História My Angel - Norminah G!P (MANUTENÇÃO) - Capítulo 51


Escrita por: ~

Postado
Categorias Fifth Harmony
Personagens Dinah Jane Hansen, Normani Hamilton
Tags Dinah Jane, G!p Norminah, Normani Kordei, Norminah
Visualizações 236
Palavras 3.957
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Aventura, Crossover, Drama (Tragédia), Famí­lia, Fantasia, Festa, Ficção, Mistério, Musical (Songfic), Romance e Novela, Saga, Shoujo (Romântico), Suspense
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Cross-dresser, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Intersexualidade (G!P), Linguagem Imprópria, Nudez, Pansexualidade, Sexo, Spoilers, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Oii, mores, tudo bom?
Eu sinto muito, por ter demorado, só desanimei um pouco... Mas o que importa é que voltei hehehe.
Enjoy. 💙

Capítulo 51 - Temporada 3 - Capítulo 10


Fanfic / Fanfiction My Angel - Norminah G!P (MANUTENÇÃO) - Capítulo 51 - Temporada 3 - Capítulo 10

Normani P.O.V

A primeira coisa que vi quando acordei de manhã no domingo foi uma garrafinha cor de âmbar com um rótulo com os dizeres CURA RESSACA em letras desenhadas à moda antiga. Um laço feito de ráfia enfeitava o gargalo, e uma rolha mantinha a integridade de seu conteúdo de virar o estômago. A tal cura funcionava, um fato que eu tinha comprovado pessoalmente na primeira vez em que Dinah me deu aquilo para beber, mas a visão da garrafinha tinha o efeito desagradável de me lembrar da quantidade de álcool ingerida na noite anterior. 

Fechando os olhos com força, gemi e enterrei a cabeça no travesseiro com a intenção de voltar a dormir.

Algo se mexeu sobre a cama. Lábios firmes e quentes desceram pelas minhas costas nuas.

– Bom dia, meu anjo.

– Pelo jeito você está feliz da vida – eu murmurei.

– Sim, mas só por sua causa.

– Tarada.

– Eu estava me referindo à sua capacidade de gerenciar crises, mas, claro, o sexo foi sensacional, como sempre. – Ela enfiou a mão por baixo do lençol, contornou minha cintura e apertou minha bunda.

Ergui a cabeça e vi que ela estava encostada à cabeceira do meu lado, com o laptop no colo. Estava linda como sempre, completamente à vontade, vestindo apenas um short largo. Eu com certeza não devia estar tão atraente. Fui embora de limusine com as meninas, e depois encontrei com Dinah em seu apartamento. Já estava quase amanhecendo quando fomos dormir, e eu estava tão cansada que despenquei na cama ainda com os cabelos molhados depois de uma ducha rápida.

Uma sensação de prazer se espalhou pelo meu corpo quando a vi ao meu lado. Ela tinha dormido no quarto de hóspedes, e podia muito bem ter ido trabalhar no escritório. O fato de ter escolhido a cama em que eu estava dormindo significava que preferia ficar comigo, mesmo quando eu estava inconsciente.

Eu me virei para olhar no relógio do criado-mudo, mas algo no meu pulso chamou a minha atenção.

– Dinah... – Um relógio havia sido colocado no meu braço enquanto eu dormia, uma peça de inspiração art déco cravejada de pequenos diamantes. A pulseira era creme, e no mostrador de madrepérola liam-se as marcas Patek Philippe e Tiffany & Co. – É lindo.

– Existem vinte e cinco como esses no mundo. Não é uma coisa tão singular como você, mas pensando bem nada no mundo seria. – Ela sorriu para mim.

– Eu amei – falei e fiquei de joelhos. – E amo você.

Ela deixou o laptop de lado, permitindo que eu montasse nela e a abraçasse.

– Obrigada – eu murmurei, emocionada por sua demonstração de consideração. Ela devia ter ido comprar quando eu estava na minha mãe, ou logo depois que saí com as meninas.

– Humm. Me diga o que eu preciso fazer para ganhar um desses abraços sem roupa todos os dias.

– Basta ser você mesma, DJ. – Eu acariciei o rosto dela com o meu. – Você é tudo de que eu preciso.

Desci da cama e fui até o banheiro com a garrafinha na mão. Estremeci ao beber todo o conteúdo, e depois lavei o rosto. Vesti um robe, voltei para o quarto e vi que Dinah havia saído da cama, deixando o laptop por lá.

