou fundo ao subirem finalmente no ultimo corredor que precisariam atravessar, colando suas costas contra a parede para que pensassem. Ao longe, podia ver as escadas que os levariam no terraço. Só precisava chegar até ela, e arrastar a porta de aço, que com toda certeza eles não teriam forças para destruir. 

-E quantas normalmente possui nesse tipo de pente? 

-Vinte munições. – Virou o rosto para o moreno.  

-Restam duas... 

-Vamos conseguir subir! – E como num ato impensado, puxou o baixinho contra seu corpo, beijando-o firme. Um encostar de lábios bruto, mas que arrepiou por completo o trabalhador da área da saúde. Os braços menores caíram rente lado a lado do próprio corpo, assim como seus olhos se fecharam assim que o ósculo se aprofundou. O roçar de línguas, a pegada forte ao sentir os fios de cabelo serem puxados e a ansiedade por saber que estavam fazendo algo que jamais o faria em uma situação como aquela, impensada, deixava seus nervos a mil! 

Ficaram longos segundos aproveitando da sensação que era de ter um conforto que talvez não poderiam mais almejar. Por fim entrelaçando suas mãos seguindo confiantes por aquele corredor tão comprido. 

-Vamos correr! – Sehun disse acelerando os passos e o jovem Do também a sua medida, até que sem que pudessem evitar, um dos zumbis que atravessava a curva de uma das direções da sala vazia pulou contra eles, os derrubando no chão com o impacto tão imenso. 

Kyungsoo bateu suas costas contra a parede ao rolar até ela, ja Oh estava deitado virado para cima, aquela criatura sentada em cima de seu corpo desferindo vários socos em seu rosto o deixando roxo, com várias ferias ao ter as unhas tortas arranhando sua pele.  

Levantou-se o mais rápido que podia, ultrapassando os limites que seu corpo possuía por estar se sentindo tão quente e cansado, encarando o rifle que havia caído próximo a si. Não pensou duas vezes em pega-lo para atirar naquele humano que sofreu a mutação tão angustiante. Aquilo transmitia aos outros através de mordidas pois o contato com a saliva possuía todo o veneno que acabou criando em seu organismo. Preferia dizer assim e não culpar as drogas que o hospital oferecia naquela experiência ridícula. 

Oh gritou e isso foi um basta para o cortar de seus pensamentos, erguendo o cano da arma em direção as costas no mostro e torcendo para que acertasse. Não podia errar... Apenas duas balas estava em jogo! 

E apertando o gatilho que pensou que alguma alma divina os olhava, havia feito um tiro certeiro. 

O zumbi caiu urrando no chão com sua nuca estourada, o levando a cair sem vida instantaneamente por estar curvado e atravessar seu cérebro. 

Enlaçou a tira de couro envolta de seus ombros e correu até o soldado o puxando pra longe daquele ser horripilante que soltava algo verde pelos orifícios que possuía, e percebendo que o maior estava quase perdendo o fio racionalidade, o colocou em suas costas. 

Sehun era maior que si, aquilo dificultava imensamente. Mas sua vontade de viver era maior.  

Puxou os braços lado a lado de seu pescoço e mesmo que sentisse uma dor absurda por todo seu corpo, os levou, lentamente até as ultimas escadas... 

O ultimo fio de esperança que tinham. 

Rezava para que não aparecesse mais nenhum zumbi por ali porque ai sim tudo acabava. Não aguentaria mais e muito menos conseguiria lutar. 

E foi em meio a lágrimas escorrendo por suas bochechas e um sorriso vitorioso que conseguiu subir cada degrau chegando ao terraço.  

Colocou o Oh ao lado da porta e a fechou com o resto que tinha de energia trancando eles ao girar o dispositivo gigante de aço. Finalmente seguros. 

Ajoelhou-se em frente ao homem que agradeceria todos os dias por ter o salvo e que se desculparia por todas as vezes culpá-lo por aquela situação no país. Sabia que estava errado, mas o ódio que sentia dos cientistas e do exército que colaborou com tudo aquilo falou mais alto. 

-Sehun... – Tocou seu rosto, pescoço, braços, peito, abdome e por fim suas pernas, procurando algum indicio de uma lesão que pudesse dar um jeito. – Sehun, conseguimos! Vo-Você estava certo, conseguimos! – Despencou-se em mais lágrimas e sentiu um afago em sua cabeça. Ergueu-a e encarou o repuxar de lábios que Oh fazia transmitindo que estava bem. 

-Não te disse? 

-Estamos seguros agora. – O abraçou aconchegando em seu corpo. 

-Vamos descansar. Precisamos disso.  

 
 
 

-Soo? – Seu nome foi chamado de forma carinhosa e percebeu que ainda permanecia agarrado ao corpo do mais velho. Este, fazia um carinho em suas costas, tão gostoso que sentia-se egoísta querendo ficar assim para sempre, querendo mais. – Ja é de manhã, pequeno. – E ainda preguiçoso, sentindo uma enorme queimação aflorar em sua garganta, afastou-se de Oh o olhando fixamente em suas orbes. 

-O que foi? – Perguntou confuso ao receber um olhar tão... Estranho em sua opinião.  

-Na-Nada. – Oh gaguejou, sorrindo torto. – Soo, precisamos ver a situação do hospital. – Falou desviando do assunto e o baixinho concordou, se levantando e olhando o quão molhado estava ali. Nem tinha percebido que ainda chovia quando chegaram, estava tão focado em ter ambos inteiros, que mal pensara no clima.  

Calmo, foi até a borda do edifício e congelou ao ver a quantidade enorme de zumbis que rodeavam.  

-Não... Isso só pode ser brincadeira! – Mordeu os lábios e gemeu com o ato, levando a mão a boca e quando olhou sua palma, um pedaço de pele havia desprendido dela. – Mas o que... – E seus olhos desceram até seu pulso, este com uma marca roxa, que ao passar os dedos por ela, caiu de joelhos tamanha dor que sentiu ao ver o estado lastimável que sua carne encontrava-se, desfazendo-se e saindo com tamanha facilidade aparecendo o começo de seu osso. – Quando? – Virou o rosto até Sehun que veio até si segurando seu outro braço, e mais uma vez gemeu ao perceber, que ao ter a manga do jaleco erguida, uma mordida encontrava-se ali marcada. 

-Minseok... – Oh sussurrou. – Temos que tratar isso... E-Eu, o que devemos fazer, Kyungsoo? Eu não sou médico, sou leigo nessas coisas! 

-Não há o que fazer... ­– Respondeu trêmulo, soltando-se dele. – Vou me tornar um monstro! – Gritou e sua garganta parecia arranhar ainda mais com o esforço que mantinha para falar.  

-Vamos dar um jeito! 

-Não, não vamos. Eu... Céus, como sou estúpido! – Rosnou indo para trás, ficando de pé. – Deveria ter ouvido vocês, agora vou virar um monstro... Eu... – Parou de andar. – Vou matá-lo! Sehun, eu vou matá-lo! 

-Não vai, nós- 

-O rifle! – Tirou a arma de suas costas, jogando para o soldado que a pegou antes que esta caísse. – Faça a escolha certa, por favor, eu não quero te machucar... – Soluçou. 

-Tem que haver outro jeito Soo. – O loiro tentava argumentar, não podia fazer uma coisa dessas com ele, era diferente, amava Do de uma forma agora elevada demais naquela situação. 

-Outro jeito? Olha para fora desse hospital e me diga, quer que eu te devore como eles fazem e se torne uma criatura igual? Por favor, não deixa eu fazer isso contigo. – E olhou para o chão sentindo-se trêmulo. Oh foi até si novamente, ajoelhou-se e beijou sua testa, sem afastar-se. Permaneceu com os lábios colados ali e o técnico fechou os olhos. 

-Eu te amo, certo? 

-Ja me conformei com isso. 

-Você é uma pessoa difícil! Até nessas ho- 

-Quer que eu te iluda? Eu gostei de você, mas amor... 

-Apenas diga essas três palavras e vou me sentir bem. – Sehun pediu e Kyungsoo sentiu quando sua mão tocou a base do rifle, e seus dedos foram encaixados no gatilho.  

-O-O que você vai fazer? – Não queria encarar aquilo, mas no fundo sabia. Morrer ali não adiantaria nada. Oh ficaria sozinho e provavelmente enlouqueceria, não teria como fugir e graças ao alarme disparado com certeza os zumbis subiriam procurando de alguma forma um meio.  

-Você sabe. – O rifle foi inclinado, o cano bem rente abaixo do queixo do soldado. – Quando se torna uma dessas criaturas nossa racionalidade vai embora. Não somos mais o que era antes. Não adianta nada eu te matar sabendo que uma hora chegara minha vez... Não quero fazer isso com você, Soo. 

-E por isso vai me usar? 

-Não. Seu estagio esta avançado. Seus olhos ja estão sem vida, falta poucos minutos para que a mutação seja completa. -- Respirou fundo, fechando seus olhos também. – Quando você se tornar um deles, não vai saber o que aconteceu. Vai apertar isso instintivamente e... 

-Morreremos juntos. 

-Uma bala... 

-Duas vidas...  – Riu soprado, sem humor algum. – Acho que posso dizer que te amo então... 

 
 

Minutos depois, apenas o som do disparo da M16A4 foi escutado pelas criaturas que tentavam destruir a porta daquele terraço. 



Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...