Eu a encontrei em seu escritório, de pé com os braços cruzados, virada para a janela. A cidade se estendia diante dela. Não era uma vista distante como a do Building Hansen ou a de sua cobertura — era algo mais próximo e imediato, que proporcionava uma ligação mais íntima com a cidade.

– Isso não me preocupa – ela falou no headphone. – Estou consciente dos riscos... Já chega. Não estou pedindo sugestões. Proponha o acordo conforme o especificado.

Reconheci seu tom implacável de mulher de negócios e passei direto. Eu não sabia o que tinha naquela garrafa, mas imaginava que eram vitaminas e algum tipo de bebida alcoólica. O líquido esquentou minha barriga e me deixou um tanto letárgica, o que me motivou a ir até a cozinha preparar um café.

Com o suprimento de cafeína em mãos, sentei no sofá e fui verificar se tinha recebido alguma mensagem no celular. Franzindo a testa, notei que havia três ligações perdidas do meu pai, todas feitas antes das oito da manhã no horário da Califórnia, além de algumas dezenas de telefonemas da minha mãe, mas achei melhor só voltar a me estressar com ela na segunda-feira. Para terminar, uma mensagem de Val em letras garrafais: me liga!

Telefonei para o meu pai primeiro, dando um gole rápido no café antes que ele atendesse.

– Normani.

A maneira ansiosa como ele pronunciou meu nome mostrou que havia alguma coisa errada. Eu me ajeitei no sofá.

– Pai... está tudo bem?

– Por que você não me contou a respeito de Nathan Baker? – Sua voz estava embargada e carregada de sofrimento. Senti a minha pele se arrepiar. Ai, merda. Ele soube. Comecei a tremer tão intensamente que derramei café na mão e no colo, e mal percebi. Eu estava em pânico diante da demonstração de angústia do meu pai.

– Pai, eu...

– Não acredito que você não me contou. Nem a Andrea. Pelo amor de Deus... Ela devia ter feito alguma coisa. Devia ter me contado. – Ele soltou um suspiro trêmulo. – Eu tinha o direito de saber.

A tristeza se espalhou corrosivamente pelo meu peito. Meu pai — um homem cujo autocontrole era comparável ao de Dinah — parecia estar chorando.

Pus a caneca sobre a mesinha de centro, com a respiração ofegante. O sigilo da ficha policial de Nathan tinha sido anulado depois de sua morte, expondo os horrores do meu passado a qualquer um que tivesse permissão e motivo para consultá-la. Por ser um policial, meu pai tinha acesso a ela.

– Não havia nada que você pudesse ter feito – eu falei, atordoada, mas tentando manter o controle para preservá-lo de um sofrimento ainda maior. Ouvi o bipe de uma nova chamada no celular, mas ignorei. – Nem antes nem depois.

– Eu poderia ter oferecido o meu apoio. Poderia ter cuidado de você.

– Isso você fez, pai. Me apresentou ao dr. Travis, e isso mudou a minha vida. Foi só então que eu comecei a conseguir lidar melhor com essa questão. Não tenho palavras pra dizer o quanto isso me ajudou.

Ele resmungou, e era claramente uma reclamação de dor.

– Eu devia ter lutado para tirar você da sua mãe. O seu lugar era comigo.

– Ai, meu Deus. – Senti meu estômago se contrair. – Não dá pra pôr a culpa na mamãe. Ela só descobriu o que aconteceu muito depois. E, quando soube, fez de tudo pra...

– Ela não me contou! – ele gritou, me provocando um sobressalto. – Ela tinha que ter me contado, porra. E como ela só ficou sabendo bem depois? Sempre existem os sinais... Como ela pôde ignorar tudo isso? Minha nossa. Até eu percebi que tinha alguma coisa errada quando você veio pra Califórnia.

Comecei a chorar aos soluços, incapaz de conter a minha dor.

– Eu implorei pra ela não contar pra você. Obriguei a mamãe a prometer que não falaria nada.

– Essa decisão não cabia a você, Normani. Você era uma criança. A responsabilidade era toda dela.

– Me desculpa! – eu gritei. O ruído insistente e incansável da outra ligação colaborava ainda mais para o meu estado de agitação. – Eu sinto muito. Não queria que mais ninguém sofresse por causa de Nathan.

– Estou indo aí ver você – ele anunciou, de repente parecendo mais calmo. – Vou entrar no primeiro avião para Nova York. Ligo quando chegar.

– Pai...

– Eu te amo, querida. Você é tudo para mim.

Ele desligou. Com o coração em frangalhos, fiquei ali sentada, sem reação. Eu sabia que o meu pai estava se sentindo corroído por dentro pelo que tinha acontecido comigo, mas não sabia como lidar com as consequências desse sentimento.

O celular começou a vibrar na minha mão e, quando vi o nome da minha mãe aparecer na tela, eu simplesmente não sabia o que fazer.

Com as pernas bambas, fiquei de pé e larguei o celular sobre a mesinha como se estivesse queimando a minha mão. Eu não ia conseguir falar com ela. Não queria conversar com ninguém. Só queria Dinah.

Fui cambaleando pelo corredor, arrastando o ombro na parede. A voz de Dinah ia ficando mais nítida à medida que eu me aproximava, acelerando o passo, com o rosto cada vez mais banhado em lágrimas.

– Agradeço a sua preocupação, mas não – ela falou em um tom de voz grave e firme que era muito diferente do anterior. Era mais amigável, mais íntimo. – Claro que somos amigas. Você sabe por quê... Porque eu não posso te dar o que você quer de mim.

Parei na porta do escritório e a vi sentada atrás da escrivaninha, com a cabeça baixa, apenas escutando.

– Pode parar – ela disse friamente. – Nem pense em falar comigo nesse tom, Zendaya.

– Dinah – eu sussurrei, agarrada ao batente da porta com todas as forças. Ela olhou para mim, endireitou o corpo e ficou de pé. A ruga em sua testa desapareceu.

– Preciso desligar – ela falou, removendo o headphone e saindo de trás da mesa. – O que foi? Está passando mal?

Ela me abraçou quando fui correndo em sua direção. A sensação de alívio ao sentir seu toque foi imediata.

– O meu pai descobriu tudo. – Pressionei o rosto contra o peito dela, com o eco do sofrimento do meu pai ainda ressoando na minha mente. – Ele está sabendo de tudo.

Dinah me envolveu em seus braços. Seu telefone começou a tocar. Soltando um palavrão baixinho, ela me levou para fora do escritório.

Do corredor, eu podia ouvir meu celular vibrando na mesinha de centro da sala. O barulho irritante de dois telefones tocando ao mesmo tempo me deixou extremamente ansiosa.

– Vou ver se é alguma coisa importante – ela falou.

– É a minha mãe. Tenho certeza de que o meu pai já ligou pra ela, ele está furioso. Meu Deus, Dinah... Ele ficou arrasado.

– Eu entendo como ele se sente.

Dinah me conduziu até o quarto de hóspedes e fechou a porta. Ela me deitou na cama, pegou o controle remoto de cima do criado-mudo, ligou a televisão e ajustou o volume até encobrir todo o ruído ao redor, menos o do meu choro soluçante. Depois disso se deitou ao meu lado e me abraçou, acariciando minhas costas com as mãos. Eu chorei até sentir que não tinha mais lágrimas nos olhos.

– Me diz o que eu posso fazer – ela falou quando eu me acalmei.

– Ele está vindo pra cá. Pra Nova York. – Senti meu estômago embrulhar só de pensar na ideia. – Ele vai tentar pegar um voo hoje mesmo, acho.

– Quando souber que horas ele chega, posso ir com você até o aeroporto.

– Você não pode...

– Não o cacete – ela disse sem pestanejar. Beijei sua boca em meio a um suspiro.

– É melhor eu ir sozinha. Ele está chateado. Não vai querer que ninguém o veja nessas condições.

Dinah balançou a cabeça.

– Então vai com o meu carro.

– Qual deles?

– O Corolla da sua nova vizinha.

– Oi?

Ela encolheu os ombros.

– Você vai saber qual é assim que entrar na garagem.

Disso eu não duvidava. Fosse qual fosse o nome, seria um carro bonito, potente e impecável — assim como a dona.

– Estou com medo – murmurei, enroscando minhas pernas bambas ainda mais com as dela. Ela era tão forte e centrada. Minha vontade era me agarrar a ela e nunca mais largar. Dinah passou os dedos pelos meus cabelos.

– De quê?

– As coisas entre mim e a minha mãe já andam difíceis pra caralho. Se os meus pais resolverem brigar, não vou querer ficar no meio. Você sabe como eles se comunicam mal... principalmente a minha mãe. Eles são loucos um pelo outro.

– Eu não sabia disso.

– É porque você nunca viu os dois juntos. Rola o maior clima – eu expliquei, lembrando que Dinah e eu estávamos separadas quando fiquei sabendo que a química entre os meus pais ainda era quentíssima. – E o meu pai até confessou que ainda é apaixonado por ela. Só de pensar nisso me bate uma tristeza...

– Por que eles não estão juntos?

– Pois é, porque não somos uma família unida e feliz – eu completei. – Não dá pra imaginar como eles conseguiram passar a vida inteira longe da pessoa que amam. Quando eu perdi você...

– Você nunca me perdeu.

– Foi como se uma parte de mim tivesse morrido. Ficar com essa sensação pra sempre...

– Deve ser um inferno. – Dinah acariciou o meu rosto com os dedos, e pude ver o abatimento em seus olhos — o espectro de Nathan ainda a atormentava. – Pode deixar que eu cuido da sua mãe.

Eu pisquei os olhos, confusa.

– Como?

Ela curvou os lábios.

– Vou ligar pra ela e perguntar como você está, se está bem. Dar início ao meu processo de reaproximação pública de você.

– Ela sabe que eu contei tudo pra você. Pode ser que dê um chilique.

– Antes comigo do que com você.

Ao ouvir isso, eu quase abri um sorriso.

– Obrigada.

– Vou distrair um pouco a cabeça dela, mudar o foco das coisas.

Ela pôs a mão sobre a minha e mexeu no meu anel. O novo foco seria o casamento. Ela não disse isso, mas eu entendi. E é claro que isso faria a minha mãe só pensar nessa possibilidade.

Uma mulher da estatura de Dinah só se reaproximaria de uma mulher através de sua mãe — principalmente uma mãe como Andrea Stanton — caso suas intenções fossem sérias. Mas esse era um assunto para o futuro.

Durante a hora seguinte, Dinah fez de tudo para disfarçar que estava preocupada comigo. Porém, ficava sempre por perto, me seguindo de cômodo em cômodo sob pretextos variados.

Quando meu estômago roncou, ela foi imediatamente até a cozinha e providenciou sanduíches, um pacote de batata frita e uma salada de macarrão. Comemos no balcão da cozinha, e eu deixei que sua atenção intensa me confortasse.

Por mais difíceis que estivessem as coisas, ela estava lá para me oferecer apoio. Ao lado dela, não havia problema que parecesse insuperável. Do que não seríamos capazes se continuássemos juntas?

– O que a Zendaya queria? – eu perguntei. – Além de você.

Ela fechou a cara.

– Não quero falar sobre ela.

Notei uma certa exasperação em seu tom de voz, e fiquei intrigada.

– Está tudo bem?

– O que foi que eu acabei de dizer?

– Uma desculpa esfarrapada que eu preferi ignorar.

Ela bufou, mas acabou se rendendo.

– Ela está chateada.

– Chateada de gritar e esbravejar ou de cair no choro?

– E isso faz diferença?

– Claro, uma coisa é ficar puta da vida com uma pessoa, e outra é estar na pior por causa dela. Por exemplo: Briannah está puta e quer acabar com a sua reputação; eu estava na pior por sua causa, mal conseguia levantar da cama todos os dias.

– Minha nossa, Normani. – Ela pegou na minha mão. – Eu sinto muito.

– Já chega de pedir desculpas! Você vai compensar tudo isso aguentando o chilique da minha mãe. E então, Zendaya estava puta ou na pior?

– Ela estava chorando. – Dinah fez uma careta. – Estava descontrolada.

– Sinto muito por isso. Só tome cuidado pra não deixar que ela faça você se sentir culpada.

– Eu usei ela – ela disse baixinho – pra proteger você.

Deixei o sanduíche de lado e olhei bem para ela.

– Você disse ou não disse que só o que tinha a oferecer era sua amizade?

– Você sabe que sim. Mas também dei a entender que poderia rolar mais, pra despistar a imprensa e a polícia. Ficou algo no ar. É por isso que eu me sinto culpada.

– Pois pode parar com isso. Aquela vadia fez de tudo pra que eu pensasse que você estava transando com ela – eu ergui dois dedos da mão – duas vezes. Na primeira vez, fiquei tão magoada que ainda não superei o trauma. Além disso, ela é casada, porra. Não tem nada que ficar dando em cima da minha namorada se tem marido em casa.

– Espera um pouco. Que história é essa de fazer você pensar que eu estava transando com ela?

Eu expliquei ambos os incidentes — o mal-entendido do batom no vestido e a minha visita-surpresa ao apartamento de Zendaya, quando ela fingiu que tinha acabado de dar para ela.

– Isso muda bastante as coisas – ela comentou. – De fato não temos mais nada a dizer uma pra outra.

– Obrigada.

Ela ajeitou os meus cabelos atrás da orelha.

– Tudo isso vai passar, mais cedo ou mais tarde.

– E o que nós vamos fazer depois disso? – eu murmurei.

– Ah, com certeza eu vou conseguir pensar em alguma coisa.

– Em sexo, né?

Sacudi a cabeça.

– Eu criei um monstro.

– E tem também o trabalho... nossa parceria.

– Ai, meu Deus. Você não desiste.

Ela abocanhou uma batatinha.

– Depois do almoço, quero que você veja a nova versão do site da Hansenroads e das Indústrias Hansen.

Eu limpei a boca com um guardanapo.

– Sério? Que rápido. Fiquei impressionada.

– Dá uma olhada primeiro e depois me diz se ficou mesmo.

Dinah me conhecia muito bem. O trabalho era minha válvula de escape, então ela me pôs para trabalhar. Levou o laptop para a sala, pôs meu celular no silencioso e foi até o escritório ligar para a minha mãe.

Nos primeiros minutos em que fiquei sozinha, eu ouvia o ruído grave de sua voz enquanto tentava me concentrar nos sites que ela me mostrou, mas estava tensa demais para conseguir prestar atenção no que quer que fosse. Acabei ligando para Val.

– Onde foi que você se meteu? – ele reclamou assim que atendeu.

– Eu sei que está tudo uma loucura – me apressei em dizer, certa de que meu pai e minha mãe tinham ligado para minha casa quando não conseguiram falar comigo no celular. – Desculpa.

Pelo ruído de fundo, percebi que Val estava na rua.

– Que tal me contar o que está acontecendo? Está todo mundo ligando pra mim. Os seus pais, Stanton, Clancy. Estão todos atrás de você, e não conseguem falar no seu celular. Fiquei preocupadíssimo, achei que tinha acontecido alguma coisa!

Merda. Eu fechei os olhos.

– O meu pai descobriu tudo a respeito do Nathan.

Ele ficou em silêncio, e os sons dos motores e da buzina eram os únicos sinais de que ainda estava na linha.

– Puta merda. Ai, gata. Que mal. – O tom de compaixão em sua voz provocou um nó na minha garganta. Mas eu não queria mais chorar. O barulho de fundo de repente cessou. Ele estava entrando em algum ambiente fechado.

– Como ele está? – Val perguntou.

– Está arrasado. Meu Deus, Val, foi horrível. Acho que ele estava até chorando. E ficou irritadíssimo com a mamãe. Deve ser por isso que ela estava ligando.

– E o que ele pretende fazer?

– Ele está vindo pra cá. Vai me ligar quando o avião pousar em Nova York.

– Ele está vindo pra cá agora? Tipo hoje mesmo?

– Acho que sim – eu respondi. – Nem sei se ele podia se afastar do trabalho de novo tão cedo.

– Eu arrumo o quarto de hóspedes quando chegar em casa se você não tiver feito isso ainda.

– Pode deixar que eu cuido disso. Onde você está?

– Vou almoçar e pegar um cinema com Jilly. Eu precisava sair de casa um pouco.

– Desculpa por obrigar você a ser o meu telefonista.

– Não tem problema – ele falou, no melhor estilo Val. – Mas eu fiquei preocupado. Você anda sumida ultimamente. Não sei onde nem com quem você está. É o tipo de coisa que não combina com você.

O tom de acusação em sua voz só fez crescer meu sentimento de culpa, mas eu não podia dizer nada.

– Sinto muito. – Ele esperou por uma explicação que não veio, e murmurou algo consigo mesmo antes de dizer:

– Chego em casa daqui a umas duas horas.

– Certo. A gente se vê lá.

Depois de desligar, telefonei para o meu padrasto.

– Normani.

– Oi, Richard. – Fui direto ao assunto. – O meu pai ligou pra minha mãe?

– Só um momento. – Houve um silêncio do outro lado da linha por um minuto ou dois, e então ouvi o som de uma porta se fechando. – Ele ligou, sim. Foi... bem desagradável para a sua mãe. Este fim de semana está sendo bem difícil para ela. Andrea não está nada bem, e eu estou preocupado.

– Não está sendo fácil pra nenhum de nós – eu respondi. – Liguei pra avisar que meu pai está vindo pra Nova York e que vou precisar de um tempo a sós com ele pra conversar. – Você precisa dizer para Derick ser um pouco mais compreensivo com sua mãe, por tudo o que ela passou. Ela estava sozinha no mundo, com uma filha traumatizada.

– E você precisa entender que ele precisa de um tempo pra absorver tudo o que aconteceu – rebati. Meu tom de voz saiu um pouco mais áspero do que eu desejava, mas refletia com precisão os meus sentimentos. Eu não ia aceitar que me obrigassem a tomar partido entre um dos meus pais. – E preciso que você peça pra minha mãe parar de ficar ligando pra mim e pro Val o tempo todo. Fale com o dr. Petersen, se for preciso – eu sugeri, mencionando o nome do terapeuta da minha mãe.

– Andrea está ao telefone agora. Vou conversar com ela quando desligar.

– Não se limite a conversar. Faça alguma coisa a respeito. Esconda os telefones, se for preciso.

– Isso seria uma medida extrema. E desnecessária.

– Não se ela não parar com isso! – Comecei a batucar com os dedos na mesa. – Você e eu, nós mimamos demais a minha mãe — Oh, não vamos incomodar a Andrea! — porque fazemos de tudo pra evitar os chiliques dela. Isso se chama chantagem emocional, Richard, e nós estamos pagando bem caro por isso.

Depois de um instante em silêncio, ele falou:

– Você está sob muita tensão neste momento. E...

– Não me diga! – Tive a impressão de que estava gritando. – Eu amo a minha mãe, e ligo quando puder. Diga isso pra ela. Só que não vai ser hoje.

– Clancy e eu estamos à disposição caso você precise de alguma coisa – ele disse, bem sério.

– Obrigada, Richard. Eu agradeço muito.

Quando desliguei, tive que me controlar para não atirar o telefone na parede.

Consegui me acalmar um pouco para ver o site da Hansenroads antes que Dinah voltasse do escritório. Ela parecia exausta, e até um pouco tonta, o que era de esperar, aliás. Lidar com a minha mãe quando estava chateada era um desafio para qualquer um, e Dinah não tinha muita experiência nesse quesito.

– Eu avisei.

Ela ergueu os braços e alongou o corpo.

– Ela vai ficar bem. É bem mais durona do que aparenta.

– Ela ficou feliz por você ter ligado, né? – Ela sorriu. Eu revirei os olhos. – Ela acha que eu preciso de alguém rico pra cuidar de mim e me manter em segurança.

– E é isso que você tem.

– Só espero que não esteja dizendo isso com a conotação que um homem das cavernas usaria. – Eu me levantei. – Preciso ir pra casa me preparar pra visita do meu pai. Vou precisar dormir em casa enquanto ele estiver aqui, e não acho uma boa ideia você aparecer no meu apartamento. Se ele confundir você com um ladrão, a coisa vai ficar feia.

– E também seria um tremendo desrespeito. Vou aproveitar esse tempo pra marcar presença na minha cobertura.

– Certo. Passei as mãos no rosto e aproveitei para admirar meu relógio novo. – Pelo menos tenho esta belezinha aqui pra contar os minutos até a gente poder se ver de novo.

Ela foi até mim e me pegou pela nuca. Com os polegares, começou a fazer movimentos circulares tentadores junto ao meu pescoço.

– Preciso saber que você está bem.

Eu balancei a cabeça.

– Já estou cansada dessa coisa de a minha vida girar sempre em torno de Nathan. Preciso pôr uma pedra sobre esse assunto de uma vez por todas.

Eu imaginava um futuro em que minha mãe respeitava minha privacidade, meu pai era minha fortaleza, Val era feliz, Zendaya morava em algum país distante e Dinah e eu não éramos mais assombradas pelo passado. E, a partir daquele momento, eu enfim me sentia pronta para trabalhar nesse sentido.


Notas Finais


Que futuro maravihoso, hein Manz? 😊
Espero que não tenham me abandonado rsrs.
Não deixem esse capítulo flopar, por favor :(
Até logo. 💙


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